Na verdade, não é possível compreendermos grande parte do último milénio da arte ocidental, nas suas mais diversas expressões, sem conhecermos a Bíblia. Isto inclui os próprios livros de Saramago, como O Evangelho Segundo Jesus Cristo ou o seu mais recente romance. Afinal “Deus escreve direito por linhas tortas” (Génesis, 50-14).
Excelente, compadre. Bem na continuação do que escreveste há dias.
Obrigado, compadre. Gosto de descer (ou de subir, como neste caso) ao pormenor, o que nem sempre acontece por aí.
Não estou a ver bem onde quer o Pedro chegar. Demonstra que a nossa cultura tem uma matriz bíblica. Muito bem, penso que ninguém jamais o nega ou negou. E daí? Que segue? Que se conclui?
Não quero chegar a lado nenhum, Luís. O que escrevi, está escrito. Parece-me ser um texto que fala por si, sem necessidade de entrelinhas.
Repito, do seu texto só se deriva uma trivialidade: que a nossa cultura está fortemente impregnada de um legado bíblico. Isto é uma trivialidade que ninguém nega e que todos (mesmo os ateus, mesmo aqueles que dizem cobras e lagartos da Bíblia) reconhecem. Por ser uma trivialidade, não precisa de ser reafirmada. Logo, este texto, só por si, é um non sequitur.
Acha, portanto, que o trabalho exposto não contribui para um conhecimento um nadinha mais amplo sobre o tema que o Luís tão profundamente conhece? Nem um pouquinho? Desculpe lá, mas isso já não é só sobranceria: é deselegância gratuita.
Dou-lhe os parabéns por conhecer os textos bíblicos tão profundamente que sabia de cor e salteado tudo quanto aqui foi escrito e nada para si foi novidade, Luís Lavoura. É um prazer termos leitores com uma cultura tão enciclopédica como a sua - e também com a sua notável capacidade de argumentação.
De Bohren a 28 de Outubro de 2009 às 22:38
Se com este post Pedro Correia queria mostrar que a Bíblia não é um manual de maus costumes, falha rotundamente.
Bohren é pseudónimo de José Saramago?
De Bohren a 28 de Outubro de 2009 às 23:07
Vocês a fazer troça de quem vos lê ( e discorda) são os maiores. Já a argumentar…..
Quem semeia ventos colhe tempestades.
De Bohren a 28 de Outubro de 2009 às 23:23
Descobrir a “careca” do post é semear ventos? Não me parece. O Pedro Correia e o João carvalho deveriam ter maior poder de encaixe.
Há que separar o trigo do joio.
De Bohren a 28 de Outubro de 2009 às 23:37
Há que não ter dois pesos e duas medidas (Provérbios, 20-10)
Ehehehe. Rendo-me. Com os meus parabéns pelo seu sentido de humor.
«Rotundamente»? Isso parece linguagem de autarca.
Apetece-me dizer: que notável trabalho! Gostei mesmo !!!
Obrigado pelas suas palavras tão simpáticas, Custódia.
E já leste o último de Saramago? Estou quase no fim.
Estou, estou a gostar e quase no fim. Lê-se bem e rápido.
Tomo devida nota. A ler, lá por alturas do Natal.
Voltei para confirmar que não sei se a Capela Sistina foi obra de Deus, mas que é notável e belíssima não tenho quaisquer dúvidas, embora muito pouco mística mas com tantos turistas e tão pouca fé da minha parte não é de admirar.
É um dos locais mais inesquecíveis onde já estive, Leonor. E não resisti a fotografar, apesar de todas as proibições.
Teve mais sorte que eu, Pedro. Estive em Roma apenas uma vez, durante 3 dias; lamentavelmente, um era o da chega, outro era Domingo, e o seguir era feriado Santo, pelo que bati com o nariz na porta dos Museus do Vaticano e da Capela Sistina. Tive de compensar com a subida à cúpula de S. Pedro (a pé, uma experiência exaustiva!); ao menos vi o Papa (João Paulo II) passar a poucos metros de mim.
Aconteceu-me na primeira vez que fui a Roma, João Pedro: bati com o nariz na porta, a capela estava a ser restaurada. Serviu-me de motivação acrescida para voltar. E ainda bem que o fiz: valeu a pena.
Não resisto a uma pequena heresia, mas antes a Capela Sistina do que o Papa. Roma é já aqui ao lado, vale mesmo a pena.
É absolutamente assombroso, Pedro, agora, e já que confessaste vou ter de o fazer: também eu. Tenho um problema grave, nestes locais tenho uma vontade doida de tirar uma fotografia e já passei por uma ou outra vergonha mas mais por distracção. Uma vez no Museu D'Orsay tirei uma fotografia com flash a um auto-retrato do Van Gogh e levei uma descasca merecida de um americano ao meu lado. Fiquei de tal forma extasiada com os quadros, que me esqueci de tirar o flash.
Percebo isso tão bem, Leonor. O teu gesto, não o do americano.
Mas o americano tinha razão, Pedro, o que me doeu foi não poder ripostar. Quanto ao resto, foi um momento especial, adoro aquele museu e deixei-me levar pela emoção.
Os americanos a fazer turismo na Europa nunca têm razão, Leonor. Faz-me lembrar aquela anedota dos americanos que compraram uma viagem em pacote para conhecer 10 países da Europa numa semana e lá vieram alegremente num vasto grupo.
Às tantas, um deles vira-se para outro e pergunta:
- Já perdi a noção do tempo. Que dia é hoje?
- Terça-feira.
- Ah. Então isto deve ser Paris...
Da Bíblia, Saramago sabe zero.
Ou menos que zero. E prova,mais uma vez, que a ignorância é atrevida.
Não sei o que Saramago sabe sobre a Bíblia, meu caro. Mas as declarações que ele fez sobre a Bíblia, a propósito do lançamento de 'Caim', foram profundamente infelizes. Como se a Bíblia não fosse, como é, património cultural da Humanidade.
Um abraço
De Anónimo a 28 de Outubro de 2009 às 17:39
Mas o Saramago alguma vez disse que a Biblia não é isso? Mas pronto, o Pedro Correia fez uma excelente recolha de aforismos da Biblia. Melhor que o Borda d'Água.
Pedro
Tem razão. E, salvo erro, Saramago também não disse que a Bíblia é um automóvel...
Bom, o trabalho apologético aí está, está bem feito, é exaustivo e é empenhado. Leia-nos agora o outro livro que também emana da bíblia, o tal de que Saramago falava, o dos maus costumes. Sugiro-lhe a artigo e tomo de igual liberdade para sugerir o título, que tal 'Escrever torto por linhas direitas' ?
E que tal lembrar-se de que Saramago não falava "do outro livro", mas da obra no seu todo? Ele referiu-se à Bíblia generalizada e indistintamente, lembra-se?
Portanto, nunca se esqueça de escrever direito por linhas direitas, se é isso que espera dos outros.
Caro Paulo Quintela:
Como poderia eu ousar entrar no terreno eleito de José Saramago? Competir com um Nobel não está ao alcance de qualquer um...
De qualquer modo, agradeço-lhe as palavras de incentivo.
De Virgínia a 28 de Outubro de 2009 às 17:19
Excelente, Pedro.
Parabéns
Muito bem Pedro, belíssimo momento
Agradeço estas palavras amigas, Daniel.
Acho que continua a haver pouca vontade de compreender (ou de aceitar) aquilo que Saramago disse. Ele ate explicou uns dias depois que entende a Biblia como um patrimonio cultural e belissimo do ponto de vista literario. Isso nao impede que a Biblia esteja cheia de exemplos de maus costumes, sejam eles louvados ou nao. Nesse aspecto podera ser perfeitamente, na optica de muita gente, um manual de maus costumes, mesmo que muitissimo bem escrito. Tenho a certeza que, com base na lista do post, muita gente considera a iblia um manual de bons costumes. E tambem com razao. Porque razao nao podem os outros considerar a Biblia um manual de maus costumes sem perder a sua razao?
Ja agora uma nota: nao me admiraria nada que muitas dessas expressoes nao sejam de origem biblica. Poderao ter origem muito anterior e variada, sendo que os variados autores da Biblia terao copiado ou adaptado as mesmas. Nesse aspecto a Biblia seria por vezes uma copia, mas isso nao a tornaria menor, uma vez que serviria o nobre proposito de guardar no patrimonio colectivo tais expressoes.
Caro João André: estas expressões foram fixadas, popularizadas e generalizadas pela Bíblia, o livro (entendido aqui como conjunto de livros) mais influente de toda a história da Humanidade. A questão Saramago está para mim ultrapassada. Já disse o que tinha a dizer sobre o assunto, aliás bem acompanhado por muita gente que também se pronunciou sobre o tema: é uma estupidez catalogar a Bíblia como um 'manual de maus costumes'. Sobretudo quando isso é dito em pose de guardião dos bons costumes, que até recomenda aos pais não deixarem as criancinhas terem acesso à obra.
Há mais - muito mais - Bíblia para além de Saramago. Com o levantamento que aqui deixo procuro simplesmente demonstrar até que ponto a Bíblia influencia a nossa vivência colectiva muito para além de aspectos religiosos. Mesmo pessoas que nunca a leram usam hoje no dia-a-dia expressões que a Bíblia consagrou, tanto no Antigo como no Novo Testamento. O mesmo se aplica a episódios bíblicos, como a Torre de Babel, a arca de Noé, David e Golias ou a cabeleira de Sansão.
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