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A tragédia do PS.

por Luís Menezes Leitão, em 27.11.14

 

Depois de Mário Soares, apenas José Sócrates conseguiu atingir o estatuto de líder incontestado do PS. Efectivamente, a sombra de Mário Soares pairou sempre sobre todos os outros líderes do PS. Constâncio demitiu-se, acusando Mário Soares de interferência na sua liderança. Depois Soares apoiou a ascensão de Guterres contra Jorge Sampaio, para logo a seguir patrocinar um Congresso "Portugal, que futuro?", destinado a demonstrar que era melhor líder da oposição que Guterres. Quando Guterres chegou a Primeiro-Ministro, Mário Soares chegou ao ponto de declarar estar contra a regionalização no referendo patrocinado por Guterres.

 

Já José Sócrates chegou ao poder apoiado numa forte maioria absoluta, o que lhe deu uma legitimidade própria, que pela primeira vez permitia a um líder do PS sair da sombra de Soares. José Sócrates, porém, nunca afrontou Soares, tendo inclusivamente aceite apoiar uma sua recandidatura à presidência, aos 81 anos, quando era evidente que não tinha quaisquer condições de derrotar Cavaco Silva. É por isso normalíssimo que Soares tenha ido espontaneamente a Évora visitar Sócrates, o que só demonstra elevação de carácter. Soares nunca deixa cair os seus amigos, tendo mesmo, quando era Presidente da República, visitado Bettino Craxi no seu exílio na Tunísia em fuga às condenações da justiça italiana. Outros políticos podem preocupar-se com a sua imagem pessoal ou com as conveniências partidárias. Soares não se move por esses critérios.

 

Curiosamente Sócrates acabou por deixar sobre o PS uma sombra semelhante à de Soares. António José Seguro era opositor declarado de Sócrates e bem lutou contra a sua influência no partido, mas os apoiantes de Sócrates acusaram-no sistematicamente de pôr em causa o legado do seu querido líder. Apesar dos insistentes pedidos destes, António Costa recusou-se sistematicamente a avançar, até ao momento em que percebeu, na noite das europeias, que António José Seguro já tinha conseguido consolidar a recuperação do PS e iria ser o próximo Primeiro-Ministro, o que quebraria definitivamente a influência de Sócrates.  António Costa minizou por isso a vitória eleitoral, dizendo que lhe "sabia a pouco" em comparação com os resultados conseguidos por Sócrates. Bastou essa declaração para que o PS lhe caísse nos braços, saudoso dos tempos gloriosos do anterior líder. Eduardo Ferro Rodrigues proclamou logo no Parlamento que o legado de Sócrates voltava a ser respeitado no partido.

 

É por isso que, Independentemente da presunção de inocência do visado, a detenção de José Sócrates é politicamente mortífera para o PS. Quando tinha acabado de proclamar o retorno ao legado de Sócrates, a última coisa de que este partido precisava era de ser confrontado com acusações de corrupção no governo cujas qualidades não cessava de louvar. Precisamente por isso vários militantes começaram mais uma vez a enveredar por teses da cabala, levando a que António Costa tivesse que comandar as hostes, ordenando a todos os militantes que se afastassem de Sócrates para preservar o PS da situação que o envolvia.

 

Só que se assistiu imediatamente a uma revolta em directo protagonizada por Mário Soares. Este foi imediatamente visitar Sócrates à prisão e proclamou do alto dos seus jubilosos 90 anos que "todo o PS está contra esta bandalheira". António Costa sentiu claramente o desafio, assim como antes dele já tinham sentido Constâncio, Sampaio e Guterres, mas permaneceu mudo e quedo perante este ataque de Mário Soares que poderia incendiar o PS contra ele próprio.

 

Curiosamente, quem sentiu necessidade de reagir em auxílio de António Costa foi o próprio Sócrates. Num inédito comunicado, proferido ao início da noite, proclamou: "Este processo é comigo e só comigo. Qualquer envolvimento do Partido Socialista só me prejudicaria, prejudicaria o Partido e prejudicaria a Democracia". 

 

O que se passou ontem revela assim que não só que António Costa não escapa à sombra de Soares, ao contrário do que sucedia com Sócrates, como também que, mesmo a partir da prisão, a sombra de Sócrates paira igualmente sobre a sua liderança. Uma verdadeira tragédia para o PS na altura em que tudo apontava para uma ascensão imparável em direcção ao poder. António José Seguro é que se deve estar a rir.

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Subscrevo ipsis verbis

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.11.14

2014-11-26-Bagao.JPG

Este caso é o mais mediático e emocionante para o país. (...) Mas o caso para mim mais preocupante para o futuro das instituições democráticas portuguesas é o dos vistos gold. Do ponto de vista do funcionamento do Estado português. E aí é que está a questão do regime.

 

Sim, convém não perder de vista o âmago do problema e não confundir as coisas, ainda que isso pudesse dar jeito politicamente a alguns. O "caso Sócrates" pode ser uma chatice, um problema político (que não é), um incómodo, mas a partir de agora será cada vez mais apenas um caso pessoal. E também um problema do Ministério Público, dos seus advogados, dos seus amigos e da desacreditada, e recorrentemente condenada nas instâncias europeias, justiça portuguesa. Casos pessoais não são casos nacionais.

 

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As canções do século (1792)

por Pedro Correia, em 27.11.14

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 27.11.14

Ao (in)diretas.

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LOL

por Rui Rocha, em 26.11.14

"Foi um grande presidente de câmara e considero que foi injustiçado", disse Soares, interrogando-se: "Quando há pessoas que roubam milhões e estão soltas, como é que ele foi preso sem razão nenhuma?"
Mário Soares, Outubro de 2014

"Isto não tem nada a ver com os socialistas, tem a ver com os malandros que estão a combater um homem que foi um primeiro-ministro exemplar."

Mário Soares, Novembro de 2014

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 26.11.14

«O comentador tem também um dever de disciplina. A sua interpretação deve superar os factos, mas tem o dever de não os distorcer. De não os negar. A corrente caudalosa de acontecimentos judiciais das últimas semanas, culminando com a prisão preventiva do anterior primeiro-ministro, parece estar a afectar a lucidez de alguns comentadores. A presunção de inocência de qualquer arguido não pode ser erguida como um argumento que impediria os processos e os tempos da justiça, que não são os da opinião, e muito menos os da emoção. É surpreendente que as eventuais imperfeições operacionais detectadas se sobreponham ao facto relevante de, pela primeira vez na nossa história, um primeiro-ministro estar em vias de ser levado a juízo.»

Viriato Soromenho-Marques, no Diário de Notícias

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É muito simples: prestes a fazê-lo, notei que vários colegas meus haviam publicado recentemente textos cheios de interesse (um pleonasmo, tratando-se de quem se trata) e com os quais estou cem por cento de acordo. Parecendo-me falta de consideração empurrar-lhos para baixo logo a seguir, para mais com um texto é certo que breve mas decididamente inconsequente e até um tudo-nada ridículo, optei por um adiamento. Haverá outras oportunidades.

 

(Não precisam de agradecer, caros colegas. Vocês merecem.)

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Não há circo sem palhaços

por José Navarro de Andrade, em 26.11.14

Circo mediático não é o clip de 5 segundos de um automóvel a sair da garagem com um arguido lá dentro. Circo mediático não é a chusma de repórteres a troar perguntas irrelevantes ao advogado que vem cá fora fumar um cigarrito, sabendo que não terão resposta. Isto é business as usual. Circo mediático são 4 canais durante 4 horas e upa, a darem vez e voz a turbas de comentadores, cortesãos e outros assim, que debitam incessantes e minuciosas opiniões sobre um assunto que afirmam desconhecer. Boa parte dessas opiniões reprovando o circo mediático.

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Sem perdão

por Rui Rocha, em 26.11.14

Pinto Monteiro, antigo Procurador Geral da República, almoçou com José Sócrates em vésperas de ter sido ordenada  a sua detenção. De acordo com Pinto Monteiro, falaram de viagens e livros. Foi, disse, uma conversa inocente. O mesmo termo - inocente - foi utilizado por Strawberry Alice para descrever William Munny (Clint Eastwood) em Unforgiven, depois de Little Bill Dagget lhe ter dado um arraial de porrada: you just kicked the shit out of an innocent man. Pena que nenhum jornalista se tenha lembrado de perguntar a Pinto Monteiro o que Little Bill Dagget respondeu, naquela ocasião, à prostituta: inocente de quê?

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O elefante na loja de porcelanas

por Luís Naves, em 26.11.14

Negar os factos evidentes só é possível até certo ponto, pois a realidade tem sempre razão. Apesar disso, o País habituou-se a negar o óbvio. Foi assim durante o endividamento que nos levou à falência, foi assim durante a austeridade, é assim agora: Portugal está a sair da crise, mas em vez de discutir o futuro, corre sérios riscos de se meter numa conversa de surdos sobre o passado.

O ex-primeiro-ministro José Sócrates foi detido, havendo suspeita de crimes graves, mas vejo sobretudo comentadores que questionam a saúde do estado de Direito e a própria sobrevivência do regime democrático. Alguns sectores do Partido Socialista parecem dispostos a tomar a Bastilha, para libertar o ilustre prisioneiro, livrando assim o País da perigosa conspiração de sinistros poderes justicialistas. Como mostra a recolha de citações que Pedro Correia publicou na séria ‘A Cabala’, neste blogue, muitos autores ainda não perceberam que o assunto não vai desaparecer por magia. Alguns gostariam que o caso fosse enterrado, embora não expliquem como é que o inquérito pode morrer à nascença sem que isso seja negação de justiça ou péssimo funcionamento das instituições.

O inevitável interesse do público pelas peripécias do caso não pode transformar-se num ambiente de histeria ou de pressão. Isto devia ser simples, mas as emoções estão à flor da pele e o PS, incapaz de lidar com a herança dos anos Sócrates, tem mostrado por estes dias algumas divisões insensatas. O que parecia ser um passeio para a vitória está a transformar-se num pesadelo trágico. Estamos perante um exemplo extremo de não se ver o elefante na loja de porcelanas. Só até à acusação, o assunto pode durar um ano, condicionando toda a campanha para as eleições de 2015. Mais valia perceber isso já, em vez de tentar negar a realidade. É que quanto mais politizado estiver o caso, pior será para os socialistas.

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Ler

por Pedro Correia, em 26.11.14

Uma nova era na Justiça? Do Eduardo Louro, na Quinta Emenda.

Os media, Sócrates, o espectáculo. Do Pedro Rolo Duarte.

O circo mediático. Do Mr. Brown, n' Os Comediantes.

José Sócrates não devia ter sido detido de noite. De Ricardo Ferreira Pinto, no Aventar.

Princípios básicos em tempo de detenções. De Pinho Cardão, na Quarta República.

Da prisão preventiva de José Sócrates. De Paulo Guilherme Trilho Prudêncio, no Correntes.

Sócrates#6. Do Alexandre Borges, no 31 da Armada.

Sócrates e a presunção de chico-espertismo. De John Wolf, no Estado Sentido.

O nacional-tremendismo provinciano: "do regime". Do Filipe Nunes Vicente, no Nada os Dispõe à Acção.

Estranho render da guarda. Do João Tunes, na Água Lisa.

O bom rigor português. De Mário Amorim Lopes, n' O Insurgente.

Também tenho coisas para dizer. Da Daniela Major, no Aventar.

Não lhes daremos esse gosto. De Porfírio Silva, na Machina Speculatrix.

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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 26.11.14

E vão oito: parabéns ao 31 da Armada.

 

Nuno Miguel Guedes em novo Advérbio de Moda.

 

J. Rentes de Carvalho retomou Tempo Contado. Fez muito bem.

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A playlist de AMN (6)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 26.11.14

Hoje temos Chico Buarque e a canção Basta um Dia.

Descobri um dia, por acaso, o vinil da Ópera do Malandro lá por casa, e o meu padrasto não me deixou continuar sem o ouvir. Fiquei siderado. Daí até continuar pelo Buarque fora foi um ápice, e do Buarque até toda uma constelação que não passava nas novelas um ápice foi.

Há muito para gostar em Chico Buarque, das letras aos compassos, mas fico-me agora pela capacidade metafórica de fintar uma censura e uma ditadura. Escolho por isso uma canção da peça Gota d’água, baseada na tragédia grega Medeia, de Eurípedes, passada no subúrbio do Rio de Janeiro e centrada nas suas dificuldades habitacionais.

A canção chama-se Basta um dia e é, de certa forma, o clímax da peça, através da qual a protagonista, Joana, indicia que prefere a sua própria morte, e a dos seus filhos, a ter de viver a tragédia brasileira.

Partilhei com os ouvintes da TSF a minha playlist. Foi emitida há uns bons dias, e partilho-a agora, aos bochechos, com os leitores do Delito.

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O PS não renega o passado

por Rui Rocha, em 26.11.14

Muito bem. Mas qual é o passado que o PS não renega? O de Sócrates ou o de Seguro que renegou Sócrates?

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A cabala (8)

por Pedro Correia, em 26.11.14

«Isto é tudo uma malandrice que lhe estão a fazer [a José Sócrates].»

 

«Toda a gente acredita na inocência dele!»

 

«Isto não é outra coisa que não seja um caso político!»

 

«Estes malandros estão a combater um homem que foi um primeiro-ministro exemplar!»

 

«Todo o PS está contra esta bandalheira!»

 

Mário Soares (há pouco, à saída do estabelecimento prisional de Évora)

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Pequena provocação não relacionada com José Sócrates

por José António Abreu, em 26.11.14

Li o post do Sérgio de Almeida Correia sobre o sucesso londrino da maestrina Joana Carneiro e resisti. Depois resisti mais um pouco. Depois desisti. É mais forte do que eu.

 

Um homem entra numa loja de animais. Pergunta o preço dos dois papagaios em exibição. O lojista diz: «Este custa dez mil euros, aquele vinte mil.»

«O que têm de especial para serem tão caros?»

«Este canta as árias das óperas de Mozart, aquele canta todo o Anel dos Nibelungos, de Wagner. Tenho outro nas traseiras mas custa cinquenta mil euros.»

«Livra. O que é que esse canta?»

«Nunca o ouvi cantar nada mas os outros chamam-lhe maestro.»

 

E parabéns a Joana Carneiro. A sério.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.11.14

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Este é o Tempo, de Adriano Moreira, com Vítor Gonçalves

Memórias

(edição Clube do Autor, 2014)

"A presente edição não segue o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990"

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A cabala (7)

por Pedro Correia, em 26.11.14

«Este processo rebenta no dia ou nos dias em que há estas eleições directas [no PS] e depois para a semana há o congresso... Eu não acredito em coincidências.»

 

«O princípio da presunção de inocência (que devemos valorizar), com este tipo de actuações [das autoridades judiciais], fica estraçalhado.»

 

«A justiça portuguesa devia ter mais recato e cuidado porque usa e abusa destes meios, das prisões preventivas.» 

 

André Freire (TVI 24, 23 Novembro)

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As canções do século (1791)

por Pedro Correia, em 26.11.14

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Tinha sido de visão

por Rui Rocha, em 25.11.14

Lançar a Parque Prisional em vez da Parque Escolar.

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O 25 de Novembro

por Helena Sacadura Cabral, em 25.11.14

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Quem se lembra do 25 de Novembro? Poucos, muito poucos. No entanto, passam hoje 39 anos sobre o golpe militar que naquela data, pôs fim à influência da esquerda mais radical iniciada em Portugal com o 25 de Abrli 1974. Golpe que terá permitido ao pais o estabelecimento de democracia de que agora gozamos. E que substituiu o PREC – Processo Revolucionário em Curso – pelo Processo Constitucional em Curso, no qual o General Ramalho Eanes teve um importante papel.

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A culpa, pois, é dos jornalistas

por Pedro Correia, em 25.11.14

Uma professora universitária de Ciências da Comunicação, num debate televisivo a propósito da detenção de José Sócrates, defendeu que o direito à informação deve submeter-se ao "segredo de justiça", como se ambos estivessem situados em idêntico patamar constitucional. E fez reiteradas críticas aos órgãos de informação que, a seu ver, "violaram o segredo de justiça".

No dia em que um antigo chefe do Governo era pela primeira vez detido em Portugal por alegados crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada, falsificação de documento e branqueamento de capitais, a eminentíssima senhora não achou nada melhor para sublinhar do que apontar o dedo acusador aos profissionais da comunicação social.

Interrogo-me que jornalismo será produzido futuramente pelos alunos de tão ilustre defensora da vulnerabilização do direito à informação. Muito provavelmente será um "jornalismo" de comunicados oficiais, devidamente afeiçoado aos mecanismos da auto-censura para gáudio do poder político, tenha a tonalidade que tiver. Com caução "científica", ainda por cima.

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Pequeno espinho

por José António Abreu, em 25.11.14

Ainda assim, não sei se gosto da ideia de estar a contribuir para pagar o alojamento do homem. Mas suponho que já o fiz durante anos.

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A cabala (6)

por Pedro Correia, em 25.11.14

«A minha confiança no sistema judicial deste país está pelas ruas da amargura.»

 

«É importante discutirmos a justiça. Não podemos ficar cegos e surdos face aos erros da justiça e aos problemas que a justiça tem.»

 

«O prestígio da justiça caiu por aí abaixo. Como os políticos. Está ao mesmo nível. Há uma necessidade de a justiça arranjar uns bodes-expiatórios para recuperar o prestígio perdido. Tenho muito receio de que a justiça tenha enveredado por este caminho.»

 

«Carlos Alexandre teve os seguintes processos: BPN, Furacão, Monte Branco, Vistos Gold e agora Sócrates. Isto é demasiado poder nas mãos da mesma pessoa.»

 

Pedro Marques Lopes (SIC Notícias, 23 de Novembro)

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Acordem e mexam-se, moribundos!

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.11.14

JoanaCarneiroMaestrina2014.jpgNão está tudo perdido. Ainda há boas notícias e quem sabe se a nossa regeneração não poderá obter um contributo fundamental da música. Da grande música.

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A playlist de AMN (5)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 25.11.14

Hoje temos Chava Alberstein e a canção Chad Gadya.

A canção que vamos ouvir agora vem de Israel e chama-se Chad Gadya. Foi lançada no início de 1989 e entrou directamente para a lista de músicas mais vendidas. Depois de algumas semanas, o governo de Yitzhak Shamir proibiu a canção de ser tocada, e ficou proibida até ao início dos anos 2000.

A letra é uma alegoria da política externa de Israel naqueles tempos, especialmente a frase, que traduzo livremente, que diz o seguinte: "Eu costumava ser uma ovelha e um cordeiro pacífico, hoje eu sou um tigre e um lobo à caça”. No fundo, trata-se de uma profunda crítica política utilizando para o efeito vários motivos pascais.

A proibição não impediu esta música de fazer o seu caminho; é uma das canções pacifistas mais conhecidas e cantadas em Israel, de tal forma que é hoje um clássico, tenho feito parte da banda sonora de Free Zone, com Natalie Portman, acompanhando a cena mais emotiva do filme, e que está no vídeo que seleccionei.

Partilhei com os ouvintes da TSF a minha playlist. Foi emitida há uns bons dias, e partilho-a agora, aos bochechos, com os leitores do Delito.

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A cabala (5)

por Pedro Correia, em 25.11.14

«Sábado o País foi confrontado com um acontecimento que deixou todos os democratas imensamente preocupados. O que foi feito a um ex-primeiro-ministro com um anormal aparato fortemente lesivo do segredo de justiça não pode passar em vão.»

 

«Também não pode passar em vão o espectáculo mediático que a comunicação social tem feito, violando também ela o segredo de justiça ao revelar factos que era suposto só serem conhecidos quando um juiz se pronunciasse.»

 

«Ninguém sabe se a Procuradora-Geral da República foi quem comandou a polícia que actuou.»

 

Mário Soares (DN, 25 de Novembro)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.11.14

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Mistérios, de Knut Hamsun

Tradução de João Reis

Romance

(reedição Cavalo de Ferro, 2ª ed, 2014)

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Não há dois homens iguais

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.11.14

cicero.jpg"O Estado que escolhe ao acaso os seus guias é como o barco cujo leme se entrega àquele dentre os passageiros que a sorte designa" - Cícero, Da República, Livro I, XXXIV

 

Vai para aí um grande chinfrim a propósito da detenção e colocação em prisão preventiva de um ex-primeiro ministro e ex-secretário-geral do PS. Para uns vai ser o fim do mundo. Outros dirão que as consequências abalarão os alicerces do PS e irão prejudicar a nova liderança. Creio que nem uns nem outros terão razão.

Mas enquanto o tempo e a justiça fazem o seu caminho, convém colocar alguma serenidade e razão nos juízos que se fazem.

Estabelecendo um paralelo entre o que se passa na justiça e na democracia, eu diria que são mais os pontos de convergência do que os de afastamento. O que à primeira se exige é também essencial à segunda. E todas estão, ou deviam estar, presentes nos mais pequenos gestos do nosso quotidiano. Refiro-me à transparência e ao carácter. É isto que, bem ou mal, desenha o meridiano que marca a diferença entre uma aristotélica vida boa e uma república das bananas.

 A um juiz impõe-se, para além da competência, do conhecimento rigoroso do Direito substantivo e processual, dos fundamentos éticos e morais da sua arte, a sua aplicação equilibrada e sensata, tendo em atenção os fins últimos da justiça e do Estado de direito, que as suas decisões sejam simplesmente transparentes. Na perspectiva de compreensíveis, de facilmente apreensíveis pelos destinatários e pela comunidade, capazes de serem vistas na sua essência por quem está de fora, percebendo-se de forma lógica e clara os mecanismos e o processo lógico-racional que conduziu à decisão. Só isso a pode tornar imediatamente escrutinável e não manipulável por terceiros. Para isso exige-se também que o juiz seja um homem de carácter, no sentido de que deverá tanto quanto possível ser impermeável ao mundo que o rodeia, embora viva nele e seja obrigado a compartilhar a sua existência e o seu trabalho com os destinatários do seu múnus. Não lhe basta o conhecimento da lei e das minudências do processo, não lhe bastará ser um estudioso e aplicador automático de normas para ser um juiz. É preciso algo mais.

Numa democracia, do mesmo modo, aquilo que se deve exigir a uma decisão judicial deverá de igual impor-se por si na decisão política. Sem necessidade de mediações nem esclarecimentos a posteriori. O que se espera de um juiz não pode, na mesma medida, deixar de ser exigido a um político no exercício do poder. A medida de bom senso e de equilíbrio, a bitola, não terá de ser necessariamente a mesma, mas as regras que conduzem à decisão e à justificação deverão ser idênticas. Sendo ambas geradoras de paixões, e não se podendo pedir a mesma contenção a quem julga e decide, num tribunal ou numa tribuna, que a quem vê o que se administra ou o que se exerce em nome do povo, a dificuldade estará em encontrar a exacta medida.

Tal como no caso da justiça, a um político deve ser exigido que seja transparente nas suas decisões e que se assuma como um homem de carácter. O que num caso e no outro será aferível na gestão processual, na formação das decisões, incluindo as interlocutórias, e no juízo final. No caso do juiz também na forma como gere a solidão no caminho que trilha. No político nos que escolhe para o acompanharem no seu percurso.  

Por isso mesmo, ao contrário do que pudesse ser lido nas entrelinhas, quando o primeiro-ministro dizia há dias que os políticos não são todos iguais não fazia mais do que repetir uma verdade lapalissiana. É certo que nem sempre reconhecemos aos emissores a autoridade para transmitir a mensagem, mas esse é mais um problema dos receptores do que dos emissores.

Tudo isto para dizer que da mesma forma que o azeite e a água não se misturam, ainda que agitados e metidos dentro do mesmo recipiente, também numa democracia adulta não há o perigo da justiça e da política se misturarem. Não vou por aí e continuo a ter dificuldade em ver cabalas ou pacotes de más intenções nas fraquezas humanas.

Não somos todos iguais, embora possamos todos fazer aparentemente as mesmas coisas no nosso quotidiano. E numa democracia isso será cada vez mais verdade.

A qualidade da justiça vê-se no acerto das suas decisões, na transparência destas e no carácter dos seus juízes. A qualidade de uma democracia também é aferida pelas suas políticas, acima de tudo pela transparência destas e pelo seu confronto com o que se conhece do carácter dos seus dirigentes.

Pode ser doloroso reconhecer, não o contesto, mas aquilo que hoje em dia mais se discute na política é o carácter dos políticos. É um facto com o qual há sempre que contar e do qual não se pode fugir. Por isso, também o juízo político é inevitável quando em causa está a indiciação pelo crime mais grave que pode ser imputado a um governante numa República democrática. Ninguém pode ficar indiferente, é certo. Mas convirá não esquecer que o hálito é pessoal e intransmissível. Como o carácter. Não há dois homens iguais.

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Desculpem, queria ver como me sentia sendo a única pessoa a afirmá-lo mas, péssimo actor que sou, em especial quando não acredito no texto, desatei a rir antes do final.

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Poeira

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.11.14

É preciso dar-lhe tempo para assentar. Para que os fantasmas possam perder as formas e desaparecer no ar. Até que um dia de novo volte a subir e traga com ela novas formas e novos vultos.

A política, tal como a vida, é um ciclo que se repete com princípio, meio e fim. A sabedoria está em saber fazer esse caminho olhando sempre o horizonte, sem necessidade de se olhar para trás porque se conhece a marca que lá se deixou. E a que um dia há-de ficar no lugar do nosso pó.

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A viola no saco

por Pedro Correia, em 25.11.14

Todos aqueles que ainda há ainda bem pouco criticavam duramente António José Seguro por pretender romper com o "legado" de José Sócrates no Partido Socialista metem a partir de hoje, oficialmente, a viola no saco. Incluindo Ferro Rodrigues, que há escassas três semanas tributou um rasgado elogio a Sócrates no plenário da Assembleia da República. Incluindo Ascenso Simões, que há menos de um mês exigia ver a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo a reluzir na lapela do ex-primeiro-ministro.

Seguro só cometeu um pecado, fatal em política: teve razão antes do tempo.

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As canções do século (1790)

por Pedro Correia, em 25.11.14

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Falaram de livros

por Rui Rocha, em 24.11.14

Da próxima vez podem discutir a obra do Cela.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 24.11.14

«Não deixa de ser curioso ouvir alguns jornalistas queixarem-se da “fuga de informação” e do “circo mediático” à volta da prisão de Sócrates. Haverá algum órgão de comunicação social português que nunca tenha noticiado informações provenientes de investigações judiciais em curso? E qual o jornalista digno desse nome que não procuraria reportar a prisão de Sócrates em primeira mão? Aliás, não haveria o dever de o fazer, tendo em conta que se tratava de um assunto de inegável interesse público? (…) Nas circunstâncias actuais, os jornalistas limitam-se a cumprir o seu dever de informar. Como jornalista e cidadão, prefiro mil vezes viver num país onde os jornais são “sensacionalistas” e publicam notícias sem contraditório, do que noutro onde os media têm muito respeitinho por quem manda. A comunicação social é o motor de uma sociedade livre: a própria actuação das autoridades, sem medo de investigar pessoas poderosas, só é possível porque estes assuntos chegam à opinião pública através dos media

Filipe Alves, no Diário Económico

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A cabala (4)

por Pedro Correia, em 24.11.14

«Está a haver um aproveitamento político de um caso jurídico, que prejudica o PS.»

 

«[Está a haver] uma promiscuidade entre política e justiça.»

 

«Quem está na justiça, já nada o surpreende.»

 

Fernando Pinto Monteiro (RTP, 24 Novembro)

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Leitura das medidas de coação tinha sido anunciada para as 18h30, depois seria mais tarde e então já só seria durante os telejornais, depois das 20h00. Ainda há notícias a passar nas televisões generalistas, mas não há medidas.


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A cabala (3)

por Pedro Correia, em 24.11.14

«Temos na sociedade portuguesa um exercício de poder da parte das magistraturas com muita arrogância e que questiona os alicerces do Estado democrático.»

 

«Ninguém em Portugal pode considerar-se inocente e estar livre de um dia ser condenado. É chocante e é essa a realidade do País em que vivemos.»

 

«Há uma coligação perversa entre péssimas investigações e mau jornalismo.»

 

«Devemos questionar tudo sobre a justiça em Portugal.»

 

Pedro Adão e Silva (SIC Notícias, 22 de Novembro)

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Um cientista, especialista em lógica, vai passear no campo com a mulher. A certa altura ela diz:

«Olha aquelas ovelhas. Foram tosquiadas.»

«Sim», replica ele. «Deste lado.»

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É como diz o povo:

por Rui Rocha, em 24.11.14

A mentira tem Perna curta.

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O futuro de Hollywood

por Luís Naves, em 24.11.14

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Interstellar, de Christopher Nolan, pode ser a chave da futura Hollywood, com um regresso à velha tradição de contar histórias verosímeis e originais, com cabeça, tronco e membros, sem parafernália visual que não esteja estritamente ligada à eficácia narrativa. O filme é um exemplo da melhor ficção científica que vi nos últimos anos, liberta do terror que contaminava o género e com reflexões interessantes sobre os problemas da humanidade, a exploração espacial e o tecido do cosmos. O ritmo é alucinante, como convém a uma viagem através de buracos de verme. As personagens são ricas e contrastadas, há um argumento inteligente, poucas cenas com lamechice, até algum humor.

Nolan tentou criar um clássico, o que se pode definir como um filme que transcende a sua época e resiste ao tempo, que é aliás um dos temas centrais. A marca clássica está impressa no rigor científico, por exemplo, no silêncio que acompanha as imagens sem atmosfera, ao contrário do que sucede em filmes menores, onde não se resiste a colocar som impossível de ouvir. Nos últimos vinte anos, o cinema de Hollywood insistiu em efeitos visuais e no fogo de artifício, trocando a coerência das histórias pelo espectáculo superficial e os caprichos da vedetas. Interstellar é uma excepção a esta tendência. Ali existe um fio de histórias, o que é típico das grandes narrativas.

 

 

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A playlist de AMN (4)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 24.11.14

Hoje temos Cat Stevens e a canção Sad Lisa.

A primeira vez que ouvi o Tea For Tillerman de Cat Stevens era ainda uma criança. Fui atraído pela desconcertante capa do álbum, com desenhos de crianças e um velho ruivo a beber chá, pensando que era um álbum de música infantil. Não era, claro, e foi uma enorme desilusão.

Voltei ao álbum uns poucos anos depois, porque o meu pai gostava muito de Cat Stevens e as canções dele apareciam de quando em vez nas cassetes que ouvíamos nas insistentes viagens entre Lisboa e a Covilhã, e a sensação foi totalmente diferente.

Hoje olho para trás e não percebo sequer porquê. A viragem espiritual e religiosa de Cat Stevens, que está suficientemente perceptível neste álbum, não era tema que me tocasse aos 17 anos. Talvez por isso, aliás, tenha sido o Sad Lisa, para mim a mais neutra das canções do álbum, a ficar como favorita. E é essa mesmo que vamos ouvir.

Partilhei com os ouvintes da TSF a minha playlist. Foi emitida há uns bons dias, e partilho-a agora, aos bochechos, com os leitores do Delito.

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Terrenos legítimos

por José António Abreu, em 24.11.14

É verdade que a detenção de José Sócrates causa problemas a António Costa, um homem que o acompanhou desde o início e que nunca se demarcou das suas políticas. Mas abre também caminho para que qualquer menção ao seu legado político seja enfrentada com acusações escandalizadas de mistura entre os planos político e judicial. Que fique então claro: seja Sócrates formalmente acusado ou não, a sua acção política - e o papel de Costa nela - será sempre terreno legítimo de combate político. Mais ainda: será sempre legítimo discutir se um Estado metido em tudo o que mexe, como o que - dos Magalhães e da PT à construção civil - ele implementou e Costa parece defender, gera ou não riscos acrescidos de corrupção.

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Francamente exagerada

por Pedro Correia, em 24.11.14

Ontem, coincidindo com o segundo dia da detenção de José Sócrates, o DELITO DE OPINIÃO registou 7.921 visitas e 11.833 visualizações. Nos últimos sete dias, registámos 26.315 visitas (média diária: 3.759) e 43.025 visualizações (média diária: 8.605).

Confirma-se: a "notícia" da morte dos blogues era francamente exagerada.

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A cabala (2)

por Pedro Correia, em 24.11.14

«Num caso de tanta gravidade como este, o da suspeita de crimes graves e detenção de um ex-primeiro-ministro do Partido Socialista, verifico imediatamente que o processo foi grosseiramente violado. Praticou-se, já, o linchamento público.»

 

«Esta Justiça de terceiro mundo aterroriza-me. Isto não acontece num país civilizado com jornais civilizados. Isto levanta-me suspeitas legítimas sobre o processo e a Justiça, e neste caso, dada a gravidade e ataque ao regime que ele representa, a Justiça ou age perfeitamente ou não é Justiça.»

 

«Vou seguir este processo com atenção. Muita. Ou ele é perfeito, repito, ou é a Justiça que se afundará definitivamente no justicialismo. Na vingança. No abuso de poder.»

 

Clara Ferreira Alves (Expresso, 22 de Novembro)

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