Domingo, 29 de Janeiro de 2012
por Pedro Correia | 29.01.12 | 2 denúncia(s)

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Sábado, 28 de Janeiro de 2012
por Rui Rocha | 28.01.12 | 1 denúncia(s)

 

A propósito do episódio da alteração do apelido do líder cessante da CGTP no ticker das notícias da SIC, os comentadores mais entendidos nestas matérias salientaram exclusivamente a importância do "v". Defenderam todos eles que a ausência da dita consoante seria decisiva na deturpação do sentido da palavra. Por acaso, não concordo. Procurarei concretizar o que pretendo afirmar através de um exemplo. Tomemos o apelido Silva. Façamos cair o "v". Fica Sila, certo? Pois é. Não fica nada de especial. Ora exactamente o mesmo se passa em Carvalho. A corrupção do apelido e a sua transformação naquilo que vocês sabem está relacionada com a queda do "v", claro. Mas, tal facto, só por si, seria absolutamente irrelevante se antes e depois dessa consoante não existisse no apelido o que existe. Isto é, o car (antes) e o alho (depois). É pois de elementar justiça que se reconheça a importância do car_alho. Permita-se então que aumente em relevância e que ocupe o seu devido lugar.

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por Helena Sacadura Cabral | 28.01.12

 

 

"A agência de notação financeira Fitch cortou a classificação da dívida da Bélgica, Chipre, Itália, Eslovénia e Espanha.

A Fitch refere que, além destes seis países, atribui também um ‘outlook' negativo para Portugal e França "por força a reflectir o risco de a crise vir a intensificar-se no futuro". 

 

Aguardam-se os novos capítulos...

 

HSC

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por Helena Sacadura Cabral | 28.01.12 | 5 denúncia(s)

 

De acordo com o noticiado pelo Finantial Times, a Alemanha quer que a Grécia abdique da soberania sobre as decisões orçamentais, transferindo-a para um “comissário do Orçamento” da Zona Euro, para que Atenas receba um segundo resgate de 130 mil milhões de euros.

 

Alguém tem dúvidas de que esta posição é a antecâmara da saída da Grécia da zona do euro?

 

HSC 

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por Leonor Barros | 28.01.12 | 8 denúncia(s)

Hoje. Não pela muito fresca mas depois de o corpo ter descansado o suficiente e a alma estar mais enxuta para aproveitar o fim-de-semana enquanto não nos tiram também esse prazer, já que de direitos estamos conversados, encetei a tarefa hercúlea de fada do lar empedernida e providenciar para o lar e suprir as faltas. Rumo ao supermercado, encontro-me com um povo façanhudo e mal disposto, nem um sorriso, as almas vazias e os passos automatizados. Os supermercados podem ser locais muito deprimentes, tanto mais deprimentes quanto mais casais às compras. Há alturas em que a solidão pesa menos e a solidão a dois pesa sempre mais. Infinitamente mais. Na fruta ouço alguém chamar João, anda cá. Vejo aproximar-se uma criança sozinha, entre os três e quatro anos. Põe-se à minha frente com uma alface dentro do saco. A mãe repreende-o e fala-lhe como se tivesse vinte anos, de tom seco e indiferente. Essa senhora estava à tua frente. Tens de esperar. Sorrio-lhe e digo Deixe estar. Não faz mal, enquanto o João do alto dos seus quatro anos mal medidos se estica num esforço sobre-humano para conseguir que a ponta do saco chegue ao balcão. A mãe assiste, longe, impávida. Que se desenvencilhe. Nem um sorriso, nem uma ajuda à criança. Um iceberg falante. Volto a encontrá-los no peixe. A criança aparece depois de ser chamada mais uma vez, procura conforto na mãe de braços cruzados, hirta e impassível, e tenta enrolar-se-lhe nas pernas. Choraminga Mãe, tou cansado. A mãe continua de braços cruzados. A criança intensifica a súplica de atenção Mãe, colo! A mãe continua de braços firmemente cruzados. A criança não lhes chegará assim. Um alívio portanto. Menos uma preocupação. A criança não desiste Mãe, colo, tou cansado! Começa a chorar. Suplica-lhe Mãe, dói-me as costas. Quando dá uma volta vejo-lhe os olhos marejados de lágrimas e soltam-se em cascata dos olhos escuros, tão escuros agora. A mãe retorque-lhe algo e mantém os braços cruzados como se se defendesse de um fardo de quatro anos que reivindica atenção e que tem a veleidade de se cansar num supermercado num Sábado de manhã. Uma mulher com uma criança ao colo lança-lhe um olhar deprimido, não suficientemente forte para que seja de reprovação, suficientemente maternal para que se lhe subentenda a incompreensão. Tanta indiferença. Quanta frieza. A criança chora sozinha. Ninguém diz nada. A mãe recolhe o peixe. Espeto-lhe um olhar e sei que o sente porque me olha de volta. O João choraminga. O João poderá chorar e suplicar a atenção a que qualquer criança deve ter direito. A mãe, essa, permanece de braços cruzados e olhar glacial. Hirta e gélida. A indiferença mata. Morro de pena do João. Chega de supermercado.

 

Também aqui.

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por jaa | 28.01.12 | 1 denúncia(s)
Porto.
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por Leonor Barros | 28.01.12 | 9 denúncia(s)

Acho uma certa piada à indignação que anda por aí porque Alberto João Jardim não se demitiu. Sócrates mentiu e não se demitiu, Pedro Passos Coelho mentiu e fez exactamente o que outros fizeram antes dele, não se demitiu. Não sei qual é a admiração. Neste país ninguém se demite por faltar à sua palavra e mentir vilmente aos portugueses. Deve ser o fado. Admitamos a nossa condição de enganados ou façamos como na Islândia e metamo-los dentro. Diz que o país prospera agora.

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por Laura Ramos | 28.01.12 | 2 denúncia(s)

 

« É possível amar um projecto político? Podemos apaixonar-nos por uma moeda? A União Europeia alguma vez será, aos olhos e no espírito dos seus habitantes, mais do que uma mera construção burorática, pouco livre e, no fundo, irrelevante?
Como responder com eficácia ao vigor das críticas crescentes sobre esta singular organização política, dos que simplesmente a põem entre aspas aos que a fustigam constantemente, em blogs, artigos de jornal ou ocasiões públicas, acusando-a de tudo e do seu contrário?
É crucial apontar a dimensão do sonho, complexo mas realizável, que o projecto comporta; sublinhar a ousadia da construção, a necessidade dos objectivos; e contar, sem medo de errar nem vergonha dos termos, como surgiu e se fez força esta revolução em processo, de uma Europa sem fronteiras feita paradigma da liberdade futura, de um generoso modelo kantiano oferecido a um Mundo pouco dado às liberalidades do consenso e da paz.»
Paulo Sande

in "A Revolução Europeia", de Francisco Lucas Pires

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por Pedro Correia | 28.01.12 | 1 denúncia(s)

 

Para Graham Greene (1904-91), a vida humana dividia-se em duas etapas essenciais: a "idade da confiança" e a "idade do cinismo". O grande escritor britânico havia entrado já nesta última fase quando decidiu entregar-se à arte do conto, que sempre desdenhara até então, praticando-a com sofisticada ironia, como exímio herdeiro de um Oscar Wilde. Daí nasceu uma das suas mais singulares obras de ficção: May we borrow your husband? (1967), que tem como subtítulo "and other comedies of the sexual life". Para trás ficara a etapa dos excelentes romances em que o Greene da "idade da confiança" nos legou títulos inesquecíveis como O Poder e a Glória, O Fim da Aventura e O Nó do Problema.

Ancorado em Antibes, no sul de França, este Greene que se intitula cínico deixou aparentemente de se envolver e de se comover com as grandes causas que fazem girar o mundo, fixando-se apenas nas minudências de um quotidiano banal. Com sarcasmo autodepreciativo, apresenta-nos o seu alter ego, William Harris, como"um homem já de certa idade que só deseja bom vinho, bom queijo e pouco trabalho".

 

Harris é a figura central do longo conto em oito capítulos que dá título a Empresta-nos o Seu Marido? (edição portuguesa da Bertrand, com tradução de Bertha Mendes). Escritor notoriamente entediado com a vida após dois casamentos fracassados, tenta redigir num hotel de Antibes a biografia do Conde de Rochester, poeta do século XVII. É Outono, a vila balnear encontra-se quase deserta, mas nem assim Harris mergulha com facilidade no seu manuscrito: o século XX teima em distraí-lo da tarefa. Numa saborosa cumplicidade com o leitor, vai-nos guiando numa comédia de enganos protagonizada por quatro inesperados hóspedes do hotel: três homens e uma mulher em lances voluntários ou involuntários de sedução. Algumas aparências iludem, outras nem tanto. No desfecho, como era de esperar, ficarão múltiplas cicatrizes -- quatro é número que equivale a multidão nos labirintos do amor. Mas talvez quem saia mais ferido seja afinal a quinta personagem: precisamente o narrador supostamente distanciado que acaba por envolver-se mais do que devia. O espectador passa por sua vez a ser espiado -- por cada um de nós.

A progressiva manipulação do leitor, que acaba enredado num jogo de caixas chinesas por esse hábil prestidigitador de emoções que é sempre um grande escritor, constitui o maior fascínio deste conto. Greene garante ter-se tornado um cínico, mas não consegue despojar-se do romantismo nesta trama de obsessão e desejo. Também aqui as aparências iludem.

 

"No termo do que se chama 'vida sexual' o único amor que dura é o que tudo aceitou, todos os desapontamentos, até o triste facto de no fim não existir desejo tão profundo como o simples desejo de não nos sentirmos sós", reflecte Harris. Que é Greene. Melancólico leitor dos poemas anacrónicos de Rochester. Um deles significativamente intitulado "O Prazer Imperfeito", que poderia servir também de título deste conto se o autor tivesse querido dar mais ênfase à tragédia que se insinua nas entrelinhas do que à farsa que voga na superfície.

Não quis -- e fez bem. Nada mais adequado para melhor compor esta teia de ilusões.

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por João Carvalho | 28.01.12

... tente conduzir.

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por João Carvalho | 28.01.12 | 1 denúncia(s)

 

Para ultrapassar as chatices das restrições salariais impostas pela austeridade que nos afecta, a Caixa Geral de Depósitos já resolveu o problema: vai promover o pessoal que trabalha lá dentro. Tudo legal, portanto.

Só precisamos agora que a famigerada Troika nos faça o mesmo. Portugal está de rastos? Muito bem, mas que tal promover os portugueses a alemães, por exemplo, até ver se a coisa passa?

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por Luís Menezes Leitão | 28.01.12 | 1 denúncia(s)

 

Segundo se refere aqui, a Alemanha pretende que os gregos percam a sua soberania orçamental como contrapartida de receberem um novo resgate, passando as decisões orçamentais a ser tomadas por uma espécie de comissário europeu para os países "resgatados". Isto nada mais representa que o fim total da soberania da Grécia. Há uma regra sagrada de que só os representantes de um povo podem autorizar o lançamento de impostos a esse povo: "no taxation withou representation", pelo que quando essa regra é sacrificada, estamos perante um povo subjugado. Com isto, a Grécia vai transformar-se num protectorado alemão e provavelmente Portugal terá  já a seguir o mesmo destino. Nem de propósito o Governo anuncia de imediato a supressão dos feriados que festejam a restauração da independência do país e o regime republicano. De facto neste momento Portugal já não é um país independente e nem sequer merece o nome de república. Mas não deixa de ser estranho que o Governo do nosso país o assuma tão claramente.

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por Pedro Correia | 28.01.12 | 6 denúncia(s)
O género epistolar, que os computadores condenaram à extinção, devia ser um maná para as editoras. Tem sido esta a regra noutros países, nomeadamente os de cultura anglo-saxónica, mas não é assim em Portugal, onde são raras as cartas de gente famosa que chegam à forma de livro. Isto deve-se, em boa parte, ao temor de herdeiros que receiam ferir susceptibilidades alheias às vezes muitos anos depois da morte dos visados. Neste país de brandos costumes (Salazar dixit), o respeitinho e a necessidade de “parecer bem” sobrepõem-se a outros critérios – desde logo o de divulgar documentos com inegável interesse histórico. Felizmente há excepções. E quando existem logo se transformam em acontecimentos culturais. Foi assim em 2005, com a publicação das cartas entre António José Saraiva e Óscar Lopes, e também com as cartas escritas por António Lobo Antunes à mulher, quando cumpria o serviço militar em Angola. No ano seguinte Manuel Fonseca, da Guerra & Paz, trouxe-nos outra obra similar: a correspondência trocada entre Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner durante quase duas décadas (1959-78). Um acontecimento editorial, sem dúvida, embora com um conteúdo aquém das expectativas geradas. Não só por o número de cartas ser reduzido, mas também por não haver nelas qualquer menção a factos fundamentais da História portuguesa desse tempo, como o fim do longo consulado de Salazar e o 25 de Abril. Neste aspecto, a correspondência entre António José Saraiva e Óscar Lopes resultou num livro muito superior.
 
Graças ao trabalho meticuloso de Mécia de Sena (viúva do poeta de Metamorfoses), que guardou e coligiu as cartas recebidas de Sophia e as cópias das cartas endereçadas por Jorge de Sena à autora do Livro Sexto, ficámos a conhecer melhor os mecanismos de cumplicidade que irmanaram dois dos maiores nomes das nossas letras. Sena e Sophia não escondiam uma genuína admiração mútua, rara nos nossos meios culturais. Admiração reforçada no combate à ditadura salazarista, que ambos detestavam, mas também à hegemonia comunista no panorama literário português entre as décadas de 40 e 70 – hegemonia que excomungava todos quantos, sendo de oposição ao Estado Novo, não toleravam também eventuais ditaduras de sinal contrário. “Acho que não se pode criar em nome do antifascismo um novo fascismo”, escrevia Sophia a Sena em Março de 1962 – uma das mais notáveis missivas incluídas neste volume.
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por Pedro Correia | 28.01.12 | 2 denúncia(s)
Um dos méritos maiores desta Correspondência é iluminar alguns dos melhores ciclos existenciais de Sophia – inclundo a descoberta do mar algarvio, tão marcante na sua obra, e sobretudo as suas primeiras viagens à Grécia, que a conduziram a novos trilhos poéticos. O seu entusiasmo pelas viagens é, de resto, uma constante nas espaçadas confidências que ia trocando com Sena, confessando-se maravilhada com Delfos, Corinto, Roma e o Rio de Janeiro. E com As Meninas, de Velásquez, no Museu do Prado. Existe no ser humano – e no poeta em particular – o “dever de ver”, como ela sublinhava noutra carta reveladora, escrita no México em Novembro de 1971.
 
Sophia preferia falar ao telefone em vez de manter uma correspondência activa, chegando a escrever cartas a Sena que este jamais leria. O incómodo de “ir à Baixa”, para despachá-las por correio, desencorajava-a com frequência. Sena, pelo contrário, era de escrita mais copiosa e regular. Mas as marcas do exílio – primeiro no Brasil e depois nos Estados Unidos – tornaram-no num ser amargurado, que ressumava azedume em relação às letras portuguesas, à “comunistada honorária” que ditava regras à esquerda e ao próprio país onde não conseguiu garantir o sustento da sua família numerosa antes e depois da Revolução dos Cravos. “Como essa pátria, tirando o povo e uns raros, é vil, canalha e mesquinha”, desabafava numa carta de Janeiro de 1968.
 
Sena e Sophia nasceram no mesmo ano (1919), na mesma cidade (o Porto) e partilharam traços identitários, com destaque para a formação católica. A pulsão para o activismo político, por imperativo ético, também uniu estes dois escritores que só aos 50 anos, na sequência de uma breve deslocação de Sena a Portugal (já Marcelo Caetano substituíra Salazar) começam a tratar-se por “tu”. Este é, aliás, um dos aspectos documentalmente mais interessantes da Correspondência. De lamentar, além da perda de algumas cartas de Sena apreeendidas pela PIDE na casa de Sophia e jamais recuperadas, é a omissão total de correspondência no biénio 1974-75, tão decisivo para Portugal. Sena faleceu em 1978, sem se reconciliar com a pátria-mãe. Sophia viveu mais um quarto de século, fiel a um lema que tão bem expressou num dos seus poemas: “Meu signo é o da morte porém trago / uma balança interior, uma aliança / da solidão com as coisas exteriores.”

Correspondência. Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena. Edição Guerra & Paz, Lisboa, 2006. 158 páginas.
Classificação ***



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por Ana Lima | 28.01.12 | 3 denúncia(s)

Têm razão muitos dos que dizem que os feriados servem apenas como dias de descanso e não constituem, de uma forma geral, dias especiais em que recordamos e comemoramos um determinado acontecimento, seja ele historicamente ou religiosamente relevante. Quantos de nós não ouvimos dizer, nesses dias: "mas afinal o que é isso do Corpo de Deus?". Ou então: "o que é que aconteceu a 1 de Dezembro"? É verdade que na festa do Corpo de Deus muitos católicos aproveitam o dia para ir à praia e que a restauração da independência é um acontecimento a que já poucos atribuem importância, servindo o dia apenas para antecipar as compras de Natal. Para os que querem continuar a comemorar estas e outras datas não é o facto de terem que trabalhar que os impedirá. O dia do nosso aniversário é um dia normalmente especial para nós e, a menos que tenhamos a sorte de termos nascido num dia feriado, ou seja fim de semana, temos que fazer férias ou comemorar fora do horário de trabalho. Isto faz sentido, sim.

No entanto, sabendo nós a fraca consciência histórica que temos, não posso deixar de pensar que, deixando de assinalar determinadas datas, torna-se muito mais difícil manter, na consciência colectiva, referências fundamentais para a nossa identidade enquanto país. Poderão argumentar que isso já está fora de moda. Ou que, se há valor que temos em abundância, é a identidade enquanto país com tão antigas fronteiras e História; pelo que não é acabando com os feriados que ela será posta em causa. Mas a verdade é que, nas escolas, é, muitas vezes, o facto de haver um feriado que constitui um pretexto para se aprofundarem episódios importantes da nossa História. E é em cima do acontecimento que as perguntas das crianças sobre este ou aquele dia em particular surgem e que as respectivas explicações são melhor ouvidas e incorporadas, de facto, no seu processo de socialização.

Desta forma, as crianças deixarão de ter esse pretexto para questionarem os adultos e, daqui a algum tempo, a restauração da independência ou a implantação da república serão esquecidas para serem apenas mais umas datas nos manuais. E a culpa será de uma conjuntura económica particular, de três organizações exteriores e de um governo que certamente, à semelhança de outros, não ficará para a História.

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por Pedro Correia | 28.01.12 | 2 denúncia(s)

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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
por António Manuel Venda | 27.01.12 | 3 denúncia(s)

A última crónica de Pedro Rosa Mendes na RDP pode ser ouvida aqui. Enquanto caminhamos a pouco e pouco para o fascismo.

 

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por Leonor Barros | 27.01.12 | 17 denúncia(s)
E agora párem de comer consoantes.
fotografia minha
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por Patrícia Reis | 27.01.12

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore iPad App Trailer from Moonbot Studios on Vimeo.

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por João Carvalho | 27.01.12 | 5 denúncia(s)

TOMATES

Já se sabia, mas confirmou-se: o primeiro-ministro foi firme e o ministro das Finanças foi inflexível. O dinossáurico líder madeirense viu caírem por terra praticamente todas as suas promessas eleitorais essenciais e caírem para as urtigas as sucessivas ameaças que constituíram o seu show-off mais recente.

Ficou, portanto, tudo mais claro e entendido. Tudo, excepto uma coisa: Alberto João Jardim não se demitiu porque a dignidade política está em extinção, ou porque ficaria sem guarda-costas a protegê-lo dos tomates e ovos podres da sua região?

No fim, como às vezes ainda vai acontecendo, acaba por ver-se facilmente que "o rei vai nu".

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por Pedro Correia | 27.01.12 | 10 denúncia(s)

«O que me causa maior perplexidade no acordo [ortográfico] é a mudança de grafia de palavras que se escreviam da mesma maneira em Portugal e no Brasil. "Abjecção" e "acepção", por exemplo, passam a escrever-se, em Portugal, "abjeção" e "aceção", mas continuam a escrever-se à maneira antiga no Brasil. Esta nova divergência resulta de a consoante suprimida ser muda para os portugueses e pronunciada pelos brasileiros. Em nome da fonética, que é e continuará a ser diferente nos dois países, torna-se agora diferente, paradoxalmente, a grafia das palavras.»

Rui Pereira, no Correio da Manhã

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por Helena Sacadura Cabral | 27.01.12 | 6 denúncia(s)

 

"Demissão em bloco no CCB

Seis elementos que compõem o Conselho Directivo do CCB demitiram-se ontem à tarde, por considerarem inaceitável a justificação do Governo para afastar Mega Ferreira na recondução à presidência."

 

Porque terá sido que Mega foi afastado?

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por Pedro Correia | 27.01.12 | 2 denúncia(s)

A Praça do Toural, em Guimarães, transformada em Praça do "Tural", com leitura à francesa do ditongo ou. E uma surpreendente referência à "costa oriental da Indonésia", um país formado por mais de dez mil ilhas.

Tudo num "serviço público" próximo de si.

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por José Navarro de Andrade | 27.01.12 | 2 denúncia(s)

seiichi 1.jpg

 

 

Em fevereiro de 1978 o fotógrafo japonês Seiichi Furuya conhece Christina Gössler em Graz, na Áustria. Apaixonaram-se, casaram, tiveram um filho, Komyo Klaus, em 1981. Viviam em Berlim-Leste e para sobreviver Seiichi fazia trabalhos de tradução; a fotografia era uma arte privada, talvez apenas um hobby. Christina era dada a depressões e partir de 1982 a esquizofrenia invadiu-lhe o cérebro. Passou a viver fora e dentro de hospitais, casas de repouso, ou lá como queiram chamar a esses lugares. Seiichi fotograva Christine todos os dias, amando-a presumivelmente, vendo-a desaparecer a pouco e pouco da realidade. No dia 7 de Outubro de 1985, dia de aniversário da RDA, Christine subiu ao telhado do seu prédio de 9 andares e suicidou-se. Nessa manhã Seiichi tinha tirado, sem saber, as últimas fotos dela.

A enorme quantidade de fotografias que Seiichi Furuya tirou durante os 7 anos em que viveram juntos, converteu-se no seu projecto artístico, ou seja, projecto de vida. Quando a recordação é concreta e cronológica, o que fica da memória?

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por Laura Ramos | 27.01.12 | 6 denúncia(s)
Patxi, Patxi, como has podido adivinar lo de la Troika?
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por Rui Rocha | 27.01.12 | 11 denúncia(s)
José Manuel Durão Barroso: apenas na parte do durão.
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por António Manuel Venda | 27.01.12

 

Há um bocadinho, por aqui.

 

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por Pedro Correia | 27.01.12 | 4 denúncia(s)

Lisboa, Rua Luís Augusto Palmeirim

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por jaa | 27.01.12 | 16 denúncia(s)
 
Uma impagável paródia ao adágio da rosa, de A Bela Adormecida. Alice's Adventures in Wonderland, com coreografia de Christopher Wheeldon, música de Joby Talbot e cenografia e figurinos de Bob Crawley, foi uma aposta arriscada do Royal Ballet (onde já não era criada uma obra de longa duração desde 1995) no ano passado. Resultou em cheio (crítica no The Guardian). Disponível em DVD e Blu-ray.
A Rainha de Copas é Zenaida Yanowsky.
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por Rui Rocha | 27.01.12 | 2 denúncia(s)
 
Cavaco Silva indignado por Paulo Querido ainda não lhe ter entregado o pão, o pacote de arroz, o pacote de leite, o cigarro e as moedas angariados na acção Traz uma moeda para o Cavaco.
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por João Carvalho | 27.01.12 | 6 denúncia(s)

 

Mais uma pré-rotunda. Nos arredores de Viseu, naturalmente. Até vai dar gosto andar ali à roda em qualquer transporte.

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por Ivone Costa | 27.01.12 | 10 denúncia(s)

Ontem dei uma volta por zonas da blogosfera onde raramente vou. Há uns blogues engraçados, de gente transbordantemente feliz. Têm templates clarinhos e belas frases de fabrico em série, mostram as mesas bem postas, as flores, os passeios e uma ostensiva perfeição que me faz murmurar Cesário: "Como é saudável ter o seu aconchego/ E a sua vida fácil."

Ao lado, estão os outros, os noir. Tristezas de porcelana tratadas com a ponta dos dedos, desencantos irremediáveis, impaciências várias sacudidas com gestos bruscos.

A felicidade é boa para a vida, mas não o é para a escrita. Nunca terá as potencialidades estéticas do desencanto e do seu séquito de amarguras variadas.

Há lá melhor coisa do que uma tristeza bem contada?

 

(excerto final de um post na minha Ronda)

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por Pedro Correia | 27.01.12 | 4 denúncia(s)

 

Kristin Scott-Thomas

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por Rui Rocha | 27.01.12 | 2 denúncia(s)
 
Retirado daqui.
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por Pedro Correia | 27.01.12 | 2 denúncia(s)

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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012
por António Manuel Venda | 26.01.12 | 3 denúncia(s)

Em tempos de tão pouca independência, não fiquei nada espantado por um dos feriados escolhidos para acabar ter sido aquele em que se comemora a restauração da nossa independência. Estranhamente, quem pareceu espantado foi o próprio tipo que fez o anúncio, de olhos esbugalhados como se atrás de alguma das câmaras que o filmavam estivesse um fantasma, ou na volta o deputado do PCP Bruno Dias, que numa comissão parlamentar o fez passar uma vergonha histórica; ou então algum padre/ sacerdote de Braga.

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por Rui Rocha | 26.01.12 | 5 denúncia(s)

De entre os feriados obrigatórios previstos no Código do Trabalho parece-me que os seguintes são os que estão exclusivamente relacionados com a nossa história (coloquei-os por por ordem cronológica para não ferir susceptibilidades, mas bem sei que poderia ter começado do fim do ano para o princípio, ou ter utilizado ordem alfabética ou ter começado do mais antigo para o mais recente ou vice-versa) : 

  • Dia da Liberdade - 25 de Abril
  • Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas - 10 de Junho
  • Implantação da República - 5 de Outubro
  • Restauração da Independência – 1 de Dezembro

Se virmos bem, são poucos. Escusam de vir com a conversa de que temos mais do que outros. Os países em causa não têm oito séculos de história e uns quebrados. Ou me engano muito, ou dá menos que 0,5 feriados por cada século. Deve mesmo ser o rácio mais baixo da Europa. Por isso é que, chegada a hora de escolher os feriados que acabam, nos custa tanto. Como é que podemos dizer adeus à comemoração de qualquer um deles de ânimo leve? Não é possível. Assim, se dermos de barato que a eliminação de alguns feriados representa um benefício em termos de competitividade da economia, só nos restam duas alternativas. Uma delas é reduzir mais feriados religiosos. Confesso que o tema é estimulante, mas não me apetece ir por aí. Esta semana já fiz posts sobre a monarquia e o Mourinho e não consta que me tenham calhado sete vidas como aos gatos (e, para dizer tudo, ainda tenho vontade de gozar muitos feriados). A outra possibilidade é aumentar o número de feriados para depois os podermos reduzir. Claro que não vai ser fácil chegar a um consenso. Os monárquicos quererão celebrar umas datas, as mulheres outras, os republicanos aquelas, os maçons estas e por aí fora. Mas, se formos capazes de nos unirmos como povo para escolhermos os feriados adicionais provaremos ao mundo e aos credores que conseguimos enfrentar os maiores sacrifícios. Depois, bastará eliminar rapidamente os novos feriados criados. Antes de nos afeiçoarmos a eles.

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por José Navarro de Andrade | 26.01.12 | 14 denúncia(s)

Somos o único bicho incapaz de dormir ao relento. Somos também o único animal que lê na cama. Um livro bom de se ler deitado há-de ser suficientemente cativante para impedir que nos deixemos distrair por outras solicitações que possam surgir, como por exemplo, enfim, isso, mas também suficientemente magnânimo para nos permitir que deslizemos em paz para dentro do sono.

Nem toda a arte, neste passo a literatura, tem que ser um espinho cravado na consciência ou um tiro na cabeça. É um bocado redutor enfiá-la nessa caixa e dela não a deixar sair. Pode ser assim, pode ser assado, seja como o escritor quiser. Pode ser uma tentativa de atingir o Belo (uma proposta demodèe nos dias correntes), pode querer comover-nos, ou consolar-nos, ou apenas retirar-nos, durante o tempo que temos o livro entre mãos, da nossa amarga realidade e transportar-nos para outros lugares. Pode ser ainda uma forma de pôr em ordem uma parte do mundo que ficou por arrumar; pelo menos na cabeça de quem o escreve e de quem o lê.

Atrevo-me a considerar que todas estas formas são equivalentes em nobreza quando conseguem atingir aquilo a que se propõem. Atrevo-me ainda mais a dizer que “Os Espiões” de Luis Fernando Veríssimo é bom para ler na cama. Espero que percebas, ó sereno leitor, que estou a elogiar o livro e também espero que não te passe pela cabeça que faço o elogio da literatura light; suplico-te um esforço aristotélico para que não baralhes categorias, como tão amiúde se faz por preconceito e precipitação, ou apenas porque há quem não dê para mais.

“Os Espiões”:

Um enredo que no dizer do protagonista é digno de John le Carré, sobre uma misteriosa escritora que assina como Ariadne, logo eruditamente remetendo para os olimpos da mitologia, acaba desmistificado por na verdade decorrer à copofónica mesa de um botequim manhoso de Porto Alegre. Vidas conformadas, boémia de bairro, cosmopolitismo intelectual de meia tigela, tudo isto também é desmobilizado pela prosa irónica mas sem sobranceria, generosa com as personagens mas sem complacência, enfim divertida – palavra caída em desuso e normalmente substituída por “fluente” ou “conciso”.

Não sendo novidade, “Os Espiões” é novo de 2009. E guardado estava o bocado, pois Luis Fernando Veríssimo que nunca me cativara nas crónicas publicadas no “Expresso”, veio agora vencer-me com “Os Espiões”. Retrocedo, relerei as crónicas e retracto-me.

Mão amicíssima em boa hora mo fez chegar aos olhos, porque isto é da melhor literatura portuguesa actual. Portuguesa? Mas Luis Fernando não é brasileiro, descendente do anti-presbítero Érico? Sim, mas a nossa língua é só uma e só há a perder dividi-la pelos continentes. Boas noites.

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por Teresa Ribeiro | 26.01.12 | 22 denúncia(s)

Podia ser um filme de terror. Algures, numa cidade obscura do planeta, de dois em dois dias resgatavam-se, de banais prédios de habitação, cadáveres de velhos. Essa cadência imprimiria o ritmo adequado à narrativa, realçando-lhe a sordidez. De dois em dois dias, bum, bum, como um coração que se parte, retiravam-se de apartamentos silenciosos destroços de gente. Podia ser um filme, mas não é. Podia ao menos acontecer num ponto obscuro do planeta, bem longe da nossa vidinha, mas não. Passa-se em Lisboa. A cidade radiosa de Tanner, tão luminosa, tão linda, afinal às vezes mete medo.

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por Helena Sacadura Cabral | 26.01.12 | 22 denúncia(s)
 

Christine Lagarde, num discurso no Conselho Alemão de Relações Externas em Berlim, criticou esta segunda-feira "uma tendência preocupante em diversos meios - de verem a política orçamental como um jogo de moralismo entre liberalidade e responsabilidade".

Analisou a situação na zona euro, considerada o epicentro dos problemas, e salientou "que estava nas mãos dos políticos evitar um momento do tipo dos anos 1930.

O que temos todos de compreender é que este é um momento de definição. Não se trata de salvar este país ou região. Trata-se de salvar o mundo de uma espiral económica descendente. Podemos evitar um tal cenário. Digo-o por uma razão simples: sabemos o que tem de ser feito.

Terminou citando o poeta alemão Goethe: "Não basta saber, tem de se aplicar. Não basta querer, tem de se fazer".

 

As perguntas são: mas quem faz? E porque se não faz?

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por Laura Ramos | 26.01.12 | 22 denúncia(s)


Não gosto de preconceitos.
O preconceito é uma das mais letais armadilhas da inteligência.
Dirão que é uma tarefa difícil essa de reflectir, alimentar convicções e não cair no logro da opinião apriorística, conseguindo manter a equidistância dos puros e a frescura do primeiro olhar. E no entanto é esse o verdadeiro desafio da mente: conhecer-se tão bem a si própria que não se deixe perturbar no exercício pleno que se segue, o de pensar. Pensar os outros, pensar a vida. O que é dizer, as ideias dos outros e a vida dos outros. A isto se resume tudo.
Não gosto de preconceitos.

E é por isso que não me agradam pedestais e altares em vida. Além disso, deve ser tremendo ser santo ou herói, mesmo para quem mereça a libertação da lei da morte de que falava Camões.
O que eu gosto, sim, é de justiça, aquela que se faz do reconhecimento entre iguais. E da vénia que devemos aos outros (e a nós próprios) quando apontamos o dedo a um exemplo vivo de dons de humanidade.
Maria Adelaide de Bragança é uma mulher extraordinária. É o triunfo do espírito. É a racionalidade que vence o azar de nascer numa família ostracizada e marcada pelo estigma, às mãos de um Portugal inculto, provinciano e tacanho. É a racionalidade tão sábia que procura o anonimato. É a racionalidade que faz do dever muito mais do que um destino ditado pela educação, que sempre lhe estaria reservado mas, porém, não necessariamente assim.

«Resistiu ao nazismo, que a condenou à morte por haver acolhido em sua casa muitas pessoas perseguidas pela Gestapo. Dedicou décadas à promoção da ciência e da investigação médica, antes de se consagrar, até ao limite da entrega, aos excluídos. Foi uma mãe para milhares de crianças: recolheu-as das ruas, vestiu-as, alimentou-as, educou-as; em suma, foi assistente social, foi enfermeira, foi cozinheira, foi lavadeira...»

Nunca esquecerei quando contou que não punha cortinas nas janelas: -Para quê? Só acumulam pó e eu não tenho tempo para as limpar.
A sua condecoração vai passar-nos ao lado e não vai encher os salões nem as igrejas.

- Mas qual é o espanto? Caricatos e arrogantes somos nós. E afinal não é estranho que nos seja indiferente  o caso de alguém que demonstrou um sentido extremo do dever, neste país afogado na cultura obsessiva dos direitos.

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por Rui Rocha | 26.01.12 | 8 denúncia(s)

François Hollande quer criar 150 mil empregos para futura integração dos jovens.

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por Pedro Correia | 26.01.12

Há que resistir à tentação de disparar sobre o mensageiro quando surgem as más notícias.

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por João Carvalho | 26.01.12 | 15 denúncia(s)

 

A partir da quinta quinta-feira de cada ano, a festa é dos amigos, amigas, compadres e comadres. O mês de Fevereiro costuma, por isso, ser muito animado, mas este ano tudo começa hoje, a última quinta-feira de Janeiro.

 

Temos então o Dia dos Amigos hoje, a que se segue o Dia das Amigas na próxima quinta-feira. Mais recentemente — talvez porque é junto dos amigos que se costuma escolher os padrinhos e madrinhas dos filhos — surgiram ainda o Dia dos Compadres e o Dia das Comadres, nas duas quintas-feiras seguintes.

São estas, pois, as quatro quintas-feiras seguidas que marcam uma época do ano comercialmente adormecida e à qual a celebração da amizade sempre dá alguma animação — pelo menos, no que toca a restaurantes, bares e outros estabelecimentos de diversão nocturna — porventura, também uma ou outra loja de prendas.

Esta tradição açoriana não me parece que tenha paralelo em qualquer outra região do País (se eu estiver enganado não é por mal e os leitores me dirão). Creio que resulta de uma outra tradição do arquipélago – bem mais dramática, esta – que é a forte emigração para as Américas, em busca de melhor vida.

Na verdade, com maior ou menor relevo, celebra-se anualmente a amizade em alguns países sul-americanos, embora em datas diferentes do calendário. É possível que, nos Açores, se tenha procurado uma época útil para movimentar o comércio local, aproveitando também as pessoas para ter um pretexto para conviver e se divertir.

Através de alguns países da América do Sul, não só o Dia da Amizade é comemorado como o facto é até acolhido pelo Rotary International. Há mesmo Rotary Clubs que assinalam a data festiva como o Dia Internacional da Amizade.

Voltando ao arquipélago dos Açores, verifica-se que o Dia dos Amigos e o Dia das Amigas (estes, sobretudo, já que o Dia dos Compadres e o Dia das Comadres, surgindo por arrastamento, são mais fantasiosos e menos tradicionais) são celebrados em todas as ilhas. E como é que são celebrados? Habitualmente, juntam-se grupos maiores ou menores de amigos(as) comuns e marcam-se jantares, que muitas vezes se prolongam noite adiante em bares e que até incluem animadas sessões de strip-tease previamente acordadas.

Deste modo, é pouco frequente encontrar mulheres a jantar fora no Dia dos Amigos, tal como os homens ficam mais por casa no Dia das Amigas. Nas ilhas mais pequenas, os amigos vão para as adegas e tascos já preparados para os receber e, na semana seguinte, é a vez das amigas escolherem este ou aquele restaurante para se divertir.

Nas cidades maiores, existe já o hábito de os restaurantes apresentarem jantares especiais para o efeito, tal como bares com propostas de diversão apropriada. O certo é que as datas não passam despercebidas a ninguém e chegam a ser levadas tão a sério que, ora os amigos, ora as amigas, mesmo quando não saem ou não se encontram, por morarem distantes ou não terem programas comuns, muitos se contactam para desejar mutuamente um bom Dia dos Amigos ou das Amigas.

Tudo isto se passa nos Açores, onde a natureza é amiga das ilhas e é correspondida com igual amizade. Estamos a falar, portanto, de lugares em que esta celebração é, afinal, um elemento constante. Nove ilhas distanciadas e unidas num hino permanente de amizade…

 

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por Rui Rocha | 26.01.12 | 6 denúncia(s)

Parapsicólogos garantem que astronautas viram extraterrestres.

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