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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.04.14

 

Life, de Keith Richards

Autobiografia

(edição Cavalo de Ferro, 2013)

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As canções do século (1567)

por Pedro Correia, em 16.04.14

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A segunda vez

por Pedro Correia, em 15.04.14

 

"Tenho muita consideração pelo Presidente Eanes, votei duas vezes nele." Palavras actuais de Mário Soares. Que em nada condizem com o que revelou na década de 90 a Maria João Avillez,  no segundo volume de uma extensa entrevista biográfica logo tornada obra de referência.

"Em quem votou?", perguntou-lhe a jornalista, referindo-se às presidenciais de 1980, quando Soares auto-suspendeu as funções de secretário-geral do PS precisamente por não acompanhar a opinião, maioritária no partido, de que o voto socialista deveria recair em Eanes. Resposta de Soares: "No general Galvão de Melo. Foi um voto de protesto, completamente inútil. Também poderia ter votado em Pires Veloso [outro general], com quem aliás simpatizo. Ou em branco. A questão dirimia-se entre dois [Eanes e o general Soares Carneiro], nos quais, em consciência, não podia votar." (Soares-Democracia, p. 125, Círculo de Leitores, 1996).

Como Eanes apenas se submeteu duas vezes a escrutínio, nas presidenciais de 1976 e de 1980, questiono-me qual terá sido a segunda vez em que Soares votou nele.

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Profetas da nossa terra (3)

por Pedro Correia, em 15.04.14

«Antevejo um mandato curto para Bruno de Carvalho. Ele não vai conseguir cumprir as promessas, o que levará o Sporting a eleições dentro de um ou dois meses.»

Carlos Barbosa, 10 de Abril de 2013

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Desmancha Prazeres

por Francisca Prieto, em 15.04.14

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Somos uns epitetólogos*

por Helena Sacadura Cabral, em 15.04.14


Os que me conhecem sabem que não alinho em partidarites, sejam elas de que natureza forem. Não posso, não consigo. Só tenho uma cabeça e só por ela me guio, embora goste muito de ouvir opiniões diferentes das minhas.

Mudo muito? No básico, pouco. Mas no olhar que lanço sobre o mundo que me rodeia mudo sempre que reconheço aos outros a capacidade de me convencerem. Não tenho qualquer pejo em me declarar errada e dar conta pública disso - se for o caso -, porque duvido que alguém se mantenha inalterável ao longo dos anos.

Mas procuro sempre não qualificar, não apelidar, não fazer juízos de valor sobre o adversário, que tento não considerar um inimigo. Enfim, sou o que se apelida de uma pessoa educada. Aprendi isso ao longo da vida com a diversidade ideológica que caracterizou sempre a família onde nasci. Do lado materno nove irmãos, do lado paterno doze. Tudo gente que pensava por si e deu exemplo de respeito pelas cabeças dos outros.

Lembrei-me disto a propósito dos quarenta anos da revolução de Abril. Muitos já nasceram depois dela e por isso o que sabem é o que lhes transmitem os seus, o ensino ou a investigação. Os restantes, que a viveram, continuam, quatro décadas depois, a usar, para qualificar os que não pensam como eles, termos cujo significado já pertence à história da carochinha.

De facto, quem em 1974 tivesse 20 anos, terá agora 60. Haverá alguma lógica em epítetar estas pessoas pelo que eram na sua juventude? Será que em quatro dezenas de anos não teremos todos mudado muitíssimo?

Fico sempre muito impressionada quando leio a opinião de gente que ocupou cargos de responsabilidade, qualificar da forma mais deselegante, quem não pensa do mesmo modo. Mas se alguém quer levar o outro a mudar de opinião, será pela agressão verbal que o conseguirá?

Vamos entrar numa campanha europeia que devia ser esclarecedora daquilo que está em causa para Portugal e para a Europa. Já estão todos engalfinhados a fazer propaganda para... as legislativas. E depois, admiram-se da abstenção!

Os portugueses podem não ser os mais instruídos da Europa, podem não ser muito politizados, podem até ser instrumento partidário. Mas a maioria deles tem um enorme bom senso e sabe o que quer. Sabe castigar e sabe louvar. Basta que pensemos neles e no país, muito antes de pensar na ambição política. E isto vale tanto para o governo como para a oposição.

Ah! e sejam educados, por favor. Dêem um exemplo de civilidade e de cidadania!


*Não sei se a palavra existe. Mas se Assunção Esteves cria eu também posso fazê-lo!

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A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 15.04.14

Juros da dívida portuguesa caem em todos os prazos

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Abril (15)

por Pedro Correia, em 15.04.14

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Valls e Matteo Renzi já se preparam para a inevitável peregrinação a Meca, conhecida agora pelo pseudónimo de sra. Merkel, para implorar uma “folga” na redução do défice e mais tempo para pagar a dívida. E os dois prometeram, como o nosso Passos Coelho, diminuir o peso do Estado na economia e reduzir drasticamente o funcionalismo, em nome, segundo consta, da economia. Aqui ainda não entrou na cabeça de Seguro e, em geral, da esquerda, qual é a razão essencial destas semelhanças, que um estudante médio perceberia. A saber: o Estado providência como existe deixou de ser financeiramente viável. Isto custa a engolir. Mas se não se partir deste facto simples nunca se chegará a parte nenhuma. A fantasia não paga.

 

 

O Estado-providência, que persiste em crescer à mínima oportunidade, só sobrevive, e mal, pelo imposto e pela dívida, e o imposto e a dívida reduziram a Europa, não falo aqui especialmente de Portugal, a uma situação de insustentabilidade. Da verdadeira insustentabilidade.

 

 

Mas, depois de 1945, os sacrifícios que a derrota de Hitler exigira (55 milhões de mortos) trouxeram ao poder várias formas de “socialismo”, que acabaram por se fundir no Estado social, como agora lhe chamam.

A euforia e a confiança da época – e ambição, para hoje modesta, da gente que saía de um pesadelo – permitiram que esse Estado social (em que estava implícita a garantia de pleno emprego) pouco a pouco se alargasse e fortalecesse. Infelizmente, o papel da Europa no mundo começou entretanto a diminuir. As colónias desapareceram. E o pleno emprego também, em meados de 1960. O fosso entre a despesa doméstica e o enfraquecimento externo começou a crescer e depressa se tornou um abismo. As condições em que o Estado social se criara e dera à Europa (ocidental) um sentimento de bem-estar, de segurança e de promoção social deixaram de existir e não há engenharia financeira que as restaure. A regra era afinal uma excepção.

 

Vasco Pulido Valente (aqui, aqui e aqui)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.04.14

 

Mi Buenos Aires Querido, de Ernesto Schoo

Prefácio de Carlos Quevedo

Tradução de Carlos Vaz Marques

Viagens

(edição Tinta da China, 2014)

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Não têm cortes salariais, mas também não têm filhos

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.04.14

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As canções do século (1566)

por Pedro Correia, em 15.04.14

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Máquina do tempo

por João André, em 14.04.14

Imagine-se que um dia se inventava uma máquina do tempo. De um momento para o outro seria possível avançar ou recuar no tempo (e recuar é precisamente a ideia, claro está). Seria possível revisitar aquele dia fantástico de há 7 anos, ir ao concerto que se perdeu, passar mais um bocadinho de tempo com o avô, etc. Tudo óptimo? Nem por isso.

 

Imagine-se: seria também possível voltar três dias atrás e fazer aquele trabalho que nos foi pedido com urgência mas que, por falta de tempo, acabámos por entregar atrasado. Como sabemos, toda a gente quer tudo com urgência e, de preferência, para ontem. Com uma máquina do tempo isso seria possível. Seria possível entregar ontem o trabalho que nos foi pedido hoje para ontem. Seria até possível entregá-lo antes de ser pedido. Com máquinas no tempo o trabalho seria avançado a limites inimagináveis. Claro que o problema seria que as exigências mudariam. O trabalho deixaria de ser pedido para ontem e seria pedido para anteontem. Ou para o ano passado, é irrelevante. Os dias passariam a ter muito mais de 24 horas e seria necessário fazer tudo nesse espaço de tempo. A certa altura o dia seria preenchido na máquina do tempo para poder terminar o trabalho antes de ser pedido, passar tempo com a família, etc.

 

Como o manifestante na imagem acima indica, é irrelevante quando chegaria uma máquina do tempo. A ciência indica que seria ou pouco prática ou impossível. Não o sei. O que sei é que, pelo simples facto de ainda não termos visto qualquer visitante do futuro, parece-me certo que mesmo que a máquina do tempo venha a existir (ou já exista/tenha existido), o seu inventor provavelmente usa-a para fins puramente individuais. Para evitar ter mais trabalho e para, quem sabe, simplesmente ler.

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Desaforismos

por Francisca Prieto, em 14.04.14

Às vezes, as palavras dos poetas budistas são sábias. Outras vezes são só má literatura.

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Profetas da nossa terra (2)

por Pedro Correia, em 14.04.14

«Redução do número de freguesias levaria a uma Maria da Fonte, levaria a centenas.»

Freitas do Amaral, 12 de Novembro de 2010

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Elementar matemática política

por Pedro Correia, em 14.04.14

coligações que subtraem em vez de somar.

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Abril (14)

por Pedro Correia, em 14.04.14

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 14.04.14

 

 

O Ataque aos Milionários, de Pedro Jorge Castro

Investigação

(edição A Esfera dos Livros, 2014)

"O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico"

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Ruanda 2020

por Rui Herbon, em 14.04.14

Por estes dias cumpriram-se 20 anos sobre o genocídio ruandês. Cerca de 800.000 pessoas da etnia tutsi foram massacradas pelos hutus então no poder. Uma circunstância que teve muito que ver com o processo de colonização europeu. Os hutus povoaram o Ruanda procedentes da região do Chade, quando a população autóctone, os twa, foi deslocada. Eram essencialmente agricultores e distribuíam-se em pequenos reinos. Depois chegaram os tutsi, oriundos da Etiópia. Tratava-se de uma população de pecuários que, com o tempo, se transformaram no grupo dominante. Não era uma etnia muito diferente, como foi usado para justificar a matança de há 20 anos, já que, aparte das suas diferenças de classe, ambos os grupos levavam séculos realizando casamentos entre si, falavam a mesma língua e tinham evidentes semelhanças culturais. Foi com a chegada dos europeus no século XX quando as diferenças se marcaram. De facto, segundo se conta, foram os europeus que dividiram as duas etnias de acordo com o número de cabeça de gado que possuíam: os proprietários de dez ou mais vacas eram associados aos tutsi, enquanto que os outros era classificados de hutus. O desastre humanitário vinha a desenhar-se desde a independência do país em 1957. Por então surgiu o Manifesto Hutu, que exigia liberdade e democracia face à opressão que, segundo parece, era exercida pelos tutsi. Isto levou às importantes revoltas de 1959, que conduziram a um novo governo hutu em 1962, depois de dezenas de milhares de tutsi terem sido assassinados e cerca de 160.000 terem fugido do país. O que se repetiu em 1964, já que uma pessoa de etnia hutu podia matar o seu vizinho tutsi sem nenhum temor de represálias governamentais.

 

Hoje, esquecida a matança de 1994, o Ruanda é o exemplo de uma nova África que abre caminho. Um país que, com o actual presidente, Paul Kagame, pôs em marcha o programa Rwanda Vision 2020, com o objectivo de transformar um país de economia agrícola noutro virado para a sociedade do conhecimento, mantendo o crescimento anual do PIB em redor dos 7% e prevendo no final do período uma população de 16 milhões. Prevê também que o rendimento per capita atinja os 900 dólares (220 em 2000), a taxa de pobreza se reduza para 30% (60% em 2000) e que a esperança média seja de 55 anos, contra 49 em 2000. Pensar-se-á que é muito pouco para o nosso standard. No entanto, será muito em termos relativos, especialmente porque o que se pretende é o salto de uma economia agrícola em muitos casos de susbsitência para uma sociedade de conhecimento, sem ter passado, como nós, pelos estádios intermédios.

 

Trata-se de um fenómeno que, de modo similar, ocorrerá noutros países africanos, com o que tem de novidade histórica e de potencial económico ao longo do presente século, no fim do qual África terá alcançado os 2000 milhões de habitantes, na sua maioria jovens. E é neste esforço que o Ruanda construiu uma torre de vinte pisos – a Kigali City Tower – na sua capital, onde se instalou um hub de alta tecnologia que oferece avançados serviços financeiros. Uma infra-estrutura tecnológica com dezenas de terminais e um sofisticado software fornecido pelo Nasdaq, que vem explicar como de maneira rápida um pequeno país africano sem recursos naturais pôs em marcha uma nova e moderna economia cujos frutos não se farão esperar. Simultaneamente o país está imerso na instalação de uma moderna rede de fibra óptica de mais de mil quilómetros e tem em marcha a instalação de uma infra-estrutura 4G que cobrirá 95% do país. Estes passos transformarão o Ruanda num dos países africanos mais atraentes para os investidores. Seria importante que os empresários e investidores nacionais não reduzissem África aos PALOP e ao Magreb, caso contrário o chamado continente negro pode ser, a médio e longo prazo, uma oportunidade em grande parte perdida.

 

[Imagem: Kigali City Tower Complex]

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Alguns países adiam-se, outros destroem-se

por Sérgio de Almeida Correia, em 14.04.14

"O Estado português investiu muito dinheiro na minha formação, no liceu, na faculdade, e na formação de outras pessoas, para eu agora estar a dar aulas a alunos e alunas ingleses e de outros países. Faço-o numa universidade inglesa onde o meu currículo e a minha formação são apreciados. Lá estão a reconhecer esta formação que foi financiada pela população portuguesa e cujos frutos não podem vir para Portugal. Estou lá, em cada dia que passa, com muito pesar, porque sinto que a minha geração tem um contributo para dar a Portugal. Tenho muita pena de ter tido de ir lá para fora. Não vou negar que lá há condições de trabalho óptimas, e isso é aliciante. Mas não estou a devolver o meu conhecimento ao país que me formou e que ajudou a financiar a minha formação." - Maria do Mar Pereira, 32 anos, professora na Universidade de Warwick (Reino Unido), vencedora do Prémio Internacional para o Melhor Livro em Investigação Qualitativa feito entre 2010 e 2014, Público, 14/04/2014

 

Enquanto isso, em Macau, Nuno Crato discute, à porta fechada, o futuro da Escola Portuguesa. E promete reforçar a cooperação com o Instituto Politécnico de Macau para criar mais oportunidades para os estudantes aprenderem a língua portuguesa. Tudo se conjuga, pois, para que as promessas continuem e os poucos recursos que temos prossigam a sua saída pela janela mais próxima sem qualquer garantia de retorno.

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As canções do século (1565)

por Pedro Correia, em 14.04.14

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Imagens ao domingo (2)

por João André, em 13.04.14

 

Depois de um lagarto, uma abelha. Uma fotografia que só se tornou possível para mim graças à fotografia digital. O vento abanou constantemente a flor e devo ter feito uma dez fotografias até apanhar aquela em que acertei com a focagem. Fosse tudo a filme e não teria dinheiro para pagar estas tentativas.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 13.04.14

«Quanto à nossa terrível indisciplina laboral, eu tenho a minha experiência, e se calhar não vale grande coisa pois conheço apenas o meio dos call-centers, mas no meu local de trabalho temos de estar todos logados às consolas à hora exacta, prontos para atender chamadas, até porque existe um programa que contabiliza o número de minutos que estivemos logados durante o dia, e se nos atrasarmos por meros segundos, eles são descontados no salário.
Também não podemos pôr a consola no descanso quando queremos, porque existe outro programa, gerido por um supervisor, que indica quando alguém está no descanso. É claro que às vezes há motivos válidos, mas se essa pessoa se esticar, o supervisor vai logo perguntar porque não está a atender chamadas.
Quanto às pausas, temos duas, de 15 minutos cada, para quem faz 8 horas. E ninguém sai da sala quando lhe apetece. Os tempos são geridos e o número de pessoas em pausa também, porque não se pode ter metade dos comunicadores a beber café enquanto há chamadas em espera. Às vezes são tantas que apenas pode ir uma pessoa a pausa de cada vez, o que torna a conversa junto ao bebedouro num solilóquio.


Quanto a perder tempo na internet e Facebook, todos os computadores têm um programa (já vamos em três) que bloqueia o acesso aos mesmos. Até as portas usb estão bloqueadas, pelo que ninguém pode passar, por exemplo, um vídeo ou música para o computador para se entreter nas horas em que a supervisão baixa a guarda. E apesar de trabalhar no apoio a um serviço de televisão, o televisor da sala nunca está a passar filmes ou programas, nem sequer o noticiário. Está, isso sim, a mostrar o número de chamadas em espera, o número de chamadas em curso, o número de comunicadores em descanso e por aí fora. Só pontualmente podemos aceder a canais, por motivos de despistes técnicos.
A única benesse, se é que pode ser considerada tal coisa, é que assim que a hora de saída chega, paramos e vamos embora. Como começamos a trabalhar na hora exacta, também fazemos questão de não dar mais tempo da nossa vida à empresa. Nem sempre é possível, é claro, se a chamada for longa, mas há manhas para gerir o tempo de uma para que ela termine mesmo em cima da hora de saída de forma a não nos cair outra em cima.
Raramente nos pedem para ficarmos mais tempo, salvo quando alguém lixa um servidor numa parte do país ou uma actualização do sistema informático deixa os técnicos às aranhas, então lá vamos nós apagar fogos, com 50 chamadas em espera. É claro que nos pagam horas extraordinárias por isso, a miséria que são; mas também não nos podemos recusar pois no mês seguinte poderíamos ser despedidos por sermos 'difíceis' ou 'pouco produtivos': a beleza dos contratos precários mensalmente renováveis. Mas, como disse, é raro fazermos horas a mais.


Alongo-me em detalhes apenas para poder concluir com o seguinte: gostava de saber que empresas são essas onde se pode entrar à hora que se quer, às três pancadas, como se fossem donos do sítio; ondem podem fazer pausas longas sem que um superior os chame à atenção, como se trabalhassem sem qualquer supervisão; onde podem 'escolher' trabalhar mais tarde, como se isso não dependesse do chefe concordar ou não; onde tal comportamento não produzisse, ao fim de um ou dois meses, uma carta da ETT a informar o trabalhador de que iam dispensar os seus serviços. Realmente, gostava de saber que empresas são essas onde os trabalhadores pelos vistos estão na mó de cima, fazem dos chefes gato sapato e andam pelos escritórios como se fossem barões que vão lá fazer um favorzinho. Gostava de saber onde fica esse mundo, pois não é o que eu e os à minha volta, entre os 20 e os 30 anos e noutras empresas, conhecemos, onde tudo é gerido metricamente e anda-se na linha porque há sempre formações a admitir pessoal novo e qualquer um pode ir para a rua na próxima fornada de 'dispensados'.»


Gostava de conhecer esse paraíso laboral e arranjar lá emprego.»

 

Do nosso leitor Miguel. A propósito deste texto do João André.

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Abril (13)

por Pedro Correia, em 13.04.14

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 13.04.14

 

 

A Filha do Leste, de Clara Usón

Tradução de Maria Manuel Viana

Romance

(edição Teodolito, 2014)

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40 anos de medalhas

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.04.14

O número e a cadência de atribuição de condecorações do regime, de que os nossos Presidentes da República têm sido dignos expoentes, com efusiva continuação em todos os municípios, deve preparar-nos para que se tudo se mantiver como até aqui, no pós-25 de Abril de 2014, com a "alternância" habitual e as "elites" saídas das jotas, este será o futuro das próximas gerações: condecorar os seus "protectores", enquanto o país definha. Até que outros como Salgueiro Maia emerjam.

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As canções do século (1564)

por Pedro Correia, em 13.04.14

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Leituras para o resto do ano

por Pedro Correia, em 12.04.14

 

Numa das últimas passagens de ano, decidi que nos meses seguintes leria apenas clássicos da literatura. Foi uma boa resolução de Ano Novo, que de algum modo me disciplinou o habitual fluxo anárquico de leituras, canalizando-o numa direcção muito precisa.

Para 2014 voltei a impor uma regra a mim próprio: este ano praticamente só lerei autores galardoados com o Prémio Nobel. É uma forma eficaz de colmatar várias das minhas lacunas neste domínio. E de que tive consciência há cerca de meio ano, a partir de um diálogo a três vozes travado com uma leitora e um colega de blogue numa caixa de comentários do DELITO DE OPINIÃO.

Falava-se precisamente de escritores premiados com o Nobel quando me lembrei de contabilizar quantos destes autores já eu conhecia como leitor (valendo, nesta contabilidade, não simples trechos mas obras lidas do princípio ao fim). Apenas 27: tinha a noção de que seriam mais. No diálogo que então se estabeleceu fiquei a saber que ele já tinha lido 34 e ela 42.

Esta informação funcionou para mim como um incentivo suplementar. Daí à resolução de Ano Novo, foi um curto passo. Aliás iniciado ainda em 2013.

 

De então para cá li nove obras de autores que receberam o Nobel: Genitrix e Teresa Desqueyroux (ambas de François Mauriac), O Meu Século (Günter Grass), O Anão (Pär Lagerkvist), Platero e Eu (Juan Ramón Jiménez), A Oitava Mulher do Barba-Azul (Anatole France), A Noite (José Saramago), O Falecido Mattia Pascal (Luigi Pirandello) e Uma Questão Pessoal (Kenzaburo Oe).

Vários outros estão já em lista de espera: o ano promete ser de muitas e variadas leituras. Entretanto, os 27 nomes que constavam daquela minha lista aumentaram para 34.

E tudo começou com uma descontraída troca de impressões aqui no blogue. Às vezes é quanto basta para concretizarmos uma intenção que só aguarda afinal um bom pretexto para se tornar realidade.

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Abril (12)

por Pedro Correia, em 12.04.14

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Dias estranhos

por Rui Herbon, em 12.04.14

Levava duas semanas sem que me doesse nada (pese não estar morto), pelo que fui ao meu médico, que me auscultou, mediu a tensão e me viu a garganta sem observar, efectivamente, nada de anormal.
– Não podes dar-me um xarope ou algo para que me doa um pouco o estômago? – perguntei.
– É melhor tomares produtos naturais – disse. – De manhã, polvilha o café com pimenta e deita-lhe um pouco de vinagre.
Longe de piorar, as minhas digestões melhoraram barbaramente com aquela receita. Os meus dias converteram-se num estranho deserto de bem-estar. Saía da cama com um entusiasmo absurdo, trabalhava todo o dia sem esgotar-me e à noite, antes de dormir, fazia um conjunto de exercícios de aeróbica que havia lido numa revista de fitness. Os meus filhos, que têm alergia ao pó e sofrem de umas nevralgias enlouquecedoras, começaram a olhar-me de lado, como se me estivesse afastando da família, como se tivesse deixado de gostar deles. A minha mulher, cuja úlcera se abre na Primavera como uma melancia, perguntou-me se tinha outra.
– Outra quê? – inquiri por minha vez desconcertado.
– Outra mulher, idiota. De que achas que falamos?
– Sabes que não.
– Então, por que estás tão bem?
– Juro-te que não faço ideia. Eu sou o primeiro a não conseguir explicá-lo.
Resumindo: voltei a fumar e tomar bebidas alcoólicas de pelos menos quarenta graus. Mas nem assim. Estava transbordante e subia as escadas, apesar do tabaco, como um atleta. Como se fosse pouco, também já não tinha ataques de angústia. Tinha perdido misteriosamente o medo de andar de elevador, de avião, e dos lugares fechados em geral. Comuniquei-o à minha psicanalista:
– Já não me angustio com nada nem discuto com ninguém nem penso que me perseguem.
– Está seguro de que não o perseguem? – insistiu ela.
– Completamente. Além disso não vejo sentido em que venha alguém atrás de mim, não sou um tipo interessante.
– E não lhe angustia o facto de não ser interessante?
– Absolutamente. Agora parece-me tranquilizador, dá-me mais liberdade, relaxa-me.
– Pois não sei o que vamos fazer – disse ela.

Então lembrei-me de que Phil K. Dick, o autor de “Do Androids Dream of Electric Sheep?”, que serviu de base para o guião de “Blade Runner”, assegurava que alguém lhe metia no café uns comprimidos que o tornavam paranóico. Phil K. Dick era meio paranóico, por isso ocorriam-lhe ideias geniais.

– Não pode receitar-me uns comprimidos que me tornem paranóico? – perguntei.

– Não existem tais comprimidos – disse ela.

– E um placebo inverso?

– A que chama você placebo inverso?

– A um comprimido inócuo que eu acredite que me faça mal.

– Está louco – disse a minha psicanalista.

– Pelo contrário – repliquei –, nunca estive tão lúcido.

– E não lhe faz mal estar lúcido?
– Mal, mal, o que se chama mal, não, mas tenho dificuldades em comunicar com as pessoas, que estão todas péssimas. Num mundo de doentes, encontrar-se bem tem as suas desvantagens.
– Terminou o nosso tempo – disse ela. – Continuamos na próxima sessão.
Levantei-me do divã e saí. Estava uma tarde maravilhosa, cheia de pólenes que já não me produziam alergia e uma luz como que de quadro de Velázquez que não me fazia mal aos olhos. De facto, não pus os óculos de sol, quando antes até os usava mesmo no cinema, devido à fotofobia. Passeei um bocado, desfrutando do sol e da brisa, e em seguida sentei-me numa esplanada.
– Traga-me um gin tonic em copo baixo e com quadro pedras de gelo muito frias, por favor.
O empregado, que era coxo e estava enfadado, regressou pouco depois com a bebida. Ao primeiro sorvo voei, quase literalmente, de felicidade. Então acendi um cigarro, cujo primeiro fumo me soube a glória. Jamais tinha sentido aquele grau de bem-estar e não via o modo de tirá-lo de cima. Ao chegar a casa, não obstante, pus cara de dor e à noite enfiei uma ração de Ibuprofeno.
– Que tens? – perguntou a minha mulher.
– Não sei, não me sinto bem – menti.
Como ela também não se encontrava bem, tomou outra ração do mesmo. Nessa noite fodemos como loucos.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 12.04.14

 

 

Experiência Antárctica, de José Xavier

Relatos de um cientista polar português

(edição Gradiva, 2014)

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Rumo à Presidência.

por Luís Menezes Leitão, em 12.04.14

 

Tudo o que tinha escrito aqui sobre a candidatura de Durão Barroso à Presidência da República com o apoio simultâneo do PSD e do PS acaba de ser confirmado por esta curiosa conferência promovida pela Comissão Europeia em Lisboa, intitulada "Portugal: Rumo ao Crescimento e Emprego", mas que melhor se poderia chamar: "Barroso: Rumo à Presidência". Depois da elucidativa entrevista ao Expresso, parece que Durão Barroso já arrumou definitivamente os papéis como Presidente da Comissão Europeia, cargo em que se destacou por uma total ausência de intervenção, e dedica-se agora com afã a promover a sua candidatura presidencial. De facto, é incompreensível que o Presidente da Comissão Europeia tenha feito o ataque que fez ao Vice-Presidente do Banco Central Europeu, sem que o seu Presidente e o próprio Banco tivessem dito a mais leve palavra sobre o assunto. E também é incompreensível que a Comissão Europeia organize uma conferência com claro significado político em Portugal nas vésperas das eleições europeias, com a presença do próprio Presidente da Comissão, que tem um claro dever de neutralidade sobre as questões políticas internas do seu país. Mas a conferência realizou-se e agora é preciso ver o seu significado político.

 

Este significado é claro. Já se sabia que o PSD de Passos Coelho iria apoiar Durão Barroso nas presidenciais, por muito que Marcelo Rebelo de Sousa proteste na TVI ou leve os militantes às lágrimas nos Congressos. Agora ficou a saber-se que há um claro endorsement de Cavaco Silva a Durão Barroso, que pretende ver como o seu sucessor no cargo. Foram especialmente comoventes estas palavras carinhosas de Cavaco: "Posso testemunhar, como poucos, a atenção que o doutor Durão Barroso sempre prestou aos problemas do país e a valiosa contribuição que deu para encontrar soluções, minorar custos, facilitar apoios e abrir oportunidades de desenvolvimento". Fica-se a saber que Cavaco já escolheu o seu Delfim. Só é pena que os portugueses também possam "testemunhar, como poucos", a forma como Durão Barroso tratou o país, deixando um Governo em colapso com a sua ida para Bruxelas, e ameaçando recentemente que estaria o caldo entornado se não cumprissem as suas determinações. Mas reconheço que Cavaco tem razão quando diz que "Portugal e os portugueses muito lhe devem". Não só devemos como estamos a pagar todos os dias os empréstimos que a troika nos concedeu, mesmo que isso nos deixe só com pele e osso.

 

Mas o que foi elucidativo na conferência foi a reacção do PS. Ao contrário da restante oposição, que não quis estar presente, "PS recebeu convite para assistir e deu liberdade a cada deputado para fazer o que entender". Conforme já tinha anunciado, parece claramente estar a desenhar-se a preparação de um governo de Bloco Central, para depois da queda de Passos Coelho, aparecendo, como contrapartida do apoio do PSD ao PS, o apoio deste a uma candidatura de Durão Barroso a Belém. Para isso o PS só tem que tirar António Costa do caminho, mas isso é fácil. Não é por acaso que o PS anda a reclamar nos últimos tempos o direito a nomear o próximo Comissário europeu. O PSD pode perfeitamente oferecer-lhe a nomeação de António Costa, o que permitiria tirar já do terreno alguém que poderia ameaçar simultaneamente a liderança de António José Seguro e a eleição de Durão Barroso. Parece que a estratégia de Cavaco de forçar um acordo entre Passos e Seguro vai agora cumprir-se sob a égide de Durão Barroso. Les beaux esprits se rencontrent.

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As canções do século (1563)

por Pedro Correia, em 12.04.14

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Profetas da nossa terra (1)

por Pedro Correia, em 11.04.14

«Daqui a dois anos a banca vai estar toda nacionalizada.»

João Talone, 15 de Novembro de 2011

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Ucrânia: a irresponsabilidade europeia (III).

por Luís Menezes Leitão, em 11.04.14

 

Este texto do Pedro Correia e este texto do Luís Naves justificam que volte ao assunto do que considero ser a irresponsabilidade europeia na Ucrânia e cujo resultado está à vista de todos. É muito fácil demonizar a Rússia como agressor, mas tal implica esquecer o óbvio: que a União Europeia apoiou um governo de extremistas, formado na Praça Maidan, que incluía partidos fortemente hostis à minoria russa. Ora, era manifesto que esta não deixaria de pedir auxílio a Moscovo e que a Rússia não iria ficar quieta. Basta olhar para o mapa acima para perceber o risco de guerra civil que o golpe poderia causar, ainda mais quando estimulado por uma União Europeia que prometeu mundos e fundos à Ucrânia, os quais não tem para dar a Portugal ou à Grécia.

 

 

A comparação com a II Guerra Mundial, ao contrário do que se afirma é bem elucidativa. O mapa acima demonstra, ao contrário do que se julga, a força com que a Alemanha saiu do tratado de Versalhes. É que anteriormente tinha vários impérios em seu redor, e depois passou a ter pequenos Estados, que facilmente poderia influenciar. Kissinger já uma vez escreveu que o grande erro de Hitler foi ter estado obcecado em travar uma guerra enquanto era novo. Bastar-lhe-ia esperar e conseguiria o domínio alemão na Europa, não por força das armas mas pelo poder económico.

 

Neville Chamberlain sabia perfeitamente disso, e acreditou ingenuamente que Hitler não precisava de uma guerra. Mas fê-lo por razões pragmáticas. Disse pura e simplesmente perante o ataque à Checoslováquia que, por muito que respeitasse a fraqueza de um Estado europeu perante um vizinho forte e poderoso, não podia envolver todo o Império Britânico numa guerra por esse motivo. A Inglaterra não estava disposta a uma guerra por causa da Checoslováquia, mas já estava por causa da Polónia. É assim que a guerra se inicia quando Hitler invade a Polónia, coisa que ele muito estranhou, pois quem queria combater no futuro era a URSS. E a intervenção da França e da Inglaterra na II Guerra foi um desastre, como se viu logo em Dunquerque, que levou a que a França fosse ocupada e logo a seguir a Inglaterra sistematicamente bombardeada. O que provocou a viragem na guerra foi a entrada dos EUA depois de Pearl Harbor e especialmente o ataque de Hitler à Rússia, que na altura pareceu um erro estratégico, mas que constituía o objectivo de Hitler desde o início. 

 

 

Ao contrário do que se refere, quem especialmente ganhou com a II Guerra foi a URSS, como se pode ver pelo mapa acima, que descreve a cortina de ferro de que Churchill se queixava, a qual aliás ainda foi prolongada com a adesão da Jugoslávia e da Albânia ao bloco comunista. A Inglaterra não só não conseguiu a libertação da Polónia, como também teve que dar o Império Britânico como perdido no momento simbólico em perdeu Singapura para o Japão, como Churchill também reconheceu. Já a URSS não cedeu um milímetro de território conquistado, empurrando a Polónia para Ocidente e dividindo a Alemanha. É assim que se dá por decisão dos EUA o ressurgimento alemão. Qualquer pessoa poderia olhar para este mapa e ver que não seria possível parar o avanço russo sem a Alemanha.

 

Quando se inicia a guerra da Coreia, o avanço comunista parecia imparável. Foi parado apenas por MacArthur, que com uma estratégia militar brilhante chegou a tomar Pyongyang. Só que isso desencadeou a entrada da China no conflito e ele viu que não podia derrotar o exército chinês. MacArthur pediu então a Truman para lançar bombas atómicas sobre a China, o que este recusou, por saber que isso implicava uma guerra nuclear com a Rússia. Na altura afirmou que a estratégia americana era limitar a guerra à península da Coreia e que MacArthur era demitido por não concordar com a estratégia. Ficou-se a saber que a URSS e a América travariam guerras ao domicílio mas não um conflito nuclear global. Mais uma estratégia de apaziguamento que não deixou libertar o quinto cavaleiro.

 

A excepção a esta regra era a Europa. Todos sabiam que não se podia ganhar uma guerra convencional na Europa contra o exército soviético, que em 36 horas podia ocupar todo o continente. Por isso ficou estabelecido que qualquer avanço russo teria como consequência uma resposta nuclear. Na altura foi dito que bastava um polícia da Alemanha de Leste perseguir um ladrão em Berlim Oeste, ou um carro de bombeiros do Leste vir ajudar a combater um incêndio em Berlim Oeste, para os EUA responderem com o nuclear. Kruschev dizia que Berlim eram os testículos do Ocidente, já que podia atacar em todo o mundo excepto em Berlim.

 

A queda do muro de Berlim permitiu a reunificação alemã e os governantes alemães, de Kohl a Merkel, não quiseram mais repetir o erro de Hitler. A conquista de influência já não precisava de ser militar, pois podia ser apenas económica. Só que isso podia implicar o desmantelamento de Estados, o que não deixaria de levar à guerra. Foi assim que a Europa, por influência alemã, apoiou a independência da Eslovénia e da Croácia, sabendo-se que a Sérvia iria reclamar os territórios ocupados pelos seus habitantes com uma inevitável guerra civil. Apoiou depois a indepedência do Kosovo, desde sempre um território sérvio, embora esmagadoramente ocupado por albaneses. A Rússia, tradicional aliada da Sérvia, e pela qual tinha travado uma guerra sangrenta em 1914, não reagiu.

 

Mas em 2008 tudo mudou. Quando a Geórgia decidiu pôr em causa a autonomia das suas províncias separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia a Rússia reagiu pela força militar, pelo que era óbvio que não deixaria de o fazer na Ucrânia. Por isso quando a União Europeia, especialmente por influência alemã, decidiu apoiar a colocação na Ucrânia de um governo hostil aos russos, Putin resolveu responder da mesma forma que a União Europeia tinha feito na Jugoslávia: apoiar a secessão de sucessivas regiões da Ucrânia, onde a população russa é considerável. Pelo caminho, propõe-se uma "federação", que depois facilmente se dissolve, como aconteceu na Jugoslávia.

 

É por isso que antes de a União Europeia se ter posto a apoiar golpes e governos extremistas na Ucrânia, devia considerar que a Rússia não é hoje a mesma que aceitou pacificamente o desmembramento da Jugoslávia e da Sérvia. A Rússia de hoje não vai abdicar de ter uma zona de influência própria e não vai aceitar a expansão da União Europeia para Leste. Quanto à União Europeia, o facto de ser um gigante económico não afecta o facto de continuar a ser um anão político, e pior ainda, um anão militar, que ainda por cima deixou de ter o guarda-chuva americano. Como bem escreveu Vasco Pulido Valente, "o Ocidente demonstrou ao mundo inteiro que recusa um novo conflito, na Ucrânia ou no pólo Norte: a América porque, ao fim de uma guerra perdida no Iraque e no Afeganistão, o eleitorado está maciçamente contra uma nova aventura; a Europa porque não tem dinheiro, nem poder militar para ameaçar ninguém (Obama até pediu que a França, a Inglaterra e a Alemanha investissem em armamento um pouco mais do que investem hoje)". Uma vez tive um encontro com um juiz do Supremo Tribunal Americano, que me confessou não acreditar na União Europeia, dizendo que a bandeira europeia só teria significado no dia em que aparecesse alguém disposto a dar o seu sangue por ela. A verdade é que continua a não haver ninguém disposto a esse sacrifício. Eu queria ver aqueles que agora criticam a Rússia pela sua intervenção na Ucrânia dispostos a alistarem-se num exército de defesa da Ucrânia contra a Rússia. No tempo da guerra civil espanhola houve muitos voluntários internacionais que combateram em Espanha. Hoje, não havendo nada disso, era preferível que a União Europeia tivesse algum sentido da realidade. Porque as pífias sanções económicas não assustam ninguém.

 

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Modo de Vida (42)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 11.04.14

Lá de onde eu venho não há quem a não conheça, que tratamos por tu o que no frio encontra conforto para crescer. E de tal forma ali existe, ou persiste, que nunca imaginei que não fosse de conhecimento geral. Só me apercebi do segredo bem guardado quando, chegado a Lisboa para estudar, a não encontrei em lado nenhum. Já lá vão 20 anos e ainda recordo a peregrinação pelas mercearias. Não bastava que nenhuma a tivesse, nenhuma - ou ninguém, melhor dizendo -, sequer parecia saber de que falava eu quando perguntava pela cherovia. As coisas mudaram, bem se vê, e hoje a cherovia vai aparecendo, num ou outro supermercado, com um ou outro nome, que os há. Mas a noção de segredo, de uma coisa de covilhanenses, resiste, e ainda bem. 

 

 

 

 

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Abril (11)

por Pedro Correia, em 11.04.14

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revolutìo,ónis (5)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 11.04.14

A revolução tem um sentido instrumental, derradeiro. A sua transformação em fim, em método, não trouxe nunca um bem comum ou geral. De certa forma, a institucionalização da revolução é já outra coisa que não esse momento de revolta que agrega aspirações gerais - há aí uma degeneração que não pode deixar de incomodar aqueles que querem decidir de si e por si e que desautorizam a que se catalogue de revolução uma comum tentação autoritária.  

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 11.04.14

 

 

A Volta ao Medo em 80 Dias, de José Jorge Letria

Romance

(edição Guerra & Paz, 2014)

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Republicanizar

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.04.14

"Muitos dos arrebatamentos emocionais da sociedade têm a ver com o facto de as pessoas terem medo, um medo mais relacionado com a desprotecção económica à esquerda e mais com a perda de identidade à direita, embora tudo isto se misture dando lugar a sentimentos de difícil interpretação e gestão. Neste mundo já não são eficazes as seguranças que só funcionam em espaços fechados mas as pessoas têm direito a um resguardo semelhante nas novas condições. Enquanto a política não for capaz de proporcionar uma segurança equivalente, as sociedades terão motivos para confiar nas promessas impossíveis de cumprir do populismo." - Daniel Innerarity, Público, 11/04/2014

 

Neste pequeno trecho que transcrevo, o filósofo basco Daniel Innerarity (Bilbao, 1959) sintetiza de forma magistral qual o grande problema da política contemporânea. A política, e os políticos, já que esta é feita por homens, é incapaz de proporcionar segurança aos cidadãos, o que na perspectiva daquele conduz ao acolhimento da mensagem populista. Para o caso é indiferente que esta seja proveniente daquilo a que se convencionou tradicionalmente designar por direita ou por esquerda.

Se nos detivermos cinco minutos a pensar no que distingue uma democracia representativa, um Estado de direito democrático, de uma ditadura ou de modelos autoritários musculados, rapidamente chegaremos a uma conclusão: as democracias são normalmente previsíveis, as ditaduras e os estados autoritários naturalmente imprevisíveis.

Não que nestes últimos não exista lei e ordem, como apregoava o velho Salazar, se via na Espanha franquista, na Itália mussoliniana ou no Terceiro Reich, ou mais recentemente na descaracterizada Rússia de Putin. Mas porque a previsibilidade das democracias e das suas regras não se funda apenas na exigência formal da produção e publicação do texto legislativo ou do regulamento, mas no rigor da sua interpretação e execução, na previsibilidade da sanção, na garantia da clareza na aplicação do direito, na cominação da sanção, na equitativa distribuição dos deveres e dos sacrifícios e no exercício e protecção dos direitos.

A estabilidade e segurança conferida por uma democracia exigente e rigorosa reflecte-se em tudo isso, mas igualmente na forma como o poder é exercido, como o parlamento assume a sua função legislativa e fiscalizadora da acção do executivo, na forma como o poder se distribui entre as diversas instituições, no modo como os checks and balances se articulam, na actividade dos tribunais e na acção das polícias. E, acima de tudo, na transparência com que tudo isso é feito, isto é, no acesso que todos e cada um têm ao acesso à informação, ao conhecimento dos processos e à certeza de que pela sua acção externa não só lhes é permitido acompanhá-los como orientar a sua acção fazendo uso de mecanismos ao alcance de todos.

Proporcionar segurança numa democracia implica ter actores em quem se possa confiar, cuja mensagem seja clara, directa, de imediata percepção pelos destinatários. As "promessas impossíveis de cumprir do populismo" passam também por aqui. E a este propósito, alguns trabalhos que têm sido feitos dando conta da forma como a Frente Nacional da família Le Pen cresceu e atingiu os históricos resultados das últimas municipais francesas, são de leitura aconselhável para que se perceba como aquele que deveria ser o discurso próprio das democracias se transformou no discurso da Frente Nacional e do "Campus Bleu Marine". Convirá não esquecer que nas listas da Frente Nacional se candidatou muita gente vinda de diversos quadrantes à sua esquerda, de um alto quadro da Comissão Europeia a dissidentes da UDF e do RPR, sem esquecer dissidentes de esquerda como Valérie Laupies, esta última candidata em Taracon (Bouches-du-Rhône), eleita para o comité central e conselheira regional da Frente Nacional em 2010, actual conselheira de Marine Le Pen para os assuntos da educação. Mais grave foi que a transumância não se limitou às pessoas. Hoje, em França, a Frente Nacional surge mesmo, paradoxalmente, como herdeira dos valores republicanos que as forças tradicionais, designadamente à esquerda, desde sempre se reclamaram exclusivas e fiéis depositárias, ainda que para isso tenha sido necessário deturpar a mensagem e vestir o discurso de uma roupagem nova - recorrendo a modernas técnicas de marketing e comunicação e à distribuição de kits de formação do militante frentista - ou disfarçar o passado militarista de alguns dirigentes.

Os cidadãos-eleitores não podem ser criticados por essas mudanças, salvo na parte em que o desastre da afirmação política das democracias nos tempos actuais, de que constituiu sintoma pertinente o declínio da participação nas democracias consolidadas e nos partidos, em muito se ficou a dever ao crescimento da sua própria apatia.

Veio isto a propósito do texto de Innerarity como podia vir a propósito de "o problema é deles", manifestação de paroquialismo vinda de onde menos se espera, ou da dupla indignidade do comportamento do poder político em matéria tão sensível como é a da transparência da tributação e da necessidade dos contribuintes destinatários serem esclarecidos por quem decide sobre as regras que lhes são aplicáveis sem terem de se sujeitar a atitudes de banditismo fiscal, tornadas corriqueiras por força de um aberrante comportamento político de tipo liliputiano por parte dos responsáveis em matéria fiscal e respectivos executores. A insegurança residirá na política, nos caminhos que esta prosseguiu nos anos recentes, sem que, todavia, nesta se esgote. A adequação formal das regras não constitui o princípio e o fim da segurança. Esta será apenas um caminho para atingir os fins superiores da actividade política. Por isso é que, quanto a estes, mais do que apontar o dedo aos cidadãos e aos eleitores que escolhem o caminho "mais fácil" do voto "populista", importaria, agora que passam 40 anos sobre o 25 de Abril e se cumpre o centenário da morte desse mito da cidadania que foi Jean Jaurès, republicanizar a democracia, tornando-a possível, oferecendo um modo de ser e de estar que contrarie em cada dia que passa a deprimente e cada vez mais insuportável falta de estatura, de dimensão ética, moral e política de quem diariamente decide sobre as vidas dos seus semelhantes sem olhar para o que está por trás, nem para as consequências dos seus actos, cumprindo agendas e roteiros dignos de moluscos destituídos de vontade.

Tornar a democracia possível é torná-la segura, afastando-a da imprevisibilidade típica da gestão dos incompetentes, do autoritarismo de caserna e da arbitrariedade das ditaduras. Tornar a democracia segura é, além do mais, humanizá-la, coisa que não poderá ser feita por autómatos políticos cujo único credo é a conquista do poder e a sua manutenção para garantir o alimento do lumpen dependente que os venera e serve.

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 11.04.14

 

Jean Simmons

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As canções do século (1562)

por Pedro Correia, em 11.04.14

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A existência do que não existe...

por Helena Sacadura Cabral, em 10.04.14

Presidente da Assembleia da República trata reivindicações dos militares de usarem da palavra na cerimónia como algo "que não existe". Vasco Lourenço responde que, sendo assim, não estarão presentes.

Temo que se torne cada vez mais difícil entender o que a Presidente da Assembleia da República quer dizer, quando usa da palavra. A mim, parece-me que a senhora entende que os capitães de Abril devem ser convidados - e foram -, mas não quer que eles falem.

Não percebo nada destas matérias, mas julgo que haverá regras para quem fala na ocasião. Se os capitães se enquadram nessas regras devem poder falar. Se não se enquadram não falam. E explica-se, sem medos nem reservas, as razões da decisão tomada. O que se não pode é arrumar o assunto dizendo que ele não existe. Será que sou eu que estou a ficar senil?!

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Ler

por Pedro Correia, em 10.04.14

O que o Papa Francisco nos traz de volta. De Suzana Toscano, na Quarta República.

Obituário da esperança socialista. De Alexandre Homem Cristo, n' O Insurgente.

As bandeiras e as bandeirinhas. Do João Villalobos, no Fragmentário.

A competitividade da estupidez. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.

O trabalho que a sorte me dá. De Maria de Jesus Lourinho, n' 1 Dia Atrás do Outro.

O meu mundo e o dos outros. Do Pedro Rolo Duarte.

O que é uma selfie? Da Carla Hilário Quevedo, na Bomba Inteligente.

Os livros que nos chamam. De José Pacheco Pereira, no Abrupto.

Grandessíssima pedra. Do Pedro Marta Santos, no Escrever é Triste.

Exímio. Do Nuno Costa Santos, n' O Marginal Ameno.

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Portugal no Seu Melhor

por Francisca Prieto, em 10.04.14

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A anedota da vaca

por Rui Rocha, em 10.04.14

Dois advogados, em nome dos respectivos clientes, disputaram ardentemente a propriedade de uma vaca. Terminada a sessão, despidos das funções, um dos causídicos perguntou, amigável e divertido: “Olha lá, afinal de quem é a vaca?” A resposta foi tão óbvia quanto surpreendente: “A vaca? A vaca é nossa!”

 

* notícia via Provas de Contacto

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Abril (10)

por Pedro Correia, em 10.04.14

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revolutìo,ónis (4)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 10.04.14

Uma revolução que não devolva as liberdades aos indivíduos não deixa de ser uma revolução, mas não merece mais do que um súbito frémito. E ainda que dela resulte uma melhoria comparativa, estamos ainda no campo de uma apropriação indevida, porque as liberdades devem ser reconhecidas e não atribuídas. É por isso que o reino das revoluções acaba por ser o reino das expectativas, porque são estas que as alimentam e, faltando estas, as abortam ou deixam morrer. 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 10.04.14

 

 

A Menina dos Ossos de Cristal, de Ana Simão

Testemunho

(edição Guerra & Paz, 2014)

 

[A editora Guerra & Paz festeja hoje o oitavo aniversário, o que me leva a enviar daqui um caloroso abraço ao meu amigo Manuel S. Fonseca]

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relaxa e goza

por Patrícia Reis, em 10.04.14

Lê-se no portal do Sapo:

 

Grécia, Japão, Portugal, Itália e Irlanda continuarão a ser em 2015 as cinco economias com dívida pública líquida superior a 100% do PIB, segundo as projeções do FMI.

 

Ok. Recebi a mensagem, não estou surpreendida.

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