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As canções do século (1952)

por Pedro Correia, em 06.05.15

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 06.05.15

Ao Ataque Aberto (do Brasil).

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 05.05.15

«Somos educados historicamente com o exemplo de regressões civilizacionais, sendo a mais mencionada a ruína do Império Romano, perante os seus bárbaros invasores.

Não há nenhum decreto natural que garanta que uma civilização mais avançada se sobrepõe às restantes, tal como uma maior potência física dos dinossauros não os livrou da extinção.

Porém, se a força material não suprime a força espiritual, também a força espiritual é vazia sem concretização material.

Esses movimentos de retorno a ideologias primárias, estão ligados a um defeito principal da civilização ocidental, que é o seu negacionismo histórico primário, e uma certa ideia de contenção e exploração da barbárie fora das suas fronteiras, tal como fizeram os romanos.

A ideia de que se pode construir um muro que coloque o bom de um lado e o mau do outro, é uma cegueira que esconde a inevitável contaminação do problema global.
O problema é que ou se procura resolver tudo, ou se afunda tudo no não resolver nada, e o meio termo não existe, porque o meio termo é o não resolver nada.
A civilização ocidental deve começar por dar o devido lugar à verdade histórica, e acabar de vez com as histórias da carochinha. Caso contrário, os fantasmas do passado estão aí para cobrar o futuro.»

 

Do nosso leitor daMaia. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

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A coligação

por Rui Rocha, em 05.05.15

 

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O mundo segue extremamente perigoso

por Rui Rocha, em 05.05.15

Marine Le Pen expulsa o pai do partido que ele próprio fundou.

 

Valupi desanca António Costa.

 

Passos Coelho estrafega Paulo Portas.

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Ninguém pára para pensar

por Pedro Correia, em 05.05.15

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Este ano comemora-se, pela primeira vez, o 5 de Maio como Dia Internacional da Língua Portuguesa. Associando-se às comemorações com o proselitismo acordístico que há muito o caracteriza, o Jornal de Notícias imprimiu hoje, com grande destaque na primeira página, aquele que se candidata ao título mais absurdo do ano na imprensa cá do rectângulo: "Fisco para venda automática de casas penhoradas".

É daqueles títulos que qualquer indivíduo se sente incapaz de entender à primeira. Ou à segunda. Ou até à terceira leitura. Contrariando assim as mais elementares regras jornalísticas, que recomendam um português correcto, claro, compreensível. Tudo quanto não existe nesta frase indecifrável.

E afinal nem era preciso inventar nada. Bastava repetir o título da notícia da página 12 para a qual remete o da capa: "Fisco trava venda de casas penhoradas". Este sim, é claro e compreensível. E não induz o leitor em erro. Nem trata a língua portuguesa a pontapé.

Mais fácil ainda: bastaria um simples sinal gráfico para desfazer qualquer dúvida. O acento agudo na palavra pára. Que - tal como sucede com o acento circunflexo que distingue o verbo pôr da preposição por - se destina precisamente a desfazer as incertezas da homografia, que contaminam a mensagem jornalística. Como qualquer aprendiz do ofício tem obrigação de saber no momento em que redige um artigo e sobretudo ao elaborar um título.

Eis uma forma original de comemorar o novo Dia Internacional da Língua Portuguesa: dando destaque àquela que é, de todas, talvez a mais estúpida regra contida no chamado "acordo ortográfico". E logo na primeira página - aquela que mais chama a atenção. Às vezes até parece que ninguém pára para pensar.

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Cartas da Alma e falta de vergonha na cara

por Rui Rocha, em 05.05.15

Pelo visto, a TVI emite há umas semanas, no período da manhã, um programa de cartomancia e tarot.

 

 

Na descrição disponível no site iol/tvi lê-se: "O Cartas da Alma" irá desvendar as características internas de cada um de nós e os nossos processos de crescimento, ajudando-nos a procurar bem-estar interior! Em estúdio estarão sempre dois dos melhores astrólogos ou tarólogos do país para dialogar com os espectadores. São eles quem em direto no estúdio, ou em privado, vão ouvir e encaminhar. Este Programa terá agora uma série de possibilidades: para além de poder fazer a sessão de Tarot ou Astrologia em público ou privado, a taróloga Mediúnica Eva Mendonça vai entrar em contacto com aquela pessoa que mais marcou a sua vida e já não está entre nós na rubrica Mensagem da Alma. Para quem precisar de ajuda, basta ligar para uma das linhas disponíveis. As linhas, ao que percebi, são ditas de valor acrescentado.

 

Ontem, na sala espera de uma clínica, assisti à consulta de uma espectadora. Desempregada, frágil, queria saber coisas do futuro. A voz era funda, arrastada, de quem tem a vida às costas. A especialista de turno, com pose séria e compenetrada, consultou as cartas e, depois de uma análise profissional, declarou, sem pestanejar, que a espectadora encontraria trabalho mas que isso ainda demoraria tempo. Repetiu o veredicto duas ou três vezes para que não ficassem dúvidas sobre o que afirmava. Depois, perguntou à espectadora se era casada e se o marido trabalhava. Pelo visto, as cartas não lhe deram visibilidade sobre estes aspectos da vida da senhora. A espectadora murmurou, receosa, que para já, ainda tem trabalho. A especialista declarou então que o marido da espectadora vai estar ao lado dela na busca pelo tal emprego que está garantido, embora não para já.

 

Não consegui ver mais. Há coisas que nos rebentam com o estômago.

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A vingança serve-se fria.

por Luís Menezes Leitão, em 05.05.15

Sempre achei que era útil para o PSD uma coligação com o CDS, a qual no curto prazo é também boa para o CDS, que teria dificuldade em justificar ao seu eleitorado não só a quebra das suas promessas tradicionais, mas especialmente o que Portas tinha feito no Verão de 2013. A longo prazo, no entanto, essa coligação é apenas boa para o PSD, sendo péssima para o CDS. Este vai perder um eleitorado próprio, diluindo-se no PSD, e em breve não será mais do que um simples PEV da direita, que só será conservado enquanto tiver utilidade.

 

Parece, porém, que Passos Coelho, habitualmente tão cerebral, quer antecipar-se a esse desfecho.  Achou que chegou a hora de ajustar contas com Paulo Portas e decidiu servir-lhe a frio a vingança que acha que ainda lhe deve desde 2013, quando foi obrigado a sacrificar Vítor Gaspar e a dar a Portas o título de Vice Primeiro-Ministro. É assim que na sua biografia autorizada vai surgir um rol de queixas contra Portas, fazendo parecer ainda mais ao eleitorado como mero favor do PSD o acordo de coligação.

 

A única dúvida que tenho é se Paulo Portas se vai ficar. Nos velhos tempos, perante uma manobra semelhante de Marcelo Rebelo de Sousa, foi à televisão e partiu a loiça toda. Mas os tempos são outros, pelo que provavelmente lá iremos assistir a um constante engolir de sapos por parte do CDS. Tudo depende da quantidade de biografias autorizadas que ainda venha a surgir até às eleições.

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Frases de 2015 (15)

por Pedro Correia, em 05.05.15

«A TSU do PS é mais favorável aos patrões do que a do PSD.»

Arménio Carlos

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Presidenciáveis (43)

por Pedro Correia, em 05.05.15

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António Lobo Xavier

 

Seria um candidato com sólidas credenciais de direita, mas sem perder pontes de contacto à sua esquerda. Ainda por cima com a vantagem de ter uma tribuna semanal com audiência fixa na televisão em que pode exibir o seu discurso muito articulado durante quase 15 minutos sem contraditório (excepto quando é interpelado pelo representante da ala esquerda do painel, Pacheco Pereira).

Lobo Xavier é do CDS desde pequenino: já aprendeu muito e não esqueceu quase nada. Fiscalista reputado, chegou ao primeiro plano da vida política como presidente do grupo parlamentar democrata-cristão no tempo em que a bancada cabia numa cabina telefónica. Mas não tardou a trocar a trepidação da política pelo conforto da vida empresarial, muito mais monótona mas bastante mais bem remunerada.

Há quem jure, no entanto, que este jurista de 55 anos, signo Balança, jamais dirá a palavra nunca se souberem desafiá-lo a rumar em direcção ao Palácio de Belém. Mais a passo do que em corrida, para faz jus à sua fama de homem tranquilo.

 

Prós - Percebe de finanças e consta que tem uma vasta biblioteca. Portista convicto, é um dos raros compatriotas que conseguem pronunciar correctamente o nome de Lopetegui. Está habituado a sair com estilo e garbo de qualquer Quadratura do Círculo. Goza de apoio Público: é membro do Conselho de Administração da empresa proprietária do jornal.

 

Contras - Nas histórias infantis o Lobo é sempre mau. Os seus escassos inimigos asseguram que até o Rato Mickey seria capaz de o derrotar nas urnas. Nunca nenhum Presidente da República teve origem no CDS: o que andou mais perto foi Freitas do Amaral e depois disso não voltou a ser o mesmo. 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 05.05.15

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António Victorino d' Almeida: Vivo como um Leopardo, de José Jorge Letria

Entrevista

(edição Guerra & Paz, 2015)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Manuel António Pina

por Patrícia Reis, em 05.05.15

A um Jovem Poeta

Procura a rosa.
Onde ela estiver
estás tu fora
de ti. Procura-a em prosa, pode ser

que em prosa ela floresça
ainda, sob tanta
metáfora; pode ser, e que quando
nela te vires te reconheças

como diante de uma infância
inicial não embaciada
de nenhuma palavra
e nenhuma lembrança.

Talvez possas então
escrever sem porquê,
evidência de novo da Razão
e passagem para o que não se vê.

in "Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança"

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As canções do século (1951)

por Pedro Correia, em 05.05.15

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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 04.05.15

Enquanto alguns blogues fecham, outros reabrem. Foi, neste último caso, o que sucedeu com o 2711. Ei-lo de volta, com uma equipa que só me justifica elogios: Cristina Torrão, Zélia Parreira, Daniel Santos, João António, Eduardo Louro e António Ganhão.

Escreve o Daniel Santos: «Numa altura em que muita da blogosfera de opinião desapareceu, onde se perdeu a interacção da opinião fundamentada e troca de ideias, numa altura em que quem manda são os vídeos dos gatinhos, o 2711 regressa ao inicio.»

Palavras que aplaudo, naturalmente.

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Pensamento da semana

por Rui Rocha, em 04.05.15

Se o combate do século desta semana não te agradou, talvez o combate do século do próximo ano te encha as medidas. 

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Romance de parede

por Pedro Correia, em 04.05.15

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Setúbal, Rua Chanceler Jorge de Cabedo

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 04.05.15

 

 

Viagens Pagãs, de Fernando Dacosta

Memórias

(edição Parsifal, 2015)

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As canções do século (1950)

por Pedro Correia, em 04.05.15

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Fotografias tiradas por aí (224)

por José António Abreu, em 03.05.15

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Praia de Lavadores, V. N. de Gaia, 2004 (para assinalar o Dia da Mãe).

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No dia da mãe

por Helena Sacadura Cabral, em 03.05.15

Já disse lá no meu Fio de prumo que sou pouco dada à institucionalização de certas datas. E foi um borburinho de comentários tal, que até se permitiram fazer considerações sobre o meu carácter. 

Pois bem, junto mais esta comemoração àquelas que também dispenso. Sou e fui mãe todos os dias. Não preciso de um especial para comemorar. E fui filha os anos suficientes para ter a noção do que representou ter tido, todos os dias, uma mãe admirável.

Para todas as mulheres que não escolheram ou não puderam viver a maternidade, aqui fica uma das minhas canções preferidas enquanto mãe e mulher!

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A cruzada

por Rui Rocha, em 03.05.15

Escrevia Savater, a propósito da tragédia do Charlie Hebdo, que as crenças religiosas são como feras: muitas vezes esteticamente atraentes, mas terríveis devoradoras de homens. Em consequência, como feras que são, só podemos permitir que se passeiem nas ruas da civilização depois de domesticadas. E, continuava, se quase conseguimos domesticar o cristianismo, o islamismo continua em estado perigosamente selvagem. Desde que li o artigo, um poderoso elogio do laicismo como pedra basilar da democracia, há uma questão que me acompanha: a nossa civilização, chamemos-lhe ocidental à falta de melhor, é o resultado da domesticação do cristianismo ou foi o cristianismo que contribuiu de forma decisiva para sermos o que somos? Percebo que existe um argumentário viável para cada uma das opções. E que, à boa maneira das ciências sociais, existe sempre espaço especulativo para a tese, para a antítese e para a síntese. Mas há coisas que me fazem pender para um dos lados. Quando uma criança de 12 anos é violentada pelo seu padrasto e engravida, devíamos ser capazes de tomar tempo, de pensar, de reconhecer que há questões sem solução evidente, de admitir que ficamos divididos no nosso íntimo, que há encruzilhadas tão fodidas na vida que é impossível não hesitar, não duvidar, não andar em círculos, em que não há texto a publicar, ou que não se pode publicar texto sem esgotar os pontos de interrogação. E devíamos saber que qualquer decisão será sempre uma má decisão, porque nestes casos não há decisões boas. É por isso extraordinário que um padreca se aproveite do drama de uma criança, dessa criança, para fazer demagogia, comparando o incomparável, instrumentalizando a informação à luz dos seus interesses, chafurdando na desgraça, para dar cumprimento à sua cruzada político-religiosa. Sou assim levado de regresso às conclusões de Savater. Os ratos de sacristia são feras quase domesticadas. Por isso, é na sacristia que devem continuar.

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Submissão - a história de um suicídio

por Teresa Ribeiro, em 03.05.15

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Quando Michel Houellebecq foi fustigado nas redes sociais e nos media com acusações de xenofobia e de incentivo à islamofobia por ocasião do lançamento, em França, de "Submissão", defendeu-se afirmando que o seu novo romance não era uma provocação, na medida em que nele não dizia coisas que considerasse fundamentalmente falsas só para irritar.

E o que ele dizia em "Submissão" é que em 2022, depois de um conturbado segundo mandato de François Hollande, o líder do novo partido Fraternidade Muçulmana chegaria ao poder após a segunda volta das presidenciais. Um feito só possível graças à aliança que propôs aos socialistas e à UMP, de centro-direita, para derrotar Marine Le Pen, vencedora da primeira volta. Com instinto político e sentido de oportunidade, o islamita conseguia o impensável.

A par de insultos, Houellebecq também recebeu louvores e houve mesmo quem o considerasse um visionário, colocando-o a par de George Orwell e Aldous Huxley. "Afinal" - argumentaram os seus apoiantes mais entusiastas - "numa Europa devastada pela crise económica, social e de valores, cansada dos seus políticos e já sem fé na democracia seria assim tão absurdo o islão penetrar, qual cavalo de troia, no sistema politico-partidário tradicional e conquistar o poder?"

O romancista francês mais traduzido no mundo, vencedor do prémio Goncourt, bestial e besta conforme as opiniões, em "Submissão" fala sobretudo da decadência da Europa. A ideia da reconquista do ocidente pelo islão é uma hipótese académica de que se serve para incendiar o circo (apesar de o ter negado) e também pretexto para regressar ao seu tema preferido: a irreformável natureza humana.

Se Houellebecq tivesse imaginado um assalto ao poder pela força, "Submissão" não seria tão interessante. Bem mais  insidiosa é a doce passagem de testemunho por via democrática que descreve e a sugestão de  que o islamismo pode vencer as reservas ocidentais com mais facilidade do que seria de supor desde que administrado em doses certas:

"Ben Abbes evitara sempre comprometer-se com a esquerda anticapitalista; compreendera perfeitamente que a direita liberal ganhara a "batalha das ideias", que os jovens se tornaram empreendedores e que hoje em dia o carácter incontornável da economia de mercado era unanimemente aceite. O verdadeiro traço de génio do líder muçulmano era ter percebido que as eleições não se iam decidir no campo da economia mas no campo dos valores e que, também a esse nível, a direita se preparava para ganhar a "batalha das ideias", sem sequer precisar de combater (...) No respeitante à reabilitação da família, da moral tradicional e implicitamente do patriarcado, abria-se à sua frente toda uma avenida, que a direita não podia aproveitar, e a Frente Nacional muito menos, sem ficarem com o carimbo de reaccionárias ou mesmo de fascistas (...) Só ele, Ben Abbes, estava ao abrigo de qualquer perigo. Paralisada pelo seu anti-racismo essencial, a esquerda nunca fora capaz de o combater, ou sequer de mencionar".(pág. 135) 

Habituados que estamos a considerar as teocracias islamitas a anos-luz da nossa superioridade civilizacional admitir, ainda que teoricamente, alguma vulnerabilidade do nosso sistema é reconhecer que a distância que nos separa é reversível. Como? A  natureza humana, esse traço de união entre civilizações, será sempre a chave para todos os enigmas, sugere o autor.

De que forma poderiam as elites políticas e intelectuais sucumbir ao charme do islão? Houellebecq explica, tal como explica o que levaria o povo a aceitar a mudança sem levantar grandes ondas:

"Provavelmente é impossível, para as pessoas que viveram e prosperaram num determinado sistema social, imaginarem-se na pele daqueles que, nunca tendo podido esperar nada desse mesmo sistema, encaram a sua destruição sem especial receio" (pág.53), cogita o personagem que conduz esta história, um intelectual autocentrado, que nunca se interessou por política, que a bem dizer nunca se interessou por nada e cuja relação mais próxima que mantém é com o escritor do século XIX que foi tema da sua tese de doutoramento.

Este tom desapaixonado contamina toda a narrativa passando nas entrelinhas l'air du temps, um misto de apatia, individualismo e alheamento cívico. Mas é quando cita Arnold Toynbee, através de um outro personagem, um professor universitário de meia idade rendido ao dinheiro dos sauditas e às delícias da poligamia, que Houellebecq transmite a mensagem essencial do livro: "as nações não morrem assassinadas, suicidam-se". E a estocada vai para as elites que nos governam, não para os muçulmanos.

Quem levou a sério e acusou a sua tese de falta de consistência política não considerou que a ambivalência desta obra, que mistura referências reais com pura ficção, e acontecimentos plausíveis com desfechos improváveis, é um objectivo. Sendo o islão, nos tempos que correm, "o outro" o escritor usa-o simplesmente para nos confrontar. Para nos falar do que está podre no reino da civilidade e da democracia, mas como é de seu timbre fá-lo sem moralismos ou quaisquer outros constrangimentos. 

A viver com escolta policial desde que o Charlie Hebdo sofreu um atentado (a capa da edição que então estava nas bancas era sobre o recém-lançado "Submissão"), Michel Houllebecq  é odiado pelos islamitas mas também, sem surpresa, pelas elites intelectuais mais engagées, tanto à direita como à esquerda. Penso que pelas contas dele não se terá saído nada mal, até porque com este seu sexto romance está a facturar como nunca...

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 03.05.15

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Que Fazes Aí Fechada?, de Filipe d' Avillez

Prefácio de Maria João Avillez

Entrevistas com freiras de clausura

(edição Alêtheia, 2015)

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Blogue da semana

por Rui Herbon, em 03.05.15

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Já tem uns bons anos, mas O Homem Que Sabia Demasiado continua a ser uma referência em termos de cinema, sobretudo, mas também de música. Graças ao esforço do Victor Afonso (aka Kubik).

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As canções do século (1949)

por Pedro Correia, em 03.05.15

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Passado presente (CDIX)

por Pedro Correia, em 02.05.15

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Dracma

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Costa, a UTAO e o sms do tau tau

por Rui Rocha, em 02.05.15

Demos então um passo atrás e voltemos à proposta de avaliação do cenário macro-económico do PS pela UTAO. Certo. Eu sei que a coisa não era para levar a sério. Se fosse, jamais poderia ter sido apresentada por alguém com os índices de credibilidade de Marco António Costa. E sim. Sei também que a utilidade dessa avaliação seria sempre bastante discutível (é ver o que aqui escreve, a esse propósito, o José Meireles Graça). Mas depois do sms enviado por Costa a João Vieira Pereira, a pergunta que se impõe é esta: que legitimidade tem António Costa para recusar tal avaliação técnica de um documento a partir do qual será desenhado o seu programa de governo quando se arroga ele próprio o direito de sindicar, com inusitada violência, em tom ameaçador e com evidente despropósito, o conteúdo de um artigo de opinião? Isto é, UTAO não, mas tau tau por sms sim?

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Hino a Dias Loureiro

por Rui Herbon, em 02.05.15

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António Costa por quem o conhece

por Rui Rocha, em 02.05.15

Ascenso Simões


João Tiago Silveira


José António Cerejo


João Tocha

Nada disto é novo, nem deve espantar, portanto. Como dizia o outro, habituem-se. Se quiserem... E, a propósito, o Quixote da ERC e a classe jornalística andam distraídos a banhos por estes dias? É que nem sequer está bom tempo...

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 02.05.15

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O Cisne Negro, de Nassim Nicholas Taleb

Ensaio

(reedição Dom Quixote, 7ª ed, 2014)

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Bondices

por Rui Herbon, em 02.05.15

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James Bond: “I always enjoyed learning a new tongue.”
Moneypenny: “You always were a cunning linguist, James.”

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As canções do século (1948)

por Pedro Correia, em 02.05.15

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Leituras

por Pedro Correia, em 01.05.15

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«Cuba é o "objecto" de Fidel. É ele o seu dono, à maneira de um proprietário de terras do século XIX. Dir-se-ia que transformou e aumentou a fazenda do seu pai para fazer de Cuba uma só fazenda de onze milhões de pessoas. Dispõe da mão-de-obra nacional como bem entende. Quando, por exemplo, a Universidade de Medicina forma médicos, o objectivo não é que eles exerçam livremente a sua profissão, mas que se tornem "missionários", enviados para bairros-de-lata de África, da Venezuela ou do Brasil, de acordo com a política internacionalista imaginada, decidida e imposta pelo chefe de Estado. Ora, em missão no estrangeiro, estes bons samaritanos tocam apenas numa pequena fracção do salário que lhes pagaria, em circunstâncias normais, o país de acolhimento, ficando a parte mais significativa à disposição do governo cubano, que assume um papel de um prestador de serviços. Do mesmo modo, os hoteleiros estrangeiros, franceses, espanhóis ou italianos, que contratam pessoal cubano na ilha não pagam eles próprios aos seus funcionários, como acontece em qualquer sociedade livre: pagam salários ao Estado cubano, que factura esta mão-de-obra a bom preço (e em divisas), antes de atribuir uma parte ínfima aos trabalhadores (em pesos cubanos, que pouco valem). Esta variante moderna de escravatura não pode deixar de lembrar a relação de dependência que existia nas plantações do século XIX em relação ao dono todo-poderoso.»

Juan Reinaldo Sánchez, A Face Oculta de Fidel Castro, pp. 180-181

Ed. Planeta, 2014. Tradução de Patrícia Xavier

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É a liberdade de imprensa, estúpido

por Rui Herbon, em 01.05.15

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O teor desta SMS em tom ressabiado - quase patético - remetido por António Costa ao sub-director do Expresso, João Vieira Pereira, a propósito de um texto crítico bastante suave, demonstra que o nervoso miudinho tomou conta do Largo do Rato. Só isso pode explicar tamanho disparate por parte de um político experiente como o secretário-geral do PS.

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Isto vai ser assim até Outubro?

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.05.15

Já me tinha apercebido de que as coisas estavam a ficar "escorregadias". Não será bonito de se ver (para quem aí estiver) se estes quatro anos acabarem num festival de "very lights". As perspectivas de futuro poderiam sair "chamuscadas". 

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Depois de garantido o noivado surge o chico-esperto de conveniência

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.05.15

 

Está explicado como conseguiu ele que fosse levada a bom termo a legislatura. Estas coisas devem ser ditas na primeira pessoa e seria injusto culpar Cavaco Silva. Eu só tenho que aplaudir.

Ainda bem que não tenho as nádegas de alguns militantes. Sempre sou poupado ao festim.

 

(e é bom que os estafermos que deambulam por aí, escutando quem não devem, se lembrem de que nem todos os vertebrados são vulgares) 

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Que vergonha, rapaz!

por Rui Rocha, em 01.05.15

Pelo visto, Passos Coelho andou por Aguiar da Beira a visitar empresas de lacticínios. Certamente influenciado pelos vapores do leite, aproveitou a cerimónia de inauguração da Queijaria Sabores do Dão para proferir um dos seus inesquecíveis discursos. Afirmou Passos Coelho, entre outras coisas de proveitosa substância, que "os portugueses não querem andar aos trambolhões". Com o sentido de oportunidade que se lhe reconhece, o primeiro-ministro decidiu logo ali ilustrar o sentido das suas palavras, espalhando-se estrepitosamente ao comprido. É facto que Aguiar da Beira tem mais queijarias do que notáveis. Mas é preciso um tipo ser abundantemente cretino para se lembrar de dirigir ao natural da terra Dias Loureiro (esse mesmo), um vibrante elogio: "conheceu mundo, é um empresário bem-sucedido, viu muitas coisas por este mundo fora e sabe, como algumas pessoas em Portugal sabem também, que se nós queremos vencer na vida, se queremos ter uma economia desenvolvida, pujante, temos de ser exigentes, metódicos". Perante tamanha falta de vergonha, esperam-nos tempos memoráveis. A campanha eleitoral vem aí e já veremos que rasgados encómios terá Passos Coelho guardados para o comício de Lisboa (terra natal de Alves dos Reis), para a sessão de esclarecimento de Peso da Régua (onde veio ao mundo Duarte Lima) ou para o almoço-convívio com o núcleo social-democrata de Vilar de Maçada.

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Tic, tac, tic, tac, tic, tac

por Rui Rocha, em 01.05.15

Número 3 do Podemos bate com a porta.

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Construção de Chico Buarque

por Patrícia Reis, em 01.05.15

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague

https://youtu.be/P7mHf-UCZp0

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Seguir-se-á o Rabo de Palha?

por Rui Rocha, em 01.05.15

Depois do Perna, o Mão de Ferro.

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