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O futuro de Hollywood

por Luís Naves, em 24.11.14

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Interstellar, de Christopher Nolan, pode ser a chave da futura Hollywood, com um regresso à velha tradição de contar histórias verosímeis e originais, com cabeça, tronco e membros, sem parafernália visual que não esteja estritamente ligada à eficácia narrativa. O filme é um exemplo da melhor ficção científica que vi nos últimos anos, liberta do terror que contaminava o género e com reflexões interessantes sobre os problemas da humanidade, a exploração espacial e o tecido do cosmos. O ritmo é alucinante, como convém a uma viagem através de buracos de verme. As personagens são ricas e contrastadas, há um argumento inteligente, poucas cenas com lamechice, até algum humor.

Nolan tentou criar um clássico, o que se pode definir como um filme que transcende a sua época e resiste ao tempo, que é aliás um dos temas centrais. A marca clássica está impressa no rigor científico, por exemplo, no silêncio que acompanha as imagens sem atmosfera, ao contrário do que sucede em filmes menores, onde não se resiste a colocar som impossível de ouvir. Nos últimos vinte anos, o cinema de Hollywood insistiu em efeitos visuais e no fogo de artifício, trocando a coerência das histórias pelo espectáculo superficial e os caprichos da vedetas. Interstellar é uma excepção a esta tendência. Ali existe um fio de histórias, o que é típico das grandes narrativas.

 

 

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A playlist de AMN (4)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 24.11.14

Hoje temos Cat Stevens e a canção Sad Lisa.

A primeira vez que ouvi o Tea For Tillerman de Cat Stevens era ainda uma criança. Fui atraído pela desconcertante capa do álbum, com desenhos de crianças e um velho ruivo a beber chá, pensando que era um álbum de música infantil. Não era, claro, e foi uma enorme desilusão.

Voltei ao álbum uns poucos anos depois, porque o meu pai gostava muito de Cat Stevens e as canções dele apareciam de quando em vez nas cassetes que ouvíamos nas insistentes viagens entre Lisboa e a Covilhã, e a sensação foi totalmente diferente.

Hoje olho para trás e não percebo sequer porquê. A viragem espiritual e religiosa de Cat Stevens, que está suficientemente perceptível neste álbum, não era tema que me tocasse aos 17 anos. Talvez por isso, aliás, tenha sido o Sad Lisa, para mim a mais neutra das canções do álbum, a ficar como favorita. E é essa mesmo que vamos ouvir.

Partilhei com os ouvintes da TSF a minha playlist. Foi emitida há uns bons dias, e partilho-a agora, aos bochechos, com os leitores do Delito.

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Terrenos legítimos

por José António Abreu, em 24.11.14

É verdade que a detenção de José Sócrates causa problemas a António Costa, um homem que o acompanhou desde o início e que nunca se demarcou das suas políticas. Mas abre também caminho para que qualquer menção ao seu legado político seja enfrentada com acusações escandalizadas de mistura entre os planos político e judicial. Que fique então claro: seja Sócrates formalmente acusado ou não, a sua acção política - e o papel de Costa nela - será sempre terreno legítimo de combate político. Mais ainda: será sempre legítimo discutir se um Estado metido em tudo o que mexe, como o que - dos Magalhães e da PT à construção civil - ele implementou e Costa parece defender, gera ou não riscos acrescidos de corrupção.

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Francamente exagerada

por Pedro Correia, em 24.11.14

Ontem, coincidindo com o segundo dia da detenção de José Sócrates, o DELITO DE OPINIÃO registou 7.921 visitas e 11.833 visualizações. Nos últimos sete dias, registámos 26.315 visitas (média diária: 3.759) e 43.025 visualizações (média diária: 8.605).

Confirma-se: a "notícia" da morte dos blogues era francamente exagerada.

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A cabala (2)

por Pedro Correia, em 24.11.14

«Num caso de tanta gravidade como este, o da suspeita de crimes graves e detenção de um ex-primeiro-ministro do Partido Socialista, verifico imediatamente que o processo foi grosseiramente violado. Praticou-se, já, o linchamento público.»

 

«Esta Justiça de terceiro mundo aterroriza-me. Isto não acontece num país civilizado com jornais civilizados. Isto levanta-me suspeitas legítimas sobre o processo e a Justiça, e neste caso, dada a gravidade e ataque ao regime que ele representa, a Justiça ou age perfeitamente ou não é Justiça.»

 

«Vou seguir este processo com atenção. Muita. Ou ele é perfeito, repito, ou é a Justiça que se afundará definitivamente no justicialismo. Na vingança. No abuso de poder.»

 

Clara Ferreira Alves (Expresso, 22 de Novembro)

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Sugestão para novo símbolo do Bloco de Esquerda

por José António Abreu, em 24.11.14

Hydra 002.jpgEmbora - e de forma a prevenir futuros desenvolvimentos - talvez seja preferível optarem pela versão com as sete cabeças bem visíveis.

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Desconfiança e desinteresse

por João André, em 24.11.14

Não tenho, não creio alguma vez ter tido (isto da memória é tramado) simpatia por Sócrates. Sempre tive por ele, no entanto, menos antipatia que por Passos Coelho ou a bandilha que está agora no governo (por oposição à que lá esteve). Sou, nesse aspecto, uma daquelas pessoas que tem pouca confiança na classe política: não por pensar que é necessariamente um bando de corruptos, mas por me parecerem cada vez mais um bando de medíocres.

 

Em relação à detenção, confesso que tenho menos confiança no poder judicial do que aquele que deveria ser demonstrado politicamente. O poder judicial tem demasiadas ligações à política e está excessivamente cheio de boys que devem as suas posições ao PS ou PSD. É o normal: um partido está no poder e vai enchendo as estruturas com os seus simpatizantes. Se quisermos ser benevolentes podemos pensar que as forças se opõem enquanto puxam cada uma para seu lado. Se quisermos ser mais realistas aceitaremos que isto só trará complicações no melhor dos casos e paralisação no pior deles.

 

O caso da detenção de Sócrates é disto um exemplo. Sócrates foi detido com câmaras de televisão por perto, isto apesar de a divisão aeroportuária da PSP saber da detenção. Ou seja, alguém avisou a estação e podemos assumir que não foi para ir esperar a chegada de um jogador de futebol. Por outro lado, os inspectores suspeitam que Sócrates saberia da detenção. Isto dá a ideia de haver fugas de informação dos dois lados da barricada Sócrates, ambos comprometidos de alguma forma com o desfecho político do caso - o judicial, a bem dizer, não interessa ao público.

 

Temos hoje muitos detalhes pelos jornais das movimentações. Os jornais e televisões parecem ter muitos conhecimentos sobre o assunto. Não terá sido por investigações próprias, presumo, pelo que as barricadas andam a disparar informação. Pessoalmente não lerei as suspeitas nem os esquemas. Não me interessam e, seja como for, não tenho competências técnicas para as perceber. Seria levado pelo tom do jornalista que escrevesse a peça.

 

Sei que Sócrates, neste momento, só não estará acabado se provar ter existido alguma cabala criada para o incriminar. De outra forma está politicamente morto, com ou sem condenação final. Até lá só espero que parlamento, governo e presidência se escusem de comentar seja o que for além dos tradicionais "deixar a justiça trabalhar" e "assumimos a presunção de inocência". Qualquer aproveitamento político do caso, mais do que a detenção em si, seria então mais um golpe, e mortal, no nosso sistema político.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.11.14

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O Leão Vermelho, de Pedro Arregui

Tradução de Pedro Mochila

Memórias de um combatente cubano em Angola

(edição Cavalo de Ferro, 2014)

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Até que enfim que alguém o diz

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.11.14

"A política e a justiça não são a mesma coisa. Assim como a justiça deve fazer o seu julgamento sem interferência da política, a política - o governo da polis - deve fazer o seu julgamento. O maior disparate que existiu em Portugal nos últimos anos, e não o ouvi nem em Espanha nem em Itália, é tentar que o julgamento político siga ou esteja sujeito aos mesmos critérios do julgamento penal. Se o julgamento político é populista e irresponsável isso revela umas instituições políticas e sociais fracas e descredibilizadas. Será certamente um problema político e social, até cultural, mas não um problema legal como se pretende em muitas análises que se fazem em Portugal. A presunção de inocência e o 'in dubio pro reo' são princípios jurídicos, não são, não devem e não podem ser princípios políticos". - Nuno Garoupa, Expresso Domingo, 24/11/2014

 

A última frase, em especial, devia ser uma verdade incontestada e incontornável. Bati-me antes por isso dentro da minha agremiação, mesmo quando esta foi poder, suportando a incompreensão e a invectiva. Continuarei a bater-me. E fico satisfeito por ver que nesse combate, modéstia à parte, não estarei mal acompanhado.

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A cabala (1)

por Pedro Correia, em 24.11.14

«Eu não dou nenhuma presunção de boa conduta ao doutor [juiz] Carlos Alexandre.»

 

«O que é inquietante é esta arrogância do poder judicial. Há com enorme frequência uma enorme arrogância dos juízes e do poder judicial, que entendem que não têm que dar explicações a ninguém.»

 

«A democracia está em perigo.»

 

Manuel Magalhães e Silva (SIC Notícias, 22 de Novembro)

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As canções do século (1789)

por Pedro Correia, em 24.11.14

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Os Socranos

por Rui Rocha, em 23.11.14

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Daqui. 

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Fotografias tiradas por aí (201)

por José António Abreu, em 23.11.14

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 Serralves, Porto, 2011.

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Esclarecida a origem dos 20 milhões

por Rui Rocha, em 23.11.14

Sócrates recebeu um pedido de auxílio por mail e ajudou um Príncipe da Nigéria:

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E ainda agora começou

por José Navarro de Andrade, em 23.11.14

Ainda vai no adro a procissão do que se poderá chamar “Caso José Sócrates” e já estão em desenvolvimento formidáveis teorias da conspiração, em que nada é o que parece ser mas outra coisa qualquer que só os mais espertos e previstos conseguem perscrutar, e connosco partilham generosamente.

Já apareceram coisas lindas de se lerem, por exemplo esta:

“Ou seja, a Justiça cometeu o crime de violação do segredo de Justiça ou pior, de manipulação do caso, que posso legitimamente suspeitar ser manipulação política dadas as simpatias dos ditos jornais [Correio da Manhã e Sol] pelo regime no poder. Suspeito, apenas. Tenho esse direito.”

Ora aqui está uma opinião com entrada directa para os anais da ignomínia intelectual. Impressiona como num parágrafo se pode acusar tão peremptoria e cabalmente a Justiça das hediondas práticas de “violação do segredo de Justiça” e de “manipulação política”, para no parágrafo seguinte, em vez de comprovar a dedução com factos, como mandaria a decência (adeus ó ética jornalística), desarmar tamanhas certezas com o singelo advérbio “apenas”: apenas suspeita do que disse. Mas tem esse direito lá isso ninguém lho tira – que direito? Direito a quê? e porque razão considera que o tem?

Poderei, então, a meu bel-prazer invocar uma fantasmagórica “legitimidade” (atribuída por que instância? Baseada em quê?) para suspeitar que a autora deste dislate usa umas cuecas às pintinhas oferecidas pelo Sr. José Sócrates. Apesar de ter tantas provas factuais como ela, também acho que tenho o direito de bolçar suspeita tão parva.

Isto é a ponta do iceberg dos contorcionismos e denegações que vêm a caminho e atingirão muito em breve o ponto de rebuçado mediático nas chamadas redes sociais. Desde logo começou a circular por aí um twitter, emitido por outra senhora, esta com responsabilidades institucionais, que se lhe aplicássemos a lógica formal seria como adicionar uma laranja com uma pera para dar o resultado de dois ananases, ou seja junta a detenção do Sr. José Sócrates com o caso dos vistos gold, dizendo que uma mão veio para lavar a outra. Descobrir coincidências temporais (é fácil, pois não estão sempre a acontecer?) e deduzir nelas implicações causais (é ainda mais fácil, basta imaginar e suspeitar) é como supor que um desastre de automóvel poderia ter acontecido em melhor altura.

Como diria Bette Davis: “fasten your seatbelts, it’s going to be a bumpy ride.”

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Declaração de princípios (1)

por Pedro Correia, em 23.11.14

Jamais invocarei o poder judicial como arma de arremesso político. Seja em que debate for.

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Declaração de princípios (2)

por Pedro Correia, em 23.11.14

Combaterei sempre os pelourinhos, levantem-se contra quem se levantarem. E jamais gritarei "aleluia" quando vir um adversário político no chão.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 23.11.14

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«Eu só conheço a obra dele [António Lobo Antunes] até meados dos anos 90, mas não precisei de mais para o considerar um dos maiores romancistas vivos. A verdade é que muitos grandes escritores irão para a cova sem jamais terem escrito algo tão genial, divino e excelentíssimo como Fado Alexandrino.

Mas eu não percebo o que se passa com ele, como ser humano. É amargo, rancoroso, mesquinho, ensimesmado e arrogante, como se esperaria que fosse alguém a quem o mundo ignorasse o muito talento que possui. Mas ele tem excelentes críticas, tem centenas de milhares de leitores, é um dos escritores portugueses mais internacionais de sempre, tem veneras pelo mundo fora, os seus pares estrangeiros elogiam-no. O homem tem tudo para estar agradecido e ser feliz; trabalhou, esforçou-se, escreveu romances inigualáveis, foi recompensado por isso. Muitos escritores superiores a ele nunca tiveram tais sortes em vida.

Porém é de uma incrível insegurança. Não há entrevista com ele em que não se gabe do quanto os estrangeiros o lêem e admiram; em que não enumere os seus prémios; em que não se compare a um defunto nobelizado, como se vivesse traumatizado. Uma lição que muito devia aprender de José Saramago é uma chamada humildade. Das dezenas de entrevistas que já li dele, não me lembro de ele se congratular a si mesmo pelo número de traduções, leitores estrangeiros e prémios que tinha, ainda que o pudesse fazer, ele que foi o primeiro escritor português a receber doutoramentos honoris causa de certas universidades, ele que foi o primeiro recipiente do Prémio Nobel, ele que está traduzido em dezenas de línguas.

ALA também poderia aprender dele uma coisa ou duas sobre ser um embaixador da cultura e literatura portuguesas. Várias vezes me lembro de Saramago defendê-las em entrevistas e conferências estrangeiras, mas ALA só lhes tem ódio e nojo. Isto não é de agora. Se recuarmos até aos anos 90, quando Maria Luisa Blanco teve uma série de conversas com ele, já se encontrará nelas o desdém dele pelos seus conterrâneos. Com a do pigmeu, ele apenas baixou de tom, mas o asco já lhe anda a ferver por dentro há décadas. E o mais perturbador é que ele os julga mais severamente do que os próprios estrangeiros. Não sei se acredito nessa crítica demolidora de Eça num jornal inglês, o ALA tem o hábito de exagerar ou simplesmente inventar coisas, como a do livro dele que Saramago alegadamente atirou ao chão e do qual havia uma fotografia e tudo, excepto que não havia nem livro algum foi atirado ao chão, como depois uma testemunha do "incidente" veio explicar, sem um pedido de desculpas de ALA.

Pela experiência que tenho com amigos leitores anglo-americanos, o Eça é um deleite e estranham que não seja mais bem conhecido, porque acham que devia figurar entre os grandes do século XIX, e também lamentam que a barreira linguística e a falta de traduções os impeçam de conhecerem autores como Raul Brandão, Antero, Sophia, Camilo e outros.

Também acho repugnante a forma como ele desdenha a crítica literária portuguesa, e a sua mentalidade de dois pesos e duas medidas. Que chapada na cara deve ter sido para Maria Alzira Seixo e Ana Paula Arnaut descobrirem que afinal os livros que escreveram sobre ele não são crítica literária a sério. E depois cita Harold Bloom e Georges Steiner como defensores. O senhor deve ter perdido a parte em que Steiner considerou O Ano da Morte de Ricardo Reis o melhor romance português alguma vez escrito (com o que Saramago rapidamente discordou), assim como deve desconhecer o livro que Bloom organizou sobre Saramago (não há nenhum de ALA), para não mencionar que o seu Génio inclui Saramago e Eça entre os cujos. O mecanismo selectivo da sua mente é tão extraordinário quanto torpe.

O homem é patético, mas não merece pena; tem demasiado dinheiro, sucesso e admiradores para isso; do que precisa é estar calado e continuar a escrever os seus romances em linha de montagem, um por ano, em silêncio, para não exaurir a pouca boa-fé que ainda lhe oferecem.»

 

Do nosso leitor Luís Miguel Rosa. A propósito deste meu texto.

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Que tal avançarem para a primeira liderança tricéfala?

por José António Abreu, em 23.11.14

Catarina Martins, João Semedo e Pedro Filipe Soares empatam na eleição de delegados para a Mesa Nacional do Bloco de Esquerda.

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Um partido verdadeiramente paritário

por Pedro Correia, em 23.11.14

Eleições para a liderança do Bloco de Esquerda terminam com empate.

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Aguardemos com calma, pois então

por José António Abreu, em 23.11.14

Não deixa de ser curioso reparar na prudência com que a esquerda à esquerda do PS comenta a detenção de Sócrates. Seria certamente diferente se estivéssemos perante um ex-ministro do PSD ou do CDS. E nem mencionemos aqueles humanos para quem o ónus da prova parece inverter-se: empresários de forma geral, banqueiros em particular.

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Casos judiciais em curso merecem o mínimo possível de comentários apressados, mas a investigação ao ex-primeiro-ministro José Sócrates é o quinto grande acontecimento político em apenas seis meses, o que faz de 2014 um ano invulgar. Nas eleições europeias, os maiores partidos sofreram uma valente punição e esboçou-se uma rebelião populista. Logo a seguir, houve a saída limpa do programa de ajustamento, numa altura em que já eram evidentes sinais de recuperação económica, com criação de emprego, contas externas positivas e saldo primário razoável, além do regresso do investimento externo. Passados seis meses, Portugal financia-se ainda a taxas de juro reduzidas e parece capaz de pagar a sua monstruosa dívida. Acima de tudo, o País sobreviveu à queda do Banco Espírito Santo, terramoto com contornos ainda difíceis de prever e que tem potencial para mexer com todo o regime. No meio, mudou a liderança do maior partido da oposição, dividido em relação à herança política de Sócrates, assunto que agora não pode ser evitado.

Não me lembro de seis meses tão avassaladores e tudo isto acontece no início de um período pré-eleitoral que vai durar mais de um ano, com duas eleições no caminho. Os grandes partidos nunca estiveram todos ao mesmo tempo em situação tão frágil. PSD e CDS cumpriram um ajustamento que implicou grandes sacrifícios para a população, mas o Governo também cometeu erros e comunicou de forma deficiente os motivos que justificavam a austeridade. O PS parecia em posição favorável para regressar ao poder, mas não pode a partir de agora cavalgar uma estratégia sem promessas ou explicações, baseada nas teses de que nunca houve falência em 2011 e que será possível fazer muito diferente. Sobretudo, esta parece ser a grande oportunidade para surgirem formações populistas a defender que ‘eles são todos iguais’ e é preciso limpar a política. A crispação e o aumento da temperatura serão perigosos para os três partidos tradicionais do poder.

Grande parte da opinião pública acredita que houve colapso financeiro em 2011 e que pagaram sobretudo os mais fracos. Muitos portugueses estão convencidos de que a austeridade foi injusta, desproporcionada e inútil. Ao longo dos últimos três anos, a comunicação social criou um clima neo-realista de pessimismo e descrença, com previsões de insurreição iminente e espirais recessivas. Na realidade, o País está a sair da crise e os cinco exemplos de mudança na política portuguesa mostram que os anos difíceis não comprometeram o essencial: as instituições democráticas e o Estado de Direito estão a funcionar. Isto é uma mudança, não é um lamaçal.

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Standards

por Rui Rocha, em 23.11.14

Subscrevo sem qualquer reserva o princípio da presunção de inocência. Não me afasto um milímetro da necessidade abosluta de o processo penal ser conduzido sem cedências ao mediatismo, à tentação de judicialização da política e com respeito absoluto das regras, nomeadamente as que dizem respeito ao segredo de justiça nos termos em que, bem ou mal, está neste momento configurado na ordem jurídica portuguesa. Na ausência natural de dados objectivos sobre a investigagação, o tempo mais frutuoso é o que se investe na observação de comportamentos. E aqui não pode deixar de causar estranheza o discurso dos que exigem actuação irrepreensível ao poder judicial, posição correctíssima em si mesma, mas que perante condutas de quem deteve máximas responsabilidades políticas e ostentou ao longo do tempo estilos de vida absolutamente incompatíveis com os rendimentos declarados mostram a máxima complacência.

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A autópsia de Sócrates

por Rui Rocha, em 23.11.14

É incorrecto afirmar que a investigação em curso representa, independentemente do seu desfecho, a morte política de Sócrates. A verdade é que, salvo para um grupo reduzido de pessoas com representação mediática desproporcionda face à realidade que representam, Sócrates estava há muito politicamente morto. Só o seu ego incontrolável e a cegueira do seu círculo mais próximo os impedia de constatar que o interesse que despertava na sociedade portuguesa era já o da exposição do bizarro, mais próximo do anão que serve de bala ao canhão ou da mulher barbuda da feira popular do que de qualquer proposta política credível, séria ou sequer viável. Aquilo a que estamos a assistir não é pois um funeral. Se quisermos ser rigorosos, o que temos perante os nossos olhos é uma autópsia.

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Absolutamente transparentes

por Rui Rocha, em 23.11.14

Decorreram já mais de 24 horas sobre a detenção de José Sócrates. É tempo suficiente para fazer um balanço das reacções dos seus círculos mais próximos. Muitos seguiram o caminho da teoria da conspiração. O momento, os factos, o contexto, estariam a ser manobrados com intenção política deliberada. Outros salientaram as circunstâncias em que Sócrates foi detido, procurando minar a credibilidade da investigação. O que é verdadeiramente significativo é que, até ao momento, não houve uma única declaração de convicção incondicional sobre a irrepreensibilidade da conduta de Sócrates. Isto é, ninguém pôs a mão no fogo pelo ex-primeiro ministro. Trata-se, portanto, de posições elucidativas que permitem um retrato claro sobre o que pensam os seus apaniguados e, antes de tudo, sobre o que os move.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.11.14

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Monte Cativo e Outras Ficções, de Jorge de Sena

(edição Guimarães, 2014)

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Blogue da semana

por Rui Herbon, em 23.11.14

Leio o Jorge Carvalho (ou jorge c., conforme a sua persona de bloguer) há uma meia dúzia de anos, em diversos blogues. Partilho com ele a ideia de que um blogue é um projecto, e como tal, quando concluído ou tornando-se inviável nas sua premissas, deve acabar dando lugar a algo novo. Ou a nada. O Jorge pensa e escreve bem. Depois do Manual de Maus Costumes escreve agora um Diário da Borda d'Água, que recomendo sem reservas.

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As canções do século (1788)

por Pedro Correia, em 23.11.14

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Gostam de teorias da conspiração?

por Rui Rocha, em 22.11.14

Então, dou-vos mais uma. Nos últimos dias, a investigação sobre José Sócrates acelera. Perante os factos recolhidos, a decisão torna-se evidente. Deve ser detido logo que regressar a Lisboa para que não possa prejudicar a investigação ocultando ou eliminando provas, tal como está previsto no Código de Processo Penal. A equipa de investigação procura manter o máximo sigilo. Todavia, elementos ligados a Sócrates dentro da PGR acabam por aceder à informação e transmitem-na imediatamente para Paris. Sócrates hesita e adia a viagem para Lisboa para ganhar tempo. Chega à conclusão de que não regressar implica assumir que cometeu os actos que lhe são imputados. Todavia, sabe que é fundamental desacreditar a investigação. Decide voar para Lisboa. Antes de embarcar, faz chegar a um órgão de comunicação social a informação de que será detido quando chegar à Portela. A detenção é filmada e transmitida. No dia seguinte, círculos próximos de Sócrates atacam a isenção de uma investigação que foi incapaz de respeitar o segredo de justiça e que provocou um circo mediático. João Soares, como lhe é habitual, não sabendo de nada, ajuda à festa assumindo o papel de idiota útil.

Rebuscado? Claro que sim. Tanto como afirmar que a investigação tem como objectivo fragilizar o PS quando ainda falta mais de um ano para eleições. Inverosímil? Provavelmente. Tanto como afirmar que a detenção de Sócrates tem como objectivo abafar os efeitos da investigação sobre os Vistos Gold.

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Stardust

por Pedro Correia, em 22.11.14

A justiça actua ao serviço de interesses partidários? Edite Estrela parece acreditar que sim. Como se a separação de poderes - imperativo constitucional - não existisse na República Portuguesa.

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Deve ser isto a tal "ética republicana"

por João Campos, em 22.11.14

"Excepto por crime de sangue, em flagrante delito, não aceito a prisão (que "pudicamente" designam por detenção) de um ex-Primeiro Ministro como José Sócrates."

 

João Soares no facebook, esse megafone moderno do disparate (via Renascença; o resto do post é delírio em estado puro) 

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Audiência da RTP nas noites de domingo deve aumentar.

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Back to basics

por Pedro Correia, em 22.11.14

Fundamental, em qualquer circunstância, é não ceder um milímetro num dos princípios basilares da cidadania num Estado de direito: o de que o ónus da prova compete sempre a quem acusa. Tenha o acusado o nome que tiver.

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A Confiança no Mundo, de José Sócrates

Filosofia política

(edição Verbo, 2013) 

 

 

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A última manhã de John Kennedy

por Pedro Correia, em 22.11.14

 

Imagens que permaneceram inéditas durantes longos anos. Imagens que ainda hoje comovem e impressionam. As da última manhã de vida de John Fitzgerald Kennedy, 35º presidente dos Estados Unidos, assassinado numa sexta-feira, faz hoje 51 anos. Ao pequeno-almoço em Fox Worth, perante duas mil pessoas, ofereceram-lhe um típico chapéu texano que ele prometeu usar na segunda-feira seguinte, na Casa Branca.

Nunca viria a cumprir a promessa. Tudo porque a chuva matutina em Dallas deu lugar a um radiante sol de Outono. Foi quanto bastou para que a capota do Lincoln Continental, a limusina do presidente, fosse recolhida e o veículo rodasse descapotável pelas ruas da cidade.

"Um caloroso acolhimento ao presidente. Não houve perigo de qualquer espécie. E não há vestígio de reacções adversas à visita presidencial. Foi um grande espectáculo: Dallas não voltará a ver outro durante muito tempo", declarou o jornalista que relatava a emissão televisiva em directo no momento em que a caravana presidencial fazia a curva em cotovelo na Praça Dealey, virando à esquerda para entrar na Elm Street.

A última curva na vida de Kennedy. Segundos depois das palavras insolitamente proféticas do jornalista, um tiro disparado de uma janela do terceiro andar de um armazém de livros escolares desfez a caixa craniana do homem mais poderoso do planeta, mudando a história dos EUA.

Um golpe do acaso conduziu ao fatídico desfecho, pressionando o dedo que o assassino já tinha no gatilho. E tudo poderia ter sido bem diferente: bastaria que a chuva tivesse continuado a cair em Dallas durante mais um par de horas.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.11.14

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100 coisas simples que pode fazer para prevenir a doença de Alzheimer e a perda de memória associada à idade, de Jean Carper

Prefácio de Alexandre de Mendonça

Tradução de Mariana Belmar da Costa

Medicina

(edição Gradiva, 2014)

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De onde jorra o sangue?

por André Couto, em 22.11.14

Um Cidadão chega ao Aeroporto de Lisboa e é detido, como se estivesse a partir e houvesse risco de fuga. Com devida antecedência a Justiça avisou uma cadeia de televisão para ir filmar o momento. Para além disso uma antiga inimiga do Cidadão, repórter sensacionalista, foi municiada com a suposta matéria do crime, aquela que devia ser um Segredo guardado pela própria Justiça, de forma a criar vários artigos, que narram factos e não suspeitas, em forma de romance, prontos a partilhar pelas pessoas ao raiar do sol. Isto, na pior semana do Governo. Coincidências que todos ignoram olhando para onde lhes apontam. Quando as coisas se passam assim não é o sangue de José Sócrates que está a jorrar. É o da Justiça. É o do País. É o da democracia como a concebemos.

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Continua a campanha de promoção externa de Portugal

por Sérgio de Almeida Correia, em 22.11.14

El ex primer ministro socialista de Portugal, José Sócrates, fue detenido hoy por su presunta vinculación con un caso sobre fraude fiscal, blanqueo de capitales y corrupción. - El Pais

Sócrates fue arrestado, sobre las 23.10 horas, a su llegada al aeropuerto de Lisboa en un vuelo procedente de París, según informan los medios lusos. - El Mundo

 M. Socrates fait partie d'un groupe de quatre personnes interpellées au cours des derniers jours, dont trois ont été présentées au juge vendredi, indique le ministère public dans un communiqué. - La Libre.be

L'enquête porte sur des opérations bancaires et des transfers d´argent d´origine inconnue, et n'a pas lien avec l'opération Monte Branco, un coup de filet qui avait entraîné l'arrestation en juillet de l'ancien PDG de la banque Espirito Santo (BES), Ricardo Salgado. - Le Monde

Efforts to contact Socrates through the Socialist Party’s Lisbon press office outside of regular business hours were unsuccessful. No personal telephone number is publicly listed for him.- Bloomberg

Portugal's former Socialist prime minister Jose Socrates was arrested on Friday as part of an inquiry into tax fraud, corruption and money laundering, the public prosecutor's office announced - Strait Times

The news of Socrates' arrest comes hard on the heels of another scandal which cost Portugal's Interior Minister Miguel Macedo his job on Sunday. Macedo resigned after several senior government officials were arrested as part of a probe into money laundering and influence peddling around so-called "golden visas". - Channel News Asia

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As canções do século (1787)

por Pedro Correia, em 22.11.14

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Pena que Tony Carreira não seja deputado

por Rui Rocha, em 21.11.14

Com um bocado de sorte, o Eduardo Cabrita tirava-lhe o micro.

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Ética é ter dinheiro nos bolsos

por Pedro Correia, em 21.11.14

Acreditei desde o início que a subvenção vitalícia aos políticos - ontem reposta de forma inqualificável por iniciativa conjunta de  dois deputados que já foram ministros,  um do PS (José Lello) e outro do PSD  (Couto dos Santos) - seria chumbada na votação final do Orçamento do Estado para 2015.

Um cenário de viabilização desta medida seria imoral num País que faz tão duros sacrifícios há tempo demasiado. Seria, na verdade, um  insulto a todos os portugueses.

Não foi preciso esperar tanto: a proposta acabou por ser retirada ainda durante o debate na especialidade.

Entretanto, creio ter inegável interesse jornalístico conhecermos a lista completa dos 318 beneficiários desta putatitva medida, que custaria ao erário público - isto é, a todos nós - a módica quantia de sete milhões de euros por ano. Talvez dela constem personalidades que adoram fazer proclamações retóricas sobre a necessidade de impregnar a política de referenciais éticos. Podiam ter renunciado à subvenção, mas não o fizeram. Fiéis àquela máxima de autor anónimo: "Ética, para mim, é ter dinheiro nos bolsos."

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Tiros nos pés (2)

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.11.14

Não sei se ainda foi por vergonha, ou se por receio do que aí pudesse vir, que retrocederam. Desta vez escapam. Espero que não volte a haver próxima.

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Cayetana, rebelde e simples

por Rui Rocha, em 21.11.14

Os meios de comunicação social espanhóis entraram nas últimas horas numa competição extenuante pelo título da peça jornalística mais elogiosa sobre a longa vida e incomensurável obra da Duquesa de Alba. Na política, da direita mais empedernida que não perdeu a oportunidade de se exercitar na técnica da hagiografia, à esquerda naturalmente mais comedida, também ninguém quis perder a oportunidade de juntar ao cortejo fúnebre de elogios e panegíricos. Pelo visto, e de acordo com a abundante matéria produzida sobre o tema, aquela que alguns no país vizinho não hesitam em apelidar como "la más grande de España", era uma mulher rebelde e simples. Esta parece ser uma descrição adequada da realidade. Sobre a rebeldia, basta ter em conta que durante a guerra civil espanhola, quando toda a população passava fome, Cayetana decidiu permanecer na abundância. Depois, em 1948, com o país sumido na mais tremenda penúria, um dos seus casamentos terá custado coisa de 500 milhões de euros a valores de hoje (dados publicados em 1988 pela revista HOLA que, como se sabe, é nestas matérias a publicação de referência). Sobre a simplicidade, também não restarão grandes dúvidas. Bastará perguntar a qualquer um dos seus 15 motoristas, 2 mordomos, 24 criadas, 10 jardineiros ou 8 moços de estrebaria e nenhum dirá menos do que isso. Pois isso, Cayetana. Descansa em paz que, por cá, o mundo fica mais pobre. De espírito.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.11.14

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O Bailado da Alma, de J. L. Pio de Abreu

Ciência

(edição D. Quixote, 2014)

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O Bloco Central de interesses.

por Luís Menezes Leitão, em 21.11.14

Esta votação demonstra já o que se perspectiva para o próximo governo. Efectivamente, apeado António José Seguro, o PS de António Costa está inteiramente vocacionado para um governo de bloco central, juntamente com o PSD, apostado em satisfazer os interesses do costume, especialmente os dos políticos. Os funcionários públicos perderam até 10% dos seus salários e tanto Passos Coelho como António Costa só os prometem devolver nas calendas gregas. Mas entretanto repõem aos seus amigos uma imoral subvenção vitalícia, obtida ao fim de 12 anos de "trabalho" no parlamento. São estes privilégios dos políticos que os sacrifícios dos cidadãos pagam. Tenham vergonha.

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