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Frase internacional de 2016

por Pedro Correia, em 18.01.17

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«Vim aqui enterrar os restos da Guerra Fria nas Américas.»

Barack Obama, 22 de Março

 

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Frase internacional de 2013: «Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.» 

(Malala Yousafzai)

Frase internacional de 2014: «Somos todos americanos.»

(Barack Obama)

Frase internacional de 2015: «Je suis Charlie.»

(Lema parisiense, e mundial, após os atentados de Janeiro em Paris)

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Já li o livro e vi o filme (168)

por Pedro Correia, em 18.01.17

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SPARTACUS (1951)

Autor: Howard Fast

Realizador: Stanley Kubrick (1960)

Um romance que é uma ode à liberdade, centrado na rebelião de Espártaco contra Roma no século 1 a.C. Escrito durante o marcartismo nos EUA, deu origem à excelente versão filmada, com Kirk Douglas - hoje centenário - à frente do elenco.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 18.01.17

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O Governo Bilderberg - Do Estado Novo aos Nossos Dias, de Frederico Duarte Carvalho

Investigação

(edição Planeta, 2016)

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RH Music Box (353)

por Rui Herbon, em 18.01.17

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 Autor: Style Council

 

Álbum: Introducing (1983)

 

Em escuta: The Paris Match

 

 

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Os maus exemplos

por João Campos, em 17.01.17

Imagine que vai a um restaurante jantar com amigos. Senta-se à mesa, escolhe do menu a refeição, engana a fome com pão e manteiga, delicia-se com o prato escolhido e o vinho que o acompanha, e atreve-se ainda a uma sobremesa. No final, quando o empregado de mesa lhe traz a conta, paga e pede uma factura. "Dá jeito para o IRS", comenta de passagem. Ao que o empregado lhe responde que tem todo o direito à factura mas que não lha pode dar ali, no acto do pagamento. Pode, sim, dar-lhe um formulário postal que deverá preencher e enviar pelo correio, solicitando a dita factura. Ou, em alternativa, poderá, "a partir do conforto de sua casa" (diz isto como se estivesse a sugerir o prato do dia), aceder à página Web do restaurante e, após facultar alguns dados e seguir um formulário de sete etapas, e enfim obter a factura. Mas atenção: só poderá fazê-lo uma vez volvidas 48 horas sobre o pagamento, e apenas durante os cinco dias que se seguirem a essas 48 horas. 

"Mas não é obrigatório emitir uma factura se o cliente o solicitar?", pergunta, incrédulo. "É", responde o empregado, sempre a sorrir. "E emitimos. Basta enviar este formulário, ou aceder ao site."

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Imagine que se dirige a uma loja de equipamentos electrónicos para comprar um telemóvel. Compara a oferta dos vários fabricantes dentro dos preços que estão ao seu alcance, pondera nas vantagens e desvantagens de uma mão-cheia de modelos, conversa um pouco com a técnica de serviço para esclarecer alguma dúvida, e por fim decide-se pelo aparelho que vai comprar. Dirige-se à caixa para pagar, e ao efectuar o pagamento solicita a factura. Enquanto lhe entrega o talão de pagamento e o recibo da garantia, a empregada diz-lhe que não é possível dar-lhe a factura ali, mas que poderá preencher o formulário que pode encontrar ali ao balcão para solicitar a factura pelo correio ou, em alternativa, poderá aceder à Internet, preencher o formulário de sete etapas que se encontra no site da loja, e descarregar a factura. "Até pode fazê-lo a partir deste telemóvel", graceja, sem no entanto deixar de o alertar que só poderá obter a factura por esta via 48 horas após o pagamento (nunca antes), e apenas durante os cinco dias que se seguem a essas 48 horas. 

"Mas se eu estou a pagar agora, por que motivo não posso ter já a factura?" pergunta, já sem conseguir disfarçar a irritação. 

"Porque o nosso sistema informático não permite a emissão de facturas imediatamente após o pagamento", esclarece a empregada, no tom exacto de quem está a repetir um matra pela enésima vez nos últimos dias. "Por isso poderá fazê-lo pelo correio, ou a partir do conforto de sua casa".

. . .

 

Será perfeitamente normal que o leitor ou a leitora considere qualquer uma das situações acima descritas como absurda. Nestes dias de voragem fiscal da Autoridade Tributária (o nome já é todo um programa), qualquer estabelecimento comercial privado legal que não tenha em funcionamento um sistema de emissão de facturas e que as emita a pedido do cliente teria o Fisco, a ASAE e sabe-se lá que mais Autoridades à perna para o habitual bullying tributário. Nestes tempos em que o Estado incentiva os contribuintes a solicitarem factura por tudo e mais alguma coisa (até podem ganhar prémios, veja-se bem), qualquer estabelecimento que se recuse à emissão da facturinha será decerto falado nas redes sociais pelos piores motivos. No entanto, e como não podia deixar de ser, o mau exemplo vem de cima: se o leitor ou a leitora for utente dos Transportes de Lisboa, que tanto quanto sei ainda é uma empresa pública, não poderá obter uma factura no acto do pagamento, seja este feito nas máquinas automáticas que encontramos nas estações do Metro ou nos balcões de atendimento do Metro ou da Carris: terá de preencher um formulário para solicitar a factura pelo correio, ou aceder a uma página Web, seguir um formulário de sete etapas e descarregar enfim a dita factura (mas só poderá fazê-lo 48 horas após o pagamento, e apenas durante os cinco dias que se seguirem). O motivo, conforme me explicou hoje um funcionário do Metro, é simples: em pleno 2017, ano em que todos transportamos no bolso aparelhos com maior capacidade de processamento do que a nave espacial que levou três astronautas à Lua em 1969, o software das máquinas automáticas e dos balcões de atendimento não está preparado para algo tão básico como... a emissão de facturas.

 

Que o Estado continue a permitir às empresas públicas aquilo que não permite às privadas dificilmente irá surpreender alguém nos dias que correm. O que espanta é que se ache isto normal

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Resumindo

por Rui Rocha, em 17.01.17

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O pesado manto da desmemória

por Pedro Correia, em 17.01.17

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“Não podias ficar presa comigo

à pequena dor que cada um de nós

traz docemente pela mão

a esta dor portuguesa

tão mansa quase vegetal.”

Alexandre O’ Neill

 

Estranho país, este. Matamos os nossos heróis, os nossos ídolos, os nossos astros. Matamo-los pela inveja, pelo ressentimento, pelo cinismo, pelo ódio atávico a quem tem sucesso. Matamo-los, no fim de tudo, pelo esquecimento. É a pior forma de morte cívica – e também aquela que é praticada com maior desenvoltura nos nossos dias. Ignorar o que merece ser enaltecido e valorizado é um crime de lesa-humanidade e lesa-cultura.

Nenhum esquecimento me assombra mais do que o das nossas divas do teatro e do cinema. Mulheres que deslumbraram incontáveis espectadores nas plateias e se apagam na penumbra do ocaso, como se nunca tivessem entusiasmado multidões de adeptos na flor da idade. Mulheres como Milu, Leonor Maia, Laura Alves, Isabel de Castro, Maria Dulce, Maria Eugénia, Madalena Sotto. Sobre elas caiu o pesado manto da desmemória: é a forma habitual que temos neste país de sepultar os nossos melhores quase sempre ainda em vida.

 

Surge agora a notícia da morte de Maria Cabral, que numa França ou numa Itália teria sido venerada sem hesitação por ininterruptas legiões de cinéfilos. Por cá suscitou aplausos inflamados em dois filmes que a impuseram como inconfundível rosto de uma geração – a que ansiava pela liberdade num país ainda a preto e branco.

Dois filmes que se tornaram invisíveis: O Cerco (António da Cunha Telles, 1970) e O Recado (José Fonseca e Costa, 1972). Dois filmes banidos do nosso mercado, olvidados das cinematecas, omitidos pela própria RTP no seu canal memória. Como se contivessem um estigma, como se nos relatassem fragmentos proibidos de uma sociedade que ninguém quer relembrar.

 

Maria Cabral morreu esquecida da pátria que tantos dos seus talentos tem condenado ao desterro, no desfecho de um longo exílio voluntário em Paris. À semelhança de tantas figuras da nossa literatura, da nossa música, do nosso espectáculo, da nossa televisão.

Apagou-se longe como se nunca cá tivesse estado. Como se aquele rosto iluminado por uma prodigiosa fotogenia nunca nos tivesse visitado. Como se aqueles olhos e aqueles lábios e aquela pele jamais tivessem suscitado paixões arrebatadoras a quem os vislumbrou na tela - corpórea beleza, eterna e fugaz como todas as pulsões da vida.

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Música recente (62)

por José António Abreu, em 17.01.17

Warpaint, álbum Heads Up.

Há uma incursão pela pop em New Song, o terceiro tema. De resto, o álbum mantém a sonoridade complexa e ligeiramente arrastada habitual nas Warpaint.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 17.01.17

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O Nadador, de Joakim Zander

Tradução de João Reis

Romance

(edição Suma de Letras, 2016)

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Fim do Mundo

por Bandeira, em 17.01.17

José Bandeira/DN

 (José Bandeira/DN)

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Viagem ao Egipto (14).

por Luís Menezes Leitão, em 17.01.17

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Descendo o Nilo a partir de Assuão chega-se 40 quilómetros depois, já de noite, a Kom Ombo, onde se encontra o único templo dedicado a dois deuses, o deus falcão Hórus e o deus crocodilo Sobek. Também é um templo mais recente, já da época ptolomaica, expressando as suas colunas uma clara influência greco-romana.

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O templo conserva, no entanto, em profundidade a mitotologia egípcia, com os seus dois deuses a travar a eterna luta do bem e do mal, simbolizada no combate entre o falcão e o crocodilo, prestando, no entanto, o faraó vassalagem a ambos.

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Ao lado do templo, encontra-se um museu do crocodilo, onde se encontram múmias de crocodilos, demonstrando que os egípcios até esses animais pretendiam conservar para a eternidade.

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 17.01.17

Mário Soares, um esboço biográfico (parte 1). De Vasco Pulido Valente, no Observador.

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RH Music Box (352)

por Rui Herbon, em 17.01.17

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 Autor: C Duncan

 

Álbum: The Midnight Sun (2016)

 

Em escuta: On Course

 

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (122)

por Pedro Correia, em 16.01.17

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Vinho do Douro Projecto Amizade

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Para quem assistiu, na passada Sexta-feira, à inédita mesa redonda com dezanove directores de jornais, rádios e televisões nacionais no âmbito do 4º Congresso dos Jornalistas que decorreu no Cinema São Jorge, em Lisboa, não teve muitas razões para sair de lá entusiasmado com a dinâmica e conteúdo do debate. Talvez se deva ao facto de há anos a esta parte se discutirem os mesmos problemas e a eterna questão do “futuro” do jornalismo, sem que se encontre uma qualquer solução mágica para a criação de um modelo sustentável. Além do mais, continuam-se a notar os mesmos vícios e defeitos de uma classe que, em Portugal (e aqui há grandes diferenças em relação a outros países), há muito devia ter feito um exame de auto-consciência e parado para pensar sobre os seus próprios erros. Aliás, este teria sido o primeiro passo para que os responsáveis pelo jornalismo no nosso país começassem por admitir as suas falhas.

 

Não deixa também de ser sintomático que entre 19 directores dos mais importantes meios de comunicação social do país ali presentes só estivessem lá duas mulheres, Graça Franco (RR) e Mafalda Anjos (Visão). E o mais extraordinário é que lendo os vários artigos de imprensa que têm saído sobre o Congresso não se vê qualquer referência a este facto embaraçoso, para um sector que advoga estar na vanguarda das ideias e do pensamento. Porém, não hesitam em fazer essas contas quando se estão a referir a um Governo ou a uma administração de uma entidade pública ou grande empresa privada. Ainda mais revelador da inconstância deste sector em Portugal, é constatar que a maioria dos directores ali presentes têm entre um a dois anos dessas funções.

 

Seria saudável que esse processo introspectivo já tivesse ocorrido mas, infelizmente, não aconteceu e, por isso, não é de estranhar quando se ouve Ricardo Costa (SIC) a admitir que a qualidade do jornalismo que se faz naquela televisão ou no Expresso (onde foi director) é hoje muito menor do que há uns anos. A oferta é mais vasta, mas a qualidade diminuiu. E o problema, como disse ainda Ricardo Costa, nem se coloca ao nível das audiências, mas sim nos modelos de negócio que sustentam os órgãos de comunicação social. Também Pedro Santos Guerreiro (Expresso) considera que nunca houve tanta oferta tecnológica e uma audiência tão vasta para se informar, mas o problema é como valorizar financeiramente o produto que se disponibiliza, quase sempre de borla. Uma ideia partilhada também pelo director do Público, David Diniz, que valoriza as ferramentas tecnológicas que existem hoje em dia para se poder conhecer melhor os hábitos dos leitores.

 

Foi quase unânime entre os vários directores de que a gestão do “negócio” está cada vez mais presente no seu quotidiano, a admitirem que dedicam bastante tempo a assuntos que pouco ou nada têm a ver com temas editoriais. Quase todos disseram que gostariam de investir mais tempo nestas matérias, no entanto, também admitem que as horas que perdem nas áreas de marketing ou de recursos humanos é uma outra forma de estarem a contribuir para a sobrevivência ou evolução do seu meio de comunicação social.

 

A juntar-se a estas questões de “negócio”, há aquilo que João Paulo Baltazar (Antena 1) classificou de “agenda asfixiante”, onde os jornalistas estão cada vez mais sujeitos a uma multiplicidade de acções que os deixam sem tempo para reflexão e investigação. Aliás, a falta de tempo foi uma das principais queixas dos directores. O mote de João Paulo Baltazar é, por isso, certeiro: “Fazer menos, fazer melhor, pensar mais."

 

É verdade que, com a imposição da realidade do digital e das redes sociais, começaram a ser ensaiadas diferentes formas de adaptação do jornalismo aos novos tempos da comunicação e informação. As soluções de vanguarda vieram sempre do universo anglo-saxónico ou então de jornais como o El País, mas nem sempre com os resultados esperados. É uma descoberta que ainda está a ser feita. O tão esperado retorno no digital nunca chegou, apesar de alguns jornais terem dados interessantes para mostrar. É inegável que a emergência de inúmeras plataformas comunicacionais veio alterar por completo a forma de se consumir informação, seja num jornal, televisão ou rádio.

 

Em Portugal, essa tentativa de adaptação aos “novos tempos” aconteceu de forma muito mais lenta e, olhando para aquela mesa redonda, percebe-se, mais uma vez, que o jornalismo no nosso país sofre de problemas muito específicos, apesar de muitas vezes se tentar “vender” a ideia que são comuns ao que se passa noutras realidades. A verdade é que muitos desses problemas exclusivos da nossa realidade nacional têm a ver com a própria arrogância, presunção, corporativismo e até mesmo incompetência com que muitos “senhores” do jornalismo encaram a profissão. E como se isso não bastasse, o jornalismo e os jornalistas portugueses, ao contrário do que acontece noutros países, nunca tiveram um escrutínio a sério. O papel de entidades como o Sindicato dos Jornalistas ou a Comissão da Carteira está perto da irrelevância e nem sequer vale a pena falar do princípio da auto-regulação, até porque para isso acontecer era preciso que todos os directores e jornalistas tivessem a noção de responsabilidade e brio profissional naquilo que fazem e hoje em dia é duvidoso que tal aconteça. Quanto ao espírito crítico dos próprios leitores e consumidores de informação, está tudo dito: cada vez disponibilizam menos dinheiro para ter informação, ou seja, valorizam cada vez menos aquilo que jornais, televisões e rádios produzem. E enquanto tudo isto assim for, por mais congressos e lamentos que se façam, nunca será possível elevar o jornalismo português para outro patamar.

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Em entrevista ao Observador, em Outubro de 2016, Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, afirmava peremptoriamente, em resposta à possibilidade levantada pelo jornalista de não ser cumprido pelo Governo o compromisso do PS de colocar o salário mínimo nacional em 557€ em 2017:

"O Governo nunca nos disse que, para esse valor, 557 euros em 2017, estivesse dependente da concertação social. O que sempre foi conhecido por todos nós é que, acima disso, é que a concertação social teria um papel".

A sucessão de acontecimentos é, portanto, muito clara. António Costa, fazendo uso da sua proverbial fanfarronice, prometeu aos parceiros da geringonça e ao país aumentar o salário mínimo nacional para 557€ em 2017. Chegada a questão à discussão da Concertação Social, encontrou resistência das entidades patronais. Encostado à parede e vendo o tempo para um acordo esgotar-se, Costa, o negociador, que se tinha colocado a si mesmo nas mãos dos "patrões" com a promessa a que se tinha vinculado, fez o que faz sempre. Para salvar a face, chutou o custo parcial da medida para a Segurança Social, oferecendo aos "patrões" uma redução de encargos com a TSU, não articulando previamente nem com os demais geringonços, nem com o maior partido da oposição. O padrão de comportamento é o mesmo de outras ocasiões: prometer a medida emblemática para retirar posteriormente um valor equivalente por outro meio. Foi assim também na extraordinária reposição de rendimentos imediatamente compensada pela subida generalizada de vários impostos indirectos. Na verdade, na reposição de rendimentos como no salário mínimo, o esquema é o mesmo. Costa promove-se e quem paga é o contribuinte. E o esquema é o mesmo também quando as coisas correm mal porque Costa promete o que não depende dele cumprir: na Caixa Geral de Depósitos com António Domingues ou na Concertação Salarial com o salário mínimo, a culpa é do Passos.

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Palavras para recordar (13)

por Pedro Correia, em 16.01.17

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JOSÉ MIGUEL JÚDICE

Expresso, 10 de Março de 2007

«Se Sócrates falhar, o CDS e o PSD não têm condições para fazer o que o País precisa. Em primeiro lugar porque não se entendem. Ninguém se entende com o Portas. Nunca houve uma relação de confiança entre os dois partidos.»

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Considerações sobre o novo TSUnami

por Rui Rocha, em 16.01.17

A estratégia de Costa na Concertação Social consistiu, resumidamente, em oferecer aos trabalhadores dinheiro dos patrões e aos patrões dinheiro da Segurança Social. Perante isto, há, de facto, uma lição de fundo ético a retirar do episódio. Mas não é aquela que tem sido divulgada por certos arautos de pragas, cataclismos e calamidades. Essa lição consiste em reconhecer que não é sério negociar apresentando-se aos parceiros como dono daquilo que não se tem. Esta lição é ainda mais grave quanto é certo que não é a primeira vez que Costa transgride esta regra de conduta essencial. Se virmos bem, foi exactamente assim que procedeu no caso da Caixa Geral de Depósitos: prometeu a António Domingues um regime de excepção que não estava nas suas mãos garantir. Os resultados são conhecidos.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.01.17

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As Aventuras de Augie March, de Saul Bellow

Tradução de Salvato Telles de Menezes

Romance

(reedição Quetzal, 2.ª ed, 2017)

"Este livro mantém a grafia anterior ao Acordo Ortográfico"

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Viagem ao Egipto (13).

por Luís Menezes Leitão, em 16.01.17

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Um outro templo que ficou alagado pela barragem de Assuão foi o templo de Ísis, na ilha de Philae, o qual teve por isso que ser desmontado e reconstruído na ilha vizinha de Agilka, a cerca de 300 metros de distância. Trata-se de um templo da época ptolomaica, desenvolvido depois da ocupação romana, pelo que são visíveis as influências greco-romanas.

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Consta que a célebre rainha Cleópatra se dirigia a este templo para prestar adoração à deusa Ísis, tendo permanecido no templo o altar dedicado à deusa.

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Mas a célebre Cleópatra, que conseguiu seduzir sucessivamente Júlio César e Marco António, transformando-os em aliados do seu Egipto, já não conseguiria seduzir Augusto, que a derrotaria, levando-a ao suicídio. O Egipto tornar-se-ia assim uma simples província romana, tendo, no entanto, este templo permanecido para os fiéis da religião egípcia, cada vez mais esmagados pelo poder romano. Ao lado foi construído um templo dedicado a Trajano, o imperador que levou o império romano à sua maior extensão.

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Depois, a difusão do cristianismo foi fatal para a religião egípcia. A 27 de Fevereiro do ano 380 o imperador Teodósio I estabelece o édito de Tessalónica, que decreta o cristianismo como religião oficial do império mandando fechar todos os templos pagãos. Assim, os fiéis de Ísis foram perseguidos, e a própria escrita egípcia, anteriormente gloriosa, desapareceu. Encontra-se precisamente neste templo o último texto escrito na escrita hieroglífica, datado de 24 de Agosto de 394 d. C., numa altura em que seguramente o seu autor já estaria a ser alvo de perseguições. A roda da história é implacável para com os povos vencidos, restando-nos hoje apenas os velhos monumentos para recordar o seu passado glorioso.

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Blogue da semana

por Pedro Correia, em 16.01.17

A primeira regra de um blogue é ser bem escrito. Além disso convém ter pensamentos originais e estimulantes - de preferência a par, se não for exigir muito. E ser atraente também do ponto de vista gráfico: o olhar também alimenta o espírito.

Não faltam felizmente blogues de qualidade, quer generalistas quer temáticos. Temos falado de vários por aqui. Hoje vou destacar um dos que mais merecem: Ordet. Como o nome indica (em alusão à  obra-prima de Carl Dreyer), é especializado em cinema. Mas traz-nos reflexões sobre as artes em geral. E quem diz arte diz vida.

Com genuína cultura, sem prosápias balofas e uma inegável qualidade de escrita. Não conheço o seu autor, Carlos Natálio, mas daqui lhe endereço os meus sinceros parabéns. Esperando que prossiga, em sessões contínuas. Nós, leitores, agradecemos.

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RH Music Box (351)

por Rui Herbon, em 16.01.17

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 Autor: Anna Caragnano + Donato Dozzy

 

Álbum: Sintetizzatrice (2015)

 

Em escuta: Starcloud

 

 

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Fotografias tiradas por aí (336)

por José António Abreu, em 15.01.17

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Porto, 2016.

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 15.01.17

«Sendo estes dias de luto, tenho ficado muito impressionado com a dignidade, a um tempo solene e sóbria, com que Portugal tem estado a despedir-se de Mário Soares. Sem excessos nem insuficiências.
Até os mais empedernidos adversários políticos têm estado à altura não apenas do falecido mas também do país. Sim, porque, nesta ocasião, está em causa tanto o homem Mário Soares como o estadista e a nação que ele serviu e representou. Nesse sentido, devemos sentir-nos honrados com a presença e mensagens de tantos dignitários de países e entidades internacionais, o que atesta, em simultâneo, a dimensão pessoal de Soares e o lugar que ele ajudou a conquistar para Portugal.
De facto, é possível haver beleza e elevação mesmo em circunstâncias de tristeza.»

 

Do nosso leitor J. Gonçalves. A propósito deste meu texto.

 

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«Morei dez anos em Lisboa. Uma autêntica Cidade Estaleiro. Então só o Metro do Terreiro do Paço... Como é que tanta obra, durante décadas, pode beneficiar quem por aí vive - ruido, poluição, trânsito, etc? E depois obras com falta de planeamento. Tudo ao mesmo tempo não gerando alternativas a quem circula de automóvel/transportes. Quanto ao modo como a cidade trata os idosos, nunca conheci outra onde houvesse tanta falta de civilidade, urbanidade, educação, para com eles, ou para aqueles que visitam.

Em Lisboa alargam-se passeios, fazem-se pontes, centros culturais, e mais não sei o quê para os vindouros. Na província, por vezes, nem uma estrada decente.

Se quer um exemplo de como gerir um município sem perder a sua originalidade e qualidade, olhe para o Porto.»

 

Do nosso leitor Luís Charrua. A propósito deste meu postal.

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Conversas de xadrez

por Bandeira, em 15.01.17

José Bandeira / DN
(José Bandeira/DN)

 

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A Peste

por Bandeira, em 15.01.17

Os centros de saúde mudaram muito desde os tempos da peste bubónica, maleitoso leitor. Agora estão todos informatizados, há ecrãs, dinguedongues, apitos tipo Espaço 1999, numa palavra, eficiência. Logo à entrada das instalações, dou com um monitor táctil (note que o facto de estar à entrada já transmite uma ideia de planeamento e funcionalidade que seria impensável vinte anos atrás, quando o teriam instalado no bar em frente com abertura às dez da noite, peça a chave no intervalo do show à menina que dança no varão e não se esqueça de lhe pagar uma bebida pelo trabalho). Por motivos claramente arbitrários, o monitor exibe meia dúzia de opções. A primeira permite “Obter receituário”. A segunda, “Obter credenciais e receituário”. A terceira não pode ser reproduzida na presença de menores. Escolho a primeira opção. Vou clicando aqui e ali, admito que de forma aleatória, até ao ponto em que me é solicitado o cartão de cidadão. Este deverá ser introduzido na ranhura (disponibilizada) para que uma espécie de cópula informática tenha lugar. Durante este processo, “o sistema” ficará a saber tudo sobre mim, até porque estarei com todos os meus dados pessoais à vista. Mas não há química entre o meu cartão e a ranhura (disponibilizada) e sou informado de que serei obrigado, afinal, a “introduzir manualmente”. Semicerro os olhos, aponto as cataratas na direcção das formiguinhas no cartão e digito no teclado numérico, piscina de bactérias patogénicas (nada contra, não sangram elas também quando as picam etc.), o meu número de utente. Sucesso! Surge uma mensagem informando-me de que a minha senha está a ser impressa e que é minha obrigação aguardar um bocadinho. Várias horas depois (note: tenho fraca noção da passagem do tempo, uso a bateria do iphone para contar os minutos), torna-se óbvio que a senha *não está* a ser impressa.

 

Então a senhora que se segue a mim na fila entende explicar-me, passo a passo, como proceder para obter receituário. Faz exactamente o mesmo que eu havia feito, incluindo tentar que a ranhura (disponibilizada) e o meu cartão mantenham uma relação estável. Durante todo o tempo explico timidamente que já havia feito tudo aquilo. Mas eis que, sucesso! – surge uma mensagem dizendo que a minha senha está a ser impressa e que é minha obrigação aguardar um bocadinho. Algumas horas depois (ler nota acima) torna-se evidente que a minha senha *não está* a ser impressa. É este o momento em que o segurança de serviço decide oferecer os seus préstimos. “Qual é o seu problema?”, pergunta com a doçura possível num homem de 120 quilos que só deve ter conseguido o emprego após ameaçar o futuro patrão de que se o não contratasse lhe furaria os pneus do Toyota Celica, incluindo o sobressalente. Explico-lhe tudinho. “Isso acontece”, diz fazendo uma boquinha de selfie, “porque não escolheu a opção ‘Obter credenciais e receituário’”. Humildemente protesto: não quero obter credenciais, apenas receituário. Ele faz uma pausa para respirar fundo, revira os olhos e pergunta-me: “Sabe por que razão deve escolher “Obter credenciais e receituário?”. Admito que não, não sei, peço desculpa mas não sei. “Porque”, explica-me com paciência de Job, “a opção ‘Obter receituário’ não está a funcionar”. E como que para tornar ainda mais óbvio o quanto teria sido simples resolver a questão se eu não estivesse determinado a complicar a vida dos utentes que fazem fila atrás de mim, pressiona a tecla correspondente a “Obter credenciais e receituário”. Sem mais nada, sem um ruído, sem um queixume, o monitor expele uma senha com os dizeres “D071”. Sinto na nuca o olhar odiento dos restantes utentes. Julgo que um deles chega a dar-me um calduço por cima do cachecol. Orgulhoso do seu desempenho (jornalistas, por favor, parem de dizer “performance”!), o segurança vira costas e vai fazer algo verdadeiramente útil, no caso ler o Record. Sento-me e olho (como uma vaca olhando o prado, é como me sinto, que quer) para o ecrã de chamadas. Ignoro os AA, os BB e os CC. A senha D corrente é a 019. Após vinte minutos sem qualquer alteração, começo a suspeitar de que o dia não vai ser fácil – mas nada, nada me fará voltar a passar pelo segurança sem o receituário na mão.

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Pelo visto, a DBRS, por casualidade a única agência de rating que ainda resiste a colocar a credibilidade da dívida portuguesa abaixo de lixo três furos e permite, por consequência, que o Dr. Costa e os seus apaniguados entretenham os dias a amestrar vacas que juram poder fazer voar, fez saber que teme não poder continuar a dar asas à maluqueira se o Banco Novo for nacionalizado. Perguntada sobre o tema, a arguta Catarina Martins declarou, sem contemplações, que esta posição da DBRS (da DBRS, coitada, que nos tem aturado) sobre o Novo Banco é "uma chantagem europeia". O facto de a DBRS (a DBRS, coitada) ser uma agência sedeada em Toronto, no Ontário, em pleno Canadá, não deve, obviamente, ser suficiente para Catarina Martins se desviar um milímetro da teia bem urdida de interesses inconfessáveis e diabólicos que engendrou na sua notável cabecinha. Mas lá que adiciona uma nota picaresca a esta bem esgalhada teoria da conspiração, colocando-a ao nível daquela outra que sublinha que a pizza é redonda, parte-se em triângulos e é transportada em caixas quadradas, lá isso adiciona. Resta esperar, portanto, que o Dr. Louçã, essa espécie de Jorge Mendes da política que se dedica a identificar os talentos que integram o plantel do Bloco de Esquerda, esteja atento. E se o Dr. Louçã não tem dúvidas que Mariana Mortágua está destinada a ser Ministra das Finanças (tivesse a História algum sentido da ironia e caber-lhe-ia juntar os cacos deixados pela bancarrota a que o Dr. Costa alegremente nos conduz) pode bem ser que um dia venha revelar-nos que a lúcida Catarina Martins terá à sua espera, mais cedo ou mais tarde, um lugar de Presidente da Sociedade de Geografia.

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.01.17

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Muros, de José Jorge Letria

Ensaio

(edição Guerra & Paz, 2016)

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Viagem ao Egipto (12).

por Luís Menezes Leitão, em 15.01.17

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A partir de Assuão pode fazer-se uma viagem por estrada a Abu Simbel, situada junto à fronteira com o Sudão. É uma viagem de ida e volta de 600 km através do deserto do Saara, que se tem que fazer numa manhã, mas vale a pena. Sai-se de madrugada e vê-se o nascer do sol no deserto, comprando um café quente numa banca à beira da estrada, para afastar o frio.

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 Abu Simbel foi um dos templos que ficou submerso com a barragem de Assuão, tendo sido salvo devido à intervenção da UNESCO. A intervenção foi complexa, uma vez que se tratava de um templo escavado numa montanha. A solução foi fazer mais recuadamente uma montanha artificial com uma estrutura de ferro, para onde depois foram transferidas as estátuas. O resultado foi excelente, uma vez que todos os monumentos foram conservados, mantendo-se o espírito original.

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Os templos são dois, sendo o maior dedicado a Ramsés II, com os grandes colossos, todos representando o faraó, e o segundo, mais pequeno, dedicado à rainha Nefertari. Ramsés II teve várias esposas, mas a sua favorita foi sempre Nefertari, nome que significa precisamente a mais bela ou a mais perfeita. Nefertari era uma princesa núbia, cujo casamento com Ramsés II trouxe a paz entre o Egipto e a Núbia, paz essa que se julga ter sido simbolizada em Abu Simbel, com os dois magníficos templos. Mas os templos simbolizam principalmente a história de amor entre o faraó e a sua rainha, que ainda hoje é proclamada aos visitantes, milhares de anos passados.

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Ler

por Pedro Correia, em 15.01.17

Tempo novo para os reformados. De Carlos Guimarães Pinto, n' O Insurgente.

Chegou o frio, televisões. Do Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies.

Jornalismo de merda. Do Luís Novaes Tito, n' A Barbearia do Senhor Luís.

A velha ignorância. Do José Pimentel Teixeira, no Courelas.

Así que pasen cinco años. De Francisco Miguel Valada, no Aventar.

Saudade, poesia... au tempos des amours mortes. Do Nelson Reprezas, no Espumadamente.

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RH Music Box (350)

por Rui Herbon, em 15.01.17

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 Autor: Stevie Wonder

 

Álbum: Talking Book (1972)

 

Em escuta: Tuesday Heartbreak

 

 

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Se bem percebo

por Rui Rocha, em 14.01.17

Nesta coisa da TSU, o Ministro Vieira da Silva foi à tal feira da Concertação Social vender gado que afinal não era dele.

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Leituras para 2017

por Pedro Correia, em 14.01.17

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Não deixes tudo ao sabor do acaso. Organiza um plano de leitura. Abdica de parte do tempo diário que dedicas a um sem-fim de futilidades. Não espreites mais vídeos de gatinhos nem repliques graçolas alarves nas “redes sociais”. Imagina 2017, no plano cultural, como uma montanha que ambicionas escalar e não como uma ladeira que vais descer.

Elege elevação como palavra de ordem. E nunca esqueças que a leitura será sempre a tua maior aliada neste caminho.

 

Põe de lado uns quantos livros que pretender ler. Coloca-os num lugar acessível, de modo a que consigas espreitar-lhes as capas a todo o momento. Estarão ali, chamando por ti, manhã após manhã, semana após semana.

Canaliza meia hora, todos os dias, do precioso tempo que gastas com aquilo que não interessa para mergulhares numa primeira leitura. Se ela te prender, a meia hora irá ampliar-se quase sem dares por isso. Mas convence-te que terás de concentrar-te nessa meta. Nada se alcança sem um esforço mínimo.

Não escutes aqueles que escutas há anos nas televisões papagueando as mesmas coisas: antes de abrirem a boca já sabes o que irão dizer. Deixa o telemóvel noutra divisão, mostra-lhe que és tu a mandar nele e não ele a dispor de ti. Não caias na tentação de trocar amizades reais por amizades virtuais.

Pensa num livro como um amigo real, disponível a todos os momentos e capaz de te acompanhar nos melhores percursos – aqueles que te abrem horizontes, aqueles que são capazes de fazer de ti uma pessoa com mais cultura, com maior conhecimento, com melhor capacidade de entender os mistérios da vida e desvendar os enigmas do mundo.

 

Organiza uma lista de leituras. Eu já fiz isso, nos primeiros dias do ano. Tenho estes livros à cabeceira, desafiando-me a todo o momento para ir ao encontro deles: O Agente Secreto, de Joseph Conrad, A Cidade e os Cães, de Mario Vargas Llosa, San Camilo, 1936, de Camilo José Cela, O Tio Goriot, de Honoré de Balzac, Batalha Incerta, de John Steinbeck, Revolta na Bounty, de John Barrow, Desconhecidos, de Anita Brookner, O Mundo de Fora, de Jorge Franco, Sartoris, de William Faulkner, Manhattan Transfer, de John dos Passos.

Diz para ti próprio: vou ler mais em 2017. E põe em prática este objectivo. Verás que se concretiza: basta saberes organizar melhor o calendário. A vida é feita de escolhas: prescinde de parte do tempo desperdiçado em irrelevâncias e chegarás ao fim com a certeza de teres aproveitado bem o ano.

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Viagem ao Egipto (11).

por Luís Menezes Leitão, em 14.01.17

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Um dos mais belos inícios de um romance em língua portuguesa é o de Luandino Vieira, De Rios Velhos e Guerriheiros: "Conheci rios. Primevos, primitivos rios, entes passados do mundo, lodosas torrentes de desumano sangue nas veias dos homens. Minha alma escorre funda como a água desses rios". Eu também conheci muitos rios, primevos, primitivos, entes passados do mundo, mas nenhum se compara ao Nilo.

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O Nilo não é apenas o maior rio do mundo  em extensão — já em volume de água é ultrapassado pelo Amazonas — como também é um rio absolutamente único, cujas características espantavam os antigos. Em primeiro lugar desce de Sul para Norte. Depois, uma vez juntos o Nilo Branco e o Nilo Azul, já não tem afluentes, dividindo-se num enorme delta antes de chegar à foz. E a sua cheia não coincidia com as cheias dos outros rios que desaguam no Mediterrâneo. Enquanto nestes a cheia é no Inverno, secando o rio no Verão, no Nilo a cheia era em Julho, no pico do Verão, altura em que a água alagava os campos tornando-os férteis sob uma temperatura de mais de 40 graus. A explicação é que era nessa altura que surgiam as grandes chuvas tropicais no centro da África, levando a que o rio enchesse, provocando inundações a milhares de quilómetros de distância.

 

Por isso os egípcios entoavam hinos à cheia do Nilo como nos excertos seguintes:

 

"Salve ó Nilo, que sai da terra e vem vivificar o Egipto

de natureza misteriosa, tenebroso em pleno dia!

A sua saída canta-o,

ele que faz viver todo o gado,

ele que sacia o deserto

quando a água distante aparece (…)".

 

"Ele traz a sua plenitude e nenhum dique se ergue à sua frente.

Ele atingiu as montanhas,

senhor dos peixes, com muitos pássaros

[Ele traz] todos os seus [produtos] úteis.

Ele é alimento e todos os corações estão doces (…)

(recolhidos em Luís Manuel de Araújo, Mitos e Lendas do Antigo Egipto, págs. 103 e 107)

 

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Hoje tudo isto acabou. O Nilo, que nenhum dique impedia, está hoje represado pela grande barragem de Assuão, que criou o Lago Nasser com 550 Km de comprimento e 5250 km2 de área, seguramente o maior lago artificial do mundo. E assim, para além de ter alagado importantíssimos sítios arqueológicos, esta barragem terminou com a cheia do Nilo, que existia desde a antiguidade. Na verdade, o homem tudo faz para vergar a Natureza à sua vontade e nem o maior rio do mundo lhe consegue resistir.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 14.01.17

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O Programa Segue Dentro de Momentos, de Júlio Isidro

Prefácio de Baptista-Bastos

Autobiografia

(edição Marcador, 2.ª ed, 2016)

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RH Music Box (349)

por Rui Herbon, em 14.01.17

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 Autor: Staples Singers

 

Álbum: Be Altitude: Respect Youself (1971)

 

Em escuta: I'll Take You There

 

 

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Qualquer economista quântico sabe

por Bandeira, em 13.01.17

Eu ia escrever um pequeno ensaio sobre uma disciplina inventada a que chamaria “Economia Quântica”, fazendo um paralelo muito arguto entre a incerteza que parece caracterizar o comportamento das partículas subatómicas e aquela que vem alapando o corrosivo germe da dúvida nos hoje tão fragilizados alicerces da Economia. Começaria com este naco de prosa da mais fina cientificidade:

 

"Qualquer economista quântico sabe que, das quatro forças do Universo – gravidade, nuclear fraca, electromagnética e nuclear forte –, a gravidade é a menos séria e a nuclear forte é a de maior gravidade. É com este aparente paradoxo que, (etc., etc.)"

 

Mas fiz uma pesquisa, e – como pude não ter adivinhado?– já existe uma Economia Quântica. Como Nietzsche, estarei num chalé suíço recuperando, ou não.

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Música recente (61)

por José António Abreu, em 13.01.17

The XX, álbum I See You.

 O título não podia ser mais adequado. Ao terceiro álbum, os XX sacodem (ainda que ligeiramente) a tendência para a introspecção e olham para fora.

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Não, isto não pode ser o jornalismo em 2017

por João André, em 13.01.17

Nos últimos dias explodiu uma bomba de Carnaval adiantada nos EUA. O site de notícias Buzzfeed decidiu publicar um relatório, não confirmado, de um espião britânico especialista sobre a Rússia, onde estaria indicado que a Rússia teria material incriminatório sobre Donald Trump e que o poderia usar para influenciar o futuro presidente dos EUA.

 

A razão para o relatório dar este barulho todo está ligada a próprio Trump. É de facto possível vê-lo a cair na "honey trap". E possível imaginá-lo a compremeter outros para aassegurar algumas promessas que fossem para si vantajosas. É possível imaginá-lo como cedendo aos jogos de Putin ou sua entourage. É, portanto, credível nas conclusões.

 

Só que isso por si só não pode ser razão para justificar a publicação do relatório por parte de um meio de comunicação social que quer ser credível. É uma das regras de ouro do jornalismo: verificação independente. Tudo o que seja menos que isso é perseguição, especulação e falta de ética. Mesmo nas páginas de opinião tal documento estaria mal.

 

A primeira emenda da constituição dos EUA protege enormemente a liberdade de imprensa. Por vezes dá a sensação de ser demais, mas no geral os benefícios compensam enormemente os problemas. Isso significa que o site Buzzfeed consegue estar relativamente a salvo, especialmente com a sua indicação que o relatório não tinha confirmação. Só que isso não os deve deixar a alvo da condenação pública. A publicação de tal relatório pode de imediato ser usada para atacar Trump com informação, na melhor das hipóteses incerta, e na pior falsa. Isso não é estratégia de um bom meio de comunicação social. É a estratégia de lixo como o Breitbart "News".

 

O pior foi no entanto a justificação do editor chefe do Buzzfeed, escrevendo aos seus trabalhadores, que é «assim que vemos a função dos jornalistas em 2017». Ou seja, publicação de relatórios não verificados, escrevendo que os americanos podem decidir por si próprios. e sem fazer uma avaliação crítica ou proceder a uma investigação independente. Por outras palavras, o site Buzzfeed está a resumir o trabalho dos repórteres à função de multiplicadores de boatos com um mínimo de comentário paralelo, pouco menos que aquilo que bloggers fazem.

 

É indiferente qual o alvo de tal acção ou quem a comete. O jornalismo não é isto. Isto é o que fazem os sites de clickbait e notícias falsas. Do jornalismo espera-se mais, é por isso que está, sob uma forma ou outra, protegido pela constituição de qualquer estado de direito onde exista liberdade. A minha opinião sobre Trump não se modificou (talvez tenha piorado), mas qualquer pessoa merece um jornalismo correcto. Ao negar tal ao próximo presidente dos EUA, o site Buzzfeed não só se nega a fazê-lo como presta um péssimo serviço ao jornalismo em 2017.

 

PS - como é óbvio não deixarei qualquer link para o relatório.

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Falta uma Ordem de Jornalistas

por Pedro Correia, em 13.01.17

 

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A memória colectiva é cada vez mais curta, mas os leitores lembram-se ainda do que aconteceu há um ano: dois dos mais influentes órgãos de informação portugueses iniciaram uma série de fantásticas revelações sobre uns tais “papéis do Panamá” que prometiam abalar as oligarquias dominantes. Reuniram equipas de trabalho, destinaram espaço nobre e manchetes garrafais ao assunto e juravam que estava de volta o “jornalismo de investigação”.

O que aconteceu? De súbito, as violas foram guardadas no saco. Não houve revelação bombástica alguma, as equipas de reportagem dissolveram-se e os mesmos órgãos de informação que trombeteavam rios de autopromoção contra a corrupção ancorada em supostos paraísos fiscais remeteram-se ao silêncio. Nunca mais ouvimos falar nos “papéis do Panamá”, tudo regressou à habitual anestesia colectiva, dominada pelo futebol, agenda política e  “casos de polícia”, entremeados por graçolas de “redes sociais” para divertir a plebe.

 

Decorre agora o quarto Congresso dos Jornalistas – o primeiro que se realiza em Portugal desde 1998. Gostava que ali se levantassem várias vozes questionando o que aconteceu aos “papéis do Panamá”. Gostava que também que os congressistas tivessem a ousadia de perguntar a si próprios por que motivo a pressão de uns quantos inviabilizou até hoje o aparecimento de uma Ordem de Jornalistas, semelhante às que regulam as mais diversas profissões – médicos, advogados, arquitectos, farmacêuticos, engenheiros, psicólogos, enfermeiros, biólogos, economistas, notários, nutricionistas, veterinários.

Disseram-nos na altura, numa frase de forte efeito, que “os jornalistas não podem ser metidos na Ordem”. Acontece que, sem Ordem, generalizou-se o desemprego e multiplicou-se a precarização, marginalizando e condenando à irrelevância muitos dos melhores quadros jornalísticos.

Ao contrário do que referiu ontem Marcelo Rebelo de Sousa, interveniente na sessão inaugural (o que não deixa de ser irónico), o jornalista não deve ser “antipoder”. O jornalista deve, isso sim, exercer de forma ilimitada o único poder que está ao seu alcance – o poder de fazer perguntas, no livre exercício do direito à dúvida que neste ofício se institui em dever deontológico. Sem nunca esquecer que um jornalista não é um juiz. Existe para mostrar, relatar, descrever, explicar. Não existe para condenar liminarmente ninguém e muito menos para pendurar seja quem for em pelourinhos públicos.

 

Perguntem - sem preconceitos ideológicos nem condicionalismos de qualquer espécie - se deve haver Ordem de Jornalistas. Mas perguntem sobretudo quando irá ela surgir. Para regular o acesso à profissão, dignificá-la, combater a proletarização galopante dos seus quadros e traçar fronteiras claras entre quem merece e quem não merece ser portador de carteira profissional em função de parâmetros deontológicos muito rigorosos e adaptados aos novos desafios e às novas exigências deste ofício.

Falar sem agir nesta direcção é chover no molhado. E passar mais dezanove anos de contínua e resignada degradação profissional, até ao próximo congresso. Se então ainda restar alguém no jornalismo em Portugal.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 13.01.17

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Diamante do Sul, de Nádia Carnide Pimenta

Romance

(edição Theoria, 2016)

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Viagem ao Egipto (10).

por Luís Menezes Leitão, em 13.01.17

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Em Mênfis podemos ver uma enorme estátua derrubada daquele que foi seguramente o maior faraó do Egipto: Ramsés II, o Grande. O seu reinado foi longuíssimo, situando-se aproximadamente entre 1279 a.C. e 1213 a.C., pelo que várias gerações de egípcios apenas conheceram Ramsés II como seu faraó. Esse período foi extremamente próspero, tendo o faraó casado várias vezes, sendo a sua principal esposa a rainha Nefertari, e deixado inúmera descendência. Por isso se diz que grande parte dos egípcios são descendentes de Ramsés II.

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Ramsés II não foi, no entanto, conhecido por grandes feitos militares, mas antes pela grande arte do político, que é a propaganda, e que o levou a espalhar estátuas monumentais por todo o Egipto. O seu maior feito militar é a batalha de Kadesh, que travou na Síria contra os hititas, mas que na realidade acabou por se revelar um fracasso, não tendo Ramsés II conseguido tomar a cidade. A lenda, no entanto, diz que Ramsés II foi abandonado pelos soldados em pleno combate mas que, após uma prece ao deus Amon, este interveio a seu favor, permitindo-lhe vencer e esmagar os hititas completamente sozinho. Como dizia John Ford, no filme O homem que matou Liberty Valance, "quando a lenda é mais interessante do que o facto, imprima-se a lenda".

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Olhando esta estátua derrubada de Ramsés II, lembrei-me do célebre poema Ozymandias, que Shelley escreveria em 1818, também após olhar para uma estátua deste faraó, aqui na tradução de Eugénio da Silva Ramos:

Ao vir de antiga terra, disse-me um viajante

Duas pernas de pedra, enormes e sem corpo,

Acham-se no deserto. E jaz, pouco distante,

Afundando na areia, um rosto já quebrado,

de lábio desdenhoso, olhar frio e arrogante

Mostra esse aspecto que o escultor bem conhecia

Quantas paixões lá sobrevivem, nos fragmentos,

À mão que as imitava e ao peito que as nutria

No pedestal estas palavras notareis:

"Meu nome é Ozimândias, e sou Rei dos Reis:

Desesperai, ó Grandes, vendo as minhas obras!"

Nada subsiste ali. Em torno à derrocada

Da ruína colossal, areia ilimitada

Se estende ao longe, rasa, nua, abandonada.

 

Só que Shelley escreveria antes da descoberta do Vale dos Reis, onde se encontrou a múmia de Ramsés II. E, curiosamente, quando em  1976 a múmia teve que viajar para Paris para ser tratada de um fungo que a consumia, o governo francês decidiu receber a múmia no aeroporto com honras de chefe de Estado. No Egipto o passado e o presente estão eternamente ligados e, mesmo após três mil anos, ninguém se esquece de prestar as honras devidas ao Grande Faraó.

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 13.01.17

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Mafalda Arnauth

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E vão seis

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.01.17

"He started his career at Goldman Sachs and is the sixth person with Goldman roots to join the White House."

Para quem queria ir contra o establishment não está nada mau. Mais uns dias e temos a White House & Sachs Inc. 

 

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RH Music Box (348)

por Rui Herbon, em 13.01.17

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 Autor: Stanley Clarke

 

Álbum: School Days (1976)

 

Em escuta: Desert Song

 

 

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Um adeus desolador

por Teresa Ribeiro, em 12.01.17

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Para mim era um dado adquirido. No dia em que Mário Soares morresse, o país sairia à rua para se despedir. Se aconteceu com Cunhal, em 2005, por maioria de razão sucederia com o principal líder da democracia, um homem que arrastou multidões e cultivou com os portugueses uma relação de proximidade que encontra paralelo só agora, com Marcelo Rebelo de Sousa.

Lisboa cumpriu bem o seu papel. Houve Sol e temperatura amena. Do ponto de vista meteorológico, Soares teve um perfeito adeus português, mas povo, nem vê-lo. Foi um choque assistir à desolação das ruas durante o cortejo fúnebre do "pai da democracia portuguesa" - conforme lhe chamou, e bem, a imprensa espanhola.

Porquê esta indiferença? Porque a memória afectiva já não é o que era e hoje faz reset de quem desaparece por mais de seis meses da televisão, do twitter e do facebook? Neste sentido, e sendo certo que não foram só comunistas a encher as ruas no funeral de Cunhal, pergunto-me: se o líder histórico do PCP tivesse morrido por estes dias haveria o mesmo banho de multidão?

A crise, que tem afastado progressivamente as pessoas dos políticos, também pode ter tido responsabilidade nesta monumental ausência. A democracia e os seus símbolos já não suscitam paixões, vê-se a cada dia que passa por toda essa Europa e Portugal não é excepção. Se é isto, o desaparecimento de Soares reveste-se de simbolismo, porque assinala o fim de um ciclo na nossa democracia. A ausência de povo na sua despedida anuncia o início de outro. Um ciclo que - temo - já nada terá de inteiro e limpo...

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Palavras para recordar (12)

por Pedro Correia, em 12.01.17

 

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ANTÓNIO CAPUCHO

Sol, 4 de Fevereiro de 2011

«Passos Coelho tem toda a razão. Porque é que eu hei-de ter passe social? E porque é que a CP me faz desconto a mim? A minha mulher contou-me que vai para Lisboa por metade do preço por ter mais de 65 anos. Não faz nenhum sentido. É neste tipo de coisas que por uma questão moral mas também financeira que Passos Coelho tem de ser aparentemente liberal, mas é ele que está a defender o Estado Social.»

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Moda homem: tendências

por Rui Rocha, em 12.01.17

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Para 2017, destacamos o regresso dos quadrados numa alegoria que faz referência subtil às grades e aos motivos prisionais, a aposta em acessórios que sublinham a ruralidade com alusão ao imaginário da lezíria e do campino e a entrada em força dos sleeveless jackets com volume. Os casacos, em geral, são oversized. A paleta de cores é arrojada, numa maravilhosa e desconcertante explosão pirotécnica que, num explícito piscar de olho ao universo feminino, recupera os tons rosa. O gender blending é agora assumido com indisfarçado atrevimento: em 2017, a tendência para a entrada do homem no desafiante terreno dos pompons e berloques é assumida sem reticências. No cabelo, a mitra substitui definitivamente o estafado coque masculino. Em contraponto, na praia, e num exercício de refinada ironia, retoma-se o imagináro "Quarteira anos 70" a que não falta mesmo a bolsa de cintura masculina (a famosa "paneleira") para sublinhar o look operário, tudo numa clara alusão política ao rust belt responsável pela eleição de Donald Trump.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 12.01.17

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 Arte e Poder na Era Global, de Alexandre Melo

Ensaio

(edição Documenta, 2016)

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