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Boyhood na história do cinema

por André Couto, em 22.12.14

Boyhood é um filme que não vai andar nas bocas do mundo, é uma produção discreta, refinada, com orçamento baixo, condenada a não gerar grande receita de bilheteira. Mais um motivo para falar dele.

É produto do genial Richard Linklater e segue, em grande medida, o formato já adoptado na trilogia "Before Sunrise", "Before Sunset" e "Before Midnight", na medida em que foca o relacionamento humano com uma atenção sobre o amadurecimento das relações e o efeito do tempo. Tempo, aliás, é a palavra chave deste filme, que foi filmado em pequenos períodos ao longo de doze anos, durante os quais a evolução natural dos personagens foi acompanhando a narrativa, como retratado nesta imagem. 

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Não há, assim, cortes artificialmente induzidos, efeitos especiais ou máscaras. A evolução física é a evolução natural que registaram nas suas vidas e isso confere uma envergadura única ao filme. Envergadura também obtida em tudo o que é evolução do clima envolvente, a banda sonora que vai acompanhando hits dos últimos anos, passando de Sheryl Crow a Coldplay, a evolução dos computadores da Apple, começando com um dos primeiros iMacs e terminando com um MacBook, entre muitos pormenores históricos e políticos, que não vou desvendar. Nada ao acaso, garanto.

Implicou isto que, um dia, em 2002, Linklater olhasse para o pequeno Ellar Coltrane, ao tempo com seis anos, lhe adivinhasse potencial como actor, uma evolução psicológica e intelectual no sentido pretendido, falasse com os pais, e lhe colocasse nas mãos o projecto de uma vida: a realização de um filme ao longo de doze anos, até que fizesse dezoito. É fácil imaginar a incerteza e o risco que um projecto destes representou, em termos artísticos e de evolução do pequeno Ellar. O resultado, felizmente para nós, doze anos decorridos, às portas de 2015, é fantástico. Este filme é obrigatório, batendo ao pontos todos os blockbusters que vão dominar o cinema natalício.

Qual o critério para que um filme figure na história do cinema? Orçamento? Audiências? Impacto nos media? Naipe de actores? Podemos discutir isto horas a fio. Sempre me interessou mais a alma com que é realizado e interpretado, a mensagem transmitida, a forma como o drama emerge do écran e nos suga para dentro da história. Boyhood tem isto tudo, encanta ao longo de mais de duas horas e entra na galeria mais restrita de filmes que revisitarei ao longo dos anos.

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Frases de 2014 (34)

por Pedro Correia, em 22.12.14

«Não somos [os políticos] todos iguais.»

Pedro Passos Coelho

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.12.14

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O Meu Irmão, de Afonso Reis Cabral

Romance

Prémio Leya 2014

(edição Leya, 2014)

"Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990"

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As canções do século (1817)

por Pedro Correia, em 22.12.14

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Fotografias tiradas por aí (205)

por José António Abreu, em 21.12.14

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 Porto, 2013.

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Não pretendo de forma alguma fazer-vos esmorecer no vosso entusiasmo. Todavia, não posso deixar de salientar que só com grande dificuldade encontraremos outras formas de celebração tão desviadas da mensagem de frugalidade original.

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Blogue da semana

por Adolfo Mesquita Nunes, em 21.12.14

Sei bem que este espaço é para blogues e que não é blogue o que hoje venho destacar. Em minha defesa vos digo que o que hoje destaco já foi, e por bons anos, um blogue. Mas cresceu, acho que quase se multiplicou, e virou site. Não há mal nenhum em se ser site, digo eu, quando de um blogue se nasceu. E quando, talvez mais importante e por isso mesmo aqui em destaque, se não perdeu alguma da generosidade ou ingenuidade iniciais. Deixo-vos com Altamont, um dos melhores sites de música de que conheço. Podem lá ir sem medos.  

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Microconto de Natal lusitano

por Rui Rocha, em 21.12.14

Regressou agora por uns dias para passar as festas com a família. Há uns anos, quando entrou para a Faculdade de Engenharia, o pai disse-lhe que, se estudasse, iria muito longe. Tinha razão. No ano de 2014 trabalhou no McDonald´s de Edimburgo. 

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Nem tudo é mau

por Pedro Correia, em 21.12.14

A partir de agora os dias começam a ser maiores.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.12.14

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O Meu Amante de Domingo, de Alexandra Lucas Coelho

Romance

(edição Tinta da China, 2ª ed, 2014)

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É, de facto, muito difícil.

por Luís Menezes Leitão, em 21.12.14

 

É difícil ser liberal em Portugal (1), por Carlos Abreu Amorim.

É difícil ser liberal em Portugal (2), por Carlos Abreu Amorim.

É difícil ser liberal em Portugal (3), por Carlos Abreu Amorim.

"Já não sou um liberal. O Estado tem de ter força", Carlos Abreu Amorim.

 

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Leituras

por Pedro Correia, em 21.12.14

2014 09 15 - Resenha de Livro - A Oeste Nada de No

 

«Vemos o tempo a desaparecer ao nosso lado pelas caras descoradas dos moribundos; as nossas colheres metem os alimentos nos nossos corpos, comemos, atiramos granadas, fazemos fogo, matamos, estendemo-nos não importa onde, estamos extenuados e embrutecidos e apenas uma coisa nos sustém: é haver ainda mais extenuados, mais embrutecidos, mais desamparados que, com os olhos muito abertos, nos têm na conta de deuses, a nós que, às vezes, podemos escapar à morte.»

Erich Maria RemarqueA Oeste Nada de Novo (1929), p. 98

Ed. Publicações Europa-América, 1971. Colecção Livros de Bolso Europa-América, nº 4. Tradução de Mário C. Pires

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As canções do século (1816)

por Pedro Correia, em 21.12.14

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O sortilégio da literatura

por Pedro Correia, em 20.12.14

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Estas coisas nunca acontecem exactamente como as planeamos - aliás, os imprevistos fazem parte do fascínio da leitura.

No final do ano passado tracei um objectivo para 2014: só leria de Janeiro a Dezembro livros da autoria de escritores galardoados com o Nobel. Defini esta meta após concluir que apenas conhecia, enquanto leitor, menos de um terço desses autores: era uma lacuna que urgia colmatar.

 

As coisas correram como planeei, mas só em parte.

Este desafio que lancei a mim próprio foi-me útil, sem dúvida. Li pela primeira vez obras destes 11 escritores que receberam o Nobel: Pär Lagerkvist (vencedor em 1951), Juan Ramón Jiménez (1956), Günter Grass (1999), Anatole France (1921), Luigi Pirandello (1934), Kenzaburo Oe (1994), Ivo Andric (1961), Naguib Mahfouz (1988), Mikail Cholokov (1965), William Golding (1983) e Yasunari Kawabata (1968). Além disso li ou reli romances, novelas ou contos de outros escritores também galoardoados com o Nobel mas cuja obra já conhecia: José Saramago (distinguido em 1998), François Mauriac (1952), William Faulkner (1949) e Ernest Hemingway (1954).

 

Mas a dada altura quebrei a regra que impusera a mim próprio. E acabei por alterar o plano inicial, mudança de que não me arrependo. Como poderia? Sem ela, neste ano que agora acaba não me teriam passado pelas mãos livros de Chesterton, Cortázar, Jack London, Simenon, Ray Bradbury, Joseph Roth, Conrad, Cardoso Pires, Remarque, Rubem Fonseca, Graham Greene, Jane Austen, Virginia Woolf, Scott Fitzgerald e John Le Carré, entre vários outros.

Livros de autores que não se cruzaram com o Nobel, mas que contribuíram para prestigiar, dignificar e engrandecer a literatura. E que, à distância de décadas ou de séculos, mantêm o condão de nos emocionar, de nos dar asas, de nos rasgar horizontes, de nos ensinar a decifrar as encruzilhadas do mundo ou os abismos da alma humana.

 

Nunca considero perdida qualquer parcela do tempo que dou por mim rendido, enquanto leitor grato e arrebatado, ao infindável sortilégio da literatura.

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A mordaça

por Rui Rocha, em 20.12.14

O Expresso publica na edição de hoje as 81 perguntas que faria a José Sócrates se a Justiça tivesse autorizado a realização da entrevista ao antigo primeiro-ministro. Cada uma destas perguntas que ficou sem resposta constitui um verdadeiro rombo no princípio da liberdade de expressão. No processo José Sócrates esta é a primeira situação em que uma análise imparcial permite chegar à conclusão de que o arguido está a ver violados os seus direitos. A detenção pode ou não ter sido excessiva, as violações do segredo de justiça podem ou não ter origem no próprio arguido, a prisão preventiva pode ou  não ter sido necessária e adequada. Com os dados que temos, não sabemos. E assim como o sistema de Justiça deve presumir a inocência do arguido, devemos como sociedade, até prova em contrário, presumir a inocência do sistema de Justiça. No caso da entrevista é diferente. A pergunta essencial é a seguinte: que perigos adicionais para a investigação seriam introduzidos pelas resposta às 81 perguntas que não pudessem decorrer, por exemplo, do envio de cartas pelo arguido à comunicação social? Mensagens cifradas, propósitos de agitação social, proclamações de inocência, ameaças? Pois é. Não há nada que a entrevista pudesse ter que não possa igualmente constar de uma carta. É preciso unir os pontos das 81 perguntas sem resposta. Se o fizermos, a imagem que nos aparece é a de uma mordaça. Uma imagem intolerável num estado de direito. Na minha opinião, Sócrates é uma pessoa muito pouco recomendável e foi um péssimo primeiro-ministro. Exerço a minha liberdade de expressão ao afirmá-lo. Lamento profundamente que José Sócrates, sem qualquer fundamento que o justifique, esteja impedido de exercer a sua.

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 20.12.14

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Pedra d' Armas, de Tomaz de Figueiredo

Prefácio de Onésimo Teotónio Almeida

Organização e apresentação de Maria Antónia Figueiredo

Crónicas e textos dispersos

(edição Opera Omnia, 2014)

"A ortografia utilizada foi a original, por correcta vontade de meu Pai, e também minha" (Mª Antónia Figueiredo)

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O declínio do Ocidente.

por Luís Menezes Leitão, em 20.12.14

 

Tenho vindo a falar várias vezes da guerra das civilizações que me parece cada vez mais evidente a cada dia que passa. O que, no entanto, verdadeiramente me escandaliza é o declínio do Ocidente nesta nova guerra que se avizinha. Um dos factores mais preocupantes é a fraqueza com que o Ocidente defende os seus valores, entre os quais a liberdade de expressão e de imprensa. Um dos primeiros sintomas da força do Ressurgimento Islâmico foi a forma como o Ocidente reagiu ao livro de Salman Rushdie, The satanic verses, que indignou Khomeiny, lançando uma fatwa contra o seu autor. Na altura vários países ocidentais optaram por não publicar o livro, por receio de represálias, quebrando assim uma tradição da liberdade de imprensa. 

 

Agora, no entanto, o ataque foi ainda mais sério, com a Sony Pictures a abandonar a distribuição do filme The Interview, que satirizava o líder da Coreia do Norte, filme que já levou os chineses a acusar Hollywood de "arrogância cultural absurda". Não me espanta que os chineses acusem um filme de Hollywood desses epítetos, já que tenho a certeza que os alemães à época terão dito muito pior do filme de Charles Chaplin, The Great Dictator, que ridicularizava brutalmente Hitler.

 

A questão é que em 1938 quando toda a gente olhava para o lado perante a perseguição dos judeus na Alemanha, Charles Chaplin teve a ousadia de rodar um filme contra Hitler. Mais tarde, em 1940, Hollywood não hesitou em distribuí-lo, ainda os Estados Unidos não tinham entrado na guerra. Hoje pelos vistos a Sony Pictures termina a distribuição de um filme por o mesmo desagradar ao líder da Coreia do Norte e ter receio de represálias de hackers. Se alguém tinha dúvidas sobre o declínio do Ocidente, aqui está a prova irrefutável.

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As canções do século (1815)

por Pedro Correia, em 20.12.14

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O Meu Amante de Domingo

por Luís Naves, em 19.12.14

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Não conhecia a ficção de Alexandra Lucas Coelho, apenas as brilhantes reportagens e crónicas, mas depois de ler o seu mais recente romance, O Meu Amante de Domingo, não vou perder mais nenhum livro da autora. Trata-se de um texto dilacerado, cruel, comovente, com humor negro e sem contemplações na linguagem. Nenhum leitor lhe poderá ficar indiferente.

A história é simples: uma mulher de 50 anos, ferida por uma traição amorosa, sonha com a vingança e perde-se num labirinto de dor, desejo, insatisfação, raiva e desespero. No meio, a literatura, sobretudo a literatura brasileira, e a fantasia do sexo, embora os homens sejam aqui uma espécie de lugar comum entre o ridículo e o insensível, homens objecto que constituem uma forma de punição. “A vingança é uma espécie de amante, toma o lugar do morto na cama”, explica em certa passagem a narradora.

O livro tem páginas de grande beleza e outras com linguagem desbragada e propositadamente chocante, mas isso explica-se pela profunda indignação da personagem central, que tem dois planos de discurso, um em que fala directamente aos leitores, provavelmente em pensamento, e outro em que escreve um suposto romance chamado O Meu Amante de Domingo. A prosa de Alexandra Lucas Coelho é apurada e rica, como mostra este exemplo de uma descrição da paisagem alentejana: “Todos os dias subo ao Castelo a pé, para que os olhos corram como um cão que estava preso, até onde a terra cai do outro lado”.

As personagens não têm nome, mas designação genérica: Sancho Pança ou o mecânico, Nosferatu ou o futuro Nobel, o caubói, Apolo; a narradora nunca se identifica, embora se descreva várias vezes; sabemos, pois, que é uma mulher baixa, loira, magra, revisora literária, que vive sozinha. Através desta figura, a autora constrói um texto sarcástico, com linguagem brutal e que, ao estilo da literatura brasileira, não usa reticências. As palavras proibidas são usadas sem poupança e as cenas de sexo explícito surgem sem condescendência ou pudor. E, no entanto, há por aqui uma ilusão de realismo: o sexo é insatisfatório e sem emoções, quase parece ginástica, como na pornografia; no fundo, torna-se uma parte do delírio da personagem, elemento central da sua vingança. Sublinho a dificuldade desta escrita e julgo que não existe um único momento de mau-gosto.

 

 

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"Todos somos americanos"

por Pedro Correia, em 19.12.14

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Obama com Raúl Castro em Dezembro de 2013, durante o funeral de Mandela

 

Barack Obama deu o passo que se impunha ao anunciar o restabelecimento das relações diplomáticas com Cuba, congeladas desde 3 de Janeiro de 1961 pelo presidente Dwight Eisenhower, ainda o actual inquilino da Casa Branca não tinha nascido.

É um passo que deve saudar-se. O embargo económico decretado por Washington à vizinha república das Caraíbas serviu apenas para conferir à ditadura castrista uma aura de legitimidade em defesa da soberania nacional ameaçada por pressões externas. Enquanto a população sofria, o regime ditatorial implantado há 56 anos em Havana tornava-se cada vez mais duro e mais fechado.

 

Cuba, governada pelo mesmo partido e pela mesma família desde Janeiro de 1959, subsiste como anacrónico resquício da Guerra Fria. Mais de dois milhões de cubanos abandonaram o país desde que o comunismo ali foi implantado sob a bênção da União Soviética, que transformou o país num protectorado, enquanto guarda avançada do imperialismo vermelho às portas dos Estados Unidos. Quando o comunismo europeu entrou em derrocada, Cuba sofreu anos de dolorosa penúria até Fidel Castro, forçado pelas circunstâncias, abir a economia cubana às divisas estrangeiras proporcionadas pelo turismo internacional.

Mas a abertura não teve repercussões no plano político: as liberdades essenciais continuam a ser espezinhadas, o monolitismo governativo mantém-se incólume e todas as esperanças de abertura foram abortadas por sucessivas purgas que transformaram cada tímido reformista em feroz inimigo da "revolução".

 

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 Fidel Castro recebido em Washington pelo vice-presidente Richard Nixon (Abril de 1959)

 

Extinta a guerra fria, Cuba é hoje um tigre de papel que proclama slogans anti-imperialistas enquanto mendiga uns punhados de dólares para a subsistência elementar dos seus habitantes. Meio século de monocultura agrícola para abastecer de açúcar os camaradas soviéticos e de nacionalização total da propriedade de cultivo foram a receita certa para o fracasso actual: a ilha comunista importa 84% dos alimentos que consome e não faltam bolsas de carência alimentar no país, que dispõe de 6,6 milhões de hectares de solo fértil mas só cultiva pouco mais de três milhões.

O embargo - que atravessou dez administrações norte-americanas - lesou o povo cubano sem servir os interesses de Washington. Obama demonstra ousadia e coragem política ao enfrentar os poderosos lóbis anti-Castro - republicanos e democratas - com as medidas de abertura agora anunciadas.

É uma decisão que só peca por ser tardia. Afinal, os EUA normalizaram há duas décadas as relações com o Vietname - que continua a ser uma ditadura comunista - apesar da sangrenta guerra que ali travaram. E a diplomacia sino-americana vai de vento em popa apesar das divergências ideológicas entre Washington e Pequim.

 

«Todos somos americanos», declarou o Presidente dos EUA no seu discurso de quarta-feira em que anunciou o princípio do degelo com Cuba. Aquela frase de Obama foi pronunciada em espanhol para ampliar o potencial congregador da mensagem.

Condenar Cuba ao perpétuo isolamento dificultaria ainda mais uma transição que nunca será fácil do regime comunista para uma economia de mercado onde as liberdades sejam respeitadas e defendidas. O povo cubano só pode estar grato a Barack Obama.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 19.12.14

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Nocturno Europeu, de Rui Nunes

Prosa poética

(edição Relógio d' Água, 2014)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 19.12.14

 

Cláudia Vieira

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As canções do século (1814)

por Pedro Correia, em 19.12.14

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Os habitantes do aeroporto

por Luís Naves, em 18.12.14

Recomendo a leitura deste espantoso texto sobre os estranhos habitantes do terminal ultra-moderno do aeroporto de Barajas, em Madrid. Para além da escrita brilhante de Daniel Verdú, que evita as armadilhas do sentimentalismo, esta reportagem de El Pais mostra a fauna de um eco-sistema secreto. Os protagonistas (da ordem de três dezenas) são invisíveis a quem por ali passar, apesar de comerem os restos que os passageiros deixam nas mesas do fast-food e de usarem os lavabos, apesar de andarem pelo terminal como se fossem apanhar algum avião, até arrastando malas vazias. Para os ver, é preciso estar atento, por isso ninguém repara neles. Nunca levantam voo, nunca chegam ao destino, pois não têm propriamente um destino. Um destes fantasmas diz receber uma pequena pensão de 300 euros, o que o dispensa de comer restos; e até usa computador portátil, navegando no sistema wi-fi do sofisticado terminal de 6200 milhões de euros, considerado espaço público. Nem todos conseguem esta camuflagem perfeita, mas os viajantes do vazio andam limpos, parecem passageiros em trânsito, escondem-se entre a multidão, passam ali os dias e as noites, protegidos do frio, sem jamais embarcarem em qualquer um dos mil voos diários. Alguns usam truques para pedir esmola, geralmente envolvendo complicações com o passaporte. Neste aeroporto, não há nenhuma vedeta de Hollywood que nos provoque simpatia especial, apenas gente incorpórea e anónima, os de nenhum lugar.

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Falando de coisas realmente sérias

por Teresa Ribeiro, em 18.12.14

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Há dias, na inauguração da mercearia transmontana Banca de Pau, ali às portas de Alfama, provei o bolo rei da minha vida. Não exagero. Quem lá esteve e o fez desaparecer da bancada em menos de nada sabe do que falo. 

O empreendedorismo pasteleiro tem-nos surpreendido com muitas combinações improváveis. Estou a lembrar-me dos pastéis de nata com chocolate e dos gelados com sabor a pão-de-ló, só para citar alguns exemplos. Ao bolo rei já se tirou as frutas cristalizadas, já se acrescentou chocolate e recheou de doce de ovos. Mas este tem na massa um creme de castanhas que combina tão bem com o resto que sabe a receita secular. Nem dá para acreditar que tenha nascido da inspiração de um pasteleiro de Bragança há escassos anos.

O João Lopes e o Sérgio Figueiredo, os orgulhosos donos desta mercearia onde não faltam... rabas (sabem do que estou a falar?), cascas de assubir, botelos, licores de romã brava e de folha de figueira entre outras tantas iguarias da região de Trás-os-Montes e Alto Douro que bimbas de Lisboa como eu desconhecem, asseguram que nesta quadra não vai faltar bolo rei de castanha. Mas o melhor, digo eu, é encomendar. Tomem nota: Banca de Pau - Rua Terreiro do Trigo nº78- 84 (a dois passos do Museu do Fado). Telf: 218870696.

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Espero que não piore com o Natal

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.12.14

"O Presidente da República vai receber os três funcionários da Câmara da Póvoa de Varzim que devolveram um envelope com mais de quatro mil euros encontrado num centro de processamento de lixo. O encontro com Cavaco Silva será amanhã, quinta-feira, e foi divulgado numa nota enviado pelo Palácio de Belém."

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Pensamento da semana

por Rui Rocha, em 18.12.14

O fracking provoca terramotos.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 18.12.14

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O Caminho do Sacrifício, de Fritz von Unruh

Tradução de Manuel Resende

Romance

(edição Antígona, 2014)

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TAP

por José António Abreu, em 18.12.14

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A posição de António Costa apenas demonstra como são dúcteis as suas convicções (vai-se a ver e, nele, é qualidade). O debate em torno da interpretação do texto do memorando seria anedótico se não fosse ridículo. Qualquer discussão tem de começar num ponto assente: a TAP não sobreviverá sem uma injecção de capital (500 milhões de euros, segundo leio). Ainda que as regras europeias o permitissem (e fazem bem em não permitir), estão os portugueses (e não me refiro apenas a uma mão-cheia  de situacionistas bem instalados na vida) disponíveis para pagar o custo da manutenção da empresa na esfera pública? Eu não estou. Como portuense, há anos que a TAP não representa para mim qualquer vantagem em relação a outras companhias, obrigando-me invariavelmente a fazer escala em Lisboa. Mas isto é um pormenor (ninguém me obriga a viver no segundo mundo). Podiam existir razões de fundo para manter a TAP na posse do Estado. Não há. Quase todas as companhias aéreas europeias são maioritária ou totalmente privadas. Nada obsta a que o serviço seja prestado por uma empresa privada (a privada Lufthansa até vai pegar em parte dele nos dias da greve). Pode ser (e é) uma exigência do processo de privatização que a base de operações e alguns serviços sejam mantidos em Lisboa. O que resta são interesses individuais e corporativos. Compreensíveis. Quem, na prática, controla uma empresa com recursos aparentemente ilimitados (os bolsos dos contribuintes) não deseja mudanças. É assim na TAP como o é nas restantes empresas públicas de transportes ou na RTP. E que trabalhadores e sindicatos pareçam recear tanto as decisões de um proprietário que, obviamente, desejará obter lucro mostra apenas que entendem bem quão contrárias a esse objectivo foram inúmeras decisões do passado, nascidas de braços de ferro que se habituaram a vencer. A quilométrica (atendendo à empresa, talvez devesse usar milhas) e absurda lista de exigências que apresentam constitui, aliás, um perfeito exemplo disso mesmo.

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Esperem pela pancada.

por Luís Menezes Leitão, em 18.12.14

 

Tudo o que se está a passar hoje estava há muito previsto num livro de Samuel Huntington de 1996, denominado O Choque das Civilizações. Nessa obra, o autor denunciava já a força do Ressurgimento Islâmico como nova realidade geopolítica, considerava que existiam várias civilizações no mundo, lideradas cada uma pelo seu Estado dominante, e assegurava que a III Guerra Mundial se iniciaria por um Estado dominante não respeitar a esfera de influência de outro. Curiosamente o Autor previa que a guerra se iniciaria por os Estados Unidos não quererem aceitar a pertença de Taiwan à esfera de influência chinesa. Mas nesse ponto enganou-se: a guerra inicia-se pela subtracção da Ucrânia à esfera de influência russa.

 

Uma das armas dessa guerra que agora está a ser utilizada é a queda do preço do petróleo. Como é óbvio, em face da lei da oferta e da procura, face à actual procura de petróleo, a queda do preço só é possível com um brutal aumento da oferta do produto no mercado. Foi precisamente o que se passou, com a Arábia Saudita a encharcar o mercado de petróleo. Pode parecer um gesto contraproducente para um país produtor, mas numa guerra vale tudo, e relação saudita com os EUA vale mais que uma baixa do preço do petróleo.

 

É evidente que a força económica de países como a Rússia depende de petróleo alto, até porque têm custos de extracção muito mais elevados do que os países do golfo. São assim profundamente afectados e até pode ocorrer o colapso total da economia russa. Pareceria assim que foi uma arma de guerra eficaz. Só que há um problema: os russos têm uma história longa e estão habituados a sofrer em guerras. Entregaram Moscovo em chamas a Napoleão, obrigando-o a recuar, e sofreram vinte milhões de mortos para resistir a Hitler. Não me parece por isso que Putin apareça com a corda ao pescoço a pedir perdão ao Ocidente e a devolver a Crimeia à Ucrânia. Mais facilmente é capaz de se lembrar de carregar no botão, que muita gente parece esquecida de que ainda funciona.

 

Mas a verdade é que nem precisa de o fazer. Toda a gente sabe que o petróleo é um bem finito e já se atingiu o pico da exploração petrolífera. Por isso, desça o que descer agora, o preço do petróleo só pode subir no futuro. É só uma questão de saber aguentar e os russos são um povo que já demonstrou que suporta o que for preciso em defesa da sua pátria.

 

Só que no entretanto vai haver danos colaterais que até podem atingir Portugal. Se a Rússia é afectada com a queda do preço do petróleo, mais afectada é Angola onde o petróleo representa 66% do PIB e 98% das exportações. Já se fala na imediata entrada  de Angola em recessão.  Ora, a crise em Portugal só não foi pior devido ao investimento angolano nos últimos tempos. Uma recessão em Angola terá efeitos dramáticos para o nosso país.

 

Desengane-se por isso quem neste momento se congratula com os resultados desta guerra geoeconómica. Já não estamos nos anos 40 em que Portugal podia assistir do camarote a uma guerra na Europa sem nela se envolver ou ser por ela afectado. Hoje em dia, esperem pela pancada.

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Uma decisão inteligente

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.12.14

obama_castro_handshake_AP.jpgQuando em 2009 o Presidente Obama prometeu conduzir a política externa norte-americana, relativamente a Cuba, numa nova direcção, o que se confirmaria desde logo com o reinício do diálogo sobre as questões da imigração que estavam suspensas desde 2003, muito poucos acreditariam que uma relação inamistosa e conflituosa que se prolongou durante quase cinco décadas, tendo múltiplos palcos espalhados pelo mundo e que perdurou para lá da Guerra Fria, terminasse da forma simples, civilizada e respeitosa que foi agora conhecida. O aperto de mão selado aquando das exéquias de Nelson Mandela, entre Raúl Castro e o seu homólogo norte-americano, obtém assim confirmação. Num raro sinal de sensatez, boa fé, inteligência e pragmatismo, os vizinhos desavindos resolveram conversar e encontrar soluções para os problemas que persistiam. Nos próximos anos a opinião pública dos dois países e das demais nações irá observar o desenvolvimento dessa relação com atenção aos mais ínfimos detalhes.

É natural que muita gente não fique satisfeita, a começar pela Rússia de Putin, a Coreia do Norte da família Kim ou a Venezuela madurista. E que outros não saibam como reagir. Mas essas são questões de somenos perante a importância do que agora se conseguiu. A simples leitura das reacções da maioria dos leitores do Gramma, jornal oficial do Partido Comunista de Cuba, ao discurso do Presidente Raúl Castro, diz bem da satisfação que a decisão transporta para a maioria dos cubanos. O risco maior, para já, estará do lado de Obama, na forma como conseguirá manter os sempre difíceis equilíbrios entre as decisões da política externa dos EUA e o acolhimento das mesmas na sua frente interna, problema que desde há muito está presente nas sempre atribuladas relações em matéria de política externa entre os inquilinos da Casa Branca, o Congresso e o Senado. Recorde-se apenas Versalhes, a Liga das Nações, a Declaração de Wilson e tudo o que se passou deste então.

Ao escolher o caminho do "socialismo próspero e sustentável", Cuba parece querer abdicar dos modelos mais radicais que conduziram muitos cubanos à pobreza e à miséria, e opta por uma via de desenvolvimento de pequenos passos do tipo chinês. 

Por outro lado, o fim do embargo a Cuba e a normalização das relações diplomáticas introduz um factor de desanuviamento e paz nas relações internacionais que constitui um excelente sinal de esperança e uma forma simpática de se chegar ao fim de um ano muito conturbado, entre outros, pelos problemas na Síria e na Ucrânia, desta vez com a perspectiva de que nem tudo foi em vão.

Oxalá que este importante sinal, que abre uma nova via no entendimento entre os EUA e Cuba, não seja destruído pelo fundamentalismo de alguns sectores mais conservadores norte-americanos, nem pelos extremismos latino-americanos, e possa constituir um modelo a seguir noutras situações - a começar pelo Médio Oriente - e um novo sopro de liberdade e progresso no golfo do México e no mar das Caraíbas.

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As canções do século (1813)

por Pedro Correia, em 18.12.14

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 18.12.14

Ao Anovis Anophelis.

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Aventureirismo russo na Ucrânia e na Crimeia em 2014 vira-se contra Putin

 

Andaram alguns ao longo do ano a glorificar as extraordinárias façanhas militares do musculado czar do Kremlin, que decidiu anexar a Crimeia numa grosseira violação da Carta das Nações Unidas e enviar mercenários russófilos para o leste da Ucrânia, em manifesta colisão com os princípios do direito internacional, e afinal confirma-se hoje que essa arrogância bélica apenas se destinava a camuflar um gigante com pés de barro.

A queda abrupta do preço do petróleo - principal produto de exportação russa e fonte de 68% das receitas do país - originou a depreciação progressiva do rublo, que vale hoje só 50% do que valia no início do ano em relação ao dólar. A situação é crítica, alerta o banco central russo. "A economia russa caminha rapidamente para o colapso", sublinha o editorial de hoje do El País.

 

Não sei o que a Rússia possa ter ganho ao anexar a Crimeia. Mas sei o que já perdeu.
Está mais isolada diplomaticamente. Sofre sanções que lhe são impostas pela comunidade internacional.
Vê agravar-se os problemas económicos do país, que importa 60% do que come, ao iniciar um braço-de-ferro com os países membros da União Europeia e da NATO.
Arrisca-se a perder os melhores parceiros económicos, que estão precisamente na Europa Ocidental.
Vê aumentar exponencialmente os focos de turbulência nas suas zonas fronteiriças - nada mais natural, pois quem semeia ventos colhe tempestades. Nem a fiel Bielorrússia se sente tranquila perante o expansionismo russo, já para não falar da China, que nunca deixou de alimentar sérias suspeições nesta matéria.
E, acima de tudo, desenterra velhos fantasmas da História numa réplica anacrónica do pior da Guerra Fria. Precisamente todos aqueles fantasmas que ninguém desejaria ver desenterrados, a ocidente ou oriente dos Montes Urais.

 

tumblr_m07vfr4Zc31qd65vgo1_400[1].jpgOs russos não diversificaram o tecido económico, têm uma agricultura que não supre as necessidades alimentares da população e uma indústria em grande parte anquilosada (excepto a indústria de armamento). Estão demasido dependentes das exportações de petróleo e gás natural para manterem a tímida taxa de crescimento económico que vêm registando.
Ora o fornecedor precisa dos clientes: se estes partirem em busca de outros mercados resta-lhe venderem a energia a si próprios.

 

Moscovo tem tudo a perder se abrir uma guerra energética com a UE aproveitando o facto de parte significativa do continente europeu depender (em cerca de 30%) do abastecimento do seu gás. Esta factura é essencial na economia russa.
Essa guerra dará origem, nomeadamente, à exploração em larga escala das vastas reservas naturais de gás norte-americanas que provocará uma redução drástica do preço deste combustível nos mercados internacionais. Quem acabará por ganhar, além dos EUA, são os actuais produtores concorrentes da Rússia, nomeadamente a Argélia, já hoje a principal fornecedora de gás a países como Portugal.

É uma guerra perdida de antemão, como alerta Larry Elliott, editor de economia do Guardian.


A geopolítica servia-nos de chave para a interpretação do mundo até ao fim da Guerra Fria. Hoje nada se entende de essencial no capítulo das relações internacionais sem conhecimentos elementares de geoeconomia. Como Putin começa a aprender por amarga experiência própria. E o conjunto da população russa também.

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O ano de 2015

por Luís Naves, em 17.12.14

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A mitologia da catástrofe criou uma mentalidade que tarda em desaparecer. Torna-se penoso mencionar factos, quando estes apontam para a melhoria da situação económica e social, pois muitas pessoas simplesmente recusam a possibilidade de já não estarmos em crise. As lojas estão cheias e nos restaurantes é difícil encontrar mesa, mas o espírito da indignação continua bem vivo.

A situação na Europa parece mais positiva do que nos diz a comunicação social. Em 2015, a baixa do preço do petróleo e o aumento da confiança na Alemanha terão impacto favorável, isto apesar de não terem desaparecido todos os riscos políticos. As presidenciais gregas podem implicar uma eleição antecipada (veremos no final do mês) e prossegue a ascensão do Podemos, mas o facto é que há várias economias em recuperação. As incertezas sobre a Rússia e os efeitos das sanções não podem ser ignorados, mas a Europa apresenta boas perspectivas para o próximo ano.

Tudo indica que em Portugal o défice de 2014 ficará abaixo de 4%, o que facilitará o cumprimento da meta do próximo ano sem novas medidas de austeridade. As exportações estão a crescer mais depressa do que se esperava e o preço do crude, a manter-se durante alguns meses, será uma boa oportunidade para se conseguir crescimento acima de 1,5% em 2015. O bom desempenho das exportações associado à recuperação da procura interna é compatível com a preservação dos excedentes da balança corrente e de capitais. Isto significa que o País tem condições para se financiar nos mercados e para reduzir a sua elevada dívida pública.

O Banco de Portugal espera mais investimento, mais exportações e a renovação do saldo positivo da balança externa, o que significa que o aumento do consumo não implica endividamento insustentável. O crescimento acima do valor para a zona euro é ainda modesto e criará emprego de forma insuficiente, mas no último ano foram criados cem mil postos de trabalho (mesmo que um terço resulte de políticas activas de emprego, é um número positivo). Crescimento acima da zona euro significa convergência com o rendimento médio europeu, ou seja, uma boa medida de final da crise.

Apesar de todos estes indicadores favoráveis, só vejo análises deprimentes. Os comentários nas redes sociais e na imprensa estão cheios de demagogia e tremendismo. Continua a indignação com trivialidades, como se os pessimistas que nos mandaram desistir ao longo dos últimos três anos, porque era impossível e íamos morrer todos, agora nos quisessem afogar na praia.

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Leituras

por Pedro Correia, em 17.12.14

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«Até que ponto os pés à solta de um homem podem levá-lo na via da solidão - solidão absoluta e sem polícia - e na via do silêncio - silêncio absoluto onde nenhuma voz preventiva de vizinho amável nos segreda a opinião pública?»

Joseph ConradO Coração das Trevas (1902), p. 79

Ed. Estampa, Lisboa, 1983. Colecção Novas Direcções, nº 43. Tradução de Aníbal Fernandes

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Formas de vida

por José António Abreu, em 17.12.14

A fúria é uma estranha forma de vida, mas não mais estranha do que o fado, talvez um fado virado do avesso.

Alexandra Lucas Coelho, O Meu Amante de Domingo. Edições Tinta-da-China.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 17.12.14

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Os Maias - Antologia Ilustrada, de Eça de Queiroz

Organização de Rui Campos Matos

(edição Exclamação, 2014)

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A parasitagem devia ser tributada

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.12.14

10862623_10204529016417037_6466921365339397911_o.jDuvido que algum dia os portugueses venham a perceber por que razão esta gente ainda está toda à solta e o processo dos submarinos continua em águas turvas, mas o que fica desta parte do depoimento de mais um dos senhores da família Espírito Santo foi o de que o 25 de Abril não aconteceu, o PREC nunca existiu, o 25 de Novembro foi uma gravação para uma novela que contou com a participação de alguns oficiais superiores do Exército português, o Estado de direito é uma pura ilusão e de vez em quando enfiam-se uns tipos mais desbocados e delirantes na prisão apenas para "inglês ver". Alguns safam-se como podem e chegam a secretários de Estado, ministros e primeiros-ministros, antes de se tornarem avençados das empresas do regime. Um ou outro mais manhoso recebe os dividendos e vai a "supremo magistrado da nação" com o ar mais sério deste mundo. Os restantes, os milhares que são miseravelmente pagos pelo que trabalham, que pagam impostos a tempo e horas, que não gozam de isenções nem planos especiais para escaparem às taxas gerais de tributação e assim pagarem menos, que depositam o seu salário, por vezes por imposição das entidades patronais, nos bancos que o regime acolhe e esta malta "gere", são os que são sempre chamados a pagar as crises, a apertar o cinto e a sustentar os parasitas.

Não há nenhum português que não gostasse de receber um milhão de euros para resolver os seus problemas, pagar as dívidas (os que as têm), liquidar o empréstimo do T2 ao banco ou fazer a viagem da sua vida, sem que para isso tivesse que fazer alguma coisa ou ter algo mais do que um simples apelido.

Se têm horror a investigar de forma competente e atempada, se a Justiça não passa de uma miragem longínqua num país de cidadãos medrosos e acomodados, se tremem perante um nome, só têm uma solução para compensar todos os portugueses honrados que trabalham para cumprir as suas obrigações: criarem um imposto sobre a parasitagem. À falta de melhores ideias para se acabar com esta pouca vergonha, sempre seria mais sério, mais justo e mais equilibrado do que a criminalização do enriquecimento ilícito com a inversão do ónus da prova. E este seria um caso flagrante. Porque agora já ninguém tem dúvidas que daquilo que os portugueses pagaram, e vão continuar a pagar, pelos submarinos, uma parte acabou nas contas dos parasitas do regime ou a financiar campanhas políticas. E isto é ética e moralmente inaceitável, ofensivo da consciência colectiva e viola os mais elementares padrões de decência, justiça e respeito pela comunidade. 

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As canções do século (1812)

por Pedro Correia, em 17.12.14

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 17.12.14

Ao Imprecisões.

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Ler

por Pedro Correia, em 16.12.14

Um país prodigioso. De João Miranda, no Blasfémias.

In dubio pro reo. Do Rodrigo Adão da Fonseca, n' O Insurgente.

Dos distanciamentos impossíveis. De Sofia Loureiro dos Santos, no Defender o Quadrado.

Não sei do que estão à espera. Do José Meireles Graça, no Senatus.

Presunção de inocência. Do Mr. Brown, n' Os Comediantes.

Prender para: investigar, humilhar, vergar, extorquir, limitar, despersonalizar, calar. Do Luís Novaes Tito, n' A Barbearia do Senhor Luís.

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Estudo revela que os amigos são realmente a família que escolhemos.

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