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É capaz de ser pior

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.08.14

 

"Perder aos 93 minutos é como perder a mulher" - Jan Mian, treinador do Elfsborg, após ser eliminado pela rapaziada de Vila do Conde.

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É pena que a Laura não perceba nada de suspensórios...

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.08.14

... Pois que, quanto ao resto, a rapariga até não esteve mal. E a ti, Adolfo, havendo muita coisa discutível, bastou-te uma frase para estares bem melhor: Freedom is the most important political value for me. It comes before anything else"

Esta é a frase que muita gente, à direita e à esquerda, no teu e no meu partido, e pelo que se lê nas caixas de comentários de muitos blogues, continua a não entender. É ela que marca as diferenças; mas é também por causa dela, apesar dessas diferenças, que aqui continuamos.

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As canções do século (1702)

por Pedro Correia, em 29.08.14

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Nem como se lê nem como se diz

por Pedro Correia, em 28.08.14

Certos defensores do "acordo ortográfico", inimigos confessos da etimologia, afirmam que uma língua deve ser escrita «como se lê». Isto é puro disparate: se a escrita antecede a leitura, como é que a norma ortográfica pode estar condicionada por algo que lhe sucede em vez de a preceder?
Outros afirmam que uma língua deve ser escrita «como se diz», pretendendo subordinar a ortografia à fonética. «A língua tem factores de carácter histórico que não podem ser desconsiderados», objectou o historiador brasileiro Jaime Pinsky, pronunciando-se sobre o tema num debate ontem realizado em São Paulo, no âmbito da 23ª Bienal Internacional do Livro.

Está cheio de razão: o primado da fonética anula o espírito normativo que deve conformar toda a convenção ortográfica, instituindo uma escrita à la carte. Se em Lisboa, por exemplo, não falta quem diga mêmo em vez de mesmo, tar em vez de estar ou joálho em vez de joelho, escreva-se assim. Se em Braga se diz barrer em vez de varrer, escreva-se assim. Se em Beja se diz pinhêro em vez de pinheiro, escreva-se assim.
É uma lógica que não aguenta dois segundos de análise. Nem dois segundos de discussão.

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Profetas da nossa terra (53)

por Pedro Correia, em 28.08.14

«Nenhuma razão política séria impede que o referendo sobre o Tratado Constitucional Europeu seja realizado em conjunto com as eleições autárquicas, favorecendo a participação cívica e confiando na capacidade política dos portugueses.»

José Sócrates, 12 de Março de 2005

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.08.14

 

 

Cavalo Pálido, Pálido Cavaleiro, de Katherine Anne Porter

Tradução de Paulo Faria

Contos

(edição Antígona, 2014)

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Em Angola não há só petróleo

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.08.14

"O reconhecimento da fragilidade do texto do AO90 é praticamente consensual e há cidadãos dos países da CPLP, que, por falta de um prontuário ortográfico que lhes sirva de referência, misturam as duas ortografias, incluindo os próprios professores. O que se pressupunha que iria unir a grafia em português, nunca se irá concretizar, tal como a maior difusão internacional da Língua Portuguesa e uma maior facilidade da aprendizagem para o próprio idioma. Para que serviu afinal o Acordo Ortográfico?" - Wa Zani, Jornal de Angola, 27/08/2014

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Controlar o passado

por Luís Naves, em 28.08.14

As interpretações mais comuns sobre o livro de George Orwell, 1984, centram-se nos perigos da tecnologia e na omnipresença da vigilância. Segundo essa visão, a maior originalidade do romance está na personagem do Grande Irmão (Big Brother) que vê e controla tudo aquilo que as pessoas fazem.

Há outra forma de olhar para este livro, como crítica arrasadora do estalinismo e da dupla linguagem que define o combate político, fenómeno que existiu nas ditaduras comunistas. O romance tenta reflectir sobre o totalitarismo e o esmagamento do indivíduo pelo colectivo, mas a maior originalidade estará porventura na novilíngua que o regime tenta criar, sobretudo na ideia de que a simplificação da linguagem é um mecanismo de limitação da liberdade.

O romance gira também em torno da alteração do passado, que assegura a longevidade da ditadura. A personagem principal, Winston Smith, tem essa função, actualizar os documentos, ou seja, a rescrita das fontes históricas, mas a vigilância continua a ser o elemento mais citado do livro, sempre como exemplo, quando surgem inovações tecnológicas que sugerem acumulação de poder (acções policiais, a espionagem que intercepta chamadas, as teorias de conspiração sobre grupos de influência). E, no entanto, as tecnologias têm funcionado contra a ideia de Big Brother, muito mais no sentido da fragmentação, dificultando o controlo da informação por um único utilizador. A questão do controlo da privacidade é fundamental no livro, mas não representa a lição central para o nosso tempo.

Onde o livro se torna mais inquietante e até presciente é no tema da novilíngua ao serviço do poder e do duplopensar, ou seja, na capacidade da política de dizer uma coisa e o seu contrário. A actualidade tem excesso de dados, mas as tecnologias digitais facilitaram a alteração do passado. No tempo em que o livro foi escrito, 1948, mudar uma fotografia exigia uma técnica elaborada, mas agora trata-se de uma banalidade. Por outro lado, a realidade é incerta, pois determinada informação pode ou não ter sido manipulada, sendo difícil detectar as fraudes. Esse é o autêntico Grande Irmão que sobrevive do romance de Orwell: quem controla o passado, controla o futuro.

Há outros elementos de génio em 1984, por exemplo o uso da guerra para reforçar o controlo das elites sobre as massas, a destruição do amor e a eliminação de palavras, sem as quais deixa de ser possível formular certas ideias.

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Leituras

por Pedro Correia, em 28.08.14

 

«É tão possível embriagarmo-nos de egoísmo ou solidão como de vinho.»

Ricardo Cano GaviriaO Passageiro Walter Benjamin (2000), pp. 103/104

Ed. Antígona, 2002. Tradução de Jorge Fallorca

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As canções do século (1701)

por Pedro Correia, em 28.08.14

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 28.08.14

Ao Conversamos?!...

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Penso rápido (45)

por Pedro Correia, em 27.08.14

Devemos ter sempre a noção muito clara que a democracia é um bem precioso mas extremamente frágil. E há quem se aproveite dela, a todo o momento, para a exterminar. O populismo, a demagogia, os nacionalismos, a xenofobia, o radicalismo identitário são instrumentos políticos de que se usa e abusa - à esquerda e à direita - para estrangular a democracia. Não devemos perder de vista as lições da história. Em 1900, na chegada ao século XX, muitos pensadores e um número incontável de políticos embriagados de "optimismo" e "modernidade" vaticinaram um mundo de imparável progresso. Ninguém imaginava então que esse seria o século dos maiores morticínios registados desde sempre e das mais tenebrosas ditaduras. Ninguém supunha que nesse mesmo século então emergente seria inventada a mais terrível das palavras: totalitarismo.
Nada mais ilusório do que o optimismo histórico, nada mais enganador do que a noção de que existe necessariamente um "final feliz" e redentor na sucessão dos ciclos históricos.

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A língua em constante evolução

por Pedro Correia, em 27.08.14

Ouço a todo o momento à minha volta o verbo "desamigar". Sinto-me marginalizado: até hoje ainda ninguém me "desamigou".

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"Gorduras do Estado" (102)

por Pedro Correia, em 27.08.14

Aveiro, Portimão, Nazaré e Vila Nova de Poiares sem dinheiro para salários

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Já andava desconfiado

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.08.14

De repente, confirmam-se as piores expectativas: a Terra não é redonda. Estou destroçado. Um destes dias ainda vêm dizer que o Jack Daniel's é uma variante do leite materno.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.08.14

 

 

Sou Autista, de Josef Schovanec

Tradução de Magda Bigotte de Figueiredo

Testemunho

(edição Oficina do Livro, 2014)

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No mundo em que vivemos (não aquele em que imaginamos viver), a discriminação é um dado presente, como se vê neste texto de Paulo Pinto ou neste outro de Filipe Nunes Vicente.

Nos países industrializados existe uma prática de discriminação silenciosa, que ajuda a explicar os fanáticos, os radicais e o descontentamento larvar.

Estas sociedades criaram uma extensa classe média que tem o terror do empobrecimento súbito, seja ele real ou imaginário, terreno fértil para os populistas que tentam explorar a ideia da insegurança. As pessoas vivem no medo profundo de cair ao longo da escada social.

A ordem liberal que triunfou nos últimos 30 anos criou uma sensação de crescente desigualdade e alienou os fracassados do ensino de massas que, sem lugar na economia, sem trabalho e sem qualificações, parecem só possuir o recurso à proletarização extrema.

As minorias não têm lugar nesta situação de desemprego elevado e de redução do Estado social. O sentido de injustiça alastra um pouco por todo o lado, entre os ciganos da Europa Central, nos subúrbios das grandes cidades europeias, nos negros americanos sem voz política, em todos os grupos cujo acesso aos meios de comunicação é feito em doses cuidadosas e filtradas.

Dominadas pela correcção política, pelos partidos burgueses tradicionais e pela defesa da ordem liberal que provocou a crise financeira, as democracias não parecem ter uma resposta viável para os problemas colocados por minorias presas no fundo da pirâmide.

 

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As canções do século (1700)

por Pedro Correia, em 27.08.14

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 27.08.14

Ao Não sei se escrevo...

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Penso rápido (44)

por Pedro Correia, em 26.08.14

O progresso. Se há palavra malbaratada, desvirtuada, pervertida, vilipendiada é a palavra progresso - sempre pronta a ser usada e abusada por todos os vendedores de ilusões. Alguns dos maiores torcionários de que há memória usaram-na em discursos e até em livros. Em nome do progresso, matou-se e torturou-se. Sob a bandeira do progresso, o homem é constantemente empurrado com excessiva frequência de regresso às cavernas. Invoca-se o progresso como se fosse um dogma, pratica-se o retrocesso como se fosse inevitável.

Nada há de tão perverso na política como esta novilíngua destinada a iludir as mais legítimas aspirações dos povos. Danton, um dos próceres da Revolução Francesa, chegou a enaltecer a guilhotina como conquista civilizacional e símbolo de um futuro radioso. «O verbo 'guilhotinar', notai, não se pode conjugar no passado. Não se diz: 'Fui guilhotinado'.»

Palavras proferidas na véspera da sua morte, a 5 de Abril de 1794: foi vítima da guilhotina, na sequência de uma conspiração liderada por Saint-Just, que costumava proclamar: «Ninguém pode governar inocentemente.» Provavelmente tinha razão: o próprio Saint-Just viria a ser executado a 28 de Julho, com apenas 26 anos, acusado de ser "inimigo do povo". De nada lhe valera o brilhantismo das suas intervenções enquanto mais jovem deputado eleito para a Convenção Nacional.

Foi a primeira revolução de grande envergadura a devorar os seus filhos - e esteve muito longe de ser a última. Porque nenhum discurso inflamado por cartilhas partidárias é capaz de alterar a natureza humana.

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Tal como Pedro Correia escreveu mais abaixo, o mundo contemporâneo parece autocentrado, repleto de frivolidade e niilismo. E, no entanto, nunca houve tanta abundância, nem tal sensação de infelicidade. Nas sociedades industrializadas, toda a gente vive na angústia de cair para a base da pirâmide social, onde existe a minoria do gueto e a discriminação silenciosa.

Os ciclos políticos são cada vez mais efémeros, os casamentos mais curtos, há também a ideia de que a vida passa depressa, comprimida de forma frenética em dias que deixam poucas recordações.

Depois, há tantos objectos nas lojas, que nenhum deles se torna especial. As interrupções sistemáticas de aparelhos de comunicação não deixam tempo para pensar. De certa forma, estes aparelhos dificultam a comunicação humana: vivemos em rede, como as abelhas; e, paradoxalmente, o espaço em que nos movemos é cada vez menos público. Nas cidades, cada pessoa habita a sua solidão, o seu carro, a sua música, a sua minúscula casa. Não há tempo e não se conversa (aliás, ninguém o deseja).

Temos uma ideia mítica sobre o passado, que parece ter sido mais glorioso do que foi na verdade, e já não existe o povo de antigamente, pois também temos uma ideia falsa sobre o que somos. Agora, a vida é superficial e veloz, pessimista e obcecada com a beleza do corpo (que devia ser mera questão estatística).

O mundo tornou-se ruidoso, impaciente, e acima de tudo insatisfatório: obsceno nos seus desperdícios, decadente na sua arte, capaz de oferecer a abundância mais sufocante e o inverso, o sufoco da escassez para todos os que tombarem da horrível mediania.

 

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Profetas da nossa terra (52)

por Pedro Correia, em 26.08.14

«Obama leva vantagem e é favorito. Mas pode perder – e cada vez há mais sinais de que isso pode acontecer.»

Santana Lopes, 15 de Agosto de 2008

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.08.14

 

Eu Vivi a Queda do Império, de Fernando Amaro Monteiro

Memória

(edição Letras Itinerantes, 2014)

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Taxar Pandora (2)

por João André, em 26.08.14

A Jonasnuts deixou um comentário que, muito resumidamente, demonstra a falácia da minha proposta de acção (parágrafo final). Como ela anda empenhada neste assunto há já muito tempo (eu ando apenas indignado há já muito tempo), aconselho a que se leiam os seus posts sobre a lei da cópia privada e semelhantes (e são muitos). Vão ler que é um verdadeiro serviço público (em conjunto com outros bloggers).

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E Portugal não diz nada?

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.08.14

A RAE de Macau atravessa um período de instabilidade política e social, a qual tem tido eco quer na imprensa local e regional, quer na internacional. Em Portugal também não têm faltado algumas notícias, ainda que esporádicas, ao que por aqui se passa. 

Depois das manifestações de Maio e Junho, que trouxeram para as ruas largos milhares de pessoas, até então silenciosas e submissas, por causa da preparação de um diploma que visava atribuir aos actuais governantes, à beira de cessarem funções, e aos que já há muito terminaram, um conjunto de escandalosas benesses de natureza pecuniária e jurídica visando o seu injustificado enriquecimento e protecção, e do despedimento de académicos, pelo menos num dos casos com expressa invocação de razões políticas, a Região volta a ser confrontada com momentos de tensão.

Decorrendo neste momento a "campanha eleitoral" do candidato único à chefia do Executivo da RAEM, traduzida em contactos informais com associações profissionais, culturais, sociais, empresariais, comerciais e industriais, incluindo algumas de matriz portuguesa e genuinamente macaense, onde normalmente sem perguntas o candidato discursa, distribui cumprimentos e faz brindes, pede desculpa pelo que correu mal, promete um mundo maravilhoso e faz pungentes declarações de amor à Pátria e a Macau, o que certamente ninguém esperaria era que, a uma semana do acto eleitoral que entronizará Fernando Chui Sai On para um segundo mandato, as ruas fossem de novo invadidas por manifestantes - trabalhadores dos casinos agrupados na denominada Forefront of Macau Gaming - que reclamam melhores salários e condições de vida dignas, e que Macau voltasse às páginas dos jornais pela repressão ao exercício de direitos de manifestação e de liberdade de expressão política, a ponto de suscitar a apreensão da Amnistia Internacional.

O problema reside agora no facto de três organizações da sociedade civil (Macau Consciência, Juventude Dinâmica e Sociedade Aberta de Macau), politicamente bastante activas e organizadas, terem desencadeado um processo de auscultação da opinião pública para saber se as pessoas têm confiança no Chefe do Executivo e se querem que a próxima escolha seja por sufrágio universal. Deram-lhe, erradamente, o nome de "referendo civil", com o que quiseram imitar um processo idêntico verificado em Hong Kong, no qual participaram quase oitocentas mil pessoas.

Depois de terem visto negada a autorização para o uso de espaços públicos e do Tribunal de Última Instância, prudentemente, se ter colocado à margem da controvérsia, dessa forma evitando comprometer-se e dando uma no cravo e outra na ferradura, iniciaram o processo de recolha de opiniões em diversos locais da via pública, usando "Ipad's", e através de um site na Internet. Os organizadores contam recolher opiniões até às 12h de 31 de Agosto, dia em que ocorrerá a escolha do novo Chefe do Executivo, mas tiveram o cuidado de, desde logo, avisar que o resultado da sua consulta só seria divulgado depois de conhecidos os resultados oficiais.  

A posição das autoridades da RAEM, aliás fazendo eco da opinião que desde a primeira hora foi veiculada pelo porta-voz do Governo, foi no sentido de considerar ilegal o "referendo", dizendo que o mesmo não estava previsto na lei. A partir daí, e a despeito da pouca sensatez política e jurídica dos argumentos, que quanto à sua substância jurídica foram inteligentemente desmontados, entre outros, por António Katchi, nas páginas do Ponto Final, o Governo persistiu na sua posição e no Domingo, 24 de Agosto, primeiro dia do "referendo", procedeu à detenção dos organizadores invocando a recolha "ilegal" de dados pessoais e a prática de crimes de desobediência qualificada, argumentos a que também já foi dada resposta.

Se neste processo os organizadores da consulta não estiveram bem na estratégia utilizada - politicamente criticável pela sua ingenuidade, discurso utilizado e persistência num discurso que servia os interesses das autoridades locais -, cuja primeira atitude deveria ter sido a alteração do nome da consulta de referendo para sondagem logo que as críticas dos sectores pró-governamentais e do próprio Governo surgiram, certo é que o Governo da RAEM tem reagido mal e de forma desproporcionada ao que está acontecer. Ao dar ao assunto a importância que aquele não tem, o Governo da RAEM conferiu-lhe escusada projecção e dimensão internacional, transmitindo uma imagem de grande insegurança na sua actuação, de falta de estratégia política e de confiança na acção do sistema judicial, deixando escapar de forma expressa - porque implícita sempre esteve presente - a ideia de manipulação da Administração Pública e das forças policiais, bem como de incapacidade para lidar com a crítica e a liberdade de expressão.

É evidente que a recolha de dados pessoais para um fim específico e autorizada pelos próprios, cidadãos maiores, politicamente responsáveis e conscientes, como seja a identificação ou o número do respectivo documento de identificação, como é normal em qualquer país democrático para subscrição de petições públicas ou até para participação em sorteios ou recebimento de ofertas promocionais de empresas comerciais, não se confunde com a recolha não autorizada, escondida e à revelia dos visados dos seus dados pessoais para criação de bases de dados para utilização duvidosa, que aqueles desconhecem e ninguém controla. E a prova de que as pessoas não se sentiram lesadas nem desconfiaram do procedimento foi que logo a seguir à detenção dos organizadores aumentou o afluxo de participantes via Internet para participarem na sondagem. A desproporção de meios entre as autoridades e os organizadores da consulta é óbvia, tornando-se ridículo que a detenção de Jason Chao, conhecido activista que lidera o movimento, tenha ocorrido num momento em que este se dirigia para uma casa de banho e as autoridades de Macau tenham passado pelo vexame dele se recusar a falar, garantindo o seu direito ao silêncio, recusando-se a fornecer quaisquer dados inerentes à consulta aos elementos das forças policiais, incluindo, e bem, a rejeição de lhes facultar a identidade dos participantes com o argumento simples e eficaz de que só o faria com uma ordem judicial.  

Escusadamente, Macau volta a estar nas páginas da imprensa internacional. Pelas piores razões e justificando a atenção dos media, da opinião pública mundial e das organizações de protecção dos direitos humanos. Em causa, de novo, questões que se prendem com a participação política e o direito ao sufrágio universal. Mas tal como noutras questões que não foram suficientemente acauteladas pelos negociadores portugueses, também nesta matéria Portugal esteve mal ao não ter conseguido que na Declaração Conjunta Luso-Chinesa tivesse ficado, ao contrário do que aconteceu com a Basic Law de Hong Kong, através do artigo 45.º, o direito ao sufrágio universal, pelo menos como meta a atingir num futuro próximo: "The method for selecting the Chief Executive shall be specified in the light of the actual situation in the Hong Kong Special Administrative Region and in accordance with the principle of gradual and orderly progress. The ultimate aim is the selection of the Chief Executive by universal suffrage upon nomination by a broadly representative nominating committee in accordance with democratic procedures". Esta última é uma frase que faz toda a diferença entre um lado e o outro do estuário do rio das Pérolas, e que diz bem da diferente postura de portugueses e ingleses.

Enfim, nada que não fosse previsível vir a acontecer e que os portugueses ficaram a dever, entre muitas mais, ao povo de Macau. Mas quanto a isto, o melhor mesmo é os portugueses perguntarem ao Presidente da República, Cavaco Silva, por que razão tal não ficou consagrado. É que foi este senhor quem, em última instância, em 13 de Abril de 1987, foi a Pequim assinar em nome do Governo Português o documento que formalizou os termos para a transferência de Administração de Macau para a RPC, fixando a agenda para os 50 anos pós-1999.

Como se vê, volvidos apenas meia dúzia de anos, a História não perdoa erros de tão grande miopia política. Jason Chao tinha menos de seis meses quando a Declaração Conjunta foi assinada. Trocar princípios ou vistos de residência por patacas e euros nunca poderia dar bom resultado. A não ser para os bolsos dos que à custa disso se tornaram empresários, fizeram fundações, promoveram o BPP ou puderam mudar-se para a Quinta Patiño.

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Excerto (8)

por Patrícia Reis, em 26.08.14

"Todos nascemos filhos de mil pais e de mais mil mães, e a solidão é sobretudo a incapacidade de ver qualquer pessoa como nos pertencendo, para que nos pertença de verdade e se gere um cuidado mútuo.
Como se os nossos mil pais e mais as nossas mil mães coincidissem em parte, como se fôssemos por aí irmãos, irmãos uns dos outros. Somos o resultado de tanta gente, de tanta história, tão grandes sonhos que vão passando de pessoa a pessoa, que nunca estaremos sós."

O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe

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As canções do século (1699)

por Pedro Correia, em 26.08.14

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 26.08.14

Ao Tenho um quarto cheio de espelhos.

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Penso rápido (43)

por Pedro Correia, em 25.08.14

"Nunca devemos confundir movimento com acção", ensinava Hemingway. Tenho-me lembrado com frequência desta frase sábia que parecia antecipar o tempo actual, em que tudo se banaliza. É um tempo de anestesia colectiva, potenciado pelo efeito reprodutivo da internet, das redes sociais, dos canais de notícias, da televisão em fluxo contínuo. Já quase nada surpreende, já quase nada escandaliza ninguém. E o mais chocante nesta permanente girândola de imagens em movimento é o facto de as "consumirmos" (palavra muito em voga) numa total falta de enquadramento hierárquico de valores, proporcionada pela diluição do jornalismo clássico que funcionava como mediador neste circuito. Hoje tudo é importante. O que equivale a dizer que nada é importante. Somos bombardeados com imagens de "famosos" a levar com frívolos baldes de água fria intercaladas com o vídeo do jornalista americano prestes a ser decapitado por um carrasco encapuzado, exibido até à náusea por todos os meios disponíveis como veículo de propaganda da face mais repugnante do islamismo radical. E depois disto voltam os baldes de água fria. Ou o bebé assassinado pelo pai. Ou a crise do BES. Ou a contratação do enésimo "reforço" para um clube de futebol. Ou outro homicida ovacionado por "populares" à entrada de um tribunal neste país de alegados brandos costumes. Ou mais um avião que cai sabe-se lá onde, derrubado sabe-se lá por quem.
Nada choca, nada impressiona, nada fica, nada se retém numa sociedade narcísica onde se dilui a noção de privacidade à medida que tudo se "partilha" no instagram e no facebook, e que elege as selfies como supremo grito da moda: virar a câmara não para o mundo ou para os outros mas para o próprio fotógrafo que transforma o foco digital em espelho. A palavra eu sobrepondo-se à palavra tu e à palavra nós.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 25.08.14

«Tenho a firme certeza de que a desregulamentação iniciada com a suspensão do padrão ouro vs possibilidade de emitir moeda é a grande causadora da actual evolução dos mercados em que a deflação será a estocada final na economia mundial baseada em especulação e bens não tangíveis sendo o "trabalho" um dos bens tangíveis mais afectados.
A espiral de crise actual continuará a atirar milhões de pessoas que tinham alguma coisa para um imenso limbo onde não terão nada (apesar de terem - não terá é valor).
Também vi esse programa na SIC N e destacaria outros pormenores se o soubesse de cor, só para informar que o exemplo dado no programa em questão do killowat-hora de energia renovável era dado como mero exemplo e não apoiado com veemência.
Continua-se a fuga para a frente de que cito como exemplo a breve efectivação do acordo de parceria comercial que a UE está a negociar com os USA em que serão abolidas as últimas grandes barreiras alfandegárias que existem entre estes dois colossos económicos e em que uma vez mais as pequenas e médias empresas europeias serão as grandes prejudicadas assim como também os países com economia mais débil. Esta "parceria" na sua forma principal já é praticada na Irlanda e no Reino Unido sem que daí decorra especial vantagem para o tecido produtivo e apenas ganham os grandes impérios financeiros que baseiam a sua riqueza no planeamento fiscal e na especulação.»

 

Do nosso leitor William Wallace. A propósito deste texto do José António Abreu.

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Blogue da semana

por José António Abreu, em 25.08.14

António Granado é professor na Universidade Nova de Lisboa. Mantém um blogue sobre jornalismo e comunicação social há mais de uma dezena de anos. Agora está de férias (conveniente para quem ande com as leituras tão atrasadas como eu) mas promete voltar em Setembro. O blogue da semana é o Ponto Media.

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Profetas da nossa terra (51)

por Pedro Correia, em 25.08.14

«Nélson Oliveira vai ser o futuro da selecção. Disso não tenho dúvida.»

Jorge Jesus, 10 de Fevereiro de 2012

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.08.14

 

 

A Última Carta de Carlota Joaquina, de José Manuel Saraiva

Romance histórico

(edição Porto Editora, 2014)

"Por vontade expressa do autor, a presente obra não segue as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa"

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Verão de 2014

por Rui Herbon, em 25.08.14

A Europa está de férias: as auto-estradas de França registam engarrafamentos de quilómetros, as pessoas procuram o mar ou refugiam-se nas montanhas, muitos andam colados ao seu telemóvel procurando saber o que ocorre no mundo — vivem a realidade a golpe de títulos mediáticos. Quando começou a Grande Guerra, faz agora cem anos, o escritor austríaco Stephan Zweig encontrava-se de férias perto do porto belga de Ostende. Relatava que os turistas se deitavam na praia junto às suas barracas de cores vivas ou se banhavam no mar, as crianças faziam voar os seus papagaios, os jovens dançavam frente aos cafés ou no passeio junto ao muro do porto. Toda a gente se divertia amigavelmente. 

 

Escreve Margaret MacMillan no seu livro sobre as causas que levaram à guerra de 1914-18 que em Maio do ano anterior, no breve interlúdio entre as duas guerras balcânicas, os primos Jorge V de Inglaterra, Nicolau II da Rússia e Guilherme II da Alemanha se reuniam em Berlim para o casamento da única filha do kaiser. Nada fazia pressagiar que dentro de um ano estariam os três em guerra, uma guerra que ninguém queria e que toda a gente temia fatalmente. Tentou-se travar a Áustria para que não declarasse guerra à Sérvia após o atentado de Serajevo, pressionou-se a Rússia para que não entrasse no conflicto em aliança com a França e a Inglaterra. O que um punhado de homens quis evitar sucedeu de forma calamitosa para toda a Europa: mais de nove milhões de mortos. Ninguém o queria mas todos, inclusive a opinião pública, se entregaram àquela carnificina humana com entusiasmo. 

 

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Excerto (7)

por Patrícia Reis, em 25.08.14

Desgastava-o uma necessidade de estar sempre em dois lugares ao mesmo tempo: no seu corpo e fora dele, na cama e no varão
da cortina, na veia e no cilindro, com um olho atrás da pala e outro
olhando a pala, tentando sair deste estado de observação através
de um estado de inconsciência, mas sendo depois forçado a ob-
servar as franjas da inconsciência e tornar visíveis as trevas; can-
celando todo o esforço, mas estragando a apatia com inquietude;
atraído por trocadilhos mas repelido pelo vírus da ambiguidade;
inclinado a dividir frases ao meio, articulando-as com a reserva de
um «mas», mas desejando desenrolar a sua língua recolhida como
a de um geco e apanhar a mosca avistada à distância com uma ca-
pacidade resoluta; desesperado por escapar à autossubversão da
ironia e dizer o que verdadeiramente queria dizer, sendo que o que
verdadeiramente queria dizer só a ironia o poderia transmitir

 

Edward St Aubyn in "Alguma esperança & Leite materno", tradução de Daniel Jonas, Sextante

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As canções do século (1698)

por Pedro Correia, em 25.08.14

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Taxar Pandora

por João André, em 24.08.14

Em tempos, os EUA criaram a internet. Pouco depois, Barners-Lee criou a World Wide Web. A meio da década de 90 do século XX, surgiu o Napster. Isto é semelhante a falar em criação do mundo, criação do Homem e abertura da caixa de Pandora. Não vejo de maneira nenhuma a troca de ficheiros na internet como "os males do mundo", mas a verdade é que como a caixa de Pandora, aquilo que saiu daquele momento já não pode ser desfeito. A partilha de ficheiros chegou para ficar e ainda bem que assim é.

 

Obviamente que, como em todas as revoluções tecnológicas, há sempre aqueles que tentam remar contra a maré por não se quererem adaptar. É um pouco como quem tem posições dominantes numa determinada indústria no seu país e tenta pedir barreiras tarifárias à importação do mesmo produto, mais barato e frequentemente melhor. É isto que se passa quando o país aprovar a nova lei da cópia privada.

 

A questão da pirataria é falsa. Não passa de um espantalho levantado por quem não quer procurar novas formas de fazer dinheiro e quer manter os seus "direitos adquiridos". A televisão é o melhor exemplo da possibilidade de fazer dinheiro na era da partilha de ficheiros. A pirataria e a troca de ficheiros não veio acabar com as indústrias musical e cinematográfica, mas certamente que as veio mudar.

 

Como tem sido óbvio desde há vários anos, os lobbies em Portugal não ligam a nada disso. São constituídos por pessoas sem qualquer criatividade, preguiçosas e sem qualquer noção do mundo real. É o mundo da gente que crê que pedir uns 20 a 25 euros por um CD de terceira categoria constitui o modelo de negócio ideal. É o mundo dos Tózé Martinho ou outros que tais que certamente julga que um CD se cria entre os buracos 7 e 8 algures na Quarteira.

 

Uma taxa sobre os dispositivos é uma solução preguiçosa, perigosa e estúpida. Preguiçosa pelas razões acima: numa altura que várias bandas portuguesas começam a revolucionar o panorama musical português, agarra-se aos modelos velhos, gastos e ultrapassados. Perigosa porque abre espaço à legalização da troca de ficheiros, sendo que qualquer pessoa se pode defender dizendo que já está a pagar a sua contribuição. É estúpida também porque qualquer pessoa pode simplesmente comprar os seus dispositivos noutros países (pela internet, por exemplo) sem que a taxa esteja incluída.

 

É, por fim, injusta. Injusta para quem tem aparelhos capazes de armazenamento e que nunca na vida irão trocar ficheiros, injusta para quem não quebra os direitos de autor e, por fim, injusta para os autores que nada ganham de especial com isto, com o dinheiro habitualmente a acabar nos bolsos dos intermediários.

 

Lendo esta notícia, o meu primeiro instinto é simples: dirigir-me ao mais próximo site de torrents e começar a sacar tudo o que consiga de autores ligados de alguma forma à SPA e ao Sr. Martinho. Começando pelas telenovelas dele. E a seguir partilhar. É que Pandora também não fechou a caixinha.

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Passado presente (CCCXCVIII)

por Pedro Correia, em 24.08.14

 

Restaurante giratório de Monsanto (Lisboa)

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Em Março de 1951, o presidente da Argentina, general Juan Perón, anunciou ao mundo que o seu país conseguira o extraordinário feito tecnológico de obter “libertação controlada de energia atómica”, o que significava o domínio da mesma energia produzida no interior do Sol. Perón era um dos líderes mais admirados no mundo, um populista que fazia uma equipa imbatível com a sua mulher, Eva, mais conhecida por Evita Perón, actriz que, seis anos antes, salvara a carreira política do marido convocando um protesto popular que lhe abriu caminho à presidência. O casal tinha carisma invulgar e tentava criar uma potência sul-americana, rival dos dois grandes, misturando políticas sociais, independência económica, nacionalizações, corporações, acções de massas e uma boa dose de autocracia.

Quando o general anunciou que o seu país domara a energia das estrelas, a notícia era credível, pois se havia alguém capaz desse milagre era mesmo Perón. A Argentina teria acesso a energia barata e abundante, seria uma potência industrial, mas infelizmente o anúncio foi prematuro e a notícia era falsa: em vez de conseguir a fusão termonuclear, Perón embarcara num dos episódios mais bizarros e dispendiosos da história da ciência.

 

 

   

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.08.14

 

 

Encontro em Itália, de Liliana Lavado

Romance

(edição Marcador, 2014)

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Gente séria

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.08.14

"Francisco Moita Flores, eleito pelas listas do PSD, apenas participou na primeira reunião de câmara depois da tomada de posse do novo executivo municipal. Foi a 22 de outubro. A 13 de novembro, pediu a primeira de quatro suspensões, por um período de sessenta dias, tendo feito o mesmo a 15 de janeiro e a 18 de junho. A estes, soma-se um pedido de suspensão de noventa dias apresentado a 26 de março. Exceptuando a suspensão de janeiro, todas as outras foram justificadas por “razões da [sua] atividade literária”. Moita Flores lançou em junho o romance “Segredos de Amor e Sangue” e tem-se dedicado, nas últimas semanas, a viajar pelo país a promovê-lo." - Observador

 

 

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As canções do século (1697)

por Pedro Correia, em 24.08.14

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Vida

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.08.14

Aquilo em que se acredita e nos faz continuar a acreditar. Sem vergonha, sem remorso. Olhando para o horizonte de olhos abertos. Sem tremer.

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Passado presente (CCCXCVII)

por Fernando Sousa, em 23.08.14

Tintim, número 21, 19.10.1968

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A ética na pós-modernidade

por Rui Rocha, em 23.08.14

Pamela Anderson recusa banho gelado porque na investigação para a cura da ELA são realizados estudos experimentais com animais.

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