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Eleições decisivas?

por Luís Naves, em 25.01.15

A Grécia vota hoje e as sondagens indicam uma provável vitória da extrema-esquerda, o que muitos analistas em Portugal consideram um evento que abre caminho a uma mudança drástica na Europa. Muitas análises que tenho lido revelam puro desejo dos autores. Sempre que um pequeno país da União Europeia votou contra os planos dos grandes, a consequência foi uma nova votação ou uma negociação que levou esse país a sair das políticas que o eleitorado rejeitava. Basta ver durante dez minutos o que se diz nas televisões mais influentes (BBC ou CNN) ou ler os jornais estrangeiros para compreender que nada de importante vai mudar na Europa, talvez nem sequer na Grécia.

Se o Syriza vencer, haverá uma negociação para os dois lados salvarem a face e Atenas terá de aceitar a estratégia das grandes potências, ou seja, o princípio de que sem reformas não há dinheiro. Isto é válido para a Itália e para a Espanha, é válido para Portugal e para a Grécia. Os membros da zona euro vão continuar a controlar as contas públicas e a reduzir as dívidas, vão aprovar todas as reformas estruturais necessárias à modernização das suas economias. A dose de austeridade foi excessiva na Grécia? Claro. Isso é reconhecido por todos os intervenientes, mas os europeus acham que estão a fazer a sua parte, pagaram os resgates e há ajudas disponíveis, nomeadamente o estímulo monetário do BCE ou os fundos europeus. A Grécia é que se endividou de forma irresponsável e terá de aceitar as condições dos empréstimos ou escolher sair do euro, caminho que representa uma calamidade bem maior do que os actuais sacrifícios. É assim que a Europa do norte vê a questão e não compreendo o argumento de que, no caso das exigências gregas serem rejeitadas, está em causa a democracia. Seria viável sobrepor a vontade dos gregos à da opinião pública dos países credores? Afinal, o governo alemão também responde perante os seus eleitores e enfrenta os seus próprios desafios populistas, precisa de ter extremo cuidado com as cedências que está disposto a fazer.

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As canções do século (1851)

por Pedro Correia, em 25.01.15

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Churchill: um herói do século XX

por Pedro Correia, em 24.01.15

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De entre as figuras que se impuseram no século XX, fosse para o bem ou para o mal, Winston Churchill foi a mais importante para a humanidade, e foi também a mais amável de todas. Não há outra personalidade da qual se possam extrair tantas lições, em especial para a juventude: a tirar partido de uma infância difícil; a aproveitar ao máximo todas as oportunidades, físicas, morais e intelectuais; a ousar em grande, para reforçar o êxito e ultrapassar os inevitáveis fracassos; e a ter ambições elevadas, aplicando-lhes toda a energia e paixão, sem deixar de cultivar a amizade, a generosidade, a compaixão e a elevação moral."

Paul Johnson, Churchill

 

Winston Spencer Churchill, filho de um aristocrata inglês e de uma beldade norte-americana, recebeu notas medíocres como estudante e jamais foi tratado com afecto pelo pai, um indivíduo propenso a depressões. Tinha todos os requisitos para ser considerado uma "criança problemática", de acordo com um jargão agora muito em voga, mas foi o mais bem sucedido político britânico de todos os tempos.

Era, simultaneamente, um homem de reflexão e um homem de acção. Escreveu excelentes obras, como The World Crisis (1923/27) e Aftermath (1929). Os seis volumes das suas memórias sobre a II Guerra Mundial - na qual foi um dos grandes protagonistas -, concluídos em 1951, tinham vendido mais de seis milhões de exemplares só em língua inglesa dois anos mais tarde, quando recebeu o Prémio Nobel da Literatura. Pintou mais de 500 quadros - "mais do que muitos pintores chegaram a pintar em toda a vida", como acentuou Paul Johnson na biografia do homem que foi deputado durante 55 anos, ministro (do Interior, da Marinha, das Colónias e das Finanças) durante 31 e primeiro-ministro - em dois mandatos - durante quase nove.

 

Morreu faz hoje meio século, aos 90 anos, após uma vida intensa: combateu como militar em 15 batalhas em quatro continentes (Cuba, Índia, Sudão, África do Sul na guerra dos Boers e Flandres durante a I Guerra Mundial), e recebeu 14 condecorações de guerra. Viu a morte várias vezes à sua frente, mas nunca perdeu a alegria de viver. Publicou quase dez milhões de palavras ("mais do que muitos escritores profissionais publicam ao longo de toda a vida"), teve um casamento feliz que durou 56 anos e terá bebido perto de 20 mil garrafas de champanhe, a sua bebida favorita.

Expressões hoje de uso corrente foram cunhadas ou popularizadas por ele - Médio Oriente, Cortina de Ferro, "sangue, suor e lágrimas". Foi o primeiro político a fazer com os dedos o V da vitória, gesto que quase todos os outros depois dele adoptaram. Era um grande caçador e um viajante infatigável: deu várias vezes a volta ao mundo. Desportista, praticou pólo até aos 53 anos. Não escondia o fascínio pelo cinema. Adorava conduzir e tinha brevet de aviador.

Cometeu muitos erros, mas acertou nas opções essenciais. Como quando levantou a sua voz solitária no Reino Unido contra o avanço das hordas nazis que na década de 30 iam devorando a Europa, país após país. Ou quando criticou sem reservas o seu antecessor, Neville Chamberlain, adepto do "apaziguamento" com Hitler. "Toda a história do mundo teria sido diferente se ele não tivesse assumido o poder em 1940", assinalou ontem o jornalista John Simpson na BBC.

Disfrutava de autoridade natural mas nunca se levou excessivamente a sério: no auge do seu poder, todos os britânicos lhe chamavam Winston.

 

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Se existem figuras exemplares, Churchill foi uma delas. "Era um homem de coragem, que é a mais importante de todas as virtudes, e um homem de fortaleza, que é a companheira da coragem - recursos que são inatos, mas que também podem ser cultivados, e que Churchill cultivou toda a vida", escreveu Paul Johnson na excelente biografia do homem que se bateu quase isolado contra Hitler.

O historiador britânico é um admirador confesso de Churchill, com quem se cruzou uma vez, quando tinha apenas 17 anos. Foi em 1946. O então adolescente perguntou-lhe: "Senhor Churchill, a que atribui o sucesso que teve na vida?" Resposta pronta do político que no ano anterior emergira como um dos vencedores da II Guerra Mundial: "À conservação da energia. Nunca se levante se pode estar sentado, nunca se sente se pode estar deitado."

 

Um liberal de sempre, Churchill nunca se deixou abater pelos desaires e costumava dizer, cheio de razão: "Não há nada mais esgotante do que o ódio."

Na biografia que lhe dedicou (Churchill, Alêtheia, 2010) Johnson prestou justiça àquele que foi talvez o maior tribuno parlamentar do século XX, dotado de uma eloquência que nunca deixou de ser temperada com uma pitada de humor. Mesmo nos momentos mais dramáticos, como sucedeu a 4 de Junho de 1940, ao discursar na Câmara dos Comuns na qualidade de recém-empossado primeiro-ministro, já com Paris ocupada pelas tropas nazis. "Lutaremos nas praias, lutaremos nas pistas de aterragem, lutaremos nos campos e nas cidades, lutaremos nas montanhas. Lutaremos sem jamais nos rendermos", afirmou, numa alocução que se tornou célebre.

Logo acrescentando, num aparte em sotto voce: "E lutaremos com ancinhos e vassouras porque não teremos mais nada."

Winston era assim.

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Alá é grande

por Rui Rocha, em 24.01.15

Pode pedir gigante por mais 50 cêntimos.

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Uns quantos álbuns de 2014 (20)

por José António Abreu, em 24.01.15

 

Abandoned City, de Hauschka. 

 

Cheguei a Hauschka (o alemão Volker Bertelmann) através da violinista Hilary Hahn quando, em 2012, os dois lançaram Silfra, uma dúzia de temas improvisados. Hauschka já lançara vários álbuns por essa altura, incluindo Salon des Amateurs, de 2011, onde Hahn também colaborou. A base da música do alemão é o piano, preparado com vários objectos para lhe modificar o som (à la John Cage, embora Hauschka afirme que desconhecia o trabalho de Cage quando teve a ideia). Tanto Salon des Amateurs como Abandoned City funcionam muito à base de ritmos. As melodias são simples mas os temas adquirem complexidade e sofisticação devido aos efeitos (introduzidos pelos objectos mas também por atrasos e reverberações electrónicas) que, mesmo quando ele não tem convidados (como em Abandoned City), geram um leque de sons que parece impossível terem resultado apenas de um piano. Evocando cidades reais abandonadas na sequência de acidentes ou conflitos (Pripyat, perto de Chernobyl; Agdam, no Azerbeijão), Abandoned City é por vezes melancólico, por vezes ameaçador, por vezes quase dançável. Sendo talvez o trabalho mais depurado de Hauschka, deixa ainda assim no ar a questão de saber até onde será ele capaz de levar o conceito. A resposta, porém, também pode estar no álbum: Who Lived There, um tema suave e melódico, indicia que o alemão possui capacidades criativas suficientes para, se for necessário, dispensar a introdução de bolas e de pedaços de papel no piano.

 

(E pronto. Esta série fica por aqui.)

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Desnorte e hipocrisia

por Rui Rocha, em 24.01.15

Pelo visto, um gajo com 16 anos foi detido em França sob a acusação de defender o terrorismo. O delito que cometeu foi a publicação no Facebook do cartoon que podemos ver à direita. É preciso ser claro. O pior que pode acontecer na sequência da carnificina de Paris é trilhar de forma acéfala um caminho de restrição das liberdades. O lugar dos criminosos é na prisão. O dos idiotas, insensíveis, desbocados, escabrosos, blasfemos ou javardos, só por o serem, e por muito que o sejam, não.

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A Europa rendida ao medo (2)

por Pedro Correia, em 24.01.15

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O cartunista belga Philippe Geluck, talvez já farto de caricaturar Deus, apressa-se a jurar que jamais desenharia Maomé para não ferir a fé islâmica. Uma forma peculiar de homenagear os seus colegas do Charlie Hebdo, assassinados faz hoje 17 dias.

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Entretanto, em Itália

por Rui Rocha, em 24.01.15

Está, Madre Superiora? Sou a Irmã Paola. Olhe, ainda se vai rir com esta! Está a ver aquela coisa da Virgem Maria e do Espírito Santo?

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.01.15

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Acabar com Eddy Bellegueule, de Édouard Louis

Tradução de António Guerreiro

Romance

(edição Fumo, 2014)

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As canções do século (1850)

por Pedro Correia, em 24.01.15

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Ler

por Pedro Correia, em 23.01.15

'A Batalha de Argel' nos tempos que correm. Do Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.

Up & down. Do Luís Novaes Tito, n' A Barbearia do Senhor Luís.

Coisa cada vez mais óbvia. Do Mr. Brown, n' Os Comediantes.

Cultura chiclete. De José Carlos Alexandre, n' A Destreza das Dúvidas.

Não voltarei a ler Lobo Antunes. Do João Oliveira, no Sentido dos Livros.

A insegurança ortográfica. De Fernando Venâncio, no Aventar.

A gloriosa desolação de não deixar descendentes. Do Manuel S. Fonseca, no Escrever é Triste.

A cadeira. Da Luísa, n' À Esquina da Tecla.

Deixaste que o rio te levasse. De Graça Pires, na Ortografia do Olhar.

Vais levar, Fabiana. De Carla Romualdo, no Aventar.

Vai onde te leva o coração. Do Cherba, n' A Tasca do Cherba.

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Escutas - 1

por Teresa Ribeiro, em 23.01.15

No restaurante:

- As mulheres são parvas em estar sempre preocupadas com a linha. Os homens gostam de ter onde agarrar e não de sacas de ossos.

- Se é como dizes, porque se babam tanto com as modelos, que são todas magras?

- Nem todas. Agora até anda aí uma, bem gordinha, a fazer um enorme sucesso.

- Não é a regra e tu bem sabes. Por que se babam tanto com as Bundchen e as Irinas Shayek se gostam de gordas?

- É diferente. Essas são mulheres de catálogo, não estão acessíveis. Na vida real...

- Na vida real só te vi andar com tipas magras.

- Err... mera coincidência.

- Vês? Embuchaste. Vocês gostam de nos criticar a obsessão com o peso, mas não de admitir que tal como as mulheres também se deixam influenciar pelos paradigmas de beleza que nos são impostos. Curiosamente por homens que em muitos casos até nem gostam de mulheres. Deve ser isso que vos custa a engolir.

- Vá, pede lá a sobremesa e cala-te. 

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Uns quantos álbuns de 2014 (19)

por José António Abreu, em 23.01.15

 

Hozier, de Hozier.

 

Hozier é um irlandês de 24 anos que saltou para a ribalta (primeiro local, depois também no Reino Unido) nos finais de 2013, quando o tema Take Me to Church atingiu o segundo lugar da tabela de singles irlandesa e o respectivo vídeo se tornou viral na internet. Take Me to Church é rock com ligeiro sabor gospel, abordando a relação difícil entre os irlandeses e a Igreja Católica, o vídeo uma denúncia da violência contra os homossexuais, citando especificamente a situação na Rússia. No primeiro álbum, lançado há cerca de quatro meses, Hozier continua a introduzir nuances de blues em temas que conseguem manter-se ligeiramente frágeis (no bom sentido) ainda que por vezes cresçam até soarem a rock de estádio. Extrair optimismo de assuntos difíceis sem tombar em lugares-comuns parece ser uma das capacidades do irlandês.

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A Europa rendida ao medo (1)

por Pedro Correia, em 23.01.15

Museu Hergé, na Bélgica, anula in extremis uma exposição de caricaturas satíricas que pretendiam homenagear o Charlie Hebdo com receio de represálias do terror islâmico. "O Museu não existe para atiçar o fogo", justifica o director da instituição.

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Apesar de ter afirmado, por diversas ocasiões, que o apartamento em questão pertencia ao amigo de infância, José Sócrates e Sofia Fava terão tido uma palavra determinante na remodelação da obra. Sócrates terá decidido, entre outras coisas, o tipo de azulejos que deviam ser usados na remodelação do apartamento, garante o mesmo jornal, que escreve sobre o luxo do mesmo apartamento.

 

Confrontado pelo juiz Carlos Alexandre com estas informações, José Sócrates terá dito apenas que aceitou ajudar o amigo a decorar o apartamento porque tinha “melhor gosto”.

 

Não sei o que vos parece. Mas afigura-se-me uma versão dos factos absolutamente credível. Aliás, quem tiver um bocadinho de memória não terá dificuldade em confirmar quer a questão do bom gosto, quer o valor estético-decorativo dos azulejos que estarão em causa:

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Ó p'ra ela a virar esquerdalha!

por Teresa Ribeiro, em 23.01.15

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A Lagarde a fazer a apologia da distribuição da riqueza é... comovente. Fica-lhe tão bem como a gola de Vison que levou para Davos.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.01.15

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Uma menina está perdida no seu século à procura do pai, de Gonçalo M. Tavares

Romance

(edição Porto Editora, 2014)

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Reinaldo Moraes, O Safado

por Francisca Prieto, em 23.01.15

Quando aqui há uns anos a Pornopopéia de Reinaldo Moraes fez furor, atirei-me ao tomo à confiança. Cumpria o que prometia: uma verdadeira epopeia pornográfica que, com muito humor, chegava aos interstícios mais recônditos de qualquer corpo humano que se atrevesse a passar defronte da esferográfica do autor. Sexo de bradar aos céus, bem à bruta, objectos a entrarem e a saírem de orifícios variados, muita droga e muito rock and roll.

Escreve bem que se farta, o Reinaldo Moraes, como ele próprio diz, “com tesão pela escrita”, mas ao fim de umas cento e cinquenta páginas, aquilo já era xoxota a mais para mim, e, não obstante umas boas gargalhadas e o reconhecimento do nível literário da obra, rendi-me e deixei o resto do livro para ser lido em doses moderadas.

Chegou agora às bancas brasileiras “O Cheirinho do Amor – Crónicas Safadas” que deve ser precisamente isso: Reinaldo Moraes em doses moderadas, ou pelo menos uma javardeira já com uma certa ternura agregada.

Estou morta para lhe meter as mãos em cima.

 

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 23.01.15

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Luana Piovani

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Perpétuos Enganos

por Francisca Prieto, em 23.01.15

Telefonista de agência de publicidade passando a indicação da morada de um estúdio de som a um cliente: "sim, sim, na Rua Luxuriante, ali no Bairro Alto".

E desde então, nunca mais a Rua Luz Soriano foi para mim a mesma.

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As canções do século (1849)

por Pedro Correia, em 23.01.15

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Se calhar sou só eu que acho estranho

por Rui Rocha, em 22.01.15

Mas não, não me parece normal que as vencedoras dos concursos Miss Universo sejam sempre representantes do planeta Terra.

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Efeito QE

por José António Abreu, em 22.01.15

E se daqui a uns meses a Reserva Federal norte-americana resolver não apenas adiar indefinidamente a subida das taxas de juro mas dar origem a um quarto programa de quantitative easing, mais palmas se ouvirão, aplaudindo a escalada da primeira guerra mundial do século XXI - a guerra entre bancos centrais, ou guerra da moeda.

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Uns quantos álbuns de 2014 (18)

por José António Abreu, em 22.01.15

 

Monuments to an Elegy, dos Smashing Pumpkins.

 

Em várias ocasiões, o ego de Billy Corgan pareceu atingir o tamanho de uma galáxia de dimensão média. Se os primeiros álbuns dos  Smashing Pumpkins (o inicial Gish, que comprei sem ouvir - há duas dúzias de anos, a net era um boato estranho - por recomendação do defunto jornal Sete, o fantástico Siamese Dream, que os pôs no mapa, e o monumental Mellon Collie and the Infinite Sadness, que por instantes os transformou numa das maiores bandas do mundo) justificavam todas as megalomanias, a maioria da música que Corgan (sozinho, com bandas momentâneas ou em nome dos Abóboras) lançou desde então (e em particular desde Machina / The Machines of God, de 2000), não era má mas esquecia-se em dois minutos e trinta e nove segundos (fiz o teste mas não foi fácil porque me esquecia de desligar o cronómetro no mesmo instante em que me esquecia da música). A situação evoluiu com Oceania, o álbum anterior a este, e continua a evoluir com Monuments to an Elegy, um conjunto de nove canções curtas e globalmente melodiosas, onde a raiva (por vezes espalhafatosa) e o desespero (por vezes lamuriento) habituais em Corgan cedem lugar a algo mais parecido com maturidade (ou talvez resignação, que - quem diria - pode afinal ser coisa boa). Não trazendo o que quer que seja de verdadeiramente novo (é rock alternativo baseado em guitarras, com acrescentos de sintetizadores), não indo ficar na história (até porque o rock continua fora de moda), Monuments to an Elegy parece-me o melhor trabalho de Corgan em muitos anos. A única coisa grandiloquente nele é mesmo o título.

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Fazer filhos por dever é triste

por Teresa Ribeiro, em 22.01.15

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Não fosse o ditame "crescei e multiplicai-vos" e a sexualidade jamais seria tolerada pela moral cristã. Mas como para povoar a Terra é absolutamente necessário ceder aos prazeres da carne, não há outro remédio senão abençoar o acto, mediante certas condições, como se sabe. Uma é o casamento, outra é a cópula espiritualmente assistida, ou seja, estritamente orientada para a procriação.

Tudo o mais é luxúria, egoísmo, concubinato. Felizmente vivemos numa sociedade livre, em que até os católicos podem aligeirar estes preceitos e constituir família com muitos, poucos, ou filhos alguns. Não se livram, os casais menos férteis, é de levar com o epíteto de egoístas, só porquepreferem juntar dinheiro para comprar um jeep ou para ir de férias, do que para aumentar a prole.

Mas se vamos a falar de egoísmos também podemos considerar o dos casais que têm filhos por capricho, ou por uma questão de afirmação social, ou para preencher vazios existenciais. Esses egoísmos geram muitas famílias disfuncionais, por isso quando não se tem condições para assumir uma paternidade responsável por razões profissionais, psicológicas ou outras igualmente respeitáveis, mais vale comprar um jeep do que trazer ao mundo crianças infelizes.

Nos tempos que correm, parece-me muito mais adequado pregar o amor e disponibilidade que se deve aos filhos que se planeiam e não o dever de os ter, até porque ter filhos por dever é triste.

A paternidade responsável passa pela gestão controlada do número de crianças. Pode ter consequências graves para a demografia, só que esse não é um problema das populações, mas de quem as governa. Por isso a pressão deve ser feita sobre as políticas sociais e não sobre as pessoas. Ninguém faz filhos por causa da demografia. 

 

(foto de Dorothea Lange (Migrant Mother, de 1936)

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E que não me chamem xenófobo

por Pedro Correia, em 22.01.15

Se não estão satisfeitos por viverem num país liberal, podem emigrar e deixem-nos em paz.

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A tradição ainda é o que era

por Pedro Correia, em 22.01.15

Indiferente às acusações de sexismo, machismo e misoginia, o Sun reconsiderou, decidindo manter uma tradição de 44 anos que contribuiu como nenhuma outra para arejar a imprensa britânica. Um gesto que só pode merecer aplausos de qualquer conservador: as boas tradições devem ser mantidas.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.01.15

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A Amiga Genial, de Elena Ferrante

Tradução de Margarida Periquito

Romance

(edição Relógio d' Água, 2014)

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Profetas da nossa terra (62)

por Pedro Correia, em 22.01.15

«Seguimos todos os jogadores que emprestamos e temos a ambição de vê-los evoluir para voltarem a casa. É esse o caso de Bernardo Silva.»

Luís Filipe Vieira, 22 de Outubro de 2014 (três meses antes de mudar de opinião)

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As canções do século (1848)

por Pedro Correia, em 22.01.15

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Uns quantos álbuns de 2014 (17)

por José António Abreu, em 21.01.15

 

Nikki Nack, de tUnE-yArDs.

 

tUnE-yArDs é basicamente Merril Garbus, uma ex-marionetista capaz de juntar ritmos aparentemente desconexos de forma tão perfeita como António Lobo Antunes une palavras nos títulos dos seus livros mais recentes. Não obstante já terem decorrido uns meses desde que o álbum foi lançado, ainda estou a tentar decidir de que forma é esta canção (o primeiro single) genial - se pela capacidade de invenção, descomplexidade (música assim merece palavras novas) e ritmo dançável que apresenta, se por constituir a conjugação de sons mais irritante que saiu em 2014. Decidam por vocês mesmos ou - quem sou eu para exigir autonomia às pessoas? - perguntem a quem vos costuma fornecer as opiniões. O resto do álbum segue a mesma linha, sendo quiçá um pouco menos melódico.

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memória sff

por Patrícia Reis, em 21.01.15

É preciso ter memória. É preciso? Bom, é inconveniente, mas crucial. A maioria das pessoas não aprecia. Há quem tenha, quem não tenha. Vivo rodeada de gente que têm pouca memória. Pessoas mais próximas ou mais distantes, tantas vezes com discursos moralistas cheios de fundamentalismo e outros preceitos menos simpáticos, apenas por não se recordarem do que disseram, fizeram, viveram, decidiram, vociferaram, prometeram e por aí fora. Eu cultivo a memória para saber em que chão piso. Para não me iludir. Para viver melhor comigo e com as lições que me acontecem com a vida. Não preciso de me enganar. Sei que o que disse aos vinte anos é distinto do que disse aos trinta; sei que o que disse ontem é, porventura, distinto do que possa dizer hoje (pelo menos em certas matérias, creio que a relutância em ouvir argumentos e contra-argumentos não é benéfica, logo sou a favor da mudança de opinião, se esta é feita de forma inteligente e construtiva). Ser coerente uma vida inteira, só para dizer que se é coerente, é o maior acto de desinteligência que conheço. Ao contrário do que alguns possam pensar, tenho demasiado respeito por mim - aprendi a ter - para não saber onde estive, onde estou. O facto de ter estes parâmetros bem definidos na minha cabeça faz com que vá tendo alguns dissabores. Tive um enorme desgosto há dois anos e pouco, tive um em Fevereiro de 2014; em 2015 não tenciono sofrer mais desilusões. Procuro encarar as pessoas como encaro os factos da vida: aceito o que posso, rejeito o que consigo. Quero o que me faz bem e não me mente. Quero o melhor para as pessoas que amo. Não pactuo com equívocos, não faço as pazes com alguém por ser conveniente, por ser politicamente correcto. Mantenho as minhas inimizades com a mesma força com que mantenho as minhas amizades. As mais recentes incompreensões fazem-me acreditar que o sistema das gavetas é essencial: estes vão para aqui, aqueles vão para ali. As pessoas - e as coisas - têm a importância que lhes damos. Mais nada. A importância também está na memória.

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Vanguardismo de opereta

por Pedro Correia, em 21.01.15

Alguns apologistas do chamado acordo ortográfico defendem-no com zelo passional alegando que o fazem em nome do progresso. São incapazes de perceber que o progresso nada tem a ver com isto. Ou até terá, mas no sentido contrário ao que pretendem.

Progresso tem a ver com literacia. E as sociedades com maiores índices de alfabetização são precisamente aquelas que têm uma ortografia consolidada há séculos e jamais necessitaram de “reformas” unificadoras neste domínio. Britânicos e norte-americanos, por exemplo, nunca precisaram de acordo algum para limarem as suas notórias divergências ortográficas, que não constituem obstáculo para a compreensão mútua – pelo contrário, só enriquecem o inglês partilhado pelos compatriotas de Shakespeare e Mark Twain, cada qual com o seu sotaque.

Quanto mais estabilizada estiver a ortografia de uma língua, maior é o correspondente índice de alfabetização dos utentes desse idioma. E o inverso também se aplica em países como o nosso: Portugal produziu três profundas reformas ortográficas em menos de um século sem com isso deixar de ser um dos países com menores índices de literacia da Europa.

 

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Pensei em tudo isto ao ler o mais recente comunicado da Procuradoria-Geral da República, alusivo à audiência que o director do Jornal de Notícias solicitou a Joana Marques Vidal. Neste comunicado, Afonso Camões é alternamente referido como “director” e “diretor” do referido matutino.

Se ao mais elevado nível das instituições estatais perdura a indefinição sobre a ortografia, não custa imaginar as incertezas do cidadão comum sobre este mesmo tema. Pouco admira, portanto, que tantas “reformas” acabem por fabricar legiões de analfabetos funcionais, incapazes de redigir o mais simples texto de acordo com o quadros normativo. Porque a norma, nesta matéria, continua a oscilar ao sabor de vontades políticas de ocasião: muda o regime, logo muda a ortografia.

Foi assim na transição da monarquia constitucional para a I República, e desta para o Estado Novo, e da ditadura para a democracia.

 

Os que insistem em abolir as chamadas consoantes mudas, arrancando as raízes etimológicas da escrita como se fosse um indício de progresso, estão afinal condenados a perpetuar os humilhantes padrões de iliteracia vigentes entre nós. O fosso entre o nosso idioma e as grandes famílias ortográficas europeias não é sintoma de avanço mas de retrocesso civilizacional.

Entretanto, os auto-intitulados “progressistas” que tanto se gabam de escrever “diretor”, como se fosse o último grito da moda, continuarão a escrever “director” em inglês, “director” em espanhol, “directeur” em francês e “direktor” em alemão.

O “progresso” ortográfico, à luz deste vanguardismo de opereta, termina algures na ligação rodoviária entre Elvas e Badajoz.

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Pensamento da semana

por Rui Rocha, em 21.01.15

O Pai, o Filho, o Espírito Santo e a Mãe do Papa Francisco.

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Je suis Sun

por Pedro Correia, em 21.01.15

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Pressões feministas põem fim a uma das mais conhecidas tradições da imprensa britânica: a página 3 do tablóide The Sun, existente há 44 anos na versão "arejada"

 

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A Paixão segundo Francisco

por Rui Rocha, em 21.01.15

Naquele tempo, enquanto os soldados romanos o crucificavam, Jesus olhou os Céus e disse:

Pai, perdoa-lhes; pois não sabem o que fazem.

Mas logo ali continuou:

Agora, em verdade Te digo; se estes cabrões dos romanos abrirem o bico para dizer uma palavra que seja sobre minha Mãe, estrelinha que os guie, que deslargo-me da cruz e acerto-lhes um arraial de porrada naquelas trombas que ainda ficam todos roídinhos de saudades do Obelix.

 

(Os mais atentos constatarão que o post é repetido. Pois é. O ponto é que o Papa Francisco também veio dizer outra vez o que já antes tinha dito. Apesar de alguns lhe chamarem esclarecimento. Na verdade, nem sequer é bem a mesma coisa. É pior. Porque na versão inicial sempre estava em causa, em sentido figurado, a senhora sua mãe. E agora, se virmos bem, o que está em causa é uma formulação geral dirigida a qualquer tipo de sátira ou provocação. Perante a carnificina de inocentes, o Papa, em lugar de dedicar o seu tempo e o seu verbo a condenar radicalmente a bárbarie, prefere teorizar sobre a liberdade de expressão. Este relativismo moral de quem professa a crença no absoluto é francamente inadmissível. A insistência na ideia de provocação, num contexto destes é, ela sim, uma verdadeira blasfémia contra o valor sagrado da vida humana. Que cresce com a reiteração intencional do que já tinha sido dito. Perante inocentes trucidados, o Papa opta pela via corporativa de defesa do edifício intocável das religiões e investe na elaboração de uma tese que, queira ou não, acaba sempre na cedência à ideia da responsabilidade da vítima. Perante a bárbarie só pode existir condenação sem mas nem meios mas. Se virmos bem, a repetição do post é coisa bem pouca perante uma posição que é, falando sem rodeios, uma vergonha).

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Eleições gregas III

por Luís Naves, em 21.01.15

Se a Nova Democracia vencer as eleições na Grécia, haverá análises a lamentar a chantagem exercida sobre o eleitorado grego. Veremos títulos do género “A vitória do medo”, embora a melhor leitura seja a firme intenção da Grécia de permanecer na zona euro. Lendo muito do que é escrito, parece que os parceiros da Grécia não são democracias e os seus governos não respondem aos respectivos eleitorados.

O Syriza pode vencer as eleições, escolher o pragmatismo e renunciar às promessas eleitorais, aceitando o que já tem, mas em doses maiores, sobretudo maturidades mais longas para os créditos ou o não pagamento de juros sobre alguns dos empréstimos. A Grécia estava a reestruturar a dívida, como aliás Portugal está a fazer com êxito*. No entanto, se o Syriza vencer e se insistir nas promessas populistas, não será possível cumprir os termos do próximo resgate e a Grécia não receberá novo pacote de ajuda. Um governo de esquerda terá de falhar muitas promessas eleitorais. As taxas de juro estão acima de 10% e o único caminho alternativo é o da bancarrota, o que implica saída do euro, com hipotética nacionalização da banca, controlo de capitais, desvalorização abrupta e mais desemprego e sacrifício económico para a população. Na actual configuração da união monetária, a imagem que devemos usar é a dos alpinistas que sobem uma montanha seguros por uma corda. Se os últimos da corrente puserem os restantes em risco, a corda é cortada para evitar que todos caiam.

O euro tem um precedente histórico (enfim, com diferenças e semelhanças), a união monetária austro-húngara, que foi um extraordinário sucesso durante 50 anos, mas que obrigou o império a fazer cortes nos gastos militares antes da guerra de 1914, uma das razões da derrota, ou seja, o êxito esteve na origem da perdição ou, visto de outra forma, uma união monetária obriga a actualizar as ambições políticas dos seus membros, o que não aconteceu no caso austro-húngaro e não está a acontecer no caso de alguns países do euro. O fim da união, em 1918, foi uma calamidade para alguns dos envolvidos: a Hungria, por exemplo, teve a maior hiper-inflação da História. Por isso, como sugere o precedente, a saída do euro será péssima para os gregos, a reestruturação possível será insuficiente para o Syriza e o perdão de dívida parece impossível para os países credores, pois é inaceitável para a opinião pública do norte da Europa e acabaria com a credibilidade da moeda única. Onde estará o ponto de equilíbrio entre estes elementos? Estará algures, certamente, mas parece mais lúcido não testar os limites.

 

* Portugal está a financiar-se em todos os prazos e vai reembolsar os empréstimos do FMI, livrando-se da troika. Os analistas diziam que era impossível. 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.01.15

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A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson

Tradução de Alexandre Pinheiro Torres

Prefácio de Miguel Sousa Tavares

Romance

(reedição Clube do Autor, 2014)

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As canções do século (1847)

por Pedro Correia, em 21.01.15

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Perigo

por José António Abreu, em 20.01.15

Sabes, Raylan, eu aprendi a pensar sem discutir comigo mesmo.

Boyd Crowder, vilão da série televisiva Justified.

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