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Belles toujours

por Pedro Correia, em 01.07.16

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Kaya Scodelario

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RH Music Box (152)

por Rui Herbon, em 01.07.16

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Autor: Indeep

 

Álbum: Last Night A D.J. Saved My Life (1983)

 

Em escuta: When Boys Talk

 

 

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As melhores praias portuguesas (15)

por Pedro Correia, em 30.06.16

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Pópulo (São Miguel, Açores)

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Por este andar

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.06.16

Com a quantidade de detidos, arguidos e presos condecorados que Portugal começa a ter, ainda vamos ter muito boa gente a esconder as medalhas. O padrão é sempre o mesmo.

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Uma ajuda à compreensão

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.06.16

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O site de sondagens de Lord Ashcroft merece uma visita. O conjunto de dados que ali foi disponibilizado pelo conhecido político e filantropo conservador, que se manifestou a favor do Brexit, pode ser uma achega importante para a compreensão da forma como as coisas se passaram com o referendo britânico.

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Penso rápido (78)

por Pedro Correia, em 30.06.16

lógica referendária estimula como nenhuma outra as pulsões populistas. É disso que a Europa menos precisa neste momento, confrontada como está com desafios que exigem resposta à escala continental das instituições políticas - desafios como o terrorismo, as migrações, a globalização, a ameaça expansionista russa, as crises financeiras de diversos Estados membros, o espectro da recessão económica e a falência do modelo de segurança social pública tal como o conhecemos desde o pós-guerra.
Que resposta pode ser dada, por exemplo, aos atentados como o de anteontem no aeroporto em Istambul - 42 mortos e pelo menos 40 feridos em estado grave - sem ser através de mecanismos colectivos e de uma fortíssima solidariedade europeia?
Os referendos são caixas de Pandora abertas pelos motivos mais extravagantes (no caso de David Cameron numa tentativa canhestra de entalar a forte corrente eurocéptica do Partido Conservador, tiro que lhe saiu pela culatra) e que dificilmente voltam a ser fechadas. Por isso a Escócia promete avançar já com novo referendo soberanista. Por isso os inconformados com o Brexit mobilizam-se já para que ocorra outro referendo destinado a anular os efeitos do primeiro.
Parafraseando Winston Churchill, a democracia representativa é o pior dos sistemas excepto todos os outros. Arguto Churchill, que nunca necessitou de referendos para tomar decisões, mesmo nos momentos mais dramáticos. Se tivesse convocado uma consulta popular antes de decidir fazer frente à Luftwaffe, talvez hoje o alemão fosse um dos idiomas oficiais do Reino Unido.

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Portugal, Espanha e o Brexit

por Diogo Noivo, em 30.06.16

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Os portugueses votaram nos partidos que compõem a actual maioria de governo, mas não a validaram nas urnas. Já os espanhóis tiveram esse privilégio. Durante os últimos seis meses, o PSOE, o segundo partido mais votado nas eleições legislativas de Dezembro, tentou repetidamente formar uma maioria de governo com o Podemos e com o Ciudadanos. O objectivo era impedir o Partido Popular, o mais votado, de governar. Meio ano depois, estes partidos submeteram-se novamente ao voto popular e o resultado é claro: PSOE perde votos e mandatos, obtendo o pior resultado de sempre; o Ciudadanos perde votos e mandatos, tornando-se ainda menos relevante; o Podemos, apesar de coligado com a Izquierda Unida, não consegue mais mandatos, perde mais de 1 milhão de votos e falha o lugar de principal força de esquerda. O Partido Popular, inimigo público número 1 para os três partidos que pugnaram por um arranjo parlamentar, reforça a vitória obtida em Dezembro com mais 14 deputados e mais 600 mil votos. Em Espanha, ensaiou-se uma maioria para desalojar o partido mais votado, e os partidos envolvidos nesse empreendimento foram seriamente penalizados. Já o partido que foi impedido de assumir funções saiu mais forte do acto eleitoral. Talvez seja uma coincidência.

 

Terá sido o Brexit?

É impossível determinar com exactidão o efeito real do Brexit nas escolhas feitas pelos eleitores espanhóis. No entanto, os dados sugerem que esse efeito foi marginal. Em primeiro lugar, PSOE e Ciudadanos, dois dos três partidos mais penalizados, têm fortes convicções europeístas e são contrários ao Brexit. Por isso, é pouco plausível que o eleitorado os tenha sancionado por força do “sim” no referendo.

Em segundo lugar, a flutuação de votos em relação às eleições de 20 de Dezembro sugere que os resultados do passado domingo se devem maioritariamente a assuntos internos. Isto é especialmente visível quando olhamos para a coligação entre Podemos e Izquierda Unida, o Unidos Podemos. Com excepção de Barcelona, o Unidos Podemos foi penalizado em todos os municípios onde governa o Podemos, o que indicia eleitores com motivações locais. Subamos agora um degrau na escala político-administrativa e olhemos para as comunidades. Em Madrid, na Catalunha e na Comunidade Valenciana, o Unidos Podemos perdeu os votos que pertenciam à Izquierda Unida, o que sugere um desagrado dos votantes comunistas causado por guerras internas da extrema-esquerda (cada vez mais audíveis). Por último, se o Unidos Podemos fosse prejudicado por causa do seu anti-europeísmo, seria expectável que houvesse uma transferência de votos do UP para partidos defensores da causa europeia (em particular, para o PSOE). No entanto, o número de votos perdidos pelo Unidos Podemos é praticamente igual ao número de novos abstencionistas.

A motivação dos eleitores é diversificada e cheia de subtilezas, logo não existem causas únicas para explicar resultados eleitorais. No entanto, em Espanha, os dados sugerem motivações de política interna. Assim sendo, coincidência ou não, insisto: os três partidos que tentaram desalojar o partido mais votado foram todos penalizados.

 

Bipartidarismo

No que respeita ao bipartidarismo, há semelhanças entre os vizinhos ibéricos. Em Portugal, nas últimas eleições legislativas, a ameaça à hegemonia do PSD e do PS era substancialmente menor do que a ameaça sentida pelos dois principais partidos espanhóis. No entanto, embora com um cenário parlamentar mais fragmentado, PP e PSOE continuam a ser os principais partidos nacionais. A “nova política” chegou a Espanha, mas ainda não se instalou.

À esquerda encontramos mais parecenças: em Portugal como em Espanha, os socialismos e as extremas-esquerdas na oposição não capitalizaram nas urnas o descontentamento popular contra os governos neo-liberais, contra os Executivos que tinham na austeridade uma opção ideológica, contra a direita subserviente a Berlim, contra aqueles que aniquilam o estado social. Era um aproveitamento inevitável, segundo boa parte da imprensa ibérica. Porém, não aconteceu. Haverá nesta pequena península um divórcio entre a opinião pública e a opinião publicada?

 

Pactos de Governo

Tal como em Portugal, a soma dos derrotados em Espanha ultrapassa a barreira da maioria absoluta. Juntos, PSOE, Unidos Podemos e Ciudadanos contam com 188 deputados (são necessários 176 para a maioria absoluta). A aritmética bate certo, mas a política dificilmente a viabilizará. Ciudadanos e Unidos Podemos são incompatíveis e o perfil Albert Rivera, presidente do Ciudadanos, não se coadunará com cedências de princípios a troco de lugares ou de influência legislativa. Rivera fará exigências que a coligação de extrema-esquerda não poderá cumprir. E vice-versa. Por outro lado, estes últimos seis meses degradaram bastante as relações entre socialistas e podemitas. O acordo entre estas duas forças políticas é teoricamente possível, mas são várias as personalidades de relevo no PSOE que o rejeitam. Vale o que vale, mas o sms enviado por Pablo Iglesias a Pedro Sánchez continua sem resposta – esta terça-feira, na primeira entrevista televisiva depois do acto eleitoral, o líder do Podemos queixou-se do silêncio socialista.

Apesar de derrotados nas urnas, PSOE, Ciudadanos e Unidos Podemos, mantêm o veto a Mariano Rajoy. Em política tudo é possível e 48 horas são uma eternidade que permite vários avanços e recuos. Vão aparecendo sinais de mudança. Mas, para já, as linhas vermelhas são praticamente as mesmas.

 

Principais diferenças de contexto entre Portugal e Espanha

Das várias diferenças entre os cenários políticos de Portugal e de Espanha, três são especialmente significativas: (i) houve maior utilitarismo na esquerda portuguesa; (ii) perante a possibilidade real de integrar um Governo, a extrema-esquerda espanhola viu-se obrigada a apresentar um programa de governo que fosse para além das utopias e dos protestos habituais – e os eleitores do centro ficaram horrorizados com o que viram; (iii) em Espanha houve seis meses de debate e de escrutínio das intenções partidárias, nomeadamente dos propósitos socialistas. Os seis meses de interregno entre escrutínios foram importantes. O eleitorado falou e não ficou tudo na mesma.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.06.16

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Eu e as Mulheres da Minha Vida, de Tiago Rebelo

Romance

(edição ASA, 4.ª ed, 2016)

"Por vontade expressa do autor, o livro respeita a ortografia anterior ao actual acordo ortográfico"

 

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O incendiário.

por Luís Menezes Leitão, em 30.06.16

Na resolução do BES o Estado meteu 3,5 mil milhões de euros, que "emprestou" ao Fundo de Resolução, confiando em que o nosso pujante sistema bancário devolveria o dinheiro. Não só não devolveu nada, como agora o Novo Banco precisa de reforçar o capital em mais 1,4 mil milhões de euros. Como se isto não bastasse, surgiu entretanto a necessidade de resolução do BANIF que custou 3 mil milhões de euros. A isto há que acrescentar as necessidades de recapitalização da CGD que serão no mínimo de 5 mil milhões de euros. 

 

Perante este cenário claro, Schäuble fez uma declaração, que eu até acho simpática, a dizer que Portugal precisa de um novo resgate e que estaria em condições de o ter. A seguir lá lhe puxaram as orelhas, e voltou atrás dizendo que Portugal não vai precisar de qualquer resgate se cumprir as regras europeias que obrigam à consolidação orçamental e à redução do défice. Eu traduzo: Portugal não precisará de resgate se tiver condições para ter um orçamento equilibrado, o que manifestamente não vai ter.

 

Mas entretanto lá surgiu o inevitável João Galamba, a acusar Schäuble de ser incendiário, já que Portugal não precisaria de resgate algum. Só falta agora explicar onde é que vai o país buscar o dinheiro para recapitalizar os bancos. Vai continuar a endividar-se no mercado? Com a dívida que já temos, é a garantia que a breve trecho os mercados se fecham. Vai ligar as rotativas? Enquanto estiver no euro, isso não é possível. É por isso manifesto que o segundo resgate é a única solução. Por isso fariam melhor em ouvir Schäuble, em vez de continuar a viver num mundo de ilusão. Schäuble não pega fogo às finanças da Alemanha, que estão fortes e pujantes. O mesmo já não posso dizer do actual governo português.

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Mau Humor

por Francisca Prieto, em 30.06.16

Hoje foi dia de andar para aqui de estômago embrulhado numa difícil digestão daquelas que só as polémicas nas redes sociais são capazes de provocar.

Ora um rapaz humorista, de nome Diogo Faro, resolveu escrever uma crónica na revista Visão onde, divagando no formato dicotómico a que Miguel Esteves Cardoso brilhantemente nos habituou, abordou a temática das idas à praia dos Betos versus os Mitras.

A crónica até podia ter graça, mas não tinha lá assim muita. Repleta de lugares comuns e até de algumas incongruências, avançava pelas linhas fora ridicularizando os Lourenços versus os Fábios e as sanduíches de peru sem glutén por oposição aos papo-secos mistos e por aí fora.

Tudo isto passaria ao lado, se não houvesse pelo meio uma tirada infeliz em que o autor considerou hilariante comentar que os betos se apresentavam na praia com as suas grandes ninhadas, onde muitas vezes constavam crias com trissomia 21 que as mãe não afogavam à nascença porque ficavam óptimas nas fotos da família.

Defendo há muito tempo que não há fronteiras para o humor, excepto as do nível da graça. Ou seja, podemos fazer humor sobre aquilo que bem nos apetecer (sim, mesmo sobre o Menino Jesus ou a Madre Teresa ou os paralíticos do deserto), mas se nos atrevemos a levar o humor para temas extremos, é bom que a piadola seja mesmo hilariante. Não pode ser só uma graçola palerma.

E esta graçola do senhor Diogo Faro é tão pateta que, não tendo graça nenhuma, acaba por ser gratuitamente ofensiva para uma data de famílias que conheço que dão o litro para que os seus filhos com trissomia 21 tenham um projecto de vida capaz.

As crianças com trissomia 21 felizmente já não são remetidas para o quarto dos fundos das casas, mas também não são troféus de uma família. São só filhos. E para elas queremos um futuro igual ao que desejamos para qualquer outro filho: que sejam autónomas e felizes.

Aparecem evidentemente nas fotos de família, fazem o seu percurso em escola regular, andam na natação ou no judo ou no que bem lhes apetecer e trabalham o dobro dos outros para conseguirem metade dos resultados.

Nós estamos lá ao seu lado, como estamos para todos os filhos. Para os proteger das agruras desnecessárias, para lhes dar a mão quando calha não serem convidados para uma festa, para os ajudar nos trabalhos de casa e para garantir que, aconteça o que acontecer, venham a ter um papel relevante na sociedade.

Ao contrário do que o caríssimo Diogo Faro parodia, infelizmente há muitas famílias, de betos e não betos, que os afogam à nascença. Diz-nos a estatística que mais de 95% das crianças com trissiomia 21 ficam pelo caminho, logo ao início da gravidez, por opção dos pais. O que quer dizer que há muita gente que foge, como o diabo da cruz, de os querer ver no postal estival de família.

Mandar piadolas palermas sobre famílias que todos os dias têm de encher o peito para fazer valer os direitos dos seus filhos é uma crueldade.

Fazer humor em cima de crianças deficientes mentais é uma covardia.

Se o texto fosse de rebolar a rir, perdoava-se. O que está mal é que não era. Era só poucochinho.

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RH Music Box (151)

por Rui Herbon, em 30.06.16

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Autor: Quarteto 1111

 

Álbum: A Lenda Do Quarteto 1111 (1993)

 

Em escuta: Os Monstros Sagrados (1969)

 

 

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As melhores praias portuguesas (14)

por Pedro Correia, em 29.06.16

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Cabanas (Tavira)

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Uma boa pergunta

por Pedro Correia, em 29.06.16

O inglês manter-se-á como língua oficial da União Europeia após a saída do Reino Unido?

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.06.16

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Até que o amor me mate, de Maria João Lopo de Carvalho

Romance histórico

(edição Oficina do Livro, 2016)

"Por vontade expressa da autora o livro respeita a ortografia anterior ao actual acordo ortográfico"

 

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 29.06.16

Chris Patten, no El País: «Com o Brexit vimos o populismo de Donald Trump desembarcar na Grã-Bretanha.»

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Estava escrito

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.06.16

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 Desde que foram convocados que se sabia qual seria o desfecho.

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Porreiro, pá!

por Luís Menezes Leitão, em 29.06.16

Grande parte dos sarilhos que a União Europeia está agora a atravessar deve-se ao Tratado de Lisboa, que constituiu uma forma encapotada de impor aos cidadãos a mesma Constituição europeia que tinha sido estrondosamente rejeitada em referendo na França e na Holanda. Na altura Sócrates e Barroso alinharam nessa mascarada vergonhosa, através da qual os líderes europeus fizeram questão de tomar os seus próprios cidadãos por parvos. Agora Sócrates, como se nada tivesse a ver com o assunto, escreve um artigo a criticar o défice democrático da União Europeia, a que chama "o desencantamento". Eu chamar-lhe-ia antes "o descaramento". O Tratado de Lisboa foi exigido pelos Estados grandes para lhes permitir manter a maioria no Conselho, mesmo depois das sucessivas adesões de novos países à União Europeia. Sócrates aplicou escrupulosamente a receita que lhe encomendaram e agora queixa-se de défice democrático? Só para rir.

 

O resultado desta cegueira europeia está bem à vista no discurso triunfante de vitória de Nigel Farage no Parlamento Europeu. Descontando a agressividade e os insultos, há uma coisa em que Farage tem razão: o motivo pelo qual os ingleses votaram pelo Brexit foi precisamente pelo facto de lhes terem imposto pela fraude uma união política, sem o mínimo cuidado de assegurar o consentimento dos povos. E agora, perante o falhanço total desse projecto, com a moeda europeia a revelar-se um desastre para os países do Sul, a União Europeia vive em estado de negação, persistindo em nada fazer. E a única coisa que os seus apoiantes têm para dizer é que a integração europeia assegurou 70 anos de paz na Europa. O Império Romano também assegurou 400 anos de paz na Europa e acabou por cair às mãos daqueles que dominava.

 

O projecto europeu de Schumann e Monet sempre assentou na construção da unidade europeia através de pequenos passos. Desde o falhanço da Comunidade Europeia de Defesa em 1953 que se sabe que é um risco enorme avançar precipitadamente em projectos de integração que não têm garantido o adequado consenso. No caso do Tratado de Lisboa sabia-se perfeitamente que não só não havia consenso, como havia uma vontade popular clara no sentido da sua rejeição, como ficara demonstrado pelos referendos negativos à constituição europeia. Avançou-se ainda assim e hoje os resultados estão à vista. Quando se fizer a história do início do fim do projecto europeu é a imagem de cima que ficará. 

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Novo mapa eleitoral espanhol

por Pedro Correia, em 29.06.16

O Partido Popular ganha votos nas 52 províncias de Espanha, o PSOE progride em 32, os Cidadãos recuam em 48 e a coligação Unidos Podemos cai em 46. Conclusão: o impasse político de seis meses beneficiou claramente Mariano Rajoy.

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Mais um louco à solta

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.06.16

Entre o que este cavalheiro promete e o que o Syriza de Tsipras prometeu para chegar ao poder, rasgando acordos, colocando todos os seus parceiros em sentido e pondo fim às humilhações para que o país recuperasse a sua independência, as diferenças acabam por ser muito pequenas. Espera-se que os que se fartaram de malhar no Syriza, confundindo-o com a esquerda democrática europeia para obterem dividendos internos, aproveitem esta oportunidade para voltarem ao terreno. 

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RH Music Box (150)

por Rui Herbon, em 29.06.16

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Autor: Iggy Pop

 

Álbum: Post Pop Depression (2016)

 

Em escuta: Chocolate Drops

 

 

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Pois está muito mal

por Rui Rocha, em 28.06.16

Pelo visto, o Senhor Secretário de Estado do Ambiente vai prescindir do subsídio de alojamento que a mão amiga do Primeiro-Ministro Costa tinha assinado em seu favor. Ao que parece, o referido subsídio tinha fundamento numa residência declarada no Algarve, sendo certo que o Senhor Secretário de Estado parece viver há um bom par de anos em casa própria no concelho de Cascais. Ora a verdade é que prescindir do subsídio é a pior decisão. Se, como tudo indica, actuou abusivamente, tem de demitir-se. Em contrapartida, se a atribuição do subsídio é legal, como afirma, não tem nada que prescindir dele. Se for legal, prescindir é ceder a pressões sem fundamento. Quem cede a pressões não tem condições para exercer funções de Secretário de Estado do Ambiente. Como é óbvio, o que está em causa não é o valor, são os valores.

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As melhores praias portuguesas (13)

por Pedro Correia, em 28.06.16

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Tocha (Cantanhede)

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Porquê referendos?

por João André, em 28.06.16

Sei que vou ser atacado pelas minhas linhas seguintes. Em parte pela minha opinião e em parte por não ter talento suficiente para a explicar. Seja como fora, aqui segue.

 

Muitas respostas houve ao Brexit. Uma delas foi uma rejeição de referendos semelhantes por parte dos principais partidos de governo pela Europa fora. Muitas justificações foram sendo dadas para isso - conveniência, falta de necessidade, oportunidade, assunto já "referendado" por eleições gerais, etc - mas a figura do referendo, em si mesma, nunca foi contestada.

 

Não é essa em si a função do meu post, mas posso questionar de certa forma o referendo, pelo menos enquanto instrumento da democracia. Há países como a Suíça onde o referendo está tão institucionalizado que é parte da rotina. Outros há onde é tão excepcional que é feito apenas para questões socialmente fracturantes (como em Portugal). Vale a pena no entanto perguntar qual o objectivo de referendos.

 

O referendo em si tem uma vantagem que é também um problema: pede uma resposta (habitualmente) binária - sim ou não - a uma pergunta que é quase certamente extremamente complexa. O voto da passada quinta-feira no Reino Unido não era um voto por permanecer na, ou sair da, União Europeia. Era um voto que decidia a liberdade de movimentos de pessoas e bens, decidia a contribuição ou não para um orçamento comunitário, decidia o destino de milhares de pequenos regulamentos desde embalagens de ovos às etiquetas em garrafas de água. Foi no entanto um momento em que o voto foi simplificado pelos proponentes dos dois lados. Ficar ou sair. Partilhar ou ser independente. Aceeitar fluxos migratórios ou rejeitar imigração. Ser europeu ou britânico.

 

Importa que a discussão tenha sido feita da forma mais básica possível e que do lado do Leave as opiniões dos especialistas tenha sido não só ignorada como completamente desdenhada. É um efeito curioso da acessibilidade da informação que as pessoas queiram cada vez menos da mesma. Os votantes Leave que hoje se arrependem do seu voto são aqueles que não quiseram ouvir opiniões e votaram com as suas entranhas (guts no original). Não estão sós nisso. Em Portugal ouvi muitos votantes contra o casamento homossexual ou aborto dizer que nada tinham contra as pessoas em si, mas não gostavam dos mesmos e por isso votavam contra. Era uma reacção visceral e pouco pensada e/ou informada.

 

Uma questão semelhante poderia ser levantada em relação a alguns dos principais progressos do passado. Teriam os homens votado a favor do voto feminino se chamados a pronunciar-se? Teríamos acabado com a escravatura (os países que o fizeram) se esta tivesse ido a referendo? Teriam os estados do sul aceite uma imposição referendária federal nos EUA para acabar com as leis Jim Crow?

 

Poucas pessoas conseguirão argumentar de forma minimamente convincente que a UE (ou os seus antecessores) não é responsável pelo mais longo período de paz na Europa. Teria esta organização saído sequer do papel se a CECA fosse a referendo em França? Teria o Tratado de Roma sido aceite? Creio que não: o ressentimento popular contra a Alemanha seria ainda demasiado forte para França ou Holanda aceitarem tais compromissos. Muitos outros exemplos poderiam ser dados ainda sem chegar a 1992.

 

Poderia mesmo perguntar-se se a resposta não seria um rotundo "Não!" no caso de a pergunta ser feita hoje, décadas depois dos benefícios desses tratados e alianças serem sentidos. Há um hábito de falar no "eleitorado" como se fosse um corpo orgânico, capaz de uma mente colectiva de onde os resultados chegam como mensagens. No entanto cada eleitor vota sozinho, na solidão da sua cabine e pode mudar o sentido de voto decidido desde há semanas com base numa pulsão do momento. Não serão muitos a fazê-lo, mas num voto apertado, podem ser suficientes.

 

Vale então a pena perguntar: queremos mesmo fazer perguntas tão decisivas sobre o sistema político ou sobre direitos sociais num referendo? Não será melhor entregar essas decisões aos nossos representates, os quais discutem os assuntos, auscultam (ou deveriam fazê-lo) os seus eleitores, trazem o debate de forma progressiva para a arena pública e evitam que argumentos simplistas contaminem a discussão? Em alternativa, se preferirmos o referendo, não seria melhor banalizar de tal forma o referendo que este se tornasse quase incontaminável? Se perguntarmos tudo, desde a cor das matrículas ao teor de sal nos pães, os eleitores acabarão por se tornar mais impermeáveis a argumentos populistas.

 

Gostaria que assim fosse, mas o exemplo suíço, com os seus votos contra a construção de minaretes (quando o país tinha apenas meia-dúzia) ou para limitar a liberdade de movimentos de cidadãos estrangeiros (directamente afectando as relações económicas com a UE) apontam para o quanto é fácil influenciar certos referendos usando simples argumentos que apelam aos medos dos eleitores. Não quero com isto dizer que esses medos não devem ser considerados, apenas que não devem dominar uma decisão como provavelmente o fizeram.

 

Quem defende o referendo fá-lo de forma sincera argumentando, com bastante lógica, que será a forma mais pura de democracia. Infelizmente, quando a resposta é para aceitar ou rejeitar, deixam de existir zonas intermédias. A política é a arte do possível, não uma ciência exacta. Uma mudança política ou social é um acto eminentemente político, mesmo que tomado pela população em geral. Como tal não deve ser tomada usando linhas vermelhas e fronteiras inamovíveis. É no entanto este o território dos referendos.

 

Pode sempre argumentar-se que o resultado de um referendo pode sempre ser colocado em causa por outro, mas para tal entramos novamente no território da política, da arte do possível. O referendo deixa de ser um instrumento de democracia, por falho que seja, para ser um instrumento de manipulação por parte dos políticos. Um referendo é então repetido as vezes que forem necessárias até se obter o resultado desejado. Na melhor das hipóteses torna-se uma consulta, onde os resultados levam a uma mudança na pergunta ou nas condições oferecidas. Na pior torna-se uma farsa.

 

O referendo britânico de quinta-feira não era vinculativo, mas David Cameron, o primeiro-ministro demissionário disse desde o início que o aceitaria, independentemente do resultado. Há no entanto já quem defenda que, na ausência de uma constituição que consolide o resultado, uma eleição geral que desse a vitória a um partido eleito numa plataforma clara de permanência na UE seria o suficiente para anular o resultado.

 

Pessoalmente não gosto da figura de referendos enquanto instrumentos vinculativos. Poderão ser usados como consultas populares, mas mesmo nesse caso seria difícil a um governo (ou parlamento) seguir em direcção oposta à do resultado de tal consulta. Prefiro claramente uma evolução lenta, onde após cada pequena alteração o sentimento público seja auscultado e potenciais passos seguintes acelerados ou atrasados. A maior parte dos grandes avanços políticos e sociais foram resultado de tais acções e raramente de verdadeiras revoluções. Mesmo o principal avanço político moderno, na forma do governo dos EUA, foi proposto por um grupo de homens sem qualquer vontade de pedir a opinião da população que seria afectada pelas suas decisões.

 

Claro que cada povo deve ter liberdade de seguir o caminho que entender, mesmo que isso implique um retrocesso (cada pessoa que veja um retrocesso como entenda). Só que um referendo tem frequentemente o efeito de dar um peso extra a uma decisão. Esta fica escrita em pedra mais facilmente num referendo, o resultado do qual não pode ser facilmente alterado, do que numa eleição geral, onde os representantes por vezes acabam por tomar decisões em direcções opostas àquelas das plataformas em que foram eleitos.

 

Escrevi que não pretendo contestar em si o instrumento do referendo, antes questionar o seu objectivo. Torna-se claro que o considero pouco útil, mas o meu post não é um apelo à sua rejeição, antes a que ele seja por outros questionado de forma real, mesmo que cheguem à conclusão oposta à minha. Haverá quem me acuse de propôr elitismo e não querer ouvir a população (já sei o que alguns me acusarão de ser...) mas não é essa a minha intenção. Existem mecanismos de auscultação das opiniões dos eleitores. Chamam-se eleições e temos diversas à escolha. Se queremos mais democracia, talvez devêssemos reformar o sistema político. Pedir referendos, a meu ver, não é entregar decisões aos eleitores: é um lavar de mãos dos políticos e permitir que os "argumentos" mais estridentes ganhem peso. A solução não é uma democracia binária. É uma democracia melhor.

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Música recente (4)

por José António Abreu, em 28.06.16

Autolux, álbum Pussy's Dead.

Apenas o terceiro dos Autolux numa dúzia de anos. Denso e atmosférico, com mais electrónica e menos guitarras.

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A primeira vítima do Brexit

por Pedro Correia, em 28.06.16

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Pablo Iglesias: menos 1,1 milhões de votos seis meses depois

 

Durou pouco a euforia dos eurocépticos que festejaram a vitória do populismo abrindo garrafas de champanhe para festejar o Brexit em nome dos sacrossantos princípios soberanistas contra as forças do mal encarnadas na "burocracia de Bruxelas".

Passados cinco dias, os estragos provocados pelo referendo são já evidentes: Reino Unido sem governo, pulsões racistas à solta, o separatismo a ganhar terreno na Escócia, campanhas de subscrição pública para uma nova consulta popular sobre a Europa no mais curto prazo possível, tentativas desesperadas de protelar o divórcio decretado nas urnas por parte de alguns que mais o defenderam na campanha, os dois principais partidos mergulhados em convulsões internas, uma  crise política com inevitáveis consequências no plano financeiro da segunda maior economia europeia, uma fractura social de que só agora vislumbramos os primeiros contornos, uma sensação geral de irresponsabilidade que no fim só afastará ainda mais os cidadãos das instituições.

Um quadro de desorientação a que por enquanto só parece escapar o UKIP, que deu o tom e visibilidade máxima à campanha referendária para pôr fim à relação de 43 anos entre o Reino Unido e o espaço comunitário. O mesmo UKIP xenófobo que clama contra a absorção de "um milhão de imigrantes por década" no país e ao qual o neo-soberanista Pacheco Pereira acha muita graça: na última edição da Quadratura do Círculo o ex-líder parlamentar do PSD chegou a elogiar um slogan eurofóbico do partido de Nigel Farage: "Mais vale o buldogue inglês do que a couve de Bruxelas." Perante o óbvio e compreensível constrangimento de Jorge Coelho e Lobo Xavier, seus parceiros de painel.

 

Em política há males que vêm por bem. Acontece que o Brexit começou a funcionar como vacina para os europeus. Isso acaba de verificar-se em Espanha, onde os eleitores acorreram às urnas pela segunda vez em seis meses. Premiando o Partido Popular de Mariano Rajoy, inabalavelmente pró-europeu, ao qual confiaram mais 700 mil votos, e castigando o populismo de Pablo Iglesias, o Alexis Tsipras espanhol, que perdeu mais de 1,1 milhões de votos em relação ao anterior escrutínio apesar de contar nesta campanha com o que resta do outrora influente Partido Comunista, agora reduzido a estilhaços. O aventureirismo galopante de Iglesias, com as suas prédicas de tele-evangelista anti-sistema, foi duramente penalizado ao surgir desta vez abraçado nos palcos eleitorais à Esquerda Unida que sempre combateu a opção europeia de Espanha.

Os nacionalismos aliados ao populismo mais desbragado ameaçam produzir muitos estragos em pouco tempo num continente que pagou em sangue e cinzas o preço de dois conflitos mundiais que nele tiveram o epicentro. Dois conflitos provocados precisamente pelas mesmas receitas que alguns, à esquerda e à direita, hoje advogam irresponsavelmente no espaço público.

Estes pregadores que rasgam as vestes em nome da soberania nacional contra a União Europeia menosprezam o instinto de preservação dos povos, sedimentado pelas lições da história. No Reino Unido ficaram com o Brexit nos braços sem saber o que fazer com ele. Por cá, desenvolvem uma retórica delirante sobre o destino da Europa, que voltaria a incendiar-se se eles alguma vez saltassem das pantalhas televisivas para os centros de decisão política.

É deixá-los estar nas televisões e nos jornais, onde apesar de tudo produzem menos estragos.

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Há sempre uma razão

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.06.16

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EU Referendum Local Results 2016 vs. Mad Cow Disease Outbreak Areas 1992

 

"However, it would be a mistake to jump to conclusions"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.06.16

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A Conspiração Cellamare, de Nuno Júdice

Novela

(edição D. Quixote, 2016)

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The perfect English fool

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.06.16

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We are passengers locked in the back of a mini-cab with a wonky sat nav driven by a driver who doesn’t have perfect command of English and going in a direction, frankly, we don’t want to go.” - Express, 16 de Abril de 2016

"The crucial thing is that we are in a situation that we can’t control and at the moment. It is though I have got into an unlicensed mini-cab, and the guy does not know which way to go, he does not speak very good English, and we are going into a destination I can’t control. That is exactly what is happening now with the EU Grant." - The Sun, 19 de Junho de 2016

"There is now no need for haste” - The Guardian, 24 de Junho de 2016

 

Imediatamente antes do referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, o ex-Mayor de Londres e principal protagonista da campanha anti-europeia transmitia aos eleitores a imagem de que os ingleses eram passageiros de um táxi sem licença, do qual não podiam sair e que eram conduzidos por um motorista que não sabia para onde ir e não possuía um domínio adequado do inglês. Depois, voltou a repetir essa imagem várias vezes, a últimas das quais à beira do dia decisivo.

Agora que os seus compatriotas lhe fizeram a vontade e votaram pela saída, tendo ele uma oportunidade de mandar parar o táxi de imediato e sair no primeiro apeadeiro, Boris vem dizer, dando a imagem típica do populista arrogante e chico-esperto, que não há pressa em sair do táxi, não se importando de continuar às voltas dentro de uma viatura que não sabe para onde vai e a ser conduzido por esse mesmo motorista que não sabe falar correctamente o seu idioma.

Se não houvesse melhor imagem do que esta do táxi, a que fica da salganhada do referendo inglês é a de que em matéria de questões europeias qualquer idiota pode ir a votos e ganhar, mesmo que no fim não se distinga de nenhum daqueles que guiam o táxi. It's the democracy, stupid

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RH Music Box (149)

por Rui Herbon, em 28.06.16

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Autor: Quantic

 

Álbum: Magnetica (2014)

 

Em escuta: Magnetica

 

 

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Bud Spencer (1929 - 2016)

por João Campos, em 27.06.16

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Na memória televisiva da minha infância ficarão sempre os filmes de Bud Spencer e Terence Hill - divertidíssimos no seu exagero e na química entre a dupla de italianos com nome artístico "à Hollywood". Carlo Pedersoli, imortalizado como Bud Spencer, morreu hoje aos 86 anos. A pouco e pouco, o mundo fica mesmo menos divertido.

 

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Os blogues não têm que dar notícias. Não estão vinculados a códigos deontológicos. Abreviando, os blogues não são órgãos de comunicação social no sentido estrito do conceito. No entanto, com a série A caminho do 26J, o Delito de Opinião (DO),  ainda que inadvertidamente, acabou por competir com a comunicação social portuguesa.

 

O DO chegou primeiro à notícia sobre a coligação entre Podemos e Izquierda Unida, quando esta era ainda um simples pré-acordo sem designação oficial. Estávamos a 10 de Maio e não tinha ainda iniciado esta série. Escrevi que, em política, dois mais dois não são quatro e expliquei as minhas dúvidas sobre à eficácia eleitoral desta coligação. Mais tarde, quando a união da extrema-esquerda se oficializou, regressei às minhas dúvidas e analisei as hesitações e os problemas existentes no seio do Podemos e da Izquierda Unida, sem nunca esquecer as sondagens que iam marcando o debate político. Naquele momento, dominava a ideia segundo a qual esta coligação fidelizava votos e tinha potencial de crescimento – uma ideia que, de acordo com os responsáveis das empresas de sondagens, esteve na base dos erros de previsão. Tive as minhas dúvidas e não me enganei: a coligação limitou-se a somar os deputados das duas forças políticas que a compõem, e perdeu mais de 1 milhão de votos. Portanto, a união não acrescentou nada, sendo incapaz de alcançar o sorpaso previsto em todas as sondagens. Ainda no que respeita à extrema-esquerda, o DO foi, salvo o erro, o primeiro em Portugal a comentar o novo e encantador amor de Pablo Iglesias pela social-democracia.

 

Em matéria de sondagens, o DO publicou os resultados do CIS antes da generalidade da imprensa portuguesa. Era a última de muitas sondagens a garantir um PSOE ultrapassado pela esquerda. A obliteração dos socialistas às mãos do Unidos Podemos estava então praticamente garantida. Ainda assim, os números foram comentados com a prudência que todas as sondagens recomendam.

 

Aqui no DO comentámos o debate televisivo entre os quatro principais candidatos e, pelo que pude perceber, fizemo-lo antes de qualquer jornal ou televisão portugueses. Com base nessas e noutras declarações partidárias, fizemos um mapa de alianças, uma breve geometria de possíveis pactos de governo. O resultado das eleições alterou seriamente as relações de força entre os partidos, mas a avaliar pelas declarações pós-eleitorais do PSOE, o mapa que aqui apresentámos continua a fazer algum sentido.

 

Na noite eleitoral, apresentámos as sondagens à boca de urna praticamente em simultâneo com a imprensa portuguesa e, com base na cronologia feita pelo Pedro Correia, assinalámos o fracasso das sondagens antes da generalidade das televisões. Aliás, pela leitura que fui fazendo dos jornais online, os seguidores do DO foram os primeiros a ler um comentário à admissão de derrota feita por Iñigo Errejón, número dois do Podemos.

 

Espanha é o único país com o qual Portugal tem fronteira. É o principal destino das nossas exportações e a principal origem das nossas importações. Desconfiamos dos ventos que de lá vêm, mas a verdade é que Espanha está longe de ser irrelevante para Portugal. No DO fez-se o que se pôde para manter os nossos leitores actualizados sobre as eleições legislativas do passado domingo, a primeira vez na História da democracia espanhola em que o país foi forçado a repetir um acto eleitoral. Espero que este A caminho do 26J tenha sido útil. 

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Missão cumprida, general

por Pedro Correia, em 27.06.16

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Faz hoje 40 anos, um oficial de face esguia e de poucas falas, com marcado sotaque beirão, era eleito Presidente da República após uma campanha atribulada que envolveu ameaças, insultos, pancadaria e tiros. A dado momento o candidato subiu com agilidade para o tejadilho de um carro e desafiou os agressores armados, deixando claro que era um homem sem medo. Estavam ainda frescos os ecos da revolução e muitos não se conformavam com a “normalidade democrática”: exigir o impossível ao virar da esquina era palavra de ordem que continuava a ser bradada a todo o instante.

Este oficial de semblante espartano tinha irrompido do anonimato numa noite tensa, ao surgir de camuflado como comandante operacional da contra-insurreição de 25 de Novembro de 1975 que pôs fim ao aventureirismo de uma certa esquerda festiva, armada até aos dentes. Com a região militar de Lisboa em estado de sítio, a circulação de jornais suspensa e os blindados do Regimento de Comandos da Amadora defrontando a Polícia Militar no quartel da Ajuda numa ríspida troca de tiros que provocou três mortos. O PREC chegava ao fim, a disciplina regressava aos quartéis, Portugal não seria a Albânia da Europa Ocidental – o destino que alguns tontos sonhavam para nós.

“Missão cumprida, meu general”, disse o tal militar de poucas falas, dirigindo-se ao Presidente da República, Francisco Costa Gomes. Sete meses depois, já também oficial-general, ascendia ele próprio à chefia do Estado. Mas, ao contrário do antecessor, António Ramalho Eanes iniciava o seu mandato validado nas urnas. Pela primeira vez Portugal tinha um Presidente da República eleito por sufrágio livre, directo e universal.

Os portugueses gostaram dele: naquele dia 27 de Junho de 1976 recebeu quase três milhões de votos, correspondentes a 61,5% dos boletins, e logo se proclamou “Presidente de todos os portugueses”. Este nativo do signo Aquário era o mais jovem inquilino de sempre do Palácio de Belém: tinha apenas 41 anos quando ali entrou com a esposa, Manuela, e um filho ainda pequenino, Manuel. Outro viria a nascer já com o Pai a conduzir o Estado naqueles anos em que a nossa democracia ainda mal gatinhava.

Alguns dos que mais o combateram acabariam por render-se à competência e à seriedade de Ramalho Eanes, um dos pioneiros da nossa democracia – figura de referência pela rectidão de carácter e pelo patriotismo que sempre evidenciou. Foi um dos raros políticos nacionais que sempre mereceram o meu respeito. Até porque dele se pode dizer, sem favor, que ao cessar funções deixou o País melhor do que estava ao iniciá-las.

Oxalá de todos se pudesse dizer o mesmo.

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As melhores praias portuguesas (12)

por Pedro Correia, em 27.06.16

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Figueirinha (Arrábida, Setúbal)

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Análise: Portugal - Croácia

por João André, em 27.06.16

Antes de mais: esta é uma semi-análise dado que não consegui ver a primeira parte. Da mesma forma não fiz qualquer análise do Portugal - Hungria onde só vi os últimos minutos.

 

Quero começar com uma confissão: quando a Croácia beneficiou de um pontapé de canto perto do fim dos 90 minutos, dei por mima  pensar: «marquem pel'amor de tudo o que vos é sagrado». E não era necessariamente um pensamento dirigido a um eventual contra-ataque português.

 

O jogo será definitivamente arquivado com a etiqueta "jogo muito táctico" mas deveria levar coma bolinha vermelha de "aconselhável apenas a pessoas com insónias". Analisar a táctica é simples e complicado. Simples porque pouco houve a analisar. Complicado porque é difícil explicar táctica quando as duas equipas se anularam.

  

 

 

 

Também aqui.

Leitura complementar: um problema chamado Ronaldo.

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Blogue da semana

por Pedro Correia, em 27.06.16

Acompanho há muito com interesse as análise do Luís Aguiar-Conraria. Em tempos cheguei a convidá-lo a escrever um texto no DELITO DE OPINIÃO - convite a que ele amavelmente correspondeu, num artigo também assinado pelo Pedro Magalhães que teve honras de passadeira vermelha.

Continuo a lê-lo com atenção, ultimamente sobretudo na imprensa, mas é sempre como bloguista da heróica geração pioneira que continuo a identificá-lo. Agora como um dos mentores d' A Destreza das Dúvidas, que elejo como blogue da semana. Ali se encontra um naipe muito interessante de autores, entre eles Fernando Alexandre, José Carlos Alexandre, João Cerejeira da Silva, Luís Gaspar e Rita Carreira.

Escrevem bem, sabem argumentar, estão informados e não se levam demasiado a sério. Razões de sobra para merecerem o meu elogio e o meu apreço.

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O erro das sondagens em Espanha

por Diogo Noivo, em 27.06.16

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Sondagens à boca das urnas TVE/FORTA e COPE/ABC (imagem El Mundo)

 

A noite de ontem foi uma vitória para o Partido Popular e uma derrota para as sondagens. Não é a primeira vez que as empresas de sondagens falham em Espanha. Porém, os especialistas na matéria contrapõem e dizem que não é bem assim. Segundo eles, uma sondagem é como uma fotografia, um simples retrato de um dado momento. Como os eleitores mudam de opinião, é normal que uma sondagem se possa tornar obsoleta ao fim de alguns dias. Por essa razão, recomendam os especialistas, durante uma campanha eleitoral é importante realizar sondagens de maneira regular e periódica com vista a identificar a evolução da tendência de voto e, consequentemente, a obter uma imagem mais nítida da vontade dos eleitores. As sondagens realizadas pelo El Mundo e pelo El País estariam portanto correctas no momento em que foram realizadas. Tal como estaria correcta a sondagem realizada pelo CIS (que chegou ao Delito de Opinião antes de ter sido anunciada na imprensa portuguesa), o instituto cujos resultados são, em regra, mais fidedignos. O problema é que as sondagens à boca das urnas - feitas mais de 15 dias depois - descreviam um quadro em tudo semelhante. Semelhante e errado. Ou seja, olhando para os resultados finais e tendo presente a imagem dada pelas várias sondagens, uma parte muito significativa dos eleitores mudou de opinião quando já estavam metidos na cabine de voto, ou pura e simplesmente mentiram às empresas de sondagens. O que é pouco plausível.

Quando analisamos as sondagens realizadas à boca das urnas, percebemos que o erro não foi generalizado. Na verdade, apenas existem desvios importantes em dois partidos: No Partido Popular e no Unidos Podemos. Dos nove partidos mais votados, as sondagens enganaram-se em dois. Foi o suficiente.

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O baixo valor das ambições

por Luís Naves, em 27.06.16

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A rebelião de bárbaros que alastra nos países ocidentais contra as elites políticas não devia surpreender tanto, o que verdadeiramente espanta é que esse mal-estar não seja maior. A crise de 2008 atingiu a vida de milhões de pessoas e foi provocada por erros que ainda não encontraram os seus culpados. Os super-ricos enriqueceram, fugiram aos impostos e estacionaram sem problemas o seu dinheiro em paraísos fiscais. A classe média pagou com língua de palmo: salários mais baixos em termos relativos, aumentos de impostos, serviços públicos degradados. As classes inferiores das sociedades industrializadas consideram-se as mais atingidas, pois enfrentam uma ameaça de extinção semelhante à do fim do Jurássico. Os seus postos de trabalho estão a desaparecer e acreditam que a nova classe de imigrantes deprime ainda mais os salários*.

Como se explica que vários países europeus se tenham endividado em silêncio, durante anos, não cumprindo de forma flagrante as regras da zona monetária a que pertenciam? Sabemos agora como foi o caso português: gastámos fortunas em auto-estradas de que não precisávamos, foram criados interesses especiais que beneficiavam de rendas milionárias quase eternas, os bancos arruinaram-se em negócios de regime e as empresas campeãs nacionais foram estoiradas em aventuras megalómanas. Tudo isto nos foi cuidadosamente escondido em sucessivas eleições onde votámos ingenuamente nos partidos responsáveis.

É menos flagrante, mas na Europa rica instalou-se a mesma sensação de declínio e queda. Os eleitores estão zangados. Muitos deles foram despedidos por serem velhos, não concluíram as suas carreiras e sabem que não vão ter direito a pensões decentes. E pagaram as pensões da geração anterior, com regras vantajosas que não será possível manter. Despedir um pouco antes do final da carreira, eis a melhor forma de resolver o problema das pensões futuras.

Muitos destes eleitores ficarão sem trabalho devido aos avanços tecnológicos e será muito pior com a inteligência artificial. Muitos destes eleitores não terão emprego porque o Estado já não emprega como antigamente. Muitos destes eleitores estão zangados com os resgates pagos com os seus impostos e com os custos crescentes de serviços que, no passado, eram gratuitos. Sobretudo, as pessoas tentam imaginar a sociedade futura e só encontram a parede das ameaças: dos mercados que não elegem, das dívidas que não fizeram, do emprego que será extinto amanhã, do salário que não sobe, dos impostos que nunca descem, dos cortes que não acabam, da mudança que nunca chega. “O valor de um homem é apenas tão elevado como o valor das suas ambições”, escreveu outrora o imperador romano Marco Aurélio. Talvez a frase se aplique à política de hoje e à menoridade aparente da ambição nas nossas sociedades e no nosso tempo.

 

*A questão é controversa: muitos trabalhadores olham para a vaga de imigração com desconfiança e votam de acordo com essa preocupação. Acreditam que os migrantes lhes estejam a tirar o trabalho. Não há provas de que isto seja assim, mas os defensores da imigração afirmam por seu lado que haverá vantagens económicas na vaga migratória, admitindo indirectamente o efeito potencial de depreciação de salários, pois continua a existir desemprego elevado em alguns dos países que estão a receber esses migrantes. Ou seja, a imigração vai ocupar postos de trabalho que estavam vazios por serem muito mal pagos, nem os desempregados locais os queriam por aquele salário, que se manterá assim sempre muito baixo.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.06.16

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Extensão do Domínio da Luta, de Michel Houellebecq

Tradução de Rita Carvalho e Guerra

Romance

(edição Alfaguara, 2016)

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A marcha da desinformação na TV

por Pedro Correia, em 27.06.16

Ontem à noite todos os telediários portugueses - mesmo com correspondentes e enviados a Madrid - caíram na esparrela das sondagens, que em Espanha falham por sistema. Confundindo projecções com números reais, sem um sobressalto de dúvida, foram desinformando os portugueses sobre o resultado da eleição para o novo Parlamento espanhol.

Foi preciso que um par de comentadores, sem carteira de jornalista, repusesse a verdade dos factos. O que, reconheçamos, não abona nada a favor dos profissionais da informação.

Eis o filme dos acontecimentos:

 

RTP, 19.02: «Deu-se o sorpasso, essa expressão italiana que dominou esta campanha. Esta coligação de Pablo Iglesias, unido aos comunistas, consegue ultrapassar o Partido Socialista.»

RTP, 19.03: «O PP de Mariano Rajoy desce pelo menos dois lugares no Congresso em termos de deputados. Este é um terramoto político. É um abalo sem precedentes em Espanha.»

TVI, 19.57: «A principal mudança no sufrágio de hoje foi a passagem do Podemos para segundo lugar, ultrapassando o PSOE.»

SIC, 19.59: «O Unidos Podemos acaba por ser o grande vencedor da noite e é nesta coligação que pode estar a chave para o futuro governo espanhol.»

TVI, 21.02: «O Podemos deve ultrapassar o PSOE como segunda força política. Em termos de deputados, há a possibilidade de uma maioria de esquerda.»

SIC, 21.13: «A grande surpresa aqui é o segundo lugar do Unidos Podemos.»

 

Este, repito, foi o discurso jornalístico. Que se prolongou por mais de duas horas nas pantalhas lusas.

Felizmente havia comentadores - um em estúdio, outro em Madrid - a recomendar moderação, mais atentos aos factos do que à espuma.

O primeiro foi Paulo Portas, recém-contratado como comentador de temas internacionais da TVI. Eram 21.03 quando ele alertou, falando em directo da capital espanhola: «O resultado dos votos contados aponta para um sentido completamente diferente das sondagens.»

Dez minutos mais tarde, na SIC, Luís Marques Mendes também deitava água na fervura: «Aquilo que foram as sondagens à boca das urnas não está a confirmar-se na contagem dos votos.»

Tinham ambos razão. Os jornalistas é que andavam distraídos: foram os últimos a saber.

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RH Music Box (148)

por Rui Herbon, em 27.06.16

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Autor: Cosmic Eye

 

Álbum: Dream sequence (1972)

 

Em escuta: Dream Sequence Parts 1-3

 

 

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Sair da casca

por João Campos, em 26.06.16

Na RTP, promove-se a partida entre a Inglaterra e a Islândia a dizer algo do género (cito de memória): "afinal, a Inglaterra não quer sair do Euro, mas a Islândia é a favor do Brexit." Há dias, durante o jogo que opôs as selecções da Rússia e de Gales, um dos comentadores contou a história de uma actriz pornográfica que teria oferecido a um dos jogadores russos 16 horas de sexo se ele marcasse aos galeses (não marcou, evidentemente, o que só torna a cuscovilhice mais divertida). No mesmo jogo, perante a imagem de um adepto de Gales a chorar, comentou-se que ele (o adepto) ou estaria emocionado pela prestação da equipa, ou talvez tivesse apenas constatado que já não tinha trocos para a cerveja. E estes nem foram casos isolados: nos trechos promocionais dos jogos que transmite têm imperado os trocadilhos (muito secos, admita-se, mas ainda assim), as alusões humorísticas a algum contexto da actualidade, e os comentários durante as partidas têm sido marcados por inúmeras piadas e referências no mínimo invulgares às equipas, aos jogadores, aos treinadores, aos adeptos ou a outra coisa qualquer que passe pela cabeça dos comentadores de serviço.

 

É impressão minha, ou isto do europeu de futebol deu a volta ao miolo da emissora pública? Enfim, se deu, então já não era sem tempo, como se costuma dizer. Nestes dias tão sisudos é salutar ver a RTP a sair da casca e a adquirir sentido de humor. Esperemos que seja para manter, e que não se resuma a um epifenómeno suscitado por um torneio de futebol. 

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Feito o escrutínio dos votos expressos em urna, o debate sobre a fiabilidade das sondagens voltará a estar na ordem do dia. O falhanço das previsões não foi total, mas quase. Ainda que interessante, deixemos essa discussão de lado e olhemos para os resultados finais.

 

O Partido Popular volta a ganhar as eleições e nisso as sondagens acertaram. O que não foram capazes de prever foi a dimensão da vitória: o PP reforça o seu grupo parlamentar com mais 14 deputados. E, em relação ao último acto eleitoral, obtém aproximadamente mais 600 mil votos. Todos os partidos criticavam o PP e todos pediam a demissão de Mariano Rajoy. Mas o PP cresce em votos e em mandatos. Quem almejava a demissão de Mariano Rajoy e sonhava com uma geringonça con salero tem agora a vida muito mais complicada.

 

O PSOE sobrevive ao evitar o sorpaso. Os socialistas mantêm-se no lugar de segunda força política mais votada, o que lhes permite superar as expectativas criadas por todas as sondagens. Porém, o PSOE perde 5 deputados e cerca de 156 mil votos. Como o Pedro Correia aqui comentou, na actual composição do parlamento, a diferença entre o PP e o PSOE é de 33 deputados. Essa diferença passa agora a 52. Se tivermos presente que nas últimas eleições, em Dezembro, o PSOE teve o pior resultado desde 1977, os números saídos destas eleições são dramáticos. Depois de contados os votos, a única vitória do PSOE é manter-se como líder da esquerda. O que é manifestamente pouco.

 

Se o PSOE vence as expectativas, o Unidos Podemos foi vítima delas. O cabeça de lista Pablo Iglesias admitiu que os resultados não são satisfatórios. Acrescentou que pretende privilegiar o diálogo entre as forças políticas progressistas – um diálogo que dinamitou quase diariamente ao longo dos últimos seis meses. Por último, Iglesias disse ter enviado um sms a Pedro Sánchez. Mas não obteve resposta. A união do Podemos com a Izquierda Unida não acrescentou nada: 71 mandatos, a mera soma dos deputados que estas duas forças políticas já tinham. A campanha do Unidos Podemos teve como mote "la sonrisa de un país". No entanto, Pablo Iglesias não sorriu quando falou esta noite ao país.

 

O Ciudadanos perde 8 mandatos, vendo o seu grupo parlamentar reduzir-se de 40 para 32 deputados. O apelo do PP ao voto útil terá funcionado, o que prejudicou o Ciudadanos de Albert Rivera. Este partido não foi determinante nos últimos seis meses e continuará a não sê-lo. Há uns tempos, um bom amigo disse-me que o Ciudadanos é o PRD espanhol. Talvez tenha razão.

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Está a ser uma noite imprópria para cardíacos mas de sonho para quem gosta de política. Com cerca de 81% dos votos escrutinados, o Partido Popular vence as eleições e reforça o seu grupo parlamentar. A dinâmica do voto útil parece ter funcionado: os deputados perdidos pelo Ciudadanos vão todos para o PP. Os representantes do Ciudadanos vão culpando o sistema eleitoral.

O Unidos Podemos, por agora, não ultrapassa o PSOE. A confirmarem-se estes os resultados, Pedro Sánchez, Secretário-Geral dos socialistas, sobrevive. Iñigo Errejón, secretário de política e número dois do Podemos, acabou de fazer uma primeira apreciação do escrutínio. Disse que não são os resultados esperados. Acrescentou que estes números atrasam o processo de mudança em Espanha, isto é, inviabilizam a nova transição que o Podemos tanto ambicionava. Por outras palavras, reconhecem ter ficado aquém dos seus objectivos. A noite será longa.

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Fotografias tiradas por aí (300)

por José António Abreu, em 26.06.16

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Macedo de Cavaleiros, 2016.

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Como fui escrevendo aqui na série A caminho do 26J, o sorpaso está praticamente garantido. A extrema-esquerda do Unidos Podemos ultrapassa o PSOE pela esquerda, remetendo os socialistas para um terceiro lugar vexatório, sobretudo se tivermos presente a importância do PSOE nas últimas quatro décadas. A dúvida consiste em saber se, para além de perder em votos, os socialistas perderão também em mandatos. A sondagem à boca das urnas da TVE e uma sondagem da COPE afirmam que sim: os socialistas sofrem uma derrota em toda a linha.

 

Vai aparecendo nos plateaux televisivos uma ideia, cada vez mais comum, segundo a qual os socialistas apoiarão o Unidos Podemos e farão de Pablo Iglesias o novo Presidente de Governo. Parece-me improvável, mas não há antecedente que permita uma extrapolação segura. Nunca o PSOE desceu tanto. E, por isso, nunca um Secretário Geral socialista esteve numa posição eleitoral tão difícil.

 

A participação eleitoral às 14h era semelhante à que se verificou nas eleições anteriores, mas às 18h já era a mais baixa de sempre. Com base nas sondagens e na distribuição de votos por círculo eleitoral, PP e Unidos Podemos beneficiarão da abstenção, e o PSOE sairá prejudicado.

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As melhores praias portuguesas (11)

por Pedro Correia, em 26.06.16

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Comporta (Alcácer do Sal)

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No fim ganha a Alemanha

por Luís Naves, em 26.06.16

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Há uma hipocrisia sísmica nas sociedades contemporâneas, que em Portugal atinge um valor especialmente elevado na escala de Richter. Os políticos habituaram-se a ignorar com impunidade a vontade dos eleitores, mas passam o tempo a reclamar que é preciso escutar mais o povo. Os meios de comunicação destacam-se pela superficialidade e perderam a capacidade crítica, preferem o sensacionalismo e a histeria. Assim, a decisão dos eleitores britânicos de saírem da União Europeia não devia ser tão surpreendente e não admira que a cobertura do Brexit seja marcada por intervenções de tom apocalíptico.

As pessoas deixaram de acreditar em tantas promessas falhadas e catástrofes não concretizadas, preferem que os políticos as deixem em paz, o que abre caminho ao primeiro demagogo com língua de prata. Os cidadãos informados querem mudança e têm tido apenas desilusões. A opinião pública sente-se enganada e isso não é um fenómeno local. Dou apenas alguns exemplos: o presidente francês que prometia mudar o Tratado Constitucional foi o mesmo que aprovou leis laborais de direita, ou reformas estruturais, como agora se diz; o Syriza que ia partir a loiça meteu a viola no saco e é hoje um banal partido social-democrata que pratica a austeridade; a chanceler alemã que queria aceitar todos os refugiados envia-os agora para trás. Mas podia citar outros exemplos (em Portugal, Espanha) sobre a forma como os políticos em funções têm escondido a realidade, inventando fábulas convenientes que os levam ao poder, sabendo à partida que não poderão cumprir as promessas que fazem. Boris Johnson é apenas a mais recente aquisição deste pacote de vendedores de banha da cobra, (como é que ele vai descalçar a bota e evitar a saída a sério?) Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, acha que seria boa estratégia Portugal ameaçar Bruxelas com a realização de um referendo sobre a UE*. Talvez seja útil que alguns partidos de protesto e políticos demagogos consigam chegar ao poder: poderão mostrar como é que se faz e os eleitores vão fartar-se rapidamente deles. Infelizmente, isto só não é viável por causa dos estragos que fariam.

A política europeia actual é como aquele jogo táctico que vimos ontem na TV: tudo muito apertadinho e defensivo, antecipado por conversas intermináveis e o anúncio histérico de coisas sensacionais que depois se revelam uma sensaboria pegada. O que é verdadeiramente decisivo nunca se vê com clareza e aquilo que se vê é sempre elogiado pelos comentadores. Depois, surgem os peritos e explicam tudo tintim por tintim (por cada hora de futebol, há dez de explicação). Os orgulhosos vão mais cedo para casa. Isto é sobretudo para tácticos e para cínicos, exige paciência e jogo de cintura, golo no primeiro remate. A Europa continua, estejam descansados, embora seja cada vez mais complicada e sem margem de manobra. Os políticos vão continuar a vender ilusões e a culpar a sorte pelos maus resultados. Os meios de comunicação continuarão no plano inclinado da futilidade. Ah, e não resisto ao lugar comum: no fim ganha a Alemanha.

 

*A afirmação de Catarina Martins é delirante. Como mostrou o Brexit, o problema de um referendo está na possibilidade de haver uma resposta prejudicial. Portugal não tem qualquer condição para sair da UE sem cair num empobrecimento que seria sempre rápido. Como é que se pagavam os salários e pensões? Não somos uma potência como o Reino Unido, que exporta para todo o mundo, e somos muito mais pobres do que os ingleses. A afirmação pode ser radical, mas também pode ser um exemplo de bazófia lusitana: vamos lá e fazemos ameaças, pregamos um grande susto. Só que a chantagem e o bluff têm sempre o perigo do outro lado não se importar muito. A resposta mais provável seria 'querem fazer referendo? força lá com isso'

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Espanha: um teste vital ao PSOE

por Pedro Correia, em 26.06.16

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 Pedro Sánchez e Susana Díaz: socialistas numa encruzilhada

 

Tudo indicia que o veredicto das urnas deixará hoje a política espanhola ainda mais embrulhada, com um eleitorado fatigado a acorrer às urnas pela segunda vez em seis meses, um Executivo que se encontra em mera  gestão corrente desde Dezembro e partidos que teimam em desentender-se em torno de programas e personalidades, confundindo a segunda década do século XXI com os anos 30 do século XX.

É um cenário nada auspicioso para os espanhóis e péssimo para nós, sob diversos aspectos. Interessa-nos uma Espanha próspera e tranquila, não uma Espanha convulsa, a debater-se com os seus fantasmas históricos.

 

Segundo o que indicam as sondagens, e de acordo com os cenários que o Diogo já aqui enumerou, creio que o mais provável é sair das urnas um frágil Executivo do PP de Mariano Rajoy, longe de conseguir maioria parlamentar mas apoiado pelos Cidadãos de Albert Rivera, podendo contar ainda com a abstenção socialista na sessão de investidura.

Este Governo terá curta expectativa de vida, que poderá prolongar-se por um período equivalente à aprovação de dois orçamentos do Estado, até ao final de 2018. Será talvez o melhor que se arranja, dadas as circunstâncias. Não creio que a irresponsabilidade política em Madrid vá ao ponto de gerar um vácuo destinado a forçar um terceiro acto eleitoral a curtíssimo prazo destinado a deixar tudo na mesma.

 

A vedeta eleitoral do momento é o líder do Podemos, Pablo Iglesias - antigo militante da juventude comunista, politólogo, comentador televisivo, hábil utilizador da linguagem mediática. Ao contrário de Luther King, que tinha o sonho de unir gente de todas as cores num abraço fraterno de dimensão universal, Iglesias teve o sonho de desunir a esquerda para mais tarde unificá-la sob a sua liderança carismática, com esmerada coreografia 'podemista' - que passa por aparecer sempre de mangas arregaçadas, tratar toda a gente por tu e usar um rabo-de-cavalo modernaço em contraste com os circunspectos socialistas e comunistas, representantes da esquerda clássica.

Depois de engolir a Esquerda Unida maioritariamente composta pelo Partido Comunista de Espanha, tendo-a levado a abdicar da sua sigla para se diluir na lista do Podemos, com escassos candidatos em lugares elegíveis, Iglesias ambiciona agora engolir também o Partido Socialista Operário Espanhol e "reconstruir" a esquerda a partir da sua mixórdia programática pós-ideológica - que é constitucionalista em Madrid e soberanista em Barcelona, social-democrata quando se vira para o centro e orgulhosamente marxista quando se vira para a esquerda.
Uma espécie de Beppe Grillo com verniz retórico académico.

 

O grande teste eleitoral de hoje, mais do que a um Partido Popular em relativa estagnação e a um Podemos em fase de crescimento, dirige-se ao PSOE, um dos escassos partidos europeus fundados ainda no século XIX e que chegou a ser força hegemónica na Espanha pós-franquista.

Hoje fragmentado em inúmeros feudos internos, sem uma liderança firme, dividido entre o constitucionalismo que lhe serviu de bandeira nos anos em que foi mais forte e a pulsão populista proporcionada pelo ar dos tempos, com ocasionais flirts separatistas na Catalunha, o PSOE luta no patamar da sobrevivência enquanto grande partido nacional.

 

Com Alfredo Pérez Rubalcaba, em Novembro de 2011, teve o pior resultado eleitoral de sempre em legislativas, recolhendo 28,8% dos votos. Já com Pedro Sánchez ao leme socialista, em Dezembro de 2015, ficou ainda pior, caindo para 22%. Em Madrid, nas autárquicas de 2015, quedou-se num distante terceiro lugar, com apenas 15,3%. Restam-lhe os feudos autonómicos da Andaluzia e Extremadura, onde governa, para emitir prova de vida. Muito pouco para um partido que em 1982, com Felipe González, conquistou a mais dilatada maioria de sempre numas legislativas espanholas.

O tempo que vai seguir-se ao escrutínio de hoje será vital para o PSOE lamber as feridas, arrumar a casa, reorganizar as suas errantes metas programáticas e eleger outro núcleo directivo, que poderá ser encabeçado pela actual presidente andaluza, Susana Díaz. Um toque de salero sevilhano a animar a modorrenta sede central socialista na calle de Ferraz, construindo uma remontada a pensar no médio prazo. Porque de políticos com vistas curtas já os espanhóis estão fartos.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.06.16

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Himalaias, de Michael Palin

Tradução de Jorge Lima

Viagens

(edição Bizâncio, 2016)

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RH Music Box (147)

por Rui Herbon, em 26.06.16

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Autor: Q-Tip

 

Álbum: The Renaissance (2008)

 

Em escuta: Johnny Is Dead

 

 

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