Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
por Leonor Barros | 04.11.09

Se há coisas que não entendo é esta mania da Igreja Católica meter o bedelho em tudo. Nesta questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo é bom não esquecer que se fala de casamento e não de matrimónio. Já se sabe que se o objectivo do matrimónio é a procriação, a união entre pessoas do mesmo sexo não tem cabimento e é portanto excluída. Assim sendo, não percebo porque têm de opinar tendo em conta que não é assunto da Igreja, uma vez que o casamento não é reconhecido e que quem se casa pelo civil continua a arcar com as repsonsabilidades do acto ímpio. Se querem trazer luz às ovelhas tresmalhadas façam-no em local próprio. O Estado não se rege pelas leis da igreja, graças a deus. Por acaso a sociedade civil exige um referendo ao celibato dos padres?




40 comentários:
De Ana Cleto a 4 de Novembro de 2009 às 16:49
Que confusão que vai nessa cabeça, santo Deus!


De Leonor Barros a 4 de Novembro de 2009 às 16:51
Não vejo confusão nenhuma. Uma coisa é casamento, outra é matrimónio. O que está em causa é o casamento e não é assunto da Igreja Católica.


De Ana Cleto a 4 de Novembro de 2009 às 16:57
Pronto, não será confusão, mas ignorância desculpe lá.


De Leonor Barros a 4 de Novembro de 2009 às 17:05
Começar uma conversa apelidando os outros de ignorantes não faz parte do que se possa chamar um diálogo e/ou conversa civilizada.


De João Carvalho a 4 de Novembro de 2009 às 17:15
Vamos ver se nos entendemos, Ana.
Dirigir-se a uma senhora - que é uma das autoras do DO e é uma cidadã com toda a legitimidade para expor o que pensa (e em que não deve ser caso exótico pela singularidade, seguramente) - a sugerir ignorância é pouco próprio.
Tem a Ana aqui todo o espaço que entender para contrapor, para expor o que entender sobre este assunto (e outros) e sabe que pode fazê-lo sem que isso lhe custe qualquer preço. Faça-o com elevação, que jamais algum de nós a desiludirá no tom com que nos dirigi(r)mos a si.
Creio que agora estamos entendidos, não é?


De Pedro Correia a 4 de Novembro de 2009 às 19:52
A Ana... Cleto fica sempre assim quando lhe falta o caviar.


De João Carvalho a 4 de Novembro de 2009 às 22:12
Valha-me Deus! Cleto!


De Pedro Oliveira a 4 de Novembro de 2009 às 17:23
Gostei da ideia do referendo ao celibato....
Ás vezes temos de aturar cada comentador nos blogues.


De Leonor Barros a 4 de Novembro de 2009 às 17:38
Raramente têm nome, esses, Pedro :-)


De john a 4 de Novembro de 2009 às 17:25
Bom, cara Leonor, eu não diria que se trata de "meter o bedelho", mas sim de expressar uma posição. Como qualquer instituição poderá fazê-lo, dado que ainda vivemos num país livre, pelo menos tanto quanto sei. Creio que são duas coisas diferentes. Já viu o que seria se, por vivermos num estado laico, as confissões religiões não pudessem expressar publicamente as suas opiniões? E os monárquicos, também teriam de ser silenciados? Afinal, vivemos numa república...


De Leonor Barros a 4 de Novembro de 2009 às 17:41
Todos sem excepção temos direito a uma opinião, mas não temos o direito de nos imiscuir se não nos disser respeito. Prezo muitíssimo a liberdade de expressão, se não nunca poderia exercer esse direito também ao escrever num blogue.


De Carlos Pimentel a 4 de Novembro de 2009 às 17:49
Bem visto. Vivemos em democracia e a democracia preza a liberdade de expressão. Felizmente até dos que desejariam controlar (ainda mais) a dita.

Isso não quer dizer é que se vá já a correr fazer um referendo.Trata-se dum assunto do foro privado, entre dois seres humanos adultos e livres a quem é negado um direito elementar. Ora, isso é discriminatório, eventualmente, até inconstitucional; referendar o quê?


De john a 5 de Novembro de 2009 às 10:55
Carlos, também não sou apologista do referendo; aliás, este tema a mim interessa-me rigorosamente nada. Se querem casar, casem-se; se não se querem casar, não se casem. Sinceramente: quero lá saber. Se houvesse referendo, votaria nulo, ou nem sequer me daria ao trabalho de fazer mais de duas centenas de quilómetros para ir votar.

Leonor, com o devido respeito, não tem razão. Se seguirmos esse seu argumento à risca, então ninguém fala de coisa nenhuma. Goste ou não, a Igreja Católica é uma instituição com importância na sociedade portuguesa. E por isso tem o direito de falar, tal como os monárquicos têm o direito de defender o regresso da Monarquia, tal como a Associação Animal tem o direito de defender que todos devíamos comer só saladas, tal como a Associação República e Laicidade, ou lá como se chama, tem o direito a querer ver os crucifixos retirados (mas não a eliminação dos feriados religiosos, curiosamente...). Olhe, eu também acho que na Animal ou na República e Laicidade só existem idiotas, e nem por isso acho que se deviam calar. Defendam lá o que quiserem. Se concordar com eles (o que seria muito, muito raro), aplaudo. Quando não concordar, ou fico calado, ou rio-me. Mas eles que falem. Faz bem falar. A opinião da Igreja tenha de ser seguida, ou até escutada, porque não tem; mas ninguém tem o direito de a silenciar. Seja ou não um assunto que "lhe diga respeito".


De João Carvalho a 4 de Novembro de 2009 às 17:28
Não estou certo de que o matrimónio (religioso) tenha a procriação como objectivo, embora esta seja encarada como resultado natural e, por conseguinte, o matrimónio tenha em vista a consagração de uma família sólida. Mas não é isso que me traz.
O que ora me move foi ter ficado a pensar no celibato dos padres. Opondo-se este ao matrimónio - logo, à constituição de uma família - como é que aparecem, aqui e ali, tantos procriados? Vou pensar no assunto...


De Leonor Barros a 4 de Novembro de 2009 às 17:43
Em relação à primeira parece-me que a procriação é um dos objectivos principais.
Não sei responder, João. É um mistério insondável ;-)


De Paulo Quintela a 4 de Novembro de 2009 às 17:50
Referendemos o celibato dos ditos, Quanto a 'meter o bedelho', felizmente já o meteram mais, a velhice da instituição já não lhes permite tanto coito. E se referendássemos a idoneidade e a legitimidade de acção de uma instituição que tem as mãos sujas de sangue e que durante séculos refreou o desenvolvimento da humanidade (que se levante Giordano Bruno)?


De João Carvalho a 4 de Novembro de 2009 às 17:57
Só um lado, como sempre. Como se os homens dentro e fora da Igreja não fossem parte da Humanidade.


De Paulo Quintela a 4 de Novembro de 2009 às 18:06
Claro que são, como o foram Pol Pot, o Sr. Adolfo e D. José Maria de Melo, confessor de Maria I e inquisidor-mor. Todos foram parte da Humanidade.


De João Carvalho a 4 de Novembro de 2009 às 18:11
Pois, pois. E V. deve ter um tique qualquer num dos olhos.


De Paulo Quintela a 4 de Novembro de 2009 às 18:15
Se assim fosse, até nisso seria humano. Já o meu amigo, estará muito acima do comum dos mortais. Sorte sua (com que a natureza felizmente não me bafejou) ou nem por isso.


De João Carvalho a 4 de Novembro de 2009 às 18:28
Já o conheço, porque já tivemos discussões sobre a matéria. É que V. fala de umas figuras tenebrosas da História e reconhece implicitamente que a maioria das pessoas não se distingue pelo mal. Já a Igreja, para si, é um todo: são todos portadores dos piores dos males.
Meu caro, a Igreja já fez muito mal, mas está cheia de espalhar o bem junto de quem mais precisa. Não é preciso ser-se crente para o reconhecer. Para si, a Igreja teria de ser perfeita, claro, só que deixaria de ser parte da Humanidade, pela perfeição.
Estou a repetir-me e parece-me escusado.


De Paulo Quintela a 4 de Novembro de 2009 às 18:35
Meu caro, está a misturar 'alhos com bugalhos' e efectivamente parece que estamos em posições inconciliáveis (pelo menos ao nível do tipo de discussão que esta plataforma permite) mas igualmente respeitáveis (sob o ponto de vista da minha avaliação).


De João Pedro a 4 de Novembro de 2009 às 18:23
Depende do que se entender por "desenvolvimento da humanidade". Mas por essa lógica, o caro comentador também deve apoiar alberto João Jardim quando ele defende a ilegalização de partidos comunistas.


De cr a 4 de Novembro de 2009 às 17:58
Dou-lhe toda a razão, porque raio serão " eles " tão abelhudos?
Fiquem-se lá pelas coisinhas deles...
Voto em si.


De Afundação Suores a 4 de Novembro de 2009 às 18:15
Pelos vistos, o jacobinismo típico da I República continua a ter os seus sequazes, aliás, fiéis - termo mais adequado à circunstância.
Perdoai-lhes, Senhor, que eles não sabem o que dizem...


De Leonor Barros a 4 de Novembro de 2009 às 19:58
Tenham medo, tenham muito medo...


De Alexandre Damasceno Poço a 4 de Novembro de 2009 às 18:21
Cara Leonor, discordo da sua opinião. É certo que este não é um assunto da Igreja Católica, mas como é sabido, a Igreja é uma organização afecta a muitos milhões de portugueses, está profundamente enraizada na sociedade portuguesa e desde sempre que teve preocupações sociais.
Assim, parece-me legitimo que possa emitir a sua opinião, pois sente que esta para breve uma alteração da realidade social.

Cumprimentos


De Leonor Barros a 4 de Novembro de 2009 às 19:56
Dar opinião podemos sempre todos, felizmente. Exigir um referendo sobre o assunto é outra, apenas porque o tema é fracturante e vai contra os princípios da Igreja Católica. Quanto ao resto, não acho que a realidade social se vá alterar. Vai apenas haver oportunidade para os indíviduos do mesmo sexo, se assim o desejarem, de legitimar a sua união e de usufruir dos mesmos direitos que os heterossexuais.


De M.Coelho a 4 de Novembro de 2009 às 19:54
Leonor,
já falta pouco para a mimosearem com o epíteto de amiga dos "aventais".
Já vai no jacobinismo e nos fieis da 1ª. República.
Estou plenamente de acordo consigo, aliás, já referira o assunto no meu próprio blog.
Saudações.


De Leonor Barros a 4 de Novembro de 2009 às 19:59
E sou mesmo amiga dos aventais, é que vou fazer o jantar e uso avental nessas alturas ;-)
Saudações


De Analista Bettencourt a 4 de Novembro de 2009 às 20:31
E não só.


De ariel a 4 de Novembro de 2009 às 21:20
A propósito de aventais Leonor, estou aqui a comentar com um, acabei agora de fazer o jantar. Quanto à substancia do post , é evidente que subscrevo integralmente.


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