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Nós e os outros

por Pedro Correia, em 28.07.16

Ao CP - Cromos de Portugal.

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RH Music Box (179)

por Rui Herbon, em 28.07.16

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Autor: Richie Havens

 

Álbum: Alarm Clock (1970)

 

Em escuta: Here Comes The Sun

 

 

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Não há sanções

por José António Abreu, em 27.07.16

Não há desculpas.

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As melhores praias portuguesas (42)

por Pedro Correia, em 27.07.16

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Manta Rota (Vila Real de Santo António)

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Descubra as diferenças

por Pedro Correia, em 27.07.16

21 de Abril de 2015:

«PS estima défice de 0,9% em 2019 e crescimento médio de 2,6% na próxima legislatura.»

 

13 de Julho de 2016:

«Católica corta previsões e espera crescimento económico de 0,9% este ano.»

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O mundo às avessas

por Pedro Correia, em 27.07.16

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Jorge Coelho (militante do PS)

«Reconheço que nesta matéria serei um pouco conservador, mas já não estou em idade de mudar: as finanças públicas têm que ser sãs. Isto é uma questão central na vida de um país.»

«Sem finanças públicas sãs Portugal vai sofrer pesadas consequências no futuro.»

«Não pode haver nada que contribua para um descambar da despesa pública.»

«É preciso cumprir os compromissos com as instituições europeias. Estou a referir-me ao défice.»

«Vivemos momentos muito difíceis, no mundo, na Europa e em Portugal. As coisas na economia não estão a correr bem, temos de ser realistas.»

«Era muito importante que o crescimento da economia em Portugal estivesse a ser maior do que está a ser, estariam a crescer postos de trabalho, estaria a diminuir a despesa pública e a normalizar mais as contas da segurança social... Os ratios económicos não estão de acordo com aquilo que foi previsto.»

«O País não tem condições de produzir aumentos de salários reais. Tenho dúvidas de que deva haver qualquer aumento de salários.»

«O funcionamento da banca e das instituições financeiras é absolutamente vital e determinante para que um país seja normal a todos os níveis.»

«Não vai ser Bruxelas que vai fazer cair o Governo em Portugal. [Se o Governo cair] vai ser por dificuldades da plataforma política [que apoia o Governo].»

 

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Pacheco Pereira (militante do PSD)

«Tudo indica que o Governo vai cumprir o défice.»

«Ninguém diz que o Governo não está a cumprir os 3% [limite do défice]. Quem não cumpriu os 3% foi o Governo anterior.»

«Discutir 0,1% ou 0,2% para cima ou para baixo não são finanças sãs. É a utilização dos mecanismos de pressão para garantir políticas que eles consideram sãs.»

«Eu conheço a argumentação de que para diminuir as despesas do Estado tem que se controlar os salários, as pensões, as reformas... e depois dão-se milhares de milhões aos bancos.»

«Não é verdade que haja um isolamento das posições portuguesas. Uma parte importante das forças da União Europeia fazem declarações públicas a dizer que Portugal vai no bom caminho.»

«António Costa disse que a actual política europeia conduzia à estagnação. É importante que isto seja dito, porque é verdade.»

«A politica europeia é uma política de estagnação.»

«A Europa não cresce porque esta política não permite o seu crescimento.»

«As imposição europeias não servem o desenvolvimento de Portugal.»

 

Na Quadratura do Círculo (SIC Notícias), 21 de Julho

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A guerra irrelevante

por Diogo Noivo, em 27.07.16

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Comunicado no qual o auto-denominado Estado Islâmico assume a autoria do atentado na Normandia – imagem SITE intelligence group

 

A barbárie terrorista voltou a atacar França, desta vez numa igreja na Normandia. O acto vil e sanguinário foi reivindicado pelo autoproclamado Estado Islâmico (EI), que em comunicado louvou os “soldados” responsáveis pelo atentado. Para o EI, estes terroristas não eram súbditos de Alá, não eram insurgentes, nem mártires. Ou talvez fossem tudo isto, mas eram sobretudo soldados.

Esta linguagem é, entre outros factores, um dos aspectos essenciais para demonstrar o quão errado é enquadrar o combate ao terrorismo nos moldes de uma guerra. Podemos combatê-lo com a alma e a determinação de guerreiros, mas falar em “guerra contra o terrorismo” não só é irrelevante do ponto de vista operacional, como oferece legitimação política às organizações que pretendemos eliminar. Hoje, como no passado, o terrorismo é um crime que pretende içar-se a um patamar de igualdade política com os Estados. Não lhe façamos esse favor.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.07.16

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America the Beautiful, de diversos autores

Organização de Carla Baptista

Prefácio de Teresa Ferreira de Almeida

Relatos de escritores portugueses sobre a América

(Edição Tinta da China, 2016)

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RH Music Box (178)

por Rui Herbon, em 27.07.16

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Autor: Robert Wyatt

 

Álbum: Ruth Is Stanger Than Richard (1975)

 

Em escuta: Team Spirit

 

 

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O regresso de Kubrick

por João Campos, em 26.07.16

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Na falta de um ciclo mais completo que permita às gerações mais novas (e velhas) ver no grande ecrã os clássicos de um dos maiores realizadores que o cinema já conheceu, temos de nos contentar com as migalhas que vão caindo aqui e ali. Há três anos - parece que foi ontem - caiu uma, quando Kubrick regressou finalmente a algumas salas de cinema portuguesas com o assombroso 2001: A Space Odyssey (ver a sequência da Stargate na segunda fila daquela sala enorme no El Corte Inglés será sempre uma das memórias mais marcantes que o cinema me deu). E a partir da próxima Quinta-feira cairá outra, quando o Cinema Ideal começar a passar, até meados de Agosto, a mais recente versão digital restaurada de Barry Lyndon, assinalando as quatro décadas do clássico de época que terá talvez ficado mais famoso pelo virtuosismo técnico de Kubrick (a célebre história das lentes equivalentes às usadas pela NASA). Sim, o virtuosismo é evidente em cada fotograma, autênticos quadros que Kubrick pintou na película - mas a história da ascensão e da queda do Redmond Barry que imortalizou Ryan O'Neal não lhe fica atrás. É uma oportunidade única para ver ou rever. 

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As melhores praias portuguesas (41)

por Pedro Correia, em 26.07.16

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São Pedro de Moel (Marinha Grande)

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Como se o golo fosse só para nós

por Pedro Correia, em 26.07.16

Aos olhos de um miúdo, não há melhor escola para aprender a ver futebol do que as tardes passadas nos estádios em companhia do pai. Aconteceu comigo. Ainda hoje recordo os nomes de futebolistas antigos que o meu pai ia desfiando enquanto víamos as partidas ao vivo, as histórias que me relatava a propósito dos desafios de outros tempos e as noções tácticas e técnicas do jogo que me ia passando nesses momentos irrepetíveis.

As modas mudam muito, mas certas tradições vão-se mantendo. Para um garoto destes dias, continua a ser emocionante ter a oportunidade de ver ao vivo os jogadores que figuram nas cadernetas de cromos, relíquia que persiste em acompanhar cada menino, temporada após temporada, no decurso das gerações.

 

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Já era assim no meu tempo. Já era assim no tempo daqueles que me antecederam. Ainda hoje recordo a emoção que senti ao conseguir um autógrafo do Jacinto João após um jogo da Taça UEFA contra o Arad da Roménia à saída dos balneários do estádio do Bonfim. Juntei o autógrafo ao cromo do jogador, craque do Vitória de Setúbal, juntamente com o José Maria, o José Mendes, o Guerreiro, o Octávio Machado e o José Torres. E foi com imenso orgulho que o exibi aos colegas da escola.

Além do Sporting, sempre com lugar à parte, outra equipa em destaque nessa caderneta era a da Académica – a equipa dos “estudantes”, como então se dizia. Merecia-me especial admiração, incutida pela arguta pedagogia paterna, por demonstrar que o futebol não era incompatível com os estudos. Com Rui Rodrigues, Rocha, Vítor Campos, José Belo, Gervásio, Manuel António e um tipo que dava nas vistas por ser muito louro. Chamavam-lhe ‘ruço’ e tinha o mesmo apelido que eu. O Artur Correia.

 

Ele e o Rui Rodrigues – um defesa elegante, que cultivava a arte de desarmar sem falta – viriam a decepcionar-me quando se transferiram para o Benfica. Mas fui acompanhando o percurso do ‘ruço’, um lateral de enorme mobilidade, que percorria o corredor direito num constante vaivém e sabia centrar com precisão. Eram dois jogadores que gostaria de ter visto no Sporting.

E acabei mesmo por ver um deles de verde e branco. O Artur, que em 1977 se transferiu para Alvalade. Lá permaneceu três épocas, vencendo a Taça de Portugal em 1978 e sagrando-se campeão nacional em 1980. Um ano de glória, um ano de infortúnio: quatro meses depois do título, jogando já nos Estados Unidos, sofreu um AVC que o afastou para sempre do futebol. Tinha apenas 29 anos. Começava aí uma longa via crucis só agora terminada, quando nos deixou de vez. No ano passado tinham-lhe amputado uma perna – supremo sofrimento para quem, como ele, tão bem jogou futebol.

 

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Artur Correia com a Taça de Portugal conquistada pelo Sporting (1978) 

 

Lembrei-me ontem do meu pai quando soube da notícia da morte do Artur Correia. Porque o último jogo que vi ao vivo com ele, nas bancadas do Estádio Nacional, foi o único em que o Artur marcou com a camisola da nossa selecção. A 1 de Novembro de 1979, num desafio de qualificação para o Campeonato da Europa do ano seguinte.

Recordo-me perfeitamente. Os noruegueses marcaram primeiro, gelando o estádio. A nossa equipa acusou o golo e andou perdida em campo. Até que o Artur pega na bola lá atrás, avança com ela com uma vontade indómita de virar o resultado, ultrapassa todos os adversários e dispara uma bomba a mais de 30 metros da baliza, num remate muito bem colocado. Empatava a partida, a sorte do jogo virava. Viríamos a ganhar 3-1.

Foi um golo do outro mundo: nunca mais o esqueci. Estávamos na curva sul do estádio, um pouco acima da baliza norueguesa. Abracei-me ao meu pai como nos tempos em que ainda colava cromos na caderneta. E ele abraçou-se a mim como se eu fosse ainda o catraio que antes levava pela mão, de jogo em jogo.

Parecia que aquele golo tinha sido marcado só para nós.

 

Iria tornar-me adulto, depois rumei a outras paragens, não regressei com o meu pai ao futebol - nem em pensamento. Até agora, mal soube que o Artur perdera a  última partida no traiçoeiro campeonato da vida.

Voltei a abrir a velha caderneta, desenterrei os autógrafos do pó do arquivo, imaginei-me a falar com uma remota voz infantil. E senti que o Pai me escutava, de polegar erguido, apaziguando todos os meus receios: “Tenho a certeza de que vamos vencer.”

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Mais um atentado.

por Luís Menezes Leitão, em 26.07.16

Hoje foi mais um atentado, agora em Rouen, em relação a um padre que rezava a missa, e que foi degolado por assaltantes pertencentes ao Estado Islâmico, em frente aos seus fiéis. Um acto de barbárie e ódio só comparável aos tempos do nazismo. Mas pelos vistos na Europa vai tudo continuar em estado de negação. Até quando os dirigentes europeus persistirão em ignorar que a Europa vive uma verdadeira guerra religiosa, declarada por fanáticos, que não hesitarão em combater até á morte contra os valores europeus? Ontem as pessoas em França tinham medo de ir a espectáculos públicos. Hoje passaram a ter medo de entrar numa igreja. Lentamente o Estado Islâmico vai destruindo a Europa, perante a complacência dos governantes europeus.

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Música recente (12)

por José António Abreu, em 26.07.16

Andrew Bird, álbum Are You Serious.

O homem do violino regressou com um excelente álbum, cheio de irreprimíveis melodias (um exemplo) e deliciosas experiências, entre as quais se inclui este dueto com a sublime (não apenas não exagero nos adjectivos como este não faz justiça a) Fiona Apple. 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.07.16

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O Destino Turístico, de Rui Zink

Novela e contos

(Edição Teodolito, 2015)

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 26.07.16

Ao Sapo 24.

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RH Music Box (177)

por Rui Herbon, em 26.07.16

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Autor: Prince

 

Álbum: HiTnRUN Phase One (2015)

 

Em escuta: June

 

 

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 25.07.16

«Algumas estrelas do comentário padecem de curto-circuito neuronal. Só isso pode explicar as reacções estapafúrdias aos acontecimentos de Munique: primeiro, quando se imaginava que se tratava de uma réplica de Paris ou Nice, pedindo ao público para não cair na ‘esparrela da islamofobia’; depois, vislumbrando na identidade alemã do assassino uma filiação (que não se comprovou) de extrema–direita, dando largas à homilia do costume sobre o perigo do liberalismo. Não passa por nenhuma dessas pobres cabeças que a reacção contra o terrorismo só pode ser a condenação.

Tal como o nazismo e o comunismo exigiam uma dimensão global para os seus territórios, também o islamismo reivindica todo o planisfério como raio de acção. Ainda não havia identidade do maluquinho de Munique, já o Estado Islâmico matava 80 no Afeganistão e deixava assinatura. Mas o Afeganistão é longe, pensam os mesmos que escreveram que não se podem condenar Boko Haram com argumentos ocidentais, para não ‘diabolizar’ África. O mundo está perigoso, mas os neurónios do relativismo já eram perigosos há muito.»

Francisco José Viegas, no Correio da Manhã

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Li esta notícia ontem. Anuncia que Portugal terminou os Primeiros Jogos da Trissomia, em Itália, com 33 medalhas, seis delas de ouro, numa espécie de Olimpíadas que juntaram cerca de 750 competidores de 36 países.

Confesso que a princípio achei que estava no meio de um skech dos Gato Fedorento, tipo ah e tal, agora até os trissómicos portugueses são melhores do que os outros, querem lá ver. Mas depois pareceu-me óbvio o motivo que está por detrás deste sucesso.

Portugal é um dos países mais avançados em termos de integração. Neste momento, virtualmente todas as crianças com trissomia 21 frequentam sistema regular de ensino. E, a par com isso, praticam actividades em ambiente não exclusivo. Lá vão para a natação, para o judo, para os escuteiros, para o pingue-pongue, para a ginástica, ou seja lá para onde for, treinar em conjunto com crianças perfeitamente normais.

Isto torna a fasquia alta. Faz com que cada um deles, não obstante as suas dificuldades, se paute pela normalidade.

E este ambiente, que só é possível porque quer os pais, quer os treinadores, acreditam que eles são capazes, faz com que consigam realmente superar qualquer expectativa. É este ambiente que faz deles campeões.

Na maior parte dos países, mesmo nos mais avançados, estas crianças são colocadas em ambientes exclusivos. É perfeitamente defensável dizer que há vantagens nessa opção: trabalham com professores mais preparados, fazem desporto adaptado às suas dificuldades e convivem na maior parte do seu tempo com os seus pares. Mas, do meu ponto de vista, são menos desafiados. É como se criássemos escolas para crianças tímidas para não correrem o risco de sofrerem bullying. Seria certamente mais confortável, mas muito menos enriquecedor na preparação para a vida.

Como tenho um projecto de vida para a minha filha, que passa por muito mais do que assumir a sua deficiência e cruzar os braços, defendo ferozmente a integração.

Quero para ela o que quero para os outro filhos: que seja autónoma e feliz. Sei que, no caso dela, a rota é diferente e que vai tendo de ser adaptada. Mas tenho a certeza de que se não a puser a olhar para cima, ela não vai saber onde tem de chegar.

 

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As melhores praias portuguesas (40)

por Pedro Correia, em 25.07.16

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Tróia (Grândola)

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O nível estratosférico de Steve Vai

por Alexandre Guerra, em 25.07.16

SV-hair-up.jpegCom excepção de um ou outro site especializado, a passagem de Steve Vai por Portugal (primeiro no Sábado à noite, no CCB em Lisboa, e ontem no Hard Club do Porto) passou despercebida nos meios noticiosos, o que, por si só, é revelador dos critérios e sensiblidades dos jornalistas e editores de Cultura que, muitas vezes, denotam um certo estilo presunçoso e até arrogante de quem só escreve para "elites" ou "amigos" seguidores das tendências urbanas. Steve Vai não é seguramente um produto de tendência, que tenha lugar num dos muitos acontecimentos pseudo-culturais ou festivais da "moda" que, cada vez mais, parecem feiras de activação de marcas, onde, pelo meio, algumas bandas e artistas lá vão tocar (passe o exagero). Seja como for, a julgar pelas audiências, as pessoas parecem gostar. Mas, a questão é precisamente essa: gostar do quê? Do artista ou apenas de uma experiência social com música à mistura? Cada vez mais fica-se com a ideia de que nestes festivais a música deixou de ser o fim último, ou seja, a arte sagrada que exige total atenção e focagem. É tanto o ruído sonoro e visual, são tantas as distrações laterais, que muitas das vezes acabam por desvirtuar aquilo que devia ser uma experiência quase mística entre o público e o artista. Admito que, nos tempos que correm, seja apenas uma minoria a viver e ouvir música dessa maneira, como quem vai a um museu e gosta de estar alguns minutos em silêncio a contemplar um quadro ou como quem vai ao cinema e gosta de estar a ver um filme sem o irritante ruído das pipocas ao lado.  

 

Festivais sempre houve, mas aquilo que dantes era tido como uma espécie de homenagem à música, hoje está a transformado num evento multifacetado. Ainda recentemente no NOS Alive (uma autêntica cacofonia), no tão aguardado concerto dos Radiohead, isso era tão evidente. Para quem conhece minimamente aquela banda, já se antecipava que aquilo não ia correr bem, apesar de esgotadíssimo há meses. A questão é que não era ali o seu espaço, naquela envolvente, com aquele formato. Estranho, aliás, que uma banda como os Radiohead, tão crítica da indústria e tão zelosa da sua arte, "ceda" nesses princípios e se atire para um palco e para um espaço que em nada favorece a sua música.  Nesta fase da vida dos Radiohead, pedia-se algo mais intimista, mais fechado, mais técnico, mais virtuoso... Pedia-se arte superior. Provavelmente, para muitos ou até para a maioria dos presentes nos NOS Alive, o concerto foi espectacular, mas aqui estão, provavelmente, a falar mais alto as emoções e as sensações, porque a verdade é que o concerto não foi bom e nem sequer o som estava num nível que considero aceitável. Mas, nestas coisas não há formas correctas ou incorrectas de se ouvir música. Cada um vê e ouve o que quer e como quer. No que me toca, admito que a música é uma arte demasiado importante para que seja desvirtuada quer pelo ambiente que a rodeia, quer pelo próprio artista que a interpreta. 

 

E isto traz-nos novamente a Steve Vai, que é um daqueles músicos que não cede em nada quando se trata de apresentar ao público a sua arte. É daqueles músicos que, apesar de toda a imagem que cultiva à sua volta, quando vai para cima de um palco o que conta é a forma, a técnica, a virtuosidade da sua guitarra e dos músicos que o acompanham. Tornou-se uma figura incontornável na cena musical, sobretudo depois de ter lançado o estratosférico álbum "Passion and Warfare", que agora celebra 25 anos e que, pela primeira vez, o guitarrista apresenta ao vivo. Foram mais de duas horas de guitarradas e de batidas, por vezes, bem pesadas, mas num ambiente limpo de ruído, sem néons ou barraquinhas, sem marcas ou brindes. Eram só os músicos e o público, num palco sem adereços e numa sala feita de propósito para apreciar música e arte. Steve Vai foi ovacionado de pé por duas ou três vezes no Grande Auditório do CCB e no final todos foram para casa com o privilégio de terem assistido a um concerto virtuoso e estrondoso, o que só se podia esperar de um dos melhores guitarristas do mundo. Outro nível, portanto.

 

 

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Estes também merecem comendas (actualizado)

por Pedro Correia, em 25.07.16

Portugal conquista sete medalhas na Taça do Mundo de Canoagem.

 

Primeira medalha portuguesa de natação ao fim de 31 anos.

 

Katarina Larsson, do Sporting, campeã europeia de triatlo.

 

Surfista portuguesa Teresa Bonvalot campeã europeia de juniores

 

Ciclismo: Ivo Oliveira sagra-se vice-campeão europeu de perseguição.

 

Dupla portuguesa campeã do mundo de vela.

 

Portugal sagra-se vice-campeão mundial de atletismo T21.

 

Filipe Santos conquista medalha de ouro europeia em natação adaptada.

 

Nadadora júnior Diana Torres: recordes do mundo e da Europa.

 

Ricardo Silva Pires vence medalha de ouro internacional em ténis de mesa.

 

Portugal vence campeonato internacional de columbofilia.

 

Moscatel roxo de Setúbal traz título mundial para o nosso país.

 

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Profetas da nossa terra (72)

por Pedro Correia, em 25.07.16

«A Alemanha é a grande favorita à vitória final no Europeu.»

Rui Santos, SIC Notícias, 3 de Julho de 2016

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.07.16

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As Vozes do Rio Pamano, de Jaume Cabré

Tradução de Jorge Fallorca

Romance

(Edição Tinta da China, 2.ª ed, 2016)

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RH Music Box (176)

por Rui Herbon, em 25.07.16

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Autor: P.J. Harvey

 

Álbum: The Hope Six Demolition Project (2016)

 

Em escuta: A Line In The Sand

 

 

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Fotografias tiradas por aí (303)

por José António Abreu, em 24.07.16

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Porto, 2004.

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As melhores praias portuguesas (39)

por Pedro Correia, em 24.07.16

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Vigia (Sintra)

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 24.07.16

«Já está em estudo a criação de um guichet para recepção de comendas no Palácio de Belém. Além disso, e para maior comodidade dos laureados, serão criados postos nas Lojas do Cidadão. Bastará entregar o comprovativo do prémio alcançado e na hora, repito na hora receberá a comenda em troca. Simplex.»

Do nosso leitor José Leite. A propósito deste meu postal.

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A memória é uma vasta ferida

por Pedro Correia, em 24.07.16

 

"Escucho con mis ojos a los muertos

Y vivo en conversación con los difuntos."

Quevedo

 

O Chico cantautor, sem dimensão de prosador, sem estatura para abraçar a chamada ‘grande literatura’, é um lugar-comum que se vai desfazendo de livro para livro. Que começou a desfazer-se logo na obra literária em que se estreou como romancista – Estorvo (1990). Francisco Buarque de Holanda, o Chico que nos seduziu com tantas canções inesquecíveis desde os anos 60, é hoje um escritor de primeiro plano no Brasil. E é mais que isso: tornou-se um dos autores imprescindíveis da literatura contemporânea de expressão portuguesa. As suas qualidades literárias, patentes em títulos como Benjamim (1995) e Budapeste (2003), são ainda mais evidentes no seu quarto romance: Leite Derramado. Uma obra em que Chico Buarque utiliza toda a requintada técnica de escrita que desenvolveu em décadas de autor de canções, aperfeiçoando-a ao máximo. Cada parágrafo, cada frase, cada jogo de palavras têm uma musicalidade perfeita. O autor de Ópera do Malandro domina o idioma como poucos: com ele, a língua portuguesa atinge uma plasticidade única.

 

Leite Derramado fala-nos do drama de uma sociedade de gente surda, em que ninguém tem tempo ou paciência para escutar a voz de um velho cheio de histórias para contar. Esse velho, já centenário, chama-se Eulálio Montenegro d’ Assumpção e cultiva memórias de um Rio de Janeiro que há muito deixou de existir. Descendente de portugueses, é um vulto da aristocracia carioca de outros tempos cuja biografia só confirma uma frase que costumava ouvir em criança na defunta mansão familiar de Copacabana: “Pai rico, filho nobre, neto pobre.”
É um livro de sombras – contrastando com o proverbial sol do Rio – que nos aponta uma verdade essencial: “A memória é uma vasta ferida.” Um livro sulcado por uma magoada nostalgia ao sabor dos contínuos saltos cronológicos da personagem principal – afinal, num certo sentido, personagem única mergulhada em prolongado monólogo que tem o leitor da obra como interlocutor exclusivo. “Se com a idade a gente dá para repetir certas histórias, não é por demência senil, é porque certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida.”
 
É um livro que nos transporta ao Rio de Machado de Assis, com quem Chico Buarque estabelece um curioso diálogo literário, como sublinhou o crítico brasileiro Heitor Ferraz: tal como em Memórias Póstumas de Brás Cubas, também aqui "aparentemente não acontece nada" nem "nenhuma narrativa se estabelece como determinante". Chico Buarque encadeia as frases como se fossem um fluxo contínuo de pensamentos desordenados. Mas resistindo sempre às armadilhas da literatice e dos efeitos retóricos: raros romancistas têm um ouvido para a escrita como o autor de Leite Derramado. A voz do velho Eulálio, com uma patine secular, é totalmente credível na sua elegância ultrapassada, com um requinte antigo e fora de moda: já ninguém fala hoje assim num Brasil obcecado pela ‘modernidade’.
“Muitos se detêm para escutar minhas palavras, mesmo que não alcancem seu sentido, mesmo quando o enfisema me sufoca e mais arquejo que falo”, confessa o velho Eulálio, retido numa cama de hospital – o seu último paradeiro. Com ele, morrerá o último vestígio de uma época em que um conjunto de homens de cartola não podia ser confundido com um congresso de mágicos. Mas, paradoxalmente, Eulálio está afinal condenado a sobreviver. Como uma das melhores personagens da moderna literatura da língua portuguesa.
 
............................................................... 
Leite Derramado, de Chico Buarque (Dom Quixote, 2009). 223 páginas.
Classificação: *****

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.07.16

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O Monge que Vendeu o seu Ferrari, de Robin Sharma

Tradução de Tânia Ganho

Fábula espiritual

(Edição Pergaminho, 2.ª ed, 2015)

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Blogue da semana

por Fernando Sousa, em 24.07.16

Foi pelo Dá Fala que soube que James “Blood” Ulmer, esse guitarrista maior do jazz, vinha a Lisboa. Podia ter sido pelos jornais ou a agenda da câmara, mas foi pelo Dá Fala, um blogue de cultura contemporânea africana cheio de música, artes plásticas, literatura, teatro ou cinema, que espreito com a regularidade possível. Abram-no, vão gostar. E já agora passeiem pela Buala, a plataforma onde está alojado. Boas viagens. 

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RH Music Box (175)

por Rui Herbon, em 24.07.16

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Autor: Lalo Schifrin

 

Álbum: Dirty Harry Original Score (1971)

 

Em escuta: The School Bus

 

 

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Realidades paralelas

por Luís Naves, em 23.07.16

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A frase:

“Seria uma aventura referendária (...) e por isso inadmissível para o Presidente da República, seja um referendo sobre a pertença à Europa ou um referendo sobre a vinculação a tratados ou pactos celebrados no quadro europeu”.

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República

21 de Julho de 2016

 

O post

Reflexão sobre Donald Trump e a sua imagem nos meios de comunicação, por José Mendonça da Cruz, em Corta Fitas

 

O livro:

Amor de Salvação, de Camilo Castelo Branco

Este romance de 1864 foi escrito após alguns dos melhores livros de Camilo, como Amor de Perdição ou O Bem e o Mal. O narrador (o próprio Camilo, claro) ouve o relato de uma paixão antiga de um fidalgo que reencontra por acaso, anos depois dos factos. É a história de um adultério, de um amor proibido, com os habituais mal-entendidos e desencontros dos amantes. Camilo parece recear o tema e, após algumas divagações moralistas, o amor pecaminoso transforma-se num labirinto de ódios e termina no tal amor de salvação que redime a alma perturbada do protagonista. A personagem de Teodora é um dos modelos de mulher camiliana: nunca percebemos bem a sua motivação, a infidelidade é demasiado conveniente, não percebemos por que razão ela desiste do amante, é demasiado bela, exerce demasiado poder, é a perdedora, torna-se perversa e perigosa. Talvez esta seja apenas a versão do homem que desistiu do amor e Camilo não se interessa pelo que aconteceu à mulher da história. Naturalmente, está lá tudo o resto: a prosa esfuziante, as frases esculpidas, o ritmo que leva tudo à frente, o génio das novelas de Camilo.

 

A semana

Domingo, 17 de Julho de 2016

Excelente artigo no jornal El Pais sobre o crescente movimento de partidos insurgentes na Europa. Não concordo com todas as escolhas (a inclusão do Fidesz húngaro, como se vê na tabela; e, no caso português, falta o PCP), mas é mesmo assim o trabalho mais completo que já vi sobre este tema. A análise tem aspectos interessantes, por exemplo a constante do anti-americanismo ou o número surpreendentemente elevado de formações que contestam a participação dos respectivos países na Aliança Atlântica. Em relação a Portugal, segundo sugere o gráfico, os partidos que cabem neste conceito de rebelião anti-sistema não estão abaixo de 10% da votação, mas na realidade eles rondam 20%, que é provavelmente a média europeia (temos de somar os comunistas e os bloquistas). A média está talvez a subir, não apenas em Portugal, mas nos outros países analisados. Não parece tão acertada a contabilização no caso dos países de leste, onde a insurreição terá a dimensão típica, em redor de um quinto do eleitorado. Independentemente dos exageros ou erros, tudo indica que as próximas eleições europeias vão criar um Parlamento Europeu pouco interessado na fórmula actual. Já este ano veremos cenas dos próximos capítulos na Áustria e no referendo constitucional italiano. Em 2017, teremos novos episódios, com a Frente Nacional, Geert Wilders e a Alternativa para a Alemanha. Serão os grandes testes desta insurreição e já veremos até onde ela irá.

 

Segunda, 18 de Julho de 2016

A propósito do tema anterior, o Observador publicou esta notável entrevista ao historiador e autor britânico Timothy Garton Ash, onde se encontram reflexões sobre o Brexit, Donald Trump e o enorme movimento que poderemos definir como vaga iliberal. A entrevista inclui uma aparente contradição de Garton Ash: por um lado, o autor está convicto da superioridade do sistema liberal; por outro lado, reconhece que o período de globalização que se seguiu à queda do Muro de Berlim provocou grandes descontentamentos. Ash fala também do que viu durante a campanha do referendo britânico, na sua região de Oxford, ao encontrar pessoas zangadas com o sistema, temendo perder empregos para imigrantes de leste e que criticavam os vizinhos: banqueiros, oligarcas russos e milionários chineses. Na mesma cidade, viviam vencedores e perdedores da globalização. A entrevista sugere que no mundo industrializado emerge uma viragem ideológica empurrada pelo descontentamento dos perdedores. Esta transformação está presente em cada uma das notícias que vemos diariamente, dos atentados do jihadismo à convenção republicana nos Estados Unidos, da emergência de insurreições partidárias à votação no referendo britânico. Também parece que alguns liberais estão a cair na mesma ilusão que no passado embalou os defensores de outras ideologias: que o seu sistema era tão perfeito e vantajoso, que seria o fim da história.

 

Terça-feira, 19 de Julho de 2016

A sequência de más notícias na economia começa a ser preocupante. A incerteza em relação à Caixa Geral de Depósitos não faz sentido e o sistema financeiro parece andar sobre gelo fino, a ponto de o FMI ter incluído a pequena banca portuguesa no lote dos problemas que a organização detectou. No sábado passado, o Expresso noticiava que o crédito malparado, em 2015, seria superior a 33 mil milhões de euros, ou quase 13% do total. O mesmo jornal referia que a poupança das famílias foi negativa pela primeira vez no primeiro trimestre de 2016 (a série tem 40 anos), pois os gastos cresceram dez vezes mais do que o orçamento familiar, uma loucura. Em Maio, o saldo da balança corrente foi um dos mais negativos da Europa (940 milhões de euro, na realidade o pior em percentagem de PIB) e é um susto olhar para o gráfico incluído neste post de Mário Amorim Lopes. Em resumo, tudo isto sugere que os políticos deram os sinais errados à população, que houve excesso de optimismo e falsas promessas de que a crise tinha acabado. O essencial do problema está bem explicado neste texto de Sérgio Figueiredo: o crescimento económico é insuficiente. O Governo queria estimular a economia desapertando o cinto, mas a economia abrandou, não há confiança dos investidores e credores, não há poupança, os bancos estão a perder depósitos, as pessoas desataram a consumir e a balança externa degradou-se. A Europa sabe que as contas públicas foram afectadas por erros desnecessários, a política interna exige que esses erros prossigam, isto é como aquelas bebedeiras eufóricas, que já não param até ao momento da ressaca.

 

 

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As melhores praias portuguesas (38)

por Pedro Correia, em 23.07.16

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Falésia (Albufeira)

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O céu a seu dono

por Ana Vidal, em 23.07.16

"O Mike, como o tratam todos os que fazem parte desta história, morreu antes de pintar aquele teto, que projetou. Pintaram-no muitos por ele, como terá acontecido na Capela Sistina. Hoje, aquele é "o céu do Mike", que faz de Santa Isabel uma igreja a céu aberto, prodigiosamente pintado. A abóbada - aqueles agora 800 m2 pintados a 20 metros do chão - está terminada. Atrás do sacrário, está a maquete, essa sim ainda pintada por Biberstein."

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.07.16

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O que nunca um adulto te disse, de Ana Amorim Dias

Auto-ajuda

(Edição Guerra & Paz, 2016)

"Este livro não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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RH Music Box (174)

por Rui Herbon, em 23.07.16

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Autor: Robbie Basho

 

Álbum: The Seal Of The Blue Lotus (1965)

 

Em escuta: Bardo Blues

 

 

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Os que "compreendem" o terror

por Pedro Correia, em 22.07.16

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Um brutal morticínio em Nice, há oito dias, provocou 84 mortos e 330 feridos. Hoje é Munique que está em estado de choque: um novo atentado terrorista, desta vez num centro comercial, terá causado dezena e meia de vítimas mortais. O estado de emergência foi decretado na capital da Baviera, a rede de transportes públicos está suspensa e a chanceler Angela Merkel convocou uma reunião extraordinária do Governo alemão.

Vivemos dias e noites de pesadelo um pouco por toda a Europa. O espectro do terror já se instalou no quotidiano do continente. O nosso modo de vida alterou-se - e assim permanecerá por muito tempo.

Nenhum país está imune a ele.  

 

Nem a França, que se opôs tenazmente à invasão do Iraque em 2003, nem a Alemanha, que tem estado na primeira linha do auxílio humanitário aos refugiados sírios e nunca enviou forças militares para o Médio Oriente. O que basta para desmentir qualquer alegação política para os actos criminosos e contraria certos Savonarolas sempre prontos a exigir a expiação dos pecados do Ocidente enquanto supostos porta-vozes da boa consciência europeia.

Savonarolas como Boaventura Sousa Santos, que enquanto estávamos todos ainda sob o efeito do choque provocado pelas rajadas homicidas no Charlie Hebdo escrevia estas inacreditáveis linhas no Público: "A extrema agressividade do Ocidente tem causado a morte de muitos milhares de civis inocentes (quase todos muçulmanos) e tem sujeitado a níveis de tortura de uma violência inacreditável jovens muçulmanos contra os quais as suspeitas são meramente especulativas, como consta do recente relatório presente ao Congresso norte-americano. É sabido que muitos jovens islâmicos radicais declaram que a sua radicalização nasceu da revolta contra tanta violência impune."

Savonarolas como Pablo Iglesias, que horas após a tragédia de Nice justificava com frios argumentos políticos o brutal assassínio que indignou o mundo: "O que alimenta o Daeh é a situação catastrófica no Iraque e a guerra na Síria. A Europa nem sempre actuou com sensatez nem com sentido estratégico nestes conflitos, que de algum modo constituem o combustível que alimenta o Estado Islâmico."

 

A história da "destruição do Iraque", sempre invocada quando há atentados terroristas na Europa, equivale a dizer que as vítimas inocentes destes atentados "estavam mesmo a pedi-las".

Equivale também a considerar vítimas os assassinos. Porque estarão apenas a vingar o que os desprezíveis dirigentes ocidentais fizeram ao Iraque.

Essa é a lógica hitleriana do olho por olho, dente por dente. Hitler conquistou metade da Europa, espezinhando-a e escravizando-a, para vingar as humilhações sofridas pela Alemanha no Tratado de Versalhes. Alegava ele. E muitos concordaram.

 

Quando estabelecemos uma espécie de equivalência moral entre carrascos e vítimas os nossos padrões éticos invertem-se. Se este princípio do "olho por olho" fosse válido na comunidade internacional, os japoneses deviam lançar bombas nucleares em duas cidades americanas e o Estado de Israel devia executar seis milhões de alemães em câmaras de gás.

Os Savonarolas estariam na primeira fila a compreender e caucionar tais gestos.

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As melhores praias portuguesas (37)

por Pedro Correia, em 22.07.16

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Albandeira (Lagoa)

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Já li o livro e vi o filme (141)

por Pedro Correia, em 22.07.16

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A DAMA DO LAGO

Autor: Raymond Chandler (1943)

Realizador: Robert Montgomery (1947)

Chandler, usando o seu método habitual, fundiu vários contos num romance de enredo labiríntico. O filme - de e com Robert Montgomery - é um dos melhores do cinema noir. Com a câmara a funcionar como o olhar do detective, Philip Marlowe.

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Música recente (11)

por José António Abreu, em 22.07.16

Big Thief, álbum Masterpiece.

O título será excessivamente ambicioso mas o primeiro álbum deste quarteto de Brooklyn é um raio de sol num mundo que parece degustar raiva e cinismo.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.07.16

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O Livro, de Zoran Živković

Tradução de Rita Carvalho e Guerra

Novela

(Edição Cavalo de Ferro, 2016)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 22.07.16

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Caroline Ducey

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RH Music Box (173)

por Rui Herbon, em 22.07.16

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Autor: Filho Da Mãe

 

Álbum: Cabeça (2013)

 

Em escuta: Não Te Mexas

 

 

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As melhores praias portuguesas (36)

por Pedro Correia, em 21.07.16

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Vale do Lobo (Loulé)

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O massacre que o Islão nunca esqueceu

por Alexandre Guerra, em 21.07.16

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A propósito do texto do Diogo, As Jihads, e do intenso e profícuo debate que suscitou na respectiva caixa de comentários, lembrei-me de um texto que há uns anos tinha escrito no blogue Forte Apache e que aqui me parece apropriado recuperar para quem tenha interesse por estas temáticas. Na altura, isto em Setembro de 2011, tinha comprado um daqueles pequenos livros da Penguin, de sensivelmente 60 páginas, com extractos da extensa obra “A History of the Crusades” (Cambridge University Press, 1951) do conceituado historiador britânico “Sir” Steven Runciman, falecido em 2000, com 97 anos. Tendo dedicado parte da sua vida ao estudo da Idade Média, Runciman teve em “A History of the Crusades” a sua grande criação, que ainda hoje é um farol para aqueles que pretendem debruçar-se sobre o conhecimento das incursões cristãs no Médio Oriente.

 

O tal pequeno livro da Penguin, de forma muito sucinta e clara, versa sobre os preparativos da Primeira Cruzada e o “assalto” a Jerusalém, sem esquecer os conturbados acontecimentos que se verificaram em Constantinopla e noutras cidades durante a jornada. Começa por ler-se sobre o entusiasmo e o apelo às armas do Papa Urbano II, no final do Verão, início de Outono de 1095, altura em que começa o movimento inspirador das Cruzadas. Da mobilização ao envio dos primeiros cruzados passaram poucos meses, para que se iniciasse um processo de violência desenfreada numa lógica da Cristandade contra todos (judeus, turcos, muçulmanos), incluindo contra os "irmãos" cristãos espalhados pelo Império Bizantino.

 

As atrocidades e a violência cometidas em nome da Fé durante a Primeira Cruzada, nomeadamente aquando do assalto e do massacre de Jerusalém em Julho de 1099, levaram Runciman a encontrar resposta para a questão primeira sobre a origem do conflito entre o Cristianismo e o Islão e que se perpetuou até aos dias hoje, afirmando que “o banho de sangue foi a prova do fanatismo cristão que recriou o fanatismo do Islão”.

 

O interessante nesta pequena passagem da obra de Runciman é ficar expressa a ideia de que a origem doutrinária da inimizade que persiste nos tempos modernos entre o Islão e o Cristianismo remonta à Primeira Cruzada, fazendo uma distinção com os séculos anteriores de expansão árabe. Runciman centra-se, antes, em episódios concretos de uma política papal e europeia expansionista na qual os fins justificaram todos os meios de violência.

 

Aquilo que é hoje o ressentimento doutrinário e ideológico do Islão contra o estilo de vida das sociedades ocidentais de herança cristã pode ter origem nos acontecimentos dramáticos naqueles dias de Julho de 1099 que se seguiram à conquista de Jerusalém, quando no interior das muralhas daquela cidade os cruzados eufóricos com a sua vitória invadiram ruas, casas, mesquitas e sinagogas, não poupando homens, mulheres e crianças muçulmanas e judaicas.

 

Raymond of Aguilers, um dos cronistas da Primeira Cruzada e que na manhã a seguir ao massacre (15 de Julho) chegou ao Pátio das Mesquitas (principal local sagrado muçulmano na cidade histórica de Jerusalém), conta que viu o chão coberto de corpos e de sangue que chegava até aos seus joelhos. O massacre de Jerusalém impressionou o mundo, desconhecendo-se o número de vítimas, falando-se em milhares. Certo foi que a cidade ficou sem muçulmanos e judeus. Mesmo entre alguns cristãos, aqueles acontecimentos causaram horror. Perante estes acontecimentos, Runciman relembra que mais tarde, quando alguns sábios religiosos do quarteirão latino em Jerusalém “tentaram encontrar alguma base na qual cristãos ou muçulmanos pudessem trabalhar juntos, a memória do massacre estava sempre no seu caminho”.

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Profetas da nossa terra (71)

por Pedro Correia, em 21.07.16

«Acho que Marcelo Rebelo de Sousa já desistiu de ser Presidente da República.»

Francisco Louçã, Março de 2003

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Em política, o que aparece é

por Pedro Correia, em 21.07.16

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Eu gostaria de ver a política imitar o melhor do futebol. Afinal por cá vejo o futebol a imitar o pior da política. Não o futebol jogado, note-se. Refiro-me ao futebol falado. Ultimamente o espaço do comentário futebolístico nas televisões tem sido invadido por dirigentes, treinadores e funcionários de clubes, numa réplica do espaço habitual do comentário político, hoje parasitado por deputados de todos os partidos.

Tanto os comentadores-dirigentes como os comentadores-deputados são parte interessada em tudo quanto comentam. Cada frase que proferem deve ser entendida no contexto das suas ambições pessoais e das suas legítimas expectativas: a meritocracia em Portugal mede-se pelo número de aparições nos ecrãs televisivos, que funcionam como passaporte automático para patamares cada vez mais elevados.

Na política, nada disto é novo. Em 2002, Emídio Rangel convidou Pedro Santana Lopes e José Sócrates para formar um duo de comentadores na RTP: dois anos depois emergiam ambos como líderes dos dois principais partidos, tendo ascendido à chefia do Governo. Em 2007, pela inefável mão de Pacheco Pereira, António Costa iniciou-se como comentador regular da SIC Notícias: estava lançada a sua candidatura à liderança do PS. Em vez de mergulhar no Tejo, como sucedera a Marcelo Rebelo de Sousa em 1989, mergulhou na telepolítica. Terá engolido alguns sapos, mas pelo menos evitou engolir salmonelas.

De resto, o percurso do actual Presidente da República, construído essencialmente nas últimas duas décadas como comentador alternado de um canal privado e do canal público, confirma esta estreita ligação entre a ascensão política e os holofotes televisivos. Mas Marcelo é Marcelo - um caso à parte no plano comunicacional. Ouvi-lo era um hábito irresistível, por mais que discordássemos do seu tom ou do seu estilo.

Algo muito diferente é assistir ao penoso desfile de deputados que marcam os serões televisivos nos canais noticiosos. Com raras excepções, nada mais têm a debitar do que umas solenes vacuidades, confrangedoras na forma e despojadas de conteúdo. Tanto lhes faz, desde que consolidem o território na respectiva trincheira. Podem todos proclamar-se fiéis ao lema dos novos tempos: em política, o que aparece é.

Eu já evito escutá-los - desde logo porque sei tudo quanto dirão ainda antes de abrirem a boca. Mas não cesso de me espantar quando vejo que as televisões abdicam cada vez mais dos seus próprios comentadores para cederem tempo de antena à confraria dos deputados.

Agora está a acontecer algo semelhante no reduto do comentário futebolístico, cada vez mais confiado aos representantes das confrarias dos dirigentes e dos treinadores. Também aqui só quem aparece é. Saiba ou não saiba falar, tenha ou não tenha coisas originais para dizer, saiba distanciar-se ou não de rancores e ódios pessoais que lhe contaminem o discurso.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.07.16

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Cântico Final, de Vergílio Ferreira

Romance

(Reedição Quetzal, 2016)

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Uma espécie de casa dos segredos

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.07.16

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Primeiro saiu o malfadado artigo da New Yorker que deixou o vendedor de banha da cobra a espumar, a que logo se seguiram as ameaças. Depois veio aquele discurso na Convenção Republicana da barbie Trump que deu origem ao hilariante comunicado de Meredith McIver. Ficámos então a saber que não só houve plágio, o que até aí todos negaram, como lá bem no fundo aquela tropa de matronas, agentes imobiliários e pregadores é admiradora dos democratas. É claro que aquilo não é o Watergate, mas como escreve Ryan Lizza, estes episódios esclarecem muita coisa. Quem não esteve pelos ajustes foi Ted Cruz. E o caso não é para menos, porque com um circo na estrada onde não falta rapaziada como Chris Cox, estou convencido de que Hillary Clinton só não vencerá folgadamente se der uma conferência de imprensa em topless. Oxalá que ninguém se lembre de lhe propôr isso. Para pior já basta assim.  

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