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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.08.16

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Golpes, de Jean Meckert

Tradução de Luís Leitão

Romance

(Edição Antígona, 2015)

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RH Music Box (212)

por Rui Herbon, em 30.08.16

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Autor: Nélson Cavaquinho

 

Álbum:  Nélson Cavaquinho (1973)

 

Em escuta: Juízo Final

 

 

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As melhores praias portuguesas (75)

por Pedro Correia, em 29.08.16

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Santa Cruz (Torres Vedras)

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Injúria póstuma a Graça Moura

por Pedro Correia, em 29.08.16

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 Foto Nuno Ferreira Santos / Público

 

Mais do que uma desconsideração intelectual, constitui uma injúria que um organismo público como a Imprensa Nacional Casa da Moeda utilize o nome de Vasco Graça Moura para atribuir um  prémio literário destinado a distinguir uma obra forçosamente escrita em acordês.

 

O grande poeta, ensaísta, ficcionista e tradutor já cá não está para zurzir os responsáveis daquela instituição com a verve que todos lhe conhecíamos e a paixão que sempre colocou nesta batalha de ideias. Mas até por isso é dever de todos os seus amigos e admiradores insurgirem-se contra o abuso que constitui a associação de Graça Moura a um prémio que exige a utilização das normas ortográficas que ele sempre combateu.

Não há outra leitura possível do artigo 10.º do regulamento do concurso, escrito na ortografia que o autor de Naufrágio de Sepúlveda abominava: “O autor premiado aceita que a INCM execute uma revisão literária dos originais, na qual sejam eliminadas todas as incorreções [sic] ortográficas ou gramaticais, e resolvidas as inconsistências com as normas de estilo adotadas [sic] para a publicação do Prémio INCM/Vasco Graça Moura.”

Como alertou Octávio dos Santos, num artigo no Público que chamou pela primeira vez a atenção para o caso, a administração da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, por ele contactada, confirmou por correio electrónico: "O texto vencedor será publicado de acordo com a ortografia do Acordo Ortográfico de 1990."

De resto, a tocante preocupação da INCM pelas "incorreções" [sic] devia começar pela própria redacção deste regulamento: onde se lê "usa" em vez de "sua" no artigo 9.º, n.º1 (curioso lapso, daqueles que em linguagem freudiana costumam merecer o rótulo de acto falhado).

 

Além do inaceitável paternalismo que revela, só lhe faltando vir acompanhado da antiga "menina dos cinco olhos", o artigo 10.º impõe carácter obrigatório à escrita acordística, fazendo tábua rasa dos mais elementares princípios de liberdade intelectual.

Como Octávio dos Santos justamente questionou: "Será possível que na INCM não exista quem conheça e tenha lido o Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos nacional, que também reflecte e replica legislação e jurisprudência internacionais, e que dá inequivocamente a todos os artistas a prerrogativa de utilizarem e de verem respeitada a linguagem que eles quiserem?” 

Fernando Pessoa, Almada Negreiros e Teixeira de Pascoaes, entre outros escritores que foram firmes adversários da reforma ortográfica de 1911, ficariam liminarmente excluídos deste concurso se por acaso cá estivessem e quisessem concorrer.

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Duplo mortal à retaguarda

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.08.16

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Em 2013, num processo que levantou muitas incompreensões entre os seus militantes, Passos Coelho impôs a candidatura de Pedro Pinto à Câmara de Sintra, abrindo caminho à vitória de Basílio Horta.

Na sequência desse processo, em que foi recusado o nome (consensual para as estruturas locais) de Marco Almeida, e apesar deste ter na altura o apoio de oito presidentes de juntas de freguesia do PSD, vários militantes foram expulsos por se terem rebelado contra a decisão da direcção do partido e terem apoiado ou resolvido candidatar-se em listas, e não só em Sintra, contra o seu próprio partido. Outros houve que, entretanto, descontentes com a situação saíram pelo seu próprio pé evitando a expulsão automática prevista nos estatutos.

Volvidos estes anos, que não foram tantos como isso, depois do PSD e Pedro Pinto terem sido cilindrados em Sintra, perdendo Marco Almeida a Câmara para o PS por menos de dois mil votos, eis que surgem notícias dando conta de um mais do que provável apoio desse mesmo PSD, ainda e sempre dirigido por Passos Coelho, a uma recandidatura do referido Marco Almeida nas autárquicas de 2017.

Em 7 de Junho p.p., num texto de Cristina Figueiredo, o Expresso anunciava que o PSD estaria a considerar o "endosso" à candidatura de Marco Almeida (Sintra) e, eventualmente, à de Paulo Vistas, em Oeiras. E citava declarações do coordenador autárquico, Carlos Carreiras, em que este dizia que o partido não iria limitar as suas opções desde que fossem coerentes com "o projecto".

Depois, em Julho, o Público avançava com a notícia do apoio do PSD, do CDS, do MPT e do movimento "Nós Cidadãos em Sintra" à candidatura de Marco Almeida.

Já este mês, no dia 3, o jornal OJE esclarecia que em Sintra, "apesar de nenhuma voz oficial o confirmar, o processo estará também encerrado do lado dos social-democratas", adiantando-se que "várias fontes confirmaram mesmo ao OJE que o acordo entre Marco Almeida e a cúpula do PSD já está fechado, faltando apenas acertar detalhes e nomes integrantes da lista a apresentar."

Na sexta-feira passada (26/08/2016, p. 6) foi a vez do Público informar que Marco Almeida, depois de já se ter reunido com outras forças políticas, entre as quais o PSD, recebeu por unanimidade o apoio da JSD para se candidatar à presidência da Câmara de Sintra.

É, pois, neste momento quase seguro, embora não se saiba muito bem qual "o projecto" autárquico do PSD, que Passos Coelho e a sua direcção se preparam para engolir não um mas várias famílias de sapos, das mais variadas espécies e proveniências, nas autárquicas de 2017, para evitarem uma humilhação política. Humilhação que após a gritaria, aliás inconsequente, para impedir o governo da dita "geringonça" passa agora por fazer um duplo mortal à retaguarda, ainda que para isso seja necessário participar na criação de novas "geringonças" que pragmaticamente garantam o acesso ao poder e o ganha-pão das suas clientelas.

Sabíamos, pelo passado recente, que a coerência não era um forte deste PSD de Passos Coelho. Quanto a esse ponto não há nada de novo. Contudo, seria interessante desde já saber até onde irão o perdão e o acto de contrição e se, por hipótese, Marco Almeida resolver incluir na sua lista alguns dos que foram antes expulsos, convidando de novo, por exemplo, António Capucho, o histórico ex-militante e fundador do PSD, para encabeçar a lista para a Assembleia Municipal de Sintra, se ainda assim o PSD o apoiará. Ou, quem sabe, se o nome desse e de outros ex-militantes, como é agora o de Marco Almeida, que saiu do partido e encabeçou uma lista contra Pedro Pinto, é também negociável em nome do tal "projecto".

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.08.16

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 Direito a Ofender - A Liberdade de Expressão e o Politicamente Correcto, de Mick Hume

Tradução de Rita Almeida Simões

Ensaio

(Edição Tinta da China, 2016)

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RH Music Box (211)

por Rui Herbon, em 29.08.16

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Autor: Marvin "Hannibal" Peterson

 

Álbum:  Children Of The Fire (1973)

 

Em escuta: The Bombing

 

 

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Fotografias tiradas por aí (307)

por José António Abreu, em 28.08.16

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Porto, 2005.

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As melhores praias portuguesas (74)

por Pedro Correia, em 28.08.16

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Pedrógão (Leiria)

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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 28.08.16

«Compreendo a sua preocupação e é razoável o seu receio de que "para o ano cá estaremos, impotentes e aflitos, a assistir a mais uma reprise do (maior) espectáculo de sempre". Assim tem sido apesar das repetidas promessas dos nossos governantes.

Mas não me parece mal a ideia de tentar melhorar a prevenção de incêndios atribuindo às Câmaras Municipais [CM] a responsabilidade para intervirem na gestão das áreas florestais, através de equipas de sapadores, limpando caminhos e cuidando da manutenção de reservas estratégicas de água para combate a incêndios e, quando necessário, procederem à limpeza de parcelas abandonadas, ressarcindo-se dessas despesas juntos dos proprietários ou pela apropriação pela via administrativa desses terrenos abandonados – há legislação que prevê algumas medidas.

Falo assim por saber que muitas CM, pela sua reduzida dimensão, não têm condições para assumirem, de imediato, responsabilidades deste género. Todavia, as que já estão habilitadas com o mínimo necessário deveriam avançar imediatamente. O pior que nos pode acontecer é, como disse, chegarmos ao próximo ano com tudo na mesma.

Concordo que o governo central pode tomar a iniciativa, começando pelo cadastro e pela transferência para os municípios dos meios financeiros indispensáveis para se operar a mudança de estratégia prometida, ou seja, o desvio de recursos hoje gastos no combate (muitos) para a prevenção.

Uma nota final: para bem se combaterem os fogos florestais não é necessário proceder à limpeza de toda a área ocupada com floresta e com matos - isso até iria contra a necessária biodiversidade. Há zonas inóspitas que só produzem matos que até devem ser periodicamente queimadas, embora de forma controlada, como faziam os pastores no antigamente. Na floresta propriamente dita, o necessário é ordená-la, escolhendo as espécies adequadas e proceder, no terreno, nos moldes adoptados pelas fábricas de celulose (nas zonas que administram) e que muito raramente ardem ou, quando ardem, os fogos nunca atingem grandes dimensões.»

 

Do nosso leitor Tiro ao Alvo. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

 

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«Se acabarem com o ordenado mínimo o valor do trabalho desce a pique quase de imediato. Se mesmo com a legislação existente as entidades patronais tentam empregar sem contratos e recorrem sistematicamente a estágios o que acha que iria acontecer se não houvesse um limite mínimo a pagar?
Se mesmo com legislação protectora do trabalhador o empregador abusa do poder, faz pressão psicológica, exige o que bem lhe apetece, o que acha que iria acontecer se pudessem despedir quando bem entendessem?
Primeiro tem de se mudar a mentalidade, caso contrário iríamos regredir anos e anos em condições laborais.
Deveriam sim existir diferenças entre sectores, isso concordo, tabelas de ordenados distintas e as empresas deveriam ser obrigadas a ter uma política de recursos humanos que estudasse e fomentasse a progressão das carreiras dos colaboradores.
Mas quando temos pessoas incompetentes, míopes e centradas apenas no lucro imediato e fácil é muito difícil que tal coisa venha a acontecer.»

 

Da nossa leitora Psicogata. A propósito deste texto do João André.

 

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«Não quero criticar os brasileiros (ou os espanhóis), mas antes a nossa postura, muita das vezes subserviente em relação aos mesmos: são os nuestros hermanos e o país irmão quando, na realidade, a maioria das vezes estão-se borrifando para nós ou, pior, somos tratados como algo de inferior - no caso do Brasil, basta ver a "cotação" do português ou do italiano.
Seria importante perceber que essas "demonstrações de afecto" são muitas vezes unilaterais ou usadas como sinal de subserviência política. Mesmo em relações de outro calibre, a posição do Reino Unido face aos Estados Unidos da América é em tudo similar e a special relationship só vale quando interessa aos segundos, em prejuízo dos primeiros - um bom exemplo será o tratado de extradição assinado entre os dois países que dá poderes quase plenipotenciários à justiça norte-americana no Reino Unido sem contra-partida em casos análogos inversos.
Isto para dizer que já é tempo de nos deixarmos de apoquentar com essas coisas e partirmos para outra. As relações bilaterais valem o que valem. Devem certamente ser exploradas, até porque é das poucas coisas que o nosso passador de império mercantil deixou, mas em situações em que somos, de facto, acarinhados. Por cada espanhol que não sabe quem é Marcelo teremos portugueses em Malaca ou no Ceilão que sabem e que, mais importante que isso, se importam e são ignorados.»

 

Do nosso leitor Carlos Duarte. A propósito deste meu texto.

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Blogue da semana

por José António Abreu, em 28.08.16

Os excelentes textos sobre literatura (muitos dos quais publicados na Ler, no Sol ou no i) conseguem fazer-me deglutir o português pós-Acordo Ortográfico sem me ficar na boca mais do que um travozinho vagamente reminiscente de óleo de fígado de bacalhau (pergunto-me se alguém com menos de 40 anos conhecerá o sabor...). Ainda por cima, de acordo com os meus inatacáveis padrões abstracto-meta-pós-pop-neoclássico-figurativo-realistas, trata-se de um espaço bonito. Coração Duplo, de Filipa Melo, é o blogue da semana.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.08.16

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 Jerusalém - A Biografia, de Simon Sebag Montefiore

Tradução de Maria José Figueiredo

História

(Edição Alêtheia, 2015)

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RH Music Box (210)

por Rui Herbon, em 28.08.16

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Autor: Rosetta Hightower

 

Álbum:  Every Little Bit Soul (1971)

 

Em escuta: I Heard It Through The Grapevine

 

 

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Diário semifictício de insignificâncias (8)

por José António Abreu, em 27.08.16

Passo três quartos de hora a aspirar o chão. É inevitável: fico a transpirar como o Nadal após cinco sets em Albert Park. Não percebo. Cozinho sem transpirar (fico só a cheirar mal); passo a ferro sem transpirar (mas irrito-me à brava com as peças finas, que não consigo manter estendidas sobre a tábua); faço a cama sem transpirar (apenas me ficam a doer as costas, quando é preciso mudar os lençóis). Porém, aspiro dez minutos e começo a pingar água - mesmo no Inverno. Deve ser da posição. Ou dos movimentos repetidos, para a frente e para trás, para a frente e para trás. Sim, agora que penso no assunto, também noutras situações este tipo de movimentos deixa-me muitas vezes a transpirar. (Enfim, será mais exacto escrever «quase 100% das vezes»; muitas é exagero - ou talvez aspiração.)

E a coisa não fica pelo desconforto nem pelo facto de ter de ir tomar banho de cada vez que aspiro migalhas de pão na cozinha (ainda hei-de estimar os custos em água, sabonete e champô). Também atrapalha o processo. As gotas de suor caem no chão junto ao bocal do aspirador e são espalhadas e aspiradas por este. Não sei porquê mas acho isto um bocadinho nojento, pelo que tento evitá-lo. Ando com um pano e baixo-me para as limpar - o que só gera mais suor. Mas não as posso deixar no chão, especialmente nas partes em madeira. Considerando os efeitos que tem na minha pele, o meu suor é certamente corrosivo. Já bastam as marcas causadas pelas areias trazidas na sola dos sapatos. E pela minha crescente tendência para deixar cair objectos. Um dia destes escrevo sobre isso. Ou não. É coisa para me fazer sentir senil.

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As melhores praias portuguesas (73)

por Pedro Correia, em 27.08.16

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Galé (Grândola)

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Estranhas Formas de vida

por Luís Naves, em 27.08.16

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Uma frase:

“No que se refere ao Orçamento de Estado para 2017, estamos disponíveis para examinar e propor as soluções que sejam necessárias para repor os direitos perdidos pelo povo português. Tudo aquilo que for negativo e nos empurrar para trás votaremos contra”.

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, explicando que será uma “ilusão” o governo acreditar que é possível ter crescimento económico e respeitar as “imposições e ameaças” da UE.

Diário de Notícias 21 de Agosto de 2016

 

Um post:

Há demasiadas interrogações sobre o caso da reestruturação da Caixa Geral de Depósitos, como se pode ler neste post de Maria Teixeira Alves, em Corta-Fitas. 

 

A semana

Domingo, 21 de Agosto de 2016

Martin Jacques interroga-se neste artigo sobre as consequências da grande crise de 2008, a maior perturbação do capitalismo desde os anos 30 do século passado. O autor britânico escreve sobre o aparente paradoxo do falhanço das ideias neo-liberais não ter ainda produzido uma vaga de ideias contrárias entre as elites intelectuais, que desvalorizam como ‘populismo‘ a vaga de contestação já tão evidente nas democracias avançadas.

A revolução neo-liberal dos anos 70 e 80 do século passado aumentou as desigualdades, permitiu uma onda migratória sem precedentes, reduziu a regulação dos mercados e a dimensão dos aparelhos governamentais. O capital foi beneficiado em relação ao trabalho e o rendimento dos mais pobres estagnou ao longo dos últimos 30 anos. Os ricos ficaram extraordinariamente ricos e, além disso, as taxas de crescimento económico não foram nada de especial. Este período prejudicou os trabalhadores menos qualificados, que foram vítimas da deslocalização dos seus empregos para zonas mais baratas ou que enfrentaram a concorrência dos imigrantes, também pouco qualificados, que aceitavam salários baixos, criando uma pressão que empobreceu o proletariado.

Esta interpretação ajuda a compreender fenómenos populistas como o Brexit ou Donald Trump: o candidato republicano é campeão da classe trabalhadora e contesta acordos comerciais que, até há muito pouco tempo, eram peças fundamentais das crenças políticas da direita. O artigo explica que os movimentos ditos ‘populistas’ estão a atacar o neo-liberalismo, mas também a esquerda europeia, que deixou de defender os trabalhadores: veja-se, por exemplo, a política de imigração, que os partidos de esquerda geralmente apoiaram, embora esta seja prejudicial para os seus eleitores tradicionais. A ideologia da esquerda permanece nos anos 70 e a linguagem é cada vez mais politicamente correcta, ou seja, repleta de eufemismo, evitando as questões essenciais. A mensagem simples, anti-globalização, de movimentos populistas é acompanhada da exigência de controlo sobre as grandes empresas e banca, de limites à imigração.

 

Segunda-feira, 22 de Agosto de 2016

Alemanha, França e Itália querem liderar a reconstrução do projecto europeu no período pós-Brexit e os líderes destes três países estiveram reunidos na ilha italiana de Ventotene, para preparar a cimeira de Bratislava do próximo mês, onde serão discutidos os problemas mais urgentes da UE: consequências do Brexit, conflito na Síria, crise migratória e relações com Turquia e Rússia. A cimeira entre Hollande, Merkel e Renzi não trouxe ideias novas ou decisões históricas, mas houve uma importante carga simbólica no encontro, pois foi nesta pequena ilha que Alfiero Spinelli escreveu em 1941, com Ernesto Rossi, o famoso Manifesto de Ventotene, documento político que defendia a necessidade de se criar uma Europa federal. Neste texto fundador das comunidades europeias, pretendia-se uma utopia socialista que pudesse responder ao nacionalismo que tinha dominado a década anterior.

A Europa enfrenta os mesmos dilemas do tempo de Spinelli: federalismo ou nacionalismo, capital ou trabalho, como acomodar os interesses dos pequenos países, que dose de social-democracia no consenso político. As lideranças parecem não ter ideias práticas: Jean-Claude Juncker afirmava recentemente em Viena que “as fronteiras [nacionais] são a pior invenção jamais feita pelos políticos”, frase incompreensível para a maioria dos europeus. O federalismo, nos termos em que Juncker o imagina, é uma ideia etérea sem sustentação na vontade do eleitorado. Os líderes das três maiores potências europeias da UE pós-Brexit enfrentam rebeliões populistas e pelo menos dois deles. Hollande e Renzi, correm sério risco de não estarem no poder dentro de poucos meses. Além disso, este trio está dividido em relação ao Tratado Orçamental: dois dos países querem flexibilização das regras, o outro resiste. Mesmo assim, estamos longe da ruptura da aliança europeia.

 

 

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Leituras

por Pedro Correia, em 27.08.16

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«A pessoa superior não odeia ninguém. O ódio é, em si mesmo, uma emoção corrosiva e a pessoa superior não desce a tal baixeza

Pearl S. BuckAs Kennedys (1970), p. 250

Ed. Minerva, Lisboa, 1971. Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues

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Marca leonina

por Pedro Correia, em 27.08.16

Nove jogadores formados pela Academia leonina na primeira convocatória para o apuramento do Mundial 2018.

Nada que surpreenda seja quem for.

O Sporting sempre a contribuir para o prestígio do futebol português.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.08.16

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 Meio Intelectual, Meio de Esquerda, de Antonio Prata

Crónicas

(Edição Tinta da China, 2016)

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RH Music Box (209)

por Rui Herbon, em 27.08.16

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Autor: Ronu Majumdar + Ry Cooder + Jon Hassell + Abhijit Banerjee

 

Álbum:  Hollow Bamboo (2000)

 

Em escuta: Vaisnava Bhajan

 

 

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 26.08.16

«As coisas correram pessimamente ao Governo durante o mês de Agosto. Pelo caso da GALP e pela forma muito amadora como pareceu ser tratada a escolha da administração da Caixa Geral de Depósitos e depois a sugestão de uma proposta de lei para favorecer pessoas especificamente - isso é uma coisa que não se faz. (...) A economia está estagnada. (...) Era preciso haver melhores notícias para os salários, para as pessoas, para o investimento, para o emprego.»

Francisco Louçã, na SIC Notícias

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As melhores praias portuguesas (72)

por Pedro Correia, em 26.08.16

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Salema (Vila do Bispo)

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Mas que descaramento!

por Teresa Ribeiro, em 26.08.16

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Leio a notícia e pasmo: "Medida-chave contra incêndios será facultativa". Reajo a quente: Mas como é que "medidas-chave" podem ser facultativas? Estão a brincar connosco?  Avanço no texto para perceber de que medidas se fala e então fico esclarecida. Trata-se do destino a dar às terras abandonadas, cujo mato nunca é limpo, e que nesta época são sempre referidas como potenciais focos de incêndios florestais. 

O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, ainda com parte do país a arder, ousou vir a público dizer que "os municípios que vierem a assumir voluntariamente a passagem da posse da floresta sem dono têm de fazê-lo de forma voluntária e reunir capacidade para gerir esses perímetros florestais".

É claro que na mesma notícia, que li na última edição do Expresso, logo apareceram declarações de três autarcas das áreas mais fustigadas pelos fogos deste ano - Arcos de Valdevez, São Pedro do Sul e Arouca - a informar que se demarcavam dessa possibilidade, alegando não ter capacidade para assumir a responsabilidade. E seria de esperar outra coisa? 

Não me ocorre uma forma mais grosseira de contornar as dificuldades do que este "passa- responsabilidades" do poder central para o autárquico, do autárquico para o central e ainda com esta pérola que é a base de toda esta grande ideia ser facultativa. 

Pela amostra já deu para perceber que para o ano cá estaremos, impotentes e aflitos, a assistir a mais uma reprise do espectáculo de sempre: a irresponsabilidade, a incompetência e o laxismo de quem tem a obrigação de pelo menos tentar, com seriedade, combater este drama sazonal. Enquanto o país arde.

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Entre a lágrima e o sorriso

por Pedro Correia, em 26.08.16

De longe em longe somos surpreendidos pela notícia do desaparecimento de alguém que imaginámos imortal. Aconteceu-me em Abril de 2015 com Manoel de Oliveira, que partiu aos 106 anos: parecia-me inacreditável que um homem iniciado na aventura do cinema ainda na era do mudo, parceiro de tantas cenas com Vasco Santana na mítica longa-metragem A Canção de Lisboa, se mantivesse entre nós. Aconteceu-me há dias com o professor Moniz Pereira, personalidade que tanto admirei, campeão em várias modalidades e treinador de campeões - desde logo o incomparável Carlos Lopes, primeira medalha de ouro olímpica portuguesa: permaneceu connosco até aos 95 anos, despedindo-se no termo de uma vida cheia e a vários títulos exemplar.

Também na música acredito que vários dos meus ídolos são imortais. Gente maiúscula, que na maior parte dos casos já seduzia multidões muito antes de eu nascer e continua por aí: Vera Lynn (99 anos), Charles Aznavour (92 anos), Tony Bennett (90 anos), Juliette Gréco (89 anos), Harry Belafonte (89 anos), Chuck Berry (89 anos), Sonny Rollins (85 anos), João Gilberto (85 anos), Omara Portuondo (85 anos), Little Richard (83 anos), Jerry Lee Lewis (80 anos), Kris Kristofferson (80 anos) e Hermeto Pascoal (80 anos).

 

Toots Thielemans (1922-2016) 

 

Quando um nome grande da música se apaga sinto-me como quando era pré-adolescente, ao descobrir que afinal não existia Pai Natal.

Voltou a acontecer esta semana, ao saber da notícia do falecimento de Toots Thielemans: sempre o escutei, fascinado, desde que me lembro. Este belga míope e sem aura de vedeta era o homem dos desafios impossíveis em matéria musical: foi ele quem trouxe a harmónica para o jazz, casando o instrumento de que era exímio praticante com um género mais associado ao piano ou ao saxofone.

Foi um casamento longo e de inegável sucesso. Thielemans atravessou décadas no primeiro plano da arte musical, cativando sucessivas gerações que o ouviram em palco ou nos registos discográficos. E também no cinema, onde se escuta na abertura de Boneca de Luxo (1961) e na inesquecível banda sonora do pungente Cowboy da Meia-Noite (1969).

Tocou com quase todos os nomes grandes da música que lhe foi contemporânea - de Benny Goodman e Charlie Parker a Paul Simon, de Sidney Bechet e Miles Davis a Diana Krall. Passando por Ella Fitzgerald, Bill Evans, Dinah Washington, Dizzy Gillespie, Stéphane Grappelli, Oscar Peterson, Quincy Jones, George Shearing, Pat Metheny, Stevie Wonder, Milton Nascimento ou Elis Regina.

Reparem neste delicioso duo com a intérprete de Águas de Março em que Thielemans transforma o assobio em instrumento de luxo na mais célebre das suas composições, Bluesette:

 

 

A festa da música, a festa da arte, a festa da vida. Também por isto Toots Thielemans - que nos deixou esta terça-feira, aos 94 anos, apagando-se durante o sono - me parecia imortal.

Numa das ocasiões recentes em que foi homenageado na sua Bélgica natal este modesto cidadão do mundo que apenas queria ser um artesão esforçado, quase como se pedisse desculpa pelo talento, afirmou que na sua idade já só podia mover-se "nesse pequeno espaço existente entre a lágrima e o sorriso".

Legou-nos a música - e também esta suave sabedoria de vida que conservou até ao fim. Gigante sem parecer que o era, rumo ao pôr-do-sol enquanto os mágicos acordes da sua harmónica soavam já na eternidade.

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Música recente (21)

por José António Abreu, em 26.08.16

Mesa, álbum Loner.

No segundo trabalho da era pós-Mónica Ferraz dá-se a mudança para o inglês. Não obstante achar que os Mesa nunca conseguiram moldar o português da forma como outras bandas o fazem (pense-se nos Clã), hoje sinto falta da ligeira incongruência que o esforço parecia introduzir-lhes na música. Em inglês, soam-me mais normais.

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Paradoxo

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.08.16

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"What we now see emerging is a notion of democracy that is being steadily stripped of its popular component – easing away from demos" - Peter Mair (1951-2011)

 

A fotografia da bancada do Parlamento Europeu vazia e com um único deputado não deixa de ser curiosa e, ao mesmo tempo, elucidativa desse afastamento do demos de que falava o saudoso Peter Mair, talvez o mais brilhante cientista político da sua geração. Desconheço se o livro já foi lido e se é conhecido dos políticos portugueses, mas o paradoxo está em que o deputado que ficou na bancada e que serve de ilustração à capa deste livro póstumo de Mair é um ex-jotinha, Carlos Coelho, o deputado europeu do PSD que é reconhecidamente um dos mais trabalhadores, preocupados e esforçados políticos nacionais. A fotografia é injusta para ele, não fazendo jus ao seu trabalho, sem deixar de ser igualmente um reconhecimento pelo seu empenho, visto que foi o único que lá ficou. De qualquer modo, poucos se devem poder orgulhar de terem sido capa num livro de Peter Mair. Pelas boas e pelas más razões.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.08.16

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 Viagem ao Passado Romano na Lusitania, de Lídia Fernandes

Prefácio de José d' Encarnação

História

(Edição A Esfera dos Livros, 2016)

"A Autora escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico"

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 26.08.16

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Blanca Suárez

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RH Music Box (208)

por Rui Herbon, em 26.08.16

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Autor: Ryuichi Sakamoto

 

Álbum:  Thousand Knives (1978)

 

Em escuta: Plastic Bamboo

 

 

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Histórias de Lisboa (2)

por Isabel Mouzinho, em 25.08.16

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 Baixa-Chiado

 

É o coração de Lisboa e por isso fervilha de gente e de vida, ainda mais agora, que a cidade está na moda e para os turistas é ponto de passagem obrigatório.

A mim, a Baixa traz-me sempre de algum modo a infância de volta. Não passo por lá nunca sem evocar o tempo em que ir à Baixa significava visita à casa dos avós, ou a excitação das compras,  que incluía uma voltinha obrigatória nas escadas rolantes do Grandella, -  o cheiro peculiar das lojas de tecidos, o sabor inigualável dos batidos de morango da Ferrari.

Houve depois, nos anos 80, aquele terrível Agosto em que acordámos em sobressalto com o barulho das sirenes dos bombeiros e a notícia do Chiado em chamas. Nessa manhã, fui até ao Miradouro da Senhora do Monte e, mesmo só ao longe, ao vê-lo assim, a ser destruído por aquele fogo que parecia imparável, até chorei. Parecia que uma parte da história da nossa vida se apagava também no incêndio. E, de facto, durante anos, o Chiado manteve-se lúgubre, triste e quase morto, mas renasceu das cinzas e readquiriu uma nova pujança. 

A Baixa-Chiado é agora uma outra Lisboa, mais moderna e cosmopolita, mas não menos encantadora. Continuam a seduzir-me as ruas estreitas, o Tejo a espreitar em cada volta de esquina, a boémia e a tradição, como se em cada recanto houvesse ainda ecos dos pregões das varinas e a todo o momento pudesse começar a ouvir-se um fado à desgarrada.

Hoje, há o Santini e a Vida Portuguesa, as esplanadas e os terraços, um certo ar de férias. Hoje, por motivos diferentes, ou talvez não - no fundo são quase os mesmos - continuo a gostar de ir passear à Baixa, de caminhar sem destino na preguiça e na alegria de quem descobre a cidade como se a visse pela primeira vez.

E em Agosto, apesar dos turistas, ela parece um pouco mais lenta do que no resto do ano, espreguiçando-se languidamente no calor das tardes, embalada ao de leve na brisa do fim do dia, entre gaivotas e maresia, sob o olhar plácido e enamorado do rio, com quem vive de mão dada.

 

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Diário semifictício de insignificâncias (7)

por José António Abreu, em 25.08.16

Início da manhã, em Aveiro. O nevoeiro ia-se dissipando. O Sol estava quente mas ainda suave, intensificando de tal forma as cores que era como se quase tudo tivesse acabado de receber uma demão de tinta. Algumas pessoas passeavam os cães, os primeiros barcos com turistas ronronavam pela ria. Senti vontade de ficar sentado, a apreciar um daqueles momentos em que as cidades – algumas cidades – conseguem mostrar-se belas, pacíficas, acolhedoras.

Mas não podia - e o homem com quem me encontrei não estava satisfeito. Explicou-me que já por duas vezes tivera que adiar as férias. «Se não conseguir tirar a semana que vem, ainda dou em doido.»

«Vai para o Algarve?».

Disse que sim. Se conseguisse. «Nem é pela praia. Preciso é de variar.»

«Mas tem sorte», disse eu, apontando para o canal onde passava mais um barco. «Vive numa zona fantástica. Uma zona turística por excelência.»

Esboçou um sorriso. Disse: «Sim, é verdade.» Depois encolheu ligeiramente os ombros.

No regresso, pus-me a pensar que a habituação é uma coisa traiçoeira. Faz perder a capacidade de ver a beleza (e não apenas do local de residência; frequentemente, também das pessoas com quem se reside). Como tantos outros, ele precisa de mudar de sítio não para conhecer algo diferente (já terá estado no Algarve), nem para fazer algo de substancialmente diferente (deitar-se-á na praia e sentar-se-á em esplanadas, comerá gelados e beberá cervejas, lerá livros e consultará a internet no telemóvel), mas para fazer quase o mesmo, longe de casa.

Acredito que necessitamos de mudança. Mas dá-me ideia que normalmente apenas procuramos – e, por conseguinte, apenas obtemos - a ilusão de mudança. Ainda que, em vez de conduzir até ao Algarve, voemos para Cabo Verde, Cuba ou Istambul. (Há dias contavam-me a história de alguém que, temendo os assaltos, não saiu do carro alugado durante a visita a Nápoles.) Sem o sabermos, somos turistas acidentais, constantemente em busca do que nos é familiar (note to self: ler outro livro de Anne Tyler). Mas sabemos que alguma coisa está errada. Por isso tantas vezes apenas dizemos das férias que «já acabaram», e passamos o ano a renovar as ilusões.

 

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As melhores praias portuguesas (71)

por Pedro Correia, em 25.08.16

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São Julião (Mafra)

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Já li o livro e vi o filme (147)

por Pedro Correia, em 25.08.16

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WASHINGTON SQUARE (1880)

Autor: Henry James

Realizador: William Wyler (1949)

O clássico de Henry James transformado num filme hipnótico e envolvente, com Olivia de Havilland (Óscar de melhor interpretação feminina) e Montgomery Clift. Cinco estrelas para o livro e para o filme (intitulado A Herdeira).

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Eduardo Prado Coelho

por Patrícia Reis, em 25.08.16

"O mais terrível é sentirmos a irreversibilidade do tempo. Que mesmo quando tudo se repete, já nada se repete, pela primeira vez. E que nós nos gastamos como borrachas na demorada corrosão das coisas. Um dia acordamos e já não é a primeira vez. A não ser quando a paixão nos diz que, nupcial e navegante, cada gesto de amor é sempre o primeiro."

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Food for thought (1)

por José Maria Gui Pimentel, em 25.08.16

Fareed Zakaria entrevistou recentemente na CNN Bryan Stevenson, um advogado, professor e activista americano que pôs o dedo na ferida ao classificar os EUA como uma "post-genocidal society". A questão racial na América está, de facto, muito longe de estar resolvida. À superfície, na opinião publicada e politicamente correcta, existe há muito um consenso que vê o tema como tabu, e que faria o leitor distante supor o fim do racismo. Nos últimos anos, noutras frentes, como no entretenimento, e sobretudo em meios urbanos, a questão racial parecia ter praticamente desaparecido. Como se isso não fosse suficiente, um presidente negro foi eleito - e reeleito - em 2008 e 2012. 

 

Apesar destes passos, é hoje evidente que subsiste um largo substracto da população que manteve as suas convicções e foi acumulando, escondido dos media, ódio e ressentimento. Isto mesmo foi visível nos recentes confrontos entre a polícia e a população negra, e não foi também irrelevante para a absolutamente imprevista candidatura de Donald Trump.

 

Os eventos recentes mostram, com efeito, que a questão racial nunca foi bem sarada. Stevenson alega que parte do problema reside no facto de esse trauma nunca ter sido discutido abertamente, como noutras geografias com problemas semelhantes (e.g. Apartheid). Terá, pelo menos, razão parcial. Dá que pensar.

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.08.16

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 Pseudociência, de David Marçal

Ensaio

(Edição Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2014)

"O autor desta publicação não adoptou o novo Acordo Ortográfico"

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 25.08.16

Ao Feio, pobre, mora longe e ganha pouco...

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RH Music Box (207)

por Rui Herbon, em 25.08.16

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Autor: Rollerskate Skinny

 

Álbum:  Horsedraw Wishes (1996)

 

Em escuta: Speed To My Side

 

 

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As melhores praias portuguesas (70)

por Pedro Correia, em 24.08.16

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Bom Sucesso (Óbidos)

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O pior ministro do Governo Costa

por Pedro Correia, em 24.08.16

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 Centeno no Eurogrupo com o seu homólogo grego (11 de Julho de 2016)

 

 

«A razão de ser da divergência da economia portuguesa é a má qualidade das nossas instituições.»

Mário Centeno, in O Trabalho, uma Visão de Mercado

 

Garantem-me que Mário Centeno foi opção de primeira hora do actual chefe do Governo para ministro das Finanças. É tempo de concluir que se tratou de uma opção desastrosa.

Especialista em “mercado do trabalho”, Centeno foi arrancado em Março de 2015 ao merecido anonimato em que funcionava na pacatez do Banco de Portugal, como assessor especial da administração, para coordenar o programa eleitoral do PS no capítulo da economia. Com “medidas inovadoras”, como não tardámos a ler nos panegíricos de turno. A principal era o contrato único, destinado a “substituir os contratos com termo incerto ou indeterminado, os contratos a prazo e os contratos temporários”.

Divulgado a seis meses das legislativas, este programa apontava para um cenário digno do País das Maravilhas: crescimento económico médio anual de 2,6% durante a legislatura - muito acima da média comunitária - e défice das contas públicas reduzido a 0,9% no final do exercício governativo. Na linha aliás do irrevogável optimismo de António Costa, que pouco antes enaltecera perante hipotéticos investidores chineses o facto de Portugal se encontrar então numa "situação bastante diferente daquela em que estava" quatro anos atrás, prestando uma homenagem involuntária ao Executivo de coligação PSD-CDS.

 

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Convidado para a pasta das Finanças, em Novembro, Centeno anunciou ao País o primeiro orçamento expansionista desde 2011, com 300 milhões adicionais de gastos, "alavancados" na mirífica recuperação do consumo interno. Esquecendo porventura que quando se aposta na intensificação do consumo enquanto motor da economia accionamos o circuito de importações, com o consequente agravamento da balança externa.

A sua proposta de contrato único ficara pelo caminho: Costa apressou-se a desautorizá-lo ainda antes das eleições, deixando cair a medida emblemática do professor de Economia do Trabalho. Nada que roubasse o sorriso ao ministro das Finanças: com os votos garantidos do PCP e do Bloco de Esquerda, o orçamento de Centeno baixou em dez pontos percentuais o IVA da restauração, fazendo aumentar as margens de lucro dos empresários do sector sem benefício para os consumidores, e - após hesitações iniciais logo varridas por Costa - decretou a semana laboral de 35 horas na função pública, introduzindo novos factores discriminatórios ao manter à margem da medida os trabalhadores do Estado com contratos individuais.

 

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Entretanto o País das Maravilhas contemplado no Orçamento do Estado deixara de ser o mesmo do risonho documento anterior: as perspectivas de crescimento económico haviam baixado para 1,8%,  pecando ainda assim por excessivio optimismo, o que suscitou reprimendas ao Governo por parte da Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional. Ambas as instituições previam entre 1,4% e 1,6% para a expansão da economia portuguesa - já abaixo das estimativas médias para a eurozona.

A 11 de Julho, à boleia da vitória portuguesa no Europeu de Futebol, Centeno apareceu na reunião do Eurogrupo com cachecol patrioteiro ao pescoço e um sorriso mais rasgado que nunca. De nada lhe serviu a tirada demagógica para fotógrafo registar: 48 horas depois a Universidade Católica desfazia qualquer dúvida que pudesse restar sobre o desempenho da economia portuguesa, cifrando em 0,9% a previsão do nosso crescimento para 2016. Metade da meta fixada no Orçamento do Estado.

Depois disso, ao divulgar os dados da execução orçamental do segundo trimestre, o Instituto Nacional de Estatística arrefeceu ainda mais os ânimos: o cenário da estagnação económica tornou-se uma ameaça real. Com o crescimento - se ainda podemos chamar-lhe assim - a situar-se em 0,8%. Cerca de metade da expansão de 1,5% ocorrida em 2015, o que impõe o  congelamento de salários da função pública para o próximo ano.

Melhor prova não podia haver da falência do modelo centeniano: a "recuperação do poder de compra", sob o olhar cada vez menos complacente de Bruxelas, deixou de constituir prioridade e a "criação de um quadro correcto de incentivos para os investimentos das empresas e dos trabalhadores", que ele havia defendido no seu livro O Trabalho, uma Visão de Mercado, nunca passou do tinteiro.

As coisas são o que são.

 

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Nove meses após ter tomado posse, o pior ministro do Governo Costa já deixou um rasto nada invejável: Portugal com o segundo mais débil desempenho económico da zona euro, dívida pública a subir para um nível inédito (representando 131,6% do PIB), investimento em queda, contas externas cada vez mais desequilibradas, Novo Banco pronto a ser vendido por um valor simbólico, longos meses de gestão caótica da Caixa Geral de Depósitos e  humilhação sem precedentes da maior instituição financeira portuguesa pelo Banco Central Europeu, que chumbou a nomeação de oito administradores, remete três outros para acções de formação e força o novo presidente da Comissão Executiva a renunciar à presidência simultânea do Conselho de Administração no prazo de seis meses.

De caminho tornou-se evidente que o Governo agira como se desconhecesse o Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras vigente desde 2014 e procurou remendar a situação anunciando uma apressada alteração do quadro legal que conta com a  oposição declarada dos seus parceiros de esquerda. Com tantas atribulações, a Caixa viu fugir 1,4 mil milhões de euros em depósitos entre o início de Abril e o fim de Junho.

 

No entanto, apesar de tudo isto, olhamos para o ministro e verificamos que ainda não perdeu o sorriso.

O que me leva a questionar pela segunda vez: afinal Centeno ri-se de quê?

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.08.16

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 O Homem que Matou Sherlock Holmes, de Graham Moore

Tradução de José Remelhe

Romance

(Edição Suma de Letras, 2016)

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RH Music Box (206)

por Rui Herbon, em 24.08.16

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Autor: Roland Kirk

 

Álbum:  I Talk With The Spirits (1964)

 

Em escuta: A Quote From Clifford Brown

 

 

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As melhores praias portuguesas (69)

por Pedro Correia, em 23.08.16

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Malhão (Milfontes, Odemira)

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Estágios não pagos

por João André, em 23.08.16

Nos EUA tenho notado que existe um debate constante acerca do pagamento a estagiários. Numa das perspectivas, os estagiários trabalhariam de graça, recebendo em troca a possibilidade de obterem experiência, conseguirem contactos e poder observar "como o mundo real funciona". Na outra perspectiva... bom, é tudo o mesmo mas os estagiários recebem um vencimento.

 

Ninguém duvida que um estagiário não oferece o mesmo valor a uma empresa que um profissional mais experiente (mesmo que apenas um tudo nada). Os estagiários recebem habitualmente as funções de base e mesmo quando são empregados em funções teoricamente em linha com as suas qualificações, acabam por fazer fotocópias, ir buscar café, transportar equipamento e observar. Observar muito.

 

Por outro lado um estagiário é um ser humano cujo tempo vale alguma coisa. Se a empresa contrata um estagiário, é porque coloca um valor, por pequeno que seja, nas funções do mesmo. Caso não o fizesse não precisaria dele, uma vez que apenas estariam a ocupar espaço e o tempo dos outros profissionais. Nesta lógica faz sentido que recebam um salário. Além disso, antes do início das funções não é certo que um estagiário vá de facto receber essa experiência valiosa que tanto é prometida. Se ficar encafuado num cubículo sem janelas a tirar fotocópias, certamente que isso não o enriquecerá. Para cúmulo, contratar um estagiário sem lhe pagar é um mau passo pela empresa: estão a investir (o tempo dos outros empregados) numa pessoa a quem não dão incentivos para se ligar à empresa nem para se valorizar (além de ter uma entrada extra no currículo).

 

Há no entanto um outro argumento contra os estágios não pagos: estão abertos essencialmente a quem tenha outras formas de rendimento. Ou os pais pagam, ou há outro trabalho com o qual se pode viver (neste caso ambos os trabalhos sofrem devido ao excesso de tempo neles). O primeiro caso será o mais comum e o pior, porque perpetua o ciclo dos conhecimentos. Quem tem conhecimentos consegue o tão desejado estágio para o filho e pode pagar esse custo e o filho, beneficiando disso, poderá fazer o mesmo para os seus filhos. É um ciclo vicioso que fecha portas a quem não tenha alternativas a trabalhar para poder sobreviver.

 

Claro que há quem quebre o ciclo. Normalmente são pessoas que trabalham 20 horas por dia e que depois vendem a sua história como um sucesso e um exemplo do que pode ser alcançado com trabalho duro. É verdade, mas pelo caminho provavelmente ficará a grande maioria que não aguentará tais exigências.

 

Não posso falar do caso português porque o conheço mal, mas por vezes tenho a sensação que está a piorar. Há quem se insurja contra os estágios não pagos, mas não é o meu caso. Eu revolto-me simplesmente com trabalho não pago. Os estágios são casos específicos que podem estar abrangidos por regulamentação especial (isentos de segurança social, menos impostos ou outros), mas que devem ser pagos como trabalho que são. Permitir que os jovens (a maioria destes estagiários) sejam usados desta forma não passa de um abuso do direito ao trabalho.

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Música recente (20)

por José António Abreu, em 23.08.16

 Radiohead, álbum A Moon Shaped Pool.

Os estratagemas de marketing e a insatisfação - parte niilismo, parte lamúria - com o estado do mundo podem começar a irritar, mas a música permanece motivo suficiente para continuar a prestar atenção aos Radiohead. E por vezes Thom Yorke acerta em cheio nas letras: a low flying panic attack é uma imagem brilhante.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.08.16

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Cartas por um Sonho, de Ángeles Doñate

Romance

(Edição Suma de Letras, 2016)

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Não aprenderam nada!

por Luís Menezes Leitão, em 23.08.16

O ano passado esta cimeira incluiria o Primeiro-Ministro inglês. Mas como os eleitores ingleses já disseram o que pensam de todo este disparate, os verdadeiros governantes da Europa passaram a reunir-se a três, deixando naturalmente os países servos de fora. E estes três estarolas acham que a solução para o Brexit é mais integração, ou seja, ainda maior domínio dos Estados pequenos pelos grandes, uma vez que estas cimeiras deixam claramente perceber que as instituições comunitárias não passam de um verbo de encher, já que estes países e só estes é que mandam na Europa.

 

Esperava-se que a saída do Reino Unido fizesse esta gente ter um pouco mais de decoro. Mas afinal parece que se lhes aplica a frase que Talleyrand disse dos Bourbon: "Não aprenderam nada nem esqueceram nada!". É assim inevitável que ao Brexit venham a seguir-se muitos outros "exit". No fim, a Europa dos 27 deve acabar por ser a Europa dos 3. Na realidade, nunca foi outra coisa.

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 23.08.16

Ao 27 minutos e 11 segundos.

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RH Music Box (205)

por Rui Herbon, em 23.08.16

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Autor: Roger Eno

 

Álbum:  Swimming (1996)

 

Em escuta: In Water

 

 

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As melhores praias portuguesas (68)

por Pedro Correia, em 22.08.16

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Ursa (Sintra)

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