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RH Music Box (90)

por Rui Herbon, em 30.04.16

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Autor: Baaba Maal + Mansour Seck

 

Álbum: Djam Leelii (1989)

 

Em escuta: Sehilam

 

 

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Já li o livro e vi o filme (115)

por Pedro Correia, em 29.04.16

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BONJOUR TRISTESSE (1954)

Autora: Françoise Sagan

Realizador: Otto Preminger (1958)

Uma das novelas mais célebres da década de 50 envelheceu muito mal. Quase tanto como o filme, que está longe de ser um dos melhores de Preminger apesar da presença sempre radiosa da malograda Jean Seberg.

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Lisboa, 29 de Abril de 2021

por Rui Rocha, em 29.04.16

Motoristas da Uber e taxistas da Antral unidos em marcha lenta de protesto contra os carros sem condutor da Google; Expresso divulgará ao final do dia mais três nomes envolvidos no escândalo Panama Papers.

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Quando apareceu o email não se manifestaram nem nada.

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Futebol na parede

por Pedro Correia, em 29.04.16

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Lisboa, Liceu D. Filipa de Lencastre

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.04.16

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António Ferro - 120 Anos, de diversos autores

Ensaios e evocações

(edição Texto Editora / Fundação António Quadros Edições, 2016)

"Por opção editorial, a presente publicação não segue as regras do Novo Acordo Ortográfico"

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 29.04.16

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Marta Ren

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 29.04.16

Ao Planeta Márcia.

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RH Music Box (89)

por Rui Herbon, em 29.04.16

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Autor: Philip Glass

 

Álbum: Koyaanisqatsi (1983)

 

Em escuta: Prophecies

 

 

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A América extremista

por Rui Herbon, em 28.04.16

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A política estado-unidense encontra-se numa fase de profunda mudança. Nunca um candidato abertamente socialista havia conseguido a projecção e êxito de Bernie Sanders, e tão-pouco alguém com uma retórica tão brutalmente populista como a de Donald Trump havia desafiado com sucesso as estruturas políticas de poder, inclusive dentro do seu próprio partido, nem sido uma hipótese real de ocupar a Casa Branca. O mais significativo é que o sucesso de Sanders e Trump não é fortuito nem passageiro, antes reflecte grandes transformações que minaram os fundamentos tradicionais da sociedade norte-americana e a sua grande ideia-força: a de uma sociedade de oportunidades, onde o sucesso ou fracasso individual dependem, no essencial, do esforço e mérito de cada um. A nação divide-se de forma cada vez mais profunda, fenómeno que ocorre dentro de todos os grupos étnicos mas que adquire uma intensidade particular na população branca tradicional, afectando sobretudo a sua classe média, composta em grande medida por trabalhadores industriais bem remunerados. Há aparentemente o colapso dessa classe trabalhadora e, em simultâneo, o nascimento de uma nova classe alta. Tal significa uma brecha de oportunidades, que transforma o sonho americano numa frustrante miragem para muitos, e com isso entra em crise a tradicional aceitação e inclusive o enaltecimento das diferenças de rendimento e riqueza. Enquanto predominou a percepção de que a sociedade americana oferecia a todos uma igualdade básica para qualquer um triunfar, essas diferenças foram vistas como legítimas. Ora já não é maioritariamente assim, ainda que a maioria dos estado-unidenses gostasse que fosse. O sonho americano continua forte como desejo, mas já não é reconhecido com um componente real da sociedade. Por isso surge como nunca a denúncia dos muito ricos e as demandas redistributivas de inspiração social-democrata, quer dizer, que tendem a igualar os resultados e não o ponto de partida.

 

As estatísticas sobre a distribuição do rendimento sustentam esta nova percepção. Depois de um longo período de notável aumento simultâneo do bem-estar geral da população e de igualdade na distribuição dos frutos do progresso, a tendência inverte-se a partir da década de 70; primeiro de maneira pouco evidente, mas depois de forma acelerada, efectivando-se num espectacular aumento das fortunas da elite económica, o famoso 1%, ou ainda o 0,1%, que desde os anos 70 triplicou a sua quota no rendimento nacional. O que torna o facto escandaloso para muito americanos é que coincide com um período de salários congelados ou decrescentes para muitos, facto evidente desde finais dos anos 90 e sobretudo depois da crise financeira de 2007-2008.

 

Esta é a realidade que dá força aos ataques de Sanders contra os muito ricos e à agitação de Trump contra o establishment; e à denúncia de ambos de uma suposta aliança de Washington (a elite política) com Wall Street (a elite económica e financeira). Tanto Trump como Sanders denunciam a traição das elites, que abriu o país à nefasta concorrência dos produtos importados e também, no caso de Trump, a uma imigração ilegal massiva. Essa traição seria responsável pelo empobrecimento da classe média trabalhadora e, em especial, dos trabalhadores industriais transferidos para profissões inseguras e de menor rendimento. É dessa classe trabalhadora e predominantemente branca, deslocada e ameaçada, que provém o votante típico de Trump - em geral homens brancos de meia idade, com níveis de educação relativamente baixos. No caso de Sanders, o seu apoiante típico são os jovens desse mesmo estrato social, em muitos casos filhos dos primeiros.

 

O mais provável é Clinton ser a candidata democrata e, eventualmente, derrotar Trump, que ao mesmo tempo que agremia abstencionistas perde votos republicanos para a abstenção e parte do eleitorado moderado flutuante para a rival. Ainda que assim seja, as sementes do populismo e do radicalismo em ambos os partidos estão lançadas. Em suma, o futuro dos Estados Unidos não parece nada risonho; mas tão-pouco o nosso. O regresso dessa grande potência à velha política de auto-isolamento e proteccionismo, caminho para que ambos os extremos parecem apontar e que perdurou até à sua entrada na Segunda Guerra Mundial, seria uma tragédia para todos.

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Já li o livro e vi o filme (114)

por Pedro Correia, em 28.04.16

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O INVERNO EM LISBOA (1987)

Autor: Antonio Muñoz Molina

Realizador: José A. Zorrilla (1991)

Muñoz Molina teve uma promissora estreia literária com este romance, que fez grande sucesso à época. O filme ficou aquém das expectativas.

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Winter is Coming

por Diogo Noivo, em 28.04.16

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As alianças durarão enquanto houver convergência de interesses. Na luta pelo poder, a eficácia sobrepõe-se a qualquer valor ou princípio. Em política, os estados de alma matam. Estas três frases constituem um dos vários resumos possíveis da série televisiva Game of Thrones, um verdadeiro fenómeno de audiências que, na opinião deste escriba, é inteiramente justificado. Bem sei que a adesão pública a fenómenos de massas invalida qualquer ambição de reconhecimento intelectual. Confesso que a taxonomia cultural que divide os intelectos em highbrows, middlebrows e lowbrows me parece anacrónica. Mas não tem importância. O pátio é pequeno para tanta mente ilustrada.

 

Pablo Iglesias, líder do partido político espanhol Podemos, tem uma predilecção especial por esta série da HBO – aliás bem patente no livro por ele coordenado “Ganar o Morir: Lecciones Políticas en Juego de Tronos” (Akal, 2014). O fascínio é de tal ordem que Iglesias, na condição de dirigente partidário, decidiu levar a série para o palco central da política espanhola. Em Abril de 2015, quando o Rei Filipe VI se encontrava em visita oficial às instituições europeias, Pablo Iglesias ofereceu ao monarca a colecção da série em DVD dizendo-lhe “Creo que le aportará algunas claves para entender la política española”. Mais do que uma oferta, o gesto foi uma advertência: vem aí o inverno. A política espanhola transformar-se-á num mundo medieval onde combaterão vários castelos e, aproveitando o novelo intrincado de interesses em jogo, o Podemos gelará as “castas” e o “sistema”. Acertou na primeira parte. Na segunda nem por isso.

 

Passado um ano, e não obstante o profundo conhecimento sobre as interpretações políticas que a série permite, Iglesias parece ser vítima dos excessos de confiança e das intrigas palacianas que enterraram vários personagens de Game of Thrones. Após muito contribuir para dinamitar uma solução governativa à esquerda, e de o ter feito com a jactância dos líderes ensimesmados que a série foi assassinando com diferentes graus de brutalidade, Pablo Iglesias tem agora problemas dentro do próprio castelo.

 

Primeiro, para manter o controlo férreo do partido, Iglesias sentiu a necessidade de perpetrar uma purga fulminante. Depois, na sequência desta purga, acentuaram-se as divergências entre Iglesias e o seu número dois, Iñigo Errejón. Agora é Victoria Rosell a criar problemas. Juíza de profissão e deputada do Podemos, Rosell está a ser investigada pelo Supremo Tribunal por um alegado delito de prevaricação. Ao contrário do que Pablo Iglesias sempre afirmou, parece que os problemas com a justiça não são um exclusivo dos partidos da “casta”.

 

Com as eleições legislativas no horizonte, Pablo Iglesias tenta celebrar uma aliança com a IU (Esquerda Unida), esquivar-se dos ataques desferidos pelo PSOE e manter as hostes do Podemos suficientemente calmas para dar um ar de normalidade interna. A avaliar pelas sondagens, parece que não chega.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.04.16

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O Pequeno Livro Vermelho, de Mao Tsé-Tung

Precedido por 'Violência, fome e reeducação na China de Mao',

por Manuel S. Fonseca

(edição Guerra & Paz, 2016)

"Este livro não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 28.04.16

Ao The Cat Run.

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RH Music Box (88)

por Rui Herbon, em 28.04.16

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Autor: Popol Vuh

 

Álbum: Aguirre (1975)

 

Em escuta: Aguirre III

 

 

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Dois anos sem o Vasco

por Isabel Mouzinho, em 27.04.16

O Acordo é uma barbaridade, feita inconsiderada e precipitadamente, mantida por obstinação e teimosia, e conducente a um resultado exactamente oposto ao pretendido.

 

(Entrevista ao Expresso. 26.05.2012)

 

Foi neste dia, há dois anos, que o "Príncipe das Letras", como tão justamente lhe chamaram, nos deixou. É sempre cedo demais para ver partir aqueles de quem gostamos, porque mesmo que nos fiquem as palavras e as lembranças, sobra a saudade e um grande buraco vazio que não pode preencher-se.

Hoje, fará muita falta à sua família e amigos mais chegados, naturalmente, mas também ao país e ao mundo; e, acima de tudo, faz falta à língua portuguesa, que tanto e tão bem defendeu, e cuja luta é agora quase só ausência e esquecimento, encolher de ombros, deixar andar.

Ah, a falta que o Vasco (nos) faz...

 

O suporte da música pode ser  a relação

entre um homem e uma mulher, a pauta

dos seus gestos tocando-se, ou dos seus

olhares encontrando-se, ou das suas


vogais adivinhando-se abertas e recíprocas,

ou dos seus obscuros sinais de entendimento,

crescendo como trepadeiras entre eles.

O suporte da música pode ser uma apetência


dos seus ouvidos e do olfacto, de tudo o que se

ramifica entre os timbres, os perfumes,

mas é também um ritmo interior, uma parcela

do cosmos, e eles sabem-no, perpassando


por uns frágeis momentos, concentrando

num ponto minúsculo, intensamente luminoso,

que a música, desvendando-se, desdobra,

entre conhecimento e cúmplice harmonia.

 

                                                                 (Vasco Graça Moura)

 

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5322 visualizações diárias

por Pedro Correia, em 27.04.16

Nos últimos dez dias, o DELITO recebeu 37.225 visitas e 53.225 visualizações. Registamos e agradecemos.

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Os vassalos do ditador Obiang

por Pedro Correia, em 27.04.16

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Uma das maiores nódoas diplomáticas registadas neste século em Portugal foi o acolhimento que prestámos à Guiné Equatorial como nosso Estado-parceiro na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - apesar de ninguém ali falar português, como se comprova pela própria página oficial do Governo de Malabo, só com versões em castelhano, inglês e francês. O direito de veto que formalmente ainda nos vem reconhecido nos estatutos da CPLP tornou-se letra morta, como este caso infelizmente comprovou.

Alegaram alguns, apesar de tudo, que pelo menos isto ajudaria a abrir o país ao exterior e até a democratizá-lo. Tretas. O generoso tratamento que lhe dispensámos serviu apenas para consolidar o despótico regime de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, o ditador há mais tempo em exercício de funções no planeta. Ascendeu à presidência num sangrento golpe de Estado, a 3 de Agosto de 1979, e nunca mais largou o bastão do poder, que utiliza para vergastar qualquer tímido protesto. Todos quantos se atreveram a criticá-lo pagaram um preço muito elevado. Nuns casos, com a prisão e a tortura. Noutros, com o exílio compulsivo.

 

No domingo, 24 de Abril, Obiang foi novamente "reeleito" por números que dizem tudo acerca do sistema político vigente no país: 99,2% dos votos. E promete prolongar a tirania pelo menos até 2023.

Terceira maior produtora de petróleo da África subsariana, a Guiné Equatorial é também um dos Estados mais corruptos do planeta. Ocupa o 144.º dos 187 lugares no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. Tem o quarto maior índice mundial de mortalidade infantil. A maioria da sua população sobrevive com o equivalente a menos de um dólar por dia.

 

Repito o que  aqui escrevi há dois anos: lamento que sejamos os primeiros a desprezar a lusofonia enquanto prestamos vassalagem a qualquer facínora, desde que tenha muitos barris de petróleo para exportar. A originalidade e a força da CPLP assentariam sempre na base cultural. No idioma comum, na cultura comum cimentada pela unidade linguística. A partir do momento em que o critério dominante se torna a "diplomacia económica", que venham a Turquia, a Indonésia, a Rússia ou a Noruega. E porque não a Arábia Saudita?

 

Sinceramente, é mais do que lamento. É repulsa. E vergonha.

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Já li o livro e vi o filme (113)

por Pedro Correia, em 27.04.16

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TROPA DE ELITE (2006)

Autores: Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel

Realizador: José Padilha (2007)

Por vezes basta ver o filme: o livro torna-se dispensável. É o caso deste trepidante policial brasileiro, galardoado com o Urso de Ouro no Festival de Berlim. Um sucesso de bilheteira que também conquistou parte da crítica.

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As 35 horas são apenas o primeiro passo...

por José António Abreu, em 27.04.16

Venezuela à espera da chuva põe função pública a trabalhar dois dias por semana.

Ou a prova de como, sem as grilhetas da União Europeia, do euro ou da inexistência de petróleo, um dos paraísos do socialismo está cada vez melhor.

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Sei lá, pode ser que tenha sorte...

por Rui Rocha, em 27.04.16

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* o link é este para o caso de quererem tentar. 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.04.16

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BES: Os Dias do Fim Revelados, de Alexandra Ferreira

Entrevista com Ricardo Salgado

(edição Chiado Editora, 2016)

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 27.04.16

AO Cantinho da Florinda.

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RH Music Box (87)

por Rui Herbon, em 27.04.16

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Autor: Phil Ochs

 

Álbum: Tape From California (1968)

 

Em escuta: Tape From California

 

 

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Já li o livro e vi o filme (112)

por Pedro Correia, em 26.04.16

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O ADEUS ÀS ARMAS (1929)

Autor: Ernest Hemingway

Realizador: Charles Vidor (1957)

O melhor romance de Hemingway originou este pastelão com Rock Hudson e Jennifer Jones, que viria a ser a última longa-metragem produzida por David O. Selznick. O escritor não gostou desta adaptação. Não custa perceber porquê.

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A paixão do jornalismo no News Museum

por Alexandre Guerra, em 26.04.16

“É a maior experiência de Media e Comunicação da Europa.” É desta forma que o News Museum se apresenta no seu site e posso garantir, porque tive o privilégio de o visitar antes de ser inaugurado na noite de 24 para 25, que não é exagero. Aliás, conta quem sabe, este novo espaço dedicado à história do jornalismo e comunicação é bastante superior àquele que já existe há alguns anos em Washington. Na verdade, da parte dos responsáveis do News Museum, houve um cuidado em inovar e apresentar algo diferenciado ao que já existia. O resultado é simplesmente surpreendente, numa mistura muito bem conseguida entre o conteúdo e a forma.

 

Este projecto teve o contributo de vários profissionais da comunicação, nomeadamente de grandes referências do jornalismo em Portugal, de meios de comunicação social, e envolveu, seguramente, um investimento de muitos milhares de euros e o recurso a “know how” e software desenvolvido de raiz por algumas das empresas do grupo LPM Comunicação.

 

O News Museum representa um marco importante em Portugal a vários níveis. Não apenas pelo projecto em si, que é simplesmente obrigatório para quem gosta de jornalismo e comunicação e para quem cultiva o conhecimento da história e da sociedade contemporâneas, mas também porque materializa a visão daquilo que, como eu falava com alguém durante a visita, é um projecto inédito de gestão de reputação e notoriedade. Algo a que em Portugal não estamos habituados a ver por parte do sector privado, já que, normalmente, tudo o que é criado em termos de oferta do conhecimento à sociedade ou é feito à “sombra” do Estado ou é desenvolvido por empresas que durante décadas foram monopolistas e que hoje se apresentam como “privadas”, e quase que têm uma obrigação moral de servir a comunidade para além dos serviços que “cobram”.

 

O News Museum não surge de qualquer obrigação empresarial, mas sim de uma espécie de filantropia misturada com um legítimo interesse próprio. Embora tenha sido concretizado por uma equipa específica, é a Luís Paixão Martins que se deve a sua criação, o mesmo que há cerca de trinta anos trouxe para Portugal conceitos e metodologias de comunicação insitutucional para o mundo económico, empresarial e, mais tarde, político. A verdade é que houve um antes e um depois do LPM no que à disciplina das “public relations” em Portugal diz respeito. Tornou-se num dos homens mais relevantes da comunicação institucional em Portugal, se não o mais importante, construindo uma reputação sólida e uma empresa de sucesso, e hoje dá corpo àquilo que é, sobretudo, um monumento vivo e interactivo à paixão do jornalismo.

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Pesada factura

por Luís Naves, em 26.04.16

Tendo em conta o resultado da primeira volta das presidenciais austríacas, a crise dos refugiados promete fazer muitas vítimas na política europeia. O vencedor da votação foi Norbert Hofer, com 36%, candidato apoiado pelo maior partido de extrema-direita (FPO) e que cavalgou o descontentamento popular com as hesitações governamentais na questão migratória. O seu adversário na segunda volta será um independente apoiado pelos Verdes, Alexander van der Bellen, que conseguiu 20%. A grande coligação de governo, semelhante à alemã (social-democratas e democratas-cristãos), foi humilhada: juntos, os candidatos do SPO e OVP somaram uns meros 22%.

Um sismo político já tinha atingido a Eslováquia a 5 de Março. A campanha das legislativas foi dominada pela questão dos refugiados, mas apesar de ser contra quotas europeias, o primeiro-ministro Robert Fico esteve perto de ser derrubado, por não ter uma posição suficientemente radical contra Bruxelas. O maior partido de centro-esquerda perdeu 18 pontos percentuais e foi forçado a organizar uma coligação instável. Uma formação tóxica de extrema-direita teve 8%. Somado este voto ao dos ultra-nacionalistas e populistas, o eleitorado eurocéptico representa um quarto do total e um dos três partidos anti-europeus entrou no executivo.

A irritação popular é evidente. Muitos eleitores pensam que não foram respeitadas as suas opiniões na crise dos refugiados, como não têm sido respeitadas as suas opiniões em relação aos efeitos negativos da globalização. Os populistas estão a avançar em cada nova sondagem ou eleição e assistimos ao aparecimento de figuras radicais. Infelizmente, em Portugal continua a pensar-se que estes países já não são democracias, basta ler as lamentáveis fantasias que se escrevem sobre Hungria ou Polónia, numa discussão que usa apenas argumentos de moralidade, que é a melhor maneira de encerrar qualquer debate logo de início. A Europa Central sentiu a crise de refugiados como nós não sentimos. Os eleitores austríacos concordaram com a tese de que a entrada súbita de dezenas de milhares de migrantes será uma catástrofe social, pois não há maneira de integrar tanta gente, “meio mundo” na propaganda de Hofer. As elites ignoraram os avisos, quiseram pôr-se do “lado certo da história” e, perante uma realidade em descontrolo, fizeram emendas piores que o soneto. Agora, chega a factura política e continuaremos a ler belas análises sobre como ignorar o óbvio “erro” dos eleitores.

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Duzentos e cinquenta mil

por Pedro Correia, em 26.04.16

Vale a pena registar o número: acabamos de ultrapassar a marca dos 250 mil comentários já publicados no DELITO DE OPINIÃO. Fazem parte integrante do património deste blogue. Que é dos seus autores mas também é dos seus leitores.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.04.16

 

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08/03/08, de Paulo Guinote

Memórias da grande marcha dos professores

(edição Oficina do Livro, 2016)

"Por vontade expressa do autor, o livro respeita a ortografia anterior ao actual acordo ortográfico"

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Um bumbum trabalhador

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.04.16

"Isso tudo está acontecendo porque quem não mama, chora. O povo entende bem o que quero dizer."

 

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 26.04.16

«Me invadió la tristeza y la angustia de asistir a la larga y dolorosa decadencia de un oficio ejercido con alma. La misma angustia de mi gente: los periodistas que han hecho grande el diario y que ahora sólo pueden - sólo podemos - pedir que se nos despida con la dignidad que merecemos.»

Lucía Méndez, "La dignidad de mi gente", no El Mundo

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RH Music Box (86)

por Rui Herbon, em 26.04.16

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Autor: Pop Group

 

Álbum: Y (1979)

 

Em escuta: Words Disobey Me

 

 

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Leituras

por Pedro Correia, em 25.04.16

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«Muitos discos estavam proibidos de se transmitir em RCP [Rádio Clube Português]. Algumas largas dezenas!

Somente uns pares de exemplos: O Menino de Sua Mãe, de Fernando Pessoa, Baile de Roda Mandado, do folclore algarvio; Antologia de Música Portuguesa, de Luís Cília; Fomos Feitos em Ceroulas, de José Carlos Ary dos Santos; Tango dos Pequenos-Burgueses, de José Jorge Letria; Ovelha Negra, por Beatriz da Conceição.»

Matos Maia, Aqui Emissora da Liberdade, pp. 173/174

Ed.  Caminho, Lisboa, 1999 (2ª edição)

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O paradoxo de Abril

por Diogo Noivo, em 25.04.16

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Há poucas certezas na vida. A morte, os equinócios e a ocorrência de alarvidades em jogos de futebol figuram entre as poucas coisas que podemos dar por certas. Pelo contrário, ano após ano o dia 25 de Abril é uma sucessão de infalibilidades: cravos vermelhos, discursos no parlamento, música de intervenção e, mais recentemente, gente nas redes sociais a partilhar uma entrevista de 2011 onde Otelo Saraiva de Carvalho pede um novo Salazar para Portugal. Mas o dia da liberdade presenteia-nos com outra certeza: o sequestro da data e do seu simbolismo por quem pretende manter feudos de privilégio onde, por definição, a liberdade é intrusa. É o supremo paradoxo: usar o dia da liberdade para combate-la. Este ano, os táxis são os protagonistas e a Uber é o alvo.

 

Claro que a lei é igual para todos e, por isso, todos a devem cumprir. O que não é tão claro são as razões que levam os taxistas a acusar a Uber de incumprimento. Uma simples pesquisa dir-nos-á que a Uber paga impostos. Aliás, ao contrário do que sucede no sector do táxi, todas as transacções ficam registadas. O Estado agradece e eu, na minha qualidade de contribuinte, também. Percebemos ainda que os veículos associados à Uber dispõem de seguros e pagam licenças (são táxis letra A ou táxis letra T, operadores turísticos devidamente habilitados a fazer transporte de pessoas e empresas de ‘rent a car' que alugam veículos a turistas). Há, no entanto, uma decisão de um Tribunal de Lisboa que suspende a actividade da Uber em Portugal, mas os peticionários erraram no alvo e parece que erraram igualmente nos pressupostos.

 

Vista a Uber, se olharmos para o sector do táxi veremos que o paradoxo de Abril deste ano se declina noutro. O enquadramento legal do transporte em táxi em Portugal data de 1998, mas tem por base regras e princípios definidos na regulação de 1948. Portanto, para além do empenho em retirar liberdade aos consumidores, os taxistas usam o 25 de Abril para defender princípios estabelecidos pelo regime autoritário que Abril enterrou.

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Very small indeed

por João Campos, em 25.04.16

A ideia de se criar um museu dedicado às notícias e à comunicação social é muito interessante e oportuna. A escolha de Sintra para instalar o museu é acertadíssima. A decisão de dar ao dito o nome de "News Museum" é tão infeliz e tão imbecil como as ideias peregrinas do Allgarve e da Lisbon South Bay. Não há globalização, viagens low cost, internet de banda larga, televisão por cabo com centenas de canais estrangeiros e livrarias online que nos valham: continuamos tão pequeninos e tão provincianos.

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O sectário-geral

por Pedro Correia, em 25.04.16

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 Foto: Lisa Soares/Global Imagens

 

Por uma vez, a cortesia institucional cumpriu-se. O final do discurso de hoje do Presidente da República no Parlamento foi sublinhado com aplausos vindos de quase todo o hemiciclo. PSD, PS e CDS aplaudiram de pé, enquanto a generalidade dos deputados bloquistas e comunistas bateram palmas sentados nos respectivos lugares - incluindo Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. O mesmo sucedeu em relação aos convidados - com destaque para os capitães de Abril (Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho, Sousa e Castro e Martins Guerreiro, entre outros), o conselheiro de Estado Francisco Louçã e o eurodeputado Marinho e Pinto.

Todos? Todos não. Numa das galerias alguém decidiu permanecer sentado no final do discurso, enquanto todos se levantavam em seu redor. Alguém que permaneceu com cara de chumbo, sem o menor respeito pelo Presidente de todos os portugueses eleito ainda há bem pouco pela maioria dos eleitores que se deslocaram às urnas - incluindo largos milhares com as quotas sindicais em dia.

Refiro-me a Arménio Carlos. Secretário-geral da CGTP. Sectário-geral. Hoje mais que nunca.

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Bafio

por José António Abreu, em 25.04.16

Alexandre Homem Cristo tem razão. Quarenta e dois anos depois, o 25 de Abril corporiza a resistência à mudança. Transformado em dogma, não apenas constitui pecado mortal equacionar hipóteses que lhe possam diminuir o simbolismo – p. ex., que parte das conquistas obtidas desde então se devem a factores apenas indirectamente com ele relacionados: o acesso aos fundos europeus possibilitado pela adesão à UE, a irresponsabilidade orçamental permitida pela adesão ao euro – mas, acima de tudo, evoca-se para defender o status quo. Os portugueses podem estar mais viajados e ter acesso aos mesmos livros e às mesmas séries que se lêem e vêem no exterior mas, tirando meia dúzia de jovens – especialmente empresários –, o Portugal de hoje permanece o Portugal de 1973: conservador, assustado, fechado à realidade e à mudança. Um país onde se trocaram ilusões de grandeza imperial por ilusões de riqueza imediata e sem esforço. Um país que (à imagem da época pós-Marquês de Pombal) trocou a falta de democracia pela falta de rigor. (Como é possível que apenas sob dois déspotas Portugal tenha crescido de forma sustentada?) As grandes diferenças entre 1973 e 2016 não se encontram pois na mentalidade. Encontram-se no número – hoje muito superior – dos que se alimentam do poder ainda e sempre sufocante do Estado (agradeçam-no aos fundos comunitários e à dívida) e na identidade dos respectivos parceiros ideológicos: antes, uma direita bafienta; hoje, uma esquerda que – apesar de todas as «causas fracturantes» – não o é menos.

Dir-me-ão que posso escrever textos como este. Sim, resta a liberdade. É a liberdade que eu agradeço ao 25 de Abril. Ciente de que muitos dos que o fizeram – ou dele se apropriaram – não a tinham como objectivo. Ciente de que, assentes no poder da captação e alocação dos recursos e das noções do politicamente correcto – como antes o Estado Novo se servia da Igreja, da noção de moral e do conceito de Pátria –, os seus descendentes agem para que seja cada vez mais difícil escrevê-los.

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Quarenta anos depois

por Pedro Correia, em 25.04.16

Faz hoje 40 anos, também num 25 de Abril, os portugueses - exercendo enfim o direito ao sufrágio universal, irrestrito, secreto e livre - acorreram às assembleias de voto, num marco inapagável da nossa democracia participativa e representativa. Elegendo os deputados da primeira legislatura.

Assim se cumpriu na íntegra aquele "dia inicial, inteiro e limpo" a que aludiu Sophia de Mello Breyner Andresen num dos mais belos versos da língua portuguesa.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.04.16

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Política, de David Runciman

Tradução de Paulo Ramos

Ensaio

(edição Objectiva, 2016)

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À espera da bordoada

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.04.16

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Passaram 42 anos sobre o 25 de Abril de 1974. E tirando o facto de hoje em dia a defesa do direito à liberdade de expressão de José Sócrates ser feita por Pedro Passos Coelho, de alguns "licenciados" terem obtido equivalência a "ex-licenciados" depois de lutas duríssimas, dos descamisados serem hoje empresários influentes que agilizam processos e frequentam fora de portas os restaurantes do Chef Umberto Bombana, o País mantém os seus vícios e anseia por saber, perante a derrocada da União Europeia, qual será o próximo campeão nacional de futebol.

Assinale-se, todavia, que internamente onde a luta está mais acesa é na discussão sobre as formas de tratamento. Foi para aqui que se transferiu a luta de classes. À direita, o deputado Paulo Rangel quer acabar com os títulos, avançando com uma proposta, em nome da mobilidade social, que colocará um fim aos "doutores" e aos "engenheiros". Suspeita-se que por detrás dessa proposta – dizem as más línguas que soprada por um ex-ministro – esteja a qualificação dos desqualificados que ficaram sem os títulos que arduamente conquistaram nas secretarias do ensino privado. Mas à esquerda, na linha daquilo a que nos habituámos, o proletariado em luta não está pelos ajustes. É por isso mesmo um descanso saber que ainda há quem cite de cor o Presidente Mao. E que os camaradas mais idosos passaram a ter direito ao título de "Dr." no Comité Central do MRPP.

Esta última é uma conquista que dá sentido a tantos anos de luta. Uma evolução histórica que confirma o triunfo da revolução, a irreversibilidade das suas conquistas mais patuscas perante a derrocada do Estado social e o agravamento do problema demográfico. Tesos, pelintras e doutores já são hoje mais do que os bebés que nascem, pelo que é de admitir que a bordoada seguirá dentro de momentos. Da grossa e na sala de um hotel no Panamá. Até ao último dólar.

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RH Music Box (85)

por Rui Herbon, em 25.04.16

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Autor: Pink Floyd

 

Álbum: A Saucerful Of Secrets (1968)

 

Em escuta: Remember A Day

 

 

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 24.04.16

«Santana Lopes foi um bom primeiro-ministro. Só esteve três meses no lugar mas, nesse curto espeço de tempo, preparou duas importantes reformas: a introdução de portagens nas SCUTs e uma reforma a sério da lei do arrendamento urbano.
Comparado com os primeiros-ministros anterior e posterior, ele foi muito mais activo.»

Do nosso leitor Luís Lavoura. A propósito deste texto do José António Abreu.

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Muitos de vocês já não se lembram,

por Rui Rocha, em 24.04.16

Mas quando o Expresso começou a divulgar os nomes envolvidos nesta coisa do escândalo do Panamá ainda tinha edição em papel.

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Fotografias tiradas por aí (291)

por José António Abreu, em 24.04.16

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Entre Almeida e Figueira de Castelo Rodrigo, 2016.

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Off line

por Teresa Ribeiro, em 24.04.16

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Cada vez mais passo folgas e férias off line. Liberta de ecrãs tácteis e portáteis, sinto-me como se tivesse feito a mim própria um restart. Condescendo só em relação ao telemóvel, nas estritas funções de telefone. Não é um gesto de rendição, pelo contrário. Vejo esta evidente dependência com simpatia. É a prova em como algures em mim floresceu este sinal de contemporaneidade e isso descansa-me, porque aproxima-me dos padrões da normalidade. Sim, dependo totalmente desta máquina enquanto telefone. Sem ela experimento uma sensação de isolamento incómoda, como se me tivessem cortado o cordão umbilical que me liga à corrente universal.

Mas é tudo. Não consigo entregar a alma às redes, à Internet. Continuo a sentir fascínio pelo de sempre. Pelas banalidades, por acaso também tactéis e a cores, do mundo real. Receio que já não tenha cura. Já experimentei fazer um refresh, mas nada.

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Resistência activa ao aborto ortográfico (119)

por Pedro Correia, em 24.04.16

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Café com Letras, nova revista de literatura

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Cravo & Ferradura

por Bandeira, em 24.04.16

Naturalmente, o cartão do cidadão terá dimensões superiores às do cartão da cidadã.

José Bandeira/DN

(José Bandeira/DN)

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Lógica da Literatura

por Bandeira, em 24.04.16

Shakespeare morreu há 400 anos.

Cervantes morreu há 400 anos.

Logo, Cervantes era Shakespeare.

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Só é óptimo se parecer péssimo

por Pedro Correia, em 24.04.16

20120926_ZubrinDDTNaples[1].jpgSoldado americano utiliza DDT para prevenir malária (Nápoles, Janeiro de 1944)

 

Vi há dias um interessante debate sobre o rumo e o destino da chamada "comunicação social" num programa televisivo da RTP3, O Último Apaga a Luz, dedicado à análise dos media contemporâneos. Sem clichês, sem chavões, sem o pensamento pronto-a-papaguear que é habitual escutarmos noutros programas. Com Joaquim Vieira, Raquel Varela, Rodrigo Moita de Deus e Virgílio Castelo.

A certa altura a Raquel Varela disse uma frase que não resisti a transcrever aqui: "A comunicação social está permanentemente a mostrar aquilo em que a Humanidade é incapaz e a ocultar aquilo de que a Humanidade é capaz."

 

Penso com muita frequência nisto: o discurso jornalístico reflecte hoje uma crescente tabloidização da realidade, descrevendo-a como um local infrequentável. O mundo retratado na generalidade dos órgãos de informação contemporâneos está povoado de calamidades e cadáveres, de fobias de todo o género, de anátemas lançados ao modo como vivemos e convivemos.

O sangue vende como nunca, o medo instala-se, o temor de sair à rua devido a um milhão de causas - desde os assaltos nos multibancos aos raios ultra-violetas potenciados pelo "aquecimento global" - induz cada um a entrincheirar-se nas quatro paredes domésticas, trocando o real pelo virtual.

"O inferno são os outros" - nunca a frase de Sartre pareceu tão actual como nos nossos dias.

 

E no entanto há outro mundo que pulsa e vibra além das manchetes da imprensa. Um mundo que "não sai no jornal", parafraseando o verso de Chico Buarque. Esta semana, ao fundo de uma página interior do El País, na secção de Tecnologia e Ciência, li este título: "Europa livre de malária".

A Organização Mundial de Saúde declarou este continente onde habitamos finalmente imune à doença, que matou 438 mil pessoas em todo o mundo só no ano passado e era endémica no sul da Europa - incluindo Portugal - até à geração dos meus pais. Vinte dois mil soldados norte-americanos adoeceram com malária na Sicília durante a campanha militar para a conquista da ilha, no Verão de 1943. Apenas no pós-guerra os mosquitos portadores da doença começaram a ser combatidos com eficácia, graças à generalização do DDT, o primeiro pesticida moderno.

Uma boa notícia, portanto. E daí ter sido varrida para a parte inferior da hierarquia informativa. Não é má, não transmite receio nem angústia - portanto, não vende. Logo me lembrei, perante este exemplo concreto, de uma reunião de editores no Diário de Notícias. Ousei sugerir que todos os anos - num dia apenas, coincidindo com o aniversário do jornal, a 29 de Dezembro - fizéssemos aquilo que me parecia, e parece ainda, um estimulante exercício intelectual: produzir uma edição em que todos os temas fossem escritos num ângulo positivo. Seguindo o princípio de vermos o copo meio-cheio, não meio-vazio.

Quase todos os meus colegas olharam para mim como se eu estivesse afectado por loucura momentânea. E logo a questão foi arrumada em duas palavras: "Não vende."

 

A mesma lógica que leva o fim da malária na Europa a merecer apenas uma nota de rodapé: de acordo com este raciocínio dominante, só as más notícias parecem verdadeiramente boas.

Se em vez de mau for péssimo, ainda melhor.

Mas - convicto ainda de ter apresentado uma sugestão que devia ter merecido luz verde nessa reunião de editores, há mais de uma década - interrogo-me: se só a tragédia e a catástrofe "vendem" por que motivo continuam a fechar tantos jornais?

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