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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 02.08.15

Pois é como te digo, Eva: no mundo, só há dois tipos de pessoas.

Adão, durante um passeio no Jardim do Éden

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 02.08.15

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Pantaraxia, de Nubar Gulbenkian

Tradução de Adriana Barreiros e José António Barreiros

Autobiografia

(reedição Labirinto de Letras, 2015)

"Salvo indicação em contrário do autor a editora segue o anterior Acordo Ortográfico"

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Marques Mendes, quando tiver tempo, há-de explicar os critérios

por Sérgio de Almeida Correia, em 02.08.15

Ouvidas que foram as críticas a António Costa pela constituição das listas do PS, designadamente quanto à exclusão de seguristas, ficámos entretanto a saber que no PSD também houve quem não ficasse satisfeito e venha dizer que as listas são o espelho da direcção do partido. Os que há tempos criticaram Manuela Ferreira Leite estão agora todos calados. Como convém aos ratos de sacristia que tomaram o poder nessa paróquia. Apesar de tudo, isso é normal quando se trata do mesmo partido que foi a correr expulsar António Capucho, por causa do episódio das autárquicas em Sintra, para vir agora integrar entre os candidatos a deputados os homens de Isaltino Morais que em Oeiras se candidataram contra o próprio partido. O argumento que serviu num caso já não serve ao outro. Só foi pena que não tivessem também integrado o próprio Isaltino nas listas. Sempre seria mais abrangente, uma forma mais elegante de lhe pedirem desculpa e mais coerente com os objectivos que a "coligação" tem em vista nas próximas eleições. 

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As canções do século (2040)

por Pedro Correia, em 02.08.15

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Compreende-se que os cartazes de Edson Athayde tenham provocado desconforto no PS. De facto, uma associação entre os socialistas e a IURD é abusiva. A IURD, por exemplo, promete um pouco menos no Céu e muito menos na Terra.

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 01.08.15

Subir para cima, entrar para dentro, recuar para trás, políticos em férias. Pleonasmos da língua portuguesa.

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Pelo Mundo

por Francisca Prieto, em 01.08.15

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Em La Paz, damos com miudagem a tomar conta de lojas enquanto joga animadamente numa playstation portátil. Não dá muito jeito quando precisamos de uma informação concreta do tipo se há determinado poncho em determinada cor, mas torna uma tarde de compras muito mais inesperada. 

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As canções no cinema (6)

por Pedro Correia, em 01.08.15

 

QUE SERA SERA (O Homem que Sabia Demais, 1956)

 

When I was just a little girl
I asked my mother what will I be.
Will I be pretty, will I be rich?
Here's what she said to me,

Que sera, sera,
Whatever will be, will be
The future's not ours, to see
Que sera, sera.
What will be, will be.

 

Sei de cor as letras de centenas de canções. Aprendi-as em grande parte entre as quatro paredes domésticas, quando era miúdo. Sempre foi uma casa onde se cantarolou muito – uma casa sob o signo do sol, onde eram raras as sombras.

Havia as canções da mãe, maioritárias. E havia também as canções do pai, não tão frequentes mas igualmente alegres. Entre estas, uma das mais recorrentes começava assim: “When I was just a little boy / I asked my mother what will I be / Will I be handsome, will I be rich? / Here’s what she said to me.”

Estava eu muito longe de saber, ao fixar estes versos, que tal cantiga teve estreia absoluta num filme do mestre do suspense, Alfred Hitchcock, pela voz de Doris Day, actriz que poucos imaginariam vocacionada para protagonizar um thriller. Actriz bem-amada e mal-amada: sempre polarizou opiniões. Eu, mesmo contra ocasionais correntes, figurei sempre entre os seus admiradores.

 

À partida ninguém associaria esta valsinha alegre e luminosa, quase em toada de canção infantil, ao mundo sombrio em que costumam mover-se as personagens de Hitchcock. Doris Day canta-a pela primeira vez aos dois filhos pequenos numa das cenas iniciais d' O Homem que Sabia Demais (The Man Who Knew Too Much, 1956) - remake colorido do filme homónimo rodado em 1934, a preto e branco, pelo realizador britânico.

Apercebi-me da associação entre canção e filme, nesses tempos ainda sem wikipédia, só vários anos depois de conhecer Que Sera Sera. O que em grande parte se explica pelo facto de o remake integrar a lista dos cinco filmes "invisíveis" de Hitchcock - os que realizou para a Paramount e permaneceram duas décadas fora de exibição por motivos relacionados com direitos autorais. Quando a Universal adquiriu o catálogo da Paramount, em 1983, e decidiu revelar aquelas películas às gerações mais jovens, houve celebração entre os cinéfilos.

Vi então, em salas de cinema, três desses filmes: Janela Indiscreta, Vertigo e Ladrão de Casaca. Por algum motivo deixei passar O Homem que Sabia Demais (e O Terceiro Tiro, o quinto do lote), que só veria anos depois em vídeo. Quando finalmente isso aconteceu, já na década de 90, o filme não me decepcionou: era a história de um casal que procurava resgatar um filho raptado durante uma digressão turística a Marraquexe - numa atmosfera que se vai adensando de cena para cena até se tornar quase claustrofóbica.

Com a imodéstia que o caracterizava, Hitchcock costumava comparar da seguinte forma as duas versões que filmou com 22 anos de intervalo: "A primeira foi obra de um amador com talento; a segunda resultou do trabalho de um profissional." Bem servida por um elenco em que se destacavam James Stewart, o francês Daniel Gélin (que protagonizara dois anos antes Os Amantes do Tejo, com Amália Rodrigues) e Doris Day, essa actriz-cantora que tão bem personificava a risonha América de Eisenhower desses irrepetíveis anos 50.

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Que Sera Sera: estranho título espanhol para uma cantiga americana. Foi uma daquelas ideias que só poderia ter sido congeminada por criativos de Hollywood - no caso, uma das duplas de maior sucesso na escrita de canções para filmes: o compositor Jay Livingstone (1915-2001) e o letrista Ray Evans (1915-2007), antigos colegas da Universidade da Pensilvânia que nunca deixaram de trabalhar juntos.

A parceria traduziu-se em três Óscares da Academia de Artes Cinematográficas norte-americana para a melhor canção em filmes: Buttons and Bows (1948), interpretada por Bob Hope em The Paleface (1948); a célebre Mona Lisa, que esteve para chamar-se Prima Donna, nascida na longa-metragem Captain Carey, USA (1950) e logo popularizada por Nat King Cole em disco; e Que Sera Sera, outro êxito instantâneo de uma canção lançada nas salas de cinema que para sempre ficou como assinatura musical de Doris Day e em Julho de 1956 disparou nos tops discográficos (primeiro lugar no Reino Unido, segundo nos EUA).

Mas talvez o maior sucesso desta dupla tenha sido o tema principal de Bonanza, uma das mais populares séries televisivas de sempre.

 

Que Sera Sera começou a nascer no dia em que Jay Livingstone, acompanhando em Itália a rodagem do filme A Condessa Descalça, com Ava Gardner e Humphrey Bogart, leu no portão de uma quinta a frase Che Sarà Sarà e anotou-a, parecendo-lhe inspiradora. A intuição dele bateu certo. Mas a frase italiana passaria a ser espanhola por haver muito mais gente a dominar este idioma, como os autores justificaram. 

Se me pedirem uma lista das 20 canções emblemáticas desses remotos anos 50, mencionarei sempre Que Sera Sera. Pela alegria contagiante, pelo optimismo que dela emana, pela sua incomparável candura. 

Hei-de associá-la sempre a Doris Day - que hoje, aos 91 anos, é uma das raras sobreviventes dessa época dourada de Hollywood ainda dominada pela "fábrica de sonhos" dos grandes estúdios.

Hei-de associá-la também sempre ao meu pai: era mais novo que Doris Day, mas já cá não está. Faço como ele, alterando a letra, passando-a de cantiga de menina a cantiga de menino: "When I was just a little boy / I ask my mother what will I be. / Will I be handsome, will I be rich?"

Trauteio-a vezes sem conta, sentindo-me de novo transportado às felizes manhãs da infância. E mesmo que o céu esteja coberto de nuvens, nesses dias haverá sempre sol para mim.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 01.08.15

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A Campanha do Argus, de Alan Villiers

Introdução de Álvaro Garrido

Tradução de Nuno Botelho

Reportagem

(reedição Cavalo de Ferro, 3ª ed, 2014)

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Como um longo e aborrecido Domingo

por Isabel Mouzinho, em 01.08.15

Agosto é o mês de que menos gosto. Associo-o sempre a suor e a calor em excesso, a moscas, a desleixo e a chungaria. O país vive a meio gás, semi-parado como num imenso intervalo, e tudo se centra no Algarve, que passa a ser o lugar a evitar nem que seja por sobrelotação, tal e qual  o metro à hora de ponta, ou perto disso.

Na verdade, tirando a nossa casa, quase todos os sítios são insuportáveis; até Lisboa, antigamente tranquila, preguiçosamente apetecível, muito mais silenciosa e quase vazia de gente e de trânsito é agora tão cosmopolita e turística que perdeu parte da graça e da sua habitual sonolência estival, o que pode fazer de um fim de tarde a olhar o Tejo um verdadeiro massacre, ou no mínimo a confusão garantida.

Tenho comigo esta espécie de desgosto que nem chega bem a sê-lo de, por força das circunstâncias, só poder estar de férias no mês que até para viajar é menos simpático que todos os outros. Nesta altura, nada como permanecer no sossego e na frescura do nosso espaço mais íntimo, ao sabor da vontade de cada momento. Há sempre o lado bom das longas manhãs de sono, de praia, ou de moleza, da chuva inesperada e do agradável cheiro da terra molhada que se lhe segue, das horas que parecem passar mais devagar e dar tempo para fazer tudo o que se quer.

Para mim, Agosto é acima de tudo tempo de arrumações, de balanços e de projectos, de descansar e de preparar a nova vida, que se anuncia para o final do Verão. E isto também são férias!

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As canções do século (2039)

por Pedro Correia, em 01.08.15

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Separados à nascença?

por Rui Rocha, em 31.07.15

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As canções de Agosto

por Pedro Correia, em 31.07.15

Mais canções de Verão vêm aí no mês de Agosto. Com nomes tão diversos como Ray Charles, Van Morrison, Rosemary Clooney, Peter Gabriel, Deep Purple, Mariah Carey e Camarón de la Isla.

Como sempre, agradeço desde já as sugestões que queiram aqui deixar-me.

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35 minutos e um álbum gratuito

por José António Abreu, em 31.07.15

Os Wilco são provavelmente uma das melhores bandas norte-americanas. Das mais genuínas, também, no sentido de produzirem música onde o imaginário norte-americano dos espaços e dos sons se encontra e concentra. No passado dia 16 de Julho disponibilizaram gratuitamente no seu site (que esperais? Ide) um novo álbum, Star Wars, talvez o melhor (mais fresco, menos produzido) desde o fabuloso Yankee Hotel Foxtrot, de 2002 (também disponibilizado primeiro na Internet, depois da editora ter recusado lançá-lo). No dia seguinte, no Festival da Pitchfork, apresentaram-no ao vivo por completo. Este é o vídeo desses 35 minutos.

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 31.07.15

Confessem lá que também se sentem um nadinha culpados quando passam pela zona de saída sem compras.

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Passagem de Nível

por Francisca Prieto, em 31.07.15

I mused for a few moments on the question of which was worse, to lead a life so boring that you are easily enchanted, or a life so full of stimulus that you are easily bored.

 

(Bill Bryson, in The Lost Continent)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.07.15

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Balada da Praia dos Cães, de José Cardoso Pires

Prefácio de António Lobo Antunes

Romance

(reedição Relógio d' Água, 2015)

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Pensamento para hoje

por Joana Nave, em 31.07.15

Parece que hoje vai chover. Não fique triste, aprecie esta chuva como um refresco no meio do Verão, uma forma de equilibrar os nossos corpos face ao calor dos últimos dias. A chuva limpa, purifica, renova.

 

Sinta as pingas da chuva no rosto e agradeça.

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 31.07.15

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Virginia McKenna

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Pelo Mundo

por Francisca Prieto, em 31.07.15

Aposto que o CR7 cedeu todos os direitos de imagem a esta peluqueria unisexo do Edgar, em La Paz.

 

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As canções do século (2038)

por Pedro Correia, em 31.07.15

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Grécia antiga (50)

por Pedro Correia, em 30.07.15

«Eles [governo grego] recuaram muito, mas a Alemanha recuou muito mais. (...) Conseguiu dobrar a Alemanha, que não queria nenhum acordo e foi forçada a engolir. (...) Terminou a austeridade pura e dura [na Grécia].»

Freitas do Amaral, na RTP informação (25 de Fevereiro de 2015)

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As canções no cinema (5)

por Pedro Correia, em 30.07.15

 

ROCK AROUND THE CLOCK (Sementes de Violência, 1955)

 

One, two, three o'clock, four o'clock rock
Five, six, seven o'clock, eight o'clock rock
Nine, ten, eleven o'clock, twelve o'clock rock
We're gonna rock around the clock tonight

 

Com a electrizante voz de Bill Haley, acompanhado pelos seus Comets, o rock n’ roll irrompia no cinema, alterando radicalmente as linhas melódicas e rítmicas adoptadas até aí nas produções norte-americanas – e logo na MGM, o mais conservador dos grandes estúdios.

Estávamos a meio da década de 50, entre as guerras da Coreia e do Vietname, fronteira entre dois mundos. O cinema antecipava as modas dominantes a todos os níveis – do vestuário à linguagem, passando pela música. Nascia o culto das Harley-Davidson como metáfora da rebeldia juvenil protagonizada por Marlon Brando no filme O Selvagem (László Benedek, 1953), os adolescentes ganhavam um meteórico protagonismo entronizando James Dean como figura emblemática em obras capitais como A Leste do Paraíso (Elia Kazan, 1955) e Fúria de Viver (Nicholas Ray, 1955). E a batida do rock tomava de assalto as telas cinematográficas de forma imparável, acompanhando o pré-genérico e o genérico inicial de Sementes de Violência, longa-metragem de Richard Brooks inspirada no romance homónimo de Evan Hunter (The Blackboard Jungle, no original), publicado no ano anterior.

 

Lembro-me perfeitamente de ter visto Sementes de Violência, num cinema da Margem Sul que transformava o Verão em época de “reposições” de êxitos antigos – como sucedia nessa década de 70 por esse País fora. Eu era adolescente à época, teria a idade dos estudantes que surgem em foco neste filme centrado na delinquência juvenil numa escola pública de um bairro pobre de Nova Iorque. Mas o que me atraiu à sessão, naquelas férias grandes, foi o actor principal, Glenn Ford, que eu já conhecia de uma série exibida em 1975 na RTP sob o título Terra Bravia (Cade’s County, no original) – muito popular na altura entre a rapaziada da minha geração por ser um trepidante western contemporâneo. Ignorava ainda que Glenn Ford, à época em que rodou Sementes de Violência, já protagonizara obras-primas como Gilda (Charles Vidor, 1946) e Corrupção (Fritz Lang, 1953).

The Blackboard Jungle não mitifica a adolescência, longe disso. É talvez o primeiro título das grandes produções de Hollywood capaz de inverter o aforismo do padre Américo: afinal existem rapazes maus. Brooks – cineasta que viria a rodar belíssimas películas, como Gata em Telhado de Zinco Quente, O Falso Profeta, Corações na Penumbra, À Queima-Roupa e Amar Sem Amor – era também escritor, assinando o argumento desta longa-metragem que mereceu nomeação para um Óscar. O filme foi proibido em diversos Estados norte-americanos por decorrer numa escola multirracial (com um notável desempenho de Sidney Poitier, ainda muito jovem) e era antecedido de uma mensagem aos espectadores garantindo que nada daquilo existia na esmagadora maioria dos estabelecimentos escolares dos Estados Unidos.

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Gostei de o ver. A tal ponto que fiz questão de revê-lo dias depois – hábito que conservo desde então quando descubro um filme de que gosto muito. Mas nada me prendeu tanto a atenção como a música, diferente de todas as que me habituara a ouvir em películas produzidas naquela época.

Se aquilo me acontecia 22 anos depois da estreia, imagine-se o que não terão sentido os jovens espectadores de 1955 que transformaram Sementes de Violência num êxito de bilheteira ao escutarem a voz de Bill Haley, apoiada nos sete “cometas” (tocando guitarra clássica, guitarra eléctrica, baixo, piano, sax tenor e bateria): “Put your glad rags on and join me hon’ / We’ll have some fun when the clock strikes one / We’re gonna rock around the clock tonight / We’re gonna rock, rock, rock, ‘till broad daylight / We’re gonna rock, gonna rock around the clock tonight.”

As almas mais empedernidas entraram em pânico com aquela “batucada” de “inspiração diabólica” que quebrava os cânones melódicos e ameaçava perturbar a doce harmonia das famílias norte-americanas. A tal ponto que em certas cidades a música foi suprimida: o genérico passava sem som.

 

Reza a lenda que a culpa foi de um rapazinho de dez anos: Peter Ford, que tinha em casa o disco, gravado nos estúdios novaiorquinos da Decca em 12 de Abril de 1954. A pedido do realizador, coube-lhe a escolha do tema musical que tornaria Bill Haley numa celebridade e faria disparar as vendas do single logo após a estreia do filme, em 19 de Março de 1955: Rock Around the Clock liderou o top discográfico nesse Verão, durante oito semanas. Prenunciando a erupção de Elvis Presley como “rei” do género.

Hoje poucos se lembram de Bill Haley, que teve nove canções na lista das vinte mais vendidas entre 1954 e 1956. Mas os Beatles e os Rolling Stones, entre tantos outros, sempre prestaram tributo a este tema, nascido em 1953 da súbita inspiração do letrista Max C. Freedman (1893-1962) e do compositor James E. Myers (1919-2001), que era também produtor discográfico e assinou com o pseudónimo de Jimmy DeKnight. Com os primeiros acordes a constituírem um plágio descarado de Move it on over, primeiro grande sucesso de Hank Williams, datado de 1947.

São ainda mais aqueles que ignoram quem gravou a primeira versão de Rock Around the Clock, semanas antes dos Comets: tratava-se de um recém-surgido grupo de baile italo-americano denominado Sonny Dae and His Knights. Não há registo de que tenha voltado a gravar outro disco.

As bandas dissolveram-se, os ventos da moda mudaram, a música de miúdos tornou-se música de avós. Mas na galeria das canções ligadas ao cinema ficará para sempre inscrito este tema pioneiro do rock que rasgou fronteiras, alargou horizontes e quebrou tabus.

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Caracas, Grécia

por José António Abreu, em 30.07.15

Atenas impôs um preço máximo para alguns consumíveis vendidos em locais públicos como aeroportos, estações, 'ferrys', hospitais ou escolas para compensar em parte a subida de 10 pontos percentuais do IVA, imposta pelos credores internacionais.

Preços fixados administrativamente são sempre uma óptima ideia. Há-de correr tudo bem.

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«Coligação apresenta pouco programa e muito medo»

por José António Abreu, em 30.07.15

Houve uma época em que eu comprava e lia o Público. Fazia-o pelas notícias, pelas críticas a livros, discos, filmes, peças de teatro e exposições, pelas colunas de opinião. Hoje, não o compro e raramente o leio, mesmo online. Julgo que continua a ter críticas a livros, discos, filmes, peças de teatro e exposições. Tenho a certeza de que continua a ter colunas de opinião. Parece-me é que quase já não tem notícias.

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Bingo

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.07.15

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(foto: LUSA)

Uma das vantagens da Coligação PSD/CDS-PP apresentar listas conjuntas é que, qualquer que seja o resultado eleitoral, a avaliação de desempenho dos últimos quatro anos será infalível. Os nomes escolhidos reflectem as alterações climáticas, a secura dos solos, a desertificação, a falta de peixe graúdo. Confirma-se a ideia inicial de que este é um bom negócio para o CDS-PP. Não ter cabeças-de-lista permitir-lhe-á sempre, e nisso Portas é único, no caso de um mau resultado, ficar na sombra da humilhação, deixando os holofotes para os outros. Se o resultado for bom reclamará a sua quota-parte. Com muita humildade.

Sem critérios conhecidos – para lá dos empresariais -, será necessário ir pelos sinais para perceber o que ficou na lista. Com a PSP de plantão, nota-se a falta de peso da banca. Há mais mulheres, o que é bom sinal, embora não se saiba – com excepção do caso de Coimbra que sobressai da pobreza geral – se por mérito, para tapar buracos ou a título de reconhecimento dos fretes da legislatura. Não podendo colocar Macedo e Relvas, companheiros da ascensão entretanto caídos antes do tempo nas diversas frentes de combate - opinião pública, vistos gold, polícias, universidades, espiões, associações discretas –, sem gente como Poiares Maduro, Mota Amaral ou a própria Assunção Esteves, que sempre têm outra estatura, era preciso trabalhar com os funcionários. E com os que ficaram depois da debandada de Couto dos Santos, de Moedas, de Fernando Nobre (já nem me lembrava desta estrela de 2011), de Manuel Meirinho e de Francisco José Viegas, entre outros, que se safaram a tempo. A “prata da casa” está lá toda. Não só a prata, é certo. A representação das diversas famílias honra a memória de Robert Michels. E tirando o “independente” das homílias, o ilusionista com pronúncia do Norte e a “especialista” em assuntos constitucionais e outros que tais, sem esquecer o infalível licor Beirão, sempre presente à hora da refeição, é um cartaz digno do Campo Pequeno. A separação nos Açores e na Madeira revela o entendimento autonómico entre as hostes dos dois partidos.

O resultado da renovação, tal como do alívio da carga fiscal e das prometidas reformas, ver-se-á lá para o Outono. Sem chernes, para já ficamos com o que se conseguiu: faneca e carapau. E os, por extenso para que ninguém se esqueça, dois milhões oitocentos e treze mil e sessenta e nove votos com que a Coligação vem de 2011 e parte agora para a lota de 4 de Outubro.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.07.15

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Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio

Romance

(reedição Leya, 2014)

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Pensamento para hoje

por Joana Nave, em 30.07.15

Hoje em dia o conceito invertido de família feliz consiste num casal com o seu filho, sentados a uma mesa num qualquer café, cada um com o seu telemóvel ou tablet, num diálogo mudo. O convívio familiar foi substituído por aparelhos electrónicos, que afastam cada vez mais as pessoas do diálogo salutar e do crescimento em sociedade. Estamos a criar indivíduos cobardes e egoístas.

 

Da próxima vez que se reunir a uma mesa com um familiar ou amigo deixe o telemóvel em casa.

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Esta coisa das palavras

por Isabel Mouzinho, em 30.07.15

Dentro da minha cabeça vou deslocando as vírgulas, substituindo um verbo por outro, afinando um adjectivo. Às vezes redijo mentalmente a frase perfeita e, no pior dos casos, se não a aponto a tempo, mais tarde foge-me da memória. Resmunguei e desesperei-me muitíssimas vezes tentando recuperar aquelas palavras exactas que iluminaram por um instante o interior do meu crânio, para depois voltarem a mergulhar na escuridão.

Esta é uma passagem de um livro que ando a ler, de Rosa Montero (La loca de la casa), que aborda um assunto que me apaixona desde sempre, ou pelo menos desde o tempo até onde a minha memória consegue chegar: as palavras, o que elas significam e a distância que as separa daquilo a que elas se referem e  daquele resto mais fundo que nunca se consegue dizer e apenas se sente. E por isso, também, a incessante procura da palavra mais exacta, ou mais aproximada do que se quer transmitir... 

E depois há nas palavras a ambiguidade de trazerem em si a morte e a impossibilidade de morrer: ao  serem nomeadas, as coisas deixam de existir, adquirindo  outra forma de ser. A palavra que as designa nega-lhes a existência real e dá-lhes uma existência nova, na palavra. Ao fazê-lo, a linguagem adquire um carácter destrutivo, em certa medida: reduz as coisas a meras ausências, criando uma incomensurável distância entre elas e as palavras que as designam.

E, no entanto, a distância que a utilização da linguagem implica é a condição do entendimento possível das coisas, o único modo de elas nos serem comunicadas, de nos aproximarmos delas e de as conhecermos. É, pois, pela realidade da linguagem que se acede à realidade das coisas, como única visão possível do mundo.

Anterior a toda a palavra, há uma existência de que temos de nos separar para podermos falar e compreender. A linguagem traz em si  a marca do que lhe falta e a precede, do que ela exclui ao manifestar-se. Mas, se é verdade que a linguagem começa por negar a existência do que afirma, podendo por isso considerar-se num certo sentido portadora de morte, há nela também uma ambiguidade intrínseca que faz dessa morte uma impossibilidade. Ao conter em si a negação e a afirmação, a morte e a vida, a linguagem faz com que uma e outra de certo modo se neutralizem, tornando a morte impossível.

Mantendo uma forte relação com a linguagem, a literatura acentua estas questões, assumindo-as de uma forma ainda mais radical. Ao reconhecer a linguagem como a única forma possível de apreender o mundo, a literatura distancia-se da linguagem tal como ela é utilizada usualmente e, a partir da infinita distância que estabelece, subverte a experiência do homem e do mundo, criando outros mundos possíveis e um modo próprio de os nomear. É essa diferença que nos enfeitiça e que determina a forma como lemos, escrevemos, pensamos, vivemos.

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As canções do século (2037)

por Pedro Correia, em 30.07.15

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Grécia antiga (49)

por Pedro Correia, em 29.07.15

«Ulisses ainda não chegou a Ítaca, mas a verdade é que a dupla Tsipras e Varoufakis já conseguiu agitar as águas estagnadas da longa agonia europeia. Varoufakis - que tem um currículo científico que supera o conjunto dos sinais de pensamento publicados pelo conjunto dos seus colegas do Eurogrupo - tem surpreendido pela inteligência.»

Viriato Soromenho-Marques, no Diário de Notícias (5 de Fevereiro de 2015)

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Uma frase demolidora

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.07.15

"Neste momento a nossa ‘crise’ dos vistos gold é capaz de estar a criar maior impacto imediato no imobiliário nacional do que a queda das bolsas chinesas." - Ilídio Serôdio, Vice-Presidente da Câmara de Comércio Luso-Chinesa, aqui

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As canções no cinema (4)

por Pedro Correia, em 29.07.15

 

CUCURRUCUCÚ PALOMA (Fala com Ela, 2002)

 

Dicen que por las noches
No mas se le iba en puro llorar,
Dicen que no dormía
No mas se le iba en puro tomar;
Juran que el mismo cielo
Se estremecía al oír su llanto,
Cómo sufrió por ella
Que hasta en su muerte la fue llamando:

 

Cucurrucucú, cantaba,
Ay, ay, ay, ay, gemía,
Ay, ay, ay, ay, lloraba,
De pasión mortal moría.

 

Certos filmes propiciam-nos momentos mágicos que para sempre guardamos na memória. Aconteceu-me em 2002, ao ver em estreia aquela que ainda hoje é para mim a melhor obra de Pedro Almodóvar: Fala com Ela. Subitamente, a grande tela torna-se ainda maior quando ali irrompe Caetano Veloso, de forma imprevisível, entoando um tema clássico da música hispânica do século XX naquele seu jeito que tantos procuram imitar sem conseguir.

Caetano canta numa récita ao ar livre perante algumas dezenas de convidados que se deslumbram ao escutá-lo. E nós, espectadores, partilhamos com eles um deslumbramento que não cessa. Ele surge durante alguns minutos, interpretando-se a si próprio, e não reaparece em Fala com Ela. Canta Cucurrucucú Paloma, fenomenal êxito mexicano da década de 50, escrito para Lola Beltrán, que o popularizou no filme homónimo de 1965 e divulgado desde então por celebridades dos palcos melómanos e também por incontáveis trios de anónimos mariachis, tornando-se um dos temas musicais mais associados ao país de origem.

Lola manteve-se fiel à toada de raiz folclórica. Mas Caetano estilizou a canção na película de Almodóvar, apropriando-se dessa vibrante ranchera e dando-lhe um cunho pessoalíssimo. Cucurrucucú Paloma migrou do México para o Brasil, abraçou o violão e a batida da bossa nova, foi amparada pelo carinho vocal do criador de Menino do Rio, tornou-se canção emblemática de um mundo sem fronteiras, tornou-se tema do filme da vida de cada um de nós.

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Fala com Ela é uma belíssima longa-metragem sobre os ténues laços que ligam os seres humanos num mundo povoado de silêncio e solidão. Mas não é um filme desencantado: há nele uma luz de esperança que nunca se apaga, protagonizada por Benigno (Javier Cámara), o enfermeiro que não cessa de comunicar com a bailarina Alicia (Leonor Watling), em coma no hospital. Ao contrário do que sucede com Marco (Darío Grandinetti), jornalista e escritor, incapaz de enfrentar o coma de Lydia (Rosario Flores), a toureira que o arrebatava antes de ser colhida numa praça a las cinco en punto de la tarde.

“Fala com ela”, recomendava-lhe Benigno – nome que certamente não foi escolhido por acaso. Dando uma lição de vida ao profissional da comunicação, afinal incapaz de comunicar.

 

Tomás Méndez (1926-1995), o compositor desta canção que deu a volta ao globo também nas vozes de Joan Baez, Perry Como, Harry Belafonte, Nana Mouskouri, Pedro Infante, Julio Iglesias, Lila Down e Luis Miguel, foi um compositor reconhecido em vida e muito aplaudido no México. Mas talvez nunca imaginasse que a sua Paloma fosse capaz de voar tão alto como nesta obra-prima do espanhol Almodóvar, rodada sete anos após a sua morte.

Fala com Ela mereceu todos os prémios conquistados: Óscar em Hollywood para melhor argumento original (também de Almodóvar), Globo de Ouro e BAFTA (Óscar inglês) para melhor filme estrangeiro, César (francês) para melhor filme da União Europeia, troféu da Associação de Críticos de Los Angeles. E teria merecido ainda mais: logo na estreia ganhou o estatuto de clássico.

O fascínio incessante deste que é um dos mais universais títulos de sempre do cinema espanhol nunca será dissociado daqueles três minutos de pura magia proporcionados pela inesperada aparição de um genuíno cidadão do mundo: Caetano Veloso, baiano de Santo Amaro da Purificação cantando em castelhano um tema composto no México.

“Dicen que por las noches / No mas se le iba en puro llorar, / Dicen que no comía / No mas se le iba en puro tomar; / Juran que el mismo cielo / Se estremecia al oír su llanto / Como sufrió por ella, / Que hasta a en su murte la fue llamando: / Cucurrucucú, cantaba, / Cucurrucucú, lloraba.”

 

Tantos anos depois, imagino Caetano em rotações contínuas num som incessante mas sempre renovado - como se o tivesse escutado há minutos pela primeira vez. Imune à erosão do tempo, perpétuo na imensidão do espaço.

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Passagem de Nível

por Francisca Prieto, em 29.07.15

One can be very much in love with a woman without wishing to spend the rest of one's life with her.

 

(W. Somerset Maugham, in The Painted Veil)

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 29.07.15

Nem bola de berlim, nem pastel de belém, nem éclair. O bolo mais pedido nas pastelarias portuguesas é o aqueleali.

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Frases de 2015 (29)

por Pedro Correia, em 29.07.15

«Cavaco Silva está a poucos meses do fim do seu mandato e, como ele disse em tempos a propósito de outro Presidente da República, devemos aliviá-lo dos problemas e deixá-lo terminar com a maior dignidade as suas funções.»

António Costa

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.07.15

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José Tengarrinha: O Passado que Ilumina o Futuro, de José Jorge Letria

Entrevista

(edição Guerra & Paz, 2015)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Pensamento para hoje

por Joana Nave, em 29.07.15

Os espaços fechados são propícios a estados mentais e físicos menos saudáveis. O ar fresco, o vento e o sol promovem uma melhor disposição e renovam a energia. Devíamos procurar passar mais tempo em espaços abertos e receber todos os seus benefícios.

 

Passe mais tempo ao ar livre.

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Déjà vu

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.07.15

Os filmes já eram maus, aliás, sempre foram. Os actores péssimos. Os realizadores de estalo. A cena das nomeações em final de mandato aconteceu no governo de Santana Lopes, depois repetiu-se com José Sócrates e é copiada por Passos Coelho. Os que antes se queixaram agora estão calados. Antes estava mal, agora está tudo bem. As desculpas e as manobras são mais ou menos as mesmas. Igualmente esfarrapadas e más. As dúvidas que houvesse entre a escola de uns e outros dissipam-se neste tipo de comportamentos. Sim, porque quanto ao resto há muito que não as havia sobre os maus hábitos - entranhados - de uns e de outros. E das respectivas entourages. É genético. O país, a democracia, a seriedade, a decência, que se lixem. O partido e as camarilhas é que não. A estes devem tudo. Até a miséria ética e moral em que grassam.

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Um crime.

por Luís Menezes Leitão, em 29.07.15

A esquerda nacional andava deslumbrada com Tsipras e Varoufakis. Como quando se zangam as comadres, sabem-se as verdades, ficou agora claro o que esses dois andavam a arquitectar desde o início: a saída do euro. Se a medida em si é legítima, parece óbvio que os meios não o eram. Estava em causa fazer um ataque informático à autoridade tributária, apreender as reservas em euros do banco central, que é independente do governo, e se necessário prender o seu governador. Temos aqui medidas ao puro estilo do PREC, que é o que actualmente se vive na Grécia. Isto em política tem um nome: golpe de Estado. E o mesmo é um crime em qualquer país do mundo. O Ministro que chamava terroristas aos seus parceiros do Eurogrupo, afinal comportava-se como um verdadeiro terrorista. Não admira por isso que se multipliquem as acções contra ele na Grécia. Mas se Varoufakis vier a ser preso, já se sabe que iremos ter uma peregrinação internacional de apoiantes a protestar, e a qualificá-lo como preso político. Coisa que nunca aconteceria ao desgraçado do governador do banco central, se por acaso o golpe de Estado tivesse tido sucesso. Como salientava Orwell, há sempre uns mais iguais que outros.

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As canções do século (2036)

por Pedro Correia, em 29.07.15

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Grécia antiga (48)

por Pedro Correia, em 28.07.15

«Se os socialistas europeus alinharem com uma posição de isolamento da Grécia objectivamente traem aquilo que é a história clássica do movimento socialista.»

José Pacheco Pereira (4 de Fevereiro de 2015)

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 28.07.15

No final dos anos 70, os meus pais tinham uma Grundig a preto e branco. Lembro-me bem porque o comando à distância era eu.

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O factor grego

por Pedro Correia, em 28.07.15

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A errática actuação do executivo de coligação em Atenas formado em Janeiro pelo Syriza e o Anel - partidos com a eurofobia como único traço identitário comum - começa a ter reflexos nas intenções de voto um pouco por toda a Europa. A experiência de poder da chamada esquerda radical, confrontada com a iniludível crueza dos factos, tem decepcionado uma fatia imensa de apoiantes que ainda há seis meses estavam convictos de que havia uma "verdadeira alternativa" ao Tratado Orçamental na eurozona. E nem preciso de evocar aqui as citações que venho enumerando na minha série Grécia Antiga para ilustrar esta diferença abissal entre os doces desejos e a amarga realidade. Basta recomendar a leitura atenta desta excelente reflexão de Jorge Bateira, insuspeito de simpatias pelo pensamento liberal ou conservador.

"Quando convocou o referendo, Tsipras tinha a obrigação de aceitar o repto da direita e dizer ao povo grego que a experiência de longos meses de negociações falhadas o obrigava a concluir que um “não” implicava a provável expulsão de facto do euro através do BCE. O que se seguiu foi penoso e humilhante. Uma pesada derrota para a esquerda que ainda acreditava na mudança da UE por dentro, uma derrota que terá repercussões negativas nos resultados eleitorais do Podemos em Espanha", escreveu aquele economista, na passada sexta-feira, no jornal i.

Tocou no ponto certo - como aliás ficou bem evidente logo dois dias depois, na sondagem divulgada este domingo no El País  sobre as intenções de voto dos espanhóis nas próximas legislativas. Os números demonstram uma queda abrupta do Podemos: dez pontos percentuais num semestre (28,2% em Janeiro, 18,1% em Julho) e mais de três pontos num só mês (em Junho tinham 21,5%).

 

Questões de âmbito interno ajudarão a explicar este recuo da esquerda radical espanhola, que há 14 meses irrompeu na cena política conquistando mais de um milhão de votos nas europeias. Com um líder telegénico, Pablo Iglesias, e um programa que mistura marxismo e populismo em doses bem estudadas, o Podemos prometeu "revolucionar" a política espanhola e pôr fim à "casta" dominada pelas duas maiores famílias ideológicas, a conservadora e a socialista. No início de 2015 chegou a liderar as intenções de voto.

A queda entretanto registada explica-se em grande parte pelo factor grego, que não deixará de ter também repercussões em Portugal. Nada mais natural, atendendo ao desvario estratégico do executivo de Atenas - que, sabe-se agora, chegou a ter preparado um  plano de abandono unilateral da eurozona que despenharia fatalmente a Grécia no caos financeiro.

Um plano que não avançou, por um lado, devido à escassez de reservas monetárias do país e, por outro, devido ao bom-senso revelado por Moscovo e Pequim: em ambas as capitais, Tsipras e o seu ex-protegido Yanis Varoufakis escutaram palavras cheias de realismo político. A Grécia falida não vale um conflito global com o Ocidente. Sobretudo agora, que a Rússia mergulha na recessão e a queda das bolsas chinesas começa a alarmar o planeta financeiro.

 

Entretanto já se anuncia um novo pacote de austeridade ainda antes de entrar em vigor o terceiro resgate de emergência à Grécia. Tornando ainda mais longínqua aquela demagógica proclamação de Tsipras na noite de 25 de Janeiro, enquanto celebrava a vitória eleitoral: "Vamos deixar a austeridade!"

Palavras prontamente desmentidas pelos factos.

Por tudo isto, o factor grego continuará a pesar na opinião europeia. E ajudará a determinar o desfecho das próximas contendas eleitorais no continente - queiram ou não queiram todos quantos ainda há pouco apontavam o Syriza como bóia salvadora.

Alguns já perceberam que andaram a aplaudir meros vendedores de ilusões. E talvez subscrevam agora o diagnóstico certeiro de Jorge Bateira: "A derrota do governo grego foi causada, em última instância, por uma cegueira ideológica que o impediu de perceber o significado do impasse em que caiu e de, a partir daí, mobilizar o povo grego para a aceitação das implicações últimas da recusa da austeridade."

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Eh, what's not up, wabbit?

por José António Abreu, em 28.07.15

Surgido pela primeira no dia 27 de Julho de 1940, em The Wild Hare, do genial Tex Avery, com uma aparência ainda longe daquela com que ficaria mais conhecido mas já com voz (e sotaque nova-iorquino) do polifónico Mel Blanc, Bugs Bunny fez ontem 75 anos. Mordaz, senhor do seu nariz e da sua cenoura, raramente vencido, é um dos meus heróis desde a época dos programas televisivos de Vasco Granja. O tempo, contudo, trouxe-me uma perplexidade: para coelho, e apesar de um outro flirt ao longo da carreira, Bugs interessou-se surpreendentemente pouco pelo sexo oposto (admita-se: existem humanos, lá pela Califórnia e noutros sítios, com maior fixação em coelhinhas do que ele) e deixou pouquíssima descendência.

 

Adenda: A última vez que Mel Blanc lhe cedeu a voz foi em 1988, no filme da Disney Quem Tramou Roger Rabbit?, realizado por Robert Zemeckis. De modo a permitir o uso de Bugs, a Warner exigiu que ele estivesse no ecrã pelo menos tanto tempo como o rato Mickey. Zemeckis foi mais longe. Não somente lhes concedeu o mesmo tempo de exposição (enfim, tudo cronometrado, Mickey deve ganhar por quase um segundo) como os fez partilhar a mesma cena. Nela, Bugs e Mickey caem lado a lado de pára-quedas, fornecendo a Eddie Valiant - excelente Bob Hoskins - um «sobresselente» que não constitui grande ajuda. O que salva Valiant (como tantos homens) é a paixão de uma mulher.

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Frases de 2015 (28)

por Pedro Correia, em 28.07.15

«Estou a ponderar [se serei candidato presidencial].»

Rui Rio

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.07.15

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O Nosso Homem no Estoril, de A. Travers

Tradução de Elsa Sertório

Policial

(edição Gradiva, 2015)

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Pensamento para hoje

por Joana Nave, em 28.07.15

A curiosidade torna-nos mais audazes. É um motor que nos impele ao conhecimento. Se não for refreada, pode tornar-se desmedida, insane. Mas um curioso tem uma alma viva e repleta de entusiasmo.

 

Seja curioso e invista algum tempo a estudar aquele tema que tem andado a adiar.

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As canções do século (2035)

por Pedro Correia, em 28.07.15

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O Prémio Internacional da Paz

por Helena Sacadura Cabral, em 27.07.15

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A Fundação Gusi Peace Prize International vai distinguir António Ramalho Eanes com o Prémio Internacional da Paz 2015, que lhe será atribuído em Manila, capital das Filipinas, a 25 de Novembro. 
A distinção é concedida "em reconhecimento da sua carreira e do seu papel como estadista” e pela "contribuição única para a criação de uma paz duradoura, a nível nacional e internacional, nomeadamente no conjunto dos países de língua portuguesa, tanto enquanto Presidente da República como posteriormente, com uma acção cívica de relevo". 
O Prémio Internacional da Paz Gusi - assim designado em homenagem ao capitão Gusi, combatente da II Guerra Mundial, que foi líder político e defensor dos direitos humanos nas Filipinas - é considerado o Prémio Nobel da Ásia - e reconhece o trabalho de individualidades ou organizações que contribuam para a paz e a justiça global.


Os que me conhecem sabem a estima e admiração que nutro pelo casal Eanes que prima, sempre, pela mais absoluta discrição. É por isso com muita satisfação que vejo reconhecido internacionalmente o seu trabalho em prol de uma causa tão justa!

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