Secret Intelligence Service (SIS),
em Londres (Reino Unido)
Vulgarmente conhecido por MI6, o Secret Intelligence Service acabou de celebrar em Outubro o seu primeiro centenário, instalado desde 1995 na nova sede, na Vauxhall Cross, em Londres. O projecto é de Terry Farrrell, que se aproximou do governo britânico em 1987 para ver se vendia a ideia. Na altura, o MI5 (que tem funções internas, ao contrário do MI6) procurava novas instalações e foi estudada a possibilidade de ter os dois serviços juntos, só que se entendeu ser arriscado que as duas instituições passassem a constituir um único alvo. Mas a primeira-ministra Margaret Thatcher, no ano seguinte, aprovou a reinstalação do MI6 e acabou por aparecer este bolo-de-noiva-armado-em-fortaleza, salpicado com um creme de corantes.
Sempre a lidar com crescentes exigências governamentais, o projecto foi revisto e a obra arrancou com as normas de segurança sofisticadas que foram impostas, parte das quais ainda são mantidas em segredo e encareceram substancialmente os custos. Por curiosidade: foram abolidas janelas e, a par de câmaras que espiam tudo o que se passa em redor, apareceu na base um fosso defensivo envolvente, com água e tudo, como nos castelos medievais!
O certo é que lá ficou pronto e recebeu o SIS em 1995, tendo sofrido um ataque a 20 de Setembro de 2000 (atribuído aos republicanos irlandeses) com um rocket russo RPG-22 anti-tanque, que atingiu o oitavo piso e não causou mais do que estragos superficiais.
Por sinal, o imenso prédio já apareceu em alguns filmes do James Bond (primeiro, até sem autorização para ser filmado e, depois, já nos créditos da ficha técnica): GoldenEye, 007 – O Mundo Não Chega, 007 – Morre Noutro Dia e Casino Royale. Diz quem sabe que só mesmo Bond conseguiria descobrir e pousar um helicóptero nas coberturas certas, tal é a profusão e variedade dos planos de topo.
Compreende-se o desgosto de muitos londrinos (e não só por lembrar um hotel de estância balnear): o insólito complexo parece uma construção feita por fases, tem uma volumetria gigantesca e mal distribuída por diversos volumes e ignora por completo qualquer enquadramento estético. Mais a mais, aquela área de Vauxhall, junto da ponte com o mesmo nome, é uma zona tradicional de habitação social que tem estado, nos últimos anos, a ser requalificada.
Ora, plantar tamanho edifício numa zona urbana sensível e, pior ainda, fazê-lo praticamente em cima do Tamisa – como um muro a tapar a vista da marginal para a água e vice-versa – para muito boa gente foi asneira grossa e jamais disfarcável. E quem é que aceita pacificamente que esteja de frente para o rio e que, do lado oposto, seja uma traseira virada à rua e não outra frente?
Por isso, os londrinos só não olham de soslaio para a casa-forte do SIS porque é impossível olhar para ela de outro modo que não seja com os olhos esbugalhados.
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