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Belles toujours

por Pedro Correia, em 31.10.14

 

Deborah Secco

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As canções de Novembro

por Pedro Correia, em 31.10.14

Série ininterrupta com maior longevidade da blogosfera portuguesa, que assinala o início de cada dia aqui no DELITO DE OPINIÃO, As Canções do Século surgirão em Novembro com um formato especial: todos os temas musicais terão nomes de mulher. É uma forma de homenagear as nossas leitoras, que muito colaboram com sugestões, comentários e palavras de incentivo.

A série, iniciada a 1 de Janeiro de 2010, vai prosseguir até ao próximo Verão. Algumas das melhores canções do século virão no fim. E desde já vos peço sugestões sobre as que mais gostariam de ver aqui. Até porque tenciono fazer uma série complementar a esta que possa reflectir os gostos de quem nos lê, há muito ou pouco tempo.

Aguardo essas sugestões, nas caixas de comentários das próximas Canções do Século ou para o meu endereço electrónico. Porque o DELITO será tanto melhor quanto mais for interactivo, estou certo disso.

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As canções do século (1765)

por Pedro Correia, em 31.10.14

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Perfeitamente ridículo.

por Luís Menezes Leitão, em 30.10.14

 Acho tão ridícula esta história de o MInistro da Defesa andar a dizer que andamos a "interceptar aviões militares russos" como o foi há cem anos a captura dos navios alemães que estavam pacificamente no porto de Lisboa. O problema é que é com estas bravatas que nós nos metemos em guerras a que somos totalmente alheios. Por isso, preparemo-nos para cantar: "Contra os russos, marchar, marchar".

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Ler

por Pedro Correia, em 30.10.14

De Tiananmen a Hong Kong. De António Araújo, no Malomil.

Os alicerces do tecto de 100 milhões de euros... De Margarida Corrêa de Aguiar, na Quarta República.

Dinheiro e pudor. De Jorge Carreira Maia. No Kyrie Eleison.

A Igreja acolhe o pecador ou o pecado acolhe a Igreja? De Daniela Silva, n' O Insurgente.

"Ganda" rebelde. Do André Miguel. No Crónicas de Além Tejo.

A caricatura. Da Rita Barata Silvério, na Rititi.

Dear Helen Mirren. Da Maria João Nogueira, na Jonasnuts.

Vai um livrinho? De Maria do Rosário Pedreira, no Horas Extraordinárias.

O direito à poligamia. De Rui Ângelo Araújo, n' Os Canhões de Navarone.

Prometo nunca me deixar. Da Carla Hilário Quevedo, na Bomba Inteligente.

Capricho. Da Carla Ferreira, n' Uma Mulher não Chora.

Maior que nós. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.

A última réstia de dignidade dos que até na morte são abandonados. Do João Pedro Pimenta, n' A Ágora.

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Profetas da nossa terra (59)

por Pedro Correia, em 30.10.14

«É cada vez mais óbvio que Portugal não conseguirá regressar aos mercados. O segundo resgate está por pouco tempo.»

Pedro Nuno Santos, 2 de Outubro de 2013

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Laterpost - Só uma teoria. Ainda a Jessica

por Marta Spínola, em 30.10.14

Deixo hoje este post já um pouco datado. Escrevi-o quando se falou no desfile/comentários /post da Jessica Athayde. Nessa altura li alguns posts sobre o assunto e lamento que os de maior destaque acabassem por cair na asneira de referir que a fotografia em questão era infeliz ou não era a actriz no seu melhor. Tudo o que tinha sido antes pelas autoras desses posts caiu por terra no momento em que o fizeram. Tal coisa nem me ocorreu, mesmo não tendo tido a pretensão de empunhar o estandarte da mulher real e essas coisas muito bonitas mas depois regra geral ocas que se dizem.

Segue então o que disse na altura ali no Vida de Pi.

 

O problema não são as gordas. Não são as magras. O problema é, como sempre, estarem mal resolvidas. O problema são os preconceitos, o não conseguirem mostrar pele por ideias pré-concebidas ou não receberem um elogio ou piropo de vez em quando. Mesmo que o recebessem não saberiam o que fazer com ele, ficariam trapalhonas com ele nas mãos como quando o telemóvel quase se nos escapa, quase quase, mas afinal não chega a cair. O problema é também, admito, a convenção à escala mundial, de que o magro é que é perfeito. Mas isso é secundário perto da mesquinhez das pessoas.

O problema é quando há muito elogio a alguém, tanto piropo que quase as ensurdece e não conseguem ficar indiferentes. São ciumeiras e eu percebo alguma coisa de ciumeiras. Mas dessas não tenho, não é o meu mundo mesmo. É nessa altura, em que alguém está a ter toda a atenção, que saem os "mas ela até é gorda", "olha para aquela celulite". E uma pessoa olha e olha e pensa que ou precisa de óculos ou não estamos a ver a mesma coisa.
Pessoas gordas bem resolvidas, e eu sei do que falo, não olham para Jessicas Athaydes a apontar defeitos, a esfera é outra, não pairamos no mesmo planeta, portanto não venham com "as gordas" que até podemos ser, mas não somos todas iguais. 
Dá vontade de rir, não fosse triste ver mulheres assim umas contra as outras por motivos idiotas, apontarem algum defeito à fotografia que vi. Dispam-se, vistam-se como quiserem, vivam um bocadinho, comam só alface se assim o entenderem, e acima de tudo não chateiem.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.10.14

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E Nada o Vento Levou, de Helena Sacadura Cabral

Crónicas

(edição Clube do Autor, 2014)

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Os meus heróis têm nome

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.10.14

vasco-ribeiro-portugal-surf-red-bull-aéreo-2013.Há muito que deixara de ser uma promessa para se tornar num dos mais consistentes desportistas da elite de surfistas nacionais. Depois de Tiago Pires está assegurada a continuidade no sector masculino - porque quanto ao feminino elas falam por si - do surf português no topo mundial. Espero que não lhe faltem os apoios - privados - para que possamos todos continuar a festejar os sucessos do novo campeão mundial de surf júnior. O Vasco Ribeiro transformou as ondas de Ribeira d'Ihas numa passadeira vermelha para as cores nacionais. Estou-lhe grato, tal como todos os portugueses, pelo seu feito.

surf-f5ad.jpg(foto Pedro Mestre, Expresso)

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Da falta de bom senso ao consenso

por Ana Lima, em 30.10.14

Quando, aqui há uns anos, Lili Caneças pronunciou a frase "estar vivo é o contrário de estar morto", não houve quem não gozasse com tal tirada. Afinal, vemos agora que, para alguns, essa distinção não é assim tão clara. Mas depois de os profissionais do Hospital de Aveiro, durante algum tempo, não saberem se deveriam dar alta, dar baixa ou dar em doidos, parece que o assunto lá se resolveu... 

 

(apesar do post escrito em tom jocoso, esta situação seria tudo menos divertida e, mesmo com as justificações dadas, não se compreende como é que se pode criar uma norma daquelas)

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As canções do século (1764)

por Pedro Correia, em 30.10.14

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A linguagem dos assassinos

por Pedro Correia, em 29.10.14

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Televisões que se presumem sérias, praticantes de um jornalismo considerado rigoroso, difundiram por estes dias a imagem de um repórter britânico que se encontra cativo do autoproclamado Estado Islâmico, funcionando portanto como porta-voz compulsivo desta organização terrorista.

Mesmo sabendo isto, as televisões emitem esta mensagem adulterada, fazendo-a passar à primeira vista por informação isenta. É um acto de lesa-jornalismo. Pior: é um alto de lesa-civilização. Estamos a recuar perigosamente em matéria de princípios sempre que pactuamos com a violência terrorista, mesmo que seja insidiosa e encapotada, como sucede neste caso.

E o problema não se centra só nas imagens que procuram banalizar o mal. Repare-se na linguagem tantas vezes adoptada para descrever os bárbaros assassínios de jornalistas, decapitados a sangue-frio depois de serem forçados a confessar aquilo que não pensam e noutras circunstâncias jamais diriam: foram "executados", proclamam vozes neutrais na televisão, sem um assomo visível de indignação cívica. Fosse outro o contexto, fossem outros os algozes, falar-se-ia em crime, chacina, massacre. "Execução" tem uma conotação burocrática, quase legal, quase consentida, quase compreensível.

O primeiro erro, aliás, é chamar Estado Islâmico a um movimento inorgânico que utiliza a bandeira do islão como mero pretexto para dar largas ao mais básico instinto sanguinário. Um bando de pistoleiros, mesmo vasto e bem armado, não pode confundir-se com Estado algum. E nenhuma religião deve caucionar a violência homicida, aliás cometida em larga medida, neste caso, contra os próprios irmãos de fé.

Usar a linguagem dos assassinos é o primeiro passo para atenuarmos os seus crimes.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 29.10.14

«É possível que o Estado que oferece uma multa de amigo às pessoas que ocultaram milhões de euros no estrangeiro, que as isenta de responsabilidades criminais e que ainda tem atenção suficiente para lhes proteger a identidade, é possível, dizia eu, que este mesmo Estado execute penhoras da única casa de quem deve dois mil euros ao Fisco e já tem o magro salário penhorado? É possível - e acontece em Portugal.»

Bruno Faria Lopes, no Diário Económico

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Os palhaços macabros

por Luís Naves, em 29.10.14

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O fenómeno está a alastrar em cidades francesas, mas parece ter origem na Califórnia, também numa pequena cidade. Pessoas vestidas de palhaços surgem em poses suficientemente ambíguas para poderem ser consideradas arrepiantes. No fenómeno francês, apareceram palhaços nas ruas, armados e em atitudes ameaçadoras, naquilo que se poderia definir como brincadeira de mau-gosto, mas logo surgiram grupos de autodefesa anti-palhaços, também armados. Isto foi ao ponto de Lille não ter dado autorização para um desfile chamado zombie walk, no âmbito da festa americana conhecida por Halloween.

A tudo isto se pode juntar uma história de motins e histeria colectiva, também em França, durante a exibição de um filme de terror sobre uma boneca maléfica. As pessoas têm muita imaginação, mas há aqui mais qualquer coisa, talvez isto seja um sinal dos medos colectivos que as sociedades têm acumulado, medos esses que a fantasia do cinema de terror alimentou de forma particularmente eficaz com esta personagem do palhaço que esconde o psicopata. Vendo bem, é uma ideia particularmente criativa, pois transforma uma figura trágico-cómica, que fez rir as crianças durante séculos, no seu perfeito oposto. Como está ligado ao imaginário infantil, o palhaço é particularmente assustador.

 

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.10.14

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O Meu Nome É..., de Alastair Campbell

Tradução de Clara Alvarez

Romance

(edição Bizâncio, 2014)

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Mia Couto

por Patrícia Reis, em 29.10.14

Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem
os lábios
sopra-o com a suavidade
de uma confidência
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça

Porque eu cresço para ti
sou eu dentro de ti
que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno

Porque apenas para os teus olhos
sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci

Porque a minha mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos

No húmido centro da noite
diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome

in Raiz de Orvalho

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As canções do século (1763)

por Pedro Correia, em 29.10.14

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Leituras

por Pedro Correia, em 28.10.14

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«Um homem é sempre mais forte que uma multidão, desde que conserve o sangue-frio

Georges Simenon, O Homem que Via Passar os Comboios (1938), p. 156

Ed. D. Quixote, 2002. Tradução de Gemeniano Cascais Franco. Colecção Mil Folhas/Público, nº 8

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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 28.10.14

Afetivamente: mais um blogue que chega ao fim. Tenho pena, Fátima.

 

Quatro anos de Andanças Medievais: parabéns à Cristina Torrão.

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Profetas da nossa terra (58)

por Pedro Correia, em 28.10.14

«Nós não vamos parar enquanto não limparmos o desporto português. (...) Um ladrão não deixa de ser ladrão por declamar poesia, um ladrão não deixa de ser ladrão por ir ao Papa.»

Luís Filipe Vieira, 24 de Maio de 2012

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A Avenida da Liberdade está para peixes

por Rui Rocha, em 28.10.14

Como se sabe, o petróleo que os magnatas dos mercados americanos tanto exploraram para ganhar mais dinheiro subitamente começou a valer menos. Diremos mesmo muito menos. Tem isso que ver talvez com o aumento da exploração do xisto ou com as dificuldades climáticas que estão nos últimos tempos a criar grandes problemas nos diversos continentes. Nunca houve tantos tufões, no Japão, por exemplo, tantas catástrofes, nas Filipinas e em muitos outros países. Na Europa, em quase todos os Estados, houve chuvadas e inundações imensas. Portugal não foi exceção com peixes que desceram, não se sabe como, a Avenida da Liberdade. Tudo é estranhíssimo nos tempos que correm...

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No momento em que Durão Barroso saía da Comissão Europeia foi duramente criticado nas colunas de opinião em Portugal, acusado de ter comprometido o projecto europeu e privilegiado os interesses dos grandes países. O novo presidente da comissão, Jean-Claude Juncker, conservador luxemburguês e profissional do aparelho comunitário, tem tido excelente imprensa e dizem que estará muito atento aos interesses nacionais e até, de alguma forma, preocupado connosco.

Alguns parecem acreditar que Barroso era mais nocivo para Portugal do que Juncker. Li textos de pessoas satisfeitas por Durão se ir embora e com esperança no bom trabalho do novo presidente. Nenhum desses autores explica como é que Portugal pode ter ganho influência. Os analistas parecem ter esquecido as negociações dos pacotes de subsídios europeus ou a forma como, nos tempos da troika, a comissão fazia sempre de polícia bom. Durante os dois mandatos de Barroso, os pequenos países viram diminuir a sua influência relativa, é um facto, mas isso não nos diz nada sobre o ex-presidente da comissão, embora seja sinal das mudanças que esta crise provocou na UE e, sobretudo, na zona euro.

A força económica da Alemanha, o desenvolvimento da união bancária e o rigor do Tratado Orçamental alteraram profundamente o equilíbrio de poder, retirando influência ao árbitro do sistema e privilegiando as equipas mais fortes. Embora de forma relutante, a Alemanha é agora a grande potência europeia e, quando se trata de dinheiro e cheques, como aconteceu durante toda a crise, os governos resolvem directamente o assunto, sem intermediários e sem ouvirem os países que não pagam as contas. No jargão comunitário, isto implica a supremacia do método intergovernamental sobre o método comunitário.

A desvalorização da comissão não é culpa da própria e, no entanto, há entre nós quem aposte na conversa de paróquia. Imaginam comentadores espanhóis todos contentes porque um luxemburguês substituiu um espanhol numa instituição europeia? Eu não consigo imaginar, sabendo que os espanhóis, neste campeonato, nunca foram anjinhos.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.10.14

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Salazar na Crise da Banca Madeirense, de João Abel de Freitas

História

(edição Colibri, 2014)

"O autor não aderiu ao novo acordo ortográfico"

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Felizmente temos o Nuno

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.10.14

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Se pudéssemos dominar as palavras como

se domina um cavalo, com a rédea da retórica

a puxar os impulsos do sentimento e as esporas

da emoção a fazerem correr a frase até

ao fim do verso, o poema seria como a planície

por onde a imaginação cavalga sem freio nem destino,

liberta de cavaleiro e sela.

 

Ou então, se tivéssemos pela frente o oceano

da página e aí lançássemos a barca da estrofe, sem

antes ter perguntado qual o tempo que iria fazer

durante a viagem, veríamos nascer o temporal

 de dentro de um céu de substantivos escuros

como nuvens, e o medo do naufrágio pesar-nos-ia

no ritmo de uma queda de sílabas.

 

Mas se estivesses aqui, com o teu olhar

pousado num campo de palavras, não apenas

as que designam flores ou aves mas outras

como a terra, a lama, a erva, o verde sombrio

de um arbusto próximo, eu faria do poema

a raiz desse tronco que os invernos não arrancaram,

e alimentá-la-ia com a seiva do amor; e sentiria

nas suas folhas os cabelos da tua noite,

as nervuras da tua mão, o fruto dos teus lábios.

 

(Nuno Júdice, A Inspiração Nocturna, in O fruto da gramática)

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Longa vida ao camarada Crato, a luta continua

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.10.14

"Os resultados das colocações da quinta reserva de recrutamento foram ontem lançados durante minutos no site da Direcção Geral da Administração Escolar (DGAE) e depois retirados." - Diário Económico

 

Há-de haver um dia em que eles vão acertar.

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Delitos Poéticos

por Patrícia Reis, em 28.10.14

 

Poema e imagem Filipa Leal

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As canções do século (1762)

por Pedro Correia, em 28.10.14

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amigas

por Patrícia Reis, em 27.10.14

Uma das minhas amigas foi operada ao coração de repente. Outra está com uma depressão. Outra anda com a mãe para médicos e luta com dramas da tiróide. Há ainda uma amiga que está em baixo de forma e não entende porquê e uma que esconde a doença que tem, por saber que não há remédio. Tenho uma amiga cuja filha dá água pela barba e outra que controla os sms dos filhos. Concluo que tenho várias amigas e todas em situação de stress. Uma disse-me, hoje, pela manhã

 

- Estamos numa fase em que os vemos morrer, descobrimos que não somos invencíveis e não vemos ninguém nascer.

 

p.s.: obrigada, desconhecido!

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Público e de preferência gratuito

por Luís Naves, em 27.10.14

 

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Por vezes lemos textos com os quais discordamos, mas que nos fazem pensar. Foi o caso deste artigo de Luís Valente Rosa, na Revista Visão, a propósito de um artista que assina com o pseudónimo Bansky e que se tornou famoso no Reino Unido devido às suas provocações. O texto da Visão parece apoiar a ideia da arte pública e da extrema democratização do acesso, esquecendo que os artistas precisam de ter rendimento ou não haverá obras de arte. O artigo levanta de forma indirecta outra questão, que tem mais a ver com os mecanismos da fama e os truques do comércio.

É curiosa a separação que o autor faz das diferentes expressões artísticas, omitindo que a pintura só é adquirida por pessoas extremamente ricas devido à circunstância de cada obra ser única (por isso se chamam coleccionadores e também há especuladores). As cópias nada valem, até podem dar prisão se forem vendidas como originais, e a boa pintura de autores desconhecidos tem valor quase nulo. A questão das reproduções aplica-se de igual forma na literatura ou na música. Podemos ouvir Bach na grafonola, mas é uma reprodução. Se quisermos ouvir o original, precisamos de uma orquestra, de um coro, de uma organização que forneça as partituras e pague aos artistas. Até podemos complicar: há quem só aceite a interpretação com instrumentos da época. Nem falo da música contemporânea, que é raramente tocada, pois os compositores importantes são desconhecidos do público. Quem é que ouviu obras de Sofia Gubaidolina, Arvo Part ou Gyorgy Kurtag? E só incluí os indiscutíveis*.

  

 

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Luta de classes na Comporta

por Pedro Correia, em 27.10.14

Manuel Pinho avança com processo judicial para exigir reforma antecipada que Ricardo Salgado lhe prometera. Em causa estão dois milhões de euros. Ex-ministro da Economia recebia um salário mensal bruto de 39 mil euros (14 meses por ano) como administrador de uma holding sem actividade, a BES África.

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Lolitas

por Teresa Ribeiro, em 27.10.14

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Todos os dias as vejo por aí a esvoaçar, de calções muito curtos, meias de rede, saltos altíssimos, soutiens push up, maquilhagem pesada, unhas de gel, tatuagens, piercings, tudo o que a moda lhes ensinou e o comércio lhes vende a preço de saldo. Algumas são tão novinhas, mas já tão mulheres. Coxas e peitos poderosos, a explodir na roupa.  Tão jovens que é natural que confundam tudo e não percebam que a moda é traiçoeira. As roupas que ficam a matar na modelo esquelética da capa de revista por vezes não vão bem em corpos roliços.

Julgam-se sexy porque atraem os olhares, mas mais parecem meninas de bar de alterne. A distância entre a vulgaridade e a poesia é tão curta que dói ver estas ninfetas a afirmar-se, muito donas da sua sexualidade, da forma errada. Será que não têm mães em casa para as ensinar a vestir? 

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O sexo e a idade

por Helena Sacadura Cabral, em 27.10.14

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O Supremo Tribunal Administrativo reduziu o valor da indemnização que a Maternidade Alfredo da Costa terá de pagar a uma mulher que ficou impedida de voltar a ter relações sexuais com normalidade depois de ali ter sido operada há já 19 anos. Um dos argumentos invocados pelos juízes, com idades entre os 56 e os 64 anos, foi o de que a doente “já tinha 50 anos e dois filhos”, isto é, “uma idade em que a sexualidade não tem a importância que assume em idades mais jovens, importância essa que vai diminuindo à medida que a idade avança”. 

Abstenho-me das considerações clínicas que negam esta realidade. Vou directa ao que estava em discussão : a perda de um direito de personalidade. E relativamente a estes - nos quais a sexualidade se integra - nenhuma destas considerações tem qualquer relevância. 
A idade da lesada e a referência ao facto de ser mãe de dois filhos poderiam ser importantes se o que estivesse em causa fosse uma indemnização por perda da capacidade de reprodução. Não era manifestamente o caso. Nem tão pouco faz qualquer sentido, no século XXI, associar a maternidade à sexualidade. 
Curiosamente um dos magistrados pertence ao sexo feminino e, confesso, não sei o que terá sentido ao ver este retrato. Quanto aos homens e a atendendo às suas idades, sinto um calafrio só de pensar no que esta “avaliação” poderá dizer das suas próprias vidas...

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"Gorduras do Estado" (104)

por Pedro Correia, em 27.10.14

Dívida da Câmara de Braga atinge 253 milhões de euros. Só a parceria público-privada celebrada em 2008 com a Sociedade Gestora de Equipamentos de Braga para construir e requalificar campos de futebol gerou buraco de 103 milhões.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.10.14

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Ser Bom Aluno não Chega, de António Gentil Martins com Marta F. Reis

Memórias

(edição Clube do Autor, 2014)

"Por vontade expressa do autor, a presente edição não segue a grafia do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa"

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Em causa própria

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.10.14

"Ao todo, 16 membros do Governo de Passos Coelho assistiram com particular atenção ao desmoronar do império Espírito Santo. Alguns têm contas acima de 100 mil euros no BES. Juntos, têm um milhão de euros em aplicações, fundos, carteiras, banca-seguros e títulos. Um exemplo da importância dos biombos é a decisão tomada em Conselho de Ministros em plena crise do BES: até onde se deveria proteger quem tinha poupanças no BES? Todos os depositantes ou só os que tinham menos de 100 mil euros, como estipula o novíssimo regulamento europeu? O Governo decidiu que tanto os pequenos como os grandes depositantes deveriam ficar a salvo". Editorial, Público, 27/10/2014

 

Juízes todos somos, uma vez ou outra, na vida. A começar quando julgamos aquilo que nos diz respeito. E nessas alturas somos juízes em causa própria. Com  transparência. Porque decidimos e assumimos o risco da decisão. Seja na escolha da profissão ou na escolha do cônjuge. A situação é diferente quando se decide uma intervenção num banco e há membros desse mesmo Governo que vai decidir a intervenção, e o respectivo modelo, que têm contas superiores a cem mil euros na instituição em risco. Aqui o risco corre por conta de terceiros, dos contribuintes, ou por outros que sejam chamados a entrar com a massa. No fim safar-se-ão todos. Os pequenos, os assim-assim e os grandes. Os que decidiram e estavam com o seu dinheiro em risco também. Alguém há-de ficar para pagar a factura. No escuro.

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O mundo em que vivemos será talvez lembrado daqui a meio século como uma época particularmente feliz: o tempo da terceira globalização, da segunda revolução industrial, uma espécie de renascimento que abriu os horizontes do saber e da cultura, a perspectiva da paz e do progresso. E, no entanto, o que acabei de escrever produzirá na maior parte dos leitores uma rejeição imediata.

A terceira globalização significa que as distâncias voltaram a encurtar e que sabemos agora o que se passa no outro lado do planeta. A troca de produtos, de dinheiro, de ideias ou de pessoas entre as diferentes sociedades nunca atingiu as actuais proporções. Também assistimos à criação de uma nova economia, com uma tremenda redução nos custos da comunicação e a mudança na forma de trabalhar. Vivemos numa espécie de paz prolongada. Somos bombardeados por notícias de conflitos, mas uma observação atenta permite perceber que se trata de guerras limitadas, com número de vítimas relativamente baixo. Tendo em conta as tecnologias disponíveis para os beligerantes, essas baixas deviam ser aos milhões. Na origem da maioria dos conflitos contemporâneos há geralmente interesses económicos mais ou menos disfarçados de questões nacionais e religiosas. O facto é que as maiores potências não se enfrentam directamente desde 1945 e não se vislumbra um confronto desses.

O enriquecimento dos países ricos tem tido soluços ocasionais, mas foi constante nas últimas duas gerações. A humanidade nunca foi tão numerosa, tão saudável e tão próspera como agora. Apesar disso, vivemos na ansiedade. Só vemos desigualdades, violência, ameaças, injustiças e ignorância. Identificamos um declínio na civilização que não é de todo evidente. Segundo a ideia comum, os seres humanos têm cada vez mais talento para a destruição, mas acontece o oposto: a humanidade tornou-se menos violenta e as forças da evolução parecem favorecer a generosidade e o diálogo. Sobre a política dizemos que tudo é cinismo e hipocrisia, mas a opinião pública nunca foi tão influente e tão esclarecida. Nos países industrializados, os cidadãos são prósperos e livres, as democracias são indiscutíveis e os direitos humanos universais.

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As canções do século (1761)

por Pedro Correia, em 27.10.14

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Fotografias tiradas por aí (197)

por José António Abreu, em 26.10.14

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Lisboa, 2008. 

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Não satisfeito com o comportamento inqualificável de revelação em público de assuntos que deveriam estar sujeitos a reserva absoluta, Rui Machete dedica-se agora a negar o que não pode ser negado. A indicação de que um grupo de 2 a 3 pessoas de um universo de 12 a 15 pretende desertar é, obviamente, uma quebra lamentável de sigilo relativamente a um tema que deve ser tratado com pinças. Pedro Passos Coelho, entretanto, também já se apressou a manifestar solidariedade com o seu ministro. Pelo visto, as declarações de Machete não lhe causaram incómodo. Nada que surpreenda, realmente, em quem já nos habituou a escolher no mesmo sentido (errado) sempre que se trata de decidir entre ser solidário com incompetentes ou ser solidário com Portugal e com os portugueses. No meio desta falta de vergonha e trambiqueirice, só tenho pena de uma coisa. É de facto lamentável que, com o jeito que Machete tem para guardar um segredo, Passos Coelho não lhe tenha confiado informação sobre os valores que recebeu da ONG da Tecnoforma que agora, apesar do seu esforço, não consegue recordar. Machete não tardaria a pôr a boca no trombone. Depois bastar-nos-ia soprar ao ouvido de Passos Coelho que um dos seus 14 ou 15 ministros, homem, já entradote e com o primeiro nome começado por erre, tinha cometido uma terrível inconfidência. Creio que Passos Coelho e Machete ficariam de imediato esclarecidos sobre a gravidade, que persistem em ignorar, das suas omissões e dos seus actos.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 26.10.14

«Procurarei ser breve, pois hoje estou num grande desassossego. Acabei de ver uma grávida. Quando isto acontece entro de imediato em desejos. Hoje tá-me a dar para o arroz doce.
É inconcebível que num momento de tão grande crise depois de tanto se beber lá pelo caos do Sodré, ou por outros caos a montante ou a jusante, alguém tenha o despudor de desperdiçar o consumo que tanto custou a executar, em particular nessa última hora que representa os tais 50% da economia, urinando, e fazendo alarde disso, o tão precioso conteúdo.
Mais. Não basta só referir o desperdício. É necessário mostrar a minha indignação pelos graves problemas de segurança e saneamento que estes actos colocam à cidade de Lisboa. Sabem estes mijões que o Presidente da Câmara de Lisboa não tem solução para as cheias, e com estas atitudes agravam ainda mais esta situação. Admito que isto seja uma estratégia de adeptos da oposição para tentar descredibilizar ainda mais o actual Presidente do Município, fruto das sondagens que o apontam com uma maioria quase absoluta. Mas, por amor de Deus!, a luta política não pode centrar-se nos inadequados lençóis freáticos.

E acreditando na aposta educacional, proponho que se identifiquem todos os personagens que mijam fora do penico e que se lhes vede o acesso aos doutoramentos honoris causa.

Dito isto, vou agora em busca do arrozito doce para ver se m'aquieto.»

 

Do nosso leitor Vento. A propósito deste texto do Luís Naves.

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Passado presente (CDII)

por Pedro Correia, em 26.10.14

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colecção de cromos Bandeiras do Universo

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.10.14

9789896721442[1].jpg

 

Hollywood, de Charles Bukowski

Tradução de Alice Rocha

Romance

(edição Alfaguara, 2012)

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Com amigos destes...

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.10.14

Para mim seria sempre uma honra não ser condecorado por um tipo como Cavaco Silva. E se um indivíduo sai da forma como saiu Sócrates, só por maldade é que se pode pedir ao Presidente da República que o condecore.

Espero que António Costa, se um dia for primeiro-ministro, acabe com essa vergonha das medalhas e condecorações por tradição. A República não se pode confundir com essas pantominices.

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As canções do século (1760)

por Pedro Correia, em 26.10.14

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Bem bom

por Rui Rocha, em 25.10.14

Uma da manhã ei bem bom
Duas da manhã bem bom
Outra vez uma da manhã ei bem bom

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