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As canções do século (1759)

por Pedro Correia, em 25.10.14

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Uma pergunta

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.10.14

Qual a ligação entre Passos Coelho, a JSD, o senhor engenheiro, a "Tacho easy Ibérica", a "GetEasy" e "esta empresa"?  É tudo a mesma coisa? E Vila de Rei? Que tem Macau a ver com isto?  Alguém quer esclarecer esta merda? Há jornalistas em Portugal?

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Tudo e o seu contrário

por Pedro Correia, em 24.10.14

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Eu sabia que ainda haveria de ouvir um dia Diogo Freitas do Amaral aplaudir uma proposta do Partido Comunista.

Sim, refiro-me ao político que em 1974 fundou o CDS e votou em 1976 contra a Constituição da República, chegou a receber o rótulo de "homem mais à direita de Portugal" e foi arrasado por Mário Soares no debate da segunda volta das presidenciais de 1986 com estas palavras esmagadoras: "Eu não tenho dúvidas em reconhecer que o Dr. Freitas do Amaral é democrata, embora não tenha feito nada pela democracia."

 

Aconteceu quarta-feira à noite, numa entrevista concedida à RTPi e conduzida pelo jornalista Vítor Gonçalves. Ultrapassando o PS pela esquerda, Freitas aplaude agora os comunistas. Tal como o PCP, também ele preconiza a intervenção do Estado na PT, empresa privada, salientando que o mesmo já devia ter ocorrido no Espírito Santo: o melhor, garante, seria recapitalizar o banco falido com o recurso a seis mil milhões de euros do empréstimo da troika.

Para isso, invoca um artigo da Constituição de 1976 que autoriza a intervenção do Estado na gestão de empresas privadas, à revelia da vontade dos accionistas. A mesma Constituição contra a qual ele votou.

Tudo nacionalizado, portanto, proclama o Freitas do Amaral de 2014, contrariando o Freitas do Amaral de 1974. Beneficiando a irresponsabilidade dos gestores privados ao assegurar-lhes o direito automático à rede protectora do Estado. E adoptando a receita posta em prática com o BPN. Com os contribuintes a pagar mais e mais e mais e mais.

Suporíamos que para financiar isto o fundador do CDS pediria mais sacrifícios fiscais aos portugueses. Afinal não: Freitas protesta até contra o eventual aumento da carga fiscal para o próximo ano.

 

Mais encargos para o Estado suportados por menos receita: eis uma verdadeira quadratura do círculo. Que espantaria vinda da boca de outro político mas já não surpreende por vir de Freitas do Amaral, que nos habituou a defender tudo e o seu contrário.

O mesmo homem que, tendo sido ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros do primeiro executivo de José Sócrates, veio acusá-lo de "falta de cultura democrática" durante a campanha para as legislativas de 2011.

O mesmo homem que em Outubro de 2011 elogiava a "capacidade de concretização" de Passos Coelho, obreiro de "mais reformas em cem dias" do que o anterior executivo em três anos, e agora se indigna porque os membros deste governo "não conseguiram fazer nada".

O mesmo homem que na Primavera de 2011 saudava o programa da troika como "um mal necessário" que permitiria ao País "respirar durante dois anos pelo menos", e hoje se exaspera contra os "travões a fundo" da austeridade.

O mesmo homem que, durante mais de uma década à frente do CDS, viu o partido ser parcialmente financiado por generosas doações da CDU alemã, através da Fundação Konrad Adenauer, e hoje clama contra a chanceler germânica, pertencente à mesmíssima CDU, com palavras reveladoras de um fino pensamento estratégico: "A Europa só muda no dia em que a França der um murro na mesa para a Alemanha perceber que está a ficar isolada. E a Alemanha o que mais detesta, desde a II Guerra Mundial, é sentir-se isolada."

Igual a si próprio - ou seja, sempre diferente. De entrevista em entrevista.

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Banda Larga

por Luís Naves, em 24.10.14

Excelentes análises, opiniões curtas e simples, o meu blogue da semana chama-se Banda Larga.

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Mudança da hora

por Rui Rocha, em 24.10.14

Passos Coelho recua e garante que cidadãos prejudicados poderão recorrer a uma cláusula de salvaguarda que lhes permitirá manterem-se pela hora de Verão. Entretanto, o primeiro-ministro garantiu ainda que a hora agora perdida poderá ser recuperada já em Abril de 2015 se a arrecadação fiscal for superior ao esperado.

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Leituras

por Pedro Correia, em 24.10.14

 

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«Alguém deve deixar alguma coisa para trás quando morre. Um filho, ou um livro, ou um quadro, ou uma casa, ou uma parede construída ou um par de sapatos feitos à mão. Ou um jardim plantado. Alguma coisa em que a nossa mão tenha tocado de algum modo para que a nossa alma tenha para onde ir quando morrermos e, quando as pessoas olharem para essa árvore ou flor que plantámos, nós estamos lá

Ray BradburyFahrenheit 451 (1953), p. 170

Ed. Publicações Europa-América, Mem Martins, 2002. Tradução de Teresa da Costa Pinto Pereira. Colecção Contemporânea, nº 67

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Louise Gluck

por Patrícia Reis, em 24.10.14

GRETEL NA ESCURIDÃO
Este é o mundo que desejávamos.

Todos os que nos queriam mortos estão mortos.

Ouço o grito da bruxa

a rasgar o luar através de uma mortalha

de açúcar: Deus recompensa.

A língua dela desfaz-se em gás.


Agora, longe de braços de mulheres

e memória de mulheres, na cabana do nosso pai

dormimos, nunca temos fome.

Por que não esqueço?

O meu pai tranca a porta, tranca o mal

fora desta casa, e passaram anos.


Ninguém se lembra. Até tu, meu irmão,

nas tardes de estio olhas para mim como se

quisesses partir, 

como se nunca tivesse acontecido.

Mas eu matei por ti. Vejo pinheiros armados,

as agulhas daquele forno dardejante –

 

De noite volto-me para ti, para me abraçares

mas não estás lá.

Estarei sozinha? Há espiões

a sibilar no silêncio, Hansel,

ainda lá estamos e é real, real,

aquela floresta negra e o fogo ao rubro.
 

Tradução Inês Dias

 

 

 

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.10.14

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Carta a um Bom Português, de José Gomes Ferreira

Ensaio

(edição Livros d'Hoje, 2014)

"O autor escreve na ortografia antiga"

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Em poucas palavras

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.10.14

"O dr. Passos Coelho e os seus fiéis julgam que fizeram uma grande obra. Já se esqueceram que a troika os forçou a fazer o que fizeram. Como se esqueceram, com certeza por intervenção do Altíssimo, que não cumpriram o programa (aliás, duvidoso) a que se tinham comprometido. Aumentaram a receita do Estado, sem inteligência ou perícia; e fugiram de reformas substanciais com vigarices, com pretextos e com uma insondável indolência.
Quando o dr. Passos Coelho, lá para Outubro, for delicadamente posto na rua, o Governo seguinte com um bocado de papel e uma caneta arrasará numa hora tudo ou quase tudo o que ele deixou.
Entrou provavelmente na cabeça do primeiro-ministro a ideia perigosa de “deixar um exemplo”. E deixou. Deixou um exemplo de trapalhada, de superficialidade e de  ignorância. Ou seja, nada de original."- Vasco Pulido Valente, Público, 24/10/2014

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 24.10.14

 

Sophie Auster

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Até que enfim que na AR se falou de algo importante

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.10.14

voto-proporcional.gif O momento em que a questão foi colocada não seria o mais adequado. A forma como foi colocada também não. E o que se seguiu não devia ter tido o relevo que teve. Não porque a questão não deva ser tratada e as regras actualmente vigentes questionadas, mas porque uma vez mais as intervenções e o padrão da linguagem utilizada continuam a deslustrar a actividade parlamentar e a desprestigiar a democracia parlamentar. Contudo, tirando esses aspectos mais formais do que substanciais, quanto ao essencial há muito que a questão devia ter sido colocada.

Todos sabem como o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) nasceu. Ainda recentemente Zita Seabra, por ocasião de uma conferência promovida na Universidade Nova, a propósito das celebrações dos 40 anos do 25 de Abril, em que também participou Augusto Santos Silva, teve oportunidade de recordar a história. Isto é, a "encomenda" que lhe foi feita por Álvaro Cunhal no sentido de promover e dinamizar a criação desse apêndice do PCP. Mas não é isso que quanto a mim estará hoje em causa. Isso pertence ao passado e a nós interessa-nos o presente e o futuro.

Desde a sua gestação, tudo o que o PEV fez "sozinho" limitou-se à formalização da sua existência. Nunca participou por si em qualquer acto eleitoral que se visse apresentando listas próprias, fazendo-o sempre integrado nos alegres comboios e caravanas do PCP. Repare-se que não vejo nisso qualquer problema. Cada partido, desde que tenha existência legal e cumpra as regras, participa nos actos eleitorais como muito bem entenda.

Parece-me, no entanto, perfeitamente legítimo que se questione a representatividade de partidos que nunca se apresentaram a eleições. Não há nada que o impeça, nem creio que em democracia haja temas que não possam ou não devam ser tratados, desde que a todos interessem, o que me parece ser o caso.

Porém, o que efectivamente deverá ser questionado e reflectido é a meu ver mais vasto e traduzir-se-á em saber se as actuais regras que prevêem e regulam a criação, a actividade e manutenção dos partidos políticos são adequadas. Ou se não será tempo de se proceder à sua revisão de fundo.

A regulação dos partidos políticos por parte dos Estados, para além do aspecto propriamente legitimador[1] e regulador, apresenta uma outra vertente, pois que quando o legislador impõe o respeito por patamares mínimos para a formalização da constituição de partidos, para a apresentação de candidatos ou para a sua manutenção, está a condicionar ou a viabilizar a entrada na arena política de contendores, dessa forma também influenciando o sistema de partidos. Este aspecto pode concorrer, como já referido por alguns autores, para um aumento do potencial de cartelização dos partidos e do sistema de partidos (Rashkova e van Biezen, 2014: 268).

Quanto às finalidades das leis dos partidos, o alinhamento seguido por Katz afigura-se ainda ser aquele que melhor reflecte essa realidade. Para este autor, existirão três propósitos fundamentais na aprovação desse tipo de normas: a) O reconhecimento da qualidade do partido que irá condicionar a sua participação nos sufrágios, a alocação de recursos públicos e o papel dos partidos no governo; b) A regulação das actividades em que os partidos se podem envolver; c) A regulação interna das suas estruturas e modos de actuação que serão compatíveis com o respectivo estatuto (Katz, 2004).

O facto da nossa lei dos partidos ser uma das mais desenvolvidas a nível europeu, à semelhança do que acontece, por exemplo, com as leis da Letónia, Lituânia, Polónia, Roménia, Espanha, não faz dela uma lei actual. Pessoalmente entendo que os actuais instrumentos de regulação dos partidos políticos estão ultrapassados, sendo questionável se, por exemplo, não deveríamos, à semelhança do que acontece com outros países, obrigá-los a ter registos actualizados anualmente dos seus militantes, devendo ser fornecidas listagens completas ao Tribunal Constitucional - por onde se possa facilmente depreender as oscilações no seu número, sabendo exactamente quantos entraram e quantos saíram e não apenas os números dos primeiros - e se não deveriam ser introduzidas cláusulas que impusessem patamares mínimos de votação ou a obrigatoriedade da sua extinção caso não participassem, sozinhos ou coligados, durante um certo período de tempo em actos eleitorais. O calvário que é conseguir obter informação, que por natureza devia ser pública, junto de alguns partidos políticos com responsabilidades parlamentares, que nem sequer se dão ao trabalho de responder às missivas que nesse sentido lhes são enviadas por quem investiga e precisa da informação para efeitos académicos, ilustra bem a forma desfasada como estas coisas continuam a ser entendidas e vistas pelos próprios partidos, onde toda a informação que não lhes convém é escondida e protegida do público, de investigadores, de simples curiosos que pretendam informar-se. E mesmo em relação àqueles que disponibilizam informação actualizada sobre os seus registos de militantes, por exemplo, verifica-se que há muita informação em falta que devia ser apresentada e disponibilizada publicamente. Ainda recentemente tive oportunidade de comprová-lo. Conhecendo-se os números a nível europeu relativos ao declínio e abandono da militância, e aqueles que em relação a Portugal são conhecidos, foram-me fornecidas indicações, por parte de alguns partidos, que os transformariam em casos únicos no panorama mundial, havendo mesmo um partido em que nunca houve abandonos e o número de novos militantes somou-se sempre ao que vinha do ano anterior, como se nem uma única baixa tivesse ocorrido nos seus cadernos.  Nem sequer por falecimento. É sempre a somar.

Por outro lado, também tenho dúvidas, por exemplo, sobre se as regras da capacidade eleitoral activa e passiva dos militantes não deviam ser comuns a todos os partidos. Ou se a situação contributiva dos seus militantes não deverá ser sempre pública. Um partido político não é uma associação privada ou um clube de futebol pelo que as regras de transparência que lhes são aplicáveis têm de ser naturalmente mais exigentes e corporizarem as exigências de uma cidadania mais activa e mais participada, não sendo legítimo, a meu ver, que para manutenção dos seus próprios privilégios vivam cada vez mais afastados dos cidadãos, gozando e dispondo dos recursos do Estado a seu bel-prazer, e só se lembrem dos cidadãos quando pretendem proceder a operações cosméticas de relegitimação social e eleitoral ou por razões ligadas às suas lutas internas pela conquista do poder, como ainda há pouco tempo aconteceu.

 

[1] - “Just as political power is seen as legitimate when it is established and exercised according to the law, which makes it legally valid, so are political parties” (Rashkova and Van Biezen, 2014: 268)

Katz, Richard S. (2004), Democracy and the Legal Regulation of Political Parties, Paper prepared for USAID’s Conference on ‘Change in Political parties’, Washington D.C., 1 October 2004;

Rashkova, Ekaterina R. e Ingrid van Biezen (2014), The legal regulation of political parties: Contesting or promoting legitimacy, International Political Science Review, Vol. 35(3), 265-274

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As canções do século (1758)

por Pedro Correia, em 24.10.14

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José Gomes Ferreira

por Patrícia Reis, em 23.10.14


Um Dia a Solidão
...
Um dia, a solidão
- que dor de vergonha! -
levou-me pela mão
para seu baluarte
e disse-me " sonha!
O sonho é a tua lei"

E eu para ali fiquei,
Tão farto de ser eu,
A ouvir o meu coração
Bater em toda a parte,
Nos astros do chão,
Nas pedras do céu.

E eu para ali fiquei
A arrancar a carne das unhas,
Sozinho no meu jardim,
A viver sem testemunhas
No espelho de mim.

E eu para ali fiquei
Com o mundo a obedecer aos meus caprichos:
A luz, as flores, os bichos

E o sol enforcado na floresta,
Na alucinação
Duma corda de lava
A baloiçar ao vento da minha alma à solta…

E eu para ali fiquei
- pobre de mim que ignorava
a dor da verdadeira solidão
que é esta! Que é esta!…

Muita gente à minha volta
E eu aos tombos pelas ruas,
longe de todos e de mim,
a morrer pelos outros
em barricadas de estrelas e de luas.

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Colaboradores estagiários - à borla

por João André, em 23.10.14

A Teresa escreveu este post e lembrei-me deste texto sobre as ideias de alguns "empreendedores" "amaricanos" de ter gente a trabalhar de borla. É ideia praticada há muito em Portugal, onde o conceito de trabalhar para aquecer, apesar do nosso ameníssimo clima, pegou há já uns bons tempos. Normalmente o corolário acaba por ser a felicidade de novos trabalhadores em receber «pelo menos o salário mínimo».

 

Obviamente que visionários como Mark Cuban defendem a sua visão sob o conceito de "liberdade", onde cada pessoa deveria poder trabalhar de borla se o quisesse. Naturalmente que podemos encontrar gente de todos os tipos, mas desafio qualquer um a encontrar uma meia dúzia de pessoas entre o seu círculo de pessoas que estivessem dispostas a trabalhar sem nada receber. Não falo de voluntariado ou de causas, falo de trabalho a sério, com prazos, objectivos, horários e chefes.

 

Para ser claro sobre a minha posição: o trabalho não deve ser pago. O trabalho tem de ser pago. É uma obrigatoriedade no mundo moderno civilizado. Conceitos como o trabalho não pago deveriam desaparecer e ser classificados como aquilo que são: exploração. Os estágios não remunerados já são, a meu ver, um abuso, mas desde que haja vantagens reais para educação de um estudante (os quais têm que ser verificados pela instituição de ensino) e a instituição de acolhimento incorra com despesas extra (deslocamento, alojamento, eventuais custos extra com alimentação), até nem os rejeito de imediato.

 

O mundo está já excessivamente cheio de "colaboradores", "estagiários" e outros títulos que servem para esconder abusos da parte do sector empresarial. As melhores empresas para trabalhar são também frequentemente aquelas que obtêm maiores índices de produtividade. Infelizmente, enquanto existirem "tubarões" como Cuban por aí, a mentalidade feudal não desaparecerá.

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"Gorduras do Estado" (103)

por Pedro Correia, em 23.10.14

Nos últimos 12 meses, o Banco de Portugal adquiriu 11 BMW7 Mercedes2 Lexus e 1 Volkswagen Sharan.  

(Fonte: Má Despesa Pública)

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Ó gentis guerrilheiros do ISIS,

por Rui Rocha, em 23.10.14

se acaso tiver chegado aos vossos ouvidos, que Alá os proteja assim sensíveis aos sons como são, que o nosso ministro Rui Machete declarou que algumas das jovens portuguesas que vos acompanham pretendem regressar, assim pondo a respectiva segurança em inconcebível perigo, rogo-vos que não deis crédito a tais notícias. Sabei, ó emissários de Alá e intérpretes da sua vontade, que o nosso ministro é um rematado palerma e que Alá lhe concedeu aparentemente dois dedos de testa, mas nada mais desses dois dedos para dentro. Assim, permanecei serenos e amigáveis com as ditas jovens a quem permitis a suprema dádiva de partilhar as vossas vidas escolhidas. Não lhes deis, a graça de Alá permita que estas minhas palavras cheguem aos vossos ouvidos, assim sensíveis como são, nenhuma carga de porrada nem lhes corteis nada que lhes faça falta. Acreditai, até que as jovens escolhidas possam pôr-se ao fresco, assim o nosso apalermado ministro se cale por uns dias, que não desejam elas outra coisa que permancer ao vosso lado, bem sabendo que Alá não tem outra vontade, e assim esta se faça.

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Relatório de um agente espacial

por Luís Naves, em 23.10.14

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Como sabem, o conselho galáctico encarregou-me de analisar a situação no território do planeta Terra conhecido como Portugal. A bordo da minha nave, e na companhia da minha assistente Barbarela (no espaço as noites são frias e longas) atravessei os confins do cosmos e cheguei esta semana ao vosso belo e tranquilo país, que tanto tem para ensinar aos restantes povos do universo. Quase comovido, assisti ao belo costume de atribuir doutoramentos honoris causa aos gestores que afundam as suas empresas. É uma notável tradição que apenas enobrece a academia e lembrei-me que no meu planeta, Urano, também existia esta prática saudável: o meu avô era gestor de uma fábrica de Zeutrões e foi vítima de um súbito short selling que o levou à falência, tendo por isso recebido um doutoramento honoris causa que muito honra a nossa família. Foi aliás devido a estes incidentes que tive de me alistar na frota galáctica e estava no outro dia a comentar com a minha assistente Barbarela que as noites espaciais são frias e escuras, mas ela disse que estava ocupada a evitar uma ejecção de massa coronal e ficou a mexer nos botões e nos computadores, em vez de seguir a minha inteligente conversa.

 

 

 

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Relatividade

por Francisca Prieto, em 23.10.14

Mediante a pouca vergonha do que se vê por aí, eu e Einestein estamos no mesmo comprimento de onda.

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.10.14

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Lusitano Fado, de Luís Corredoura

Romance

(edição Marcador, 2014)

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As canções do século (1757)

por Pedro Correia, em 23.10.14

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A História na primeira pessoa

por Pedro Correia, em 22.10.14

Katherine Graham, proprietária do Washington Post, e Ben Bradlee, que dirigiu o jornal durante dez mil dias. Ambos permaneceram imunes às pressões da Casa Branca durante o caso Watergate

 

Editam-se em Portugal cerca de mil livros por mês. Nada mau, para um país com tão poucos hábitos de leitura. Mas continuo a espantar-me com a ausência de títulos importantes no nosso mercado editorial. Talvez o livro que hoje mais gostasse de ver com edição portuguesa fosse a autobiografia de Ben Bradlee. Sabem quem é? Esse mesmo: o jornalista que transformou o Washington Post num dos jornais mais célebres à escala planetária. Fala-se muito em Bob Woodward e Carl Bernstein, os repórteres que revelaram ao mundo todas as implicações do caso Watergate. Fala-se muito menos em Bradlee, que na altura dirigia o Washington Post, então uma espécie de parente pobre na alta roda da imprensa norte-americana, sempre à sombra do poderoso rival New York Times. Mas nenhum dos artigos de Woodward e Bernstein (a dupla que ele baptizou de “Woodstein”, nos longos serões de trabalho no jornal durante a revelação do escândalo que conduziria à demissão do presidente Nixon) teria sido possível sem a firmeza de Bradlee, que lhes deu destaque em sucessivas manchetes. Contra todas as pressões do poder político.
 

A Good Life, de Ben Bradlee, que li na versão espanhola – editada pela casa editorial do diário El País, sob o título La Vida de un Periodista - é uma extraordinária lição de jornalismo escrita por este homem nascido em 1922, combatente na II Guerra Mundial e velho tarimbeiro das redacções. Começou pela melhor escola americana, no jornalismo de província, e teve um percurso fulgurante, que o levou a chefe da delegação da revista Newsweek em Paris, correspondente de guerra na Argélia e no Suez, e enfim a Washington, onde passou a dirigir o Post em 1962. A curta distância da Casa Branca, onde então pontificava John Kennedy, seu amigo pessoal.
Bradlee relata-nos a odisseia do relançamento do Post, que à época era apenas o terceiro jornal mais vendido na capital americana. Ele arejou o grafismo, destacou a imagem, criou um suplemento chamado Style, que dava prioridade ao lazer, valorizou o espaço de opinião, criou um provedor de leitores (em 1969!) e deu um novo impulso à reportagem. Bastando-lhe adoptar como lema a velha lição que recebera da professora da instrução primária: “O melhor possível hoje, melhor ainda amanhã.”
A qualidade foi sempre um objectivo a atingir. “A detecção de talentos nunca cessa num periódico”, afirma Bradlee, então “decidido a que cada jornalista fosse o melhor da cidade no seu ramo de actividade”. Este foi um dos segredos do sucesso do jornal, a par das normas de exigência postas em vigor. O Post deixou de usar a ambígua expressão “segundo as nossas fontes”, instituiu a norma da verificação dos factos junto de duas fontes autónomas e recomendou aos seus repórteres que nunca esquecessem o sábio preceito de Camus, que também foi jornalista: “Não existe a verdade. Só existem verdades.”
 
La Vida de un Periodista dá-nos retratos deliciosos de jornalistas. Howard Simons, director-adjunto do Post, que cunhou a expressão SMERSH para designar a secção dedicada a estes temas (segue em inglês para se entender melhor): Science, Medicine, Education, Religion & All That Shit. Art Buchwald, o incomparável humorista. Jim Truitt, que permaneceu 47 horas sentado à máquina de escrever, produzindo uma lista com mais de mil sugestões no dia em que Bradlee protestava contra a “falta de ideias” na redacção. E, obviamente, a dupla “Woodstein”: Watergate nunca teria sido o que foi sem a “destreza e persistência” destes repórteres, que transformaram este velho ofício num mito: nos anos 70 e 80, o jornalismo tornou-se a profissão mais cobiçada do planeta.
Bradlee permaneceu dez mil dias à frente do Post. Saiu em 1991, sob uma ovação imensa dos jornalistas, retirando-se para a sua propriedade rural, onde redigiu este livro, lançado em 1995. Sob a sua liderança, o diário ganhou 18 prémios Pulitzer e firmou-se como um dos grandes títulos mundiais, conquistando uma sólida reputação de independência – o melhor certificado de nobreza de qualquer jornal. A good life indeed.
 
Reedito este texto em homenagem a Ben Bradlee, ontem falecido em Washington, aos 93 anos

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Profetas da nossa terra (57)

por Pedro Correia, em 22.10.14

«Isto deixou de ser um Governo do PSD, com o CDS como segundo partido, para ser um Governo Paulo Portas-CDS com o PSD acessório, absolutamente acessório.»

António Capucho, 24 de Julho de 2013

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.10.14

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No Café da Juventude Perdida, de Patrick Modiano

Tradução de Isabel St. Aubyn

Romance

(edição Asa, 2ª ed, 2014)

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As canções do século (1756)

por Pedro Correia, em 22.10.14

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Foi um azar: a revolução cultural passou ao lado

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.10.14

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(Pedro Nunes, Lusa)

 

“Acertei quando o escolhi para ministro da Educação.”

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A ironia das cegonhas

por Rui Rocha, em 21.10.14

Sempre desconfiei que fosse assim. Aquele bico improvável, o corpo desengonçado, o olhar quase triste, a indiferença com que aparentemente escolhem a torre de uma igreja ou um poste de distribuição de energia para nidificarem não permitiam grandes dúvidas. Agora, em todo o caso, confirma-se. As cegonhas assistem ao mundo com um profundo sentido de ironia. O jornalista esmiuça a questão. Traz análises e variáveis. O facto aí está: os ninhos de cegonha-branca aumentaram em Portugal mais de 50% nos últimos dez anos. O jornalista explora as razões que estão na origem do fenómeno. Será o esforço legislativo de protecção das aves, a actividade das associações ambientalistas, a eventual existência de um visto gold para plumíferos, quem sabe, o carinho das populações, que justifica esta evolução? Afinal não. A realidade é um bocadinho mais prosaica. Há mais ninhos porque as chegonhas-brancas já não fazem a migração sazonal para outras paragens. Já não morrem na viagem. E ficam porque há mais lixo. Em lixeiras ou em aterros. E porque há uma praga de lagostins vermelhos. Porque entre umas coisas e outras há mais alimento. Isto é o que nos diz o jornalista. E com isto já teríamos, na verdade, ironia bastante. E ironia teríamos também no facto de as cegonhas ficarem agora que tantos portugueses acabam por partir. Mas creio que a coisa pia ainda mais fino. Ao jornalista escapou o essencial. Faltou ao trabalho jornalístico o cruzamento dos números da proliferação de ninhos de cegonha com os da natalidade humana destas paragens. A ironia suprema está nisso. As cegonhas brancas deixaram de migrar porque já não encontram trabalho na carreira Portugal-Paris onde iam, periodicamente, buscar os nossos bebés.

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Os "colaboradores" do Estado

por Teresa Ribeiro, em 21.10.14

Enquanto consumidores já todos percebemos que a idade da inocência passou e que aos balcões de atendimento público das mais variadas organizações o que encontramos são "colaboradores" cujo rendimento varia conforme as metas atingidas - nomeadamente ao nível de vendas - e que são pagos para defender os interesses da empresa que representam e não os dos clientes. Hoje em dia confiar num mediador de seguros ou num gestor de conta é tão arriscado como ir na conversa de um vendedor de pacotes de telecomunicações.

Podemos não gostar desta cultura que se instalou, mas reconhecemos que às empresas privadas lhes assiste o direito de operarem no mercado segundo as suas próprias regras, desde que não excedam limites legais. 

O que surpreende é verificar que o l'air du temps também foi impregnando os serviços do Estado, à medida que nos balcões de atendimento público foram substituindo funcionários por pessoal precário formado à pressão, sem conhecimentos adequados para prestar um bom serviço à comunidade. Nestes centros de atendimento ainda não há gente a vender por objectivos, mas quem sabe ainda lá chegaremos. O resto, ou seja a preocupação em cumprir níveis de "eficiência" como o tempo dispensado a cada utente e a incapacidade para resolver algo que ultrapasse meras questões formais, configura a nóvel cultura do "não estou aqui para te ajudar, estou aqui a zelar pelos meus níveis de produtividade".

Se em sectores mais sensíveis como a banca e os seguros faz sentido discutir os efeitos da agressividade comercial na degradação da relação de confiança com os clientes, nos serviços do Estado, onde supostamente o lema é "servir", tal discussão nem deveria ter razão de ser. Mas onde no sector privado é a concorrência feroz que dita as regras, no público a "racionalização de serviços" deve ser o que está por detrás desta "mudança de paradigma". Não se entende é porque em nome da racionalização não se pode apostar na eficiência, trazendo dos gabinetes para os balcões pessoal qualificado em vez de pescar nos centros de emprego gente impreparada cuja principal função é alindar as estatísticas do trabalho.

Há dias no Instituto de Seguros de Portugal quem me atendeu não foi capaz de me ajudar numa questão que depois um amigo, que é profissional de seguros, esclareceu em poucos minutos. Das "entrevistas personalizadas" na Segurança Social - e já fui a várias - nunca saio com os assuntos tratados, servindo as meninas que me atendem apenas como receptáculo de documentos, que depois seguem os trâmites burocráticos normais. 

Mais grave foi o que aconteceu a um pensionista meu conhecido. Ao balcão da Segurança Social de Entre-Campos uma "colaboradora" informou-o de que "é impossível requerer a reavaliação do grau de incapacidade nas reformas por invalidez". Dias depois, noutro balcão, disseram-lhe que tal não só é possível, como implica benefícios importantes nas taxas de juro de crédito bancário e em despesas várias.

Qual das informações está certa? Vai ter de investigar, com tempo e paciência, pois trata-se de um "detalhe" que tem reflexos importantes no seu orçamento familiar. Pode admitir-se este nível de incompetência  num serviço tão sensível como a Segurança Social? Não devia esta gente, que põe o atendimento nas mãos de pessoal estranho ao serviço e o vende como uma mais valia para o cidadão, ser responsabilizada pelo embuste?

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Profetas da nossa terra (56)

por Pedro Correia, em 21.10.14

«Entre os muitos filmes que produzi, este filme [Nuit de Chien, de Werner Schroeter] será o que ficará na história do cinema.»

Paulo Branco, 3 de Setembro de 2008

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.10.14

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A Retirada dos Dez Mil, de Xenofonte

Tradução e prefácio de Aquilino Ribeiro

Introdução de Mário de Carvalho

Relato histórico

(edição Bertrand, 2014)

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Eu se fosse aos tipos agora é que não saía da rua

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.10.14

scmp_29jan14_ns_cy5_40622477.jpg"Democracy would see poor people dominate Hong Kong vote" - C. Y. Leung

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As canções do século (1755)

por Pedro Correia, em 21.10.14

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A corda cada vez mais esticada

por Pedro Correia, em 20.10.14

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O cenário está longe de ser brilhante. A Europa em risco de enfrentar a terceira recessão desde 2008, a Grécia às portas de outra intervenção financeira externa de emergência, italianos e franceses incapazes de cumprir as metas do Tratado Orçamental que dita as condições de sobrevivência do euro, perspectivas de estagnação da economia da Alemanha (principal parceira económica de Espanha, por sua vez principal parceira económica de Portugal).

Enquanto isto acontece, PSD e CDS enfrentam-se irresponsavelmente por interpostas notícias de jornal a ver quem estica mais a corda antes de rebentar, deixando antever uma coligação em estado pré-comatoso. O assunto do momento é qual dos partidos poderá beneficiar mais com os efeitos mediáticos de umas quantas migalhas fiscais, invocadas sem sombra de pudor ao fim de quase quatro anos de sacrifícios colectivos. Isto enquanto a esquerda mais extrema persegue sem fadiga a quadratura do círculo, exigindo em simultâneo o reforço das prestações sociais e a redução de impostos.

Tudo isto se desenrola na espuma dos dias como se o monstro da dívida pública não permanecesse incontrolado. Como se a despesa do Estado não cessasse de aumentar. Como se houvesse petróleo ao largo das Berlengas. Como se jogássemos uma tranquila partida de xadrez na Bizâncio sitiada.

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Profetas da nossa terra (55)

por Pedro Correia, em 20.10.14

«Só muito dificilmente o F. C. Porto não ganhará [o jogo contra o Sporting, em que perdeu 1-3]. Porque é melhor que o Sporting.»

Pedro Marques Lopes, 17 de Outubro de 2014

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 20.10.14

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 O Homem que era Salazar

Parábola do Portugal contemporâneo

(edição Planeta, 2014)

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As canções do século (1754)

por Pedro Correia, em 20.10.14

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Fotografias tiradas por aí (196)

por José António Abreu, em 19.10.14

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Matosinhos, 2014.

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Postais de Portugal

por Pedro Correia, em 19.10.14

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 "Pelo Tejo vai-se para o Mundo" (Alberto Caeiro)

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How to get away with murder

por Patrícia Reis, em 19.10.14

 

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Elas na TV

por Patrícia Reis, em 19.10.14

Há cerca de dez anos, era comum lerem-se entrevistas a actrizes norte-americanas sobre a falta de papéis interessantes. Hoje, as actrizes têm papéis interessantes e estão a mudar a face de uma certa forma de se fazer televisão. Há dez anos, fazer televisão não era considerado prestigiante. Hoje, é um caminho.

Shonda Rimes (produtora) é uma das protagonistas da mudança. Começou com a Anatomia de Grey (o nome deriva do apelido da personagem que faz voz off e conta a história, Meredith Grey, interpretada por Ellen Pompeo), depois Scandall (com Olivia Pope - a actriz Keira Washington - a dar cartas no mundo da política e da espionagem) e agora surge com How to get away with murder ( Viola Davis a fazer de Annalise Keating, advogada e professora). Além destas séries, podemos ainda ver (abençoado cabo e internet) Madam Secretary (Tea Leoni na Casa Branca, Bess McCord) e Segurança Nacional (Claire Danes a fazer de Carrie Mathison e a lutar na CIA para que o mundo seja mais... qualquer coisa).

O mais pertinente não será entrar na discussão sobre o género, será reconhecer que é possível entregar a actrizes, produtoras, guionistas, todas com com enorme qualidade, séries de televisão que conseguem ter boa audiência e que reflectem o mundo na perspectiva das mulheres. Os maridos (personagens!) podem, ou não, sentir-se ameaçados com o poder que as mulheres têm; os filhos podem compreender ou nem por isso; os receios e as expectativas não são menores por serem personagens mulheres. As personagens prinicipais, mulheres, têm poder, são más, são boas, são interessantes. E a televisão, de acordo com os homens cá da casa, torna-se mais apelativa.

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Blogue da semana.

por Luís Menezes Leitão, em 19.10.14

Há muito tempo que acompanho regularmente um blogue que associa uma crítica política demolidora a um enorme sentido de humor, temperado pela beleza das imagens fotográficas que frequentemente exibe. O jumento é por isso o blogue da semana.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 19.10.14

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A Virgem, de Tempestade Celestino

Romance

(edição Guerra & Paz, 2014)

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As canções do século (1753)

por Pedro Correia, em 19.10.14

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SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

por Patrícia Reis, em 18.10.14

 

Neste dia de mar e nevoeiro
É tão próximo o teu rosto

São os longos horizontes
Os ritmos soltos dos ventos
E aquelas aves
Que desde o princípio das estações
Fizeram ninhos e emigraram
Para que num dia inverso tu as visses

Aquelas aves que tinham
uma memória eterna do teu rosto
E voam sempre dentro do teu sonho
Como se o teu olhar as sustentasse

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Incredulidade

por Rui Rocha, em 18.10.14

O que fazia o Deportivo de Oporto numa eliminatória da Taça de Portugal?

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A sociedade portuguesa mudou, mas o sistema político, como um pesado dinossauro, parece incapaz de se adaptar. A direita está meio perplexa com as sondagens que dão o PS perto da maioria absoluta. Se as eleições fossem agora, tudo indica que António Costa, que tenta reconstruir o PS de 2010, atrairia suficientes votos na esquerda e no centro para vencer com margem folgada. Existem duas explicações possíveis para o fenómeno: o profundo descontentamento da população e a ilusão de que é possível regressar ao tempo anterior ao resgate. O governo está de tal forma desacreditado, que os próximos meses serão de agonia lenta, por isso seria lógico realizar eleições em Abril ou Maio, como pedem muitos comentadores, pois esperar até Outubro só prejudica o País.

Se chegarem ao poder, os socialistas tentarão adiar qualquer reforma impopular, mas com escassa margem de manobra e ainda menos tolerância europeia. O maior risco que correm é o de perderem a credibilidade externa e o acesso aos mercados financeiros, o que podia resultar no segundo resgate ou até no abandono da zona euro. A extrema-esquerda alternativa fracassou: o Bloco não se distingue do PCP e ninguém vota em imitações. O Livre será devorado ainda no ovo. Os populistas continuam a ser uma incógnita, pois as recentes sondagens não indicam qual o impacto eleitoral de Marinho e Pinto, embora sublinhem a sua popularidade.

A direita, agora limitada a um em cada três votos, prepara-se para uma penosa travessia do deserto. Os sociais-democratas que passaram o tempo a arrasar o governo não poderão reclamar qualquer herança e, por isso, nada têm para oferecer. A sua oposição será fragmentada e difícil. Durante três anos, o actual poder dedicou-se a erros de comunicação infantis e consentiu que a praça pública fosse ocupada pelos interesses especiais que a troika excluiu da divisão orçamental. A coligação fracassou, pois PSD e CDS nunca se entenderam e muitas reformas que ficam por fazer (RTP, autarquias, arrendamento, pensões) falharam devido a contradições internas. O PSD tem feridas insuperáveis, ódios que, mais tarde ou mais cedo, darão origem a uma purga ou à divisão permanente deste partido. Durante a grande crise houve uma cronologia de pré-falência, resgate, protectorado, austeridade, desistência, pântano e inicia-se provavelmente um novo ciclo de delírio, que pode ser longo ou curto, dependendo da dimensão das miragens que nos forem apresentadas.

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