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Clarice Lispector

por Patrícia Reis, em 08.02.16

“O que não sei dizer é mais importante do que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música, duas coisas das mais altas que nos elevam do reino dos macacos, do reino animal, e mineral e vegetal também (…) Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que fosse ao mesmo tempo sem moeda e que fosse e transmitisse tranquilidade ou simplesmente a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas. Cada vez mais eu escrevo com menos palavras. Meu livro melhor acontecerá quando eu de todo não escrever.”

 

Clarice Lispector in 'A Descoberta do Mundo'

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Já li o livro e vi o filme (54)

por Pedro Correia, em 08.02.16

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SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOIRA (1902)

Autor: Eça de Queirós

Realizador: Manoel de Oliveira (2009)

O conto póstumo de Eça é excelente, mas o filme não lhe presta justa homenagem. Desde logo devido ao desequilíbrio do elenco: Catarina Wallenstein é óptima, Ricardo Trêpa é péssimo.

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Pós-eleitorais (10)

por Pedro Correia, em 08.02.16

Continuo a ler por aí que Marcelo Rebelo de Sousa venceu com evidente facilidade a eleição presidencial "por não ser o candidato que a direita verdadeiramente queria". Esta tese, disseminada pelos cultores de etiquetas que proliferam na "análise política" à portuguesa, baralha os factos com brutal desfaçatez. As invectivas contra Marcelo, por parte dos seus adversários à esquerda, não pouparam pormenor algum nos meses que antecederam o escrutínio - dele disseram que era um novo Cavaco, que escrevia cartas a Marcelo Caetano, que fugiu à tropa, que tocava às campainhas das portas quando era miúdo, que chamou lelé da cuca ao doutor Balsemão, que mergulhou no Tejo, que perdeu um debate televisivo em mil novecentos e troca o passo.

Os eleitores votaram como lhes apeteceu, indiferentes à vozearia dos tudólogos. Agora aqueles que o invectivaram apressam-se a reclamar sem pudor um quinhão da vitória, garantindo ao País que "a direita anda aziada", Costa ficou feliz e Passos Coelho teve de engolir um elefante. Falam como se Marcelo fosse troféu de estimação em vez do alvo a que fizeram pontaria nos últimos meses. Sobre Sampaio da Nóvoa, que foi o candidato de quase todos eles, ninguém voltou a ouvir-lhes sequer um sussurro. Aplicam à política os versos do António Variações: "Eu só quero ir / Aonde eu não vou / Porque eu só estou bem / Onde não estou."

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Guerra das estrelas - O ressuscitar da série

por João André, em 08.02.16

Vi há dias (finalmente) o mais novo Star Wars: The Force Awakens. O primeiro filme da série desde 1983 (a triologia jarjarbinksiana não conta, o filme da tinta a secar seria mais interessante) não é mau e cumpre a sua principal função: entretem. Há muita gente que se deixa enredar nos disparates metafísicos da saga e esquece que os filmes (mais uma vez, apenas a sequência 1977-83) nada são de especial do ponto de vista formal, mas cumprem fenomenalmente a sua função lúdica. Do ponto de vista cinematográfico o primeiro Star Wars introduziu uma nova forma de contar histórias e ajudou a fazer o cinema entrar numa nova era. Ainda assim, o filme não estava particularmente bem filmado, tinha diálogos atrozes (Alec Guiness arrependeu-se da sua participação o resto da sua vida) e baseava-se em princípios metafísicos que nem os cientologistas veriam como prováveis.

 

Só que tinha um valor fenomenal: conseguia, de uma forma que até hoje não entendi, criar essa etérea propriedade a que se costuma chamar de suspension of desbelief. Por duas horas suspendíamos o nosso cepticismo (a nossa descrença) e deleitávamos-nos com as personagens criadas para o filme e com as suas respectivas aventuras. Foi a falta dessa qualidade que destruiu qualquer prazer ao ver as sequências I a III, que melhor fariam em ser esquecidas. O novo filme retoma o sabor da triologia original. Fá-lo rejeitando o recurso sistemático ao digital e baseando-se numa linha narrativa simples e cheia de homenagens directas e descaradas aos filmes originais.

 

Estas homenagens são tão óbvias que nos admiramos que o piscar de olho a Obi-Wan Kenobi só surja no final. Temos o planeta deserto de onde surge o herói (ou heroína, neste caso), Han Solo e a Princesa Leia e Chewie reaparecem. Temos sequências em bares. Temos stormtroopers burros. Um robô simpático e fofinho. Existe uma base que destrói planetas (embora sujeita à fórmula bigger and badder). Há um mau muito mau. Há um chefe do mau muito mau que parece pior ainda. Há um general também mau cumáscobras (que acaba por ser tanto de pantomina que é quase um comic relief do filme). Há ainda outros contrabandistas, umas aventuras paralelas, oportunistas, escroques, uma ou outra alma bondosa e um grupo de rebeldes a tentar salvar a galáxia.

 

O filme é divertido porque vemos as personagens a salvarem-se por pura sorte em situações que poderíamos aceitar como eventualmente possíveis. Vemos personagens desastradas mas de bom coração. Temos todo o tipo de estereótipo que poderíamos desejar, uma narrativa limpa, amizades a serem criadas, química entre as personagens e um objectivo claro para o final de toda a história. A acção é por vezes excessiva e excessivamente longa (pecados do cinema actual) mas no resto o filme torna-se uma experiência bastante agradável, que nos faz esquecer o tempo que passámos no cinema e nos deixa bem dispostos.

 

As dificuldades com o filme surgem mais com pormenores que outra coisa. Na série incial, Skywalker aprendia a usar os seus poderes de forma gradual e só ao fim de algum tempo e treino conseguia usá-los de forma eficaz. A nossa heroína parece ser um prodígio de precocidade que ultrapassa as fronteiras da descrença dentro do próprio universo. Outro problema é que Rey parece ser uma mescla de Han Solo e Luke Skywalker numa só personagem. É jedi, piloto, prodígio técnico e herói, além de ter uns truquezinhos sujos na manga. Finn, o sidekick da história, parece ser o novo C3PO. Não é piloto, é um lutador mediano, não tem a Força e a sua função não parece passar a de um mcguffin de carne e osso. Também Poe Dameron ainda parece ser excessivamente superficial e a sensação é que Oscar Isaac se enganou no caminho para o pub, apareceu no set e decidiu filmar umas cenas porque o figurante escolhido estava com febre.

 

O último aspecto que me incomodou no filme é o do chefe do mau muito mau. No passado tivemos Darth Vader e o Imperador. Havia Bobba Fett, Jabba the Hutt, etc. Nomes esquisitos e por vezes engraçados. Até a triologia Star Trash - the Binks ruins it teve um Dart Maul, um Darth Sidious, um Count Dooku, etc. Neste temos um Kylo Ren - não muito impressionante mas tudo bem e o seu chefe: Snoke. Snoke. Vou escrever foneticamente: Snóuque. Disto a Snokie não vai muito. Nem a Snooke ou Snookie. É o nome que uma criança dá ao peluche com que dorme. Convenhamos que não serve para o tipo que ordena a destruição de dez planetas de uma só vez.

 

Já Kylo Ren é uma personagem esquisita. É mau e poderoso mas comicamente incapaz e frágil. Esperemos que não volte a remover aquele capacete. É o segredo do mito de Darth Vader e seria mau voltarmos a ter aquela cara de loser simpático de Adam Driver pela frente. Os próximos filmes só teriam a ganhar.

 

Conclusão: o filme serviu bem como reintrodução ao universo. Deu para esquecer os últimos três desperdícios de disco rígido que nunca deveriam ter saído da sanita de Lucas e entreteve. Espero agora que J.J. Abrams não faça deles o mesmo que fez com os Star Trek: depois de um bom filme de abertura acabou a fazer um filme completamente para esquecer. Deve manter-se fiel ao espírito original e não inventar mais. Sempre que o faz, o resultado é algo lamentável.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 08.02.16

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O Meças, de J. Rentes de Carvalho

Romance

(edição Quetzal, 2016)

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RH Music Box (8)

por Rui Herbon, em 08.02.16

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Autor: Nuno Canavarro

 

Álbum: Plux Quba (1988)

 

Em escuta: Wask

 

 

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 07.02.16

«Enquanto nos entretiverem ou melhor, nos tornarem dormentes, quase anestesiados, com guerras intestinas entre clubes, corrilhos de novelas, milhares de apelos para ligarmos (agora com moderação) para o 760 ... ..., de manhã à noite, todos os dias do ano, não nos focamos nas questões que são essenciais ao desenvolvimento do País, como por exemplo a Cultura, que continua o parente pobre (porque dá jeito a ignorância do nosso povo à classe política), pois que, 40 anos após o 25 de Abril, essa é a grande lacuna de todos os governos eleitos democraticamente depois de 1974.
Enquanto boa parte da oferta cultural estiver apenas acessível às elites e no seio dos grandes centros urbanos, aos demais Portugueses resta apenas tempo e espaço para acaloradas discussões - estéreis, tantas vezes -, sobre o futebol, à consolidação da cultura do fast-food novelístico, do onirismo de ganhar um carrito novo, topo de gama, um cartão de débito para aquela viagem de sonho ou para estar atento à vida na Quinta, pois aqueles corpos lascivos são uma bomba-relógio de emoções, sem controlo, onde jovens com vinte e poucos anos se entregam ao ócio e revelam que a cultura, a civilidade e a urbanidade é algo que não lhes assiste.»

 

Do nosso leitor Fernando Torres. A propósito deste meu texto.

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Fotografias tiradas por aí (280)

por José António Abreu, em 07.02.16

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Pinhão, 2016.

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Já li o livro e vi o filme (53)

por Pedro Correia, em 07.02.16

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OS ASSASSINOS (1927)

Autor: Ernest Hemingway

Realizador: Robert Siodmak (1946)

Um trepidante conto de Hemingway serve de base a um dos melhores filmes negros de sempre, com Burt Lancaster e Ava Gardner em início de carreira.

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Blogue da Semana

por Francisca Prieto, em 07.02.16

Conheci o projecto Crónicas da Atlântida em conversa com o António Luís Campos durante uma viagem pela América do Sul. Fiquei imediatamente rendida à ideia. 

O António é fotojornalista da National Geographic Portugal e um profundo conhecedor dos Açores. Propôs-se, por isso, publicar durante nove meses uma imagem por dia, considerando uma ilha por mês, da maior à mais pequena, de Leste para Oeste.

Trata-se assim de uma jornada visual pelas nove ilhas açorianas, tendo a viagem pelo quotidiano das suas gentes como fio condutor, numa narrativa construída ao longo de dois anos pelo fotógrafo.

O que me pareceu especialmente interessante é que a jornada é focada muito mais nas pessoas, nas gentes açorianas, do que nas paisagens propriamente ditas.

Vale uma boa uma espreitadela.

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O pregador evangélico.

por Luís Menezes Leitão, em 07.02.16

António Costa resolveu justificar o brutal aumento de impostos que decretou, com apelos à luta contra o vício e o pecado. É assim que este pregador evangélico recomenda aos seus fiéis que "usem mais transportes públicos", "deixem de fumar" e "moderem o recurso ao crédito". Já se sabia do ódio cego que António Costa nutre aos automóveis, desde que na Câmara de Lisboa a única coisa que fez foi criar barreiras à circulação, com os resultados que estão à vista. O que não se sabia é que, além de querer reduzir os portugueses a simples peões, ainda pretende que os mesmos sejam isentos de vícios e poupadinhos. Atreves-te a fumar? Pagas mais imposto. Queres um crédito ao consumo? Pagas ainda mais, que o Estado também quer consumir.

 

Não é novidade nenhuma o lançamento de impostos sobre o vício e o pecado. O que já é novidade é o descaramento do discurso moralista que lhes está associado. Mas, se bem conheço os vícios do Estado, ainda acabarão, como no Yes, Prime Minister, a louvar os fumadores, declarando que são benfeitores nacionais, já que sacrificam a sua vida e saúde a bem da receita fiscal, morrendo cedo, o que ainda permite poupar na segurança social. É pena que este discurso moralista não seja aplicado aos gastos do Estado. Cobrar tantos impostos para sustentar o despesismo público em verdadeiros disparates, como a segunda rotunda do Marquês, não será um vício muito maior? 

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Dez anos depois

por Pedro Correia, em 07.02.16

Permitam-me a nota pessoal: faz hoje dez anos que me estreei na blogosfera. No blogue Corta-Fitas, de que fui um dos quatro fundadores. Lá permaneci entre 2006 e 2009, quando decidi criar este DELITO DE OPINIÃO. Passei também pelas equipas fundadoras do Albergue Espanhol (no biénio 2010-11) e do Forte Apache, além de ter escrito no PiaR. Em 2012 fui ainda membro do trio responsável pelo pontapé de saída do És a Nossa Fé, que segue pujante.

Como diz o ditado, quem corre por gosto não cansa. Ao longo desta década não houve praticamente um dia sem um texto meu em qualquer dos blogues - integrando a larga maioria dessas prosas o espólio do DELITO. Registo a efeméride não como um ciclo que se fecha mas como um percurso que prossegue, com novas e promissoras etapas.

Um percurso de convívio permanente com milhares e milhares de leitores. Confesso: nada me orgulha tanto como isso.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 07.02.16

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Caminhos para Deus, de Helena Sacadura Cabral

"Preces em tempo de incertezas"

(edição Objectiva, 4ª ed, 2015)

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RH Music Box (7)

por Rui Herbon, em 07.02.16

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Autor: Brian Wilson

 

Álbum: No Pier Pressure (2015)

 

Em escuta: On The Island

 

 

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Não TAP os olhos

por Rui Rocha, em 06.02.16

Na versão original da privatização da TAP, Neelman era o dono do negócio e Humberto Pedrosa o seu Homem de Palha. Na nova versão, Neelman é o dono do negócio, Humberto Pedrosa é o seu homem de Palha e António Costa, o líder da Geringonça que acaba de assumir 50% do risco de exploração sem nenhuma contrapartida razoável ou poder de decisão, é o Homem de Tralha.

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Este par não sabe dançar o tango

por Pedro Correia, em 06.02.16

 

Ministro das Finanças, de manhã, no Expresso:

"Não posso responder se as 35 horas avançam este ano"

 

Primeiro-ministro, à tarde, no Porto:

"As 35 horas entrarão em vigor no próximo dia 1 de Julho."

 

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Leituras

por Pedro Correia, em 06.02.16

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«A história não é como uma linha, é antes como a vida de cada um de nós, uma infinda série de pontos. Desaparecem em parte. Julga-se. Todavia, todos esses pontos, por vezes bem minúsculos, imperceptíveis, permanecem.»

João Miguel Fernandes Jorge, O Bosque, p. 130
Ed. Relógio d' Água, Lisboa, 2015

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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 06.02.16

Dez anos de Mini-Saia. Um caso de sucesso na blogosfera.

 

Crescimento contínuo d' O Insurgente. Sem dívida nem défice.

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Tempo Novo

por Rui Rocha, em 06.02.16

Se bem percebi, em 2015 o Estado tirava-te o dinheiro directamente do salário. Em contrapartida, em 2016, o Estado fica-te igualmente com o dinheiro mas tens o trabalho acrescido de entregar uma parte numa bomba de gasolina.

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Já li o livro e vi o filme (52)

por Pedro Correia, em 06.02.16

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SCARAMOUCHE (1921)

Autor: Rafael Sabatini 

Realizador: George Sidney (1952)

Bastariam os oito minutos da electrizante cena do duelo entre Stewart Granger e Mel Ferrer para que este filme entrasse na história do cinema. Em linha com o romance, um dos títulos cimeiros dos chamados livros de aventuras.

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Balanço de Inverno (7)

por Sérgio de Almeida Correia, em 06.02.16

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 7. O Partido Ecologista "Os Verdes" - creio que o substantivo partido também deveria estar entre aspas - é uma força política com assento parlamentar à qual o PCP, generosamente, oferece regularmente a possibilidade de participar em actos eleitorais. Por essa razão, e porque a sua própria criação e existência decorreu de uma encomenda a Zita Seabra, o partido tem vivido na bolsa marsupial que o PCP lhe disponibilizou e da qual nunca saiu, nem sequer para procurar aquilo que qualquer partido procura em democracia: votos. Tirando os rostos dos deputados que constituem o seu grupo parlamentar, as intervenções parlamentares daqueles e a estridência da deputada Heloísa Apolónia, desconhece-se se o partido existe, se tem militantes, em caso afirmativo quantos, e se concorrendo sozinho a um acto eleitoral seria capaz de obter um décimo dos votos do brincalhão de Rans. O PEV tem a grande vantagem de ser um partido que não desilude ninguém porque dele ninguém espera nada. Se aqui não estivesse também ninguém daria pela sua falta. Daí que, em relação ao PEV, fazer este balanço no Inverno, no Verão ou daqui a dois anos seja sempre indiferente. E o PEV só acaba por aqui estar para se sublinhar a necessidade de revisão da Lei dos Partidos Políticos. O objectivo não seria, evidentemente, a extinção do PEV, mas a introdução de regras mais apertadas e mais transparentes para o funcionamento e a subsistência dos partidos. O número mínimo de assinaturas para a sua inscrição até poderia ser reduzido para 200, 1000 ou 5000, à semelhança do que acontece noutros países europeus, mas os partidos deveriam regularmente fazer prova da sua existência e ser obrigados a manterem registos actualizados e transparentes junto do Tribunal Constitucional quanto ao número dos seus membros, admissões e abandonos, fosse por falecimento, expulsão ou deserção.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 06.02.16

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Eu Sou o Meu Maior Projecto, de Maria da Glória Ribeiro

Auto-ajuda

(edição Manuscrito, 2016)

"A autora escreve de acordo com a antiga ortografia"

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RH Music Box (6)

por Rui Herbon, em 06.02.16

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Autor: Novos Baianos

 

Álbum: Novos Baianos (1974), também conhecido como Linguagem do Alunte

 

Em escuta: Ao Poeta

 

 

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Balanço de Inverno (6)

por Sérgio de Almeida Correia, em 05.02.16

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 (Tiago Petinga/LUSA)

6. O PAN foi uma surpresa nas legislativas de 4 de Outubro. É um partido novo, com algumas ideias interessantes, mas cuja sigla parece pouco ajudar na divulgação da imagem. Para já parece querer contribuir para uma solução governativa estável, pese embora o seu diminuto peso. A leitura dos seus documentos, uma visita ao respectivo site e a constatação do que por aí se encontra, em termos claros, actualizados e numa linguagem que se afasta dos lugares-comuns dos outros partidos, permite por agora ver aí uma prática diferente, por comparação com a dos partidos tradicionais. A transparência das suas contas, o nível de organização que já revela, os números que, ao contrário de outros, disponibiliza sobre a sua militância - repare-se no pormenor de desde o início dar a conhecer os números dos seus militantes, das novas adesões e dos associados com quotas em atraso - dão a entender que o partido pode ir muito mais longe. Do ponto de vista ideológico ainda haverá muita coisa a afinar, até porque tenho dúvidas que neste momento, mesmo entre os seus militantes e "companheiros de causas", designação dada pelos estatutos aos seus simpatizantes com estatuto especial, haja facilidade em classificar o partido. Já passou por uma fase mais conturbada, entretanto creio que estabilizou e penso que vai ser interessante acompanhar a sua evolução durante os próximos meses até porque o PAN, ao invés do LIVRE, pouco prometia e não tinha rostos mediatizados que o ajudassem a uma presença assídua junto da comunicação social. Beneficiou da concentração do voto num círculo urbano com características muito específicas, mas a visibilidade que passou a ter pode permitir-lhe tirar partido do deputado que elegeu, usando-o como uma mola para continuar a crescer no futuro de uma forma mais consistente em todo o país.

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O PCP e o Bloco sabem?

por José António Abreu, em 05.02.16

Depois de tudo o que o que António Costa disse sobre o assunto, o orçamento para este ano prevê menos dinheiro para as escolas públicas e mais para as privadas.

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Crescer, mas poucochinho

por Pedro Correia, em 05.02.16

Eu bem dizia, há quase dez meses, que havia previsões demasiado optimistas no risonho documento Centeno-Galamba, divulgado em Abril do ano passado. Portugal a crescer 2,4% já em 2016? Um cenário digno de país das maravilhas, que aliás não colava com a retórica do PS na oposição acerca de uma nação asfixiada sob o peso da austeridade.

Já no Governo, e confrontada com o duro choque da realidade após o franzir de olho de Bruxelas, a calculadora de Centeno acaba de corrigir as estimativas anteriores: afinal o crescimento será de 1,8%. Se não chover.

É a vida, como dizia um ilustre socialista. Habituem-se, como recomendava outro.

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Crónica do fim da austeridade

por Diogo Noivo, em 05.02.16

Sobem os impostos sobre os combustíveis. É, portanto, normal e expectável que todos os bens – produtos alimentares, vestuário, entre outros – transportados por via rodoviária fiquem mais caros. O sector da distribuição não é conhecido pelo seu altruísmo e, por isso, haverá impacto no preço final do produto vendido ao consumidor. Abreviando, a vida ficará mais cara.

Depois vêm as famílias com filhos. O fim do quociente familiar, substituído por um valor fixo, tornará mais caro ter filhos, sobretudo para casais com um vencimento conjunto igual ou superior a 2000€ mensais. Qualquer semelhança entre este país e aquele que rasgou as vestes por causa dos problemas de natalidade é pura coincidência.

E, para que os exemplos sejam três, olhemos para o comércio. Todos os comerciantes, pequenos e grandes, pagarão mais por transacções feitas com cartões de débito e de crédito, sendo provável que o aumento seja transferido para o cliente.

Pelo meio, o crescimento da economia será inferior ao previsto. Quanto ao défice, parece que ainda não se percebeu ao certo o que vai acontecer.

Face ao exposto, caro leitor, saiba que acabou a austeridade. Palavra do Governo. E palavra dada é palavra honrada.

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A relevância da fraternidade

por Ana Lima, em 05.02.16

Rezava assim, esta tarde, na introdução a esta notícia, a página de Facebook do Público: "Mais pormenores sobre o caso que levou à detenção de José Veiga e do irmão de Santana Lopes." 

Portanto, neste caso, as figuras importantes são um indivíduo de nome José Veiga e um indivíduo que tem um irmão de nome Santana Lopes. A minha dúvida é: José Veiga será filho único?

 

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Já li o livro e vi o filme (51)

por Pedro Correia, em 05.02.16

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A PORTA NO CHÃO (1998)

Autor: John Irving 

Realizador: Tod Williams (2004)

Um filme simpático, mas redutor. Preenche apenas um terço do complexo romance de John Irving, memorável a vários títulos.

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A ler e, como de costume, a esquecer rapidamente

por José António Abreu, em 05.02.16

O Mercado Interno: Um Modelo Esgotado, de Mário Amorim Lopes, n'O Insurgente.

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Frases de 2016 (14)

por Pedro Correia, em 05.02.16

«[Eleição presidencial] foi uma derrota de toda a esquerda e uma derrota da esquerda é também uma derrota do PS.»

Manuel Alegre, na noite de 24 de Janeiro

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 05.02.16

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Dieta dos Passos, de Renato Dutra

Saúde e bem-estar

(edição Casa das Letras, 3ª ed, 2016)

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Pós-eleitorais (9)

por Pedro Correia, em 05.02.16

Do Tribunal Constitucional, postado em sossego, nada mais soubemos desde o dia 18 de Janeiro, quando entendeu interferir na campanha presidencial para anunciar um relevante acórdão sobre subvenções vitalícias atribuíveis aos titulares de postos parlamentares anteriores a 2005 que perfizessem 12 anos no hemiciclo de São Bento. Estava o tema em apreciação no Palácio Ratton desde 2014 quando logo por fatal coincidência – e uma urgência difícil de vislumbrar – o acórdão sobressaltou o País, determinando tendências de voto naquela recta final da campanha. Muito à portuguesa, do sobressalto passou-se num ápice ao esquecimento: o tema regressou à poeira das gavetas já com a página eleitoral virada. Nós, portugueses, somos assim – do taxista ao magistrado: especialistas em transformar calmaria em vendaval e logo reverter o vendaval em calmaria.

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Balanço de Inverno (5)

por Sérgio de Almeida Correia, em 05.02.16

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 (Dinheiro Vivo/Lusa)

5. Recuperar o ânimo depois do resultado do camarada Edgar Silva não é tarefa fácil. Recuperar a confiança das suas hostes nos benefícios do acordo com o PS afigura-se porventura menos complicado. Mas que fazer com menos de 4% numas eleições presidenciais? Como justificar a contribuição do PCP na eleição logo à primeira volta de um "Presidente de direita"? Alternativa não há, pelo que o melhor é aguentar antes que venha outro às ordens da troika. Conhecendo-se o PCP, a sua herança, o seu passado histórico de resistência à ditadura, à partida tudo parece possível. De vez em quando engolem-se uns sapos mantendo-se a compostura. Só que hoje os tempos são outros e engolir sapos pode não ser suficiente. O BE é um perigo sempre presente e o PS não irá dar tréguas ao PCP nas primeiras trovoadas, apesar de estarem todos disponíveis para cumprirem, sem grande espalhafato, o que ficou acordado. O chumbo do PEC IV foi na altura um mal menor, mas feitas as contas acabou por sair demasiado caro aos trabalhadores. Antigamente, na URSS, havia os planos quinquenais e eles sabiam qual a penúria com que podiam contar. Desta vez foram anos de penúria sem planificação, ao sabor da troika e dos patrões. O eleitorado do PCP, entretanto, mudou. Escaldou-se. Os tempos também mudaram. As preocupações dos que envelheceram não são iguais às de outrora. Se antes o objectivo era conseguir mais, agora é não perder ainda mais e tentar manter o pouco que se aguentou na rua. O milagre da multiplicação dos votos não aconteceu, não se sabe se algum dia será possível, e se não for a Festa do Avante a malta nunca se encontra. A solução de apoio parlamentar ao Governo do PS é para valer até ao momento em que os ganhos sejam inferiores aos proveitos. Por enquanto, os sindicatos vão-se acomodando e contentam-se em mostrar que existem, mas quando perceberem que a médio prazo também os seus ganhos serão limitados porque o dinheiro não é elástico, então vão querer descalçar a bota do pé direito, a bota que o PS lhes pediu para calçarem, e voltarão à rua. Haja saúde. Nesse dia, os sindicatos regressarão com o estilo de sempre, com os mesmo rostos e predispostos ao risco. E o PCP estará de novo na encruzilhada, mudando de cor, quem sabe se forjando outras alianças. Até lá, é aguardar e ir preparando as autárquicas. Estas coisas levam o seu tempo e o melhor é ser pragmático antes que o PS e BE dêem cabo do que ainda resta do velho PCP.

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 05.02.16

 

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Amber Le Bon

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Um erro colossal.

por Luís Menezes Leitão, em 05.02.16

Em política a mensagem tem que ser muito clara e totalmente credível. Esta mensagem da recandidatura de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD é tudo menos isso. O desenho e o slogan "Social-Democracia sempre" remetem-nos para os tempos iniciais do PPD que, nos idos do PREC, propunha a social-democracia como tímido contraponto ao socialismo, que todos os outros partidos sustentavam. Na altura até o CDS reclamava defender um "socialismo personalista".

 

O problema é que esta imagem e este slogan fariam sentido numa candidatura de Pacheco Pereira à liderança do PSD. Numa candidatura de Passos Coelho não fazem sentido absolutamente nenhum. Quem andou nos últimos quatro anos a dizer que o actual Estado Social é insustentável e que os contribuintes já não o conseguem suportar, não pode agora andar a proclamar "Social-Democracia sempre" e a recordar os tempos iniciais do PPD. Primeiro, essa recordação só fará sentido para pessoas com mais de 50 anos, já que a todos os outros nada dirá. Depois, se há imagem que Passos Coelho conseguiu construir foi a de alguém realista e que não iludia as dificuldades presentes que o país atravessa. Apresentar uma imagem mirífica de regresso a um tempo em que tudo parecia possível representa uma contradição total, o que só pode confundir os eleitores. E estes estão preocupados é com a realidade muito concreta da situação económica do país, que ameaça desabar a qualquer momento.

 

Por outro lado, o discurso de Passos Coelho também está a ser um desastre em termos políticos. Passos Coelho não consegue sair da amargura de repetir sucessivamente que "não só não governa quem ganhou as eleições como governa quem as perdeu", o que, sendo a mais pura das verdades, não deixa de representar alguém incapaz de virar a página. Apresentar como principal conteúdo da sua mensagem política o de que "não falhámos" e que "este é o passado com que me apresento" é estar focado no passado e não no presente.

 

Só que o presente não é ser primeiro-ministro, mas líder da oposição. E se no passado Passos Coelho foi um bom primeiro-ministro, não foi seguramente um bom líder da oposição, já que foi incapaz de travar o caminho de Sócrates em direcção à bancarrota, tendo-lhe dado a mão vezes excessivas. É aliás o que está agora outra vez a fazer com António Costa, não se compreendendo como é que alguém pode dizer "não acredito na solução de Governo actual", para depois ser quem lhe salva o orçamento rectificativo.

 

Passos Coelho começa a parecer-se perigosamente com Al Gore, que venceu o voto popular nas eleições dos Estados Unidos, mas não conseguiu impedir que George W. Bush chegasse à presidência, já que teve mais votos no colégio dos grandes eleitores. Al Gore foi incapaz de seguir em frente, e mesmo depois do colapso da presidência de George W. Bush, com Al Gore ninguém mais contou.

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O tempo para mim parou

por Sérgio de Almeida Correia, em 05.02.16

Por este andar o PSD arrisca-se a fazer o percurso inverso e a regressar aos tempos de Francisco Sá Carneiro, sempre com o mesmo fiel. Com a deriva ideológica do PS e alguma sorte ainda se arrisca a pedir a adesão do partido à Internacional Socialista e a acabar os comícios a cantar a Internacional, como nos idos de 1974. Fazer o pino e dar cambalhotas já ele mostrou que é capaz de fazer sem se rir.

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RH Music Box (5)

por Rui Herbon, em 05.02.16

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Autor: Ballaké Sissoko + Vincent Ségal

 

Álbum: Musique de Nuit (2015)

 

Em escuta: Niandou

 

 

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 04.02.16

«Desde Abril até esta semana, vimos quatro metas socialistas para o défice de 2016: primeiro, 3% do PIB com um crescimento de 2,4%; depois, 2,8% e 2,6% com um crescimento de 2,1%; e, agora, 2,4% com um crescimento de 1,9%. Tomando os números como bons, isso significa que o PS está conscientemente a impor ao País um conjunto de medidas que significam mais austeridade e menos crescimento a troco do apoio das extremas-esquerdas para estar no poder.

Todos os organismos que se pronunciaram sobre os planos orçamentais do PS desaprovaram-nos, nos seus números e orientações. A slot machine de Mário Centeno - gasta um euro, saem quatro - não convencerá nem o próprio. Nos cálculos da UTAO, o ilusório "adeus à austeridade" exigirá que o Estado peça emprestados mais 11 milhões do que estava previsto há três meses. A aliança do PS com os que diabolizam a Europa, os mercados, a banca e os capitalistas está afinal a querer ficar mais dependente de todos eles, fazendo mais dívida para ser paga pelos governos que se lhe seguirem.»

Eva Gaspar, no Jornal de Negócios

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Da lógica

por José António Abreu, em 04.02.16

1. No esboço original do orçamento, o governo previa um crescimento da economia de 2,1% e um défice público de 2,6% do PIB;

2. Partindo do esboço original do orçamento, a Comissão Europeia antecipou um crescimento de 1,6% e um défice de 3,4% e o FMI um crescimento de 1,4% e um défice de 3,2%;

3. O governo e o PS asseguram que as previsões da Comissão Europeia e do FMI se baseiam em dados desactualizados, por não levaram em consideração as medidas entretanto propostas pelo governo;

4. Como é que isso justifica os desvios?

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Balanço de Inverno (4)

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.02.16

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 (Paulete Matos/Divulgação)

4. O BE entra em 2016 a viver os seus cinco minutos de fama. Podem vir a tornar-se em quinze ou vinte se a sua liderança for capaz de se manter unida e consistente no apoio ao PS, sem alinhar num jogo do tipo daquele que entremeia as falinhas do avô Jerónimo com o estilo da camarada Ana Avoila "quando não lhe dão as batatas e o carcanhol à hora combinada". A liderança do BE colou-se a uma imagem e a um discurso de mudança e modernidade, nem sempre correspondida, num enquadramento de amizade colorida em que dá a imagem de estar dentro estando fora, levando o açúcar e os bolinhos para o café mas sem se comprometer demasiado para no primeiro momento poder mandar o PS desamparar a loja porque o Verão está a chegar e é hora de se fazerem à vida. O arranjo serve enquanto der frutos. Na pior das hipóteses, se começar a correr mal, vai-se comer um peixinho ao Meco enquanto eles discutem. Para a maioria dos portugueses, incluindo dos seus eleitores, a incógnita permanece. Saber até que ponto o BE se tornou numa força com a qual se pode contar para uma solução de governo, capaz de se responsabilizar e de ser responsabilizado, continua a ser uma incógnita. Os temas fracturantes não são infinitos, as bandeiras expostas ao vento, ao sol e à chuva perdem cor, desfiam-se. A resistência da sua liderança à conjuntura e aos apelos mais radicais constituirá a sua prova de fogo e será interessante seguir os movimentos na sua base e as iniciativas parlamentares que irão tomar ao longo da presente sessão legislativa. A começar já pela próxima discussão do Orçamento de Estado. Aqui ir-se-á jogar a primeira carta do futuro deste Governo e do BE.

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Já li o livro e vi o filme (50)

por Pedro Correia, em 04.02.16

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UM CRIME NO EXPRESSO DO ORIENTE (1934)

Autora: Agatha Christie 

Realizador: Sidney Lumet (1974)

Talvez o melhor policial de Agatha Christie filmado por mão competente e um elenco repleto de estrelas. Mas Albert Finney não convence como Poirot.

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A verdade deve estar algures

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.02.16

"Não há memória de documentos tão arrasadores para uma proposta orçamental vindos de entidades tão diferentes e tão respeitadas.

Sem surpresa, depressa percebemos que o problema não estava no eventual erro de miopia de todos quantos em Portugal se pronunciaram sobre o dito “esboço”. Em Bruxelas o choque foi frontal. Tão frontal que, passada apenas uma dúzia de dias sobre a entrega desse esboço, as notícias esparsas que nos vão chegando apontam para que dele já pouco restará. Foi sendo estraçalhado em boa parte das suas metas e indicadores.

Só para se ter uma ideia de como as coisas evoluíram basta recordar que as “contas” dos economistas do PS apontavam para um crescimento de 2,4% da economia em 2016, o Programa do Governo desceu essa previsão para 2,2%, o “esboço” encolheu-a ainda mais para 2,1% e agora estará nos 1,9% e toda a gente continua a dizer que é irrealista. Aconteceu o mesmo com todos os outros grandes números, o que mostra a pouca seriedade e o nenhum rigor das “contas” que nos têm vindo a ser apresentadas." - José Manuel Fernandes, Observador

 

"Quando o Executivo apresentou o esboço do Orçamento, a Comissão Europeia evidenciou erros graves de classificação de medidas para o défice estrutural. Ora, os técnicos de Bruxelas aceitaram algumas medidas com a classificação proposta pelo Governo e recusaram outras.

Houve uma negociação intensa e o problema já não estará na classificação das medidas, mas na dimensão do ajustamento. Tanto que durante o dia de hoje, apenas se falou da percentagem de consolidação do défice estrutural que o Governo iria fazer e não do facto de precisar de compensar mais por Bruxelas recusar a leitura portuguesa das regras.

O Governo não conseguiu convencer Bruxelas a inscrever a reposição dos salários dos funcionários públicos como medida extraordinária. Uma das medidas que tem grande peso no Orçamento. O mesmo não aconteceu com a sobretaxa de IRS.

Para o Governo de António Costa, tudo dependia da classificação que vinha de trás. O argumento utilizado pelo Executivo é que aquelas medidas extraordinárias nunca deviam ter contado para a consolidação do défice estrutural e que, como tal, deveria ser agora corrigido para trás esse valor. No caso dos salários, foi vencido no argumento, não o foi noutras medidas." - Liliana Valente, Observador

 

"O Orçamento do Estado, na sua última versão com as medidas adicionais de austeridade acordadas na terça-feira entre o Governo, o BE e o PCP, recebeu luz verde dos técnicos da Comissão Europeia na terça-feira ao fim do dia. E, segundo apurou o Expresso junto de fonte próxima do processo, tanto bastou para o comissário europeu dos Assuntos Financeiros, Pierre Moscovici, dar também o seu aval ao OE português.

Depois de toda a tensão dos últimos dias, falta apenas o aval político, que depende do Colégio de Comissários. A próxima reunião é na quarta-feira da semana que vem. É a única pedrinha que ainda pode entrar na engrenagem - mas o ok de Moscovici, depois do ok da missão que o comissário francês mandou a Lisboa, já permitiu ao Governo suspirar de alívio.

Bruxelas queria uma redução do défice estrutural de 0,6 pontos percentuais, Lisboa responde com 0,4 pontos (quando a proposta inicial incluída no esboço do OE era de apenas 0,2 pontos de redução do défice estrutural).

Quanto à previsão de crescimento para este ano, e tendo em conta o impacto negativo das novas medidas introduzidas no OE nos últimos dias, o Governo deixou cair os 2,1%, apontando agora para um crescimento do PIB de apenas 1,9%.

Apesar de não cobrir em nenhum dos casos o que era exigido pela União Europeia, o esforço do governo português satisfez os técnicos comunitários." - Filipe Santos Costa, Expresso

 

"A Comissão Europeia mantém as negociações em aberto e continua à espera de receber do Governo medidas adicionais de 950 milhões de euros. Sem elas, insiste um alto representante comunitário, o esboço do Orçamento do Estado (OE) para 2016 não passa no crivo de Bruxelas.(...)

Ao Económico, fonte comunitária explica que havia um problema técnico, relacionado com divergências na contabilização das medidas, e um político, sobre o ritmo do ajustamento. A negociação técnica fechou entretanto, com Bruxelas a fechar a porta à ideia do Governo retirar o impacto de medidas como a reposição dos salários do saldo estrutural (avaliada em cerca de 440 milhões de euros).

A parte política tem a ver com o facto de o Executivo querer que a Comissão aceite um esforço de “apenas” 500 milhões, fechando os olhos aos 450 milhões em falta. Uma ideia que continua a não reunir muitos adeptos no colégio de comissários, de onde amanhã sairá a decisão final." - Diário Económico

 

"Equipas técnicas chegaram a entendimento sobre o valor das medidas e ainda há divergências quanto à natureza e momento em que devem ser contabilizadas."- Jornal de Negócios 

 

"Todas estas medidas deverão encurtar, mas não eliminar, a diferença entre as projecções do Governo e as metas exigidas por Bruxelas. A partir daqui, para que a Comissão Europeia aceite não classificar o OE português como estando em “incumprimento particularmente sério” das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento, será necessária uma avaliação favorável cujos critérios são mais subjectivos.

A decisão final da Comissão Europeia só deve ser conhecida na sexta-feira, após a reunião do Colégio de Comissários, mas no Governo português existe a convicção de que o assunto “está muito perto” de ser resolvido.

Durante esta quarta-feira surgiram informações de que o próprio comissário para os assuntos económicos e financeiros, o francês Pierre Moscovici, teria dado luz verde ao esboço orçamental português. Mas mesmo que o tenha feito, essa não é nenhuma garantia de aprovação. Acima de Moscovici, e em conflito político com o socialista francês, está o vice-presidente da Comissão para os assuntos do Euro, Valdis Dombrovskis. Este, conservador do PPE, será um dos mais irredutíveis entre os 14 comissários da família política do centro-direita, que tem metade dos assentos na Comissão." - Público

 

“O diálogo com as instituições europeias correu muito bem. Acho que ninguém tem motivos para estar preocupado com a seriedade do trabalho que foi feito de parte a parte.” - António Costa, em Évora

 

Entre o orçamento "estraçalhado" de José Manuel Fernandes e o optimismo do primeiro-ministro deve haver alguma coisa que seja verdade, penso eu. 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 04.02.16

 

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As Grandes Cartas de Amor

Selecção e apresentação de Elisabete Agostinho

(edição Guerra & Paz, 2016)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Fictiongram, continuação da continuação

por Patrícia Reis, em 04.02.16


Quando noves fora nada;  Laura culpa Paulo; o passado é identitário; o passado é estável; Laura e Carlos pertencem a Maria Luísa; a história de amor começa; o amor é cruel e depois cego; Laura fica com os pedaços; a fuga é a melhor opção; Jaime não sabe o que fazer; a realidade é um acto falhado


Nada. Jaime contabilizou as coisas passíveis de caber no nada por oposto ao infinito. Carmen teria beijado Paulo? Paulo teria afogado a cabeça nos cabelos dela, no perfume – sempre o mesmo – que ela usava? Saiu para a rua à procura de jantar para a mãe. Os cenários que a sua cabeça construía para o irmão e para a ex namorada eram um combustível que alimentou a sua existência durante alguns dias.

Paulo encarou a mãe. Frio. Quase glaciar na escolha das palavras e, em especial, no tom, começou a desfiar o rosário das queixas que ela não podia fazer a Jaime. Como se Laura fosse uma criança, tivesse diminuído e tão pouco fosse matéria humana capaz de se afundar na tristeza.

Tens de crescer. Isto não dá, percebes?


Laura percebia que assim seria mais difícil. Todos os dias seria mais difícil. Não encarou o filho, incapaz de lhe dar os dois berros que gostaria de ter força para dar. Falhara com ele de uma forma estrondosa, era o seu pior erro. Nunca o deveria ter tido, mas depois de ter abandonado o primeiro filho, como teria sido se não tivesse sentido Paulo a crescer-lhe das entranhas? Na altura, sabia, estava convicta, de que era essencial escolher a gravidez e o papel de mãe para cumprir com alegria. Não houve espaço para tanto, mas não podia dizer que a culpa fosse dele, de Paulo. Compreendia que, injustamente, o culpava. Ele não era o seu primeiro filho, mas teria de fazer as vezes de.

Que tipo de mulher chega aos sessenta anos sem sair de casa? Como é que se deixou enredar por uma situação tão pouco digna? Não saberia responder. Laura sonhava. Às vezes, sonhava com Coimbra, andava no parque da casa dos pais de Maria Luísa, subia às árvores com a ajuda de Carlos, tinha quinze anos e era feliz por ser feliz com eles. Havia no ar o cheiro do pão acabado de fazer, do jasmin e do riso deles. Os três. Juntos.

Coimbra era a moldura perfeita porque Laura vivia no passado como quem vive dentro de um livro preferido. Sente-se confortável. Há uma estabilidade na memória e, se esta falha, Laura é hábil, recorre ao mais provável. O “ pode ter acontecido assim” é uma lengalenga de enorme conforto e ela consegue visualizar mesmo o que não viveu. Carlos dizia-lhe, com um meio sorriso, numa antecipação do que seria o futuro, a existência de Laura:

Sofres de excesso de imaginação.

Laura ria-se e os dois, tão novos, longe dos dias mais atormentados, deixavam-se ficar à porta da biblioteca, impacientes, a conversar com certa pressa, atropelando as palavras até à chegada de Maria Luísa. Ela que os dominava. Ela que os tinha. Eram dela. Apenas dela.

Maria Luísa conheceu Laura com quatro anos. Tinham ambas o mesmo bibe azul escuro com gola branca, fita vermelha à volta dos bolsos espalmados na frente, restos de rebuçados, migalhas de bolachas. Laura nunca tinha visto ninguém que estivesse dentro do ideal de Beleza. E ninguém era imune aos olhos azuis imensos de Maria Luísa. Os cabelos certos, em caracóis, a perfeição do sorriso. Pensar que era a sua melhor amiga enchia-a de orgulho e manteve-se nesse estado de graça, um amor platónico feito de cedências e silêncios, escondendo qualquer potencial de rebeldia, até à adolescência.

Carlos surgiu mais tarde. Tinham quase quinze anos. Ele mudou-se com a família para Coimbra, ocupando a vivenda ao lado da casa dos pais de Maria Luísa. Por esta altura, Laura fazia parte, não se excluía de nenhum evento, festa ou celebração. Pouco importava de onde vinha. A família sem os pergaminhos de tantas outras não afastara Maria Luísa. Laura pertencia-lhe. As roupas que usava cabiam a Laura à justa, mas era para ela que iam antes de chegarem aos serviços de acção social da igreja onde ouviam a Palavra de Deus aos domingos. O mesmo aconteceu com Carlos, com o amor de Carlos.

Os olhos de água de Maria Luísa deixaram-no num fio qualquer de suspensão, olhava para ela e não queria respirar, queria sentir o coração na garganta. Carlos amou-a de imediato, como alguém que reconhece o caminho de casa às escuras, às cegas. Maria Luísa, apaixonada por um colega mais velho, uma fantasia que se podia cumprir, as famílias conheciam-se, pertenciam ao mesmo meio, desfez o coração de Carlos em poucos dias. Laura apanhou os pedaços.

Laura não se esconde debaixo dos lençóis como fazia em pequena quando tinha medo de ficar sozinha em casa, noites frias de inverno, a mãe a ir trabalhar às quatro da manhã para a panificadora que ficava do outro da cidade. Agora é uma mulher adulta e procura pensar-se assim: adulta. Por isso, arrasta-se pela casa, depois de ter deixado a cama num desalinho, sem vontade de nada até que... um repente, um plano, um formigueiro de entusiasmo ou de expectativa, até que a ideia se cristaliza na sua cabeça e sabe que é tarde, que vai fazer a mala e partir para Coimbra. Talvez não volte. Quem sabe? Pega numa moldura onde os dois filhos sorriem. Eram tão novos e tão pouco contaminados por ela que o choque dessa percepção quase que a trava. Laura ouve-se dizer

O que foi que lhes fiz?

Jaime regressa ao trabalho intranquilo. Não se consegue concentrar, perde a noção do tempo, deixa-se estar em frente ao computador. Tanto pensa na mãe como no irmão, depois em Carmen e na falta que não lhe faz. Carlota não lhe atende o telemóvel e o Facebook espelha o desinteresse total que o planeta respira de momento, ou é futebol ou coisas parvas, já não tem idade. Jaime quer mudar o mundo. Pelo menos o dele. O primeiro passo talvez seja voltar a falar com Carmen? Esta ideia surpreende-o.

Carmen não esperava ouvir a voz de Jaime, estava distraída, a rever exames de alunos, ao mesmo tempo em que pensava que os moldes da educação estavam errados, mas quem era ela para o dizer? Pegou no telemóvel de forma automática e ouviu
Carmen?
Sim?
Sou eu. Jaime.
Ah.

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Pós-eleitorais (8)

por Pedro Correia, em 04.02.16

Três eleições presidenciais, três derrotas sucessivas dos candidatos da área socialista. Por clamorosos erros de estratégia política - todos atribuíveis ao chamado sector soarista do PS. Em 2005 Manuel Alegre já estava no terreno quando viu levantar-se uma onda interna destinada a derrubá-lo: a onda afinal era pequenina mas bastou para sagrar Cavaco Silva vencedor à primeira volta. Em 2010, novamente com Alegre em palco, do mesmo sector surgiu a candidatura alternativa de Fernando Nobre - e de novo Cavaco agradeceu o brinde. Na Primavera de 2015 eis que da mesma trincheira irrompe um ilustre desconhecido: Sampaio da Nóvoa. Era o impulso que faltava para um passeio triunfal de Marcelo Rebelo de Sousa com destino a Belém.

Tanto erro acumulado - e nenhuma lição extraída.

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Balanço de Inverno (3)

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.02.16

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 (Olivier Hoslet/EPA)

3. Ainda sem um orçamento que lhe oriente o rumo, o PS está por agora enfiado numa camisa-de-onze-varas. Cumprido o objectivo de apear do poder a coligação PSD/CDS-PP, ainda sem perceber o que lhe aconteceu nas presidenciais, sofrendo de um problema de astigmatismo crónico que lhe distorce a visão que tem do seu próprio eleitorado qualquer que seja o ponto do Largo do Rato onde se encontre, o PS procura ir dando resposta às exigências de apoiantes e parceiros sem adornar a embarcação. A experiência Sócrates deixou em todos os portugueses amargos de boca, com excepção daquele grupo de convivas que com ele assistia aos debates televisivos, e não tanto por causa do PEC IV, mera consequência da deriva populista dos habituais trauliteiros, mas mais em razão do adormecimento do partido, da passividade dos seus militantes perante o descalabro e da incompetência generalizada da direcção política do partido, pelo que quaisquer iniciativas a que neste momento se aventure são olhadas com desconfiança. A esta junta-se o clima de vindicta que diariamente lhe é movido pelos fedayeen do Estado laranja, amplamente suportados na comunicação de blogues e em comentadores disfarçados e jornalistas isentos, sempre ansiosos por atearem o fogo e verem as chamas para serem os primeiros a chamar os bombeiros. Libertado da eleição presidencial, com Cavaco Silva a fazer caixotes e Marcelo Rebelo de Sousa a preparar-se para dar um novo dinamismo ao eixo Cascais-Lisboa, o PS tem que encontrar as condições ideais de acção política num instável equilíbrio parlamentar, entre os compromissos internacionais, as necessidades de convergência com a Europa e a recuperação do desemprego e do crescimento sem comprometer as metas do défice. Por agora, a mais sólida garantia de que o partido goza é a de saber que qualquer desvio dos compromissos assumidos com o BE e o PCP atirará tudo por terra, gerando o caos e provocando eleições antecipadas. Uma rápida aprovação do orçamento seria o ideal, pelo que qualquer atraso nesse desiderato aumentará os receios de nova deriva. O PS tem a obrigação de restaurar a confiança dos portugueses no Governo, sem prejuízo de à capacidade para ouvir e negociar aliar a firmeza, sem o que dificilmente alcançará quaisquer metas. Em finais de Junho já se perceberá melhor o estado a que chegamos e que caminho haverá a percorrer. Até lá, todas as provas de sentido de Estado, bom senso e contenção verbal serão poucas e recomendam-se vivamente. O tempo não está para fracturas e uma relação de confiança leva tempo a construir.

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RH Music Box (4)

por Rui Herbon, em 04.02.16

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Autor: Nina Simone

 

Álbum: Pastel Blues (1965)

 

Em escuta: Strange Fruit

 

 

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Detenha-se a vítima

por José António Abreu, em 03.02.16

Por um lado, é de toda a conveniência que de vez em quando um político (deputado ou ex-deputado, governante ou ex-governante) seja apanhado pelas burocracias e incongruências do sistema de Justiça nacional; afinal, terá ajudado a criá-las. Por outro, que alguém seja preso por não ter comparecido numa diligência onde seria informado do seu «estatuto de vítima» é algo que faria Kafka rir às gargalhadas.

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O país, esse vira-casacas

por Teresa Ribeiro, em 03.02.16

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O que eu mais ouvi nestes últimos quatro anos aos passistas foi que a social-democracia estava morta e enterrada. Muito confortáveis nos seus fatinhos de corte liberal, os laranjinhas do regime sentenciavam em tom de fim de conversa que aquele era um modelo de sociedade obsoleto que só a velharia ainda recordava. E faziam-no com uma veemência tal que a simples enunciação do vocábulo era recebida, por vezes, como um anacronismo indesculpável. Pois qual não foi o meu espanto quando começo a ler nos jornais com alguma insistência que Passos vai tirar da cartola essa relíquia para gáudio dos seus apoiantes e, pasme-se, a fim de "regenerar o partido". 

A acreditar no que li, o slogan para reeleição é "Social-democracia sempre!" Já a defender-se de eventuais bicadas, o líder do PSD disse que não foi ele que mudou, mas o país. E é pelo país que o partido se vai recentrar e reabilitar a sua raiz centro-esquerda.

Perfeitamente alinhado, o CDS espera de Cristas uma aproximação ao centro, "sem purismos ideológicos". Está na hora de meterem o liberalismo na gaveta com as respectivas folhas de excel e pensarem nas... pessoas, no país, no povo, sei lá.

Sociais-democratas e democratas-cristãos forever, eles preparam-se para arrancar com uma agenda de meter inveja às criaturas que lhes fundaram os partidos em nome dos tais valores humanistas bafientos que de resto já começaram a arejar, quais cataventos mediáticos.

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