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As canções do século (1757)

por Pedro Correia, em 23.10.14

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A História na primeira pessoa

por Pedro Correia, em 22.10.14

Katherine Graham, proprietária do Washington Post, e Ben Bradlee, que dirigiu o jornal durante dez mil dias. Ambos permaneceram imunes às pressões da Casa Branca durante o caso Watergate

 

Editam-se em Portugal cerca de mil livros por mês. Nada mau, para um país com tão poucos hábitos de leitura. Mas continuo a espantar-me com a ausência de títulos importantes no nosso mercado editorial. Talvez o livro que hoje mais gostasse de ver com edição portuguesa fosse a autobiografia de Ben Bradlee. Sabem quem é? Esse mesmo: o jornalista que transformou o Washington Post num dos jornais mais célebres à escala planetária. Fala-se muito em Bob Woodward e Carl Bernstein, os repórteres que revelaram ao mundo todas as implicações do caso Watergate. Fala-se muito menos em Bradlee, que na altura dirigia o Washington Post, então uma espécie de parente pobre na alta roda da imprensa norte-americana, sempre à sombra do poderoso rival New York Times. Mas nenhum dos artigos de Woodward e Bernstein (a dupla que ele baptizou de “Woodstein”, nos longos serões de trabalho no jornal durante a revelação do escândalo que conduziria à demissão do presidente Nixon) teria sido possível sem a firmeza de Bradlee, que lhes deu destaque em sucessivas manchetes. Contra todas as pressões do poder político.
 

A Good Life, de Ben Bradlee, que li na versão espanhola – editada pela casa editorial do diário El País, sob o título La Vida de un Periodista - é uma extraordinária lição de jornalismo escrita por este homem nascido em 1922, combatente na II Guerra Mundial e velho tarimbeiro das redacções. Começou pela melhor escola americana, no jornalismo de província, e teve um percurso fulgurante, que o levou a chefe da delegação da revista Newsweek em Paris, correspondente de guerra na Argélia e no Suez, e enfim a Washington, onde passou a dirigir o Post em 1962. A curta distância da Casa Branca, onde então pontificava John Kennedy, seu amigo pessoal.
Bradlee relata-nos a odisseia do relançamento do Post, que à época era apenas o terceiro jornal mais vendido na capital americana. Ele arejou o grafismo, destacou a imagem, criou um suplemento chamado Style, que dava prioridade ao lazer, valorizou o espaço de opinião, criou um provedor de leitores (em 1969!) e deu um novo impulso à reportagem. Bastando-lhe adoptar como lema a velha lição que recebera da professora da instrução primária: “O melhor possível hoje, melhor ainda amanhã.”
A qualidade foi sempre um objectivo a atingir. “A detecção de talentos nunca cessa num periódico”, afirma Bradlee, então “decidido a que cada jornalista fosse o melhor da cidade no seu ramo de actividade”. Este foi um dos segredos do sucesso do jornal, a par das normas de exigência postas em vigor. O Post deixou de usar a ambígua expressão “segundo as nossas fontes”, instituiu a norma da verificação dos factos junto de duas fontes autónomas e recomendou aos seus repórteres que nunca esquecessem o sábio preceito de Camus, que também foi jornalista: “Não existe a verdade. Só existem verdades.”
 
La Vida de un Periodista dá-nos retratos deliciosos de jornalistas. Howard Simons, director-adjunto do Post, que cunhou a expressão SMERSH para designar a secção dedicada a estes temas (segue em inglês para se entender melhor): Science, Medicine, Education, Religion & All That Shit. Art Buchwald, o incomparável humorista. Jim Truitt, que permaneceu 47 horas sentado à máquina de escrever, produzindo uma lista com mais de mil sugestões no dia em que Bradlee protestava contra a “falta de ideias” na redacção. E, obviamente, a dupla “Woodstein”: Watergate nunca teria sido o que foi sem a “destreza e persistência” destes repórteres, que transformaram este velho ofício num mito: nos anos 70 e 80, o jornalismo tornou-se a profissão mais cobiçada do planeta.
Bradlee permaneceu dez mil dias à frente do Post. Saiu em 1991, sob uma ovação imensa dos jornalistas, retirando-se para a sua propriedade rural, onde redigiu este livro, lançado em 1995. Sob a sua liderança, o diário ganhou 18 prémios Pulitzer e firmou-se como um dos grandes títulos mundiais, conquistando uma sólida reputação de independência – o melhor certificado de nobreza de qualquer jornal. A good life indeed.
 
Reedito este texto em homenagem a Ben Bradlee, ontem falecido em Washington, aos 93 anos

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Profetas da nossa terra (57)

por Pedro Correia, em 22.10.14

«Isto deixou de ser um Governo do PSD, com o CDS como segundo partido, para ser um Governo Paulo Portas-CDS com o PSD acessório, absolutamente acessório.»

António Capucho, 24 de Julho de 2013

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.10.14

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No Café da Juventude Perdida, de Patrick Modiano

Tradução de Isabel St. Aubyn

Romance

(edição Asa, 2ª ed, 2014)

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As canções do século (1756)

por Pedro Correia, em 22.10.14

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Foi um azar: a revolução cultural passou ao lado

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.10.14

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(Pedro Nunes, Lusa)

 

“Acertei quando o escolhi para ministro da Educação.”

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A ironia das cegonhas

por Rui Rocha, em 21.10.14

Sempre desconfiei que fosse assim. Aquele bico improvável, o corpo desengonçado, o olhar quase triste, a indiferença com que aparentemente escolhem a torre de uma igreja ou um poste de distribuição de energia para nidificarem não permitiam grandes dúvidas. Agora, em todo o caso, confirma-se. As cegonhas assistem ao mundo com um profundo sentido de ironia. O jornalista esmiuça a questão. Traz análises e variáveis. O facto aí está: os ninhos de cegonha-branca aumentaram em Portugal mais de 50% nos últimos dez anos. O jornalista explora as razões que estão na origem do fenómeno. Será o esforço legislativo de protecção das aves, a actividade das associações ambientalistas, a eventual existência de um visto gold para plumíferos, quem sabe, o carinho das populações, que justifica esta evolução? Afinal não. A realidade é um bocadinho mais prosaica. Há mais ninhos porque as chegonhas-brancas já não fazem a migração sazonal para outras paragens. Já não morrem na viagem. E ficam porque há mais lixo. Em lixeiras ou em aterros. E porque há uma praga de lagostins vermelhos. Porque entre umas coisas e outras há mais alimento. Isto é o que nos diz o jornalista. E com isto já teríamos, na verdade, ironia bastante. E ironia teríamos também no facto de as cegonhas ficarem agora que tantos portugueses acabam por partir. Mas creio que a coisa pia ainda mais fino. Ao jornalista escapou o essencial. Faltou ao trabalho jornalístico o cruzamento dos números da proliferação de ninhos de cegonha com os da natalidade humana destas paragens. A ironia suprema está nisso. As cegonhas brancas deixaram de migrar porque já não encontram trabalho na carreira Portugal-Paris onde iam, periodicamente, buscar os nossos bebés.

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Os "colaboradores" do Estado

por Teresa Ribeiro, em 21.10.14

Enquanto consumidores já todos percebemos que a idade da inocência passou e que aos balcões de atendimento público das mais variadas organizações o que encontramos são "colaboradores" cujo rendimento varia conforme as metas atingidas - nomeadamente ao nível de vendas - e que são pagos para defender os interesses da empresa que representam e não os dos clientes. Hoje em dia confiar num mediador de seguros ou num gestor de conta é tão arriscado como ir na conversa de um vendedor de pacotes de telecomunicações.

Podemos não gostar desta cultura que se instalou, mas reconhecemos que às empresas privadas lhes assiste o direito de operarem no mercado segundo as suas próprias regras, desde que não excedam limites legais. 

O que surpreende é verificar que o l'air du temps também foi impregnando os serviços do Estado, à medida que nos balcões de atendimento público foram substituindo funcionários por pessoal precário formado à pressão, sem conhecimentos adequados para prestar um bom serviço à comunidade. Nestes centros de atendimento ainda não há gente a vender por objectivos, mas quem sabe ainda lá chegaremos. O resto, ou seja a preocupação em cumprir níveis de "eficiência" como o tempo dispensado a cada utente e a incapacidade para resolver algo que ultrapasse meras questões formais, configura a nóvel cultura do "não estou aqui para te ajudar, estou aqui a zelar pelos meus níveis de produtividade".

Se em sectores mais sensíveis como a banca e os seguros faz sentido discutir os efeitos da agressividade comercial na degradação da relação de confiança com os clientes, nos serviços do Estado, onde supostamente o lema é "servir", tal discussão nem deveria ter razão de ser. Mas onde no sector privado é a concorrência feroz que dita as regras, no público a "racionalização de serviços" deve ser o que está por detrás desta "mudança de paradigma". Não se entende é porque em nome da racionalização não se pode apostar na eficiência, trazendo dos gabinetes para os balcões pessoal qualificado em vez de pescar nos centros de emprego gente impreparada cuja principal função é alindar as estatísticas do trabalho.

Há dias no Instituto de Seguros de Portugal quem me atendeu não foi capaz de me ajudar numa questão que depois um amigo, que é profissional de seguros, esclareceu em poucos minutos. Das "entrevistas personalizadas" na Segurança Social - e já fui a várias - nunca saio com os assuntos tratados, servindo as meninas que me atendem apenas como receptáculo de documentos, que depois seguem os trâmites burocráticos normais. 

Mais grave foi o que aconteceu a um pensionista meu conhecido. Ao balcão da Segurança Social de Entre-Campos uma "colaboradora" informou-o de que "é impossível requerer a reavaliação do grau de incapacidade nas reformas por invalidez". Dias depois, noutro balcão, disseram-lhe que tal não só é possível, como implica benefícios importantes nas taxas de juro de crédito bancário e em despesas várias.

Qual das informações está certa? Vai ter de investigar, com tempo e paciência, pois trata-se de um "detalhe" que tem reflexos importantes no seu orçamento familiar. Pode admitir-se este nível de incompetência  num serviço tão sensível como a Segurança Social? Não devia esta gente, que põe o atendimento nas mãos de pessoal estranho ao serviço e o vende como uma mais valia para o cidadão, ser responsabilizada pelo embuste?

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Profetas da nossa terra (56)

por Pedro Correia, em 21.10.14

«Entre os muitos filmes que produzi, este filme [Nuit de Chien, de Werner Schroeter] será o que ficará na história do cinema.»

Paulo Branco, 3 de Setembro de 2008

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.10.14

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A Retirada dos Dez Mil, de Xenofonte

Tradução e prefácio de Aquilino Ribeiro

Introdução de Mário de Carvalho

Relato histórico

(edição Bertrand, 2014)

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Eu se fosse aos tipos agora é que não saía da rua

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.10.14

scmp_29jan14_ns_cy5_40622477.jpg"Democracy would see poor people dominate Hong Kong vote" - C. Y. Leung

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As canções do século (1755)

por Pedro Correia, em 21.10.14

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A corda cada vez mais esticada

por Pedro Correia, em 20.10.14

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O cenário está longe de ser brilhante. A Europa em risco de enfrentar a terceira recessão desde 2008, a Grécia às portas de outra intervenção financeira externa de emergência, italianos e franceses incapazes de cumprir as metas do Tratado Orçamental que dita as condições de sobrevivência do euro, perspectivas de estagnação da economia da Alemanha (principal parceira económica de Espanha, por sua vez principal parceira económica de Portugal).

Enquanto isto acontece, PSD e CDS enfrentam-se irresponsavelmente por interpostas notícias de jornal a ver quem estica mais a corda antes de rebentar, deixando antever uma coligação em estado pré-comatoso. O assunto do momento é qual dos partidos poderá beneficiar mais com os efeitos mediáticos de umas quantas migalhas fiscais, invocadas sem sombra de pudor ao fim de quase quatro anos de sacrifícios colectivos. Isto enquanto a esquerda mais extrema persegue sem fadiga a quadratura do círculo, exigindo em simultâneo o reforço das prestações sociais e a redução de impostos.

Tudo isto se desenrola na espuma dos dias como se o monstro da dívida pública não permanecesse incontrolado. Como se a despesa do Estado não cessasse de aumentar. Como se houvesse petróleo ao largo das Berlengas. Como se jogássemos uma tranquila partida de xadrez na Bizâncio sitiada.

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Profetas da nossa terra (55)

por Pedro Correia, em 20.10.14

«Só muito dificilmente o F. C. Porto não ganhará [o jogo contra o Sporting, em que perdeu 1-3]. Porque é melhor que o Sporting.»

Pedro Marques Lopes, 17 de Outubro de 2014

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 20.10.14

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 O Homem que era Salazar

Parábola do Portugal contemporâneo

(edição Planeta, 2014)

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As canções do século (1754)

por Pedro Correia, em 20.10.14

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Fotografias tiradas por aí (196)

por José António Abreu, em 19.10.14

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Matosinhos, 2014.

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Postais de Portugal

por Pedro Correia, em 19.10.14

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 "Pelo Tejo vai-se para o Mundo" (Alberto Caeiro)

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How to get away with murder

por Patrícia Reis, em 19.10.14

 

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Elas na TV

por Patrícia Reis, em 19.10.14

Há cerca de dez anos, era comum lerem-se entrevistas a actrizes norte-americanas sobre a falta de papéis interessantes. Hoje, as actrizes têm papéis interessantes e estão a mudar a face de uma certa forma de se fazer televisão. Há dez anos, fazer televisão não era considerado prestigiante. Hoje, é um caminho.

Shonda Rimes (produtora) é uma das protagonistas da mudança. Começou com a Anatomia de Grey (o nome deriva do apelido da personagem que faz voz off e conta a história, Meredith Grey, interpretada por Ellen Pompeo), depois Scandall (com Olivia Pope - a actriz Keira Washington - a dar cartas no mundo da política e da espionagem) e agora surge com How to get away with murder ( Viola Davis a fazer de Annalise Keating, advogada e professora). Além destas séries, podemos ainda ver (abençoado cabo e internet) Madam Secretary (Tea Leoni na Casa Branca, Bess McCord) e Segurança Nacional (Claire Danes a fazer de Carrie Mathison e a lutar na CIA para que o mundo seja mais... qualquer coisa).

O mais pertinente não será entrar na discussão sobre o género, será reconhecer que é possível entregar a actrizes, produtoras, guionistas, todas com com enorme qualidade, séries de televisão que conseguem ter boa audiência e que reflectem o mundo na perspectiva das mulheres. Os maridos (personagens!) podem, ou não, sentir-se ameaçados com o poder que as mulheres têm; os filhos podem compreender ou nem por isso; os receios e as expectativas não são menores por serem personagens mulheres. As personagens prinicipais, mulheres, têm poder, são más, são boas, são interessantes. E a televisão, de acordo com os homens cá da casa, torna-se mais apelativa.

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Blogue da semana.

por Luís Menezes Leitão, em 19.10.14

Há muito tempo que acompanho regularmente um blogue que associa uma crítica política demolidora a um enorme sentido de humor, temperado pela beleza das imagens fotográficas que frequentemente exibe. O jumento é por isso o blogue da semana.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 19.10.14

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A Virgem, de Tempestade Celestino

Romance

(edição Guerra & Paz, 2014)

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As canções do século (1753)

por Pedro Correia, em 19.10.14

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SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

por Patrícia Reis, em 18.10.14

 

Neste dia de mar e nevoeiro
É tão próximo o teu rosto

São os longos horizontes
Os ritmos soltos dos ventos
E aquelas aves
Que desde o princípio das estações
Fizeram ninhos e emigraram
Para que num dia inverso tu as visses

Aquelas aves que tinham
uma memória eterna do teu rosto
E voam sempre dentro do teu sonho
Como se o teu olhar as sustentasse

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Incredulidade

por Rui Rocha, em 18.10.14

O que fazia o Deportivo de Oporto numa eliminatória da Taça de Portugal?

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A sociedade portuguesa mudou, mas o sistema político, como um pesado dinossauro, parece incapaz de se adaptar. A direita está meio perplexa com as sondagens que dão o PS perto da maioria absoluta. Se as eleições fossem agora, tudo indica que António Costa, que tenta reconstruir o PS de 2010, atrairia suficientes votos na esquerda e no centro para vencer com margem folgada. Existem duas explicações possíveis para o fenómeno: o profundo descontentamento da população e a ilusão de que é possível regressar ao tempo anterior ao resgate. O governo está de tal forma desacreditado, que os próximos meses serão de agonia lenta, por isso seria lógico realizar eleições em Abril ou Maio, como pedem muitos comentadores, pois esperar até Outubro só prejudica o País.

Se chegarem ao poder, os socialistas tentarão adiar qualquer reforma impopular, mas com escassa margem de manobra e ainda menos tolerância europeia. O maior risco que correm é o de perderem a credibilidade externa e o acesso aos mercados financeiros, o que podia resultar no segundo resgate ou até no abandono da zona euro. A extrema-esquerda alternativa fracassou: o Bloco não se distingue do PCP e ninguém vota em imitações. O Livre será devorado ainda no ovo. Os populistas continuam a ser uma incógnita, pois as recentes sondagens não indicam qual o impacto eleitoral de Marinho e Pinto, embora sublinhem a sua popularidade.

A direita, agora limitada a um em cada três votos, prepara-se para uma penosa travessia do deserto. Os sociais-democratas que passaram o tempo a arrasar o governo não poderão reclamar qualquer herança e, por isso, nada têm para oferecer. A sua oposição será fragmentada e difícil. Durante três anos, o actual poder dedicou-se a erros de comunicação infantis e consentiu que a praça pública fosse ocupada pelos interesses especiais que a troika excluiu da divisão orçamental. A coligação fracassou, pois PSD e CDS nunca se entenderam e muitas reformas que ficam por fazer (RTP, autarquias, arrendamento, pensões) falharam devido a contradições internas. O PSD tem feridas insuperáveis, ódios que, mais tarde ou mais cedo, darão origem a uma purga ou à divisão permanente deste partido. Durante a grande crise houve uma cronologia de pré-falência, resgate, protectorado, austeridade, desistência, pântano e inicia-se provavelmente um novo ciclo de delírio, que pode ser longo ou curto, dependendo da dimensão das miragens que nos forem apresentadas.

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O que resta

por José António Abreu, em 18.10.14

Tem vinte e poucos anos. Ainda que apenas se dirija à janela para ver se chove, tende a caminhar em passo rápido, ligeiramente inclinada para a frente, como que guiada por uma ideia súbita que receia ter tido demasiado tarde. Pergunto-lhe: «Alguma vez viste um filme de Jacques Tati? Monsieur Hulot?» Reage com uma expressão de espanto. Desconhece os nomes. «Era muito mais velho, muito menos bonito e muito mais desastrado do que tu mas lembrei-me dele, ao ver-te caminhar.» A expressão de confusão no rosto dela intensifica-se. Está desconfiada. Sorrio. Digo: «Hei-de trazer-te o ‘Mon Oncle’.»

Quando já não se tem idade para acalentar esperanças de desempenhar outros papéis, resta o de Pigmalião. Ou parte dele. A parte, ligeiramente inglória, ligeiramente ridícula, que exclui a recompensa final.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 18.10.14

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 Rica Vida, de Luciano Amaral

Dez momentos da História de Portugal

(edição D. Quixote, 2014)

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Esse é que é o fundo da questão

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.10.14

"Na verdade, no cômputo global dos três documentos, mesmo incluindo o “bom”, a carga fiscal aumenta, visto que se vai buscar mais dinheiro do que o que se devolve às famílias. Ou seja, o dinheiro que os portugueses vão pagar ao Estado aumenta. Como é que é assim possível que o primeiro-ministro e a ministra das Finanças e os seus propagandistas digam que não há aumentos de impostos? É possível apenas porque somos complacentes com a mentira, tão habituados estamos a viver no seu seio." - Pacheco Pereira, Público, hoje

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As canções do século (1752)

por Pedro Correia, em 18.10.14

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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 17.10.14

Flávio Gonçalves troca o Admirável Mundo Novo pelo Risco Contínuo.

 

Banco Corrido encerrado. Paulo Pedroso pondera abrir novo banco.

 

A Carla Ferreira fez uma pausa. Oxalá seja curta.

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Ler

por Pedro Correia, em 17.10.14

Depois das primárias. Do Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.

E você, o que quer para o País? De Pedro Lains.

Mais depressa se apanham vários coxos. Da Joana Lopes, no Entre as Brumas da Memória.

Professores. Da Sónia Morais Santos, no Cocó na Fralda.

A praxe é a praxe é a praxe. Da Joana Amaral Dias, no Córtex Frontal.

Implosão de edifícios. Do Luís Aguiar-Conraria, n' A Destreza das Dúvidas.

Cavaco e os cavalos. Da Ana Catarina Santos, no Diário Metafísico.

Das vítimas da História. Do Ricardo António Alves, na Abencerragem.

Isto não é sobre as redes sociais I. Do Alexandre Borges, no 31 da Armada.

Em desuso. De Maria do Rosário Pedreira, no Horas Extraordinárias.

Os velhos hábitos. Do Pedro, no We'll Always Have Paris.

Connie Converse. Da Carla Romualdo, no Aventar.

Vidas de não há assim tanto tempo. De João Paulo Craveiro, no Visto de Dentro.

Banalidade dos dias. Da Isabel Mouzinho, no Isto e Aquilo.

Nada se passa. Do Nuno Costa Santos, n' O Marginal Ameno.

Publicidade. Do Pedro Mexia, no Malparado.

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The Messiah!

por Rui Rocha, em 17.10.14

António Costa está, mal comparado, na posição do velho comunista a quem fizeram um teste de lealdade:

- Se tivesse uma casa de praia, seria capaz de a ceder à revolução para que o povo pudesse desfrutar dela?

- Claro que sim.

- E se tivesse uma viatura, também a entregava?

- Sem dúvida.

- E um barco?

- Se tivesse um barco entregaria as chaves agora mesmo.

- E se tivesse uma bicicleta?

- Ah, não! Isso não. Não tenho casa de praia, nem viatura, nem barco. Mas bicicleta tenho!

O problema de Costa é exactamente o mesmo. Pode tudo até ao dia em que tiver de dar ao país o seu próprio orçamento.

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A contestação da ordem internacional que resultou da queda do Muro de Berlim explica a agitação que vemos no mundo. Após duas décadas em que o sistema parecia estável, surgiu uma crise financeira global que catalisou vários movimentos de perturbação. Alguns autores muito citados (por exemplo, a historiadora canadiana Margaret MacMillan) encontram semelhanças entre a situação actual e a que precedeu a guerra de 14-18, nomeadamente o facto de haver potências emergentes a contestar a ordem imperial que beneficiava a Grã-Bretanha, com outras semelhanças na globalização acelerada e na ruptura tecnológica.

Há também diferenças. O imperialismo de hoje não ocupa território e, ao contrário da Alemanha do início do século XX, a China actual não pretende imitar a potência hegemónica. Por outro lado, o desafio contemporâneo à ordem internacional estabelecida após a Guerra Fria não é executado apenas por potências emergentes, mas sobretudo por forças em declínio. Estado Islâmico ou Rússia são dois exemplos de aparente força que esconde, na realidade, crescente fraqueza. O Estado Islâmico parece até o estertor de uma civilização que não consegue de forma alguma resistir à modernidade.

A Europa resultante do fim da Cortina de Ferro também mostra sinais de esgotamento e mudança. O que aí vem é ainda pouco claro, mas o Estado social continuará a ser reformado e o liberalismo pode recuar, perante o avanço da retórica nacionalista e da crítica ao multiculturalismo. Os populistas anti-capital estarão provavelmente na linha da frente. A Europa será menos tolerante, menos adepta da liberdade dos mercados, menos paciente em relação à política do mínimo denominador comum que lhe tem permitido avanços na integração. Foi pouco noticiado em Portugal, mas o grupo de eurocépticos no Parlamento Europeu dissolveu-se após a saída de uma deputada. Só ficaram seis dos sete países necessários e em jogo estão subsídios de milhões de euros. Neste conflito decide-se quem vai liderar a contestação ao quase monopólio parlamentar dos socialistas e conservadores, o meio termo que permite manter a estrutura mais ou menos coesa. A queda dos eurocépticos abre caminho à possível formação de um grupo parlamentar de extrema-direita, que será muito mais hostil ao statu quo.

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Tecnocratas políticos

por João André, em 17.10.14

O governo PSD/CDS deve ser o mais incompetente (ou tecnocrático, no que a política diz respeito, é quase o mesmo) da história. Todos os orçamentos foram equilibrados à custa de criar ou aumentar impostos. A despesa do lado das "gorduras do estado" não deve ter sido reduzida em quase nada neste tempo todo. Não se fizeram reformas reais: as únicas tentadas (boas ou más, nem quero discutir) foram bloqueadas pelo tribunal constitucional. Em resposta, o governo não tentou uma única vez atacar esse problema pela raíz: mudar parteas da constituição. Pelo meio tem vindo a destruir a educação e ciência (uma das poucas áreas onde não se pode de forma nenhuma desinvestir) e todos os apoios sociais fora da área da caridadezinha.

 

Muito sinceramente, votar neste governo é inútil. Um programador de computadores, designado pelo BCE, poderia escrever uma rotina que criasse orçamentos de estado com o objectivo de atingir os ridículos limites do "tratado orçamental". Quando há despesa a mais, aumentam-se os impostos. Sinceramente nem era preciso tanto. Que se entregue essa função aos miúdos da escola secundária como actividade extra-curricular. Tenho a sensação que seriam mais equilibrados.

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Virar o bico ao prego

por João André, em 17.10.14

Era uma questão de tempo até as empresas virarem o bico ao prego. Agora, desincentivar as mulheres a terem filhos é visto, pelo menos por certas empresas, como um apoio às mesmas. Não importa que a medida seja cosmética e que a esmagadora maioria das mulheres que decidam aderir não venham a retirar quaisquer benefícios. As empresas terão apoiado a promoção das mulheres nas suas estruturas.

 

É por isso que não aceito que o Estado se isente das vidas empresariais. Os mecanismos de auto-regulação nas empresas não funcionam nunca em favor dos mais fracos - os trabalhadores - e é aqui que o Estado tem de agir. Não pode estar a querer dirigir a economia - fá-lo-à sempre de forma menos eficiente - mas tem que corrigir as assimetrias de poder.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 17.10.14

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Viver Pela Liberdade, de Maria Antónia Palla, com Patrícia Reis

Memórias

(edição Matéria-Prima, 2014)

"De acordo com a vontade expressa das autoras este livro respeita o antigo acordo ortográfico"

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 17.10.14

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Jessica Athayde

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As canções do século (1751)

por Pedro Correia, em 17.10.14

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 17.10.14

Ao Em Cada Rosto Igualdade.

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Leituras

por Pedro Correia, em 16.10.14

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Encontro em Samarra

por Rui Herbon, em 16.10.14

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Havia um comerciante em Bagdade que mandou o seu servo comprar provisões ao mercado, e daí a pouco o servo voltou, pálido e trémulo, e disse: «Senhor, agora mesmo, quando estava no mercado, fui empurrado por uma mulher, no meio da multidão, e quando me voltei vi que fora a Morte quem me empurrara. Ela olhou-me e fez um gesto ameaçador; por isso, empreste-me o seu cavalo, e sairei desta cidade, para escapar ao meu destino. Irei para Samarra, e aí a Morte não me encontrará». O comerciante emprestou-lhe o seu cavalo, o servo montou nele, enterrou-lhe as esporas nos flancos e partiu tão velozmente quanto o cavalo podia galopar. Então o comerciante foi ao mercado e viu-me, de pé, entre a multidão; aproximou-se de mim e disse: «Por que fizeste um gesto ameaçador ao meu servo quando o viste esta manhã?». «Não foi um gesto ameaçador», respondi, «foi apenas um sobressalto de surpresa. Fiquei espantada por vê-lo aqui, em Bagdade, pois eu tinha um encontro marcado com ele esta noite, em Samarra».

 
in Sheppey, de Somerset Maugham

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Frases de 2014 (28)

por Pedro Correia, em 16.10.14

«Não existe solução para as cheias em Lisboa»

António Costa

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Dia Mundial do Pão

por Francisca Prieto, em 16.10.14

Porque estas datas servem para que se façam tomadas de consciência e chamadas de atenção.

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Obrigado Estado Islâmico

por José Navarro de Andrade, em 16.10.14

Obrigado ISIS por recordares que as utopias são o horror perfeito. Que o mundo puro e absoluto oferecido em cada utopia só é atingível quando a imperfeição humana for corrigida ou eliminada, porque o puro é incompatível com o impuro e o belo não pode conviver com o defeituoso. É por isso que um militante do ISIS reclama, com toda a sinceridade e convicção, num vídeo que anda por aí: “Nós não somos maus, nós somos as melhores pessoas do mundo.” Claro que são – ou melhor: claro que julgam ser – maus são os outros que ainda não viram a luz e a beleza suprema do reino dos céus realizado na terra. A estes, com infinita misericórdia, o ISIS mimoseia-os com duas alternativas: ou se deixam iluminar pela verdade e se extasiam diante de tão impecável utopia, ou terão que ser, infelizmente, removidos do convívio com os sadios. Esta era a lógica dos inquisidores. Eles não laceravam as carnes dos hereges por mero deleite sádico. Apenas procuravam, repletos de piedade, libertar as almas do erro e da ilusão, com que o corpo e a realidade tangível enganam o espírito. Se o ímpio, finalmente expurgado pelo sacrifício, reconhecesse o seu mau caminho, talvez fosse perdoado; se fosse dado como relapso, outro remédio não havia que não o de assá-lo na fogueira, ou seja, reduzir o físico a cinzas para que a alma se pudesse desencarcerar. Obrigado também ISIS por recordares que fenómenos tão insignificantes e quotidianos como o bikini e a água canalizada são afinal privilégio da civilização que, provavelmente, mais conforto e conhecimento proporcionou à humanidade. A civilização que, apesar de tudo, melhor soube aprender com os seus erros e deficiências, que melhor soube acomodar a contradição, a controvérsia e o conflito. Porque é a única civilização que coloca a liberdade como questão fundamental e fundadora, mesmo que entre nós nunca se chegue a acordo sobre o que é isso da liberdade, mas que, precisamente em nome da liberdade, soube transformar o desacordo e a divergência numa vantagem e não num mal. Obrigado ainda ISIS por recordares que vivo numa civilização, que não obstante seja essencialmente religiosa, me permite proclamar em voz alta que sou ateu sem temer pela cabeça. Porque as Inquisições já a renegámos há muito tempo e as superámos deveras. Custou muito, mas o que nós andámos para aqui chegar. E os templos continuam abertos, em paz e sossego.

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