Domingo, 22 de Novembro de 2009
por Pedro Correia | 22.11.09

AO Bico de Gás.





Sábado, 21 de Novembro de 2009
por Pedro Correia | 21.11.09 | 19 denúncia(s)

A notícia já era esperada, mas nem por isso deixou de me atingir mais fundo. Porque, como dizia Jorge de Sena, nenhuma morte é natural. Fomos feitos para a vida, não para a morte. E se há pessoa que conheci sempre com imenso amor à vida foi o Jorge Ferreira, que hoje morreu, com apenas 48 anos. Idade absurda para morrer, como qualquer outra idade em que existem ainda tantos projectos por concretizar, tantos sonhos por alcançar.

O Jorge estava doente há dois anos, mas sempre enfrentou a doença como travou tantos debates políticos ao longo da sua vida parlamentar, como presidente da bancada do CDS: de frente, com coragem e tenacidade. Com o mesmo desassombro que revelou quando rompeu com o partido em que militava desde a adolescência, em desacordo profundo com Paulo Portas. Com a mesma franqueza e a mesma determinação que utilizava para escrever no seu blogue, Tomar Partido: o último postal foi publicado há apenas dois dias, na quinta-feira.

O Tomar Partido - título de leitura dúplice, que evidenciava o seu amor pela bela cidade de Tomar - era um dos blogues que eu lia com mais frequência, mesmo quando discordava do que lá se escrevia. Nos últimos meses, nas entrelinhas mas sem qualquer sombra de lamechice, o Jorge deixava entrever algumas pistas que nos permitiam decifrar a dor que sentia no penoso combate contra a doença. O blogue era o seu último ponto de contacto permanente com a vida quotidiana, mesmo quando já se encontrava imobilizado numa cama do hospital. Sem este convívio com os confrades de escrita blogosférica, a despedida teria sido ainda mais dolorosa.

Há cerca de dois meses, em linhas demasiado sucintas, escrevi aqui o que pensava dele e da sua escrita. Éramos parceiros de geração, conhecíamo-nos há mais de três décadas, e nunca deixámos que as frequentes divergências de opinião perturbassem uma amizade já tão antiga. É outro companheiro de juventude de quem me despeço, cedo de mais, num dia chuvoso que também parece estar de luto por um amigo que partiu.





por Pedro Correia | 21.11.09 | 6 denúncia(s)

 

 

 

 

RIO RABAGÃO

 

Nascente: Serra do Larouco, concelho de Montalegre

Foz: Rio Cávado

Extensão: cerca de 37km

 

"Depois de Pitões das Júnias o trilho levou-nos a um dos sítios mais enigmáticos do Gerês, com quebrantos, diabos e lendas à mistura. A Ponte da Misarela, eternizada na voz de Sebastião Antunes (Quadrilha). Aqui o diabo anda mesmo à solta, o Rio Rabagão corre livre, sulcando rochas e falésias, deixando atrás de si um rasto de lagoas e belas cascatas."

Do blogue Os Meus Trilhos

 


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por João Carvalho | 21.11.09 | 10 denúncia(s)

Pałac Kultury i Nauki (ou PKiN), Varsóvia (Polónia)

O Palácio da Cultura e Ciência perdeu o resto amaldiçoado do nome que já teve: Pałac Kultury i Nauki imienia Józefa Stalina. José Estaline mandou fazê-lo e disse que era uma oferta da União Soviética ao povo polaco. Foi construído entre 1952 e 1955 e passou a dominar Varsóvia dia e noite.

Espécie de bolo-de-noiva gigante (o "bolo russo", como lhe chamam os polacos), nasceu das mãos de Lev Rudnev, que o projectou como tantos outros arranha-céus russos da época, misturou-lhe renascentismo e uns maneirismos variados, juntou-lhe alguns traços polacos que colheu no caminho, deixou-o crescer desmesuradamente, salpicou-o com uma pitada de estalinismo q.b., enfeitou-o com o que lhe veio à cabeça e serviu-o bem quente.

O nome de Estaline foi banido com a "destalinização", mas a memória ficou: Varsóvia odeia o dador e a oferta. Não admira: o novo-riquismo disforme ditou que fosse, de 1955 a 1957, o edifício mais alto da Europa e ainda é o maior do país e o oitavo mais alto da União Europeia; o complexo Palácio abafa uma cidade cujo centro histórico, ainda por cima, é Património Histórico classificado pela UNESCO.

Durante a construção, 3500 operários russos foram instalados num bairro suburbano a expensas da Polónia – com cinema, restaurante, centro comunitário e piscina – e a obra registou 16 acidentes de trabalho mortais.

Depois da saída soviética, em 1989, o ódio esmoreceu e o impacto do complexo foi atenuado: recebeu no topo quatro relógios de 6,3 metros de diâmetro, em 2000, e os prédios erguidos entretanto alteraram a volumetria urbana. Mas será possível um dia gostar de tamanha aberração? Nunca: a sua omnipresença é uma sombra do passado odioso que ficou a pairar sobre a sofrida capital.





por Teresa Ribeiro | 21.11.09 | 3 denúncia(s)

 

Neste país descuidado e desatento, habituado a correr atrás dos seus mortos para lhes transmitir, em tempo inútil, tudo o que ficou por dizer, é bom que de vez em quando o feitiço se quebre.

Ontem gostei de ver a sala Luís de Pina da Cinemateca encher-se em homenagem a Abel Escoto, um homem cuja carreira se confunde com a história do próprio cinema português, e de testemunhar o interesse que os filmes Abel Escoto – Fragmentos de uma Vida, de Miguel Cardoso, e Abel Escoto e as Fitas do Seu Tempo, de Tony Costa , suscitaram na plateia. Mas mais que tudo, o que me deu prazer foi poder aplaudir o homenageado olhos nos olhos e verificar que naquela sala não houve desperdício, porque a vida, ao contrário do que é habitual, não se baldou ao evento e da primeira fila bateu-lhe palmas de pé.

 

Nota: A frase do título deste post, da autoria de Fernando Pessoa, roubei-a ao Miguel Cardoso, que a usou no cartaz do seu filme. É isso, Miguel. E não há palavras para dizê-lo melhor.





por Paulo Gorjão | 21.11.09

 

1. Citação

"Power tends to corrupt, and absolute power corrupts absolutely", Lord Acton.

2. Marcação imediata de eleições directas

O líder da distrital do Porto do PSD, Marco António Costa, pediu a "marcação imediata de eleições directas no partido", considerando que a Comissão Política Nacional (CPN) social-democrata "está moribunda" e "deixou de existir".

Marco António Costa tem toda a razão. A direcção do PSD neste momento não existe, como era expectável, e a CPN vai pelo mesmo caminho. É o que acontece quando os interesses de um grupo particular se impõem em detrimento dos interesses do partido.

3. In memoriam

Jorge Ferreira.

4. Em sede própria

Imagino que haverá umas quantas figuras no PSD que, neste momento, estão a dizer em sede própria a sua opinião sobre o actual rumo social-democrata. Daqui a uns meses dirão em diferido no espaço público qualquer coisa.

5. Sinais de fumo...

Marcelo Rebelo de Sousa terá sossegado a sua facção.

 

(Actualizado ao longo do dia.)





por João Carvalho | 21.11.09

O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas é visado aqui nestes (e noutros) termos: «O CD (...) considerou "tecnicamente incorrecta e deontologicamente reprovável o enfoque e identificação da jornalista como sendo "namorada de" nos títulos e destaques das notícias, em análise, elaboradas pela SIC, pelo Correio da Manhã e pelo Expresso", relembrando que "a devassa da vida privada dos cidadãos por alguns meios de comunicação não é, por si, susceptível de transformar acontecimentos privados em públicos, nem a sua divulgação e conhecimento legitima que eles possam ser retomados por outros media".»

Ora, entre a posição do CD e a de quem o visa, lembrei-me de ter sabido um dia que uma das minhas avós namorava numa janela do rés-do-chão, com o pretendente especado na rua à altura do parapeito. Nas redondezas, dizia-se que ela era «namorada de»: não comentavam a sua vida privada; apenas concluíam o que era publicamente percebido. Só seria chato se ela mostrasse "publicamente", por exemplo, que também namorava outro. E haveria "conflito de interesses" se ela recomendasse a uma outra, por exemplo, o seu recomendável namorado.

Hoje em dia, as coisas mudaram muito. Nesse tempo, entre ser dona-de-casa ou ser médica, aquela minha avó nunca viria a ser menos do que uma jornalista. E, se tivesse sido jornalista, jamais se queixaria ao CD ou gastaria energias a deplorar as considerações do CD. O mundo está mesmo muito mudado: passámos a viver entre portas escancaradas para a nossa própria devassa, mas namorar passou a ser do foro privado? Nas capas da imprensa cor-de-rosa também? Ah!... Como vai longe o tempo em que «com CD quem ganha é você».





por Pedro Correia | 21.11.09 | 6 denúncia(s)

A melhor face. De Luís Januário, n' A Natureza do Mal.

A verdade a que temos direito. Do Paulo Pinto Mascarenhas, no ABC do PPM.

Há novos governadores civis. De Paulo Morais, no Blasfémias.

Governo combate desemprego com novas oportunidades. De Rui Crull Tabosa, no 31 da Armada.

O argumentário perdido. De João Paulo Sousa, no Da Literatura.

O desconcerto do mundo. Do Luís Naves, no Corta-Fitas.

Coisas da face oculta. Da Luísa, no Nocturno.

Das escutas. Da Joana Carvalho Dias, no Hole Horror.

Muro. De Maria N, na Segunda Língua.

Raúl não, mas Obama sim. De João Tunes, na Água Lisa.

De mal a pior. Do Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.

Diz-se 'Rompoi' mas escreve-se 'Rompuy'... De Ana Gomes, n' O Rapto da Europa.

A minha querida lista negra. De Eugénia de Vasconcellos, no É Tudo Gente Morta.

And the stars are black and cold. Da Daniela Major, no Aventar.

This post is uma bela treta. Da Sara, no Deserto do Sara.

Alguns contículos de Natal. Do José Bandeira, na Bandeira ao Vento.





por Pedro Correia | 21.11.09

Ao Crónicas de Francisco José Viegas.





Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
por Pedro Correia | 20.11.09 | 4 denúncia(s)

 

No plenário da Assembleia da República, o PSD fez hoje tábua rasa do seu programa eleitoral, que previa a suspensão do processo de avaliação dos professores, e deu a mão ao Governo, demarcando-se da restante oposição. Lamento ter razão numa matéria para a qual, durante meses, fui alertando os meus colegas da blogosfera que andaram profundamente iludidos com a retórica da actual direcção social-democrata, mais vocacionada para ser uma espécie de PS de série B do que uma verdadeira alternativa aos socialistas.





por José Gomes André | 20.11.09 | 7 denúncia(s)

"Não sei, nem me interessa saber, se Vara recebeu ou deixou de receber dinheiro de A ou B.", Eduardo Pitta. Na verdade, só os crimes de corrupção praticados por políticos de Direita é que são realmente preocupantes.





por Carlos Barbosa de Oliveira | 20.11.09 | 4 denúncia(s)

 

 

Este ano assinalaram-se os 50 anos da Declaração dos Direitos da Criança.
Hoje, comemora-se o 20º aniversário da assinatura da Convenção dos Direitos da Criança. Estados Unidos e Somália continuam a ser os únicos países que não a subscreveram. É habitual assinalar estas datas com celebrações mas não haverá razões para grandes festejos enquanto algumas empresas agirem assim. Ou houver crianças a ser tratadas assim
 


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por João Carvalho | 20.11.09 | 18 denúncia(s)

 

Ryugyong Hotel,

em Pyongyang

(Coreia do Norte)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Ryugyong Hotel foi projectado para 330 metros de altura e uma área de 360 mil metros quadrados em 105 andares, com três mil quartos, sete restaurantes rotativos, casinos, nightclubs, etc. À época, o governo empatou 750 milhões de dólares (dois por cento do PIB norte-coreano).

Começou a ser erguido em 1987 para estar concluído dois anos depois; seria o maior hotel e o sétimo maior edifício do mundo. Mas correu mal: em 1989, quando devia ficar pronto, estava muito atrasado, por consecutivos problemas com o método de construção e materiais utilizados. Três anos depois, em 1992, era o caos: problemas de financiamento, cortes de energia eléctrica e racionamento de toda a ordem. A construção parou e assim ficou até ao ano passado: durante 16 anos, o único movimento foi o do guindaste deixado lá no alto, ao sabor do vento.

Em 2008, um grupo egípcio decidiu ficar com a obra e já iniciou os trabalhos a partir dos andares de topo. Muitos materiais foram repensados e estão a ser substituídos; grande parte da estrutura já sofreu deterioração irremediável pela exposição às condições climatéricas durante tanto tempo. Os investidores esperam abrir a Ryugyong Tower em 2012 e o governo de Pyongyang faz as contas: para o edifício ficar seguro, deverá chegar aos dois mil milhões de dólares (dez por cento do PIB).

Nem mesmo um norte-coreano ingénuo e sem termos de comparação pode apreciar o historial interminável de um arranha-céus que lhe custa os ossos e a medula, pensado para desafiar a Coreia do Sul e agora desejado para celebrar em 2012 os cem anos do nascimento de Kim Il Sung (o antigo líder e pai do actual).

Além do mau gosto, é também o triste símbolo arquitectónico de uma ditadura comunista dinástica em que o poder tira da população miserável para erguer aos céus uma torre absurda no centro da sua decrépita capital.





por Pedro Correia | 20.11.09 | 14 denúncia(s)

  

 

 

 

RIO PAIVA

 

Nascente: Serra da Nave, freguesia da Pera Velha, concelho de Moimenta da Beira

Foz: Rio Douro, em Castelo de Paiva

Afluentes: Rios Frades, Paivô, Ardena

Extensão: cerca de 110km

 

"Também os tempos eram outros. O Paiva não tinha rincolheira que não desse um prato de pescado, vivinho de arregalar o olho, trutas finas e taludas como bacalhaus, bogas e bordalos gordos como lontros."

Aquilino Ribeiro, O Malhadinhas


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por Pedro Correia | 20.11.09 | 8 denúncia(s)

 

 

Sónia Sanfona foi uma deputada socialista que se distinguiu, na última legislatura, a redigir o relatório da comissão de inquérito ao BPN criticado por todos os deputados da oposição que nela participaram. A intenção foi óbvia: fazer um frete ao Governo e à supervisão do Banco de Portugal, que só ela considerou "ter feito o seu dever", distorcendo as conclusões a que chegou a comissão e contribuindo assim para desprestigiar ainda mais a instituição parlamentar. Com este brilhante currículo em São Bento, não admira que tenha sido derrotada, logo a seguir, na eleição para a câmara de Alpiarça, reconquistada pela CDU ao PS. Fez birra com José Sócrates, que não a autorizou a candidatar-se em simultâneo ao Parlamento. A birra acabou por valer a pena: o primeiro-ministro acaba de a recompensar com o cargo de governadora civil de Santarém, distrito onde se insere o município que rejeitou Sanfona para presidente de câmara.

Há anos que o PS promete aos portugueses a extinção da inútil função de governador civil. Como tantas outras promessas socialistas - e o próprio 'socialismo' - também esta foi guardada na gaveta. Serve de compensação aos mais fiéis de cada distrito que não caíram nas boas graças do eleitorado. Gente como José Mota, candidato derrotado em Espinho nestas autárquicas após 16 anos à frente do município, e agora recompensado com o título de governador civil de Aveiro - espécie de baronato dos tempos modernos. Ou Isabel Santos, recém-derrotada pelo eterno Valentim Loureiro em Gondomar, o que bastou para a alcandorar a governadora-civil do Porto. Na noite de 11 de Outubro, prometeu fazer "oposição firme" ao major nos paços do concelho: mais uma promessa socialista que ficará pelo caminho.

Miguel Ginestal, derrotado na corrida à câmara de Viseu, onde o social-democrata conquistou mais um mandato ao PS, vê a derrota transformada em vitória por acto administrativo de Lisboa: é o novo governador civil do distrito. Jorge Gomes, que nem à terceira tentativa conseguiu tomar a câmara de Bragança ao PSD, recebe igualmente guia de marcha para o Governo Civil. Descubram quem são os outros. A lista completa dos agraciados pode ser consultada aqui.

Um prémio chorudo aos derrotados com cartão do partido. Pago com o dinheiro de todos nós.





por Sérgio de Almeida Correia | 20.11.09

"A estratégia não tem de me servir a mim, mas sim [para] servir o Partido. Eu respondo perante o partido e os algarvios, não estou cá para que o Partido me sirva" - Isilda Gomes, que troca o calor dos holofotes lisboetas pela continuação do trabalho sério e sereno que vinha desempenhando numa entidade condenada a prazo. Fica o registo.





por Teresa Ribeiro | 20.11.09 | 12 denúncia(s)

Acompanho familiar às urgências, com suspeita de AVC. Dois psiquiatras observam-no, recolhem informações sobre o seu historial clínico e medicamentos que anda a tomar, que registam em computador. A seguir passam-no para os colegas de Medicina Geral que, apesar de terem recebido o processo daquele doente por via informática, me fazem as mesmas perguntas.

Decidem interná-lo. No dia seguinte, já na enfermaria, procuro falar com um dos médicos que aproveita para me perguntar que outras doenças é que aquele doente tem e que medicamentos anda a tomar. A evidente falta de partilha de informação entre médicos e serviços começa a preocupar-me pois sei que há medicamentos que o meu familiar, em caso algum, deve suspender. Revelo essa preocupação, mas a jovem médica que me ouve, sossega-me: Traga-os. Se possível ainda hoje ele retoma essa medicação.

No dia seguinte constato através dos enfermeiros que afinal os medicamentos em causa ainda não foram administrados. Peço para falar com a chefe da equipa. Muita simpática, ela começa a dar-me informação acerca da evolução do doente, mas já que está a falar comigo aproveita e pergunta-me: Por acaso sabe que outras doenças é que ele tem e que medicamentos andava a tomar?





por Paulo Gorjão | 20.11.09

Peter Doig, "Reflection (What does your soul look like)"

 

1. Citação

"My one regret in life is that I am not someone else", Woody Allen.

2. As escutas

Ler o artigo de Vasco Pulido Valente. Na mouche.

3. As qualidades dos cães

Um: assumir uma posição criticamente feroz sobre as redes sociais. Ir à TVI24 falar do que se desconhece. A seguir, depois deste show, aderir ao Twitter... Dois: dizer de António Nogueira Leite o que Maomé não diz do toucinho e, a seguir, uma das primeiras pessoas com quem mete conversa no Twitter é Nogueira Leite. Watch and learn...

4. Em 140 caracteres

"O que me espanta, acima de tudo, nestes dias conturbados, é o enorme número de especialistas em Código Penal", por Henrique Monteiro. Uma boa farpa...

5. China 2025 (vídeo)

Aqui.

6. As melhores fotos da Reuters nas últimas 24 horas

Aqui.

7. Assuntos sérios, por favor...

O calendário Pirelli 2010, por exemplo...

8. O PSD e o estatuto da carreira docente.

Provocação: o PSD é um partido amigo, mas responsável...

9. Compromisso de Verdade

"Suspenderemos, porém, o actual modelo de avaliação dos professores, substituindo-o por outro (...)", p. 22.

10. Uma dúvida (2)

No outro dia perguntei aqui, entrada 20, se Pacheco Pereira já tinha manifestado o seu protesto pela contratação de uma agência de comunicação pelo grupo parlamentar do PSD. Quem conhece as suas posições só podia esperar que o fizesse. Acabou por o fazer. Ora, estava eu a preparar-me para elogiar a sua coerência quando reparo que Pacheco Pereira borrou a pintura. Não é que Pacheco Pereira não tolera a crítica? Ele que passa a vida a criticar terceiros revela uma intolerência surpreendente. Já se tinha percebido no passado que Pacheco Pereira gosta de yes men. De qualquer forma, mesmo assim, ainda me surpreende a sua intolerância. Ele pode criticar quem quer e fá-lo com empenho e com gosto. Os outros, porém, estão proibidos de o fazer, sob pena de sofrerem retaliações. Watch and learn.

 

 

11. Política internacional

"Put Osama bin Laden on trial", por Paul Cruickshank (CNN, 13.11.2009).

12. Uma posta

"Crónica de um défice anunciado", por Bruno Faria Lopes (Elevador da Bica, 19.11.2009).

13. Michael Sandel

Como sempre acontece, é um prazer escutá-lo.

14. Charles Krauthammer

Decline is a choice.





por Pedro Correia | 20.11.09 | 4 denúncia(s)

 

Jacqueline Bisset


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por António Manuel Venda | 20.11.09 | 1 denúncia(s)
«Continuava a conduzir devagar. A certa altura já ia tão devagar que uma mulher pôde abrir a porta e tentou meter-se dentro do carro. Era uma das portas de trás, tanto que ela deparou com as duas cadeirinhas de bebé dos meus filhos. Foi isso que a fez desistir, batendo depois a porta com toda a força que parecia ter. Pude então prosseguir a marcha e quando já ia numa zona da rua em que era um simples condutor anónimo e não o herói que tinha enfrentado os romanos, parei, abri o vidro e interpelei um velhote que como tanta gente andava de um lado para o outro:
– Olhe, por favor…
Ele aproximou-se.
– Sabe dizer-me o que é que se passa?
O velhote olhou para mim, incrédulo. E disse:
– O quê?! O amigo chegou agora?! Está um barco de romanos no porto, todos de espadas em punho e com bolas de fogo a arder para atirarem à cidade!
– Pensei que era uma actividade do programa «Allgarve»...
– Antes fossem esses malucos!... – disse o velhote. – Isto palpita-me que ainda vai acontecer alguma desgraça. Contaram-me que o único tipo que os enfrentou foi um num carro azul-escuro.
Dito isto, o velhote desatou a correr. Como muita gente. Iam na direcção da marginal. E eu lá me meti de novo a arrancar com o carro, o meu carro azul-escuro sobre o qual o velhote nem tinha feito comentários. Sentia-me a salvo, mas a curiosidade era muita. Eu queria voltar para trás para ir ver no que tinha dado tudo aquilo. Então dispus-me a continuar com o carro, para virar à esquerda assim que fosse possível e depois regressar à marginal. Conhecia mais ou menos bem a cidade, de forma que isso não seria difícil. Lembrei-me de que tinha de ir até ao estádio, de que era a melhor opção, e aí, junto ao estádio, seria fácil encontrar a estrada que me levaria de novo à marginal. Podia até voltar para trás nessa altura, se avistasse os romanos já desembarcados, quem sabe entretidos nalguma pilhagem.
Ia nestes pensamentos, já numa outra rua, quando de repente, do lado esquerdo, dei com o meu nome escrito numa parede.»




por Pedro Correia | 20.11.09

Ao Devaneios a Oriente (de Macau).





Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
por Pedro Correia | 19.11.09

Chefe do fisco que ajudava Godinho foi promovido por três directores-gerais.





por Pedro Correia | 19.11.09 | 3 denúncia(s)

 

 

Jornal República

(1922-1975)





por Pedro Correia | 19.11.09 | 14 denúncia(s)

 

 

 

RIO NABÃO

 

Nascente: Ansião

Foz: Rio Zêzere

Afluente: Rio Agroal

Extensão: 66km

 

"O Hotel dos Templários mergulhava na sua profundeza e no meio da vegetação, frondosa, fresca e verde, entrelaçando o Rio Nabão, numa posição da vassalagem, a seus pés."

Armando Figueiredo


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por Pedro Correia | 19.11.09 | 20 denúncia(s)

Uma vez mais, notícias da barbárie. Não falo de guerras nem de atentados nem de terrorismo. Falo de outra barbárie, que alastra como mancha ancestral neste nosso admirável século XXI, indiferente às constantes proclamações de irreversível progressismo. Na Somália, uma mulher de 29 anos foi apedrejada até à morte, acusada de ter cometido adultério com um homem de 20. Ele escapou à pena capital graças à 'benevolência' do juiz islâmico, que o condenou a cem chibatadas. Halima Ibrahim Abdiraham recebeu um veredicto que nenhum de nós conceberia sequer para o mais reles animal: a lapidação. Nem o facto de ser divorciada lhe serviu de atenuante num país em que os homens são simultaneamente legisladores, acusadores, juízes e carrascos - e às mulheres são negados todos os direitos, a começar pelo direito à dignidade. Sem recurso possível, logo se consumou a execução: a jovem foi de imediato soterrada sob uma chuva de pedras, certamente para gáudio dos duzentos selvagens que assistiram à cena, como relata a BBC, e de todos quantos defendem a 'pureza' da justiça corânica, que manda  castigar com as mais severas punições quem se desvia milimetricamente do rigor da norma milenar.

Embalados na retórica da 'modernidade' neste doce canto ocidental da Europa, mal nos apercebemos de que num continente vizinho há quem viva mergulhado em cenários de pesadelo semelhantes aos que vigoravam na pré-história. Gostaria que alguns profissionais da indignação por uma vez não fingissem que estas coisas não ocorrem no mundo contemporâneo, porventura com receio de serem acusados de 'islamofobia' pelas bem-pensâncias do costume. E ainda não perdi a esperança de ver um dia estas erupções de barbárie serem debatidas num Prós & Contras qualquer. Para ao menos ter a certeza de que esta mulher de que hoje falo e o homem de quem falei há dias não morreram sem uma palavra de consternação das boas almas iluminadas do ocidente.





por Paulo Gorjão | 19.11.09 | 2 denúncia(s)

 

1. Citação

"Those are my principles, and if you don't like them... well, I have others", Groucho Marx.

2. Em 140 caracteres

"O mesmo Governo que transpôs directiva comunitária que permitia cobrança de taxa por pagamentos com multibanco agora regulamenta ao contrário. OK", Paula Costa Simões.

3. Uma posta

"Onde está Lima?", por Pedro Rolo Duarte.

4. Mundial na África do Sul

Enfim, depois de muito suar, sempre conseguimos carimbar o passaporte para o Mundial na África do Sul. Ainda estou a tentar perceber se são boas notícias.

5. Um vídeo

Caroline Alexander, "The War That Killed Achilles: The True Story of Homer's Iliad and the Trojan War".

6. As melhores fotos da Reuters nas últimas 24 horas

Aqui.

7. Política internacional

Kishore Mahbubani, "America's Conflicting Destinies" (NYT 18.11.2009). Mais aqui.

8. New Released Books

Aqui.

9. Ministro da Saúde

O ministro da Saúde, Francisco George, publica hoje um artigo sobre a Gripe A no Público. Imagino que a directora-geral, Ana Jorge, terá uma opinião semelhante.

10. União civil registada vs. casamento homossexual

Na política a gestão de expectativas e do tempo é crucial. Uma boa decisão tomada no tempo errado ou gorando as expectativas que entretanto se criaram poderá estar condenada ao fracasso. Vem isto a propósito das uniões civis registadas de casais homossexuais que o PSD poderá vir a apresentar no Parlamento.

Se esta proposta tivesse sido feita há um ano teria tido um acolhimento muito mais favorável. O seu surgimento agora tem uma leitura totalmente diferente. O PSD dificilmente conseguirá descolar da percepção que se limita a tentar reduzir os danos. Dito de outra maneira, a sua proposta surge aos olhos da opinião pública como essencialmente reactiva e a reboque da proposta de legalização de casamentos homossexuais. Assim sendo, o seu acolhimento público será limitado em relação ao que poderia ter sido noutro contexto.

A proposta do PSD, todavia, introduz no tabuleiro uma alternativa política. A proposta de legalização de casamentos homossexuais não vai a jogo sozinha no Parlamento. Tal confere-lhe um valor político que poderá ser maior do que à primeira vista se possa pensar. Estou a pensar, claro, no Presidente da República. Não é para mim claro que Cavaco Silva não vetará o diploma que lhe chegar às mãos sobre a legalização de casamentos homossexuais. É por isso que o diploma do PSD poderá ser relevante. PS e PSD sabem isso. O PS, aliás, sabe mais qualquer coisa. Este é o momento de avançar com a proposta de legalização de casamentos homossexuais. O período que antecede as eleições presidenciais de 2011 é a janela de oportunidade. Esta é a altura em que Cavaco Silva tem menos vontade de desagradar ao eleitorado de centro-esquerda, ainda por cima agora que atravessa a fase mais difícil do seu mandato. Veremos, todavia, se a vontade de agradar ao centro-esquerda pesa mais do que desagradar à direita. O Presidente da República já desiludiu o centro-direita e a direita com a posição que assumiu na questão da interrupção voluntária da gravidez. Arriscar uma nova fractura com o seu core eleitoral, ainda por cima na sequência do episódio Limagate que tantos embaraços causou ao PSD, parece-me igualmente arriscado. Em suma, talvez fosse melhor não começar já a abrir as garrafas de champanhe. A procissão ainda vai no adro.

Uma provocação final: o referendo, afinal, talvez até fosse um caminho mais seguro para fazer aprovar a legalização de casamentos homossexuais do que se possa pensar... Os partidários do referendo têm mesmo a certeza que querem referendar o tema?

 

 

11. BERD, here I come...

Vera Jardim vai coordenar grupo para promover iniciativas de combate à corrupção.

12. Homicídio de carácter

Francisco Assis introduziu uma nova figura de estilo no jargão político. Segue-se, imagino, a queixa contra incertos.

13. Coitadinhos...

"Entrevista [de Joe Berardo] à Playboy incomoda accionistas do BCP". Poor guys. Imagino que até é capaz de os incomodar mais do que a situação de Armando Vara.

14. Cada maluco, cada pancada

Por exemplo, causa-me péssima impressão receber um email com erros de português ao nível mais elementar. Meio caminho andado para o currículo ir logo para o balde do lixo.

15. Herman van Rompuy

O presidente permanente do Conselho Europeu é um desconhecido. Pouco ou nada se sabe sobre as suas posições políticas e em particular sobre a União Europeia. Uma escolha que não entusiasma.

 





por Pedro Correia | 19.11.09

 

"Fidel Castro entrou em pânico, manhã cedo, no dia 22 de Outubro [de 1962], segundo o livro One Hell of a Gamble, e começou a dizer ao seu comparsa soviético [Nikita Krutchov] que em «determinadas circunstâncias» - a possível perda de Cuba - um primeiro ataque nuclear aos americanos era justificado. Se os americanos «efectivamente levassem a cabo o brutal acto de invadir Cuba», escreveu Castro numa carta para Krutchov, «seria esse o momento de eliminar tal perigo para sempre através de um acto de legítima defesa, por muito dura e terrível que fosse essa solução». «Não podemos ficar à espera para experimentar a perfídia dos imperialistas», disse Castro a um diplomata soviético em Havana, «permitindo-lhes que apliquem o primeiro golpe e decidam se Cuba deve ser varrida da face da Terra»."

Seymour M. Hersh, A Face Oculta de Kennedy

(Livros do Brasil, Lisboa, 1998)


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por Pedro Correia | 19.11.09

Ao Era uma Vez na América.





Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
por João Carvalho | 18.11.09 | 2 denúncia(s)

A Selecção Nacional vai estar no Mundial/2010. Ao contrário de um impensável punhado de portugueses, capazes de se empenhar para assistir ao vivo ao Mundial de Futebol na África do Sul, há um bom número de políticos que não está em condições de lá ir. A menos que desçam à Terra a tempo, o que também dava um certo jeito cá dentro.


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por João Carvalho | 18.11.09 | 26 denúncia(s)

Bolwoningen,

em 's-Hertogenbosch

(Holanda)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As Casas Esféricas (Bolwoningen, em nerlandês) são do arquitecto Dries Kreijkamp, em resposta ao desafio (subsidiado) lançado pelo governo holandês nos anos 70 para a concepção experimentalista de residências. Venceu esta ideia da casa-bolha com janelas à OVNI, uma criação bem bizarra.

Em 1981, foi construído um bairro de 50 destas moradias em 's-Hertogenbosch (ou Den Bos). Um bairro mal-amado: não é fácil viver numa bolha e adaptar o mobiliário e equipamento caseiro à parede exterior. Não admira, pois, que algumas moradias esféricas estejam abandonadas (como na foto do topo).





por Pedro Correia | 18.11.09 | 8 denúncia(s)

 

 

 

Parodiantes de Lisboa





por Pedro Correia | 18.11.09 | 22 denúncia(s)

 

 

 

RIO MONDEGO

 

Nascente: Serra da Estrela

Foz: Oceano Atlântico, na Figueira da Foz

Afluentes: Rios Dão, Alva, Ceira, Ega, Arunca, Pranto

Extensão: cerca de 230km

 

"Doces e claras águas do Mondego, / Doce repouso de minha lembrança, / Onde a comprida e pérfida esperança / Longo tempo após si me trouxe cego."

Luís de Camões


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por Sérgio de Almeida Correia | 18.11.09 | 6 denúncia(s)

Não é só a dos políticos que anda enevoada. A de alguns empresários também





por Sérgio de Almeida Correia | 18.11.09 | 4 denúncia(s)

Ora aqui está um ranking onde ainda não atingimos os mínimos. E não sei se com o actual clima teremos alguma possibilidade de melhorar. Para já, temos Cavaco Silva em 40º lugar, depois Mário Soares (116º), ao qual se segue um tal de José Manuel Barroso (184º). José Sócrates? Bom, o nosso PM, que segue num modestíssimo 248º lugar, vai ter muito que se esforçar para começar a dar nas vistas. Ou então terá de contratar uma agência mais eficaz. Talvez uma daquelas de que Pacheco Pereira está sempre a falar.  





por António Manuel Venda | 18.11.09

«Um ex-político e banqueiro de duvidosa integridade.»
Caracterização de Armando Vara no artigo do «El País», com link ali abaixo (artigo de Francesc Relea)
 




por Pedro Correia | 18.11.09 | 1 denúncia(s)

"Salió a la luz como un nuevo caso de corrupción en Portugal, el enésimo, en el que están implicados directivos de empresas públicas vinculados al Partido Socialista, y va camino de convertirse en un escándalo, con tintes de sainete, que ensombrece a los poderes político y judicial."

El País





por Leonor Barros | 18.11.09 | 30 denúncia(s)

Hugh Grant





por Pedro Correia | 18.11.09 | 21 denúncia(s)

No debate do Estado da Nação de 2007, em 20 de Julho desse ano, Jerónimo de Sousa afirmou na Assembleia da República que Portugal se havia transformado num "país mais injusto".

Em 15 de Outubro de 2008, falando em Aveiro, afirmava que "o nosso país está hoje mais injusto e desigual, mais endividado e mais dependente".

Um ano depois, em 14 de Março de 2009, o diagnóstico do secretário-geral do PCP foi muito semelhante: "O país está pior, mais injusto, desigual e endividado." Na Festa do Avante!, em Setembro, o mesmo mote: "O país está agora ainda mais frágil e mais debilitado do que estava em 2005", declarou Jerónimo a 6 de Setembro. Alguns dias depois, a 18, o líder comunista atacava o Código de Trabalho sublinhando que José Sócrates havia tornado o País "mais desequilibrado e mais injusto".

Já este ano, a 23 de Março, ao convocar uma manifestação de protesto contra o Governo o PCP lamentava que o País se tenha tornado "mais desigual, mais injusto, mais dependente e menos democrático".

Mais recentemente, no editorial do jornal Avante! de 5 de Novembro, pode ler-se:"Com o capitalismo dominante, o mundo é, hoje, menos democrático, menos livre, menos justo, menos fraterno, menos solidário, menos pacífico."

Depois disso, a 7 de Novembro, o secretário-geral do PCP justificou o facto de não celebrar o derrube do Muro de Berlim por haver hoje “um mundo mais injusto, mais desigual, menos democrático, com mais guerra”.

Sempre a música do costume: vira o disco e toca o mesmo. Deve ser a isto que alguns chamam a cassete comunista, que remonta aos tempos pré-históricos. Ninguém lhes arranja um DVD?





por António Manuel Venda | 18.11.09 | 3 denúncia(s)

«Como é que um deputado quase sem cabeça não é uma figura pública?», perguntou-se o pai do pequeno Tukie, apenas em pensamento.

A verdade é que nunca o tinha visto. Costumava estar atento ao mundo da política, apesar de o considerar um mundo demasiado sujo, mas nunca tinha visto aquele deputado, que no ecrã da televisão aparecia com muita gente à volta, num alvoroço.
– A criatura não é de cá! – disse o deputado.
O pai do pequeno Tukie pensou que ele se estava a referir a alguma pessoa que não era de Beja, mas passados uns segundos percebeu que não, que ele se estava a referir à lebre que tinha dentro da gaiola. E que quando dizia «não é de cá» queria dizer que não era não apenas de Beja, não apenas do Alentejo, não apenas de Portugal, não apenas da Europa – comunitária ou não –, mas do próprio planeta. A lebre – ou melhor, como dizia o deputado, «a criatura» – não era do planeta Terra. Nem ela nem outras três iguais a ela, que o deputado lamentava terem conseguido fugir.
– Serão apanhadas, é claro! – disse um homem muito gordo, de farda cinzenta.
O deputado virou-se para ele e concordou:
– Exactamente, senhor cabo.




por João Carvalho | 18.11.09 | 21 denúncia(s)

Portland Building,

em Portland

(Oregon, EUA)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Também chamado Portland Municipal Services Building, é uma concepção pós-moderna da autoria de Michael Graves, abriu em 1982 e custou 29 milhões de dólares. No ano seguinte, recebeu um prémio honroso do American Institute of Architects, mas a obra continua a ser altamente controversa entre a população da cidade e mesmo no campo da arquitectura: alguns especialistas consideram que «é um dos mais detestados edifícios da América» e os funcionários lá colocados referem-no como uma construção barata em que é difícil trabalhar.

Em 1985, em frente ao edifício foi colocada uma estátua alusiva a Portlândia (género botânico da família Rubiaceae), alegoria à patrona da cidade. Tem 10,6 metros de altura e é a segunda maior nos EUA, depois da Estátua da Liberdade, segundo o método utilizado (copper repoussé).

 





por Paulo Gorjão | 18.11.09 | 2 denúncia(s)

 

1. Citação

"Strategy without tactics is the slowest route to victory. Tactics without strategy is the noise before defeat", Sun Tzu.





por Pedro Correia | 18.11.09 | 2 denúncia(s)

Ao É Tudo Gente Morta.





Terça-feira, 17 de Novembro de 2009
por João Carvalho | 17.11.09 | 7 denúncia(s)

Armando Vara diz que quer “esclarecer tudo”, mas só se houver “condições para o fazer”, pois não sabe “o que vai acontecer” no interrogatório, nem se terá “acesso” à matéria probatória. O que ele quer é responder a questões “concretas” e conhecer o que realmente sobre ele pende, em vez de ser confrontado com acusações “genéricas”.

Complicado? Não. Se for conforme os seus desejos, Vara está disposto a pôr tudo em pratos limpos, mas não o tudo-tudo: só o tudo cirúrgico.





por Pedro Correia | 17.11.09 | 31 denúncia(s)

No dia em que o relatório da Transparência Internacional indica que Portugal desceu três lugares na lista dos países menos afectados pela corrupção, caindo da 32ª para a 35º posição, Mário Soares escreve hoje no DN sobre a Face Oculta. Não para se insurgir vigorosamente contra a corrupção mas para se indignar contra a violação do segredo de justiça.

"A operação Face Oculta parece ser... a da justiça. Porque ninguém sabe donde vêm as 'fugas' e quem - e com que fim - as divulga nos jornais, rádios e televisões. mas toda a gente as discute", escreve o ex-Presidente da República, exercendo o direito à indignação... contra magistrados e jornalistas.

E prossegue:

"Os cidadãos têm razão para perguntar: a quem aproveita e para que serve o segredo de justiça? Para a defesa dos arguidos - como devia ser - não é, seguramente. Mas para quem os viola - e os propaga impunemente - isso, sim: porque está a tornar-se uma forma muito corrente de denegrir a honra de figuras públicas, que ainda por cima não têm como se defender..."

Não me lembro de ver Mário Soares tão ansioso pela preservação do segredo de justiça quando as 'fugas de informação' que ele hoje tão vigorosamente condena visaram sociais-democratas como Dias Loureiro ou António Preto. É agora, quando os nomes dos socialistas Armando Vara e José Penedos surgem estampados nas manchetes dos jornais, que o antigo Chefe do Estado vem manifestar a sua "preocupação" com a forma como as notícias chegam aos órgãos de informação, apelando inclusive à intervenção do ministro da Justiça - porventura para puxar as orelhas aos jornalistas ou aos magistrados.

"Temos agora um novo ministro da Justiça, Alberto Martins, resistente à ditadura e homem de bem, como tal reconhecido. Espera-se que possa acabar com os escândalos da divulgação sistemática do 'segredo de justiça'", escreve Soares. Faltou-lhe especificar como é que o titular da pasta da Justiça poderá "acabar" com esses "escândalos". Por despacho?

E faltou-lhe sobretudo dedicar algumas linhas à necessidade de combater a corrupção - esse sim, é um combate urgente. Viriam muito a propósito, como a Transparência Internacional agora comprovou.





por Carlos Barbosa de Oliveira | 17.11.09 | 9 denúncia(s)

 

Neste maravilhoso mundo de abundância onde vivemos, uma em cada seis pessoas  tem fome. Ou seja: neste mundo de prosperidade, um sexto da população não tem acesso àquele que deveria ser o mais elementar direito de qualquer ser humano: a satisfação das suas necessidades básicas.
Neste mundo tão preocupado com as crianças, morrem 17 mil crianças por dia… COM FOME!
De quando em vez, o mundo preocupa-se com a questão. Em 1996, por exemplo, o combate à fome foi o “Objectivo do Milénio” estabelecido pela ONU.
Treze anos depois… o problema agravou-se. Os governos de todo o mundo continuam mais preocupados em salvar os bancos, do que as pessoas. No entanto, 2010 é o Ano Europeu da Luta contra Pobreza e Exclusão Social, pelo que era necessário dar um sinal de que, apesar da crise, a preocupação permanece.
Por razões que não vêm por agora à colação, a ONU considerou ser  Roma a cidade ideal para discutir os problemas da fome. Sessenta países responderam à chamada. Curiosamente, os países mais ricos do mundo - que integram o G-8- não compareceram.  Surpresa? Nem por isso. A razão está aqui explicada para quem, eventualmente, tenha lapsos de memória.





por Pedro Correia | 17.11.09 | 22 denúncia(s)

  

 

 

 

RIO MIRA

 

Nascente: Serra do Caldeirão

Foz: Oceano Atlântico, em Vila Nova de Milfontes

Afluentes: Rios Luzianes, Perna Seca, Macheira, Guilherme, Telhares

Extensão: cerca de 140km

 

"O rio Mira, senhor da planície / e das escarpas, / majestoso e largo, / chega por fim às portas do oceano. / Sem temer o seu destino de rio, / enfrenta as vagas eternamente em fúria / e diz-lhes simplesmente, tranquilamente: Aqui estou."

Carlos Domingos

 


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por João Carvalho | 17.11.09 | 8 denúncia(s)

«O novo treinador do Sporting deu uma entrevista ao site do clube» – escreve o Público. É mais ou menos como José Sócrates dar uma entrevista ao Conselho de Ministros.





por Luís M. Jorge | 17.11.09 | 2 denúncia(s)

1.

 

Uma parte da direita propõe arrastar o debate sobre o casamento entre homossexuais, se possível, até à consulta popular. E eu, ingénuo, a pensar que existiam assuntos mais importantesproblemas urgentes, que diziam respeito a todo o país.

 

2.

 

Os muchachos de Sócrates não são o PS. Pessoas como Ana GomesMedeiros Ferreira, João Cravinho e um punhado de temerários manifestam há muito o seu desprezo pela corrupção, ou pelo silêncio, dos apparatchik. Com as instituições enfraquecidas, talvez nos façam falta.





por Pedro Correia | 17.11.09 | 30 denúncia(s)

Não pode haver maior dor na vida de um pai do que perder um filho. Quando um filho com oito meses de gestação, prestes a nascer, morre no ventre materno estamos perante um drama que marca para sempre qualquer mulher - e também qualquer homem que sonhou ser pai. Foi isso que aconteceu há dias, em Portalegre. Pelo menos um canal de televisão mostrou-nos esse pai lavado em lágrimas, falando entre soluços convulsivos, num momento dramático da sua existência. Dias antes a mulher fora vacinada contra a gripe A e o homem procurava naquele instante uma relação de causa-efeito entre a vacina e o óbito, tanto mais que até aí a gestação decorrera sem qualquer problema. Qualquer pessoa faria o mesmo perante aquele golpe traiçoeiro do destino.

Achei revoltante que esse canal de televisão - nem fixei qual é - tenha dado tempo de antena, naquela ocasião precisa, a uma pessoa que se encontrava sob um evidente choque emocional. Manda o código deontológico dos jornalistas que não sejam recolhidos depoimentos nestas circunstâncias. Infelizmente, esta norma está a tornar-se letra morta. Pelo contrário, quanto maior for hoje a oportunidade para explorar despudoramente as circunstâncias dramáticas na vida de qualquer de nós, lá está um microfone estendido, lá está uma câmara ligada, lá está um repórter mandatado por uma chefia fechada num gabinete qualquer - tudo pronto a servir as emoções alheias ao domicílio.

Como se todos os pormenores da vida íntima de cada um fossem um interminável reality show em sessões contínuas. Haverá quem chame jornalismo a este espectáculo indecoroso. Eu não.

 

ADENDA:

Ler esta excelente crónica do Ferreira Fernandes.





por João Carvalho | 17.11.09 | 26 denúncia(s)

Casa da Música – Porto

 

Uns são defendidos por vanguardistas apreciadores do arrojo e detestados por muitos. Outros são pura e simplesmente odiados pela generalidade. Todos eles são exercícios arquitectónicos polémicos, ensaios artísticos de gosto discutível, construções que foram ou ainda são consideradas provocadoras. Estão um pouco por todo o mundo e vão pingar aqui no sentido do alargamento de temas dedicados aos interesses variados de quantos nos brindam com a sua comparência neste blogue. O objecto de partida é intencional. Outros pontos do globo se seguirão.





por Pedro Correia | 17.11.09 | 5 denúncia(s)

Depois do erro. De João Paulo Sousa, no Da Literatura. 

Enke. Da Fernanda Câncio, na Jugular.

Andamos todos a brincar com o fogo. Do Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.

Má técnica jurídica... De Ana Gomes, na Causa Nossa.

O exemplo de Marques Mendes. De José Medeiros Ferreira, no Bicho Carpinteiro.

Sabemos mesmo? Do Miguel Morgado, n' O Cachimbo de Magritte.

Os muros à nossa escala. De Ana Lima, no Dias Imperfeitos.

O muro. Da Luísa, no Nocturno.

Palavras para quê? Do Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.

Albert Camus (1913-1960). De António Cruz Mendes, n' A Formiga de Esopo.

Uma comparação. Do Luís Naves, no Corta-Fitas.

O prato partido. Do Pedro Lomba, no Sete Sombras.





por Paulo Gorjão | 17.11.09 | 3 denúncia(s)

 

1. Citação

"Principles and rules are intended to provide a thinking man with a frame of reference", Karl von Clausewitz.

2. Uma posta

"Jantares", por Tomás Vasques (Hoje há Conquilhas, 16.11.2009). Por vezes tenho a impressão que a miséria de espírito é inversamente proporcional à miséria de carteira.

3. Em 140 caracteres

"Uma união civil para mim é, repito, o mais adequado. Quanto à adopção não posso concordar", António Nogueira Leite.

Pessoalmente sou a favor do casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, mas muito reticente quanto à adopção. Se no primeiro caso estão apenas em causa os interesses de duas pessoas, no segundo já se envolve os interesses do adoptado. Esse é para mim um debate muito menos maduro do que o primeiro. Naturalmente, necessita de amadurecimento e de tempo.

4. Política internacional

"The Great Wallop", por Niall Ferguson e Moritz Schularick (NYT, 16.11.2009).

5. Edward Lear

Egyptian Sketches.

6. Um livro

 

 

7. A mesma coisa

Tão grave ou tão palerma -- como preferirem -- como a tese da espionagem política é o argumento em sentido contrário de que houve uma gestão política para não prejudicar José Sócrates durante a campanha eleitoral.

8. Conversando com Thomas F. Madden (áudio) 

 

 

9. Harry Kreisler conversando com T. V. Paul (vídeo)

O tema? Armas nucleares e conflito internacional.

10. High Voltage

Vai uma musiquinha...?

11. As melhores fotos da Reuters nas últimas 24 horas

Aqui.

12. Um filme

Surrogates, por exemplo.

13. Entidades reguladoras

O PSD insiste -- e bem -- na apresentação do seu diploma que anteriormente foi chumbado.

14. Manuela Moura Guedes

Haja paciência...





por Pedro Correia | 17.11.09

Ao Notas Verbais.





Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
por Pedro Correia | 16.11.09 | 7 denúncia(s)

Na imprensa de hoje, dois retratos expressivos de um país em crise:

 

1. Os presidentes da Refer, da CP e de pelo menos mais uma sociedade pública de transportes terão pago com o cartão de crédito da empresa os almoços de 50 gestores públicos daquele ramo, a 23 de Outubro, durante uma homenagem à então secretária de Estado dos Transportes, a socialista Ana Paula Vitorino.  

O almoço de apoio e de despedida à governante foi no Hotel Altis Belém, em Lisboa, e juntou meia centena de administradores da CP, Refer, Carris, Metro de Lisboa, Administração do Porto de Lisboa e STCP, bem como de algumas empresas detidas pela CP e Refer, os quais se quotizaram entre si com um montante de 40 euros do seu próprio bolso para oferecer a Ana Paula Vitorino uma gargantilha de ouro de cerca de 2000 euros.

 

2. O Fisco já deixou caducar milhares de euros de impostos das empresas de Manuel Godinho, o principal arguido do processo ‘Face Oculta’. Se o empresário não for notificado para pagar até 31 de Dezembro, mais 164 mil euros deixarão de entrar nos cofres do Estado. Estamos a falar de IVA não pago relativo a 2002, 2003 e 2004 da Comércio Sucatas Godinho Lda, detectado durante uma inspecção tributária que durou oito meses e que terminou em Junho de 2006.

 

Crise, de facto. Mas crise no plano ético, sobretudo. A crise económica só toca a alguns: muitos gestores públicos e uma multidão de empresários caloteiros, vários dos quais considerados 'beneméritos' nas comunidades onde residem, sugam o Estado e lesam os contribuintes com total despudor. Num país onde as disparidades na distribuição da riqueza atingem níveis chocantes, este contraste entre o Portugal que se endivida para adquirir bens de primeira necessidade e o Portugal que esbanja ou que não olha a meios para lesar o interesse público é ainda mais inaceitável. E justifica uma atitude de indignação da parte de todos nós.





por Pedro Correia | 16.11.09 | 21 denúncia(s)

 

António Aleixo, o mais célebre dos nossos poetas populares, morreu faz hoje 60 anos. Em homenagem ao seu talento aqui deixo quatro das suas quadras. Tão actuais hoje como no dia em que as escreveu:

 

Sem que discurso eu pedisse,

ele falou e eu escutei.

Gostei do que ele não disse;

do que disse não gostei.

 

P'ra mentira ser segura

e atingir profundidade

tem de trazer à mistura

qualquer coisa de verdade.

 

Mentiu com habilidade,

fez quantas mentiras quis,

agora fala verdade,

ninguém crê no que ele diz.

 

Julgando um dever cumprir,

sem descer no meu critério,

digo verdades a rir

aos que me mentem a sério!

 

Imagem: estátua de António Aleixo em Loulé





por Adolfo Mesquita Nunes | 16.11.09 | 5 denúncia(s)

Preocupa-me a animada  defesa de propostas de criminalização do enriquecimento ilícito como se esta não fosse a mais preguiçosa forma de lidar com as dificuldades que a presunção de inocência traz a uma investigação, criando uma espécie de crime sobre um crime.

 

E se tudo isto é muito bonito de aceitar quando imaginamos os poderosos no banco dos réus (neste caso arguidos), alimentando os nossos costumeiros ódios sociais, talvez fosse melhor parar para pensar nos menos poderosos que poderão ser visados por aquela proposta: todos nós. É que ao contrário do que possa pensar-se, e como sempre acontece, é o mexilhão a levar com esta absurda inversão das presunções que deveriam nortear a investigação. 

 

A corrupção, sobretudo se instalada e sistémica, não se resolve com leis relativas à sua criminalização, que aliás já existem e que são aplicadas precisamente pelo e com o sistema. Resolve-se com a drástica diminuição das hipóteses de corrupção, só possível com uma redução substancial dos pequenos poderes que hoje atribuímos ao Estado.  





por Carlos Barbosa de Oliveira | 16.11.09 | 6 denúncia(s)

Quando foi indigitado pelo PS, para presidir ao Tribunal de Contas, a oposição teceu duras críticas à sua isenção. Levantaram-se vozes inflamadas, dizendo que o PS pretendia controlar o Tribunal de Contas, nomeando uma pessoa dócil que fechasse os olhos a eventuais irregularidades.
O tempo encarregou-se de demonstrar que as acusações  não tinham qualquer fundamento. Guilherme de Oliveira Martins tem sido uma figura incómoda para o governo socialista, suscitando dúvidas sobre inúmeras questões. A mais recente dúvida levantada pelo Tribunal de Contas prende-se com uma das medidas mais emblemáticas do governo Sócrates: o Magalhães .
Acredito que, hoje em dia, ninguém tenha dúvidas sobre a isenção de Guilherme de Oliveira Martins  e o seu contributo para uma maior transparência das contas públicas. De realçar, também, a forma serena como tem desempenhado o seu cargo, evitando os holofotes da comunicação social. A oposição teria muito a ganhar se aprendesse com o exemplo do ex-ministro da educação e das finanças de Guterres.
Nem só de bons exemplos se faz a democracia portuguesa. Também há muitos cromos, suficientes para embelezar uma caderneta. O desta semana está aqui.





por Pedro Correia | 16.11.09 | 9 denúncia(s)

 

 

 

RIO MINHO

 

Nascente: Serra do Meira (Galiza, Espanha)

Foz: Oceano Atlântico, em Caminha

Afluentes em Portugal: Rios Mouro, Trancoso, Gadanha, Coura

Extensão: cerca de 300km

 

"Vendo-os assim tão pertinho / A Galiza mais o Minho / São como dois namorados / Que o rio traz separados / Quase desde o nascimento. // Deixá-los, pois, namorar, / Já que os pais para casar / Lhes não dão consentimento."

João Verde


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por Pedro Correia | 16.11.09 | 15 denúncia(s)

 

«Preparei mentalmente as palavras que havíamos de dizer, caso a policia voltasse. Com certeza era preciso confessar-lhes que éramos 'mergulhados'. Ou eles eram bons holandeses - e então estávamos salvos - ou eram pró-nazis e então aceitavam dinheiro!

- Tira o rádio - suspirou a srª van Daan.

- Queres que o deite ao fogão? Se nos encontrarem, já não importa que encontrem também o rádio.

- Então encontram também o diário da Anne - disse o pai.

- E se o queimássemos? - propôs a pessoa mais medrosa do nosso grupo.

Este momento e aquele em que eu tinha ouvido as sacudidelas da Policia na porta giratória, foram para mim os mais terríveis.

- O meu diário não! O meu diário só será queimado comigo!

Graças a Deus, o pai já nem me respondeu.»

Excerto do Diário de Anne Frank

 

O Diário de Anne Frank é "um livro perigoso" por estar "carregado de emoção", ser "dramático e teatral", e suscitar simpatia pelos judeus. Pensava eu que só um nazi, descendente ideológico das bestas humanas que deixaram morrer a pequena Anne no campo de extermínio de Bergen-Belsen, em 1945, poderia fazer considerações deste género sobre um dos mais comoventes relatos de que há memória do quotidiano de uma família acossada pelos horrores da guerra - neste caso, na cidade de Amesterdão ocupada pelas hordas de Hitler, entre 1942 e 1944. Mas não. Também o Hezbollah - o Partido de Deus, movimento extremista que tem espalhado o terror no Médio Oriente - pensa o pior do Diário de Anne Frank, reduzindo-o ao rótulo de mera  "propaganda sionista", como referiu a estação televisiva Al-Manar, um dos mais destacados veículos de disseminação do fundamentalismo islâmico na região.

Os protestos foram de tal maneira estridentes que bastaram para pôr fim ao estudo da obra numa escola privada de língua inglesa em Beirute, banindo-a do programa lectivo. "Estas escolas respeitáveis ensinam aos seus alunos a alegada tragédia vivida por esta rapariga enquanto sentem vergonha de lhes falar da tragédia do povo libanês, da tragédia do povo palestino, da tragédia do povo do sul sob a ocupação sionista", protestou um dirigente do Hezbollah, Hussein Hajj Hassan. Percebe-se a lógica do protesto: se o Holocausto nunca existiu, como crêem estes fanáticos, a tragédia de Anne Frank, morta aos 15 anos, só pode ser "alegada". E nem o testemunho abonatório de alguns dos mais influentes leitores deste Diário, como Nelson Mandela, os faz mudar de opinião.

Há uma linhagem histórica que une Goebbels, o ministro da Propaganda de Hitler, aos actuais dirigentes do Hezbollah: comungam do ódio visceral aos judeus, prestam o mesmo culto à violência e partilham o gosto atávico pela censura de obras literárias. Incapazes, portanto, de entender estas palavras que Eleanor Roosevelt dedicou à obra imortal de Anne Frank: "Um dos mais argutos e tocantes comentários sobre a guerra e o seu impacto nos seres humanos que jamais li."





por Luís M. Jorge | 16.11.09 | 43 denúncia(s)

 

Na semana passada, os colegas do Delito de Opinião quiseram ir jantar ao Clube de Jornalistas. Como poderia recusar o convite? Adoro jornalistas. Já gostava deles quando não trabalhavam para o Governo, nem namoravam com primeiros-ministros, nem roubavam emails uns aos outros, e a passagem dos anos, o frisson das ligações perigosas, o perfume dos escândalos só transformou essa benevolência em ardor. Tenho amigos entre assessores políticos e profissionais da imprensa (perdoem o pleonasmo), e algumas das boas refeições que até hoje recordo foram incluídas na factura de um ou outro semanário. O mesmo não ocorreu com esta, que me obrigaram a desembolsar.

 

Apesar desse faux pas, a noite foi agradável. Mal atravessei a porta vi o Mário Zambujal, que ainda está vivo, e tão lúcido como o António José Saraiva. Na salinha dos cocktails cavaqueavam o Carlos Barbosa de Oliveira e a Teresa Ribeiro. O Carlos é um gentleman — a Teresa, felizmente, não. Revelou-se uma mulher elegante, simpática, com a língua afiada: fiquei ao seu lado durante o jantar.

 

O belo sexo fez-se representar com brio. A Ana, uma aventureira extraordinaire, relatou-nos como tinha explorado o Camboja, a Tailândia e o mundo perdido do grande lama Jampehl Gyatso Tangá, em Xanadu (deu-me um cone de incenso capaz de o provar). A Leonor e a Ana Margarida discorreram com tanto espírito sobre a nossa vida pública que fariam inveja à madame De Stael, se a sua pobre carcaça não estivesse sepultada em Paris. Quanto à Cláudia: ela conhece os segredos da blogosfera portuguesa, amigos. Sim, todos os segredos. Portanto, don't fuck with us.

 

Entre os homens contávamos dois políticos: o Adolfo, um sujeito demasiado estimável para alguém que apoiou Paulo Portas e espera conduzir à miséria as velhinhas do rendimento mínimo e os órfãos desamparados — e também o André Couto, um socialista que se atrasou várias horas, como é hábito entre os poderosos, mas teve a delicadeza de não recitar as oito cabalas urdidas pela justiça contra o senhor primeiro-ministro ainda em funções.

 

Nós, os cidadãos anónimos, também nos divertimos muito. O António ficou calado e o José falou sobre a América, pelos dois. Assim se confirma que em todos os blogs colectivos há um Nuno Rogeiro. Mas a grande surpresa da noite foi o Pedro Correia: eu aguardava um rapaz de chinela e calção encardido, com prancha de surf à ilharga, recém-chegado de uma das melhores praias portuguesas, e em vez dele conheci um senhor com ar de banqueiro, bon chic, bon genre, glamoroso, soigné. Passei todo o jantar à espera que aparecesse o irmãozinho.

 

Os colegas ausentes deixaram saudades mas, vendo o lado positivo, assim não faltou comida. O chef André Magalhães esteve bem: o creme de castanhas com presunto estaladiço pareceu-me excelente, o bacalhau salgado mas as migas saborosas, o naco de porco très outonal, o leite creme de marmelos um achado, os vinhos muito adequados ao preço (melhor o branco que o tinto). As castanhas assadas, infelizmente, más — despeçam o fornecedor. O espaço é magnífico, o jardim amável, a mesa redonda é ideal.

 

 Nos próximos dias publicarei aqui algumas fotos, a menos que enviem os chequezinhos ao apartado do costume. Para a Ana Cláudia é mais caro, por questões de segurança. 

 





por Sérgio de Almeida Correia | 16.11.09 | 3 denúncia(s)

Todos sabem que não é brilhante, que as competências escasseiam, que as dificuldades são muitas e que os empregos não abundam. Mas, francamente, quando se chega a este ponto, será que não há por aí um programa qualquer que lhe permita melhorar as "competências"? 





por Pedro Correia | 16.11.09 | 4 denúncia(s)

 

"Nos anos 60, estávamos na EFTA, houve uma fortíssima campanha, patrocinada por alguns nomes sonantes da medicina da época, que levaram à redução drástica do consumo de azeite em favor dos óleos. Só no fim dos anos 90 os media começaram a divulgar os benefícios da dieta mediterrânica e paulatinamente o consumo de azeite começou a aumentar, embora estejamos a milhas dos italianos e muito principalmente dos gregos.
Embora me interesse pelo grau de acidez, que vou encontrando afixado em todos as marcas nacionais que compro, julgo que mais importante é a rotulagem sobre o método de extracção. A qualidade de um azeite extra-virgem extraído a frio é substancialmente diferente de todos os outros e justifica o custo mais elevado.
Quanto ao nosso azeite de antanho, com sabor a tulha (mesmo quando a acidez era baixíssima), ser o melhor do mundo é opinião que de forma alguma partilho. Bastava dar um salto à Toscânia e comer uma bruschetta, para percebermos o longo caminho que tínhamos de percorrer. Felizmente na maioria dos casos já foi percorrido com êxito e hoje quase sempre é um regalo saborear um bom azeite português. Dir-se-á que estes azeites de topo são caros. Talvez, mas são sempre bastante mais económicos que os franceses ou italianos de qualidade idêntica."

 

Da nossa leitora Maloud. A propósito deste texto do João Carvalho.





por João Carvalho | 16.11.09

 

Muro de Berlim (trecho do lado ocidental a 9 de Novembro de 1989)

no momento em que começava a ser derrubado





por Paulo Gorjão | 16.11.09 | 3 denúncia(s)

 

1. Citação

"You don't really understand human nature unless you know why a child on a merry-go-round will wave at his parents every time around -- and why his parents will always wave back", William D. Tammeus.

2. Foreign Affairs

Novo número.

3. Espionagem política

Alberto Martins terá esclarecido que não alinha na tese da espionagem política. Fez bem.

4. Banana republic?

Vamos dar o benefício da dúvida. Vamos admitir que existe uma explicação. A outra hipótese possível -- i.e. admitir que as ordens do STJ são ignoradas pelo DIAP de Aveiro -- é surreal.

5. Política internacional

"A superpower stirs: 600 years after home its armada, China once again stride the world's stage?", por Andrew Browne (WSJ, 16.11.2009).

6. Face Oculta

"Vamos voltar a discutir o país?", por António Costa (DE, 16.11.2009); e, "O mal está feito", por Pedro Santos Guerreiro (JNeg, 16.11.2009).

7. As melhores fotos da Reuters nas últimas 24 horas

Aqui.

8. Em 140 caracteres

"António Vitorino acha que a expressão "espionagem política" é "excessiva". O PS tem cada dirigente...", João P. Castro.

9. Guiné-Bissau

"Guinea-Bissau: Cocaine's traffic hub", por Scott Kraft (LAT, 16.11.2009).

10. Uma posta

"Brincar com coisas sérias", por Pedro Marques Lopes (União de Facto, 16.11.2009).





por Pedro Correia | 16.11.09

Ao Movimento Mérito e Sociedade - Vila Real.





Domingo, 15 de Novembro de 2009
por Pedro Correia | 15.11.09 | 14 denúncia(s)

 

Fawlty Towers

(série da BBC, 1975-1979)

 

ADENDA: Esta já tinha passado por cá. Mas gostava tanto desta série que... repeti. Em dia de chuva intensa, faz falta esta boa onda.





por José Gomes André | 15.11.09 | 3 denúncia(s)

Escrevo num blog "generalista", mas elogio e muito os blogs "especializados", pois permitem um acesso rápido e ao mesmo tempo profundo a temáticas que, habitualmente, são abordadas com superficialidade pela imprensa tradicional. Aprecio muito em particular O Diplomata, regularmente mantido pelo Alexandre Guerra há vários anos. Excelentes reflexões e comentários na área da política externa e das relações internacionais. Escrita acutilante e informativa, e um grafismo "clean" que aprecio. É o blog da semana.





por Carlos Barbosa de Oliveira | 15.11.09 | 45 denúncia(s)

 

 

Hoje em dia não precisamos de ir à Argentina para comer um “bife de chorizo”, a Espanha para comer uma boa “paella” , a Marrocos para comer “couscous” nem ao Japão para comer “sushi”. A globalização – para além dessa péssima criação que é a “cozinha de fusão” - permitiu que a gastronomia típica de cada país se internacionalizasse e se tornasse acessível em todo o mundo ocidental.
É verdade que a cozinha portuguesa, talvez fruto das suas características, não tem sido dada a muitas experiências internacionais. De qualquer modo, já é possível encontrar, em vários países, deficientes imitações  do “bife à portuguesa”, do “bacalhau à Lisbonense” ou dos pastéis de nata.
Há, no entanto, um prato que resiste a qualquer internacionalização: a “francesinha”.
Criada nos anos 60 por um cozinheiro que tinha sido emigrante em França, esta iguaria permaneceu, durante quatro décadas, confinada à cidade do Porto - onde teve origem.
Nos últimos anos a sua popularidade propagou-se a outras zonas do país mas, garante-vos um apreciador deste delicioso manjar, que não existe em nenhum outro local uma única réplica que mereça os louvores dessa criação do restaurante “A Regaleira”, na Rua do Bonjardim.
Fiz várias tentativas, em vários restaurantes do país, mas  quase todas se revelaram decepcionantes. Não só ao nível dos ingredientes, mas também no que concerne ao ponto de cozedura do pão e à textura do molho, nenhuma se compara às que se podem comer em alguns locais do Porto (mas aviso desde já que também no Porto se vende muita “francesinha” que não respeita os cânones idealizados pelo seu criador). 
Registo com apreço a resistência à globalização desta iguaria ímpar nascida à beira do Douro, mas  hoje apetecia-me uma “francesinha” para me aliviar a tristeza deste dia plúmbeo que me aviva a memória de um país de cinzentões. Vã é a minha esperança. Em Lisboa, só encontro “francesinhas” de contrafacção.





por Pedro Correia | 15.11.09 | 6 denúncia(s)

  

 

 

 

RIO LIS

 

Nascente: perto da freguesia de Cortes, concelho de Leiria

Foz: Oceano Atlântico, a norte da praia de Vieira, concelho da Marinha Grande

Afluentes: Rios Fora, Lena, Alcaide

Extensão: cerca de 40km

 

"Fermoso Rio Lis, que entre arvoredos / Ides detendo as águas vagarosas, / Até que üas sobre outras, de invejosas, / Ficam cobrindo o vão destes penedos; // Verdes lapas, que ao pé de altos rochedos / Sois morada das Ninfas mais fermosas, / Fontes, árvores, ervas, lírios, rosas, / Em quem esconde Amor tantos segredos; // Se vós, livres de humano sentimento, / Em quem não cabe escolha nem vontade, / Também às leis de Amor guardais respeito, // Como se há-de livrar meu pensamento / De render alma, vida e liberdade, / Se conhece a razão de estar sujeito?"

Francisco Rodrigues Lobo


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por Teresa Ribeiro | 15.11.09 | 15 denúncia(s)

Ninguém pode dizer, honestamente, que se espanta com o que se foi sabendo pelos jornais acerca de casos como o Apito Dourado, Operação Furacão, Freeport e agora o Face Oculta. Tráfico de influências, corrupção, nepotismo sempre foram parte integrante da nossa realidade. Todos nos reconhecemos como naturais do país das cunhas, da fuga ao fisco e do gamanço de material de escritório. Quem nunca pediu favores a um tio ou nunca se lamentou por não ter um tio a quem pedir favores que atire a primeira pedra.

Cresci a ouvir familiares, amigos, colegas, taxistas e até políticos em campanha a perorar contra "eles". Percebi cedo que dizer "sistema" era apenas uma variante lexical para falar "deles". E também me habituei a assistir a pequenos golpes com a abulia de quem segue um boletim meteorológico. Compactuávamos com isto por impotência, inércia ou  conveniência, conforme o lugar que ocupávamos na cadeia alimentar.

Agora espantamo-nos com o que sempre soubemos. Escandalizamo-nos como virgens enganadas. É divertido este jogo. Na verdade representamos a mesma peça, só que passámos para o segundo acto, onde a acção se desenrola com mais ruído apenas porque, tal como nas tragédias gregas, por um golpe do destino tudo isto se começou a tornar - imagine-se! - oficial.

A verdade, quando sai do armário, é sempre desestabilizadora. Que o digam os psicanalistas que, tal como os tipos das Chaves do Areeiro, ganham a vida a abrir portas, só que levam mais caro. E o problema é que na maior parte dos casos não sabemos muito bem o que fazer com ela.





por João Carvalho | 15.11.09 | 22 denúncia(s)

PhotobucketO Luís Miguel dedicou um simpático post ferroviário ao DELITO DE OPINIÃO no seu Cantinho dos Com-boios, que está em fim de mandato como nosso Blogue da Semana. Pelo movimento que a escolha gerou durante a semana, só falta dizer a quem não foi lá espreitar que vale a pena a visita. Ainda por cima, o post inclui três vídeos interessantes e bem rodados.

 

Por falar em comboios: parabéns ao Jorge Rêgo pelo seu Caminhos de Ferro Vale da Fumaça (na nossa barra lateral), que está a fazer três anos e mudou a imagem do cabeçalho. O novo logótipo do blogue volta a ser da autoria de Carlos Romão e demonstra bem que o nosso amigo maquinista e os seus passageiros vão a todo o vapor, lá pelo Vale da Fumaça.





por Pedro Correia | 15.11.09 | 4 denúncia(s)

 

 

Dick Tracy, de Chester Gould


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por João Carvalho | 15.11.09 | 15 denúncia(s)

Naquele programa que dá pelo nome de Tempo Extra e que devia chamar-se "Tempo Infinito", o bem oleado Rui Santos promoveu um inquérito para auscultar como ficou vista a Selecção Nacional frente à Bósnia: Excelente, Muito Boa, Boa, Razoável, Medíocre, Muito Má. Eu queria votar Má, mas não pude, porque não constava. É verdade que o bom do Rui também desperdiçara Mazinha, Muito Péssima e Completamente Desgraçadinha, mas deixar de fora a nota Má que define, afinal, quase tudo o que é nacional parece-me pouco inteligente. A ideia do Rui Santos? Foi como de costume: Má.





por António Manuel Venda | 15.11.09 | 5 denúncia(s)

«Acho que ganhámos por um a zero.»

Simão Sabrosa, esta noite, poucos minutos depois do final do jogo entre Portugal e a Bósnia

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por Paulo Gorjão | 15.11.09 | 6 denúncia(s)

 

 

1. Citação

"Better to remain silent and be thought a fool then to speak out and remove all doubt", Abraham Lincoln. Uma observação que esquecemos com excessiva facilidade.

2. Portugal-Bósnia

Vitória suada por um a zero. A Bósnia atirou duas bolas ao poste e uma à barra. Esgotou-se o stock de sorte para quarta-feira?

3. Em 140 caracteres

"Está uma vaca a pastar na baliza portuguesa", Luciano Alvarez. Uma vaca leiteira, acrescento eu...

4. Um artigo e uma posta

"Sabemos como começa", por Pedro Adão e Silva; e, "Sabemos mesmo?", por Miguel Morgado.

5. Um livro

Changing my mind de Zadie Smith.

6. Face oculta

Começam as manobras de intoxicação, as notícias que são publicadas e em menos de 24 horas são desmentidas. Opinar é um risco antes de a poeira assentar.

7. Portugal, Guantánamo e o Afeganistão

"Portugal não pode ficar no Afeganistão para sempre. (...) Portugal liderou este processo, ao aceitar dois antigos detidos [em Guantánamo]", David Auerswald (Expresso online, 14.11.2009). Relativamente ao contributo de Portugal no processo de encerramento de Guantánamo, recomendo a leitura deste artigo. Quanto ao Afeganistão, é evidente que nenhum país pode ficar indefinidamente no Afeganistão, ou noutro lugar qualquer. Resta saber quando e como se sai do Afeganistão. Dito de outra maneira, o que é relevante definir é uma estratégia que permita a retirada depois de se devolver aos afegãos a responsabilidade pela sua própria segurança. E é aqui que as opiniões divergem, i.e. na estratégia mais eficaz para propiciar a retirada da ISAF.

8. As melhores fotos da Reuters nas últimas 24 horas

Aqui.

9. Um provinciano bem vestido

Discordo profundamente desta opção de combate político. Não é com reparos ad hominem que se vence esta guerra. Pronto. Lá está um Passos Coelhista a defender José Sócrates, dirão alguns. Nada mais errado. Defendo Sócrates como defenderia Manuela Ferreira Leite se lesse comentários sobre a sua idade, beleza, ou roupa. Defendo, em última instância, a minha própria pessoa.

10. Um dia não são dias...

Gostei de ler o artigo de Manuela Ferreira Leite no Expresso. No suplemento de economia.

11. Contas públicas

E o de Eduardo Catroga, já agora. Também no suplemento de economia do Expresso.

12. O referendo e o casamento homossexual

Pedro Santana Lopes decidiu fazer marcação a José Pedro Aguiar-Branco?

13. Sem espinhas

Marco António Costa foi reeleito líder do PSD do Porto.

14. Estado de Direito

"De que é que estamos a falar?" por Pedro Marques Lopes.

15. Marvel universe

"70 facts you didn't know about Marvel".

 

 

16. Um DVD

Pantera Cor-de-Rosa, Vol. 5 (editado pelo Público).

17. Mais uma...

A lista de medidas tomadas pelos governos de José Sócrates que são posteriormente alteradas ou revogadas num curto espaço de tempo vai engrossando. Mais uma: Governo reactiva a Brigada de Trânsito. Repito o que já disse e que isto revela: maus processos de decisão e condução errática da acção do Governo.

18. Crime de enriquecimento ilícito

O Bloco de Esquerda divulgou hoje quatro projectos-lei de combate e prevenção da corrupção. A isto chama-se sentido de oportunidade.

19. Política Internacional

"Disrupting Iran's weapons smuggling", por Matthew Levitt.

20. Uma dúvida

José Pacheco Pereira já expressou o seu protesto público pela contratação de uma agência de comunicação pelo grupo parlamentar do PSD?





por João Carvalho | 15.11.09 | 8 denúncia(s)

«Eduardo Bettencourt disse uma coisa positiva: "Agora, há que enterrar os mortos e tratar dos vivos".»

(Rui Santos, no Tempo Extra, SIC-Notícias)





por Pedro Correia | 15.11.09

Ao Alcides Fonseca.





Sábado, 14 de Novembro de 2009
por João Carvalho | 14.11.09 | 8 denúncia(s)

Tenho estado a reflectir sobre a saída da crise, o futuro do país e o que deixamos às gerações seguintes.

Também a ética, a consciência individual e a moral pública.

Igualmente a lisura, o civismo e os valores que nos unem.

Ainda a solidariedade, o sentido de humanidade e o respeito pelo próximo.

Mais a compreensão, a tolerância e a partilha.

E a utilidade do geral sobre o particular, o desapego e o sono dos justos.

Nota-se muito que tenho estado a reflectir sobre estas pequenas coisas?





por Pedro Correia | 14.11.09 | 44 denúncia(s)

 

 

Uma das mais belas crónicas de um escritor português que li desde sempre foi publicada há vários anos num jornal espanhol. O escritor era António Lobo Antunes e o jornal era o suplemento literário do El País. Adorava reler essa crónica, que tanto me deslumbrou. Lobo Antunes falava da primeira mulher e dos tempos felizes que partilhou com ela num apartamento da Rua D. Filipa de Vilhena, em Lisboa, quando a vida era sinónimo de eternidade e todos os sonhos pareciam possíveis. O casamento desfez-se, a mulher e musa morreu. Lobo Antunes confessa, num daqueles parágrafos que só podem ser escritos com o coração, que nunca mais foi capaz de voltar a passar naquela rua.
Reflecti nesta fabulosa crónica que tanto gostaria de reler em livro quando há dias caminhava pelo pacato bairro do Arco do Cego, no coração da Lisboa burguesa e ‘remediada’, como dantes se dizia. Nesse bairro morou outro grande escritor português: Aquilino Ribeiro. Por coincidência ou talvez não, é também aqui que vive hoje José Saramago quando se demora por Lisboa.
 
Já houve um tempo em que Saramago vivia noutra zona da capital – a Madragoa popular, numa rua com um nome muito bonito: Rua da Esperança. Fui lá uma vez. Era um terceiro andar modesto, sem qualquer luxo, mas cheio de luz natural e com uma decoração elegante e sóbria. As casas dizem-nos muito sobre quem lá mora: havia um fundo de harmonia naqueles aposentos inundados da música de Bach e Mozart.
Outro escritor que visitei foi Dinis Machado. Morava na Rua Sacadura Cabral, ao Campo Pequeno. Num apartamento escuro e acanhado, repleto de livros e papéis onde parecia mover-se como um rei no seu palácio. Acendia incontáveis cigarrilhas enquanto discorria com um conhecimento enciclopédico sobre cinema e literatura policial.
Nas minhas deambulações diárias por Lisboa associo sempre ruas a diversos escritores – vários dos quais conheci pessoalmente. Fernando Namora e Vergílio Ferreira, parceiros de geração literária, moravam em avenidas largas e bem rasgadas: o primeiro na Infante Santo, o segundo na dos Estados Unidos da América. José Gomes Ferreira escolhera a zona de Alvalade: morava na Avenida Rio de Janeiro. Ali perto, junto à Igreja de São João de Brito, vivia José Cardoso Pires. Outras ruas e avenidas da Lisboa burguesa acolhiam escritores que fui conhecendo: Couto Viana na Marquês de Tomar, Alice Vieira na Luís Bívar, Natália Correia na Rodrigues Sampaio. Sophia vivia na Graça: nada mais certo. Jorge de Sena tinha morada no Restelo – zona adequada para este incansável andarilho. Já Alexandre O’Neill, um sedentário, tinha poiso na Rua da Escola Politécnica: aquele cedro do Príncipe Real, ali a dois passos, inspira qualquer poeta. Vários outros escritores viviam nesta zona. Muitas vezes vi Augusto Abelaira, mergulhado nos seus papéis, de cachimbo na boca, à mesa da Alsaciana – também na Escola Politécnica. Quase ao Príncipe Real, vivia Agostinho da Silva. Já a caminho de São Bento, morava Alçada Baptista. E por aí vi ainda o poeta Ruy Cinatti, distribuindo versos seus, policopiados, como quem oferece flores a quem passa.
 
Desconheço onde mora agora Lobo Antunes, autor daquela crónica que li em espanhol mas que não hesito em considerar uma das mais belas de sempre da língua portuguesa. Penso nesse texto sempre que passo na Rua D. Filipa de Vilhena. Tento imaginar qual seria o prédio, qual seria o andar. Ignoro. Mas só pode ser um local trespassado de magia. Por ali se ter vivido um tocante, irrepetível e perpétuo amor.
 
Imagem: Quarto em Nova Iorque (1932), de Edward Hopper
 
ADENDA: Por gentileza da Luísa, tive acesso à crónica de Lobo Antunes a que faço referência neste texto, citando-a de memória. Aqui fica, aos leitores interessados. Tenho a certeza de que gostarão tanto dela como eu.




por Ana Vidal | 14.11.09 | 17 denúncia(s)

Para além da noite de Patpong, o bas fond onde um incauto transeunte pode aceitar ingenuamente o convite para um “ping-pong show” convencido de que vai assistir a um jogo de ténis de mesa, há a moderna movida de Bangkok. Estive numa das discotecas de moda, o clube Spasso (na crista da onda há mais de 20 anos), e foi surpreendente encontrar jovens tailandeses celebrando alegremente o Halloween como se fosse uma tradição local. É o império da globalização, a contaminação ocidental que se traduz em muitos outros aspectos, por exemplo na proliferação de restaurantes de pizzas e hamburgers. No Spasso é comum ver homens de negócios ocidentais com belas ninfas tailandesas, muito mais novas do que eles. Mas, afinal, tudo isto é tão velho como o mundo e não existe pecado a sul do equador, como diria o Chico Buarque…

 

 

De manhã cedo, após a visita ao esmagador Grand Palace e ao Templo do Buda Esmeralda, lava-me a alma um belo passeio pelos canais do Chao Phraya num barco típico, vagamente parecido com uma gôndola veneziana. A cidade vista do rio tem outro encanto e outro mistério, com o imponente Wat Arun (ou “temple of the Dawn”) a dominar a margem, lembrando-nos o esplendor do antigo reino khmer de Ayutthaya, a mítica capital do Sião no século XIV. Depois disto, não se resiste: há que rumar à própria Ayutthaya, ou ao que dela resta após a guerra com a Birmânia, com os consequentes destruição, declínio e abandono da cidade. Fica a menos de 100 km a norte de Bangkok e as ruínas, hoje Património Mundial da UNESCO, valem bem uma visita.

 

 

Depois, já que estamos na zona, é da praxe visitar o Palácio de Verão, uma complexa rede de construções numa mescla de estilos arquitectónicos – thai, chinês e europeu - que coabitam num belo parque em redor de um lago artificial que prolonga o Chao Phraya.  Há musica ambiente por todo o parque, desde a tradicional tailandesa ao jazz e à música clássica, consoante as zonas. Este paradisíaco lugar é o cenário real da história de amor do rei Mongkut do Sião e de Anna Leonowens, a perceptora inglesa dos seus filhos. A história verídica, baseada nos diários da inglesa, deu três filmes célebres: Anna and the King of Siam, de 1946, O rei e eu, de 1956, e Anna e o Rei, de 1999. Mas enquanto nós, ocidentais, fantasiávamos com o romantismo da situação, os tailandeses consideraram-na desde sempre uma ofensa e um desrespeito pela sua monarquia. Como resultado disto, os filmes foram banidos e nenhum deles passou nas salas de cinema do país. Mas a verdade é que ainda agora, à distância de mais de um século, se respira ali um irresistível clima romântico. De qualquer maneira, é curioso testemunhar a atracção que a estética e a cultura ocidentais exerceram sobre aquele longínquo e exótico monarca siamês (a decoração do palácio é totalmente europeia), a ponto de dar aos seus filhos uma educação mista que os preparasse para futuras alianças com o Ocidente. Uma nota: nunca entenderei a razão por que tive que descalçar-me e vestir uma saia comprida por cima da roupa (como todas as mulheres que ali cheguem de calças, calções ou saia curta) para visitar os aposentos reais, como se estes fossem um lugar sagrado ou místico que os turistas ousam profanar. Em vez de divindades, o que lá encontramos não pode ser mais terreno: porcelanas de Sèvres, mobiliário vitoriano, gobelins, lustres e espelhos venezianos, cristais da Boémia… Enfim, influenciado ou não por Anna, a verdade é que o rei Mongkut deu a liberdade a um grande número de concubinas e melhorou substancialmente os direitos das mulheres no reino do Sião: com as suas reformas, acabaram os casamentos forçados e a entrega de mulheres pelos próprios maridos como pagamento de dívidas, por exemplo. Mais tarde, estas reformas foram ampliadas pelo seu filho e herdeiro do trono (pupilo de Anna), modernizando e humanizando a estrutura da sociedade tailandesa.

 

E chego ao meu último dia em Bangkok, já com pena de ter de deixar a cidade. Troco as últimas compras por um programa prometido a um amigo e também muito apetecido: uma visita à embaixada portuguesa, autêntica pérola do nosso património diplomático. Atravesso as ruas num tuk-tuk veloz, que me deposita no portão verde decorado com o escudo português e se afasta, deixando-me sozinha e sem a menor garantia de um “abre-te Sésamo” que me faça ser recebida, já que não avisei previamente da minha visita. Mas tenho sorte (não a tenho sempre, afinal?): é o próprio embaixador quem me recebe, sorridente e solícito. E, nas duas horas que me separam do aeroporto, guia-me numa visita detalhada e exclusiva pela residência e pelos jardins, numa cavaqueira deliciosa e recheada de histórias sobre aquele importante baluarte da história portuguesa no Oriente, só por si digno de uma obra literária.

 

É pelo embaixador António Faria e Maya que fico a saber que Portugal parece andar distraído (como sempre, acrescento eu…) quanto às comemorações da importantíssima efeméride que se aproxima: a passagem dos 500 anos sobre a chegada dos primeiros portugueses ao Sião, em 1511. Ao contrário da Tailândia, diga-se, que está a preparar os festejos com antecedência e orgulho e até já começou por oferecer a Portugal uma “Sala” (pavilhão tailandês cujo nome deriva da palavra portuguesa homónima), presente esse para o qual demorámos mais de um ano a encontrar local adequado, acabando por negar-lhe, ainda por cima, a localização lógica e nobre: os arredores dos Jerónimos e da Torre de Belém. Enfim…

 


 

Despeço-me de Bangkok com a certeza de que voltarei um dia. Num dos terminais do moderníssimo e descomunal Aeroporto Internacional de Don Mueang (o maior free shop que alguma vez vi) espera-me um pequeno aviãozinho da Bangkok Airways, todo pintado com figuras coloridas e hélices exteriores enormes, de pás também pintadas. Não há duvida, estamos no reino do arco-íris. É este brinquedo que me levará ao meu próximo destino: Siem Reap, Camboja. 

 

 


Curiosidade: Bangkok (ou Banguecoque, na tradução portuguesa), é apenas uma abreviatura do nome completo da cidade, que consta no livro dos recordes (o Guinness) como o maior nome de cidade do mundo: Krung Thep Mahanakhon Amon Rattanakosin Mahinthara Yuthaya Mahadilok Phop Noppharat Ratchathani Burirom Udomratchaniwet Mahasathan Amon Piman Awatan Sathit Sakkathattiya Witsanukam Prasit (กรุงเทพมหานคร อมรรัตนโกสินทร์ มหินทรายุธยามหาดิลกภพ นพรัตน์ราชธานี บุรีรมย์อุดมราชนิเวศน์มหาสถาน อมรพิมานอวตารสถิต สักกะทัตติยะวิษณุกรรมประสิทธิ์). Ou seja, "A cidade dos anjos, a grande cidade, a cidade que é jóia eterna, a cidade inabalável do deus Indra, a grande capital do mundo ornada com nove preciosas gemas, a cidade feliz, Palácio Real enorme em abundância que se assemelha à morada celestial onde reina o deus reencarnado, uma cidade dada por Indra e construída por Vishnukam".

 

(cont.)


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