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As canções do século (1969)

por Pedro Correia, em 23.05.15

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Não pretendo arrefecer o vosso entusiasmo

por Rui Rocha, em 22.05.15

Mas lá que a proposta de Pais do Amaral para comprar a TAP tinha mais detalhe do que o projecto de programa eleitoral com que o PS  se apresenta para governar o país, lá isso tinha.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 22.05.15

«Há dias li que o Acordo Ortográfico tinha passado a ser obrigatório. Assim, de um momento para o outro, passados anos de resistência de tantas pessoas na sociedade portuguesa. Escrevi bastante sobre este tema e a partir de uma certa altura deixei de escrever, não por ter mudado de ideias, mas porque passei a fazer exactamente aquilo que queria, indiferente aos acontecimentos. Em Portugal pratica-se pouco a desobediência silenciosa e há uma tendência para preferir a queixa activa e permanente, que dá muito mais trabalho. A partir de certa altura, como é aliás tão feminino, desliguei. Para mim, o Acordo Ortográfico não existe. Não o quero, não o compreendo e não o sigo. É uma teimosia imposta por quem quer impor à força regras de escrita inúteis, que ainda por cima só trazem confusão e mais erros de português. O que me acontece se continuar a escrever Setembro com maiúscula? Serei multada? Enviem a multa para casa com a referência Multibanco.»

 

Carla Hilário Quevedo, na revista Tabu (do semanário Sol)

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Grécia antiga (8)

por Pedro Correia, em 22.05.15

«Esta mudança, embora esperada, mostra que estamos perto de uma viragem de política. A Europa já começou a reconhecer que a austeridade foi excessiva e que é necessário um travão, apesar de vir tarde e ser ainda curto, sobretudo para os países resgatados. O resultado das eleições gregas foi consequência deste tipo de ajustamento imposto, quem fez a campanha eleitoral, no fundo, foi a troika. (...) Fico feliz por este sinal de alerta ter chegado, espero que a Europa o saiba interpretar.»

Elisa Ferreira, no Jornal de Notícias (25 de Janeiro de 2015)

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Presidenciáveis (53)

por Pedro Correia, em 22.05.15

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 Luís Figo

 

Agora que anunciou o fim da corrida à presidência da FIFA, a uma escassa semana de ir a votos, aquele que foi considerado o melhor futebolista do mundo em 2001 - hoje um empresário de sucesso, ao que rezam as crónicas mundanas - poderia fazer uma ligeira inflexão de rota, candidatando-se a Belém. Numa finta de corpo igual àquelas que tantas vezes exibiu em campo, para alegria dos adeptos em Portugal, Itália e Espanha.

Desporto e política não se misturam? Isso é paleio de quem recusa encarar a realidade. O próprio Luís Figo demonstra o contrário: a carreira política dele começou aliás num fotografadíssimo pequeno-almoço num hotel à beira-Tejo, a dois dias das legislativas de 2009. Apareceu ao lado de José Sócrates nesse evento, que terá custado uma pequena fortuna aos cofres socialistas. Pelo menos da fama de pesetero o craque não se livrou...

O jogador que deu os primeiros toques na bola no modesto Pastilhas - agremiação de bairro da Cova da Piedade - e teve formação de excelência no Sporting, onde venceu uma Taça de Portugal, é mais persuasivo no relvado do que fora deles: Sócrates perdeu aquela eleição. Mas aos 42 anos este nativo de Escorpião está muito a tempo de experimentar a política, desta vez não como apoiante mas como protagonista. Muitos antes dele fizeram o mesmo: Pelé foi ministro do Desporto, Romário é senador federal,  George Weah candidatou-se a Presidente da Libéria.

Não teria hipóteses de ganhar? Muitas vezes a política é tão redonda como uma bola. E os melhores prognósticos fazem-se sempre no fim.

 

Prós - Habituou-se muito cedo a superar desafios: aos 18 anos sagrou-se campeão mundial de sub-20, no campeonato de 1991, disputado em Portugal. Morar num palácio com vista para o Tejo lembrar-lhe-ia um dos melhores negócios da sua carreira pós-futebol: os 750 mil euros recebidos do Taguspark por uns vídeos destinados à promoção do parque tecnológico de Oeiras. Helen Svedin, como primeira dama, daria o maior contributo ao estreitamento das relações luso-suecas desde a instalação da Ikea em Portugal.

 

Contras - Ameaçava bater Blatter, mas o remate saiu-lhe ao lado. Tendo sido um jogador manifestamente destro, suscitaria poucas simpatias no espectro ideológico situado mais à esquerda. "Sócrates é uma pessoa séria, honesta e profissional", declarou Figo na campanha eleitoral de 2009 sem aludir ao filósofo grego nem ao avançado brasileiro que se celebrizou no Mundial de 1982.

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Os apoios de Sampaio de Nóvoa.

por Luís Menezes Leitão, em 22.05.15

Há um sintoma preocupante que atinge os políticos portugueses de esquerda, principalmente a partir dos 75 anos de idade: uma tendência irresistível para o apoio a Sampaio da Nóvoa. Quem pode resistir afinal a um candidato que lhes recorda as suas maiores paixões da juventude, a luta intransigente pelos gloriosos amanhãs que cantam? Quem pode resistir a um candidato que participou na LUAR, nas comissões de moradores e de trabalhadores, e que fundou o glorioso movimento do TMUPA, Trabalhadores Moradores Unidos para as Autarquias, que arrasou tudo e todos nas eleições para a Assembleia de Freguesia da Parede em 1976? Quem pode resistir a um candidato que considera abominável o "arco da governação", porque logo à partida exclui 20% dos portugueses, que deveriam naturalmente ser a vanguarda da classe operária?  É por isso que, como Presidente, se propõe fazer consensos em torno de projectos, que é de todas as coisas a que faz melhor. Mas desde que não seja ao centro, que essa amálgama do centro é uma coisa muito irritante em Portugal. Nóvoa nem sequer está muito preocupado com a estabilidade governativa, admitindo dar posse a um governo minoritário (se calhar dos tais 20%…), já que para ele estabilidade não é ficar tudo na mesma. Por isso também não quer um governo de bloco central, já que o seu ponto de partida é a crítica às políticas de austeridade. Este discurso recorda-me Vasco Gonçalves, o saudoso companheiro Vasco, que após as eleições de Abril de 1975 garantiu que não podia permitir que fossem perdidas nas urnas as conquistas revolucionárias tão duramente obtidas pelo povo português.

 

Os apoios de Sampaio da Nóvoa são inteiramente justificados. Da mesma forma que o candidato considera aqueles momentos dos anos revolucionários os mais importantes da sua vida, quando tinha a sensação de que tudo era possível, os seus apoiantes aspiram também pelo regresso a esses tempos heróicos. Se calhar também já estou afectado pelos discursos de Sampaio da Nóvoa, pois só recordo a propósito uma citação do poema de Casimiro de Abreu, As Primaveras, de 1859: "Oh! que saudades que eu tenho/ Da aurora da minha vida/ Da minha infância querida/ Que os anos não trazem mais!/ Que amor, que sonhos, que flores/ Naquelas tardes fagueiras/ À sombra das bananeiras/ Debaixo dos laranjais!". Mas o problema é que Sampaio de Nóvoa também defende a não assinatura do Acordo de Parceria Transatlântica para o Comércio, um referendo aos tratados europeus e a renegociação da dívida até ao limite do possível. Parece-me por isso que ele e os seus apoiantes vão ter um duro choque com a realidade. Tão duro que provavelmente acabarão mas é a cantar o Que reste t'il de nos amours?, de Charles Trenet.

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só isso

por Patrícia Reis, em 22.05.15

Sim, a mulher concordou, a vida é só isso. A personagem do filme interrogava-se e ela nem por isso, o filme era uma treta, a vida era o que era. Só isso? Pois, só isso. A ignorância era uma bênção, tinham-lhe garantido. O "só isso" era uma forma assertiva de manter a ignorância. A ver se a dor se afasta.

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Carlos Drummond de Andrade

por Patrícia Reis, em 22.05.15

A MESA

E não gostavas de festa. . .
Ó velho, que festa grande
hoje te faria a gente.
E teus filhos que não bebem
e o que gosta de beber,
em torno da mesa larga,
largavam as tristes dietas,
esqueciam seus tricotes,
e tudo era farra honesta
acabando em confidência.

Ai, velho, ouvirias coisas
de arrepiar teus noventa.
E daí, não te assustávamos,
porque, com riso na boca,
e a média galinha, o vinho
português de boa pinta,
e mais o que alguém faria
de mil coisas naturais
e fartamente poria
em mil terrinas da China,
já logo te insinuávamos
que era tudo brincadeira.

Pois sim. Teu olho cansado,
mas afeito a ler no campo
uma lonjura de léguas,
e na lonjura uma rês
perdida no azul azul,
entrava-nos alma adentro
e via essa lama podre
e com pesar nos fitava
e com ira amaldiçoava
e com doçura perdoava
(perdoar é rito de pais,
quando não seja de amantes).
E, pois, tudo nos perdoando,
por dentro te regalavas
de ter filhos assim. . . Puxa,
grandessíssimos safados,
me saíram bem melhor
que as encomendas. De resto,
filho de peixe. . . Calavas,
com agudo sobrecenho
interrogavas em ti
uma lembrança saudosa
e não de todo remota
e rindo por dentro e vendo
que lançaras uma ponte
dos passos loucos do avô
à incontinência dos netos,
sabendo que toda carne
aspira à degradação,
mas numa via de fogo
e sob um arco sexual,
tossias. Hem, nem, meninos,
não sejam bobos. Meninos?
Uns marmanjos cinqüentões,
calvos, vívidos, usados,
mas resguardando no peito
essa alvura de garoto,
essa fuga para o mato,
essa gula defendida
e o desejo muito simples
de pedir à mãe que cosa,
mais do que nossa camisa,
nossa alma frouxa, rasgada. . .

Ai, grande jantar mineiro
que seria esse. . . Comíamos,
e comer abria fome,
e comida era pretexto.
E nem mesmo precisávamos
ter apetite, que as coisas
deixavam-se espostejar,
e amanhã é que eram elas.
Nunca desdenhe o tutu.
Vá lá mais um torresminho.
E quanto ao peru? Farofa
há de ser acompanhada
de uma boa cachacínha,
não desfazendo em cerveja,
essa grande camarada.
ind’outro dia. . . Comer
guarda tamanha importância
que só o prato revele
o melhor, o mais humano
dos seres em sua treva?
Beber é pois tão sagrado
que só bebido meu mano
me desata seu queixume,
abrindo-me sua palma?
Sorver, papar: que comida
mais cheirosa, mais profunda
no seu tronco luso-árabe,
que a todos nos une em um
que a todos nos une em um
tal centímano glutão,
parlapatão e bonzão!

E nem falta a irmã que foi
mais cedo que os outros e era
rosa de nome e nascera
em dia tal como o de hoje
para enfeitar tua data.
Seu nome sabe a camélia,
e sendo uma rosa-amélia,
flor muito mais delicada
que qualquer das rosas-rosa,
viveu bem mais do que o nome,
porém no íntimo claustrava
a rosa esparsa. A teu lado,
vê: recobrou-se-lhe o viço.

Aqui sentou-se o mais velho.
Tipo do manso, do sonso,
não servia para padre,
amava casos bandalhos;
depois o tempo fez dele
o que faz de qualquer um;
e à medida que envelhece,
vai estranhamente sendo
retraio teu sem ser tu,
de sorte que se o diviso
de repente, sem anúncio,
és tu que me reapareces
noutro velho de sessenta.

Este outro aqui é doutor,
o bacharel da família,
mas suas letras mais doutas
são as escritas no sangue,
ou sobre a casca das árvores.
Sabe o nome da florzinha
e não esquece o da fruta
mais rara que se prepara
num casamento genético,
Mora nele a nostalgia,
citadino, do ar agreste,
e, camponês, do letrado.
Então vira patriarca.

Mais adiante vês aquele
que de ti herdou a, dura
vontade, o duro estoicismo.
Mas, não quis te repetir.
Achou não valer a pena
reproduzir sobre a terra
o que a terra engolirá.
Amou. E ama. E amará.
Só não quer que seu amor
seja uma prisão de dois,
um contrato, entre bocejos
e quatro pés de chinelo.
Feroz a um breve contato,
à segunda vista, seco,
à terceira vista, lhano,
dir-se-ia que ele tem medo
de ser, fatalmente, humano.
Dir-se-ia que ele tem raiva,
mas que mel transcende a raiva,
e que sábios, ardilosos
recursos de se enganar
quanto a si mesmo: exercita
uma força que não sabe
chamar-se, apenas, bondade.
Esta calou-se. Não quis
manter com palavras novas
o colóquio subterrâneo
que num sussurro percorre
a gente mais desatada.
Calou-se, não te aborreças,
Se tanto assim a querias,
algo nela ainda te quer,
à maneira atravessada
que é própria de nosso jeito.
(Não ser feliz tudo explica.)
Bem sei como são penosos
esses lances de família,
e discutir neste instante
seria matar a festa,
matando-te — não se morre
uma só vez, nem de vez.
Restam sempre muitas vidas
para serem consumidas
na razão dos desencontros
de nosso sangue nos corpos
por onde vai dividido.
Ficam sempre muitas mortes
para serem longamente
reencarnadas noutro morto.

Mas estamos todos vivos.
E mais que vivos, alegres.
Estamos todos como éramos
antes de ser, e ninguém
dirá que ficou faltando
algum dos teus. Por exemplo:
ali ao canto da mesa,
não por humilde, talvez
por ser o rei dos vaidosos
e se pelar por incómodas
posições de tipo gaúche,
ali me vês tu. Que tal?
Fica tranquilo: trabalho.
Afinal, a boa. vida
ficou apenas: a vida
(e nem era assim tão boa
e nem se fez muito má).
Pois ele sou eu. Repara:
tenho todos os defeitos
que não farejei em ti
e nem os tenho que tinhas,
quanto mais as qualidades.
Não importa: sou teu filho
com ser uma negativa
maneira de te afirmar.
Lá que brigamos, brigamos,
opa! que não foi brinquedo,
mas os caminhos do amor,
só amor sabe trilhá-los.
Tão ralo prazer te dei,
nenhum, talvez. . . ou senão,
esperança de prazer,
é, pode ser que te desse
a neutra satisfação
de alguém sentir que seu filho,
de tão inútil, seria
sequer um sujeito ruim.
Não sou um sujeito ruim.
Descansa, se o suspeitavas,
mas não sou lá essas coisas.
Alguns afetos recortam
o meu coração chateado.
Se me chateio? demais.
Esse é meu mal. Não herdei
de ti essa balda. Bem,
não me olhes tão longo tempo,
que há muitos a ver ainda.

Há oito. E todos minúsculos,
todos frustrados. Que flora
mais triste fomos achar
para ornamento de mesa!
Qual nada. De tão remotos,
de tão puros e esquecidos
no chão que suga e transforma,
são anjos. Que luminosos!
que raios de amor radiam,
e em meio a vagos cristais,
o cristal deles retine,
reverbera a própria sombra.
São anjos que se dignaram
participar do banquete,
alisar o tamborete,
viver vida de menino.
São anjos. E mal sabias
que um mortal devolve a Deus
algo de sua divina
substância aérea e sensível,
se tem um filho e se o perde.
Conta: quatorze na mesa.
Ou trinta? serão cinquenta,
que sei? se chegam mais outros,
uma carne cada dia
multiplicada, cruzada
a outras carnes de amor.
São cinquenta pecadores,
se pecado é ter nascido
e provar, entre pecados,
os que nos foram legados.

A procissão de teus netos,
alongando-se em bisnetos,
veio pedir tua bênção
e comer de teu jantar.
Repara um pouquinho nesta,
no queixo, no olhar, no gesto,
e na consciência profunda
e na graça menineira,
e dize, depois de tudo,
se não é, entre meus erros,
uma imprevista verdade.
Esta é minha explicação,
meu verso melhor ou único,
meu tudo enchendo meu nada.

Agora a mesa repleta
está maior do que a casa.
Falamos de boca cheia,
xingamo-nos mutuamente,
rimos, ai, de arrebentar,
esquecemos o respeito
terrível, inibidor,
e toda a alegria nossa,
ressecada em tantos negros
bródios comemorativos
(não convém lembrar agora),
os gestos acumulados
de efusão fraterna, atados
(não convém lembrar agora),
as fína-e-meigas palavras
que ditas naquele tempo ,
teriam mudado a vida
(não convém mudar agora),
vem tudo à mesa e se espalha
qual inédita vitualha.

Oh que ceia mais celeste
e que gozo mais do chão!
Quem preparou? que inconteste
vocação de sacrifício
pôs a mesa, teve os filhos?
quem se apagou? quem pagou
a pena deste trabalho?
Quem foi a mão invisível
que traçou este arabesco
de flor em torno ao pudim,
como se traça uma auréola?
quem tem auréola? quem não
a tem, pois que, sendo de ouro,
cuida logo em reparti-la,
e se pensa melhor faz?
quem senta do lado esquerdo,
assim curvada? que branca,
mas que branca mais que branca
tarja de cabelos brancos
retira a cor das laranjas,
anula o pó do café,
cassa o brilho aos serafins?
quem é toda luz e é branca?
Decerto não pressentias
como o branco pode ser
uma tinta mais diversa
da mesma brancura. . . Alvura
elaborada na ausência
de ti, mas ficou perfeita.
concreta, fria, lunar.
Como pode nossa festa
ser de um só que não de dois?
Os dois ora estais reunidos
numa aliança bem maior
que o simples elo da terra.
Estais juntos nesta mesa
de madeira mais de lei
que qualquer lei da república.
Estais acima de nós,
acima deste jantar
para o qual vos convocamos
por muito — enfim — vos querermos
e, amando, nos iludirmos
junto da mesa
vazia.

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 22.05.15

Quando ela te perguntar se aquela camisola lhe fica bem, faz-te de morto. Pode ser a única forma de sobreviveres.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.05.15

 

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Tolstoi ou Dostoievski, de George Steiner

Tradução de Jorge Vaz de Carvalho

Ensaio literário

(edição Relógio d'Água, 2015)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 22.05.15

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Hiba Abouk

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As canções do século (1968)

por Pedro Correia, em 22.05.15

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 22.05.15

Ao Mil-Hafre.

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Sobre o que nos move

por Joana Nave, em 21.05.15

Passam séculos, décadas, anos, semestres, meses, dias, horas, minutos, segundos... O tempo passa por nós e é como areia que se desvanece entre os dedos. Toca-nos ao de leve e escapa-se logo de seguida. Não temos tempo para uma série de coisas e, principalmente, para as que nos fazem mais felizes. A correria desenfreada em que nos movemos cansa-nos, agasta-nos, corrói-nos e envelhece. É pois mais do que natural que haja cada vez mais pessoas deprimidas e infelizes, pois passam mais de metade das suas vidas a desempenhar tarefas que não lhes trazem qualquer sentimento de prazer.

Claro que não podemos passar a vida a lamentar-nos, a criticar o Estado, os chefes e a má sorte de não termos nascido ricos. Temos acima de tudo de encontrar aquilo que nos move, o que nos faz acordar a cada dia com vontade de viver, ser mais, aprender e ensinar. Depois de encontrarmos esse bem precioso que é a motivação, resta-nos serenar. Enfrentar as obrigações diárias como deveres necessários para alcançar os nossos objectivos. Como dizem, nada de grande foi ou jamais será realizado sem esforço. Se soubermos qual é a meta, todos conseguiremos lá chegar. Uns mais depressa, outros mais devagar, mas com a certeza de que todos temos a nossa oportunidade.

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Calvin and Hobbes (9)

por Joana Nave, em 21.05.15

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Contra mim falo, mas ser minimalista é o melhor remédio para prevenir a catástrofe. Somos apenas o nosso corpo e a nossa alma, tudo o resto passa...

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Frases de 2015 (19)

por Pedro Correia, em 21.05.15

«Eu estou aqui a defender exactamente os mesmos princípios e as mesmas políticas que defendia há quatro anos.»

Ferro Rodrigues, líder parlamentar do PS, no debate de ontem em São Bento

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domingo, 31 de janeiro de 2010

CHARLES BAUDELAIRE - ABSINTO E FLORES DO MAL


Hymne à la Beauté

Viens-tu du ciel profond ou sors-tu de l’abîme,
O Beauté? Ton regard, infernal et divin,
Verse confusément le bienfait et le crime,
Et l’on peut pour cela te comparer au vin.

Tu contiens dans ton oeil le couchant et l’aurore;
Tu répands des parfums comme un soir oraguex;
Tes baisers sont un philtre et ta bouche une amphore
Qui font le héros lâche et l’enfant courageux.

Sors-tu du gouffre noir ou descends-tu des astres?
Le Destin charme suit tes jupons comme un chien;
Tu sèmes au hasard la joie et les désastres,
Et tu gouvernes tout et ne réponds de rien.

Tu marches sur des morts, Beauté, dont tu te moques;
De tes bijoux l’Horreur n’est pas le moins charmant,
Et le Meurtre, parmi tes plus chères breloques,
Sur ton ventre orgueilleux danse amoureusement.

L’éphémère ébloui vole vers toi, chandelle,
Crepite, flambe et dit: Bénissons ce flambeau!
L’amoureux pantelant incliné sur belle
A l’air d’un moribond caressant son tombeau.

Que tu viennes du ciel ou de l’enferm qu’importe,
Ô Beauté! Monstre enorme, effrayant, ingénu!
Si ton oeil, ton souris, ton pied, m’ouvrent la porte
D’un Infini que j’aime et n’ai jamais connu?

De Satan ou de Dieu, qu’importe? Ange ou Sirène,
Qu’importe, si tu rends, – fée aux yeux de velours,
Rythme, parfum, lueur, ô mon unique reine! –
L’univers moins hideux et les instants moins lourds?

Hino à Beleza

Virás do céu profundo ou surges do abismo, ´
Beleza? O teu olhar, infernal e divino,
Gera confusamente o crime e o heroísmo,
E podemos, por isso, comparar-te ao vinho.

Conténs no teu olhar o poente e a aurora;
Expandes os teus odores qual noite de trovoada;
Teus beijos são um filtro e uma ânfora, a boca
Tornando o herói covarde e a criança arrojada.

Vens da treva mais negra ou descerás dos astros?
Encantado, o Destino é um cão que te segue;
Semeias ao acaso alegrias, desastres,
E por dominares tudo é que nada te interessa.

Caminhas sobre os mortos, que são o teu gozo;
Das tuas jóias, o Horror é das que mais fascina,
E entre tais enfeites, o próprio Assassínio,
Vai dançando feliz no teu ventre orgulhoso.

O inseto, deslumbrado, procura-te a chama,
Arde crepita e diz: Benzamos esta Luz!
O apaixonado trêmulo, aos pés da sua dama,
Parece um moribundo a afagar o sepulcro.

Mas que venhas do céu ou do inferno, que importa,
Beleza! Monstro ingênuo, assustador, excessivo!
Se o teu olhar, teus pés, teu riso, abrem a porta
De um Infinito que amo e nunca conheci?

De Satanás ou de Deus, que importa? Anjo ou Sereia,
Se tu tornas – ó fada de olhos de veludo,
Ritmo, perfume, luz, ó rainha perfeita! –
Mais leve cada instante e menos feio o mundo?


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Grécia antiga (7)

por Pedro Correia, em 21.05.15

«O habitual cinzentismo europeu deu lugar a um corrupio de sorrisos. Por estes dias, homens bastante tristes, como Jean-Claude Juncker, Martin Shulz, François Hollande e tantos outros, derretem-se perante o informalismo de Tsipras e Varoufakis que não se fica pela ausência da gravata. Há, nestes dois homens, uma genuína vontade de mudar as coisas. Para melhor.»

Leonel Moura, no Jornal de Negócios (6 de Fevereiro de 2015)

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 21.05.15

A vingança já não se serve fria. Agora, emprata-se desconstruída e acompanhada por espuma de mirtilo com gelatina de chalota, hortelã e rúcula.

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Presidenciáveis (52)

por Pedro Correia, em 21.05.15

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José Gomes Ferreira

 

António José de Almeida, um dos políticos mais conceituados dos anos iniciais do regime republicano, exerceu o jornalismo - a tal ponto que em 1911 chegou a fundar o vespertino República, jornal que atravessou todo o período da ditadura como o principal órgão da oposição ao salazarismo e viria a morrer, por amarga ironia, em tempos de liberdade ainda precária. O sequestro pela extrema-esquerda, em 1975, apressou-lhe o fim. E confirmou o seu último director, Raul Rêgo, como um intransigente lutador contra os extremismos de todas as cores - ele que também foi um jornalista seduzido pela política, ao ponto de ter sido ministro da Comunicação Social do I Governo Provisório, logo após o 25 de Abril, e deputado do PS durante longos anos.

Serve este intróito de enquadramento à proto-candidatura presidencial de José Gomes Ferreira, um dos mais populares jornalistas portugueses dos nossos dias, presença regular nos ecrãs televisivos a descodificar as atribuladas contas da nação, seja no Jornal da Noite seja como apresentador e entrevistador no programa Negócios da Semana.

Aqui há uns tempos surgiu até um movimento espontâneo nas redes sociais para o impulsionarem a dar o passo - às vezes muito curto - que separa o jornalismo da política. Este nativo de signo Virgem, nascido há meio século numa aldeia do concelho de Tomar, fez logo constar que não estava interessado. Mas nunca se sabe: talvez um dia a tentação seja mais forte.

 

Prós - Tem nome de escritor, o que ajudaria a mobilizar os intelectuais. Em contas ninguém o supera: tal como Cavaco Silva, faz questão em distinguir a boa moeda da má moeda. Pouparia muito dinheiro na campanha eleitoral: basta-lhe aparecer no ecrã a explicar o que significa "risco sistémico" ou "espiral recessiva" para os taxistas dizerem aos seus clientes: "Aquele homem da SIC é que percebe disto."

 

Contras - Um candidato natural à Presidência da República seria o próprio patrão da SIC, Francisco Pinto Balsemão, o que talvez suscitasse algum conflito de interesses lá para as bandas de Carnaxide. Clara de Sousa e Rodrigo Guedes de Carvalho deixariam de poder tratá-lo por tu quando o entrevistassem. Não faltam jornalistas mal sucedidos quando decidem fazer o teste das urnas - de Manuela Moura Guedes a Vicente Jorge Silva, que mal chegaram a aquecer os lugares no Parlamento, passando por Paulo Portas, que fundou e dirigiu O Independente, ou Carlos Carvalhas, que foi director do Notícias da Amadora.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.05.15

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Pó, Cinza e Recordações, de J. Rentes de Carvalho

Diário

(edição Quetzal, 2015)

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Lisboa no coração

por Patrícia Reis, em 21.05.15

O casal de turistas chegara a Lisboa para ver se se mantinham como casal, se sobreviviam ao desgaste de dez anos de relação, de equívocos, de imensos silêncios. Na Baixa Pombalina, cada um em seu passeio, viram as montras, compraram algumas recordações sem importância. Olharam o rio e o arco da Rua Augusta e passaram o dia inteiro a passear sem trocar uma palavra digna desse nome. Quando voltaram ao seu país, elogiaram Portugal, a comida, o vinho e recordaram uma viagem idílica que nunca  existiu. Mostraram as fotografias e garantiram, via twitter, via facebook, que a viagem foi uma lua-de-mel. Francamente, Lisboa merecia um casal melhor.

 

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O novo Syriza.

por Luís Menezes Leitão, em 21.05.15

 

Sempre calculei que uma vitória de António Costa no PS implicasse uma viragem desse partido à esquerda. Nunca pensei é que essa viragem fosse tão radical. Começou com o apoio à candidatura presidencial de Sampaio da Nóvoa, um candidato claramente na extrema esquerda do espectro político. Agora o caminho prossegue com a apresentação das políticas do PS. Conforme revelou num encontro em que também participei, António Costa propõe o regresso ao congelamento das rendas, o que obviamente vai afastar qualquer investimento privado na área da recuperação de imóveis para arrendamento. Nada que preocupe António Costa, que propõe em contrapartida um investimento público de 1.300 mihões de euros na reabilitação urbana. Para isso propõe-se desbaratar 10% do Fundo de Estabilização da Segurança Social, pondo ainda mais em risco as reformas dos portugueses.

 

Para além disso, António Costa é contra a austeridade e até pede uma maioria clara para combater o FMI. Para esse efeito propõe-se continuar a gastar à tripa forra, com argumentos de grande profundidade, como o de que na saúde gastar menos não é gastar melhor. Por  esse motivo, também a função pública regressa naturalmente às 35 horas de trabalho, uma vez que não se justifica fazer poupanças em horas extraordinárias, já que o Estado tem muito dinheiro para gastar. E com isso chega à conclusão extraordinária de que o seu programa tem mais despesa, mas também menos despesa, assim como mais receita mas também menos receita. António Costa tem tão boa imprensa que ninguém lhe perguntou o resultado final aritmético deste exercício. Mas se calhar também ouviria uma resposta semelhante às de outros socialistas célebres como a de que "é fazer as contas" ou de que "há mais vida para além do orçamento". Eu digo-lhe, no entanto, desde já que não há hipótese nenhuma de um imposto sucessório compensar qualquer descida no IRS. Mas também não é isso o que está em causa, uma vez que a sua proposta de alteração da progressividade significa antes aumentar o IRS.

 

Se António Costa ganhar as eleições vamos ter seguramente a repetição da política do Syriza em Portugal, que tão brilhantes resultados está a ter na Grécia. Na Europa já perceberam isso muito bem.

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Os mais comentados

por Pedro Correia, em 21.05.15

Faz hoje um mês, o Sapo lançou uma nova secção, intitulada Blogs Quentes. Em que destaca os dez posts mais comentados do dia anterior - de segunda a sexta.

 

Neste período, o DELITO DE OPINIÃO teve 15 textos em destaque. Foram estes:

Presidenciáveis (38)

Primeiras impressões

Presidenciáveis (39)

Presidenciáveis (41)

A queda de um anjo

O inalienável direito ao reconhecimento da realidade

O candidato

Que vergonha, rapaz!

Assentar praça em general

Presidenciáveis (46)

Presidenciáveis (47)

Com a ortografia eu não brinco

Presidenciáveis (48)

Grécia antiga (3)

Esta não era a polícia dele, mas também não é a nossa

 

Uma curiosidade: todos estes textos somam 497 comentários.

 

Um aplauso ao Sapo por mais esta iniciativa. E uma palavra de agradecimento pelo destaque que nos tem proporcionado.

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As canções do século (1967)

por Pedro Correia, em 21.05.15

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Frases que nos salvam de dias sem sentido

por Patrícia Reis, em 20.05.15


Mãe, devíamos dar mais beijos à esquimó.

 

Compra os sapatos todos que quiseres.


Desculpe, desculpe, eu tiro já daqui o carro, deixe-me só dizer que adorei o seu livro

 

O Camané a cantar "e a minha boca até quando, ao separar-se da tua..."

 

Sms a dizer estás bem?

 

 

Menina, precisas de alguma coisa?

 

Li a crónica da Ana Sousa Dias no Diário de Notícias sobre a Maria Nobre Franco e tens de ler.


 

Nasceu o Santiago, a Catarina e o Tiago têm mais um irmão.

 

A Maria Teresa faz anos.


Há um romance que acabou mesmo que me digam que, talvez, quem sabe, porventura...


Deixei-te uma caixa de victans.


Há cigarros escondidos na mala preta

 

Faço-te um gin?

 

Estou aqui, estou aqui querida P.

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Rainer Maria Rilke tradução de Vasco Graça Moura

por Patrícia Reis, em 20.05.15


Sein Blick ist vom Vorübergehn der Stäbe
so müd geworden, dass er nichts mehr hält.
Ihm ist, als ob es tausend Stäbe gäbe
und hinter tausend Stäben keine Welt.


Der weiche Gang geschmeidig starker Schritte,
der sich im allerkleinsten Kreise dreht,
ist wie ein Tanz von Kraft um eine Mitte,
in der betäubt ein grosser Wille steht.


Nur manchmal schiebt der Vorhang der Pupille
sich lautlos auf -. Dann geht ein Bild hinein,
geht durch der Glieder angespannte Stille -
und hört im Herzen auf zu sein.


A pantera

De percorrer as grades o seu olhar cansou-se
e não retém mais nada lá no fundo,
como se a jaula de mil barras fosse
e além das barras não houvesse mundo.

O andar elástico dos passos fortes dentro
da ínfima espiral assim traçada
é uma dança da força em torno ao centro
de uma grande vontade atordoada.

Mas por vezes a cortina da pupila
ergue-se sem ruído - e uma imagem então
vai pelos membros em tensão tranquila
até desvanecer no coração.

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Espanha em transição

por Pedro Correia, em 20.05.15

Pancartas-multitud-Podemos-Madrid-AP_CLAIMA2015013

 Dirigentes do Podemos numa manifestação que reuniu 150 mil pessoas em Madrid (Janeiro de 2015)

 

Entretidos com mil e uma futilidades que ajudam a preencher o quotidiano nacional, os nossos órgãos de informação - e, em particular, os canais televisivos especializados em notícias, cujo horizonte por estes dias quase não abarca nada mais do que o futebol - parecem totalmente desinteressados das eleições municipais e autonómicas do próximo domingo em Espanha.

Fazem mal.

Porque o veredicto das urnas deve confirmar a tendência de pulverização do sistema político do país vizinho, fragmentando-o em quatro blocos partidários (enquanto condena os comunistas à definitiva irrelevância). Confirmando aquilo que já prenunciavam as recentes eleições antecipadas na  Andaluzia - da qual ainda não resultou a formação de um executivo, pois a indigitada presidente regional, a socialista Susana Díaz, já recebeu três chumbos consecutivos no Parlamento de Sevilha e poderá ter de sujeitar-se a novo teste nas urnas a partir de Junho.

 

Nas duas principais cidades, Madrid e Barcelona, a disputa está acesa como nunca. Não sendo de excluir que as candidaturas da esquerda populista, apoiada pelo Podemos, triunfem em qualquer dos escrutínios. Segundo a sondagem de domingo do El País, o Partido Popular de Mariano Rajoy poderá perder o seu feudo madrileno, onde mantém hegemonia há 24 anos, e os nacionalistas catalães deverão recuar do primeiro para o segundo posto em Barcelona.

Tempestade política à vista, pois. Que prenunciará tendências de voto para as legislativas de Novembro num país que leva quatro décadas sem coligações ao nível do Governo central - o centro-direita e os socialistas têm-se alternado no poder com maiorias absolutas ou fortes maiorias relativas completadas com pontuais concessões parlamentares aos nacionalistas catalães ou bascos.

 

A cultura do pacto vai ter de instalar-se em Espanha, à esquerda e à direita, com a erupção eleitoral do  Podemos e dos Cidadãos, que vieram abalar fortemente as rotinas dominantes na cena política espanhola. PSOE e PP (que resultou da fusão da UCD centrista com a AP conservadora) habituaram-se durante 35 anos a ditar as regras à vez pondo todos a falar a uma só voz. Esse tempo terminou, como o escrutínio de domingo indiciará sem ambiguidades e o de Novembro confirmará de modo ainda mais evidente.

São sinais de uma tendência generalizada na Europa que só agora vai chegando à Península Ibérica. E com inevitáveis reflexos nas próximas eleições portuguesas - mais do que alguns gurus da opinião imaginam por cá, ancorados às certezas de sempre como se a realidade teimasse em permanecer imutável.

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Grécia antiga (6)

por Pedro Correia, em 20.05.15

«A vitória do Syriza é a única boa notícia que a Europa pode receber nos próximos meses. Ela salvaria as democracias europeias, deixando muitíssimo claro para os eurocratas e para o Governo alemão que a chantagem não ganha eleições. Ela mostraria aos defensores da austeridade que há alternativas. Ela daria aos povos e a novos governos apostados em contrariar o suicídio europeu um aliado institucional, fazendo nascer mais focos de contestação ao fanatismo orçamental alemão. Ela seria um travão à imposição de reformas que não foram sufragadas pelo voto. Mas seria também muito importante para aqueles que, como eu, defendem uma alternativa à austeridade.»

Daniel Oliveira, no Expresso (24 de Janeiro de 2015)

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Carlos Drummond de Andrade

por Patrícia Reis, em 20.05.15

Sossegue, o amor é isso que você está vendo, hoje beija, amanhã não beija e depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será.

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Neste tempo

por João André, em 20.05.15

Neste tempo o mundo é novo. As pessoas vestem-se de forma diferente umas das outras, já não há gosto nem jeito. Há telefones portáteis que nem botões têm e internet e já quase ninguém conhece as ligações fixas. Há formas de comunicar mas todos falam ao mesmo tempo e ninguém se entende. As cidades grandes absorveram algumas pequenas que são os novos subúrbios. Há água e electricidade, mas a primeira parece que está sempre com má qualidade e a segunda é cara. Há muitas linhas de metropolitano mas nem sabemos por onde ir para chegar mais depressa ( para quê?). Há carradas de autoestradas, mas custam os olhos da cara e nem têm grandes alternativas. A verdade é que tirando umas ilhas de cosmopolitanismo o país continua tão insular como sempre. Os comboios modernizaram-se entre Lisboa e Porto mas desapareceram. Não ram grande coisa, mas ainda se conseguia fazer uma ou outra viagem sem ter que ir ao expresso. Aquelas velhas estações onde o tempo parecia ter parado agora parecem ruínas que o tempo abateu.

Construíram-se muitas fábricas, grandes e pequenas, mas agora há poucas. Os bairros de apartamentos são os mesmos mas ninguém se conhece, nem sei o que faz o meu vizinho do 3º G. Há rádios para todos os gostos mas não sei qual escolher. Quase toda a música é permitida (diz que a Renascença ainda controla) mas nem toda é boa. Parece que somos católicos, mas pouco praticantes; lemos jornais livres de todo o mundo mas nem sabemos em que notícias confiar e vamos recebendo informação completamente em bruto, sem filtros de qualquer espécie. Os discos são objectos ainda mais valorizados que antes por quem deles gosta e o seu suposto carrasco está quase desaparecido. Os computadores vieram substituir as máquinas de escrever e aumentaram a eficiência, mas há quem suspire pelo matraquear. As impressoras e os computadores transformaram todos em potenciais autores de literatura e música. As estantes de livros transformaram-se em estantes de bibelôts desorganizados trazidos pelos almigos quando visitam outras partes exóticas do mundo. Os livros resumem-se a meia dúzia de aparelhitos. A única enciclopédia que parece interessar pode ser lida no telefone e os vendedores de enciclopédias, se os houvesse, receberiam pouco mais que um sorriso complacente.

Neste tempo o país continua de coração cinzento, tal como muitas fardas, mas os carros oficiais preferem o preto. Sotainas são olhadas de soslaio e o preto e branco é do domínio dos pseudo-intelectuais. Muita gente emigra e regressa no verão, para recuperarem o falar da meninice. Continuam a trazr mulheres loiras mas agora dizem que aqui é que é bom, que não há sítio como a terrinha com o seu sol e praia e café na esplanada. Por aqui ouve-se ainda algum fado e vê-se muito futebol, mesmo que não seja daqui. Respira-se a melancolia de um mundo que teve sempre os dias contados e suspira-se pelo mesmo que os nossos pais e avós suspiraram, aquele que chegaria na sebastiânica manhã. De África já não vem guerra, só a esperança de dinheiro daqueles que tendo sido servidores almejam ser mestres. De sexo e política fala-se demais. Por vezes parece que não se fala de outra coisa, misturando as duas. Este é um país de cidades mal feitas e habitadas pela nostalgia de cidades pequenas e aldeias perfeitas, todas lindas e parecidas umas com as outras, invariavelmente banhadas pelo sol e com pessoas afáveis e alegres. É também o país que sonha ser outro, com alamedas ladejadas por árvores verdes, carros novos, lojas luxuosas, monumentos antigos em estado impecável, pessoas cosmopolitas, conservadoras mas liberais, simpáticas e afáveis mas reservadas, cosmopolitas mas nada intrometidas, de restaurantes modernos a servir comidas tradicionais, de tabernas escuras banhadas pelo fado e com picapaus cheios de mostarda devidamente controlados pela ASAE.

Nota: este post não é qualquer crítica ao do Luís. Antes é inspirado por ele e serve como pobre homenagem à beleza do que se pode ler ali abaixo.

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Se eu defendesse o mesmo acerca do Estado Social (por exemplo, também poderia ser acerca do SNS ou da Escola Pública) lá teria 432 comentários do camarada luckylucky a acusar-me (por uma vez sem exemplo com toda a razão) de estar a querer endoutrinar as criancinhas com ideias socialistas.

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 20.05.15

Se tens excesso de ilusões, conserva-as em tupperwares.

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Presidenciáveis (51)

por Pedro Correia, em 20.05.15

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João Proença

 

Mesmo nos tempos mais duros da austeridade, manteve abertas as vias de contacto com o Governo. E em Janeiro de 2012 não hesitou em dar luz verde às reformas laborais impostas pela tróica no âmbito do programa de assistência financeira de emergência a Portugal. Isto granjeou-lhe rasgados elogios do ministro da Economia: Álvaro Santos Pereira chamou-lhe  "patriota". Mas também críticas ferozes da esquerda comunista: o Avante!, órgão oficial do PCP, associou o seu nome à palavra traição.

João Proença, nativo do signo Touro nascido há 67 anos no concelho de Belmonte, está habituado a dividir águas - mesmo dentro da área política a que pertence. Filiado no PS, foi deputado deste partido e seu dirigente nacional antes de ascender à liderança da segunda maior central sindical portuguesa, onde permaneceu como secretário-geral entre 1995 e 2013. E à frente da União Geral de Trabalhadores assinou acordos de concertação social com governos de esquerda e de direita. O mais recente valeu-lhe  críticas do fundador da UGT, Torres Couto, porventura já esquecido do precedente que ele próprio abrira em 1992, quando brindou com o primeiro-ministro Cavaco Silva ao acordo sobre política de rendimentos e preços, selado com festivos cálices de Vinho do Porto.

Após o pacto de 2012 um conhecido comentador do jornalismo económico sugeriu que fosse erguida "uma estátua a João Proença". Manifesto exagero. Mas talvez este engenheiro químico, hoje retirado da frente sindical, não se importasse de morar numa casa com vista para uma estátua - a de Afonso de Albuquerque, situada a poucos metros do Palácio de Belém.

 

Prós - Tem reputação de jogar sempre pelo Seguro. O facto de ser conterrâneo de Pedro Álvares Cabral ajudaria a estreitar as relações luso-brasileiras. Com os anos acumulados de experiência sindical, habituado a negociações difíceis, conseguiria certamente atribuir um salário mais condigno a si próprio enquanto inquilino de Belém, poupando os portugueses à reedição das lamúrias de Cavaco Silva, que optou por duas pensões de aposentação, cuja soma é superior aos 6523 euros atribuídos ao Presidente da República como remuneração mensal.

 

Contras - A profissão de engenheiro químico parece pouco propícia aos ares de Belém: Maria de Lourdes Pintasilgo, única candidata presidencial com esta formação académica, recolheu apenas 7,4% dos votos em 1986. Os filiados na CGTP não votariam nele: Arménio Carlos acusa-o de ter  "lesado os trabalhadores com os acordos que assinou". João, sendo o nome masculino mais popular em Portugal, tem muito mais conotações monárquicas do que republicanas: houve seis reis com esse nome e apenas um Presidente, o remoto almirante João Canto e Castro, que permaneceu menos de dez meses ao leme do Estado, entre 16 de Dezembro de 1918 e 5 de Outubro de 1919 (e ainda por cima era monárquico). 

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Parabéns Francisca!

por Patrícia Reis, em 20.05.15

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 20.05.15

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Mirleos, de João Miguel Fernandes Jorge

Poesia

(edição Relógio d'Água, 2015)

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estás tão atrasado, estúpido

por Patrícia Reis, em 20.05.15

O relógio mostra e garante o massacre do tempo, a impossibilidade de gerir melhor a vidinha, os horários, as obrigações, por isso, perto das dez da manhã, o homem pensou que já tinha subido o Everest. A saber: acordou os filhos, deu-lhes pequeno-almoço, levou-os à escola, foi ao dentista e rumou ao emprego com a cara ainda dormente. Em surdina, só para si, olhando para o relógio castigador, lamentou a estupidez de não conseguir paralisar os segundos. Ele? Estava anestesiado, só não conseguia parar de pensar que estava atrasado. Estúpido, concluía.

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Há reformados que podiam fazer o mesmo a custo zero

por Sérgio de Almeida Correia, em 20.05.15

Junho de 2015

Janeiro de 2015

Junho de 2014

Dezembro de 2013

Outubro de 2013

Junho de 2013

Junho de 2012

Não sei quantas outras comunidades portuguesas tiveram igual privilégio, mas tirando o facto de falar, almoçar e jantar sempre com os mesmos, seria interessante saber, agora que se deixou de ouvir falar nos "vistos gold", quais os resultados, em termos práticos, que tem conseguido. Isto é, o deve e o haver das suas deslocações, não das dos outros membros do Governo.

Poderá ficar para a oitava visita. Até às eleições ainda há tempo. E todos sabemos que desta vez a agenda já está demasiado preenchida com a comezaina e a contagem das ajudas de custo acumuladas.

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As canções do século (1966)

por Pedro Correia, em 20.05.15

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 19.05.15

«Gostei do seu comentário "de bonne guerre". De facto, como não vivo de Acordo à ilharga, com frequência (que falta nos faz o trema, não é?) me foge a tecla para o vício antigo. Escrevo o Verão com maiúscula porque gosto do sol-e-praia (com o Acordo, perdem-se estes hífens), desse tempo de "não fazer a ponta de um chavo", como se diz na minha terra. Já o outono, mês da nostalgia da malta das rimas e do início da chatice da gabardine, esse merece amplamente ser amesquinhado com a minúscula. E, na minha liberdade de cidadão, continuarei muitas vezes a dar deliberados pontapés na gramática nova. Como, por exemplo, a acentuar, orgulhosamente o A (como a porta 10A) na frase "ninguém pára o Sporting". Pode não ser verdade, mas é assim.»

Do nosso leitor Francisco Seixas da Costa. A propósito deste texto do Sérgio de Almeida Correia.

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