Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
por Pedro Correia | 23.11.09

A ministra da Educação, Isabel Alçada, "deixa cair" a divisão dos professores em duas categorias, bandeira de combate da sua antecessora, e prepara-se para meter na gaveta o processo de avaliação que tanta tinta fez correr. O mesmo primeiro-ministro, duas prioridades distintas no sector educativo. Emídio Rangel - uma escolha apropriada - encarrega-se do elogio fúnebre da acção política de Maria de Lurdes Rodrigues.

 

A ministra da Saúde, Ana Jorge, reconhece que as taxas moderadoras instituídas pelo primeiro Governo Sócrates, o absoluto, "não cumpriram os objectivos". Por momentos até pensei que a notabilíssima senhora tivesse passado para as fileiras da oposição.

 

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, na sequência de um protesto do Bloco de Esquerda, proíbe as taxas no uso dos pagamentos com cartão e no levantamento de dinheiro em multibanco que o próprio Governo autorizara dias antes ao transpor uma directiva europeia para Portugal. E consegue o prodígio de elaborar três orçamentos de Estado num ano, com as previsões sempre a falhar. É obra. Percebo agora por que motivo o Financial Times considera que ainda existem quatro piores ministros das Finanças na zona euro. 

 

O ministro da Economia, Vieira da Silva, desce a terreiro em defesa do chefe do Governo, acusando-o de ser vítima de "espionagem politica". Entendo bem esta intromissão do ministro na esfera judicial: certamente tem pouco que fazer na área governativa que lhe compete. Mas é escusada tanta preocupação: Sócrates já encontrou um excelente advogado de defesa.

 

O ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, alega que no processo Face Oculta "está a misturar-se política com Justiça". Precisamente. A melhor prova é que ele próprio não conseguiu ficar calado.  

 

A ministra do Trabalho, Helena André, confessa-se "surpreendida" com os números galopantes do desemprego neste maravilhoso país que num ano perdeu 150 mil postos de trabalho, batendo um lamentável recorde de 23 anos. Admiro a candura desta ministra recém-desembarcada de Sirius: ela parece ser a última a saber o que se passa em Portugal.




5 comentários:
De clara a 23 de Novembro de 2009 às 10:20
A agonia de um partido, por Vasco Pulido Valente, Público, 22.11.09:

Enquanto o país brama contra a justiça e a corrupção (os jornais de ontem só quase falavam disso), no centro do regime, o PSD apodrece. A derrota eleitoral e a permanência de Ferreira Leite não contribuíram, como era de prever, para uma transição regular e ordeira. Pelo contrário. A intriga ferve por toda a parte: nas distritais, no Parlamento, na direcção. Personagens completamente desconhecidas vieram à superfície na sopa turva de uma guerra civil interminável, enquanto diariamente se fazem e desfazem alianças sem programa, nem propósito e no Instituto Sá Carneiro (pobre Sá Carneiro) algumas criaturas de outro mundo se preparam para descobrir o qual é afinal a verdadeira "identidade" do partido. Não se consegue imaginar uma situação mais catastrófica.


De Lúcia a 23 de Novembro de 2009 às 11:06
A diferença entre um governo com maioria e sem maioria. É por estas e outras incoerências (para dizer o mínimo) que não gosto de mairoas absolutas.


De Pedro Correia a 23 de Novembro de 2009 às 12:32
Nesse aspecto concordo consigo: antes justas incoerências do que coerências injustas (e injustificadas).


De Luís M. Jorge a 23 de Novembro de 2009 às 11:40
Bela galeria de casos.


De Pedro Correia a 23 de Novembro de 2009 às 12:32
Se for preciso arranjam-se mais.


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