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As canções do século (2012)

por Pedro Correia, em 05.07.15

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por Leonor Barros, em 04.07.15

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Hoje ao fim de tarde. A alma cheia de gente que me faz mais feliz e a quem estarei eternamente grata. 

 

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Atenção que no Chile, onde decorre a Copa América, estão, pelo visto, em pleno Inverno. Se isto não é a confirmação dos efeitos das alterações climáticas, vou ali e volto já.

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Leituras

por Pedro Correia, em 04.07.15

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«As grandes ideias são as mais simples.»

William Golding, O Deus das Moscas, p. 143

Ed. Vega/Público, 2002. Colecção Mil Folhas, nº 7. Tradução de Luís de Sousa Rebelo

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A joke a day keeps Sócrates away

por Rui Rocha, em 04.07.15

Costa diz que Grécia é a dramática ilustração do que sucederia em Portugal sem o PS.

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Metafísica (III)

por Bandeira, em 04.07.15

Lacónia, Peloponeso, Grécia

 (Lacónia, Peloponeso, Grécia)

 

 

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Tia

por José António Abreu, em 04.07.15

«Só tu é que me vens visitar.»

Há seis camas na enfermaria. Desde a primeira visita de Jorge, há cerca de dois meses, o número das ocupadas variou. Hoje são quatro. A tia encontra-se na primeira à esquerda da porta de entrada. Ao lado tem uma senhora com mais de setenta anos, rodeada pela filha e por duas netas. A terceira cama encontra-se vazia. Na outra fila de três, a vazia é a do meio. Já lá teve uma rapariga, vinte e cinco anos, talvez nem tanto. Morreu há uma semana. Nas outras encontram-se duas senhoras de idade. Apenas uma tem companhia – do marido, pelo aspecto.

Jorge tem dificuldade em perceber as palavras da tia. A voz dela é fraca e arquejante. Não admira. Basta ver como está magra e fraca. De tal forma que lhe custa a acreditar que se trata mesmo da sua tia Helena, irmã mais nova da mãe dele. O elemento da família que, em criança, ele preferia. Simpática e sempre disponível mas cuidadosa para não o sufocar com beijos e abraços, como faziam outras mulheres da família. Uma vez (lembra-se sempre daquilo, quando pensa nela), estando Jorge doente (já não recorda qual a doença), passou horas na cama ao lado dele, jogando às cartas e às damas (a cama é um péssimo sítio para jogar damas: a maioria das partidas terminara com peças deslizando pelo tabuleiro e perdendo-se nos lençóis, por entre risos e acusações de batota). A tia era muito mais nova, então (teria pouco mais de vinte anos) e bastante mais atraente. Ainda se pode detectar parte dessa beleza na cara dela, hoje emagrecida pela doença. Desapareceu, contudo, toda a vivacidade que possuía, bem como toda a inconsequência que advém da juventude, de raramente se sentir dor física, do conceito de morte ser tão estranho e distante como a composição da atmosfera de outro planeta (em miúdo, os planetas e as estrelas eram um dos temas favoritos de Jorge). Hoje, a expressão da tia mostra não apenas desespero – expectável – mas um grau de surpresa que deixa Jorge perturbado e lhe torna difícil encará-la.

Sabe que ela fala verdade e que só ele a visita regularmente. Isso sucede porque outros elementos da família já morreram (a mãe dele, por exemplo), porque alguns emigraram (o enteado que ela criou desde muito novo), porque, encontrando-se no país, estão suficientemente longe para que a distância possa servir como desculpa (o ex-marido, o irmão, vários sobrinhos).

«Não precisas de vir tantas vezes. Tens a tua vida.»

«Não me custa nada. Faço-o com prazer.»

Prazer? Jorge fica envergonhado assim que a palavra lhe sai dos lábios.

Como sempre, tem dificuldade em manter a conversa. Esgotadas as frases ocas e, em alguns casos, falsas («Como se sente hoje?»; «Está com melhor aspecto.»; «Não tarda nada sai daqui.»), é-lhe complicado pensar em temas sobre os quais possam conversar. O passado, evidentemente, constitui a excepção. A tia parece apreciar relembrá-lo (até mesmo aquelas épocas nas quais Jorge mal a via e que – pensa ele – não devem ter sido particularmente felizes) mas ele fica desconfortável. Parece-lhe uma solução fácil, cobarde, que implica o reconhecimento de que ela morrerá em breve.

Mas morrerá. É uma questão de semanas, dois meses no máximo. Até já resistiu mais tempo do que os médicos previam no início.

«Cada vez tenho menos razões para permanecer viva.»

Não é a primeira vez que ela diz aquilo. A frase perturba-o. Coloca-lhe sobre os ombros uma responsabilidade à altura da qual teme não se encontrar. Já em várias ocasiões pensou em não vir com tanta frequência. As visitas deixam-no esgotado e, para mais, reside a uma centena de quilómetros, o combustível e as portagens não ficam baratos. Mas como pode fazê-lo? Sabe constituir uma dessas poucas razões – à medida que se torna evidente o desinteresse de outros membros da família, talvez a única. Se estivesse outra pessoa naquela cama, se não soubesse que, de facto, quase mais ninguém a visita, a frase poderia irritá-lo. Fazê-lo sentir-se chantageado. Mas aquela é a tia Lena. A sua tia preferida. Que sempre esteve disponível para ele. Que talvez apenas se mantenha viva para ele. (Valerá a pena? Deverá sentir-se mal por isso?)

Fica com ela até ao fim do horário para visitas. Faz-lhe perguntas sobre as companheiras de enfermaria mas descrever as doenças das outras mulheres e como várias já morreram também é deprimente. Torna claro que daquelas camas apenas se sai para o cemitério. Procura outros assuntos. Inevitavelmente, regressa ao passado.

No final, diz-lhe: «Volto em breve.»

A tia responde que não é preciso mas Jorge sabe que mente. Quando lho disse, perpassou-lhe pelos olhos um indício da antiga vitalidade. Um sinal de prazer.

«Faço-o porque quero.»

Inclina-se e beija-a. As faces encovadas perturbam-no. Difusamente, pensa que já devia estar habituado.

Olha para trás à saída e diz-lhe adeus. Segue pelos corredores e desce as escadas tentando não olhar para os outros visitantes. Não se quer rever neles. Na rua, inspira fundo. Mas o ar está quente e cheira a asfalto e gases de escape.

Estacionara o carro fora do perímetro do hospital. O horário das visitas terminou mas os passeios ainda estão atravancados com veículos. Passa entre uma carrinha branca e um furgão e começa a atravessar a rua. Apercebe-se de uma comoção difícil de definir, depois ouve um ruído de travagem e logo a seguir o automóvel atinge-o do lado esquerdo. Voa meia dúzia de metros. Ao cair, bate com a cabeça no asfalto. Sente o sabor do sangue. Antes da escuridão o envolver, pensa que a tia acabou de morrer.

 

(Também aqui.)

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 04.07.15

Muita feira medieval, muita reconstituição do contexto socio-económico, muito rigor histórico. Mas os preços praticados pelos artesãos e comerciantes são os do presente.

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Pode estar mais velho mas ainda tem um certo jeito

por José António Abreu, em 04.07.15

Roger Federer vs. Sam Querrey, esta semana, na segunda ronda de Wimbledon.

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 Yanis Varoufakis

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É um risco, bem sei

por Rui Rocha, em 04.07.15

Aposto mil escudos em como a Grécia não volta ao dracma.

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A campanha já começou

por Pedro Correia, em 04.07.15

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 Imagem O Insurgente

 

Tenho de aplaudir a nova estratégia de comunicação do PSD: espalhar pelo País cartazes com a fotografia de Sócrates. Não há propaganda mais eficaz que esta.

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As canções do século (2011)

por Pedro Correia, em 04.07.15

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Lex talionis

por Rui Rocha, em 03.07.15

Os que louvam Tsipras, omitindo que este enganou os eleitores gregos ao prometer o que sabia não estar nas suas mãos cumprir, deviam ser obrigados a fazer campanha por Passos Coelho.

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Encantos da vida na cidade

por Isabel Mouzinho, em 03.07.15

Lisboa parece às vezes uma cidade parada no tempo, arrastando-se vagarosa por ruas estreitas e antigas, deambulando como quem não tem pressa ou não sabe que rumo tomar, em  romântica e sedutora incerteza.

Delicia-me essa lentidão quando entro no eléctrico na Estrela, me sento junto da grande janela aberta, solto o cabelo na brisa da tarde, demoro o olhar no azul mais claro do céu ou mais escuro do rio e a observo nos seus mais ínfimos detalhes de pessoas, lugares, cores, cheiros e sons, como se não a conhecesse ainda, ou ela tivesse sempre uma novidade para mim. 

E deixo-me levar até à Baixa naquele balanço pachorrento que me sossega a alma e deixa no corpo o mesmo torpor molengão de quem acaba de acordar de uma sesta, e encosto o meu coração ao coração da cidade de que eu tanto gosto e, como no conto de Mário Dionísio, dá-me vontade de começar a assobiar baixinho.

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Nada teu exagera ou exclui

por Leonor Barros, em 03.07.15

Para que conste. Nada me choca que Eusébio esteja no Panteão, só me incomoda porque aquilo não tem um ar nada confortável, é tudo muito mármore, branco e ascético, muito frio e deve haver poucas farras, como o Eusébio gostaria e que se saiba a Amália também era rapariga para alinhar numas festas e cantorias. Sou contra qualquer visão elitista da vida. Não acho que um escritor possa, a priori, valer mais do que um futebolista ou uma fadista. Ai de nós se as margaridas rebelo pinto desse mundo granjeassem um lugar na casa dos deuses apenas pelo seu epíteto e ai de nós se, a juntar-se aos que já lá estão, fosse aquela a última morada dos tonis carreiras deste canto luso apenas porque há que garantir quotas e igualdade de género. Os portugueses são feitos de muitos, e nesses muitos, cada um se destaca e se ergue sobre os demais pela sua grandeza, igual se escritor, futebolista ou artista plástico, igual se andou a jogar futebol com uma bola de trapos ou a estudar francês e a tocar piano. Como diria um poeta e um homem grande 'para ser grande, sê inteiro'. É quanto chega, mas nem todos lá chegam.

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As canções de Julho

por Pedro Correia, em 03.07.15

Ao longo de Julho serão aqui privilegiadas algumas das chamadas 'canções de Verão'. Com intérpretes tão diversos como João Gilberto, Elvis Presley, Charles Trenet, Platters, Van Morrison, Pet Shop Boys, Sammy Davis Jr, Maria Bethânia e Sylvie Vartan.

Como de costume, mês após mês, as vossas sugestões serão bem-vindas.

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onde o som rasga a pele

por Patrícia Reis, em 03.07.15

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Carmen fica ao espelho e, imprudente, acende um cigarro que não fuma. Ela diz que não fuma. Vê o fumo, pequeno, um rasgo apenas, quebrar a sua imagem. Não se reconhece. Passa a mão esquerda por água, com a direita segura o cigarro. Fica assim algum tempo. Ouve o gato. Atravessou o corredor. Depois de ficar sozinha começou a temer o bicho. O silêncio dele. Comprou-lhe uma coleira com um guizo. Considerou várias vezes se o barulho não o irritaria, se não o levaria à loucura. Um som metálico, um tilintar que podia ser de fada ou de duende. De bailarina exótica. O gato salta para o parapeito da banheira. Com a pata procura água junto à boca da torneira. Carmen observa-o, sente o fogo das cinzas a arder perto da pele, o cigarro que termina.

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A semana do desespero.

por Luís Menezes Leitão, em 03.07.15

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Um leitor deste blogue chamou-me a atenção para estas imagens publicadas pelo Observador, demonstrando as filas dos reformados gregos, tentando receber as suas pensões de bancos que têm que estar fechados pois de outra maneira não resistiriam perante os contínuos levantamentos por parte dos depositantes. Os reformados gregos são as vítimas inocentes desta estratégia do Syriza, que de um momento para o outro pode deixá-los sem nada.

 

Isto porque provavelmente estes levantamentos serão os últimos que terão em euros e o novo dracma só pode significar a miséria na Grécia. Diz-se que a saída do euro implicaria em Portugal uma desvalorização de 50% enquanto que na Grécia chegará aos 80%. Ou seja, Portugal entrou no euro com este a valer 200,482 escudos e agora sairia com o novo escudo a valer 1/300 avos de um euro. Já quando a Grécia entrou no euro o dracma foi convertido a €0.0029 e agora seria convertido a €0,00058. Ou seja o novo dracma será equivalente a 1/1724 avos de um euro. Podem naturalmente dar outros valores às novas moedas criadas mas a realidade económica subjacente é esta. 

 

O problema é que isto não vai ficar por aqui, pois como se viu depois do confisco de Collor no Brasil em 1990 ou do corralito argentino de 2001, o resultado destas brincadeiras é sempre uma hiperinflação, com uma alta do custo de vida que destruirá completamente o valor das pensões. Estes reformados já viveram muito e sabem bem o que os espera. O sarilho em que o governo do Syriza fez cair a Grécia vai-lhes custar muito caro.

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Os garotos

por Rui Herbon, em 03.07.15

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Os países não podem ser governados em estado de permanente excitação. É possível adoptar a estratégia da fuga para a frente a curto prazo, com gestos, slogans e propaganda que satisfaçam num momento concreto a maioria dos cidadãos, mas nem as grandes revoluções se conseguiram instalar na retórica da política-ficção de modo indefinido. Fazer política à margem da realidade é uma farsa inaceitável. Não é sério celebrar eleições em Fevereiro (que sufragaram uma política que, por ser contrária à defendida pela generalidade dos países da União, que nunca a aceitariam, implicava o incumprimento e a saída do euro) e convocar um referendo em Julho, a correr, porque o governo eleito não tem coragem para tomar decisões (a democracia, dizia Max Weber, é um instrumento para escolher os encarregados de adoptar as decisões supostamente justas e definir contra-pesos para limitar os seus excessos) e nem sequer soube gerir os problemas que afectavam muito dolorosamente a maioria dos gregos (a economia estava a crescer antes da tomada de posse do governo do Syriza).

 

Há dias Alexis Tsipras aceitava o núcleo duro das exigências dos credores. Poucos dias antes tinha abandonado as negociações e convocado, à noite e sem avisar ninguém, um referendo. Não se entende como, apesar de querer negociar, continua a apoiar o «Não» no referendo, cuja pergunta está totalmente ultrapassada, pois refere-se a documentos que, não tendo havido acordo até terça-feira passada, deixam de estar em vigor; e os seus ministros, à falta de argumentos, continuam a usar a demagogia: «campanha de terror contra a Grécia», «conspiração para derrubar um governo de esquerda» e por aí fora. Resumindo: a culpa é dos outros. Sempre que se empreende uma política baseada na ficção, alheia às leis vigentes e à realidade palpável, responsabiliza-se o suposto adversário ou inimigo pelos males pátrios. É essa a táctica secular de ditadores e populistas de meia-tigela (que são sempre aprendizes dos primeiros).

 

Os plebiscitos precipitados são jogos com cartas marcadas. Putin (oh, o amigo Putin) fê-lo na Crimeia, e Tsipras quer transferir para os gregos uma responsabilidade que é sua. A leviandade tem um preço demasiado elevado em política, que não é um jogo para garotos.

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Obras de Santa Engrácia

por José Navarro de Andrade, em 03.07.15

Então não vai uma petiçãozita para retirar Almeida Garrett, Aquilino Ribeiro e Sophia de Mello Breyner e Andresen do Panteão? Ficava muito mais compostinho e homogéneo, além de que verdadeiramente representativo da ideia que se quer legar da Nação.

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Grécia antiga (37)

por Pedro Correia, em 03.07.15

«Há a esperança de [o Syrizia] devolver a largos sectores sociais da Grécia o reconhecimento da sua dignidade essencial. Volto a lembrar: a doutora Manuela Ferreira Leite falou disso há bocadinho e falou muito bem. É exactamente isso: é resgatar a dignidade de grande parte [da população grega].»

José Manuel Pureza, na TVI (29 de Janeiro de 2015)

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Costa tira o tapete a Nóvoa.

por Luís Menezes Leitão, em 03.07.15

Desde o início, logo que Costa empurrou Nóvoa para Belém, que tenho vindo a afirmar que com essa iniciativa Costa se suicidava politicamente, arrastando todo o PS com ele. É evidente que o apoio a um candidato radical de esquerda vai assustar o eleitorado de centro, que é onde se ganham as eleições. Que seria do PS se alguma vez tisse apoiado Otelo em 1976 ou Pintasilgo em 1986? Nessa altura, por muita simpatia que esses candidatos suscitassem na sua ala esquerda, os socialistas souberam ter juízo e não embarcar em cantos de sereia.

 

António Costa manifestamente não tem a mesma ponderação e mergulhou de cabeça no desastrado apoio a Nóvoa. Mas pelos vistos ainda há gente no PS com algum senso e já desafiaram Maria de Belém a avançar. Faz todo o sentido, pois dificilmente o PS poderia ter um nome mais adequado para o palácio de Belám. Já imagino os slogans: "Para Belém, Maria de Belém".

 

E perante isto o que faz António Costa? Naturalmente tira o tapete a Nóvoa, dizendo que afinal o PS pode não apoiar nenhum candidato. Temos aqui claramente um padrão de comportamento político. Depois de ter tirado o tapete a Seguro, Costa tira o tapete a Nóvoa. Resta saber quantos mais tapetes vai tirar nesta campanha alegre.

 

Em consequência, Nóvoa vai ser lançado às feras, logo agora que ele tinha alcançado uma vitória retumbante no referendo do Livre, tendo alcançado nada menos que 87% de 867 votos! Como se pode compreender então que António Costa se queira ver Livre dele?

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 03.07.15

No futuro próximo, os selfie sticks serão muito úteis para afugentar drones.

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Metafísica (II)

por Bandeira, em 03.07.15

Dimitsana, Arcádia, Grécia

 (Dimitsana, Arcádia, Grécia)

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Passagem de Nível

por Francisca Prieto, em 03.07.15

She loved to walk down the street with a book under her arm. It had the same significance for her as an elegant cane for the dandy a century ago. It differentiated her from others.

 

(Milan Kundera, in The Unbearable Lightness of Being)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 03.07.15

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Somos Todos Assassinos, de Jean Meckert

Tradução de Luís Leitão

Romance

(edição Antígona, 2015)

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Pensamento para hoje

por Joana Nave, em 03.07.15

Os animais domésticos ensinam-nos a ser mais generosos e tolerantes. Cuidar de um animal de estimação requer tempo, paciência e dedicação. É necessário, também, investir no conhecimento, pois cada espécie é única e tem exigências muito próprias.

 

Adopte um animal de estimação. 

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 03.07.15

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 Lucía Villalón

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Na primeira pessoa

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.07.15

Vale a pena ler este testemunho. Nada do que ele diz é novidade para quem estuda estas coisas, mas não deixa de ser o depoimento triste e amargurado de quem acompanhou a subida ao poder do PSD. Podia ter sido com o PS ou com qualquer outro. Exemplos desses não faltam. Este saiu como entrou. Não mudou a cerviz. Alguns saíram e já estão de volta, com os bolsos mais pesados e cagança redobrada. São os sem-vergonha. E depois há os outros que estão onde sempre estiveram. Junto à manjedoura, à espera do feno. São estes que temo que nunca de lá hão-de sair. E no fim o que fica? A promoção do Licor Beirão. Para desgraça deste país.

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A Contadora de Fotografias

por Francisca Prieto, em 03.07.15

Cinco manhãs por semana, a contadora de fotografias abria uma das doze gavetas do móvel de alumínio e começava o dia a contar. Um, dois, três, quatro. Só depois de seleccionar o quarteto de imagens comprimidas no arquivo de tiras é que se fechava na câmara escura. 

Quando estava bem-disposta, a escolha seguia um critério. Havia dias em que lhe dava vontade de contar fotografias de gente pequena, outras vezes gostava de contar lugares, ou dias cinzentos, ou gestos de ternura. Quando estava demasiado cansada, tão cansada que as palavras lhe faltavam, a escolha era feita ao acaso e deixava que as imagens se contassem a elas próprias.

Tinha herdado o espólio do pai, o tirador de fotografias, um homem com um olho tão grande que conseguia captar microsegundos de realidade e eternizá-los num quadrado a negativo onde as pessoas viviam do avesso a pairar em formas pouco distintas.

A contadora de fotografias era dona das palavras, mas nunca tinha encontrado o termo certo para contar o amor que sentia pelo pai. Procurou adjectivos, advérbios e predicados no léxico de todas as línguas do mundo. Comprou dicionários, gramáticas e prontuários, leu-os de fio a pavio, da frente para trás e de trás para a frente, às vezes abrindo uma página ao acaso, na esperança de lhe ter escapado uma sílaba escondida, um prefixo ou sufixo que a salvasse de tal inquietude. “Há palavras que nos faltam”, concluiu ao fechar o último tomo, “há palavras que têm de ser inventadas”.

Foi nesse dia que soube que, para chegar à palavra que lhe faltava, tinha de começar a contar cada uma das fotografias do pai.

Um, dois, três, quatro negativos a submergir em tinas.

Quando era pequena, o tirador de fotografias tinha-lhe ensinado que o negativo é o pão que vai ser barrado na manteiga. “Assim, estás a ver?” – dizia ele enquanto mergulhava o negativo em nitrato de prata – “ Se não o preparares com cuidado, não vai aderir em doses uniformes ao papel e ficas com uma imagem enjoativa”.

Ela subia para o banquinho e tentava dar conta da receita. Ao princípio tinha medo de o desapontar e enervava-se de tal maneira que as imagens apareciam demasiado densas no papel. “ Vês? Isso é uma imagem que até faz mal ao fígado”, dizia-lhe o pai, “tenta outra vez”.

Depois aprendeu a controlar o batimento cardíaco e ganhou a precisão de um relógio de quartzo. O segredo era simples, bastava acompanhar o processo com uma ladainha que variava em função do cenário que estava a revelar: “árvore-menino-cão-ladrão”, “avó-sorvete-degrau-neto”, “rio-frio-inverno-casaco”. Era a lengalenga que lhe dava o timing certo.

Cinco manhãs por semana, a contadora de fotografias escolhia quatro imagens e ampliava-as até cobrirem uma parede. Duas em cima, duas em baixo, mesmo a raiar o rodapé. Depois, sentava-se defronte da parede e contava o que se passava em cada um dos cenários eternizados pelo tirador de fotografias.

“...aqui o tirador de fotografias pediu ao menino que sorrisse. O menino fez uma birra que gritava pela roupa toda. A mãe, envergonhada, prometeu-lhe um chocolate na mercearia do senhor Arlindo, o velhote que tinha uma mulher que sofria de varizes...”

“...neste dia fazia um frio dos diabos e as pessoas andavam na rua com casacos de papa alentejana. Bem, não eram de papa alentejana, mas antes fossem, que o frio que caía do céu chegava para humedecer paredes grossas...”

“..este pato era parvo, ou então tinha muita personalidade. Pois se estão todos a nadar para o pão que a menina atirou, ele também devia estar. Olha, se calhar não tinha fome...”

“...devia ser março ou abril. Só no início da primavera é que as pessoas vão à praia com sapatos fechados. No outono ainda levam o embalo do verão e as sandálias nos pés...”

Depois, a contadora de fotografias retirava a fita-cola a cada uma das imagens, sorria ao lembrar-se de que o pai dizia “fita-gomada”, escrevinhava no verso pequenas notas da sua história, guardava-as numa grande caixa e saía para trabalhar.

Um dia, já não havia no arquivo mais tiras de negativos com imagens para contar. A contadora de fotografias já as tinha contado todas e ainda não tinha dado com a palavra para descrever as saudades que sentia do pai. Abriu cada uma das doze gavetas do móvel de alumínio. Vazias, as doze. Depois, desmontou-as uma a uma e, lá no fundo do armário, deu com uma tira de negativos perdida. Quatro imagens dela menina, num canto da câmara escura, a contar fotografias.

Foi quando percebeu que o tirador de fotografias, por não ter jeito para as palavras, tinha preferido fotografar o amor.

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As canções do século (2010)

por Pedro Correia, em 03.07.15

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Olhos de caramelo

por Patrícia Reis, em 02.07.15

2015-06-19-Onde-a-mulher-e-um-boneco-animado-1[1].

Sim. Olhos de caramelo.

Ao espelho, Carmen já não vê o caramelo, o dourado, a íris num rasgo de. Qualquer coisa. Não. Só vê o fundo escuro do castanho mais negro, cada vez mais negro. Tem tendência a repetir tudo várias vezes, é uma ajuda, para entender as palavras, para as ouvir. Fala alto. Baixinho, mas em voz alta. Para si. Por vezes, fala para os outros e parece que não a conseguem ouvir. Sente-se como um boneco animado, desesperada, incompreendida. Um boneco triste, de fazer rir de tão triste.

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Grécia antiga (36)

por Pedro Correia, em 02.07.15

«A Grécia renasceu hoje. O medo falou e perdeu. Ganhou a democracia. Ganhou a esperança. A Grécia mostra hoje o caminho que pode ser de todos: deter a austeridade, renegociar a dívida, garantir a saúde, a educação, as pensões e o emprego, desenvolver. Esse é o programa comum de recuperação da esperança.»

José Castro Caldas, no Facebook (25 de Janeiro de 2015)

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 02.07.15

Se te diagnosticarem alopecia deves preparar-te para o calvário.

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Metafísica (I)

por Bandeira, em 02.07.15

Agios Ioannis, Pelion, Grécia

(Agios Ioannis, Pelion, Grécia)

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Penso rápido (68)

por Pedro Correia, em 02.07.15

Há sempre modelos alternativos. Na Rússia vigora um. Na Grécia há outro em marcha. Na Venezuela existe outro ainda, desde 1999. Já para não falar do cubano, muito mais antigo. Ou do norte-coreano, aliás inconfundível.
E há o chinês, o angolano, o saudita. O do Irão, o da Bielo-Rússia, o da Guiné-Bissau.
Tudo visto e somado, talvez o modelo da democracia liberal europeia seja, como dizia Churchill, o menos mau de todos.

Isto não me provoca qualquer estranheza. O que não cessa de me espantar é haver quem defenda modelos diferentes instalado no lado de cá.

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Parabéns Fernando Sousa!

por Patrícia Reis, em 02.07.15

 

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Blog da semana

por Helena Sacadura Cabral, em 02.07.15

A minha escolha para blog da semana vai para o Da Literatura, conduzido por Eduardo Pitta, cujas  análises literárias, políticas e sociais merecem sempre leitura atenta, mesmo que até possamos discordar delas.

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O discurso anti-europeu

por Luís Naves, em 02.07.15

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Durante uma geração, Portugal tirou grandes vantagens da integração europeia, mas começam a surgir no debate público artigos como este, de João Cardoso Rosas no Diário Económico, onde se defende a ‘desconstrução da Europa’, ideia baseada numa suposta traição ao projecto inicial*.

O caso da bancarrota grega levou os meios de comunicação de referência a uma onda de interpretações abertamente anti-alemãs (por vezes, sem esconder incompreensível grau de xenofobia em relação a cabeleiras loiras). As lideranças europeias são acusadas de chantagem, arrogância, maldade e estupidez, apesar de, como bem nota Luís Menezes Leitão em texto mais abaixo, o Governo de Atenas ter aparente intenção de abandonar a zona euro. A propósito, deixo aqui o link de um texto que escrevi a 14 de Abril.

São tão evidentes as vantagens que Portugal extraiu da integração europeia, que devia ser inútil elaborar listas. Durante quatro décadas, em cada ano, o país foi subsidiado em cerca de 3% do seu produto. Investiu-se em educação, transportes, saúde, tecnologia, infra-estruturas, cultura. As empresas modernizaram-se e têm hoje acesso a um mercado único gigantesco. Esta nova realidade nada tem a ver com a dos anos 80. A preços constantes e apesar da crise, o PIB per capita aumentou 75% desde a adesão. Os portugueses vivem numa zona de prosperidade e segurança, tendo adoptado legislação comunitária de qualidade e construído uma rede social assinalável. Houve também ilusões e até erros imbecis, mas a nossa sociedade sofreu transformações profundas e parece insensato defender o regresso a um passado de isolamento e melancolia.

No entanto, lendo e ouvindo muitos políticos portugueses, inclusivamente com responsabilidades a nível europeu, a Europa está à beira do colapso, perdeu o elemento da solidariedade e tem uma liderança alemã ilegítima. As decisões das instituições são consideradas anti-democráticas (mesmo quando se limitam a cumprir os tratados) e há em pano de fundo certa nostalgia pelo paraíso perdido, essa Europa mítica ‘baseada na coesão e na solidariedade’, como se agora se diz, em formulação suficientemente vaga. O discurso anti-europeu cresce nas franjas do descontentamento, à direita e à esquerda, tendo já conquistado a conversa quotidiana, onde há sempre dois pesos e duas medidas, conforme a origem da crítica. Enfim, os europeus são os maus e quem resista à colonização é o virtuoso. O caso contra a Europa tem sempre poucos factos e muita retórica, indignações difusas e distorções elaboradas. Visa naturalmente pôr o relógio a andar para trás.

 

* O artigo é contraditório, pois admite que o projecto inicial tinha o objectivo de garantir a paz na Europa, algo que foi amplamente conseguido.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 02.07.15

 

afri[1].jpg

 

Adeus África, de João Céu e Silva

Romance

(edição Guerra & Paz, 2015)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Pensamento para hoje

por Joana Nave, em 02.07.15

Tudo o que damos espontaneamente ao universo, volta para nós. Se desejarmos mal aos outros, vamos sofrer dissabores. Se por outro lado formos generosos e alegres, a vida brindar-nos-á com abundância e felicidade.

 

Dá aos outros o que gostavas de receber em troca.

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A estratégia para o Grexit.

por Luís Menezes Leitão, em 02.07.15

Ao contrário de alguns colegas deste blogue, não penso que haja errância ou incompetência neste jogo que o governo grego tem vindo a jogar. Como aqui escrevi, acho que há uma estratégia pensada desde o início para transformar a Grécia numa nova Cuba. Nessa estratégia inclui-se naturalmente o repúdio da dívida, imitando o que Rafael Correa fez no Equador em 2007, e uma aproximação à Rússia, que Tsipras tem vindo a demonstrar todos os dias. Da mesma forma que Otelo em 1975, Tsipras aspira a ser o Fidel Castro da Europa. Para esse efeito Varoufakis fez o papel de entertainer, fazendo propostas absurdas ou discursos inflamados no Eurogrupo, o que impediu qualquer negociação séria. Mas, na altura em que se perspectivava um acordo, é anunciado o referendo onde será fácil apelar ao não, invocando as constantes humilhações a que os gregos, um povo orgulhoso, têm vindo a ser sujeitos. O referendo foi visto como um balde de água fria para os credores, mas é evidente que era o passo necessário para a saída do euro. Em que outra coisa a coligação Syriza-Anel, a extrema-esquerda com a extrema-direita, poderiam estar de acordo? A saída do euro foi seguramente desde o início o traço de união desta coligação, não admirando por isso que ambos estejam a apelar ao não no referendo, como também o faz o Aurora Dourada.

 

É por isso que a frase de Cavaco Silva, de que se a Grécia sair ficam 18 no euro, é a antologia do disparate político. Apesar das suas evidentes fragilidades, o euro neste momento é o principal obstáculo à ascensão dos extremismos em toda a Europa, pelo que é naturalmente objecto de ataque feroz por parte dos mesmos. Marine Le Pen já se intitula Madame Frexit, e muitos outros extremistas se seguirão, a dar a machadada final nesta moeda, para o que diga-se de passagem a estupidez dos líderes europeus muito tem contribuído. Tivessem Papandreou e Simitis sido tratados de outra forma e hoje não estaria a Grécia nas mãos de Tsipras e Varoufakis.

 

Estou, no entanto, convencido de que a estratégia do Syriza vai falhar, pois o sim vai ganhar no domingo. Ao contrário do que o Syriza esperava, os gregos puderam ver nestes dias o que seria ter a Grécia como a Cuba da Europa: Bancos sem dinheiro, controlo dos levantamentos, corrida aos supermercados, e filas de pensionistas para receber as suas pensões. Não me parece que a retórica inflamada e a ameaça de demissão do governo do Syriza os faça querer prorrogar mais um único dia esta realidade.

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Cai o pano

por Sérgio de Almeida Correia, em 02.07.15

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Se a convocação do referendo por parte de Alex Tsipras podia ser compreendida à luz das regras democráticas, a que os Estados dominantes da União Europeia têm fugido sempre que possível quando se trata de confrontar as suas decisões com a vontade dos povos, já o mesmo será difícil de dizer da errância de que tem dado mostras. Seguramente que não é fácil gerir um país na situação grega, sendo certo que o estado a que a Grécia chegou não foi fruto da irresponsabilidade dele ou de Varoufakis, mas sim de um conjunto de factores que vão da irresponsabilidade dos governos anteriores, tanto do PASOK como da Nova Democracia, que foram encanando a perna à rã, aldrabando as contas aos credores e disfarçando reformas, como foi também da ganância dos agiotas que, podendo ir acompanhando o que não ia sendo feito permitiram o arrastamento da situação através de sucessivos financiamentos, enquanto viam o défice crescer e as reformas necessárias eram trocadas por juros cada vez mais altos.

Para quem foi fustigado ao longo de meia dúzia de anos com sucessivos, e cada vez mais gravosos, pacotes de austeridade, com o dinheiro, as poupanças e as pensões de reforma a desaparecerem, o apelo do Syriza e a folha limpa que os seus líderes apresentavam em termos governativos aparecia como uma janela de esperança.

Volvidos estes meses é a própria esperança que se esvai. O pouco capital de credibilidade que ainda poderia possuir, Tsipras alienou-o da forma mais tonta e grotesca que se poderia imaginar. Porque em atenção às propostas que levaram o Syriza ao poder, se era legítimo que o referendo fosse convocado, independentemente do facto de isso já dever ter sido feito há mais tempo, isto é, logo que se apercebeu de que não conseguia lograr os seus intentos e que a continuação da negociação implicaria a rejeição do contrato eleitoral, não poderia fazê-lo revelando a incoerência de apelar ao voto no “não” e, ao mesmo tempo, continuar a negociar os termos da capitulação que entretanto aceitara. Para quê uma nova carta depois de dizer não aos credores e de ter anunciado o referendo?

Tsipras e o Syriza perderam a credibilidade. E, mais do que isso, perderam a razão. Que era não só a deles mas também a do povo grego, entregando-o à sua sorte, que em caso de vitória do “sim” no referendo, a meu ver previsível nas actuais circunstâncias, será igualmente a misericórdia dos credores. O desfecho, na linha da tradição dramática grega, não podia ser mais trágico.

Para a dignidade de um povo a vergonha do enxovalho por incompetência e espalhanço do mandatário é bem pior do que uma situação de incumprimento por carência objectiva de meios. Pode ser que a lição possa servir a outros, incluindo aos portugueses.

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As canções do século (2009)

por Pedro Correia, em 02.07.15

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Perpétuo Engano de um Aluno do 9º Ano

por Francisca Prieto, em 01.07.15

 

Navegávamos em auto mar

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O abismo grego

por Pedro Correia, em 01.07.15

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A irresponsabilidade, o experimentalismo extremo e a navegação à vista estão a debilitar de forma irreversível o Governo grego: com o país ainda formalmente inserido na União Europeia, a coligação Syriza-Anel conseguiu rebaixá-lo ao nível de um Sudão ou um Zimbábue, que também falharam o cumprimento das suas obrigações financeiras.

Os bancos gregos estão encerrados. E a população deixou de dispor sequer da liberdade de utilizar o seu dinheiro devido à proibição governamental de levantamentos diários superiores a 60 euros nas caixas multibanco, aliás em grande parte já descapitalizadas.

Se a situação era má quando o actual executivo tomou posse, em Janeiro, agora é péssima: a Grécia prossegue no caminho para o abismo enquanto alguns basbaques cá do burgo - cada vez menos, valha a verdade - ainda se atrevem a vitoriar Tsipras e Varoufakis, condutores de um comboio desgovernado.

Incapaz de conseguir financiamento autónomo, sem o menor prestígio internacional e com as suas próprias hostes divididas, o ainda primeiro-ministro grego ensaia agora uma nova fuga em frente levando a referendo no domingo uma pergunta que se tornou absurda: «Deverá ser aceite o projecto de acordo que foi apresentado pela Comissão Europeia, pelo Banco Central Europeu e pelo Fundo Monetário Internacional no Eurogrupo em 25 de Junho?»

O "projecto de acordo" a que a pergunta alude caducou assim que Atenas entrou em incumprimento. De qualquer modo, responda como responder o eleitorado, resta ver até que ponto Tsipras e Varoufakis serão capazes de ultrapassar o assombroso nível de incompetência que vêm demonstrando.

Nisso, pelo menos, ninguém deve subestimá-los.

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...

por Patrícia Reis, em 01.07.15

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Eu não sou o teu nome

Casámos há seis anos. Todos os dias penso em ti.
Carmen ouve-se e, na devolução do silêncio, sente que se perde como uma criança que larga a mão quente da mãe. Ainda pensa que pode o dia ser interrompido por outro som; aguarda. Ruídos da casa de banho, passos no andar de cima; fecha os olhos e deixa-se imaginar o barulho infernal da cidade condensado numa tortura que é só sua. Apenas sua.


Carmen.

Não pode perceber como o seu rosto chegou até ali. Por princípio evita os espelhos. Hoje não é um dia como os outros, qualquer outro dia em que consegue, apesar de tudo, consegue esquecer a solidão, a tristeza dos olhos... Como era que tu dizias?
Olhos de caramelo.

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Grécia antiga (35)

por Pedro Correia, em 01.07.15

«Qualquer democrata e soberanista de um um país periférico da zona euro deve olhar com optimismo para o resultado eleitoral do Syriza.»

Pedro Adão e Silva, no Expresso (24 de Janeiro de 2015)

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O sol está mais quente

por Marta Spínola, em 01.07.15

Pois está, e não são precisos estudos para o saber. A mim basta sair da praia e escaldar os pés todos no processo.
É um facto, nos últimos anos sinto a areia muito mais quente muito mais depressa que quando era pequena. Ou tinha pezinhos de amianto, ou não sei. Talvez haja estudos sobre os pés de crianças dos anos 80 e a areia da praia. 

Já nem é só a areia do fim da praia, nem é preciso ser um grande areal. O sol aquece e a areia ferve com ele. Se vou descalça queimo-me, se calço chinelos às vezes a areia mete-se entre eles e um dos dedos, um tormento até os poder tirar.
Sair da praia pode ser uma dor, o que podia ser poético mas não é. Não deixo de ir, naturalmente, mas dói.

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