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100 anos

por Rui Herbon, em 25.07.14

Há momentos na história dos povos em que se pisa o acelerador com tal intensidade que os dirigentes perdem o controlo dos acontecimentos. Por esta altura, há cem anos, as principais capitais da cultura europeia viviam acostumadas à paz. Os principais centros da modernidade internacional localizavam-se em Berlim, Viena, Paris e Munique. Na capital do império austro-húngaro conviviam Sigmund Freud, Ludwig Wittgenstein, Arnold Schönberg, Oskar Kokoschka, Arthur Schnitzler e tantos outros que passariam a formar parte da chamada Escola de Viena. Ali se travavam as lutas pelo inconsciente, os sonhos, a nova música, a nova arquitectura, a nova lógica e a nova moral que tanto influiriam na modernidade do século passado.

 

Conta Florian Illies, no seu desenho do que era a vida nestes centros de cultura e de poder no ano anterior ao do início da Grande Guerra, que nos primeiros meses de 1913, por um breve período de tempo, coincidiram em Viena Estaline, Hitler e Tito, os dois maiores tiranos do século XX e um dos piores ditadores. O primeiro estudava a questão das nacionalidades, num quarto de hóspedes, o segundo pintava aguarelas num albergue para homens, e o terceiro dava voltas pela estrada de circunvalação para testar a resistência dos automóveis nas curvas.

 

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A Guiné Equatorial na CPLP.

por Luís Menezes Leitão, em 25.07.14

 

Confesso que não consigo acompanhar a histeria que se está a gerar em Portugal a propósito da entrada da Guiné Equatorial na CPLP, e que já nos custou este ataque cerrado do Jornal de Angola, país que tem defendido muito mais a língua portuguesa do que Portugal, com o disparatado acordo ortográfico em que se meteu. Aqui abaixo, o Pedro chega ao ponto de dizer que prefere a desintegração da CPLP a ver Obiang na mesa de honra.  Só que a CPLP é um dos mais importantes activos de que o país necessita para projectar a sua influência no mundo e a Guiné Equatorial é muito mais do que Obiang. Não se pode reduzir um Estado a um governante, a imitar Luís XIV, com o seu L'État c'est moi.

 

Não foi por ser governado por um ditador há décadas que Portugal foi impedido de entrar na NATO ou na EFTA. Da mesma forma, não é o facto de ter um ditador também há décadas que deve impedir a Guiné Equatorial de entrar na CPLP. Os ditadores passam, e os países ficam. No fundo, foi uma falta de visão de futuro semelhante que levou Portugal a não reconhecer o governo de Agostinho Neto aquando da independência de Angola, gerando uma inimizade entre os dois Estados que durou anos. O Brasil, passados cinco minutos depois da meia-noite de 11 de Novembro de 1975, já tinha reconhecido o Governo de Agostinho Neto.

 

Portugal também se obstinou em não querer deixar entrar a Guiné Equatorial, causando estranheza geral em todos os outros países da CPLP. Viajo imenso por esses países e há muito que me apercebi que a posição de Portugal não só estava isolada, como acima de tudo não era compreendida. A missão das organizações é ter sucesso e a expansão geográfica é uma forma de sucesso. Ora, a Guiné Equatorial tem o maior PIB per capita de África e um índice de desenvolvimento humano acima de outros países da CPLP, como a Guiné-Bissau ou mesmo Moçambique. Há assim todo o interesse em que entre na CPLP, permitindo que esta se torne uma organização económica forte, e não apenas cultural.

 

A União Europeia foi chão que deu uvas, tendo atirado Portugal às feras da troika. Só não tivemos uma crise muito pior devido ao investimento angolano em Portugal. Não vejo por isso razão para Portugal acrescentar o facto de ser pobre a ser mal agradecido, pondo-se contra todos os outros países da CPLP, rejeitando a entrada de um novo Estado, cuja adesão é importante para a organização.

 

A Guiné Equatorial tem uma enorme importância em África, com o seu território continental, Rio Muni, e as Ilhas de Bioko — onde fica a capital, Malabo —  Ano Bom, Corisco, e Elobey. Pode não ser um país lusófono, mas tem uma forte influência lusíada. Como se pode ler aqui, o país foi descoberto por Fernando Pó em 1471 e permaneceu português até 1778, altura em que foi cedido à Espanha por tratado. Há assim todo o interesse histórico em recuperar a influência portuguesa no país, para o que este se mostra disponível. Tal até devia ser motivo de orgulho para Portugal, que consegue recuperar influência num território que abandonou por exclusiva decisão sua há 200 anos.

 

Não se fala português na Guiné Equatorial? É um facto, mas também não se fala português em Timor-Leste, mas sim tétum, não sendo o português sequer usado como língua de comunicação. Na Guiné-Bissau, a língua de comunicação é o crioulo, sendo o português pouco usado. Nos confins de Moçambique não consegui falar português com ninguém. O que interessa é a história comum e essa existiu durante mais de 300 anos. Os Obiang deste mundo passarão e os países e as organizações ficarão, sendo importante que Portugal mantenha as suas relações com os países da CPLP. Mais do que Realpolitik, o que se exige é visão de futuro.

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A beleza da pele

por José António Abreu, em 25.07.14

Há uns tempos, um cartoon na New Yorker mostrava um indivíduo sendo exibido ao estilo daquelas feiras antigas que tinham como atracções principais animais exóticos, mulheres barbudas e homens deformados. Um cartaz junto dele anunciava: «Veja o extraordinário homem sem tatuagens!»

As modas têm destas coisas. Transformam-se facilmente num exagero, depois numa praga, mais tarde num embaraço. No que me diz respeito, como em quase tudo, a minha rejeição surge com o excesso. Não tanto com o excesso de pessoas tatuadas (embora também um pouco; rebanhos confundem-me) mas com o excesso de área tatuada. É simples de explicar: gosto de pele. Branca, preta, castanha, cor-de-rosa; lisa, enrugada, arrepiada, gretada; uniforme, pontilhada por sardas ou sinais, mapeada com veias e artérias. Detesto tatuagens quando escondem a pele. Até gosto de tatuagens quando realçam a pele.

 

 

P.S.: O grau de anonimato será o mesmo mas decidi abandonar o 'jaa' e passar a assinar os textos com o meu nome - que sempre esteve no perfil. Evidentemente, vê-lo no ecrã pode ser tão embaraçoso que eu acabe por mudar de ideias ('jaa' dá-me uma certa distância em relação a algumas baboseiras que escrevo). Mas logo se verá.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.07.14

 

 

Dicionário Filosófico, de Voltaire

Tradução e posfácio de José Domingos Morais

(edição Sistema Solar, 4ª ed, 2014)

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Delitos Poéticos (25)

por Francisca Prieto, em 25.07.14

Engordei 43 Kg


de 86 para cá


agora

gorda como estou


já caibo

num quadro de Rubens


(segundo o Osório Mateus


no meu caso

era mais fácil

entrar para o quadro

de um pintor

que para o quadro

de uma empresa)

 

Adília Lopes

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 25.07.14

 

Mariló Montero

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Um valor irrisório

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.07.14

E ainda há quem diga que a justiça não é coisa de ricos. Que são três milhões de euros para quem só num ano se esqueceu de declarar mais de oito milhões, regularizando depois a situação com cerca de metade dessa verba? Que são três milhões para quem é acusado de ter recebido catorze milhões de um construtor civil a título de oferta? Pois eu respondo: são croquetes, salgadinhos. Nada que uma boa cervejola, ao pôr-do-sol, na Quinta da Marinha, não faça esquecer.

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As canções do século (1667)

por Pedro Correia, em 25.07.14

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Esperem lá

por Rui Rocha, em 24.07.14

Este gajo não é... É pois.

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Delitos poéticos (balanço)

por Pedro Correia, em 24.07.14

No início deste mês, lançámos aqui no DELITO mais uma série colectiva sob o título genérico Delitos poéticos. Uma série destinada a divulgar, todos os dias, um poema escolhido por cada um dos autores do nosso blogue acompanhado por um quadro, uma gravura ou uma fotografia a ele associado de alguma forma.

Fechamos hoje a ronda da primeira série, em que quase todos participaram, e iniciamos já amanhã a segunda ronda. Fica o balanço dos poemas publicados, com a promessa aos leitores: esta série veio para ficar.

 

Ninguém se mexa! Mãos ao ar, de Alexandre O'Neill. Escolha do José Navarro de Andrade.

Queixa das almas jovens censuradas, de Natália Correia. Escolha da Helena Sacadura Cabral.

Ilegais, de João Luís Barreto Guimarães. Escolha da Ana Vidal.

Um adeus português, de Alexandre O'Neill. Escolha da Teresa Ribeiro.

Com licença poética, de Adélia Prado. Escolha da Francisca Prieto.

You are welcome to Elsinore, de Mário Cesariny. Escolha do Rui Herbon.

Omeleta, de Nuno Júdice. Escolha do Adolfo Mesquita Nunes.

Canção da errância, de Manuel Alegre. Escolha do Luís Menezes Leitão.

Pedro, lembrando Inês, de Nuno Júdice. Escolha do André Couto.

Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya, de Jorge de Sena. Escolha minha.

«Caí ao lado dele, o seu corpo virou-se», de Miklos Radnoti. Escolha do Luís Naves.

Los nadies, de Eduardo Galeano. Escolha do Rui Rocha.

«Morde-me a carne e em segredo», de Luísa Jardim. Escolha da Patrícia Reis.

Posteridade, de Rui Knopfli. Escolha do Sérgio de Almeida Correia.

"Eleonora di Toledo, Granduchessa di Toscana", de Bronzino, de Jorge de Sena. Escolha da Ivone Mendes da Silva.

O Portugal futuro, de Ruy Belo. Escolha da Ana Cláudia Vicente.

O sorriso, de Eugénio de Andrade. Escolha do João André.

«O que eu desejei, às vezes», de António Botto. Escolha da Marta Spínola.

«Habito na Possibilidade», de Emily Dickinson. Escolha do Fernando Sousa.

The Second Coming, de Yeats. Escolha da Ana Margarida Craveiro.

Cuidados intensivos III, de Manuel António Pina. Escolha do Bandeira.

«Muere lentamente», de Pablo Neruda. Escolha da Joana Nave.

«Some men never think of it», de Wendy Cope. Escolha da Leonor Barros

Lady Lazarus, de Sylvia Plath. Escolha do João Campos.

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Monte Branco

por Rui Rocha, em 24.07.14

 

Uma breve nota de geomorfologia alpina. Como pode ver-se na imagem, mesmo ao lado do Monte Branco, fica o Monte Maldito. O que faz todo o sentido. Um pouco mais à esquerda, o Monte Rosa. Se é que me entendem. Mas, se olharem bem, temos também, ali mais à direita, os Bosses. Mais não digo. E, se disserem que disse, nego.

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Penso rápido (30)

por Pedro Correia, em 24.07.14

Dizem-me que, se Portugal voltasse a recusar a entrada da Guiné Equatorial, a CPLP corria o risco de se desintegrar. Pois bem: prefiro pagar o preço da desintegração da CPLP a ver Obiang na mesa de honra da organização. Sinto como uma humilhação nacional ver o Presidente da República e o primeiro-ministro sentados àquela mesa. E o mesmo sucede ao ver grandes defensores de direitos humanos, como Dilma Rousseff e Xanana Gusmão, dobrarem a cerviz ao tirano de Malabo.
Dilma, que combateu a ditadura militar brasileira, abraça agora o ditador Obiang, tão repugnante como os generais e almirantes dessa era de triste memória no Brasil. Com uma agravante: Obiang já ocupa o poder há quase o dobro do tempo que durou a ditadura militar em Brasília.
Xanana, que liderou o povo timorense na luta contra o regime ditatorial do general Suharto e a ocupação ilegal de Timor-Leste pela Indonésia, devia ser o primeiro a pôr Obiang à distância. Lamentavelmente, pelo contrário, deu-lhe honras de astro-rei da política internacional na cimeira de Díli.
A realpolitik justifica muita coisa. Mas não devia justificar tudo.

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Teste Delitoratura - 3

por Teresa Ribeiro, em 24.07.14

Um escreveu sobre porcos, o outro sobre ratos. Obras tão diferentes no estilo e tão iguais no propósito. Quais são?

 

Solução da pergunta anterior: Trata-se de Benjamin, personagem de O Som e a Fúria, de William Faulkner, baptizado com o nome de Maury. Vencedora (por ter sido a primeira a responder): Maria Dulce Fernandes.

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Recordando Marco Bellocchio

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.07.14

Nem todos tiveram honras destas. Até nisto o avô é mais importante do que os outros.

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 24.07.14

A queda de um santo, do Pedro Santos Guerreiro.

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Salários reais dos portugueses caíram 10% desde 2010.

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Resistência activa ao aborto ortográfico (107)

por Pedro Correia, em 24.07.14

Governo-Sombra (TVI 24)

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Os gananciosos do costume

por José António Abreu, em 24.07.14

É um bonito cenário, o avançado neste artigo do Diário Económico. Um cenário que talvez devesse fazer pensar que um crescimento económico reduzido, com ou sem deflação, poderá não ter apenas inconvenientes. Preferimos crescimento anémico razoavelmente baseado na realidade ou o ciclo de bolhas especulativas (e, quando rebentam, destrutivas) que tantos dos seus críticos parece afinal favorecer, ao defenderem políticas monetárias expansionistas?

 

Mas, evidentemente, a concretizar-se um cenário deste tipo, a responsabilidade não será dos bancos centrais que, pressionados por governos sediados um pouco por todo o globo, por capitalistas desejosos de lucro rápido, por socialistas e socialistas à esquerda de socialistas, por comentadores mais ou menos anónimos com agendas mais ou menos óbvias e por economistas galardoados com o Prémio Nobel, injectam há anos dinheiro especulativo na economia em nome do «crescimento». Será, como convém que seja, apenas de um dos grupos mencionados atrás: o dos gananciosos do costume.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.07.14

 

 

Requiem, de Antonio Tabucchi

Romance

(edição D. Quixote, 4ª ed, 2014)

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Presidenciais (1)

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.07.14

Pedro Santana Lopes, como qualquer pessoa normal, tem virtudes e defeitos. Considero que o seu governo foi um desastre, que nunca deveria ter aceitado a pasta nas condições em que Durão Barroso a passou; e para fazer um "jeito" ao seu partido, ao incumbente que estava de saída e, pensava ele, prestar um serviço a Portugal, enfiou-nos num buraco do qual só Jorge Sampaio nos tirou. Todos sabemos o que veio a seguir e que ainda hoje persiste, pelo que sobre esta última parte poderemos falar noutra altura.

Mas tirando esse episódio, e alguns outros menos conseguidos na Secretaria de Estado da Cultura ou na Câmara Municipal de Lisboa, o ex-primeiro ministro tem três características que eu aprecio em qualquer pessoa. Mais ainda num político. É inteligente, frontal e corajoso. É evidente que tudo isso junto não chega para fazer um bom líder ou um bom governante, menos ainda um bom Presidente, mas confesso que às meias-tintas, à dissimulação e sonsice de alguns que nunca se definem e vão mascando pastilhas, prefiro tipos como ele que se chegam à frente e dizem que estão presentes.

Ficamos todos a saber com o que contamos, as coisas ficam claras e os coelhos são obrigados a sair da toca para não levarem com o chumbo dentro dela.

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Delitos poéticos (24)

por João Campos, em 24.07.14

Pintura de Katsushika Hokusai no tecto do templo de Ganshoin em Obuse, no Japão

 

 

I have done it again.
One year in every ten
I manage it—

 

A sort of walking miracle, my skin
Bright as a Nazi lampshade,
My right foot

 

A paperweight,
My face a featureless, fine
Jew linen.

 

Peel off the napkin
O my enemy.
Do I terrify?—

 

The nose, the eye pits, the full set of teeth?
The sour breath
Will vanish in a day.

 

Soon, soon the flesh
The grave cave ate will be
At home on me

 

And I a smiling woman.
I am only thirty.
And like the cat I have nine times to die.

 

This is Number Three.
What a trash
To annihilate each decade.

 

What a million filaments.
The peanut-crunching crowd
Shoves in to see

 

Them unwrap me hand and foot—

The big strip tease.
Gentlemen, ladies

 

These are my hands
My knees.
I may be skin and bone,

 

Nevertheless, I am the same, identical woman.
The first time it happened I was ten.
It was an accident.

 

The second time I meant
To last it out and not come back at all.
I rocked shut

 

As a seashell.
They had to call and call
And pick the worms off me like sticky pearls.

 

Dying
Is an art, like everything else.
I do it exceptionally well.

 

I do it so it feels like hell.
I do it so it feels real.
I guess you could say I’ve a call.

 

It’s easy enough to do it in a cell.
It’s easy enough to do it and stay put.
It’s the theatrical

 

Comeback in broad day
To the same place, the same face, the same brute
Amused shout:

 

‘A miracle!’
That knocks me out.
There is a charge

 

For the eyeing of my scars, there is a charge
For the hearing of my heart—
It really goes.

 

And there is a charge, a very large charge
For a word or a touch
Or a bit of blood

 

Or a piece of my hair or my clothes.
So, so, Herr Doktor.
So, Herr Enemy.

 

I am your opus,
I am your valuable,
The pure gold baby

 

That melts to a shriek.
I turn and burn.
Do not think I underestimate your great concern.

 

Ash, ash—
You poke and stir.
Flesh, bone, there is nothing there—

 

A cake of soap,
A wedding ring,
A gold filling.

 

Herr God, Herr Lucifer
Beware
Beware.

 

Out of the ash
I rise with my red hair
And I eat men like air.

 

Lady Lazarus, de Sylvia Plath 

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As canções do século (1666)

por Pedro Correia, em 24.07.14

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O tirano "satisfecho"

por Pedro Correia, em 23.07.14

 

Senti hoje vergonha, como português, ao ver o Presidente Cavaco Silva e o primeiro-ministro Passos Coelho na cimeira da CPLP, em Díli, que aclamou o ditador da Guiné Equatorial, ali presente na qualidade de dirigente de um novo estado-membro da organização.

Esta adesão adultera profundamente a essência da CPLP, comunidade de nações que têm por base o nosso idioma comum, um dos mais falados do mundo. Ora ninguém na Guiné Equatorial fala português -- a começar por Teodoro Obiang, que assistiu aos trabalhos com auriculares que lhe asseguravam a tradução simultânea e no final, questionado pelos jornalistas, se limitou a dizer que se sentia "satisfecho".

 

Como português, sinto-me envergonhado por verificar que somos os primeiros a desprezar a lusofonia -- o poderoso traço de união que nos irmana com povos espalhados por diversas partes do mundo e com os quais mantemos afinidades de séculos -- enquanto miramos, embasbacados, as virtualidades da "diplomacia económica" que fazem de qualquer facínora nosso interlocutor desde que tenha muitos barris de petróleo para exportar.

Se é a parceria económica que interessa, saibamos ao menos pensar em grande: porque não acolhemos desde já na CPLP a Índia e a China, em cujos territórios existem milhares de lusofalantes devido aos nossos vínculos históricos com Goa e Macau (para quem não saiba, a língua portuguesa mantém-se como língua oficial de Macau pelo menos até 2049)?

 

Sinto-me envergonhado, acima de tudo, por verificar que a partir de agora Portugal terá de dialogar em plano de igualdade com um dos maiores déspotas da história de África, há 35 anos no poder sem respeitar os mais elementares direitos humanos.

Ao integrar a Guiné Equatorial, a CPLP começa por violar as suas bases programáticas:  o artigo 5º, nº 1, e) dos seus estatutos estabelece com clareza que a comunidade é regida pelo "primado da Paz, da Democracia, do Estado de Direito, da Boa Governação, dos Direitos Humanos e da Justiça Social" (em iniciais maiúsculas no original).

Obiang esmaga a imprensa livre, esmaga a oposição, esmaga quem reivindica reformas no seu regime, um dos mais corruptos do planeta. Está na lista dos dez países com menor liberdade de imprensa do mundo, apresenta o quarto maior índice mundial de mortalidade infantil. E mantém em vigor a pena de morte, como têm denunciado organismos prestigiados -- a começar pela Amnistia Internacional e pelo Observatório dos Direitos Humanos. «Corrupção, pobreza e repressão continuam a ser pragas na Guiné Equatorial sob o regime de Teodoro Obiang», salienta esta última organização num relatório elaborado já este ano.

 

O tirano está "satisfecho", claro. Queria ser tratado como estadista e acabámos por fazer-lhe a vontade. Num idioma que ele nunca aprendeu e continuará a ignorar olimpicamente.

Uma vergonha, tudo isto.

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Penso rápido (29)

por Pedro Correia, em 23.07.14

Tenho uma certeza: a utopia do "jornalismo cidadão", que transforma cada um de nós em repórter munido de uma câmara de filmar e de uma pena indignada pronta a retinir nas redes sociais, não substitui - de forma alguma - o jornalismo clássico, sujeito a princípios deontológicos e a um quadro de referências éticas muito específicas que podem ser alteradas no pormenor mas não no fundo.
Um dos princípios básicos é ouvir sempre todas as partes envolvidas numa questão. Outro, fundamental, é não fazer juízos definitivos sobre questões que estão longe de encontrar desfecho. E sem nunca esquecer que um jornalista é fundamentalmente um repórter, não é um juiz. Existe para mostrar, relatar, descrever, explicar. Não existe para condenar liminarmente ninguém e muito menos para pendurar seja quem for em pelourinhos públicos: essa não é a sua função.
Nenhuma democracia pode prescindir do jornalismo enquanto veículo formador da opinião pública. Porque não existe democracia sem opinião pública: só as ditaduras a dispensam e a sufocam.
Por este motivo, e apesar das incógnitas contemporâneas, julgo que o jornalismo conseguirá sobreviver a todas as crises. Em novos formatos, com novas perspectivas, com metas diferentes. Mas sem nunca trair, na essência, a matriz original.

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Um podcast por dia, nem sabe o bem que lhe fazia (21)

por José Maria Gui Pimentel, em 23.07.14

TSF - Tubo de Ensaio

 

 

Programa já com sete anos de emissões diárias na TSF (com interrupção para férias), contando com voz de Bruno Nogueira e textos deste e de João Quadros. É neste programa que os autores têm mostrado todo o seu espírito cáustico, o que por vezes lhes tem custado algumas críticas. Entre momentos geniais, meramente banais, ou polémicos, o Tubo de Ensaio é um programa original e corajoso que se torna difícil de definir. Leve na forma, é por vezes mais profundo no conteúdo do que aparenta . 

 

E assim termina esta série, com 21 sugestões de podcasts, dos mais diversos tipos e feitios. Outros há por aí. Alguns que também conheço mas que ouço menos vezes e que por isso não incluí aqui. Outros -- muitos mais -- com que ainda não me cruzei. Ficam as sugestões, espero que tenham gostado.

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Sinais evidentes de que estamos a sair da crise - 9

por Teresa Ribeiro, em 23.07.14

Volta a disparar número de famílias que não paga a casa.

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O meu post abaixo sobre Israel e Palestina provocou alguns ataques à minha posição, como sempre se verifica quando se toca neste assunto. O principal referiu-se a um ponto muito simples (e compreensível): porque razão eu pareço criticar apenas Israel e colocar todas as responsabilidades pela paz nesse lado da barricada? Dado que toquei muito pela rama a questão das culpas, a confusão é normal. Não voltarei agora ao assunto das culpas, tentarei antes explicar um pouco a questão das responsabilidades por uma outra via, a moral.

 

No caso Israel/Palestina temos dois lados. Por um lado há Israel, que é indubitavelmente um Estado poderoso e que administra até certo ponto a vida nos territórios palestinianos. A Faixa de Gaza é nominalmente independente mas está incrustada em Israel e os acessos aos seus portos e espaço aéreo são também controlados por Israel.

 

O que temos é então uma parte que detém poder e, da mesma forma, obrigações. A primeira obrigação, ou melhor, imperativo, é devida aos seus cidadãos, àqueles que escolheram viver sob a protecção do Estado de Israel. Devem ter segurança física mas também económica, religiosa, moral, etc. Ninguém duvida que Israel protege os seus cidadãos e que vai inclusivamente ao ponto de arriscar a condenação internacional. Este é a principal razão de existência do Estado de Israel e é respeitada à risca.

 

Há no entanto outra obrigação moral: Israel ocupou ou exerce controlo sobre territórios onde habitam pessoas que não são cidadãos israelitas. Tê-lo-à feito para cumprir a sua primeira obrigação (ou imperativo moral), a de defender os seus cidadãos (deixemos de lado por um momento considerações militares ou políticas). Seja como for, ocupou ou controla esses territórios e, assim sendo, acresce também uma obrigação moral sobre as populações dos mesmos.

 

Como se pode ver esta obrigação moral? Certamente que secundária à de protecção dos seus próprios cidadãos. A meu ver, uma obrigação moral deverá ser subordinada a um imperativo. Israel não deve, sob nenhuma forma, deixar de prestar as melhores condições possíveis aos seus cidadãos para poder prestar apoio aos territórios que ocupa. Mas se por um lado não necessita de lhes dar o mesmo nível de protecção, por outro tem a obrigação de não lhes retirar - ou ameaçar - a protecção de que gozam por estarem ocupados.

 

Israel goza, neste jogo de forças, de todo o poder. Se amanhã decidisse destruir todos os territórios palestinianos e executar ou expulsar todos os palestinianos, certamente que o conseguiria. Sendo um estado que respeita o direito moral de outros seres humanos, não o faz. Mas sendo o lado todo-poderoso, é sobre Israel que recai a obrigação de proteger os palestinianos. Não é apenas sobre o Hamas ou sobre a Autoridade Palestiniana, porque estes têm pouco ou nenhum poder, mas antes sobre o lado mais poderoso e que, mesmo passivamente, tem o poder de vida ou de morte sobre os palestinianos.

 

Agora é também claro que Hamas e Autoridade Palestiniana têm responsabilidades morais. Devem poder proteger os seus compatriotas, especialmente porque lhes foi dado o mandato para isso. Têm para além disso um imperativo moral ainda maior que o de Israel de não colocar em perigo os palestinianos através das suas acções. Só que estes imperativos e obrigações morais não são mutualmente exclusivos nem são um jogo de soma zero. A falha do Hamas em cumprir o seu imperativo moral não acarreta uma obrigação moral de Israel de exercer mecanismos de compensação nem permite que Israel negligencie a sua obrigação moral de protecção dos palestinianos. Enquanto cumpre o seu imperativo moral, Israel não pode esquecer a sua obrigação. Ou seja, não deve colocar em risco as vidas de quem vive sob a sua protecção para defender aqueles que tem de proteger, a não ser que a primeira impeça a segunda.

 

E é aqui que podemos deixar temporariamente a dimensão moral e entrar na dimensão política. Necessita Israel de colocar em risco as vidas palestinianas para proteger as israelitas? Haverá naturalmente que o defenda, mas eu entendo que não. Israel tem sistemas de defesa que protegem bastante bem as vidas israelitas. A ameaça do Hamas é relativamente menor, embora seja óbvio que qualquer vida perdida é uma tragédia. Na contabilidade, no entanto, e apenas olhando para os custos da ofensiva, mais israelitas terão perdido a vida em Gaza indirectamente devido às acções de Israel do que em Israel devido às acções directas do Hamas.

 

É fácil argumentar que todas as vidas têm o mesmo valor e isso é indubitavelmente verdade para mim. Para o Estado de Israel ou para os Palestinianos, isso não é assim. O imperativo moral israelita é para com os seus cidadãos. A vida de outros terá que ser secundária. Ainda assim, e seguindo a minha lógica argumentativa acima, Israel não pode ignorar completamente as vidas palestinianas para defender as israelitas. Um mal - os ataques indiscriminados do Hamas - não podem justificar outro - os ataques indiscriminados de Israel - especialmente quando um dos lados detém quase todo o poder no balanço de forças.

 

PS - peço desculpa a quaisquer filósofos que leiam a minha desastrada tentativa de abordar este assunto. Não terei conseguido transmitir o meu ponto de vista de forma correcta, mas peço indulgência para a forma. Tenham um pouco de paciência ao ler.

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Resistência activa ao aborto ortográfico (106)

por Pedro Correia, em 23.07.14

 

Sporting TV

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A crise do emprego

por Luís Naves, em 23.07.14

O João André escreveu mais abaixo sobre emprego e optimismo. Convém ler com atenção o texto e olhar o gráfico. Julgo que estas questões não deviam dar lugar a interpretações governamentais ou oposicionistas. Na realidade, só há lugar para interpretações honestas ou desonestas, certeiras ou ao lado. Julgo também que é preciso olhar para os números do INE usando séries longas e homólogas, sendo útil comparar o mesmo trimestre, pois as variações anuais podem ser enganadoras.

Como o número mais recente disponível é do primeiro trimestre de 2014, é possível construir uma série começando, por exemplo, em 2009, no início da crise financeira. No primeiro trimestre de 2009, havia 5099 mil pessoas empregadas em Portugal (5,099 milhões). Destas, uma estimativa de 3476 mil com escolaridade básica e 805 mil com curso superior completo. O desemprego afectava 495 mil pessoas.

Vejamos então o que aconteceu nos primeiros trimestres dos anos seguintes:

 

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.07.14

 

 

Ouro e Cinza, de Paulo Varela Gomes

Crónicas (2002-2012)

(edição Tinta da China, 2014)

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Delitos poéticos (23)

por Leonor Barros, em 23.07.14

 

 

Some men never think of it.

You did.

You’d come along

And say you’d nearly brought me flowers

But something had gone wrong.

 

The shop was closed. Or you had doubts -

The sort that minds like ours

Dream up incessantly. You thought

I might not want your flowers.

 

It made me smile and hug you then.

Now I can only smile.

But, look, the flowers you nearly brought

Have lasted all this while.

 

Wendy Cope

 

 

 

Imagem: Diego Rivera, "Nude with calla lilies"

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As canções do século (1665)

por Pedro Correia, em 23.07.14

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Diálogos ideológicos

por Pedro Correia, em 22.07.14

 

Ela - Nada é mais natural do que a defesa dos mais fracos.

Ele - Discordo. Eu defendo os mais fortes e os mais aptos.

Ela - Que é isso?! Eu sou defensora dos fracos e dos oprimidos. E com muita honra, ficas a saber!

Ele - Dos fracos não reza a história. Os fortes é que têm de ser defendidos.

Ela (cantarolando) - "Avante camarada, avante / junta a tua à nossa voz."

Ele - Cala-te. Odeio isso! Quase tanto como odeio o direito à igualdade.

Ela - Não me mandas calar! Os direitos são iguais.

Ele - Não existe igualdade. Não existe fraternidade. Não existe sociedade. Só existe indivíduo. Cada um por si. Este é o conceito que nos une, a nós, neoliberais.

Ela - O conceito que vos une, o caraças! Tu vais acabar por sair da caverna, seja a bem seja a mal. E sou eu que te vou reabilitar para a sociedade.

Ele - Na caverna é que os homens eram iguais. Esse é o problema da esquerda: nunca saiu da caverna.

Ela - Vocês é que são homens das cavernas. Todos uns trogloditas! E o vosso pensador de cabeceira chama-se Fred Flintstone.

Ele - A desigualdade é o motor do mundo.

Ela - 'Tás-me a irritar. Hei-de evangelizar-te, nem que seja à porrada.

Ele - Hum. Dessa linguagem já estou a gostar. Vê-se que começas a assimilar as minhas lições.

Ela - Há-de haver sempre desigualdades, a esquerda democrática assume isso. O nosso objectivo não é acabar com as desigualdades, mas diminuí-las.

Ele - A esquerda, se fosse verdadeiramente pela igualdade, seria igual à direita, que chegou primeiro.

Ela - Mas a direita nem quer ouvir falar em igualdade de oportunidades!

Ele - Quem chega primeiro dita as regras. Se vocês defendem a igualdade, então tornem-se iguais a nós.

Ela - Iguais a vocês? Nem penses, meu reaccionariozinho fofo.

Ele - Não me chames isso!

Ela - Reaccionariozinho?

Ele - Não: fofo. Para mim reaccionário é elogio.

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Emprego em números (curtinho e simples*)

por João André, em 22.07.14

 

Quando falamos do desemprego temos duas correntes: a corrente governativa, onde o pior já passou e agora estamos todos em direcção à paz celestial; e a corrente anti-governo, onde o apocalipse está ao virar da esquina e o desemprego real é de 450 mil por cento. Como não gosto de andar a ler notícias sobre as estatísticas em jornais carregados de analfabetos matemáticos que estão amiúde comprometidos com uma das duas correntes, decidi dar uma espreitadela aos números absolutos, i.e., quantas pessoas estavam activas, quantas pessoas empregadas e quantas pessoas desempregadas. O resultado está no gráfico acima (retirado dos dados do INE).

 

O que se vê é claríssimo: o desemprego caiu entre o 3º trimestre de 2012 e o 1º trimestre de 2014. O emprego por outro lado também desceu no mesmo período. Em termos absolutos, o número de desempregados caiu em cerca de 59 mil e o número de empregados caiu em cerca de 137 mil. O emprego recuperou um pouco no último ano registado acima mas não irei debruçar-me sobre razões nem sobre as razões do decréscimo no início de 2014.

 

A realidade é que a queda do desemprego de 15,7% para 15,1% com um pico de 17,5% no 3º trimestre de 2013 terá decorrido mais de emigração e óbitos que de qualquer outra coisa. Em termos líquidos pode-se dizer que se perderam empregos no período decorrido e a recuperação dos mesmos (em termos absolutos) ainda não parece muito notória.

 

O governo gosta de retirar para si os frutos de qualquer número positivo e atirar para o governo de Sócrates ou para a Europa qualquer má notícia. Os números acima apontam para uma real influência do governo na diminuição da taxa do desemprego através da promoção da emigração. Não quero contudo retirar-lhes outro mérito. A verdade é que há limites para aquilo que um país pode cair desde que tenha um estado funcional (mesmo que não ideal): após tanta queda havíamos de ressaltar um pouco.

 

Gostaria de ser optimista como outros colegas do blogue (admiro o optimismo e a esperança do Luís Naves, por exemplo) mas não consigo. Uns tempos de bom clima económico e uma pneumonia do BES arrisca atirar-nos para os cuidados intensivos. Apesar de todos estes esforços do nosso bando de incompetentes do governo, os bons resultados parecem-me continuar a dever-se mais ao espírito aventureiro dos portugueses e a influências externas.

 

Infelizmente a situação provavelmente não irá mudar muito nos próximos tempos: não vejo quem em Portugal faça muito melhor (até porque pior só se for o Santana).

 

* - talvez não tão curtinho quanto pensava. Perdoem-me o pouco jeito para o resumo.

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Teste Delitoratura - 2

por Teresa Ribeiro, em 22.07.14

 

Passaram a chamar-lhe Benjy, embora tivesse sido baptizado com o nome do tio.

 

Solução da pergunta anterior: Anna Karenina. Vencedor (por ter sido o primeiro a responder): João Oliveira.

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Um podcast por dia, nem sabe o bem que lhe fazia (20)

por José Maria Gui Pimentel, em 22.07.14

TSF - Bloco Central

 

 

Painel semanal de comentário político na TSF – na esteira do Contraditório da Antena 1, do Governo Sombra da mesma TSF ou da Quadratura do Círculo na SIC Notícias – com Pedro Adão e Silva à esquerda e Pedro Marques Lopes à direita. É um programa interessante, embora tenha algumas pechas. Sobretudo, e como normalmente acontece neste tipo de programa, o elemento à direita é mais envergonhado do posicionamento que lhe foi atribuído, pelo que a substância do comentário tende a ser demasiadamente convergente entre os dois. Esta diminuição do contraditório tem a consequência inevitável de diminuir o interesse da discussão para o ouvinte – pelo menos para este que escreve. 

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Dislate ou diz late?

por Pedro Correia, em 22.07.14

«Não tenho por hábito fazer sensura mas não tulero insultos, difamações e desrespeito, pelo que apagarei comentários infames e com grande probabilidade bloquiarei no meu Facebook o autor/a.»

A frase é de uma deputada da nação, supostamente licenciada em Antropologia, e está a causar furor (se eu fosse "antropólogo" talvez escrevesse foror) nas redes sociais. Alega a senhora que estava muito cansada à hora a que escreveu aquela frase, digna de antologia, nesse espelho público da ignorância privada que é o Facebook. Diz ainda que se esqueceu (ia eu já a escrever esquesseu...) de aplicar o corrector ortográfico para evitar aquelas gralhas mentais que lhe saíram das pontas dos dedos.

Mesmo assim - cansaço (será cançasso?) a mais e corrector a menos - nada justifica três erros de palmatória numa só frase. O que diz quase tudo sobre a falência do nosso modelo de ensino e sobre a falta de exigência dos estados-maiores partidários na hora (será ora?) de recrutar militantes para a frente parlamentar.

Eu, se pudesse, bloquiava deputados com excesso de tulerância ao dislate. Será dislate ou diz late? Vou ali espreitar o curretor e volto já.

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Crise nacional

A história do Kaiser e do seu chefe de Estado-maior contém lições que podem ser usadas na actualidade.

É difícil tentar remar contra uma corrente que nos empurra na direcção inversa. Nas sociedades em que se instalou o medo da mudança, isso é ainda mais difícil. Portugal vive um momento assim: perante uma transformação rápida, que exigiria uma resposta flexível, a sociedade portuguesa divide-se em conflitos inúteis, com as personagens entrincheiradas em becos sem saída. Querem melhor exemplo do que a história de hoje, em que nenhum dos lados tem razão? Um ministério convoca um exame de professores com antecedência demasiado curta, para não permitir o recurso aos tribunais (um governo com medo do estado de Direito?); os sindicatos respondem com tácticas de guerrilha que envergonham a classe dos professores. É isto a educação?  

A parte mais importante da crise nacional não é económica ou financeira, mas consiste num irresistível clima de pessimismo que se colou à sociedade portuguesa como se fosse uma doença de pele. Quando surge uma notícia, ela é repetida e dissecada apenas na sua pior vertente. Não admira que os comentadores, que erraram sistematicamente nos últimos três anos, continuem a prever o colapso na próxima semana. Talvez haja saída, talvez a situação não seja tão má, sugere alguém, mas há sempre um Von Moltke a garantir que o nosso destino trágico já foi traçado. É impossível mudar. 

 

 

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Sinais evidentes de que estamos a sair da crise - 8

por Teresa Ribeiro, em 22.07.14

Candidatos ao ensino superior continuam a diminuir.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.07.14

 

Vou Emigrar para o Meu País, de Nuno Costa Santos

Crónicas

(edição Escritório, 2014)

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Coincidência de opiniões

por Rui Herbon, em 22.07.14

As teses de Zygmunt Bauman vão abrindo caminho sem ruído e sem que ninguém se alarme. O destino da liberdade e da democracia, diz o velho pensador, decide-se e estabelece-se no contexto mundial, e só a sua defesa em tal contexto tem possibilidades realistas de um êxito duradouro.

 

Existe um complot de medo que abarca milhões de pessoas. É um complot que já não se sustenta unicamente na perspectiva de que o Estado devore a sociedade mediante regimes dictatoriais, ou que a sociedade faça desaparecer o Estado mediante uma revolução de massas, mas na possibilidade de vir a ficar excluído ou marginalizado. A exclusão é o problema. Se o Estado Social se encontra hoje descapitalizado, se está em ruínas ou foi parcialmente desmantelado, é porque as principais fontes de benefícios do capitalismo se deslocaram da exploração da mão-de-obra fabril para a exploração dos consumidores.

 

O pensamento de Bauman não é o de um conspirador ou de um revolucionário. Contém um fio argumental que se baseia em que o poder já não está na política mas nos mercados e movimentos financeiros. Não partilho essa visão tão taxativa, mas é certo que ventos sopram nessa direcção.

 

Mas os seus argumentos coincidem com o que recentemente afirmou o papa Francisco: «instaura-se uma nova tirania invisível, às vezes virtual, que impõe de forma unilateral e sem remédio possível as suas leis e regras. Ademais, a dívida e o crédito afastam os países da sua economia real e aos cidadãos do seu poder aquisitivo real. A isto há que acrescentar uma corrupção tentacular e uma evasão fiscal egoísta que assumiram proporções mundiais. A vontade de poder e posse passaram a ser ilimitadas».

 

Opiniões convergentes vindas de posturas ideológicas diversas.

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O candidato.

por Luís Menezes Leitão, em 22.07.14

 

Depois de ter ouvido Passos Coelho dizer que um dos motivos da sua deslocação ao Sri Lanka foi reconhecer o trabalho extraordinário da AMI, tive a certeza que isso significava da sua parte uma manifestação de apoio para Fernando Nobre também se candidatar às presidenciais. Mais uma vez Passos Coelho insiste na estratégia TMMRS (Todos Menos Marcelo Rebelo de Sousa), e não pára de lançar sinais de abertura para todos os candidatos e mais alguns que o possam impedir de ver Marcelo em Belém. Só que escusava de se deslocar ao Sri Lanka para esse efeito, num gasto desnecessário para os contribuintes. Uma simples declaração pública de apoio em qualquer lugar do Portugal profundo, que depois do seu governo está hoje em dia tão necessitado da AMI como o Sri Lanka, chegaria.

 

Como não poderia deixar de ser, Fernando Nobre respondeu prontamente ao apoio de Passos Coelho. O homem que em tempos tinha dito que se não lhe dessem um tiro na cabeça iria para Belém, acaba de declarar que está vivo, não tem 100 anos, e portanto vai para Belém. Depois de Santana Lopes no sábado, agora com o avanço de Fernando Nobre, já temos assim dois candidatos presidenciais na mesma semana, ambos carinhosamente apoiados por Passos Coelho. Não há dúvida de que estas presidenciais prometem.

 

Entretanto, para aumentar a confusão, Passos Coelho acaba de declarar que espera que os candidatos se assumam, não exclui que possa surgir mais do que um à direita, e propõe que o PSD fique à espera um ano sem decidir quem apoia. A este ritmo, daqui a um ano já teremos perdido a conta aos inúmeros candidatos presidenciais do PSD. Será que a estratégia TMMRS também passa por deixar António Guterres chegar a presidente?

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Delitos poéticos (22)

por Joana Nave, em 22.07.14

 Campo de Papoilas em Argenteuil - Jean Monet

 

Muere lentamente
quien se transforma
en esclavo del hábito,
repitiendo
todos los días
los mismos trayectos.

Quien no cambia de marca,
no arriesga vestir
un color nuevo
y no le habla
a quien no conoce

Muere lentamente
quien hace
de la televisión su gurú.

Muere lentamente
quien evita una pasión,
quien prefiere
el negro sobre blanco
y los puntos sobre las “íes”
a un remolino de emociones,
justamente las que rescatan
el brillo de los ojos,
sonrisas de los bostezos,
corazones a los tropiezos
y sentimientos.

Muere lentamente
quien no voltea la mesa
cuando está infeliz
en el trabajo,
quien no arriesga
lo cierto por lo incierto
para ir detrás de un sueño,
quien no se permite
por lo menos una vez en la vida,
huir de los consejos sensatos.

Muere lentamente
quién deja escapar un posible amor,
con tal de no hacer el esfuerzo
de hacer que éste crezca.
Muere lentamente
quien no viaja,
quien no lee,
quien no oye música,
quien no encuentra
gracia en si mismo.

Muere lentamente
quien destruye su amor propio,
quien no se deja ayudar.

Muere lentamente,
quien pasa los días quejándose
de su mala suerte
o de la lluvia incesante.

Muere lentamente,
quien abandonando
un proyecto
antes de empezarlo,
el que no pregunta
acerca de un asunto
que desconoce
o no responde
cuando le indagan
sobre algo que sabe.

Evitemos la muerte
en suaves cuotas,
recordando siempre
que estar vivo
exige un esfuerzo
mucho mayor
que el simple hecho
de respirar.

Solamente
la ardiente paciencia
hará que conquistemos
una espléndida felicidad.

 

Pablo Neruda

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As canções do século (1664)

por Pedro Correia, em 22.07.14

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Uma discussão em Berlim

Nenhuma crise é eterna e os conflitos são evitáveis. Podemos resolver problemas se pensarmos com realismo e, mesmo que não seja possível resolver todos os nossos problemas, bater com a cabeça na parede é que certamente não será solução. E, no entanto, os pessimistas que dominam o espaço público usam o método habitual de olhar para a realidade imaginando apenas o pior cenário, mas numa configuração impenetrável ao bom senso.

O pessimismo leva a uma rigidez de pensamento que paralisa decisões que deviam ser evidentes. Há exemplos históricos. A teimosia de insistir num erro não produz a repetição exacta dos acontecimentos, mas cria situações recorrentes e padrões que, com a passagem do tempo, nos parecem simplesmente estúpidos.

No livro clássico The Guns of August, a historiadora americana Barbara Tuchman contou em detalhe um episódio que podia ter evitado a Primeira Guerra Mundial ou que podia ter alterado profundamente o curso dos acontecimentos, decidindo talvez o conflito a favor da Alemanha. É um grande modelo do pessimismo em acção.

 

 

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Da importância de ser amizade

por Patrícia Reis, em 21.07.14

A melhor forma de amor é a amizade, é quase banal dizer ou escrever, mas talvez não seja tanto assim.

Quantas vezes pensamos nós nos amigos? Quantas vezes telefonamos para saber deles e não contar a nossa vidinha?

Quantas vezes é que somos mesmo amigos: sentados à mesa, a partilhar uma refeição, a rir, perdidos no tempo, sem noção das horas, petiscando pedaços de pão (ou, muito melhor, pedras de Santiago)?

Este sábado, com o miúdo-quase-homem, uma amiga e apenas nós, o meu marido e eu, corremos tudo: política, sexualidade, direitos e deveres, histórias mal contadas, acontecimentos de vida marcantes.

E, quando a nossa amiga falou da avó Joana, os olhos ficaram do tom mais profundo do mar e o nosso coração encolheu, viemos à superfície e sobrevivemos na conversa. Por amor. Por amizade. Por estarmos todos com os telemóveis desligados. Sem preocupações de monta. Das oito da noite até quase às quatro conversámos.

Caramba, uma conversa é tão importante!

E tudo foi recíproco. Nada foi dito a medo, com formalidade.

Quando é assim, posso garantir, é um privilégio.

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Penso rápido (28)

por Pedro Correia, em 21.07.14

Num blogue que se diz de esquerda, perante um dos mais chocantes atentados de que guardaremos memória, alguém escreve que a culpa foi do avião civil carregado de passageiros -- não do míssil que o destruiu.

Num blogue que se diz de direita, alguém salienta que a culpa foi do corredor aéreo, pois já devia ter sido fechado.

Falta pouco para concluir que a culpa do morticínio foi das pessoas assassinadas, não dos assassinos.

É espantoso que o atentado -- tenha a origem que tiver -- não mereça uma palavra de condenação, uma palavra de lamento, uma palavra de humana comiseração pelas vítimas. Antes de qualquer considerando de ordem política. Como se, perante uma atrocidade, tivéssemos de escolher sempre um lugar numa trincheira.

É intolerável que vítimas civis e desarmadas de um conflito armado, sejam quem foram, acabem apontadas como "danos colaterais" de um conflito armado, seja ele também qual for.

Não devemos calar a nossa indignação perante o crime, venha de onde vier. Nem podemos permanecer indiferentes perante o crime, sob pena de nos transformamos em pequeninos cúmplices dos carrascos. Nem é aceitável adoptarmos a atitude cínica de Estaline, que dizia que "a morte de um indivíduo é uma tragédia e a morte de um milhão de indivíduos é uma estatística".

Importa-me, num primeiro passo, o olhar desprovido de considerandos políticos perante vítimas da violência mais primária e mais chocante e mais gratuita. Elevámo-nos felizmente acima da condição do nosso antepassado mais remoto, o homem das cavernas, graças ao enorme passo civilizacional representado por esse olhar.

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Um podcast por dia, nem sabe o bem que lhe fazia (19)

por José Maria Gui Pimentel, em 21.07.14

O Homem que Mordeu o Cão

 

É o regresso da rubrica que projectou Nuno Markl, na Rádio Comercial, centrando-se sobretudo no relato de histórias – como sugere o nome – inusitadas. Tal como a Linha Avançada, na Antena 3, é um programa leve, ideal para ouvir enquanto se faz uma tarefa que não nos ocupe o cérebro todo.

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Profetas da nossa terra (46)

por Pedro Correia, em 21.07.14

«Passos Coelho é uma pessoa bem intencionada com quem se pode falar.»

Mário Soares, 23 de Abril de 2011

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Sinais evidentes de que estamos a sair da crise - 7

por Teresa Ribeiro, em 21.07.14

Evolução dos preços prolonga ameaça de deflação.

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