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Dez jornalistas de Abril (3)

por Pedro Correia, em 23.04.14

 Eduardo Gageiro

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Notas soltas II

por Rui Herbon, em 23.04.14

 

11 – Ter uma só pátria é uma forma da estupidez.

 

12 – As ligaduras não deviam ter nós, mas laços.

 

13 – Uma convicção é uma intuição calcificada: um fóssil.

 

14 – Sem matiz não há imensidade, nem sequer infinito.

 

15 – Cansa-me tudo o que não exige esforço. Sem resistência, não avanço.

 

16 – Vivo em aforismo. Ainda que às vezes me parafraseie.

 

17 – Não é que não te ame. Trata-se de que já tenho demasiadas vidas a que atender.

 

18 – Se uma literatura não constrói um carácter, o que constrói é muito pouco.

 

19 – Tenho razões para tudo, mas não tenho uma só certeza de que tenha razão.

 

20 – Não é que os nossos defeitos nos tornem mais humanos; antes nos tornam mais homens perante os defeituosos olhos humanos.

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Abril (23)

por Pedro Correia, em 23.04.14

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.04.14

 

 

A Sala de Aula, de Maria Filomena Mónica

Ensaio

(edição Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2014)

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A quarta revolução (3)

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.04.14

Se há figura consensual na história contemporânea da China, essa figura é representada por Sun Yat-Sen. Venerado na província de Guangdong e em Macau, presente em milhares de livros e documentários, com bustos e estátuas espalhados um pouco por todo o lado, identificando pontes, estradas e edifícios, sem esquecer as múltiplas casas que lhe foram atribuídas e são religiosamente preservadas, quanto mais não seja porque lá pernoitou uma vez, a sua herança tem servido a todos, de um e do outro lado do estreito da Formosa. Como exemplo e fonte inspiradora das mais arrojadas realizações todos reclamam a sua herança. Recordo-me de que quando, há quase três décadas, desembarquei pela primeira vez nestas paragens, ter procurado conhecer essa figura mítica que tanto nacionalistas como comunistas reclamavam como sendo sua. Mas o que mais me marcou em toda a sua obra foi uma pequena frase que durante anos fez parte da primeira página do Taipei Times e que dizia qualquer coisa como, e cito de memória, " um povo esclarecido é um povo iluminado". Na altura, Taipé era famosa pelas edições contrafeitas das melhores obras, que chegavam a reproduzir sem adendas os erros das primeiras edições originais, fosse de enciclopédias, livros técnicos de medicina, direito ou engenharia, ou de clássicos da história e da literatura. A sua herança cultural, e o esforço que fez pela educação do seu povo, é uma imagem reconhecida e que perdura.

Vem isto a propósito de mais um contraste que me foi dado verificar durante esta minha rápida passagem por Cantão e que aqui recordo. Em meados de 1988, estando envolvido com mais alguns colegas num projecto jurídico, ao tempo assessorado por um reputado especialista em direitos asiáticos do Instituto Max Plänck, tive o privilégio de fazer uma visita à Universidade de Sun Yat-Sen, nesta mesma cidade de Cantão. Ali fomos recebido por um professor de idade avançada, antigo combatente do Exército Popular de Libertação e velho resistente apanhado no turbilhão da Revolução Cultural, que depois de uma dura reabilitação fora finalmente integrado naquele estabelecimento de ensino. Queixava-se ao tempo o nosso anfitrião da falta de livros e da contradição que era perante essa realidade dirigir o departamento de Direito daquela universidade à qual o "Pai da Nação" dava o nome. É que para além do seu legado político, Sun Yat-Sen constituíra a força inspiradora para a fundação, dois anos depois da sua morte, em 1927, da primeira biblioteca pública moderna de Cantão e era a isto que ele se referia.

Pois bem, em 1 de Abril de 2013 foi encerrado o velho edifício, para dar lugar a uma construção moderníssima, que cumprirá dentro de um mês o primeiro aniversário, onde são actualmente disponibilizados mais de 3,2 milhões de livros, ou seja, cerca de pouco mais de metade do total de volumes da actual biblioteca.

Com dez pisos, luz natural em abundância, uma área de cem mil metros quadrados, lugares para quatro mil leitores, mais de 425 000 e-books, mais de 1,8 milhões de dissertações e de 3,5 milhões de "conference papers", uma imensidão de revistas e jornais, com uma área especial para invisuais, salas reservadas para preparação de teses, mais de cinco centenas de computadores públicos e a mais moderna tecnologia, a que não faltam máquinas de desinfecção para os livros que podem ser emprestados para leitura domiciliária, trata-se de mais uma das novas obras de excepção da cidade.

O que ali mais chama a atenção é a constante afluência de público,  a imensa quantidade de gente que entra e sai sem se atropelar e sem fazer barulho, seja para devolver exemplares emprestados, rigorosamente depositados nos locais próprios com o auxílio de um cartão digital, ou para se reabastecer de novos, sem esquecer as centenas e centenas de crianças agarradas aos mais variados livros, da banda desenhada ao Petit Prince, cujos pais só a muito custo conseguem arrancar das salas de leitura. Depois é vê-los carregados de sacos com livros pela rua e jardins fora. Curiosamente, ou talvez não, a biblioteca está aberta diariamente, das 9 às 21h, incluindo domingos. E, não obstante encerrar às quartas-feiras, está aberta, imagine-se, todos os dias feriados, dias em que as famílias têm mais disponibilidade para a leitura.

Lá dentro, sem ruído, sem telemóveis a vibrarem ou a tocarem, nem portáteis a fazerem-se anunciar, toda aquela gente trabalha, estuda, entretém-se, diverte-se, exercita os neurónios e aprende. Tudo isto num edifício que é mais uma jóia arquitectónica.

Dir-me-ão que num país em que ainda está bem presente a memória de Tiananmen, como em Hong Kong se comprova pela recente iniciativa de alguns cidadãos de promoverem a construção de um monumento às suas vítimas, tudo isto será relativo. Admito que sim, sem qualquer dificuldade. Nasci e cresci entre gente que se habituou a cultivar, preservar e transmitir os valores da cidadania, da cultura e da liberdade de pensamento, e que foi capaz de fazê-lo nas condições mais adversas. Mas também sei que um censor é por natureza estúpido e que não há censura que resista ao chamamento da liberdade. A geração mais jovem, mesmo a que não saiu das famílias que constituem hoje as elites do PCC, já cresceu a aprender inglês, vendo a CNN e a BBC, estudando em Honolulu, Vancouver, São Francisco ou Boston, e são cada vez mais os que se habituaram a viajar e fazer férias no estrangeiro.

Não sei como será Cantão daqui a mais vinte anos, nem se por essa altura a imagem tutelar de Mao continuará a aparecer nas caixas lacadas de charutos que rivalizam, em qualidade e beleza, com as produzidas pela Zino ou pela Cohiba. Sei que Great Wall já não é só nome de aguardente ou de uma construção, feita à força de braços, visível a partir da Lua. É também marca de charutos chineses, produzidos com tabaco indonésio, e que tenta conquistar o mercado internacional e os exclusivos clubes de aficionados dos puros. Tudo isto significará muito pouco, pois sim. Só que num país que caminha, apesar dos recentes problemas demográficos, para os mil e quinhentos milhões de almas, quase 20% da população mundial, que tem crescido a dois dígitos e que desde o último congresso do PCC viu fixado esse limite para uns módicos 7,5%, nenhum destes sinais deverá ser desprezado.      

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As canções do século (1574)

por Pedro Correia, em 23.04.14

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Podia Ser Literatura

por Francisca Prieto, em 22.04.14

Queixava-se da falta de companhia para ir ao teatro. A única amiga que gostava de teatro tinha o hábito de se rir nas partes erradas e ela viu-se forçada a deixar de a convidar.

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Paradoxos de Abril

por Pedro Correia, em 22.04.14

 

1. Um enrouquecido Freitas do Amaral denuncia as "tentativas de ataque à Constituição" contra a qual ele próprio votou em Abril de 1976.

 

2. Um enrouquecido Freitas do Amaral insurge-se contra o Governo "mais à direita" dos últimos 40 anos depois de ter fundado o partido mais à direita do espectro parlamentar.

 

3. Um enrouquecido Freitas do Amaral apela ao povo para manifestar "reprovação total" ao Executivo cuja "capacidade de concretização", na opinião de um seu homónimo, permitiu lançar "mais reformas" em Portugal nos primeiros cem dias do que nos três anos anteriores.

 

Foto: Jornal de Negócios

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Profetas da nossa terra (6)

por Pedro Correia, em 22.04.14

«No meu entender, o Sporting não será capaz de se intrometer na discussão com o Benfica e o FC Porto mas poderá esbracejar com o Braga na luta pelo terceiro lugar.»

Joaquim Rita, 17 de Agosto de 2013

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Notas soltas I

por Rui Herbon, em 22.04.14

 

1 – Não sei se o que digo é medicinal, mas curo-me de mim ao dizê-lo.

 

2 – Do que sou curo-me com o que não sou. Do que não sou não me curo com nada.

 

3 – Quando mudo uma vírgula, mudo tudo o que fiz durante o dia.

 

4 – Os mortos estão cansados de ser só memória.

 

5 – As cicatrizes são as caligrafias da dor.

 

6 – O amor é o único estado de carência que se basta e sobra.

 

7 – O que está bem dito, muitas vezes não está dito bem.

 

8 – Quem faz auto-biografismo fá-lo, e quem julga não o fazer perpetra-o.

 

9 – O peso que importa é só o que não pode suportar-se.

 

10 – A escrita que cai do céu é como o sonambulismo: algo que ocorre a outro que sou eu.

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Dez jornalistas de Abril (2)

por Pedro Correia, em 22.04.14

 

Francisco Pinto Balsemão

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Abril (22)

por Pedro Correia, em 22.04.14

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.04.14

 

 

Passagens, de Teolinda Gersão

Romance

(edição Sextante, 2014)

"Por decisão da autora, o presente livro não segue o novo Acordo Ortográfico"

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As canções do século (1573)

por Pedro Correia, em 22.04.14

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A quarta revolução (2)

por Sérgio de Almeida Correia, em 22.04.14

Quando por mero acaso, na antevéspera da minha partida, me cruzei no elevador do edifício onde agora resido com um amigo que me recordou a necessidade de não deixar escapar uma visita à Ópera de Cantão, não me passava pela cabeça rever a cidade e não passar por esse novo ex libris, para mim uma completa novidade. Creio que a arquitectura, conjuntamente com a música, com o cinema e com a literatura, é uma das marcas civilizacionais mais intensas e duradouras, simbolizando o espírito de mudança, a revolução e profundidade do pensamento, o traço indelével dos costumes de uma época, das suas prioridades e preocupações.

Tenho tido a sorte, felizmente, de ao longo da minha vida, pese embora algumas circunstâncias adversas que muito a marcaram, de poder ver, com total liberdade, sem o favor do Estado ou subsídios de empresas públicas ou privadas, apreciar e sentir algumas das mais emblemáticas e maravilhosas obras da arquitectura mundial de todos os tempos. E gostando de grandes espectáculos, de grandes realizações e desempenhos de excepção, em especial de ópera e de música clássica, pensava que depois de ter visitado, por altura do bicentenário da Austrália, a Ópera de Sidney, que já nada me impressionaria. Nada de mais errado, começando mesmo por Portugal e por algumas realizações das últimas duas décadas que todos devemos à arquitectura nacional.

Fruto de um concurso internacional, cuja short list incluiu os nomes de Rem Koolhaas, da cooperativa austríaca HImmelb(l)au e a aclamada arquitecta iraquiana Zaha Hadid, foi a esta última que coube a tarefa de a partir de 2002 e até 2010, ano da sua inauguração, em Maio, dar corpo ao projecto que, 200 milhões de US dólares depois, se transformaria na maior e mais expressiva casa de espectáculos do Sul da China e que hoje discute a primazia das grandes produções e eventos na cena chinesa com o Teatro Nacional de Xangai (ou Shanghai, se preferirem) e com o Centro Nacional das Artes Performativas de Beijing. Infelizmente, não tive possibilidade assistir a nenhum espectáculo, mas em agenda está um concerto de aniversário com a Sinfónica de Boston e Charles Dutoit (6 de Maio), a que se seguirá uma grande produção da Carmen (27 a 29/06/2014).


Um desenho estupendamente arrojado, uma estrutura impressionante de granito, vidro e cimento, com uma localização soberba, rodeada de espaços verdes e com o novo centro financeiro colado, tendo do outro lado do jardim a nova Biblioteca Municipal de Cantão e o Museu da Cidade, e a sul o rio e a novíssima Torre de Cantão, fazem do edifício uma obra de envergadura e classe mundial. Como me dizia o meu amigo PCT, trata-se de uma obra que merece uma visita de dia ou de noite, a qualquer hora, ao que eu acrescentaria, em quaisquer condições atmosféricas.

Vista do outro lado do rio, ao seu nível, ou a 430 metros, do alto da Torre, a sua integração na paisagem é perfeita e revela um oásis numa metrópole que, para os leitores que não conhecem ficarem com uma ideia, tem a área da cidade de Londres e cerca de treze milhões de habitantes, de acordo com os últimos dados que me foram transmitidos.

Ali, paredes meias com o Consulado dos Estados Unidos, senti-me perfeitamente esmagado pela expressividade do traço, pela beleza do conjunto, pelo modo harmonioso da conjugação dos materiais, e por me aperceber da forma como o passado e o presente, a modernidade e a tradição, conseguem conviver num diálogo permanente e sem sobressaltos. Entre o chilrear dos pássaros e o sorriso simpático e acolhedor dos vendedores de água de coco e de ananazes, descascados na hora, vendidos inteiros ou em quartos, e que de Macau desapareceram.

Quando recordo algumas construções horripilantes das nossas cidades, com projectos de um mau gosto atroz e ofensivo da sensibilidade do mais ignorante dos trolhas, com projectos que foram assinados por engenheiros e aprovados pelas autarquias, foi-me particularmente gratificante ver que o novo-riquismo dos primeiros anos da era Deng, e depois do curto período de desenvolvimento conduzido pelo "liberal" Hu Yaobang, afastado em consequência dos acontecimentos do 4 de Junho de 1989 e que foi este mês recordado pelo seu pragmatismo, arrojo e visão, embora sem referências a Tiananmen, foi-me particularmente gratificante apreciar a nova arquitectura de Cantão e o quanto ela pode representar para a construção de um espírito de modernidade, de reconhecimento do passado e das suas tradições, e de uma visão de futuro sensata, ao mesmo tempo que vai moldando o gosto (bom) das futuras gerações, até mesmo nas coisas mais elementares. Talvez por isso é que nos prédios mais recentes já não se vejam as feias grades de outrora, os aparelhos de ar condicionado de todas as formas e feitios no exterior das fachadas dos prédios, nem a profusão de estendais e de marquises de vidros espelhados, castanhos, amarelos e, por vezes, azuis fumados, que foram voga há vinte anos e ainda hoje poluem a paisagem visual de muitas cidades portuguesas, destruindo o encanto destas e as obras de muitos arquitectos anónimos e preocupados. Faro, última cidade portuguesa onde vivi, e uma bela cidade que tem sido paulatinamente destruída pelos patos-bravos com a conivência dos partidos políticos, é disso mesmo um bom (mau) exemplo, como aliás tive oportunidade de chamar a atenção, sem sucesso, é certo, ao longo de anos, a pelo menos três presidentes de Câmara.

    

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Antifascismo 'rétro'

por Pedro Correia, em 21.04.14

Quarenta anos depois, estreando cravo vermelho na lapela, Diogo Freitas do Amaral fez hoje um corajoso discurso antifascista no palco do Teatro D. Maria II. Denunciando o "lápis azul" da censura num "país fechado", de "partido único", em que os políticos da oposição eram presos e "a industrialização era tida como perigosa para a moral e os bons costumes".

Este discurso do homem que em 1976 votou e levou a sua bancada parlamentar a votar contra a Constituição da República na Assembleia da Constituinte pareceu-me interessante, mas algo desajustado no tempo. Vindo de onde veio, chegou simplesmente com quatro décadas de atraso.

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Blogue da semana

por João André, em 21.04.14

Calhou-me a mim a escolha do blogue da semana e confesso que estive dividido entre algo de actualidade/política/pessoal ou um dos meus outros interesses bloguísticos: futebol e ciência.

 

Como a época está a terminar e os debates clubísticos começam a ser pouco importantes, preferi dar lugar ao futebol e a um blogue que trata de tácticas. O seu autor, Michael Cox, começou com o blogue e já escreve para o The Guardian, a ESPN e mais meia dúzia de publicações. Sempre com um olho na táctica e sempre sem perder tempo com questiúnculas de arbitragem. De tempos a tempos também faz análises bastante interessantes a jogos de clubes portugueses, o que vale sempre a pena pela sua imparcialidade.

 

Assim sendo, o blogue da semana é o Zonal Marking.

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Cinco meses é muito tempo

por Pedro Correia, em 21.04.14

Nicolau Santos, Expresso, 16 de Novembro de 2013:

«O anúncio de que a Irlanda vai terminar o seu processo de ajustamento sem pedir a seguir um programa cautelar é negativo para Portugal. Percebe-se a estratégia irlandesa. Com taxas de juro da dúvida pública a dez anos em 3,55% no dia 14, o risco de que o País corre de regressar aos mercados pelo seu pé é bastante reduzido. Só que assim ficamos sem saber como será o tal programa cautelar. Ora as autoridades portuguesas têm seguido a estratégia de Dublin a par e passo, com um desfasamento de seis meses. Foi assim com a emissão de dívida pública a dez anos, seria agora em relação ao programa cautelar. As nossas taxas de juro a dez anos, contudo, estão mais de dois pontos acima do patamar irlandês e não nos permitem um regresso aos mercados sem o amparo do BCE.»

 

Nicolau Santos, Expresso, 18 de Abril de 2014:

«O ajustamento está a correr bem. Na imprensa internacional somos apresentados como um caso de sucesso, que ainda vai surpreender mais. Os investidores acorrem em força aos leilões de títulos de dívida pública a República Portuguesa. As taxas de juro caem de forma sistemática e a dez anos aproximam-se dos 3,5%, patamar no qual a Irlanda optou pela saída limpa do seu programa de ajustamento. Prevêem-se crescimentos moderados para os próximos três anos. Os desequilíbrios externos estão domados, a taxa de desemprego cai e a troika vai deixar o País.»

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Dez jornalistas de Abril (1)

por Pedro Correia, em 21.04.14

 

Raul Rego

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Agora é que o PIB vai disparar

por Pedro Correia, em 21.04.14

O Benfica sagrou-se finalmente campeão, quatro anos depois, embora com a equipa menos portuguesa de sempre. Excelente notícia para o Governo, segundo a lapidar definição do doutor Mexia da EDP, que já há um ano suspirava por esta vitória: "Era bom para Portugal que o Benfica fosse campeão, isso teria um efeito positivo no produto interno bruto." 

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Gangsters no Feminino

por Francisca Prieto, em 21.04.14

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.04.14

 

O que aprendi com a minha Mãe, de Helena Sacadura Cabral

Memória

(edição Objectiva, 2014)

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Abril (21)

por Pedro Correia, em 21.04.14

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A quarta revolução (1)

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.04.14

Já não me recordo se a última vez que estive em Guangzhou, entre nós, portugueses e ocidentais, mais conhecida por Cantão, foi há mais de 20 ou se há 25 anos. Sei, no entanto, que foi há bem mais de duas décadas. E de todas as vezes anteriores em que lá estive, ou que por lá passei a caminho de outros destinos, fiz o percurso entre Macau e essa cidade de barco, subindo o delta do rio, de carro, por estradas e caminhos miseráveis, e algumas vezes pelo ar, a partir de Zhuai, em helicópteros velhos da Sikorsky, que pingavam líquidos vários a partir de diversos pontos na cabine quando este meio de transporte se tornou numa alternativa para nos fazer poupar tempo.

Volvidos todos estes anos regressei para ver se me apercebia da evolução verificada e das mudanças entretanto concretizadas. A conclusão a que chego é que a quarta revolução está em marcha. Pouco mais de um século passou desde que Sun Yat-Sen, a partir do berço de Wuchang, desencadeou a primeira revolução (Outubro de 1911), pondo termo ao domínio Qing e proclamando a República da China. Agora, cem anos depois da revolução nacionalista, passada a revolução de 1949 (Mao) e a era de Deng, dando corpo ao "Chinese dream", reafirmado por Xi Jinping no momento em que este assumiu a liderança do PCC, aí está a terceira cidade chinesa a comprovar a velocidade da mudança e a rapidez com que se sai da pobreza para a liderança da nova era tecnológica.

(Zhujiang New Town, vista norte do Grand Hyatt)

As oito horas de barco, as quase seis horas de carro que levava de Macau a Cantão na década de 80 do século passado, foram agora substituídas pelos pouco mais de 50 minutos que ligam a cidade fronteiriça de Zhuai-Gongbei à Guangzhou South Station, percurso que actualmente se realiza num comboio climatizado de alta velocidade, com duas classes e circulando à tabela. O barco semanal foi substituído por comboios-bala que saem de 30 em 30 minutos. Ainda me lembro de em 1 de Maio de 1986 ter visto milhares de homens trabalhando, sem a ajuda de máquinas, na construção da auto-estrada Zhuai/Cantão. Nunca mais me esqueci da data exactamente por ser o Dia do Trabalhador e dos estaleiros ao longo da velha estrada estarem todos decorados com bandeiras coloridas do tipo das que ainda hoje se vêem na Festa do Avante. Duas décadas depois a China tem a maior e mais densa rede de comboios de alta velocidade do mundo. Cantão, onde a circulação era difícil e lenta, cheia de pó e sempre em obras, tem hoje uma rede de metropolitano com 9 linhas que cobrem mais de 260km de extensão. Aquele que era o meu hotel preferido, em Shamian, o White Swan, está fechado para obras de remodelação. A nova cidade deslocou-se para Tianhe e as decrépitas lojas da Beijing Lu deram lugar a moderníssimos centros comerciais onde a Prada discute espaços com a Rolex ou a Porsche. Os velhos hóteis foram substituídos por dezenas de novos hotéis, do Ritz-Carlton ao Grand Hyatt, do Sofitel ao Hilton. A cerveja Tsintao morna que nos era oferecida pode agora ser servida gelada ou facilmente trocada por uma Heineken, uma Stella Artois ou uma Kronenbourg. A cidade viu crescerem os parques e as monumentais torres de escritórios da última geração. As bicicletas foram substituídas; primeiro por motociclos, depois por utilitários japoneses e carros da gama alta alemã. A quantidade de gente que hoje fala inglês não tem comparação possível com o que acontecia há vinte anos, quando era raríssimo, mesmo dentro dos poucos bons hotéis que havia, encontrar alguém que falasse um inglês aceitável. A cidade foi sede dos Asian Games em 2010 e o esforço que então foi necessário fazer reflecte-se na nova arquitectura da cidade, nos edifícios inteligentes, nos novos e amplos espaços verdes, na criação de uma nova mentalidade com preocupações ecológicas e ambientais. Cantão é hoje a imagem de uma China muitíssimo mais moderna, jovem e insatisfeita, que continua a procurar avidamente o progresso.

(Huacheng Road a partir do flyover que liga o Guangzhou International Finance Center ao GTLand Plaza)

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As canções do século (1572)

por Pedro Correia, em 21.04.14

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Promoção pessoal!

por Helena Sacadura Cabral, em 20.04.14

Não costumo autopromover-me num blogue colectivo. Nem sei explicar porquê. Hoje faço-o.

Lanço o meu novo livro esta segunda feira no Corte Inglês pelas 18h30. Se quiserem dar-me um abraço, apareçam

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O trabalho mais difícil do mundo!

por Helena Sacadura Cabral, em 20.04.14

 

O trabalho mais difícil do mundo pertence-nos. E nós honramo-lo. Agora que se aproxima o dia em que celebramos o trabalho destas grandes artesãs, saibamos agradecer-lhes. Porque, por muitas vezes que o façamos, nunca será demais! 

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Campeão

por Patrícia Reis, em 20.04.14

Sabes, não gosto de futebol. Pouco importa. Fico contente porque o teu Benfica é campeão.

Tu ficarias. Feliz e com a cara cheia de uma comoção contida.

Tu eras um homem contido e bom.

Quando a tua equipa entrou em campo, nós reunimo-nos na igreja dos Salesianos, celebrámos a Páscoa e os sete dias da tua morte.

Por fim, a tua mulher chorou.

Como águias, os teus filhos, ali perto da mãe.

A tua mãe, o teu pai, a tua irmã, o teu irmão, os teus sobrinhos e o resto da família e amigos, todos alinhados numa dor que não conheciam antes. E eu com eles, a querer chorar mais um pouco e sem ser possível.

Li o texto que escrevi e, prometo, não gozei, não disse nenhum disparate de maior e tão-pouco proferi o tal palavrão que me alivia as horas mais difíceis.

Deves ter achado que estava muito séria, o meu coração do tamanho de uma ervilha e ainda as palavras da Paula

 

Eu estava à janela e vi-o a jogar futebol com uns amigos. Não o conhecia, mas era urgente conhecer. Foi amor à primeira vista.

 

E foram trinta anos de cumplicidades, eu sei.

Não devias ter ido tão cedo, sabes?

Ninguém queria o teu sofrimento, é evidente, e a morte pode ser alívio. Mas hoje, com sessenta e cinco mil pessoas na Luz a festejar um jogo que eu não entendo, só consigo imaginar-te numa nuvem a sorrir e a brindar.

Estejas onde estiveres, peço-te, não faças maratonas de playstation, ok?

Pronto. Vai lá celebrar e toma conta dos teus e de mim enquanto aí estás.

Um beijo grande daqui para aí.

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Sem favores, sem palavras

por Sérgio de Almeida Correia, em 20.04.14

Nesta hora, de Newark a Macau, de Lisboa a Maputo, "Somos Eusébio", "Somos Benfica", e não nos arrependemos. 

 

 

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Recordando Medeiros Ferreira

por Pedro Correia, em 20.04.14

 

Há pessoas que partem cedo de mais. Aconteceu há um mês, com José Medeiros Ferreira. Neste Domingo de Páscoa apetece-me recordar a excelente entrevista que concedeu em Novembro ao jornal i, muito bem conduzida pelos jornalistas Rita Tavares e Luís Claro.

Nem entrevistado nem entrevistadores imaginavam, mas esta conversa acabaria por ter o valor de um testamento. Por ser a última entrevista do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, uma das vozes mais estimulantes das últimas quatro décadas da política portuguesa.

É um documento impressionante. Tenho-o arquivado na pasta dedicada às melhores entrevistas que já li. E hei-de citá-la com frequência nos tempos que hão-de vir. Porque Medeiros Ferreira, com a inteligência e a elevação intelectual que o caracterizavam, sabia falar para um tempo que já não seria o seu.

 

Deixo aqui alguns excertos. Todos de uma lucidez arrepiante:

«Em 1992 Portugal teve a primeira presidência da União Europeia e, por essa razão e não por qualquer raciocínio económico ou financeiro, resolveu aderir ao sistema monetário europeu, cujas negociações a Grã-Bretanha tinha declinado. Portugal avançou, mesmo aceitando uma taxa de câmbio que sobrevalorizava o escudo.»

«A primeira grande talhada na competitividade internacional da economia portuguesa foi dada pelos nossos negociadores financeiros: o ministro das Finanças e o governador do Banco de Portugal, no dia 4 de Abril de 1992.»

«O governo de Guterres até fez uma missa em Madrid e disse que sobre a pedra do euro - a literatura evangélica é muito poderosa, tal como a pedra onde Pedro assentou a Igreja - era aquela sobre a qual ia assentar a União Europeia. O euro foi uma âncora continental para a Alemanha, depois da unificação, ficar amarrada à União Europeia.»

«Tenho esperança na racionalidade do comportamento internacional dos Estados. Não tenho nenhuma esperança na capacidade de previsão programática ou na capacidade ideológica de uma social-democracia em frangalhos, desde que se tornou numa espécie de colónia do liberalismo. Quando os filhos dos sindicalistas passaram a ingressar nas boas universidades ocidentais perderam a liberdade de espírito.»

 

ADENDA: não celebro o título do Benfica, mas gostaria muito que José Medeiros Ferreira, benfiquista do coração, cá estivesse para celebrar a conquista do campeonato nacional de futebol.

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Tem dias

por Patrícia Reis, em 20.04.14

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Os cobóis já andam aos tiros

por Teresa Ribeiro, em 20.04.14

Francisco, no seio católico, não é um nome, é um manifesto. Ao adoptá-lo, Bergoglio sabia que ia provocar o primeiro sobressalto não só na hierarquia, mas nos católicos que se identificam com ela. Em pouco tempo demonstrou também que a escolha do nome do frade, que foi perseguido e ostracizado pela Igreja, não foi um acto isolado de provocação. A cada gesto tem incomodado todos os que se habituaram a fazer do catolicismo uma coreografia e da relação com Deus uma estética ou um pretexto para o exercício narcísico da auto-indulgência.

Não por acaso se diz como piada que "Cristo foi o primeiro comunista da História". A doutrina que vem nos evangelhos e que ele tem usado como palavras de ordem contra o poder financeiro e a injustiça social está a irritar quem espera da religião apenas uma caução moral para o que faz na sua vidinha. E quanto mais o mundo, não só o católico, mas também o cristão em geral se rende aos seus encantos, maior é a desconfiança da casta que não se revê nesta apologia dos ditames esquerdóides de Jesus. 

Sempre mais descomplexados na sua relação com o dinheiro, os cristãos americanos gritam aos quatro ventos o que os seus confrades europeus, entre os quais muitos tugas, resmungam em surdina: Este Papa é marxista!

O ridículo pode matar muita gente, mas nunca os americanos da direita trauliteira.

Ler também:

 

 www.rushlimbaugh.com/daily/2013/11/27/it_s_sad_how_wrong_pope_francis_is_unless_it_s_a_deliberate_mistranslation_by_leftists

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Abril (20)

por Pedro Correia, em 20.04.14

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E se eles gostarem de circo?

por Joana Nave, em 20.04.14

Há umas semanas, durante um jantar com amigos, apercebi-me de uma questão interessante que me fez pensar... Os meus amigos têm filhos, que são crianças enérgicas e curiosas. Os pais têm muitos interesses que partilham com os filhos e, como hoje em dia, há tantos meios e facilidades para organizar actividades entre pais e filhos, é recorrente irem ao cinema, ao teatro, ao zoo, à quinta pedagógica, ao oceanário, e até a museus.  No meio da conversa durante o nosso jantar, e porque ouvia atentamente a descrição do leque de actividades, indaguei: “Então e o circo?”. Ao que me responderam peremptoriamente: “Nós não gostamos de circo!”. Não muito convencida, ainda perguntei: “Mas e se eles gostarem?”. A resposta, acompanhada por um sorriso algo trocista: “Mas nós não gostamos.”

Resolvi não insistir no assunto, mas fiquei a pensar... O circo é uma das recordações que tenho da infância. Hoje em dia não vou ao circo, mas também não tenho filhos, mas se os tivesse iria certamente com eles ao circo, porque é na infância que certas experiências fazem sentido. Os meus pais não são apreciadores de ópera e nunca me levaram à ópera. No entanto, já em idade adulta, comecei a ouvir ópera e gosto de assistir a um espectáculo sempre que tenho oportunidade. Mas o caso do circo é diferente, se os meus pais não me tivessem levado ao circo em criança, não era agora em adulta que eu iria começar a gostar de circo, porque há coisas que são próprias de crianças, faz parte da aprendizagem. Os filmes e os livros estão repletos de referências a circos e, a meu ver, é importante que se tenha este conhecimento ao vivo e a cores, para que passe do sonho à realidade e assim, quer se goste ou não, a recordação ficará para sempre.

A educação dos filhos é um tema complexo, que não deve ser abordado de ânimo leve. Respeito as convicções do pais, porque acredito que têm argumentos que justificam as suas escolhas e, mesmo que não os tenham, porque são pais e devem saber o que é melhor para os seus filhos. Contudo, ainda assim, se fossem os meus filhos, eu gostaria de os levar ao circo.

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Imagens ao domingo (4)

por João André, em 20.04.14

Para fornecer uma outra perspectiva que complemente a de sexta-feira. Tirada uns minutos mais tarde mas de mais perto da cruz. Uma feliz Páscoa.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 20.04.14

 

 

Aparição, de Vergílio Ferreira

Romance

(reedição Quetzal, 2014)

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As canções do século (1571)

por Pedro Correia, em 20.04.14

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Grand Budapest Hotel

por Helena Sacadura Cabral, em 19.04.14

Grand Budapest Hotel é um filme delicioso que conta as aventuras de um lendário concierge de um hotel europeu e um paquete que se torna no seu amigo de confiança. Tudo isto  durante duas guerras numa história que envolve o roubo e a recuperação de uma preciosa pintura renascentista e a luta por uma enorme fortuna de família, que a esse quadro está ligada.

Em certas alturas o ritmo do filme faz lembrar o da banda desenhada e o riso é inevitável. O elenco que junta dez actores muito conhecidos surpreende e só pode ser a tradução da qualidade do realizador Wes Anderson que já nos presenteou com algumas “preciosidades” de parceria com Owen Wilson e Adrien Brody. A não perder, nestes tempos de crise em que rir é o único remédio possível.  

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Frases de filmes (80)

por Pedro Correia, em 19.04.14

 

"O passado é apenas uma história que contamos a nós próprios."

Samantha/Scarlett Johansson

em Her - Uma História de Amor, de Spike Jonze (2013)

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Ler

por Pedro Correia, em 19.04.14

O espaço de Sócrates no comentarismo nacional. Do Mr. Brown, n' Os Comediantes.

Andar de bicicleta é sem as rodinhas de aprendizagem. De Vítor Cunha, no Blasfémias.

Onde está o povo? De António Araújo, no Malomil.

Cartas para Moscovo. De Carlos M. Fernandes, n' O Insurgente.

Metástases do pensamento imperial russo. Do José Milhazes, no Da Rússia.

O Ocidente e a Ucrânia. Do Ricardo Arroja, n' O Insurgente.

Gdansk. De Francisco Seixas da Costa, no Duas ou Três Coisas.

Nos cem anos da Primeira Guerra Mundial. Do Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.

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As palavras também têm história

por Pedro Correia, em 19.04.14

Palácio Quintela, em Lisboa, onde Junot instalou o seu quartel-general em 1807

 

Muitas vezes não fazemos a menor ideia da origem de algumas das expressões coloquiais que usamos. Mas vale a pena investigar de onde vêm e como se foram generalizando.

Várias remontam ao tempo das invasões francesas, na primeira década do século XIX. Uma das mais frequentes relaciona-se com a chegada do general Jean-Andoche Junot a Lisboa, à frente do exército napoleónico, quando ainda se avistavam no horizonte as velas da frota que conduzia a família real portuguesa ao Rio de Janeiro, em 30 Novembro de 1807. Ficou, portanto, a ver navios.

Portugal acabou por ser devastado pelas tropas gaulesas, que aqui praticaram as maiores atrocidades. Mas Junot, indiferente às situações de penúria e de miséria provocadas pelos invasores também em Lisboa, instalou-se no Palácio Quintela, na Rua do Alecrim, com despudorada ostentação, vivendo à grande e à francesa.

Um dos generais que o acompanharam na invasão, Louis Henri Loison, tornou-se tristemente célebre pela ferocidade com que tratava os portugueses que tinham o azar de lhe surgir ao caminho. Por ter perdido o braço esquerdo numa batalha, logo recebeu a alcunha de Maneta. A partir daí, quando alguém se envolvia numa situação complicada ou perigosa, passou-se a dizer que iria pr'ò Maneta.

Derrotados na batalha do Vimeiro em Agosto de 1808, após o desembarque de forças britânicas em Portugal, Junot e as suas tropas retiraram-se para França após encherem navios de tudo quanto puderam na sequência de incontáveis actos de pilhagem em igrejas, palácios e bibliotecas - num dos maiores atentados desde sempre cometidos ao património nacional. Zarparam assim, de armas e bagagens.

 

Duzentos anos depois, os ecos das invasões francesas perduram no nosso vocabulário corrente. Porque também as palavras têm história.

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Abril (19)

por Pedro Correia, em 19.04.14

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O conto

por Rui Herbon, em 19.04.14

A meio da tarde o homem senta-se na sua secretária, pega numa folha de papel em branco, coloca-a na máquina e começa a escrever. A frase inicial sai-lhe de imediato. A segunda também. Entre a segunda e a terceira há uns segundos de hesitação.

 

Enche uma página, saca a folha do carro da máquina e deixa-a de um lado, com a face em branco virada para cima. A esta primeira folha acrescenta outra, e depois outra. De vez em quando relê o que escreveu, rasura palavras, muda a ordem dentro das frases, elimina parágrafos, lança folhas inteiras para o caixote. De repente afasta a máquina, pega na pilha de folhas escritas, volta-a do direito e com uma caneta rasura, muda, acrescenta, suprime. Coloca a pilha de folhas corrigidas à direita, volta a aproximar a máquina e reescreve a história do princípio ao fim. Uma vez terminada, volta a corrigi-la à mão e a reescrevê-la à máquina. Já entrada a noite relê pela enésima vez. É um conto. Agrada-lhe. Tanto que chora de alegria. É feliz. Talvez seja o melhor conto que alguma vez escreveu. Parece-lhe quase perfeito. Quase, porque lhe falta o título. Ocorre-lhe um. Escreve-o numa folha, para ver o que lhe parece. Não funciona. Bem visto, não funciona em absoluto. Rasura-o. Pensa noutro. Quando o relê também o rasura.

 

Todos os títulos que se lhe ocorrem destroçam o conto: ou são óbvios ou fazem a história cair num surrealismo que destrói a sua simplicidade. Ou são insensatezes que o deitam a perder. Por um instante pensa em chamá-lo "Sem título", mas isso estraga-o ainda mais. Pensa também na possibilidade de não lhe pôr título e deixar em branco o espaço que se lhe reserva. Mas esta solução é a pior de todas: talvez haja algum conto que não necessite de título, mas não é este; este pede um muito preciso: o título que, de conto quase perfeito, o converteria num conto totalmente perfeito, o melhor que alguma vez escreveu.

 

Ao amanhecer dá-se por vencido: não há nenhum título suficientemente perfeito para esse conto tão perfeito que nenhum título é bom o bastante para ele, o que impede que seja perfeito de todo. Resignado (e sabendo que não pode fazer outra coisa), pega nas folhas onde escreveu o conto, rasga-as pela metade e rasga as metades pela metade; e assim sucessivamente até fazê-lo em fanicos.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 19.04.14

 

Correspondência Agustina-Régio (1955-1968)

(edição Guimarães, 2014)

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José Tolentino Mendonça

por Patrícia Reis, em 19.04.14

Murmúrios do mar

"Paga-me um café e conto-te
a minha vida"

o inverno avançava
nessa tarde em que te ouvi
assaltado por dores
o céu quebrava-se aos disparos
e uma criança muito assustada
que corria
o vento batia-lhe no rosto com violência
a infância inteira
disso me lembro

outra noite cortaste o sono da casa
com frio e medo
apagavas cigarros nas palmas das mãos
e os que te viam choravam
mas tu, não, nunca choraste
por amores que se perdem

os naufrágios são belos
sentimo-nos tão vivos entre as ilhas, acreditas?
E temos saudades desse mar
Que derruba primeiro no nosso corpo
Tudo o que seremos depois

"pago-te um café se me contares
o teu amor"


in Baldios, Assírio & Alvim , 1999

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As canções do século (1570)

por Pedro Correia, em 19.04.14

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A pieguice

por Helena Sacadura Cabral, em 18.04.14


Não sou piegas. Mas não me importaria nada de o ser, se isso fosse a exteriorização de algo autêntico na minha natureza. Porque é que ser piegas será pior do que não ser? 

No Grande Dicionário da Língua Portuguesa dá-se ao termo a seguinte definição: "pessoa considerada excessivamente sensível ou sentimental; pessoa que é considerada medrosa e assustadiça".

Há ideias feitas sobre a forma como nos devemos comportar e quem saia fora delas é sempre qualificado com um qualquer epíteto. Como este a que o próprio dicionário atribui sentido pejorativo. 

E agora pergunto eu, quem é que tem autoridade para definir o excesso de sentimento ou de medo? Onde está o gráfico comportamental padrão que permite definir a "normalidade" nestas matérias?

Vem este intróito a propósito de uma carta que, há quase década e meia, circula na internet, como sendo de Gabriel García Marquéz, e que constituí uma espécie de despedida da vida de um homem em estado terminal. O texto é muito bem escrito, mas foi considerado talvez demasiado "piegas" para ser do autor do "Cem anos de solidão" que, aliás, desmentiu a sua autoria.

Aqui está o exemplo do que acabo de referir. Não estava em causa a qualidade literária da carta que até se podia confundir com a de Garcia Marquez. O que estava em causa era o "grau" de pieguice que se tolerava ao escritor. Por quem, gostaria eu de saber. De certo, por especialistas - nada piegas - da "natureza humana"...

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Gabriel García Márquez

por Patrícia Reis, em 18.04.14

“Como provar aos homens quão enganados estão ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem - sem saber que envelhecem, justamente, quando deixam de se apaixonar?”

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Crucificações

por José Navarro de Andrade, em 18.04.14

Marc Chagal, "Golgotha", 1912 

Fragment of a Crucifixion.jpg

 Francis Bacon, "Fragment of a crucifixion", 1950 


 Léon Ferrari, "Western-Christian Civilization", 1965 


 Chris Burden, "Trans fixed", 1974 


Hughie O'Donoghue, "Blue crucifixion", 1993-2002


 Bernard Pras, "Christ", 2002


Andrés Garcia Ibanez, "El Cristo de la Muerte", 2003



David Mach, "Die harder", 2010

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Abril (18)

por Pedro Correia, em 18.04.14

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