A ministra da Educação, Isabel Alçada, "deixa cair" a divisão dos professores em duas categorias, bandeira de combate da sua antecessora, e prepara-se para meter na gaveta o processo de avaliação que tanta tinta fez correr. O mesmo primeiro-ministro, duas prioridades distintas no sector educativo. Emídio Rangel - uma escolha apropriada - encarrega-se do elogio fúnebre da acção política de Maria de Lurdes Rodrigues.
A ministra da Saúde, Ana Jorge, reconhece que as taxas moderadoras instituídas pelo primeiro Governo Sócrates, o absoluto, "não cumpriram os objectivos". Por momentos até pensei que a notabilíssima senhora tivesse passado para as fileiras da oposição.
O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, na sequência de um protesto do Bloco de Esquerda, proíbe as taxas no uso dos pagamentos com cartão e no levantamento de dinheiro em multibanco que o próprio Governo autorizara dias antes ao transpor uma directiva europeia para Portugal. E consegue o prodígio de elaborar três orçamentos de Estado num ano, com as previsões sempre a falhar. É obra. Percebo agora por que motivo o Financial Times considera que ainda existem quatro piores ministros das Finanças na zona euro.
O ministro da Economia, Vieira da Silva, desce a terreiro em defesa do chefe do Governo, acusando-o de ser vítima de "espionagem politica". Entendo bem esta intromissão do ministro na esfera judicial: certamente tem pouco que fazer na área governativa que lhe compete. Mas é escusada tanta preocupação: Sócrates já encontrou um excelente advogado de defesa.
O ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, alega que no processo Face Oculta "está a misturar-se política com Justiça". Precisamente. A melhor prova é que ele próprio não conseguiu ficar calado.
A ministra do Trabalho, Helena André, confessa-se "surpreendida" com os números galopantes do desemprego neste maravilhoso país que num ano perdeu 150 mil postos de trabalho, batendo um lamentável recorde de 23 anos. Admiro a candura desta ministra recém-desembarcada de Sirius: ela parece ser a última a saber o que se passa em Portugal.
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