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Regressos

por Ana Vidal, em 26.05.16

Há dias em que tudo nos nos puxa inexoravelmente para o passado. Dias que nos obrigam a olhar para trás e a reviver momentos longínquos, antes que a voragem do tempo os leve para sempre da nossa memória. Que nos devolvem imagens de muros caiados, cheiros e sabores há muito perdidos, sons de passos em soalhos encerados ou lajes de pedra, alamedas de cedros e palmeiras onde o sol se entretém a desenhar sombras chinesas, povoando de fantasia os misteriosos caminhos da infância.

Ontem foi um desses dias. Sem saber como nem porquê, no regresso de Lisboa para Sintra fiz um desvio e fui procurar uma velha quinta, vendida há anos, onde passei os mais saudosos Setembros da minha vida. Foi um erro. Para começar, custou-me encontrar o lugar, porque já nada existe que seja reconhecível: os arredores passaram de muros de pedra cheios de musgo e estradas de terra batida a um emaranhado de ruas asfaltadas entre prédios altos, todos iguais; a antiga casa da quinta, desenhada por Raul Lino, foi substituída por inúmeras moradias geminadas pintadas de um amarelo pífio; todas as árvores e plantas morreram ou foram arrancadas; o portão verde de ferro rendilhado deu lugar a uma enorme placa metálica que obedece ao abre-te sésamo de um qualquer comando electrónico; o velho tanque, a que gostávamos de chamar piscina e fazia as nossa delícias, desapareceu sem deixar rasto. Há uma grade alta que rodeia tudo, sem ter sequer uma sebe a suavizar-lhe a rigidez ameaçadora.

É um condomínio de luxo, minha senhora, disse-me uma mulher a quem fiz perguntas cujas respostas não queria ouvir. Luxo? A mim pareceu-me uma triste gaiola partilhada.

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A mesquita de Medina.

por Luís Menezes Leitão, em 26.05.16

Nada tenho contra a construção de mesquitas em Lisboa. Há uma mesquita que funciona ao pé do meu escritório e tem sido absolutamente exemplar em termos de convivência pacífica com os moradores da zona. Por isso até acho muito bem que se construa uma nova mesquita na Mouraria, um lugar com grandes raízes de presença muçulmana. O que já não acho nada bem é que o Presidente da Câmara queira construir a mesquita em questão à custa dos impostos e taxas que sistematicamente anda a extorquir aos lisboetas. Num Estado laico não há qualquer razão para que os dinheiros públicos financiem a construção de templos, seja qual for a religião que neles seja praticada. E considero especialmente grave que um proprietário esteja a ser expropriado dos seus bens, devido a esta intenção do Presidente da Câmara, Fernando Medina, que pelos vistos quer lançar uma nova Mesquita de Medina, agora em Lisboa. Qual é o interesse público que pode estar subjacente a esta expropriação? E dizem que isto foi aprovado por todos os partidos na Câmara? Será que em Portugal os cidadãos não têm um único partido que os defenda?

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Fora de série (11)

por Rui Rocha, em 26.05.16

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Do fundo da memória, desse mesmo tempo em que esperávamos o início da transmissão  televisiva a mais de meia tarde olhando para a mira técnica, em que o indicativo da Eurovisão prenunciava quase sempre os Jogos sem Fronteiras (quando não calhava tratar-se de uma transmissão da filarmónica de Viena para profunda decepção deste que aqui escreve), em que Vasco Granja pronunciava o nome de Tex Avery e os olhos já brilhavam, recupero vagas imagens de loucas correrias de hordas de guerreiros, de bandeiras ao vento, de artes marciais improváveis, de códigos de honra inquebráveis apesar das maiores vilanias. Ling Chung era um herói. E Ling Chung era eu quando segurava um ramo que se assemelhava à sua espada para correr pelo quintal da avó Palmira com o cabelo ao vento (e meu Deus, como em Espinho fazia vento) em perseguição do ignóbil Cau-Chi, ou lá como se chamava. E invariavelmente o Cau perdia, dobrado o cobarde, ali de joelhos onde o quintal acabava. Perdia o Cau e perdiam os morangueiros que o avô Adriano tinha plantado que nisto de perseguições a tiranos não podia o herói afastar-se do seu caminho da justiça cá por coisa de meia-dúzia de morangos. Claro que até os heróis cometem erros. Ling Chung cometia-os na série, mas nunca desistia. E eu, embora menos, também cometi alguns quando no Sisto, Silvalde, Espinho, Distrito de Aveiro, nos anos 70 do século XX, entrava na pele do justiceiro que vivera na dinastia Song. Ou não terei cometido um erro naquela tarde de Verão em que, empunhando a espada-ramos, zurzindo-a em todas as direcções, defendendo os imaginários companheiros de Ling Chung da injustiça, enfiei tamanha bordoada no Monteiro que andava a sulfatar as fruteiras que o homem perdeu o controlo da escada e aterrou de bruços no meio das couves-pencas? Cometi pois. E nestes casos há que saber recuar quando a batalha está perdida para evitar maiores danos. Retirei a todo o vapor, correndo mais do que Ling Chung correra em qualquer episódio, enquanto o Monteiro Cau-Chi me perseguia, com metade da cara azul do sulfato e a outra metade vermelha do impacto da aterragem. E só parei na cozinha, recuado já em linhas defensivas, bem atrás da saia da minha mãe. Que embora não aparecesse na série, o Ling Chung também havia de ter mãe que devia gostar muito dele. E pronto. Para os que não viram ou já não se lembram, se não me engano, o Ling Chung era aquele que está ali em cima de amarelo. E digo se não me engano porque já não me lembro muito bem dele, embora me lembre como se fosse hoje da cara do Monteiro Cau-Chi  com o nariz espetado entre as pencas ou, visto de outro ângulo, com as pencas espetadas no nariz.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.05.16

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 A Papisa Joana, de Emmanuel Rhoides, segundo o texto de Alfred Jarry

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

Romance

(edição Sistema Solar, 2016)

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Para reflectir neste feriado

por Pedro Correia, em 26.05.16

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Procissão do Corpus Christi em Lisboa, com a presença do Rei D. Manuel II (1908)

 

É o dia certo para aplaudir outra medida do Governo. Esta tem uma importância acrescida no plano simbólico, o que a torna ainda mais digna de realce. E - tal como a do Simplex 2016, que saudei aqui - também tem um impacto directo na vida dos portugueses. Refiro-me à reposição das quatro datas do calendário laboral que haviam sido retiradas em 2012 da lista dos feriados nacionais - sem uma justificação plausível, sem resultar de imposição dos credores externos que tutelavam as nossas finanças públicas, sem sequer um estudo de impacto orçamental que as tornasse credíveis no estrito plano contabilístico. Foi um erro lapidar do anterior Executivo: nos momentos de crise, há que fazer um apelo reforçado aos valores comunitários que estes feriados de algum modo celebram.  "Uma coisa completamente tonta", como na altura salientou Marcelo Rebelo de Sousa.

Sendo justo e acertado o aplauso a António Costa por ter anunciado de imediato o regresso ao bom senso neste domínio, não pode passar sem um severo reparo crítico a atitude pusilânime da hierarquia católica, que há quatro anos acedeu sem um sussurro de protesto à supressão do Dia do Corpo de Deus e do Dia de Todos os Santos - datas solenes do calendário litúrgico e com longa tradição de prática votiva entre nós - da lista de feriados oficiais.

Assistia plena razão à Igreja, no plano institucional e moral, para reclamar contra o banimento oficial das duas festas cristãs que forçou até uma troca de documentos diplomáticos entre Lisboa e o Vaticano por incluir matéria contida na Concordata, tratado internacional celebrado entre o Estado português e a Santa Sé. Mas optou pelo silêncio, como se lhe fosse indiferente a opinião da cidadania católica e não entendesse o grave precedente que aquela decisão governamental abria no equilíbrio sempre delicado entre um Estado aconfessional e uma sociedade com matriz religiosa.

Esse perturbante silêncio de então contrasta de forma chocante com o alarido actual em torno das previstas alterações ao modelo dos contratos de associação celebrados entre o Ministério da Educação e algumas dezenas de estabelecimentos escolares, parte dos quais geridos pela Igreja. Apetece perguntar como Jesus no Evangelho: "O que vale mais? O ouro ou o santuário que tornou o ouro sagrado?" (Mateus, 23-17)

Matéria que justifica meditação neste dia que volta a ser feriado.

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Feira do Livro de Lisboa: sessões de autógrafos

por Inês Pedrosa, em 26.05.16

 

26 DE MAIO

Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada (16 h); Inês Pedrosa (16.30); Maria Manuel Viana (16.30); Patrícia Müller (16 h).

 

27 DE MAIO

Helena Sacadura Cabral (18 h); Maria Manuel Viana (17 h).

 

28 DE MAIO

Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada (16 h); Cristina Carvalho (16 h); Cristina Norton (17 h); Deana Barroqueiro (16 h); Gabriela Ruivo Trindade (16 h); Inês Pedrosa (17h); Maria Manuel Viana (17 h); Patrícia Reis (17 h); Rita Ferro (17 h); Rita Taborda Duarte (16 h).

 

29 DE MAIO

Alice Vieira (16.30); Ana Margarida de Carvalho (16 h); Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada (16 h); Ana Zanatti(15.30); Helena Sacadura Cabral (15 h); Joana Bértholo (16 h); Maria João Lopo de Carvalho (17 h); Maria Teresa Horta ( 16.30); Patrícia Portela (16 h).

 

4 DE JUNHO

Ana Margarida de Carvalho (16 h); Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada (16 h); Deana Barroqueiro (16 h); Filipa Leal (16 h); Helena Sacadura Cabral (17 h); Inês Pedrosa (16.30); Isabel Rio Novo (16 h); Julieta Monginho (16 h); Lídia Jorge (16.30); Mafalda Moutinho (16 h); Margarida Fonseca Santos (17 h); Maria João Lopo de Carvalho (16.30); Maria Manuel Viana (16.30); Rosário Alçada Araújo (17 h).

 

5 DE JUNHO

Ana Cristina Silva (16 h); Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada (16 h); Ana Zanatti (15.30); Isabel Rio Novo (16 h); Mafalda Moutinho (16 h); Maria Manuel Viana (16.30); Maria Teresa Horta (16.30); Patrícia Müller (16 h); Patrícia Reis (16.30); Rita Taborda Duarte (16 h); Teolinda Gersão (15.30).

 

10 DE JUNHO

Alice Vieira (16.30); Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada (16.30); Inês Pedrosa (16.30); Isabel Zambujal (17 h); Joana Bértholo (16.30); Rita Ferro (16.30).

 

11 DE JUNHO

Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada (16 h); Dorothy Koomson (17 h); Helena Vasconcelos (17 h); Luísa Costa Gomes (17 h); Mafalda Moutinho (16 h); Patrícia Portela (16 h); Tatiana Salem-Levy (15 h).

 

12 DE JUNHO

Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada (16 h); Dorothy Koomson (17 h); Helena Sacadura Cabral (15 h); Inês Pedrosa (16.30); Rita Ferro (16.30); Teolinda Gersão (15.30).

 

13 DE JUNHO

Alice Vieira (16.30); Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada (16 h); Dorothy Koomson (17 h).

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RH Music Box (116)

por Rui Herbon, em 26.05.16

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Autor:  Praxis

 

Álbum: Transmutation - Mutatis Mutandis (1992)

 

Em escuta: Animal Behavior

 

 

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Pesos e medidas

por Ana Vidal, em 25.05.16

"Não gosto de fanatismos, porque nos cegam. Quem defendeu como nós a total liberdade da imprensa e pintou na cara a bandeira francesa quando surgiu a tragédia do Charlie Hebdo, porque se indigna agora ao rubro com um anódino cartaz em que Mário Nogueira vestido de Estaline puxa os cordelinhos a um ME marioneta? Porque o cartaz é da JSD? Porque Mário Nogueira é sacrossanto, intocável e sagrado? Porque é proibido fazer humor com políticos e com sindicatos? Afinal não queremos liberdade de imprensa? E é proibido rir?"

 

(Teolinda Gersão, na sua página do facebook)

 

A verdade é que muita gente ainda não integrou bem o conceito de liberdade de expressão, por isso lida mal com ela quando não é praticada pelos "seus". E quando a esta se associa o humor, tudo piora ainda mais.

 

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Iguais, mas ainda pouco...

por Helena Sacadura Cabral, em 25.05.16

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Há mulheres no Governo, na banca, na bolsa e, dentro de pouco tempo, até no Banco de Portugal, onde há muitos anos Manuela Morgado foi novidade.

De facto, não há nenhuma mulher a presidir a uma empresa do PSI 20, o principal índice bolsista.

Segundo o Jornal de Negócios, as empresas cotadas em bolsa terão de ter pelo menos 20% dos administradores do sexo feminino até 1 de janeiro de 2018. Caso contrário, serão castigadas com a suspensão dos títulos.

A proposta, que hoje vai ser apresentada pelo Governo à Concertação Social, contempla o aumento desse número para 33% até 2020. Se a meta for cumprida, um em cada três administradores das cotadas será uma mulher, na viragem da década.

O destaque continua a ir para a Nos, queconta com cinco mulheres na administração (embora apenas uma, Ana Paula Marques, seja executiva), e para a Galp, cuja vice-presidência (não executiva) está entregue a Paula Amorim, filha do maior acionista da empresa.

A última empresa cotada liderada no feminino foi a EDP Renováveis, até 2012, tendo como presidente Ana Maria Fernandes.

No próximo ano, a meta a atingir é de 33%. A cumprir-se o objetivo, teremos em 2017 uma mulher em cada três dirigentes do Estado, contra as atuais uma em cada quatro.

 

                        ( Retirado da comunicação social )

 

A matéria discute-se há muito tempo. E até  se legisla. Mas poucos cumprem.

Pessoalmente não gosto de quotas, porque elas ainda constituem discriminação positiva e eu não gosto de discriminações. Mal vamos nós, mulheres, enquanto elas forem necessárias...

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A Feira do Livro

por Helena Sacadura Cabral, em 25.05.16

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A quem possa estar interessado, este será o meu horário na Feira do Livro

27/5  das18h às 20h      Clube do Autor e Pengouin Random House/ Objectiva
29/5  das 15às !7h         Pengouin Random House / Objectiva
4/6   das17h às 19h       Clube do Autor e Pengouin Random House/ Objectiva

12/6  das17h às 19h       Pengouin Random House/ Objectiva e Clube do Autor

 
Não só para assinar livros mas para ter o gosto da vossa visita. Apareçam!

 

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Amarela

por António Manuel Venda, em 25.05.16

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Não sabia que era amarela. Uma das sobreviventes. Das dezenas e dezenas de sobreviventes de todas as mudanças que fiz por aqui. Houve quem me dissesse que haveriam de morrer em menos de nada, mas eu acreditei que não. Dia após dia. E nenhuma morreu. Algumas, mais batalhadoras, fartaram-se de amandar picadas. Como se eu estivesse a fazer uma mudança de sítio não de roseiras mas sim de alclaras - ou escorpiões, para quem é de fora destas terras que sempre se mantiveram no topo do sul de Portugal. Picaram-me como alclaras, com algumas diferenças (não mandavam veneno, faziam sangue e a dor em vez de durar vinte e quatro horas durava, nem sei, uns vinte e quatro segundos). Ainda continuam a picar, mas menos. Já as alclaras, essas andam na mesma e é preciso um certo cuidado.

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Carlos Drummond de Andrade

por Patrícia Reis, em 25.05.16

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Uma operação "Top Secret" de prestígio

por Alexandre Guerra, em 25.05.16

A operação "Top Secret" levada a cabo pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e pela Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária, e que resultou na detenção de um espião dos Serviços de Informações de Segurança (SIS), é um enorme atestado de competência e de credibilidade para as "secretas" nacionais. Ao contrário do que muitos possam pensar, este episódio digno de um livro do John Le Carré não revela qualquer fragilidade ao nível operacional das secretas nacionais. Pelo contrário, é demonstrativo que a sua capacidade de "contra-espionagem" funciona e tem capacidade de agir na defesa dos interesses da segurança de Portugal e, muito importante, das organizações políticas e de defesa a que pertence, nomeadamente a NATO. 

 

Ovelhas tresmalhadas sempre houve, há e haverá em todos os rebanhos, o que é o mesmo que dizer que nenhum serviço de "intelligence" está livre de não ter nas suas fileiras algum infiltrado a trabalhar para o inimigo. A Guerra Fria está repleta de casos desses, alguns dos quais bastante espectaculares, atendendo ao seu grau de sofisticação e criatividade. Mas já nesta era da globalização pós-queda do Muro de Berlim, têm sido vários os casos de espionagem e contra-espionagem que, de tempos a tempos, ocupam as páginas dos jornais. Assim de repente, recordo dois ou três e, curiosamente, todos eles envolvendo a Rússia. 

 

A operação "Top Secret" resultou de uma investigação que se prolongou durante vários meses, depois de terem surgido as suspeitas sobre o agente do SIS em causa, e só na passada Sexta-feira foi possível reunir todas as condições para apanhar em flagrante delito o espião português num encontro em Roma com um operacional do SVR (ex-KGB) para vender-lhe documentos confidenciais relativos à NATO. Ora, esta detenção só foi possível graças à colaboração pronta da polícia italiana e porque havia um mandado de captura europeu, fazendo desta operação um feito inédito ao nível da parceria trans-europeia em matéria de contra-espionagem. De tal forma, que o próprio Eurojust congratulou-se publicamente pelo sucesso da operação. 

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Escreve a revista sábado sobre a Feira do Livro deste ano:

 

Aqui, destaque para os clássicos e/ou bestsellers portugueses que vão estar a autografar:
- António Lobo Antunes
- Gonçalo M. Tavares
- José Rodrigues dos Santos
- Miguel Sousa Tavares .
- José Rentes de Carvalho
- Mário de Carvalho
- Mário Cláudio
- Eduardo Lourenço

Referência ainda para a presença de alguns autores estrangeiros a dar autógrafos:
- Joel Dicke:
- José Eduardo Agualusa
- John Banville:
- Pepetela:
- Ondjaki:
- M. J. Arlidge:
- Ruy Castro:
- Luis Sepúlveda
- Jerónimo Pizarro

No parágrafo acima já falámos de alguns lançamentos, mas há outros a reter:
de Bernardo Pires de Lima.
de Richard Zimler e Júlio Pomar
de Rui Cardoso Martins
de António Marujo
de José Pacheco Pereira

 

Portanto a feira faz-se sem Alice Vieira, Lidia Jorge, Inês Pedrosa,  Luisa Costa Gomes, Teolinda Gersão, Hélia Correia, Ana Margarida de Carvalho, Gabriela Ruivo Trindade, Tânia Ganho, Cristina Carvalho, Filipa Leal, Ana Cristina Silva, Maria Manuel Viana, Maria João Lopo de Carvalho, Helena Sacadura Cabral, Alexandra Lucas Coelho, Leonor Seixas, Maria Manuel Viana, Rita Ferro, Isabel Alçada, Ana Magalhães, Cláudia Clemente, Marta Vaz, Carla Maia de Almeida, Rute Coelho, Dulce Maria Cardoso, Inês Almeida, Fausta Cardozo, Irene Pimentel, Ana Luísa Amaral, Helena Marques entre outras. Estou esclarecida.

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Fora de série (10)

por Diogo Noivo, em 25.05.16

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A propósito do vício da nostalgia, Pedro Mexia escreveu que compramos “as séries de televisão de que gostávamos na adolescência, mesmo que a magia não resista à revisitação”. Creio que a magia não resiste à revisitação quando esta é feita por outrem. Isto é, quando alguém decide ir ao passado recuperar uma fórmula de sucesso e arrastá-la para o presente. Tal como ligar a uma ex-namorada às 3 da manhã para reatar uma relação perdida no tempo, estas reanimações de experiências já vividas acabam quase sempre de forma nefasta. A 10ª temporada de Ficheiros Secretos, composta por 6 episódios e emitida este ano, confirma a regra. Vi esta última temporada com o temor de quem sabe que não devemos regressar aos lugares onde fomos felizes – mesmo que se trate de um lugar catódico. E o temor confirmou-se. Mas já lá vamos. Comecemos pela série original, emitida entre 1993 e 2002, pela cadeia televisiva Fox (chegou a Portugal um ano mais tarde pela mão da TVI e está agora a ser emitida na RTP Memória).

 

 

The Truth is Out There

Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) são os agentes do FBI responsáveis por investigar casos paranormais. Evidentemente, as mentes medianamente ilustradas olharão com desdém para a série. À primeira vista, a coisa resume-se a monstros e a discos voadores, tudo assuntos de gente que se entretém com pouco. Mas nos Ficheiros Secretos nada é o que parece ser.

O tema central de X-Files é a desconfiança em relação ao Estado. Trata-se de uma crítica aos abusos da política e aos poderes fácticos que sequestram o Estado. Aliás, parte do brilhantismo da série reside precisamente nas várias referências a um dos casos mais célebres de abuso de poder por parte de um governo: Watergate. Por exemplo, o ‘X’ que Fox Mulder desenhava com fita adesiva na janela do seu apartamento, sinal usado para convocar o misterioso informador que sabia mais do que dizia (na verdade, ao longo das 9 temporadas Mulder teve vários informadores), é uma alusão directa à pequena bandeira encarnada que o jornalista Bob Woodward colocava na sua varanda quando desejava falar com Deep Throat, o informador que delatou Watergate. Fiéis ao caso que inspirou a série, os encontros de Mulder com as suas fontes eram conversas de meias palavras e ocorriam sempre em ambientes lôbregos, dignos sucessores dos locais sombrios e discretos onde Woodward e Deep Throat se reuniam.

 

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Contudo, as reminiscências da História contemporânea dos EUA não se ficam por aqui. O personagem Smoking Man, também conhecido por Cancer Man, interpretado por William B. Davis, mais do que o vilão de serviço e a personificação dos poderes ocultos que corrompem a democracia, é um elo permanente à memória colectiva norte-americana, em particular, às várias teorias da conspiração que dão cor ao passado recente dos EUA. Segundo X-Files, o Cancer Man assassinou Martin Luther King, assassinou JFK e fez de Lee Harvey Oswald o bode expiatório. Enfim, de eventos desportivos memoráveis a guerras civis no estrangeiro, o Cancer Man fez História, condicionando-a e alterando o seu curso em momentos determinantes, sempre embrulhado num manto difuso onde a conspiração e o mito são intencionalmente confundidos.

Entre 1993 e 2002, os Ficheiros Secretos pautaram-se por guiões impecavelmente escritos. Os monólogos em off de Mulder e Scully, que muitas vezes abriam os episódios, são peças com qualidade literária indiscutível. Vale a pena referir ainda que as nove temporadas iniciais da série estão marcadas por inúmeras pistas mais ou menos ocultas, essenciais para entender a história de fundo, mas também para compreender a construção dos personagens. Veja-se, a título de exemplo, a Twin Paradox Theory, de Albert Einstein. Em traços gerais, os possíveis para o leigo que sou, Einstein demonstrou que dois irmãos gémeos, por força do movimento e da inércia, podem ter idades diferentes. Portanto, duas criaturas idênticas e nascidas ao mesmo tempo podem estar separadas por anos – e por todas as experiências contidas nesse hiato. Ora uma das ideias centrais por detrás da dinâmica entre Mulder e Scully é precisamente esta teoria de Einstein. E o espectador atento e curioso podia descobrir a relação. Logo no primeiro episódio da primeira temporada, vemos a tese de doutoramento de Dana Scully, intitulada “Einstein’s Twin Paradox Theory: A New Interpretation”. Umas temporadas mais tarde, já não me recordo exactamente quando, é o Cancer Man a referir-se a esta teoria de Albert Einstein num contexto que claramente apontava para a dupla de protagonistas. Diga-se que estas pistas ocultas fizeram escola: que seria da série Lost –Perdidos sem os Ficheiros Secretos?

 

A revisitação falhada

O regresso da série ao fim de 14 anos gerou uma expectativa tremenda. Mas, como referi no início deste post, foi uma decepção total. Desapareceram as referências às grandes teorias da conspiração da política norte-americana, os diálogos podiam ter sido escritos por uma criança em idade pré-escolar, e o ambiente soturno que caracterizou as temporadas anteriores foi substituído por um registo de sitcom. Voltámos para os braços da ex-namorada, mas o tempo passou e ela mudou. Esta 10ª temporada teve, contudo, um grande mérito: valorizar ainda mais as 9 temporadas originais e fazer dos X-Files uma série de culto imune às agruras da passagem do tempo.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.05.16

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Portugal e o Atlântico, de Bernardo Pires de Lima

Ensaio

(edição Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2016)

"Este livro não está redigido segundo o novo Acordo Ortográfico"

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Deixem-se de lérias

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.05.16

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Confesso que já estou enjoado com a conversa dos contratos de associação. Mais com a desinformação, com a chantagem barata, a politiquice e a pseudo indignação de meia dúzia de privilegiados, de alguns manipuladores e de instrumentalizados de boa fé que defendendo o seu legítimo direito de escolha querem que este seja exercido – sem perceberem o que está em causa –, com a generosa colaboração de todos os contribuintes. De igual modo, confesso que não compreendo por que razão havemos de ser todos a contribuir para pagar a alimentação dos cavalos, as aulas de esgrima e a água das piscinas de algumas instituições a que só alguns podem aceder.

O Estado tem de assegurar o direito de todos à educação e a um ensino que ensine e que forme com qualidade os seus cidadãos. E também tem de garantir a liberdade de escolha e a liberdade de abertura e de encerramento de escolas privadas; mas é evidente que não tem de estar a sustentar a educação ministrada em escolas privadas ou estabelecimentos de ensino religioso, ou os seus luxos, mais a mais sendo Portugal um Estado laico e não estando em causa a satisfação de necessidades públicas, em detrimento da escola pública.

O ideal era que o Estado, em vez de estar a subsidiar os estabelecimentos privados, atribuísse uma verba por aluno aos seus pais, dando-lhes a faculdade de depois poderem escolher a escola para os filhos. Os empresários abriam as escolas e colocavam-nas no mercado com o seu próprio dinheiro, ou pedindo a alguém – sem ser o Estado – que lhes emprestasse. Os pais escolhiam a escola e usavam o dinheiro recebido do Estado para pagar parte da educação do filho na escola escolhida. Se fosse privada e a mensalidade fosse superior ao valor do cheque teriam de cobrir a diferença do seu bolso. Mas, infelizmente, as coisas não funcionam assim. 

Por isso mesmo, se uma escola privada apresenta cem ou duzentos mil euros de lucros contando para a sua realização com subsídios públicos, o que seria justo era que o beneficiado devolvesse ao Estado e aos contribuintes que a financiaram, pelo menos, uma parte desses lucros. O facto dos contratos terem dezenas de anos não justifica que a mama continue. Tem de haver algum risco para quem investe no ensino privado na mira dos lucros. Com o dinheiro e os subsídios dos outros é muito fácil ser empresário. 

E como nestas coisas não há nada como números, o ideal não era os jornais publicarem a lista das 39 instituições que actualmente recebem verbas à conta dos contratos de associação e que vão deixar de as receber quando estes chegarem ao fim. Isso são só nomes. Importante era que fosse levada informação às pessoas e que essa informação fosse actualizada e permitisse saber se no local em causa existe oferta educativa pública, se esta é suficiente e corresponde às necessidades e, não correspondendo, o que é necessário fazer para que ela possa existir, seja melhorada e se torne acessível a todos com o menor custo possível para o contribuinte.

Porém, também seria importante que fosse devidamente publicitado (ninguém lê listagens no Diário da República) quanto é que cada uma dessas instituições privadas, que tem sido beneficiária de contratos de associação e os irá perder, tem recebido anualmente, já que só em relação a estas é que, penso eu, o problema se coloca. Atirar números para o ar, manipulá-los e depois dizer que na escola pública os alunos saem mais caros, só serve para atirar areia para os olhos das pessoas.  

Já todos perceberam que está em curso uma cruzada contra algumas decisões mal explicadas (o que não quer dizer que todas estivessem erradas), a falta de jeito e alguma sobranceria do ministro da Educação, cruzada que conta com a desinformação e a manipulação de alto coturno dos papás, das mamãs e da criançada, bem como com o trabalho de bastidores dos "interpretadores" oficiais dessa instituição de referência para alguns dos mais conhecidos cábulas nacionais. E de pessoas como a Dr.ª Manuela Ferreira Leite que, apesar de ter sido ministra das Finanças e da Educação, nestas coisas muda de opinião consoante os ventos. Mas também começa a ser tempo de se colocar um ponto final nas garraiadas dessa malta e de se fazerem as coisas como deve ser. 

Por mim, se quiserem continuar a berrar, podem berrar à vontade. É lá com eles. Agora, deixem-se de lérias e não me venham depois pedir para lhes subsidiar a aveia e as pastilhas para a garganta.

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RH Music Box (115)

por Rui Herbon, em 25.05.16

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Autor:  Pram

 

Álbum: Sargasso Sea (1995)

 

Em escuta: Little Scars

 

 

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Vá, não custa nada:

por Fernando Sousa, em 24.05.16

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 Estão abertas as inscrições para o próximo ano lectivo. A Celestina passou por lá.

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Fora de série (9/2)

por Ana Vidal, em 24.05.16

Nota prévia: No último jantar do Delito, onde foi lançada a ideia da série colectiva “Fora de série”, eu e o Zé Navarro de Andrade declarámos ao mesmo tempo que escolhíamos “Les Galapiats” (“Os pequenos vagabundos”, na tradução portuguesa). O mais engraçado é que foi também num uníssono imediato que repetimos as palavras que retivemos na memória até hoje, e de alguma forma nos marcaram para sempre: “C’est féerique!”. O que quer dizer que escolhemos ambos esta série pelas mesmas razões: uma paixão assolapada pelos protagonistas. Por isso combinámos escrever ambos sobre ela.

 

 

Pois é, Zé, nesse tempo não falavam os animais mas falavam as hormonas, e como! Ou melhor, gritavam, impunham-se, passavam à frente de tudo sem dó nem piedade. No teu caso (e no de muitos outros rapazinhos, aposto) com efeitos imediatos, traduzidas em furores físicos descontrolados. No meu, e no de tantas outras adolescentes românticas e ingénuas como eu, traduzidas em paixões sofridas, tão arrasadoras como inconsequentes.

 

Mas atenção, isto não é assunto com que se brinque: Jean-Loup foi o meu primeiro grande amor, e nem sequer posso dizer que fosse um amor “ virtual” já que, para mim, era a pura realidade. Se querem saber, acho que nem fazia ideia do nome do actor. Só agora descobri que se chamava Philippe Normand ou Philippe Cantrel, diferentes apelidos que usava como actor ou como cantor. Talentoso, hein? Foi uma paixão que levei tão a sério que condicionou totalmente os primeiros anos da minha vida amorosa, a ponto de só me ter permitido cair de amores por um rapaz (finalmente tangível, aleluia) parecidíssimo com o meu herói. Jean-Loup, o parisiense de férias na Bélgica, tinha criado na minha cabeça sonhadora um padrão, o meu modelo de príncipe encantado. Mais tarde, na mesma linha, veio Alain Delon, quem sabe se porque eu o imaginava como uma espécie de Jean Loup em adulto. O meu namorado de carne e osso era realmente parecido com ambos, e só não ponho aqui uma fotografia do dito (a prova inquestionável do que afirmo) porque não sei se ele lê o Delito.

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Por outro lado, e como não podia deixar de ser, havia a Marion-des-Neiges, a protagonista, para o Zé o supra-sumo da perfeição feminina aos 12 anos e para mim a rival odiada, deslavada e débil mental, sempre a precisar da protecção do meu herói e incapaz de uma proeza por conta própria. Bah.

 

“C’est féerique!” (nessa altura aprendíamos francês, aquela frase ficou-me atravessada no coração como um dardo, ainda antes de ler a legenda), referia-se aos bosques mágicos do Canadá e era dita no último episódio pela delambida Marion ao meu Jean-Loup, no momento da despedida de ambos, convidando-o a ir visitá-la um dia ao seu país. A sonsa. E eu sem nada de feérico para a troca: nada de florestas mágicas, só uma vilória rural com meia dúzia de pinheiros quase milenários, é certo, tudo o que restou do histórico e outrora famoso Pinhal da Azambuja. Uma vilória sem castelos de pontes levadiças nem tesouros perdidos por resgatar, onde o mais excitante que acontecia eram as largadas de touros, na feira de Maio, pelas ruas em que se misturavam poeira, febras na brasa e mil bebedeiras. A vida não é justa.

 

Por isso, por favor, não me contem o que sucedeu com o passar dos anos a Jean-Loup na vida real. Não quero saber. Deixem-me recordá-lo assim, um galã imberbe e aventureiro, de melena nos olhos, com solução para tudo e uma esperteza ilimitada para desmascarar malfeitores e salvar vítimas inocentes. Deixem-me retê-lo na memória desses anos de todas as ilusões, na versão “retrato do artista enquanto jovem” que me incendiava a imaginação e me povoava a mente e o coração, mesmo durante as aulas. A não ser, claro, que tenha casado com a idiota da Marion e estejam ambos obesos, num sofá qualquer em Montréal, a comer pipocas e a ver reality shows. Isso sim, seria a minha vingança servida fria. Gelada.

 

(A despedida e o célebre “C’est féerique!” – ver min 22.27)

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Jogadores preferidos

por João André, em 24.05.16

Um intróito a despropósito: no outro estaminé tenho nova série (como sempre infrequente): jogadores preferidos.

Também devo ter adicionado algo mais à outra série que vou escrevendo quando dá: equipas de sonho.

 

Publicidade terminada, siga a leitura.

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Vão-se catar.

por Luís Menezes Leitão, em 24.05.16

Até agora o mandato de Marcelo Rebelo de Sousa na presidência tem sido um absoluto desastre, não se percebendo para onde quer ir o Presidente. Apesar de ter sido eleito pela Direita, só tem feito o jogo da Esquerda, chegando ao ponto de querer minimizar as péssimas notícias que todos os dias surgem, lançando areia para os olhos dos portugueses. A viagem que fez a Moçambique, onde propôs ser mediador entre o Chefe de Estado do país visitado e um simples guerrilheiro, deve ficar nos anais da História como o maior absurdo diplomático alguma vez praticado por um Presidente, mesmo contando com aquela vez em que uma intervenção de Jorge Sampaio levou a África do Sul a expulsar o embaixador português.

 

Há, porém, um ponto em que Marcelo tomou uma iniciativa louvável: a abolição do acordo ortográfico. É verdade que a intervenção dos talibans do costume, para quem o acordo ortográfico é o mais sagrado de todos os textos religiosos, de uma verdadeira inspiração divina, o fez recuar em toda a linha. Talvez para o castigar pela ousadia, o Diário de Notícias resolveu escrever que o Presidente foi visitar o Conservatório Nacional e comprou um "cato triste". Confesso que ao ler esta notícia, fiquei a pensar a que se referia o texto: ao político romano Catão, o Velho? Ao Kato, o chinês das artes marciais, que costumava acompanhar o Green Hornet? Ou será que o Presidente, cansado do cão que lhe deram os militares, decidira antes comprar um gato?

Mas depois, ao ler o texto, percebi que se falava antes de plantas, portanto o que o Presidente comprou foi um cacto, segundo explicou para não ficar demasiado optimista. Bem precisa o Presidente do tal cacto para perceber os espinhos das políticas que este governo, que tanto tem apoiado, anda a causar todos os dias ao país. E a imagem do cacto é um excelente aviso aos portugueses, que terão na planta, que acumula água no deserto, um exemplo da necessidade de poupança para os tempos negros que se avizinham.

Já em relação àqueles que continuam a querer à força obrigar toda a gente a escrever desta forma absurda, digo simplesmente: vão-se catar.

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De vez em quando, sigo de relance uma telenovela portuguesa - daquelas que me garantem ter "imenso sucesso" e serem acompanhadas devotamente, noite após noite, por audiências dos mais diversos segmentos sociais.

Tendo sido espectador regular das primeiras telenovelas que se produziram em Portugal (Vila Faia, Origens, Chuva na Areia) e de algumas posteriores, como A Banqueira do Povo, sinto curiosidade em perceber a evolução do fenómeno. Mas facilmente me decepciono, por motivos que adiante explicarei. E volto a passar meses sem espreitar nenhuma.

 

Em primeiro lugar, há muito mais glamour do que havia nos tempos pioneiros da Vila Faia. Agora elas são quase todas muito novas, muito giras e muito produzidas. Não há caras feias, quase não se vislumbra ninguém com rugas e as variações geracionais dos protagonistas são mínimas. Não estamos perante um simulacro da realidade: estamos perante a sua distorção.

 

Em segundo lugar, vejo pouquíssimos actores - daqueles calejados em anos de trabalho nos palcos ou na tela. Os papéis parecem exigir apenas intérpretes muito jovens, de carinhas larocas, gente 'formada' nas passarelas da moda e não no Conservatório, numa espécie de Morangos com Açúcar em versão perpétua.

 

Em terceiro lugar, todas as personagens falam com sotaque de Lisboa - muito 'tá em vez de está, muito te'fone em vez de telefone, indo muito p'à praia em vez de seguirem para a praia. A direcção de actores que tão bem fez trabalhar sotaques e pronúncias na primeira telenovela da SIC, A Viúva do Enforcado, andou para trás de então para cá e hoje é possível escutarmos uma pretensa açoriana ou uma suposta portuense dizerem 'chtamoch em vez de estamos ou mêmo em vez de mesmo, como se fossem transplantadas do eixo Lisboa-Cascais.

Disparate? Pois é. Mas ninguém parece reparar. E dirigir actores dá trabalho, leva tempo e custa dinheiro: o melhor é não se pensar nisso.

 

 

Em quarto lugar, reparo que o verdadeiro protagonista é o sofá da sala. Vivem quase todos em casas com salas enormes, mobiladas com sofás a perder de vista, onde 80 por cento dos diálogos se desenrolam. Curiosamente, parecem morar todos em vivendas ou duplexes: se repararem com atenção, encontram sempre uma escadaria interna no décor. Outra curiosidade: não existem átrios, antecâmaras ou corredores: por mais luxuosa que seja a residência, entra-se directamente da porta da rua para a sala de estar. E ninguém parece reparar em tal incongruência.

 

Em quinto lugar, e apesar de quase todas as cenas ocorrerem dentro de portas, o guarda-roupa é sempre próprio de quem está fora. Nada de roupões, de T-shirts de alças, de pijamas, de calções, de pantufas ou chinelos. Elas estão sempre em casa de vestido e salto alto, eles jamais despem o casaco ou afrouxam sequer o nó da gravata. Todos são incapazes desse gesto tão comum (e para mim obrigatório) que é descalçar os sapatos da rua assim que entram em casa.

 

Em sexto lugar, abundam padres de sotaina e cabeção, à moda antiga, sopeiras fardadas e até mordomos de libré, como nos filmes ingleses dos anos 30. Nada mais démodé, em perfeito contraste com o tom pretensamente modernaço da maior parte das telenovelas.

 

Em sétimo lugar, é frequente ouvirmos os patrões tratar os empregados por tu, como se fossem todos antigos latifundiários alentejanos antes do 25 de Abril. Nada mais anacrónico.

 

Em oitavo lugar, é impressionante o número dos que não trabalham. Aliás, o mundo do trabalho está praticamente ausente das telenovelas. À luz do dia, as personagens passam o tempo a entrar e a sair das respectivas casas. Raras vezes o local de trabalho é ponto de encontro e são escassos os protagonistas que desenvolvem alguma actividade profissional credível. Há dias vi até um "jornalista" estendido no inevitável sofá a dizer à mulher ou namorada que acabara de escrever uma "crónica" que lhe dera imenso trabalho e estava já a pensar na "crónica" do dia seguinte embora estivesse com uma aflitiva falta de tema. É tocante esta forma como o quotidiano dos jornalistas surge nas novelas da TV - qualquer semelhança com a realidade não passa de coincidência.

 

 

Em nono lugar, os diálogos. Têm todos a espessura de uma banal troca de mensagens de telemóvel. Recentemente, ouvi numa telenovela da Globo a expressão "custar os olhos da cara" e achei quase insólito que surgisse num diálogo de ficção televisiva. Porque as telenovelas portuguesas só raras vezes - quase por descuido - recorrem às saborosíssimas e tão genuínas expressões idiomáticas da nossa língua, sedimentadas através das gerações: preferem os diálogos sincopados, cheios de termos monossilábicos, na concisa fraseologia lisboeta contemporânea, incapaz de ultrapassar uma centena de vocábulos.

Daí proliferarem diálogos do género:

- Como 'tás?

- 'Tou bem. E tu?

- Tudo OK. 'Bora lá?

- Fixe. 'Tou nessa.

Já para não falar no clássico dos clássicos do género: entra Beltrana na casa de Sicrano e diz: "Temos de falar". Como se vivêssemos num tempo anterior à invenção dos telefones.

 

Em décimo lugar, os nomes. Elas falam com eles e eles falam com elas debitando a todo o momento os nomes uns dos outros. Talvez para não se esquecerem como cada um se chama no meio de tanta personagem.

Mesmo que a interlocutora seja a melhor amiga:

- Tu gostas do Eduardo, Rita?

- Não tenho a certeza se o Eduardo é homem p'ra mim, Leonor.

Mesmo que se trate de um par de namorados já maduros:

- Podemos jantar amanhã, João? Vou buscar-te ao escritório.

- Não posso, Filipa. Amanhã é dia de eu estar com o meu filho Gonçalo.

Pormenor: o Gonçalo é filho único, o que torna absurda a invocação do nome. Se falássemos assim na vida quotidiana parecíamos uns tontinhos. Mas nestes diálogos telenovelescos ninguém parece estranhar.

 

Em décimo primeiro lugar, os pequenos-almoços. Só nas novelas televisivas há tempo, oportunidade, sincronia e paciência para todos os ocupantes da mesma casa tomarem a primeira refeição do dia pausadamente sentados em lautas mesas onde nunca faltam grandes jarros com sumos de frutas tropicais, como se estivessem hospedados em hotéis de luxo.

Ah, estas inesquecíveis cenas de pequeno-almoço: são um must divertidíssimo, embora absurdo, destas ficções que pretendem 'copiar' a realidade e afinal estão irremediavelmente longe dela.

Texto reeditado e ampliado

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.05.16

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 Animais Feridos, de António Carlos Cortez

Poesia

(edição D. Quixote, 2016)

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O ideal era ser nas Spratly

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.05.16

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 Harry, um grande senhor do cartoon, sobre a visita de Obama a Tran Dai Quang. Esta manhã, no South China Morning Post.

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RH Music Box (114)

por Rui Herbon, em 24.05.16

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Autor:  Calibro 35

 

Álbum: Ritornano Quelli Di… (2010)

 

Em escuta: L'Esecutore

 

 

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Já li o livro e vi o filme (125)

por Pedro Correia, em 23.05.16

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O CRIME DE ALDEIA VELHA (1959)

Autor: Bernardo Santareno

Realizador: Manuel de Guimarães (1964)

Da peça teatral de Santareno emerge um dos mais interessantes filmes do chamado Cinema Novo português, rodado em Monsanto com a actriz francesa Barbara Laage à frente de um elenco que incluiu Rogério Paulo, Mário Pereira e Glicínia Quartin.

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Fora de série (9)

por José Navarro de Andrade, em 23.05.16

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Foi no tempo em que os animais ainda não falavam, quando não eram sencientes nem semi-humanos, tal como nós, outrora, também fomos semi-deuses. Não falavam mas já cometiam proezas extraordinárias, como Skippy, o canguru, que conseguiu pôr as patitas no volante e impedir in extremis que um jipe se despistasse; ou Flipper, o golfinho, que apanhava malfeitores nas águas da Flórida bem antes de Miami Vice. “No one you see is smarter than he”, cantava o genérico, logo, sendo televisão, não podia ser mentira. Bem mais espertas estas alimárias que o Rin Tin Tin, limitado a ladrar quando lhe faziam uma pergunta e punha todo a gente a terminar o episódio a rir.

Nesses tempos, como se sabe, não havia sexo em Portugal, pelo menos para quem fosse filho único e ainda não frequentasse os últimos anos do liceu e concomitantes bailes de garagem. As miúdas eram uma miragem distante, uma inexistência tanto formal como prática. Até que em 1971, fizera eu 12 anos, passou na televisão a série “Os Pequenos Vagabundos”.

Portugal era uma estopada, porque na aldeia onde passava parte das férias grandes nunca consegui topar bandos de ladrões para desvendar e criminar como sucedia sistematicamente aos Cinco em Inglaterra e agora a estes miúdos belgas. Por isso, cada episódio de “Os Pequenos Vagabundos” só reforçava o meu cepticismo. Mas veio a cena final e a minha vida mudou. Marion, a loiríssima e intangível Marion, que havia enturmado com os rapazes sem que os pais a proibissem – uma inverosimilhança – convida Jean-Loup (um par de lambadas naquelas fuças andei eu a prometer-lhe durante toda a série, só com inveja dele) a ir visitá-la Montreal, e remata com os olhos em alvo: “c’ést feérique…” Uma frase, apenas uma, e a testosterona referveu em ebulição dentro de mim como nunca dantes a sentira, e foram noites intermináveis e seguidas a masturbar-me debaixo dos lençóis derramando, de certeza, o equivalente à população da China. Nenhuma Marion me falou assim e ainda hoje não encontrei em filme ou série cena tão mal interpretada e tão devastadora como aquela. Também é verdade que só se sofre os 12 anos uma vez na vida.

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E se fosse consigo?

por Rui Rocha, em 23.05.16

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A vaca e o porco

por Alexandre Guerra, em 23.05.16

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Animals (1977) 

Ao ver a vaca voadora de António Costa veio à memória o célebre episódio que ocorreu em finais de 1976, quando um piloto de um avião comercial nos arredores de Londres terá reportado à torre de controlo que estaria a ver um "porco a voar". A história ganhou contornos de mito urbano, mas a sua origem pouco tem de mitológica e remete-nos para um balão de nove metros cheio de hélio em forma de porco e que ficaria imortalizado na capa do álbum Animals (1977) dos Pink Floyd concebida pelo genial Storm Thorgerson. Mas ao contrário da vaca fofinha de Costa, que não se conseguiu livrar da mão controladora do poder instalado, o Mr. Pig (como se lê num dos cartazes da banda), que devia ficar preso e a pairar sobre a Central Eléctrica de Battersea (já desactivada), localizada junto ao Rio Tamisa, mostrou toda a sua "teimosia" e libertou-se da sua amarra logo na primeira sessão fotográfica e lá foi ele a voar livremente pelos céus de Londres (esta ideia de "libertação não deixa de ser irónica, se tivermos em consideração que este porco foi inspirado pela famosa obra de Orwell, "Animal Farm"). O porco acabaria por ir parar a Kent e terminaria aí a sua aventura, sendo recuperado por um agricultor local que se mostrou irritado porque o suíno terá assustado as suas vacas, que lá estavam tranquilamente com as patas bem assentes na chão, que é onde, aliás, devem estar. 

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Ilusão de óptica

por Luís Naves, em 23.05.16

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Escrevo antes de ser conhecido o resultado das presidenciais austríacas, mas o candidato da extrema-direita, Norbert Hofer, tem ligeira vantagem antes da decisiva contagem dos votos por correspondência, que será feita hoje. Na rádio pública, de manhã, ouvi o historiador Rui Ramos a falar sobre o tema, fazendo uma amálgama de nacionalistas e defendendo a tese de que a eventual vitória de Hofer confirma a tendência já visível em outros países. Para o autor, Hungria, Polónia ou Áustria fazem parte do mesmo movimento populista-nacionalista*.

A explicação nacionalista para este empate eleitoral é um mito confortável, que nos impede de perceber o carácter inédito da possível vitória de Hofer. Seria a primeira vez que um candidato da extrema-direita vencia uma eleição na Europa a nível nacional. Hofer já é notícia: mesmo que perca, o que é mais provável, esteve demasiado perto de vencer. A extrema-direita finlandesa (Partidos dos Finlandeses) ficou em segundo lugar e está na coligação de governo; o Partido Popular dinamarquês ficou em segundo e apoia o governo; há exemplos de partidos de extrema-direita com 10, 12, 15% dos votos, mas até agora nenhum deles venceu eleições nacionais.

Em Portugal, o jornalismo continua a não compreender que Polónia e Hungria são governadas por conservadores que já antes estiveram no poder. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán (lidera o Fidesz) não tem nada a ver com a extrema-direita, representada por um partido chamado Jobbik, que está na oposição e que Orbán mantém fora do alcance de qualquer influência. A identidade entre os dois é um erro de análise.

Felizes por não compreenderem isto, os média portugueses estão agora a alimentar um curioso mito paralelo sobre a Polónia, fazendo a amálgama entre conservadores-católicos do partido no poder (que já governou em meados da década de 2000) e a extrema-direita europeia. Polónia e a Hungria contestam ruidosamente as quotas obrigatórias de refugiados, mas invocam a lei (a regra não existe nos Tratados europeus). Os dois países são apoiados pela Eslováquia e República Checa, cujos governos de esquerda nunca foram diabolizados, embora sejam semelhantes aos seus vizinhos.

A extrema-direita europeia (por exemplo, AfD alemã, DPP dinamarquês, FN francesa, Partido da Liberdade austríaco ou Partido Popular suíço) contesta a política de imigração e o multiculturalismo, baseia a ascensão eleitoral na péssima integração das comunidades muçulmanas, mas até agora não chegou ao poder em nenhum destes países. Se Hofer vencer, será a primeira vez que a extrema-direita ganha uma eleição importante e qualquer analogia com o leste é pura ilusão de óptica.

 

Actualização: Hofer foi derrotado pelo candidato da esquerda, Alexander Van der Bellen, eleito presidente da Áustria por 34 mil votos. Nunca um candidato de extrema-direita esteve tão perto de ser eleito num país europeu. A coligação do Governo, um bloco central entre cristãos-democratas e social-democratas, terá dificuldade em sobreviver até ao final de 2018, quando termina a legislatura. A extrema-direita conseguiu metade dos votos e o Partido da Liberdade, FPO, a que pertence Hofer, tem condições para vencer legislativas antecipadas. Aliás, quanto mais tempo se mantiver este bloco central fragilizado, com um primeiro-ministro não eleito, mais hipóteses a extrema-direita terá de vencer.  

 

*É outra conversa, mas não deixa de ser curioso perguntar se Angela Merkel e François Hollande não são nacionalistas? Não defendem primeiro os interesses dos seus países? Há nacionalismo bom e mau, forte e fraco? Onde está a fronteira? Aliás, de que nacionalismo se fala aqui, ou estamos a confundir o conceito com defesa da soberania? O referendo do Brexit é bom, mas se a Hungria referendar as quotas obrigatórias de refugiados, isso já é mau?

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As manigâncias de um cadáver adiado

por Diogo Noivo, em 23.05.16

Albert Rivera preside ao partido político Ciudadanos. Institucionalista convicto, Rivera colocou o partido que lidera no centro do espectro político espanhol. Acusado de ser a “marca branca” do Partido Popular nas últimas legislativas, o Ciudadanos mostrou que entre democratas não há barricadas e pugnou por uma solução de governo estável e democrática. Quando Mariano Rajoy, presidente do Partido Popular e vencedor das eleições, recusou formar governo, o Ciudadanos estendeu a mão ao segundo partido mais votado, o Partido Socialista Obreiro Espanhol. Mais do que cargos ou prebendas, o importante era formar governo e garantir o respeito pelas instituições. Podemos gostar ou não de Albert Rivera. Podemos simpatizar ou não com as ideias do Ciudadanos, um partido inscrito na família política dos liberais europeus. Mas as credencias democráticas de Rivera e do Ciudadanos parecem-me indiscutíveis.

 

No entanto, no mundo insano do autoritarismo Chavista-Madurista, a história é outra: Albert Rivera é de “ultra direita”. Quando a realidade incomoda a narrativa do regime, muda-se a realidade. A forma de o fazer é simples e baseia-se no repertório do costume: comunicação social controlada, cátedras popularuchas na televisão, muita propaganda e atentar descaradamente contra o carácter e o bom nome de quem pensa de maneira diferente. Esta peça “noticiosa” da TeleSUR, canal de televisão sedeado em Caracas e patrocinado pelos regimes que partilham ala psiquiátrica com a Venezuela (Cuba, Equador, Nicarágua, Uruguai e Bolívia), é elucidativa do estado entrincheirado de um regime morto, mas que ainda não foi informado do próprio óbito.

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.05.16

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A Arte de Lidar com Pessoas, de Jamil Albuquerque

Prefácio de Augusto Cury

Auto-ajuda

(edição Topbooks, 2016)

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O sonho europeu

por Ana Vidal, em 23.05.16

Aqui está uma nova oportunidade para todos os que, como eu, sonharam com uma outra Europa.

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RH Music Box (113)

por Rui Herbon, em 23.05.16

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Autor:  Public Image Ltd

 

Álbum: Metal Box / Second Edition (1979)

 

Em escuta: Memories

 

 

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Fotografias tiradas por aí (295)

por José António Abreu, em 22.05.16

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Porto, 2016 (assistindo ao rali de Portugal).

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 22.05.16

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«Para tratar com decência animais não é necessário constitucionalismo nem paranóia legislativa nem coisa nenhuma. Basta fazer uma lei que acabe com os maus tratos a animais: quer na criação, tratamento, transporte e abate em matadouros quer com animais de guarda e de companhia. É tão-só disso que se trata. Proibir que um cão passe a vida amarrado a um bidão como fazem aqui na aldeia ou viva à chuva dez anos na ponta de uma corrente. Respeitar o animal que abatemos para comer porque assim é necessário. Não é comparar os animais a pessoas, é tratar bem quem vive connosco. É humanismo.»

 

Do nosso leitor V. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

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Blogue da semana

por Teresa Ribeiro, em 22.05.16

A Chris Marques é uma globetrotter cujas andanças vale a pena seguir. Se ainda não decidiu o seu destino de férias, espreite as dicas que ela guarda dentro do mochilão.

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Ventos de Espanha

por Pedro Correia, em 22.05.16

Imaginem o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, coligados, ultrapassando o PS como força eleitoral. É o equivalente a isso que ressalta da sondagem de hoje do El País sobre as intenções de voto para as legislativas de 26 de Junho em Espanha.

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Fora de Série (8)

por Isabel Mouzinho, em 22.05.16

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Quando eu era pequena não tinha autorização para passar muito tempo em frente da televisão. Talvez por isso, tudo o que via exercia sobre mim um especial fascínio. Foi assim que, durante muito tempo, me diverti com as peripécias de Samatha, a "feiticeira" e com os seus trejeitos de nariz que serviam para arrumar a casa ou resolver as mais insólitas situações, diante da perplexidade de um marido desajeitado, que fingia não entender os seus poderes especiais.

Mais tarde, ainda antes de me perder de amores pelos olhos verdes do Jean-Loup, de "Os Pequenos Vagabundos", a série de culto que na época fazia suspirar todas as meninas acabadinhas de entrar na adolescência, eu quis ser como a Pipi das Meias Altas, aquela miúda ruiva, sardenta, de tranças muito espetadas, que vivia sozinha com um cavalo e um macaco, que se pendurava nas árvores e fazia mil diabruras, numa irreverência que parecia não ter limites, permitindo-se quebrar todas as regras, e sair-se sempre bem.

A série, - um original sueco, feita a partir de três livros de literatura infanto-juvenil de Astrid Lindgren,- que acompanhei com paixão, misturava liberdade, aventura e brincadeira, num mundo onde tudo parecia permitido. A Pipi era uma personagem a meio caminho entre a realidade e a ficção, uma rapariga como nós e ao mesmo tempo muito diferente, que alimentava o nosso imaginário infantil num tempo em que a televisão ainda era só a preto e branco.

E lembro-me, vagamente, da desilusão que senti quando a actriz que fazia de Pipi na série passou por Lisboa e, vista assim, sem tranças e sem a habitual caracterização, me pareceu afinal uma rapariga como as outras.

Há pouco tempo voltei a ver uma fotografia de Inger Nilsson, que tem agora 56 anos. Nem parecia a mesma. A verdade é que já passaram alguns anos e o tempo deixa marcas em todos nós. Mas, ainda que os tempos sejam outros e muita coisa seja diferente, há determinadas vivências, típicas da adolescência, que não mudam nunca; e há séries que nos marcam para sempre.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.05.16

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Visão Invisível, de Jean Cocteau

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

Crónicas e reflexões

(edição Sistema Solar, 2016)

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RH Music Box (112)

por Rui Herbon, em 22.05.16

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Autor:  Pretty Things

 

Álbum: Parachute (1970)

 

Em escuta: Grass

 

 

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O fascínio da literatura

por Pedro Correia, em 21.05.16

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Até que ponto uma obra literária pode alterar um percurso humano? Não falta quem menorize o tema, mas eu incluo-me entre os que são capazes de acreditar que um livro pode mudar uma vida - ou até as vidas de milhões de pessoas. Acredito que alguém queira voar após ler Vol de Nuit, de Saint-Exupéry. Ou navegar depois de ler Lord Jim, de Conrad. Ou viajar a Ferrara só por ter lido O Jardim dos Finzi-Contini, de Giorgio Bassani. Ou conhecer Pamplona à boleia de Hemingway - e permanecer em Navarra para sempre.

São inúmeros os casos de livros que mudam uma vida. Napoleão - dizem - nunca mais foi o mesmo depois de ler O Príncipe, de Maquiavel. Pessoa imitou um dos seus autores favoritos, Poe, em parte da obra e grande parte da existência. Inácio de Loyola abandonou a carreira das armas ao ler uma biografia de Cristo. Marx, para o bem e para o mal, alterou as vidas de milhões de pessoas. E Nietzsche também - ao ponto de ter alucinado um certo cabo austríaco que combateu na I Guerra Mundial e usava um bigodinho ridículo. Ibsen influenciou legislação sobre os direitos das mulheres. Conan Doyle e Simenon marcaram tantos de tal forma que até personagens saídos da sua imaginação, como Sherlock Holmes e o comissário Maigret, se tornaram mais célebres do que os autores, gerando romagens a Baker Street em Londres e ao Boulevard Richard-Lenoir em Paris. Romeu e Julieta, figuras de papel, seduziram mais do que inúmeras pessoas de carne e osso. E já nem falo dos mundos que se descobrem em cada livro da Bíblia...
Sabemos sempre de onde partimos com um livro na mão. Mas somos incapazes de imaginar até onde ele nos conduz. É também isto - é sobretudo isto - que faz o fascínio da literatura.

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Fora de série (7)

por João André, em 21.05.16

 

«I have a cunning plan».

 

Para quem conhece a referência, poucas outras palavras conseguirão provocar riso tão facilmente sem qualquer outra referência ou contexto. Referências a criados semi-escravos e só tangencialmente humanos, líderes tão incompetentes que não conseguem vestir calças, pares cujo ódio está tão repleto de bonomia que o veneno que pinga de todas as sílabas pode ser dispensado e recebido com sorrisos sinceros. Tudo isto preenche o universo Blackadder, a série de comédia que conseguiu um segundo lugar na votação da BBC sobre as melhores britcoms (o vencedor foi uma série pouco conhecida em Portugal - Only Fools and Horses - brilhante mas com referências muito específicas temporal e geograficamente).

 

 

Em Portugal passava na RTP2 à hora do telejornal, para meu azar. Com apenas uma televisão em casa - e já tinha sorte - eu tinha de esperar que o meu pai não estivesse em casa para poder mudar de canal e poder rir-me um bocado (a minha mãe aceitava mais facilmente perder as notícias da noite). Havia no entanto um pequeno obstáculo: o humor dependia de tal forma do conhecimento de inglês (muitas piadas eram intraduzíveis) e de história, preconceitos ingleses, tradições, etc, que só consegui começar a apreciar convenientemente a série alguns anos mais tarde, quando a redescobri. Ainda hoje, quando tenho todas as séries, os episódios especiais e até as raridades, vou descobrindo pequenas pérolas que me escaparam no passado, mesmo enquanto me rio perdidamente das piadas que sei virem a seguir.

 

 

Dentro das 4 temporadas, a mais fraca é, excepcionalmente, a primeira. Blackadder é apresentado como uma versão de Mr. Bean (a personagem que mais é identificável com Rowan Atkinson). Um idiota fraco, sem ideias ou convicções, apenas ganância sem fim e escrúpulos inexistentes. Nesta série os seus acompanhantes (Baldrick à cabeça) são inteligentes e oferecem os melhores planos. O rei é já a personagem de autoridade brutal mas não idiota, apenas completamente desinteressado nos seus filhos - Edmund Blackadder é constantemente chamado de "Edna"). O texto era já excelente, mas o efeito cómico ainda algo diluído pelas diversas personagens e sem a secura que caracterizou as restantes temporadas.

 

A partir da segunda temporada, é quase impossível referenciar uma sem as outras. Os temas atravessam todas as temporadas e não existe uma linha temporal que obrigue a seguir os episódios por ordem. A principal excepção será sempre o episódio final (4ª temporada), que exclui toda e qualquer continuação (pelo menos com aquelas personagens). Esta é talvez a temporada que mais escapa ao tom genérico de sátira bem humorada das séries, referenciando a vida nas trincheiras (café de lama e rato estufado são o prato du jour) e acaba com um dos finais mais amargos que seria de esperar para uma série de comédia, com os principais protagonistas a correrem para as suas mortes. Todo o episódio aliás nos prepara para esse final, incluindo o momento em que, julgando ter escapado esse destino, três personagens interpretam o silêncio nas trincheiras como o armistício que assinalaria o fim da Grande Guerra de 1914-17 (um momento de grande comédia, hilariante e cruel ao mesmo tempo).

 

 

Pessoalmente não consigo apontar temporadas preferidas, tendo antes momentos preferidos. Como episódio é difícil fugir ao episódio, na 4ª temporada, em que o Capitão Flashheart irrompe pelos ecrãs (já tinha surgido noutra forma na segunda temporada). São no entanto os pequenos diálogos entre Blackadder e Baldrick que ficam mais presentes. Aliás, muitos dos diálogos de Blackadder acabam por ser essencialmente solilóquios em que este lamenta a sua sorte e condição («The path of my life is strewn with cowpats from the Devil's own satanic herd!»). Pérolas das séries, escolhidas sem critério:

 

 

Baldrick, get the door.

- Who's using the family brain cell at the moment?

Blackadder: Ah, Melchett! Greetings! I trust Christmas brings you its traditional mix of good food and violent stomach cramp. / Melchett: And compliments of the season to you, Blackadder. May the Yuletide log slip from your fire and burn your house down.

- I should've known not to trust a man with the mental agility of a rabbit dropping!

My head feels like there's a Frenchman living in it.

- They are so poor that they are forced to have children as a cheap alternative to turkey at Christmas.

She is famous for having the worst personality in Germany and, as you can imagine, that's up against some pretty stiff competition.

He's madder than Mad Jack McMad, the winner of last year's "Mr. Madman" competition.

A man may fight for many things: his country, his principles, his friends, the glistening tear on the cheek of a golden child. But personally I'd mud wrestle my own mother for a ton of cash, an amusing clock, and a sack of French porn. You're on.

The greatest work of fiction since vows of fidelity were included in the French marriage service.

Skirt? Ha! If only. When I joined up we were still fighting colonial wars. If you saw someone in a skirt you shot him and nicked his country.

In one short evening I've become the most successful impresario since the manager of the Roman Coliseum thought of putting the Christians and the Lions on the same bill.

Never, in all my years, have I encountered such cruel and foul-minded perversity! Have you ever considered a career in the church?

what we are talking about in privy terms is the latest in front wall fresh air orifices combined with a wide capacity gutter installation below.

Just because I can give multiple orgasms to the furniture just by sitting on it, doesn't mean that I'm not sick of this damn war: the blood, the noise, the endless poetry.

Captain Darling? Funny name for a guy isn't it? Last person I called darling was pregnant twenty seconds later.

The Teutonic reputation for brutality is well-founded. Their operas last three or four days. And they have no word for "fluffy".

 

O segredo da série passava então pela sua escrita mas também pela qualidade dos actores. Não é fácil fazer vezes sem conta o mesmo comentário, com pequenas variações de texto e de timing e conseguir sempre o efeito cómico pretendido. Rowan Atkinson conseguia o seu propósito porque estava tão longe da sua persona televisiva habitual. Tony Robinson consegui o milagre de aparecer como a pessoa mais estúpida da História. Stephen Fry dava corpo a personagens fortemente beligerentes e cúmulos do machismo. Hugh Laurie (hoje o mais conhecido do grupo graças a House) repetia o milagre de aparecer idiota com o cúmulo de o fazer com personagens distintas. Tim McInnerny, Miranda Richardson e Patsy Byrne empregavam o seu brilhantismo de palco às personagens e uma galeria de outros excelentes actores britânicos ia aparecendo de tempos a tempos (Robbie Coltrane, Jim Broadbent ou Miriam Margolyes são exemplos).

 

O episódio mais recente de exibição pública foi Blackadder: Back and Forth (link para o filme no YouTube), exibido na passagem de ano de 2000. De tempos a tempos repetem-se os rumores que uma nova série, um filme ou um novo episódio estarão em preparação. Os actores confirmam e depois negam os rumores. McInnerny terá dito que preferia que os espectadores mantivessem na memória as personagens como eram, não como os actores são hoje. Não me importo. Qualquer nova temporada que arriscasse estragar o brilhante trabalho do passado seria má ideia. O final da 4ª temporada foi o ponto final perfeito: um avançar resignado, mas sempre espirituoso, para o fim.

 

 

Quanto aos planos de retomar, que fiquem como todos os planos em Blackadder: cunning, mas no fim inconcretizáveis e falhados.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.05.16

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E Se eu Gostasse Muito de Morrer, de Rui Cardoso Martins

Romance

(reedição Tinta da China, 2016)

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Leituras

por Pedro Correia, em 21.05.16

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«As palavras são um cheque sem cobertura

Antonio Skarmeta, O Carteiro de Pablo Neruda (1985), p. 65

Ed. Teorema, 2008. Tradução de José Colaço Barreiros. Colecção Biblioteca Sábado

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RH Music Box (111)

por Rui Herbon, em 21.05.16

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Autor:  Possession (Bill Laswell + Foday Musa Suso + Aïyb Dieng)

 

Álbum: Off World One (1996)

 

Em escuta: Echo

 

 

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Maio, Maduro Maio

por Pedro Correia, em 20.05.16

Eu quando for grande quero ser funcionário público na Venezuela.

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Fictiongram, continuação da continuação

por Patrícia Reis, em 20.05.16

Nessa noite carioca bebeu caipirinhas a mais e acabou numa festa de alguém que conhecia outro alguém. Conheceu pessoas, mantendo a sua pose de Estado, a sua figura meio desfeita, porque a sua imagem de marca era ser um homem triste. Era sempre assim que se referiam a ele, triste, tristonho, capaz de toda a tristeza do mundo. E ele acatava, mais uma vez cumpria. Nunca se imaginou obediente, no entanto a importância do público – quer dizer, da comunicação social – levava-o a ser assim. E a comunicação social, como é bom de ver, está em todo o lado, é uma espécie de Nosso Senhor.

 

Tinha tiques que importava manter, porque estavam à espera que fizessem parte dele, assim como um casaco velho que se mantém no armário por estar feito ao corpo. Então, o escritor era triste. E não ia a festivais literários, porque haveria de ir?, era crucial não ir a festivais literários, só de pensar que tinha de aturar a mesma corja ... Suspirou e voltou a olhar para o telemóvel mudo e quieto na secretaria de mogno, coisa de excelência, comprada num antiquário em Sintra quando ainda mantinha relações com um casal de editores que se gaba de ter um palacete para aqueles lados. Eram outros tempos. Ainda conseguia conversar com o casal extraordinário, ele alto e barbudo; ela magra e esguia, com umas mãos gigantes. Volta a olhar para o telemóvel que mostra 17 chamadas não atendidas, isso sim, um luxo. O ex namorado era persistente.

 

Chamava-se, et pour cause?, Jaime e tinha uns olhos verdes infinitos. Foi isso que lhe disse quando foram apresentados na editora, o escritor pronto a assinar em série, qual máquina, livros atrás de livros com dedicatórias idiotas tipo

Um abraço

Com amizade

Era sempre isso. O assistente editorial a querer saber se ele não se importava, se fazia o jeitinho, de assinar para a mãe. Ou era para a mulher? Não sabia dizer. O certo é que Jaime, o Jaime real, estava a fumar à janela, num gabinete cuja vista dava para o local onde o escritor assinava livros para jornalistas que nunca falariam da sua narrativa, do trabalho de linguagem, da espessura (talvez profundidade seja melhor) da história que publicava então.

 

Era uma história de amor, portanto era sobre a condição humana. Riu-se, para si, por saber que quem tinha dito esta verdade absoluta sobre a forma como a literatura é vista amiúde, neste e em outros países, era apenas uma mulherzinha que, de facto, privilegiava os sentimentos e as pessoas. Agora tinha deixado de escrever, ele tinha sido informado online, horas mortas pela noite na versão solteiro de novo; a escritora que bradava aos céus sobre a condição humana anunciou ao mundo que deixou de escrever. Por não aguentar o silêncio sobre a sua obra. A sua obra.

 

O escritor voltou a rir e pensou que a designação “obra” era risível. Quantos anos tinha a moça? Pouco importava, o olhar fixou-se no fumo que saía da boca de Jaime e foi o início que depois deixou de ser início e, claro, perdeu a graça. Pediu ao assistente editorial um copo de água e, mal a criatura diligente rumou em direcção à copa da editora, onde supostamente haveria água e outras coisas (podia até comentar como ele hoje, o grande escritor, estava bem disposto; podia dizer que já tinha o seu autógrafo para a mãe, ou seria para a mulher?), abriu a janela do pequeno espaço inócuo onde estava a assinar livros. Sorriu. Tristemente. E a coisa deu-se.

....

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Não sei se também vos acontece

por Rui Rocha, em 20.05.16

Mas com esta coisa de pedir factura em qualquer lado às vezes dou por mim a marcar o código do cartão bancário e a dizer o número de contribuinte ao mesmo tempo. Em todo o caso, até ver tem corrido bem. Só troquei as voltas e revelei alto e bom som o pin do meu Visa em meia-dúzia de lojas e restaurantes de absoluta confiança.

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