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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.03.15

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Os Sete Loucos, de Roberto Arlt

Tradução de Rui Lagartinho e Sofia Castro Rodrigues

Romance

(edição Cavalo de Ferro, 2015)

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As canções do século (1916)

por Pedro Correia, em 31.03.15

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Clássicos para a Prainha (IV)

por Bandeira, em 30.03.15

Hesíodo: Os Trabalhos e os Dias

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 Se dúvidas houvesse quanto às perturbações que o funcionamento irregular de um sistema judicial pode causar no espírito de um indivíduo são, uma leitura de Hesíodo seria o suficiente para as dissipar. Um agricultor humilde perde, por subversão da Justiça, uma causa; e no momento seguinte está a descrever as origens do universo em hexâmetros dactílicos. Assisti a internamentos forçados por bem menos do que isso.


As atribulações de Hesíodo começam quando Perses, seu irmão, o arrasta para tribunal sob pretexto de discordar das partilhas da herança paterna, apropriando-se de um monte de ovelhas – julgo que se diz “um rebanho”, mas não estou seguro – através de uma técnica arcaica de corrupção envolvendo moedas e um par de mãos (aqui o pundonoroso leitor, imaginando com horror um corrupto juiz beócio do século VIII a.C., passa as costas da mão na larga testa suada).

Hesíodo recupera da perda das ovelhas, mas Perses desbarata o produto do seu triunfo forense em manga erótica, linhas de valor acrescentado, raspadinhas, coisas assim, e vê-se forçado pela deusa da destituição – decerto havia uma na Grécia – a recorrer a Hesíodo. Timidamente sugere um depósito na conta bancária, pode até ser cheque ou vale postal, mas o irmão (que em todo o caso, como bom rural que é, desconfia de bancos, sem razão, inteiramente sem razão) adopta uma postura entre o vingativo e o didáctico. E redige para Perses Os Trabalhos e os Dias.

As dicas de Hesíodo relativas à lavoura, e mesmo algumas de índole mais pia – assim de repente lembro-me daquela em que exorta Perses a jamais verter águas em pé virado para o sol – quebram o gelo em qualquer festa; mas é ao mito de Pandora que as pessoas tendem a achar mais graça, mesmo as mulheres, as cujas Hesíodo coloca ao nível moral da mosca da fruta. Pandora foi a primeira mulher, moldada à imagem das deusas imortais com terra e água por Hefesto, o deus coxinho, e dotada pelos restantes olímpicos de todos os atributos – sem esquecer a perfídia, a mentira, etc., um castigo por o titã Prometeu ter roubado o isqueiro a pai Zeus para o dar a uns homens que mal conhecia sem lhes cobrar sequer um cêntimo. Não há cigarros grátis.

Não direi que Hesíodo, lá por execrar as mulheres, aprovava o género masculino. Ele descreve as cinco idades do homem – a de ouro, em que o Windows instalava actualizações apenas quando não se estava a precisar do computador e os homens (lembre-se, não havia mulheres) eram tão felizes que morriam como que adormecendo; a de prata, quando a infância durava cem anos, após o que se falecia rapidamente por falta de cobertura do seguro médico; a de bronze, com gente tão violenta que mal nascia ia direitinha para o Hades; a dos heróis, com as suas guerras de Tebas e de Tróia e reformas douradas na ilha da Bem-Aventurança; por fim, a de ferro, a sua, dele, Hesíodo, a tal de Prometeu e do fogo, tão má que, enfim, perdoe, acho que não sou capaz de falar sobre isso.

Nem tudo está perdido, porém. É certo que 30 mil espíritos nos vigiam, que o olho de Zeus tudo vê e que a Justiça, sua filha, anda à coca (não literalmente) dos que procuram vencer causas nos tribunais através de estratagemas. O importante é ser-se íntegro, perseverar no trabalho e sobretudo ter cuidado, muito cuidado (não pergunte) com o dia 5 de cada mês.

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Ler

por Pedro Correia, em 30.03.15

O esticar da corda. Do Luís Novaes Tito, n' A Barbearia do Senhor Luís.

Por uma nova república. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.

Tese. De Vital Moreira, na Causa Nossa.

Quo vadis, Caesar? De José Gabriel, no Aventar.

Tradição fraticida. De Miguel Botelho Moniz, n' O Insurgente.

Notícias que são um clássico. Do Rodrigo Moita de Deus, no 31 da Armada.

O papel soma e segue. De Maria do Rosário Pedreira, no Horas Extraordinárias.

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A primeira derrota de Costa

por Pedro Correia, em 30.03.15

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 António Costa em campanha no Funchal (15 de Março)

 

António Costa decidiu derrubar António José Seguro, sem deixar o então secretário-geral do partido submeter-se ao teste das eleições legislativas após três anos em funções no Largo do Rato, com um argumento derivado do mais puro achismo lusitano: achava-se em melhores condições de protagonizar o ciclo político pós-Passos Coelho.

Isto sucedeu, note-se, no rescaldo imediato das eleições europeias de 2014, em Portugal ganhas pelo PS. Esse foi o terceiro triunfo de Seguro em três anos: antes, com ele à frente do partido, os socialistas tinham vencido as eleições regionais dos Açores e as autárquicas.

Costa achou "poucochinho" o triunfo nas europeias - que constituíram um descalabro generalizado para a família socialista no Velho Continente ao qual o PS português foi um dos raros partidos que escaparam - e, estribado na tropa de choque de José Sócrates, garantiu aos militantes que faria melhor do que os 38% das intenções de voto atribuídas a Seguro pelas sondagens à época.

 

Quase um ano depois, afinal, o PS permanece como estava: Costa não ganhou um milímetro nas pesquisas de opinião para o partido, que acaba de averbar uma estrondosa derrota nas eleições regionais da Madeira. Apesar de prometerem ser as mais propícias de sempre para a oposição socialista pois marcavam o fim do longo consulado jardinista.

Com um péssimo candidato a encabeçar a lista regional, uma desastrosa política de alianças que privilegiou o patusco Coelho - o Beppe Grillo funchalense - e o excêntrico Partido dos Animais, e sem a menor capacidade de aglutinar a esquerda local, mais dividida que nunca, o PS acaba de ser remetido para mais quatro anos de oposição no arquipélago, assistindo impotente à revalidação da maioria absoluta do PSD, desta vez comandado por Miguel Albuquerque. E sem ter sido sequer capaz de ultrapassar o CDS como segunda força política regional.

Pior ainda: os socialistas recuam em relação ao anterior escrutínio, ocorrido em 2011, não só em número de votos e percentagem, mas também em lugares no Parlamento regional. Há quatro anos elegeram seis deputados (em 47), agora têm os mesmos, mas como concorreram em coligação com três partidos, um desses assentos caberá ao patusco Coelho, que se apressou a descolar do PS, esgotado o prazo de validade deste partido enquanto barriga de aluguer.

 

António Costa participou na campanha eleitoral da Madeira, apoiou o candidato fracassado, envolveu-se. E perdeu.

Estivesse ainda Seguro ao leme do PS nacional, acossado por um batalhão de bitaiteiros televisivos dispostos a "fazer-lhe a folha", e não faltaria o coro das carpideiras a bramar contra a "frouxa" liderança no Largo do Rato.

Como Seguro já não está, resta o silêncio.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.03.15

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1974, de Filipe Verde

Romance

(edição A Esfera dos Livros, 2015)

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Bolo do caco com a mesma forma

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.03.15

madeira2015.jpg Na Madeira cumpriu-se democraticamente o ciclo eleitoral.

O PSD/Madeira, agora de Miguel Albuquerque, volta a estar de parabéns. Levando em linha de conta os anteriores arrufos entre o ex-líder e o actual e a perda de cerca de quinze mil votos por comparação com as eleições anteriores, o resultado, mesmo com uma abstenção elevadíssima, é digno de nota, sendo legítimo desejar-lhe uma governação à altura das responsabilidades. Resta saber qual o preço que irá ser cobrado ao PSD de Passos Coelho por este resultado regional que reedita a maioria absoluta.

Apesar dos cadernos eleitorais continuarem a aguardar limpeza, a abstenção não pode deixar de ser considerada brutal e deverá constituir um sério aviso ao que poderá vir a caminho para as eleições legislativas. Mas aqui com consequências bem mais imprevisíveis tanto em matéria de maiorias como de formação de uma equipa governativa.

Pesado, diria mesmo doloroso, foi o resultado eleitoral do PS. No final do ciclo do jardinismo, numa altura em que as críticas foram mais do que muitas aos desvarios gastadores de Jardim, e depois de um período de grande aperto, à semelhança do que aconteceu com os restantes portugueses, esperava-se outro resultado do PS/Madeira. O que aconteceu foi um desastre que retira voz e protagonismo ao partido a nível regional. Esteve por isso bem o líder regional que imediatamente se predispôs a sair de cena.

O resultado do PS/Madeira lança também um sério aviso ao PS quanto à política de alianças em que eventualmente poderá estar a pensar, se é que alguma chegou a ser pensada, para as eleições legislativas. Uma má escolha de parceiros e a realização de alianças contranatura, apenas por razões de eleitoralismo puro, poderão ter um efeito contraproducente e deitar tudo a perder. Seria bom que António Costa e a sua equipa pensassem nisso não só em matéria de alianças como, em particular, na hora de escolher os candidatos que preencherão as listas. Já chega de erros de casting e de carreiristas oportunistas e impreparados. Se não se aproveitar a oportunidade para se corrigir o que antes se fez mal, isso poderá nunca mais vir a ser possível rectificar, com consequências ainda mais nefastas do que as verificadas na Madeira.

O CDS/PP obteve um mau resultado. As palavras de Paulo Portas soam por isso a falso e tentam disfarçar o que não pode ser disfarçado. Passar de 17% para 13% e perder dois deputados só pode dizer-se que seja um resultado "consistente, resistente e sustentado" quando se está a falar para tolinhos.

Bom resultado teve, apesar de tudo, o BE ao conseguir dois deputados. Mas a palma levou-a coligação JPP (Juntos pelo Povo). Ficar com o mesmo número de deputados que o PS/Madeira na AL regional é obra e poderá indiciar, aqui sim, novidades na oposição.

Quanto ao mais, o resultado melhorado do PCP continua a não esconder a sua irrelevância, debilidade e incapacidade para sair do reduto onde há décadas ficou acantonado.

Aguardemos, pois, para se perceber até que ponto teremos mudanças na Madeira. E se os resultados agora verificados poderão vir a ter influência nacional e nos sempre efervescentes sonhos políticos do "deposto" Alberto João Jardim.

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As canções do século (1915)

por Pedro Correia, em 30.03.15

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 29.03.15

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«A candidatura à Presidência de Henrique Neto, socialista, vem colocar perante os olhos dos portugueses o problema que algum PS tenta manter inominável: o tema da corrupção.
Henrique Neto foi sempre claro quando Sócrates era primeiro-ministro: abusava do poder que tinha, não eram claros os motivos das suas decisões económicas, as grandes concessões outorgadas eram penalizadoras para os portugueses, estava a levar o país para a bancarrota. E, sobretudo, tinha trazido para o governo do PS a falta de ética e a discricionariedade.

Passados seis anos prova-se que os alertas de Henrique Neto deveriam ter sido ouvidos. Inclusive, a realidade ultrapassou os seus alertas. A fraude fiscal, o dolo no exercício de funções públicas e a corrupção transformaram Sócrates num arguido preso preventivamente.

Com António José Seguro, independentemente da apreciação política que se faça da sua acção, houve uma matéria em que ele fez um corte com o passado: o projecto político do PS não era a prática política de Sócrates, o PS é um partido em que a ética republicana tem de ser observada em todas as circunstâncias.

Com esta agenda, António José Seguro, que politicamente herdou a bancarrota do governo de Sócrates, colocou o PS vitorioso em todas as sondagens de uma forma sustentada.

António Costa, levado ao colo pela esquerda do PS (e de fora do PS) e pela simpatia de grande parte da opinião publicada controlada pelos editores do costume (que faziam das aparições taralhocas de Mário Soares a agenda política de cada semana), era a fénix que vinha reconstruir o PS na sua “alma ideológica”, com o aplauso dos socratistas, entretanto transformados em tropa de choque da ascensão de Costa. E António Costa, accordingly, baniu do discurso político tudo o que de mal Sócrates fez ao país.
Resultado: passado o tempo da hagiografia, Costa colocou o PS na mesma situação em que António José Seguro o tinha deixado. Com a agravante de, não se afastando da política de Sócrates, não se afasta da corrupção que ele representa.

A corrupção das elites é um tema eleitoral incontornável em 2015.
E, ao contrário do que algum mainstream gostaria, não vai ser uma agenda minoritária de grupúsculos políticos.
Vai ser a agenda principal dos eleitorados de centro-esquerda e centro-direita.


A candidatura de Henrique Neto é bem-vinda.
Vai obrigar o PS enfrentar os seus demónios.»

 

Do nosso leitor Maurício Barra. A propósito deste meu texto.

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Blogue da semana

por Luís Naves, em 29.03.15

Este Diário da Borda d'Água, que escolhi para blogue da semana, é um projecto literário feito de textos curtos, invulgarmente bem escritos. São impressões, pequenas ficções, ideias soltas. Vale bem a visita.

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Fotografias tiradas por aí (219)

por José António Abreu, em 29.03.15

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Encostas do Douro, com o Pinhão ao fundo, 2014.

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Navegações

por Luís Naves, em 29.03.15

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Uma história muito saborosa, da autoria de Rentes de Carvalho, escrita com gosto e classe.

Sempre achei que a blogosfera era um meio ideal para publicar textos literários, opiniões e crónicas. É um meio ideal de aproximação aos leitores e serve para experimentar coisas novas, enfim, para a oficina do artesão. Alguns escritores usam muito bem o meio, incluindo aqui no delito. Margarida Rebelo Pinto escreve regularmente num blogue com o seu nome. Outros exemplos de autores com grande produção: Bruno Vieira Amaral, Paulo Moreiras, Ana Cássia Rebelo e Eduardo Pitta. A lista não é exaustiva, mas para alguns a blogosfera trouxe notoriedade.

Sobre outros temas, no plano da política, deve ser lido com atenção este texto de Pedro Romano, em Desvio Colossal. E sobre o mesmo tema dos cofres cheios, também este texto de Mr. Brown, em Os Comediantes, sempre muito lúcido.

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A grandeza está nas pequenas coisas

por José Navarro de Andrade, em 29.03.15

No passado dia 2 de Dezembro a Fundação Francisco Manuel dos Santos lançou o meu livrinho "Terra Firme", uma reportagem com laivos de ensaio, ou vice-versa, sobre uma herdade alentejana. À medida que me iam anunciando o programa comecei a sentir-me um pouco fora de pé: o belíssimo cenário mourisco da Casa do Alentejo? um rancho de cante a abrir a sessão? Um beberete final com vinhos e petiscos da planície? Não seria demais para uma obra de amador? A dimensão da coisa ganhou foros de susto quando mencionaram a magna figura convidada para comentar o livro - e que tinha aceite... Vai ser bom para a minha vaidade, pensei, prestigiar-me com a sua presença nesta cerimónia, decerto protocolar. Pois sim... Em vez das triviais generalidades simpáticas do costume, o cavalheiro, que não me conhecia de lado nenhum e a quem eu fora apresentado à entrada, sacou de um exemplar de "Terra Firme" ouriçado de Post-Its e durante uma hora analisou e dissertou em pormenor, com uma acuidade fulminante e uma desvelada gentileza.

Disseram-me depois que Sevinate Pinto era sempre assim.

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Parabéns André!

por Patrícia Reis, em 29.03.15

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.03.15

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Veio Depois a Noite Infame, de Margarida Palma

Romance

(edição Casa das Letras, 2015)

"Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990"

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Estas coisas têm de ficar escritas

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.03.15

Para se respeitar alguém não é necessário partilhar as mesmas ideias.

Quando alguém com o percurso político, profissional e partidário de Henrique Neto se apresenta como candidato presidencial está no seu legítimo direito. As candidaturas presidenciais são candidaturas individuais e independentes dos partidos e estes têm sido os primeiros a aguardar, com ou sem manobras de bastidores, que os candidatos avancem para depois se posicionarem. Por que razão teria ele de receber a bênção do PS? Por que razão estaria impedido de apresentar a sua candidatura? Gente com a frontalidade e a seriedade de Henrique Neto escasseia em Portugal, mais ainda na política, e o facto da candidatura ser politicamente inoportuna para a direcção do seu partido não autoriza ninguém a tratá-lo com a insolência com que alguns merdosos que sempre viveram à sombra do partido e dos compadrios políticos e empresariais criados à sua sombra a ele se referiram.

Não conheço Henrique Neto de lado nenhum. E não faço à partida tenção de apoiá-lo porque aos setenta e oito anos já não se devia eleger ninguém para cargos tão exigentes como uma Presidência da República (não é o exemplo do actual titular ter transformado o cargo numa espécie de secretariado de uma junta de freguesia mais pomposa que lhe retira dignidade). Mas tenho pena que não apareça por aí um outro Henrique Neto, republicano, com menos quinze anos, socialista e de uma seriedade à prova de bala, e podem ter a certeza que eu votaria nele. Com ou sem a bênção do partido. 

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As canções do século (1914)

por Pedro Correia, em 29.03.15

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Há outra presença feminina inesquecível em Wild River, de Elia Kazan: Jo Van Fleet, no papel de Ella Garth, uma mulher íntegra e teimosa que luta pelo direito a permanecer - enquanto viva e também depois de morta - na terra que ela e o marido reclamaram há dezenas de anos e sob a qual ele já se encontra. Mas os olhos azuis, a pele luminosa e a repentina sede de viver de Carol, a personagem interpretada por Lee Remick, ofuscam.

É estranho que Remick esteja mais ou menos esquecida. Depois de vários anos na televisão, começou a carreira cinematográfica em filmes como The Long, Hot Summer, de Martin Ritt, contracenando com Paul Newman (Joanne Woodward tinha o principal papel feminino), e Anatomy of a Murder, de Otto Preminger, ao lado de James Stewart (já como actriz principal). Em 1960 veio Wild River e, ao longo da década seguinte, obras de Blake Edwards, Carol Reed, Arthur Hiller e John Sturges. Nos anos 70 a sua estrela começo a perder brilho (ainda assim, é forçoso mencionar o icónico The Omen, de Richard Donner, com Gregory Peck) e acabou de regresso à televisão, antes de falecer, nova de 55 anos, em 1991.

Wild River (Quando  Rio se Enfurece) é um Kazan ligeiramente menos teatral do que as suas obras da primeira metade da década de 50 (Um Eléctrico Chamado Desejo, Há Lodo no Cais, A Leste do Paraíso). Pode até ser visto como uma primeira versão do filme seguinte, Esplendor na Relva. Inclui, porém, quase todas as suas marcas registadas: method acting, luta entre forças desiguais, preocupações sociais (neste caso, ligadas à questão racial), desejos reprimidos, paixões que se confundem com amor e são sobretudo desejo de escapar à realidade em que se vive. Wild River acompanha os esforços de Chuck Glover, funcionário de uma agência governamental, para convencer Ella Garth a abandonar a sua pequena ilha no rio Tennessee, uma vez que as águas irão subir na sequência da construção de uma barragem. Chuck é Montgomery Clift, em versão pós-acidente de automóvel, que lhe alterou muito mais do que o rosto, como ficaria ainda mais visível no filme seguinte: The Misfits, de John Huston, com Marylin e Clark Gable. (*)

Quando Chuck aparece, Carol, a neta da dona da ilha, está viúva há três anos (desde os 19). Tem dois filhos a cargo e encontra-se resignada ao desencanto e à proposta de casamento de um pretendente local, bastante mais velho. Chuck também é mais velho (Clift fez 40 anos em 1960; Remick, 25) mas vem de fora e, mais importante, não ficará por ali. É uma oportunidade, uma esperança repentina a que por vezes - de modo a evitar desilusões -  ela tenta resistir. A certa altura, diz-lhe que o ama e talvez seja verdade (as circunstâncias desempenham um papel crucial no despoletar das paixões) mas encontra-se acima de tudo a tentar convencê-lo e a tentar convencer-se a si própria, justificando de caminho as traições que sente estar a cometer: à avó, à terra que esta defende com unhas e dentes, ao (surpreendentemente íntegro) pretendente local, a um outro método de arranjar marido. Como em quase todos os filmes de Kazan, a sexualidade é intensa e carnal mas nasce das poses, das hesitações, das palavras ditas e deixadas por dizer, dos gestos e dos olhares, das respirações, muito mais do que de cenas de sexo. Nasce também da beleza física de Remick. Esta, juntamente com o ardor e vergonha que dominam a personagem, constituem um cocktail a que poucos homens (ainda que nada interessados em ver-se de súbito com uma esposa e dois filhos) conseguiriam resistir. Kazan (e Paul Osborn, que escreveu o guião, baseado em livros de William Bradford Huie) sabia-o. Mas também sabia que uma relação assim dá parcas garantias de felicidade. O final parece feliz mas deixa no ar ambiguidade suficiente para o espectador apenas se poder permitir manter uma ligeira esperança de que tudo correrá bem. E fá-lo porque Carol - luminosa Remick - merece-o.

 

(*) Em 1956, Clift embateu com o seu Chevrolet contra uma árvore quando saía de uma festa em casa de Elizabeth Taylor. Conta-se que ela lhe salvou a vida, ao remover dois dentes que lhe bloqueavam a garganta.

 

 

Nota: Os mais perspicazes (vocês sabem quem são; nah, sabem nada) terão depreendido pelo título que é suposto este texto dar início a uma série. Gostaria de informar que não faço promessas quanto à regularidade e duração da mesma. Se conseguir convencer-me a escrever textos mais curtos (facilitam tanto a vida...), talvez saia um por semana. Caso contrário, no Natal isto já deve ter chegado ao nº 2. 

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Passado presente (CDVII)

por Pedro Correia, em 28.03.15

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Revista Gina

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Losers

por Teresa Ribeiro, em 28.03.15

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Loser é um insulto que ouvimos com tanta frequência nos filmes e séries de tv americanas que mais parece um tique de linguagem. Entre nós "és um falhado" pode dizer-se, mas não andamos por aí a ouvi-lo na rua. Imagino-o a aplicar-se só em contexto dramatico-telenovelesco e mesmo assim em privado. Parece que não, mas soa mais pesado que um vulgar "és um merdas", algo que facilmente concebemos ouvir alguém proferir à porta de um café ou em frente a um grupo de amigos. Há até quem use o impropério com bonomia "anda cá meu merdas, dá cá um beijinho". E quem diz este, diz outros, até mais cabeludos.

A diferença entre este género de insultos e o estrangeirado "és um falhado" está logo à partida na forma como os pronunciamos. A emoção que carrega o nosso vernáculo retira-lhe conteúdo, pois é sabido que o que dizemos com raiva não corresponde necessariamente ao que pensamos. Loser, sempre o senti, possui a frieza de um golpe de arma branca. Começa no tom, que não é de raiva, mas de desprezo. Não julga o carácter, mas a capacidade de sobrevivência. É um chumbo numa sociedade onde ter sucesso e ser popular é tudo. E é aqui que se chega à questão da filiação ideológica do vitupério americano. Loser é um anátema. Corporiza tudo o que não se quer ser numa sociedade que odeia falhados.

Claro que também por cá não nos faltam recursos linguísticos para humilhar o próximo. A diferença que por enquanto existe entre uma sociedade como a americana e a nossa é que ainda não é compulsiva, mecânica e massiva a utilização do insucesso como arma de arremesso. Mas tudo indica que estamos quase lá. Há dias, no cinema, um anúncio a uma aplicação para telemóvel rematava com o icónico vocábulo. "Loser", assim mesmo, sem tradução. Para que o conceito passe com toda a sua força expressiva e fique.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.03.15

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O Lazarilho de Tormes, de autor anónimo do século XVI e H. de Luna

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

Novelas

(edição Sistema Solar, 2014)

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Quem é (ou, vá, era) amiguinho do BES?

por José António Abreu, em 28.03.15

Câmara Municipal de Lisboa permite que empresa ligada ao BES construa quase o dobro do que o dono anterior.

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Estabilidade é isto

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.03.15

Num outro local já tinha chamado a atenção para o que estava a suceder. Hoje li a confirmação. Continuamos no lixo. Não ignoro que a dívida pública continua subir, já passou os 130% mas, que diabo, não há-de ser isso a lixar-nos. A melhoria da balança de exportações, os cofres cheios, a antecipação do pagamento de uma parte das dívidas, o reconhecimento da chanceler Merkel e dos parceiros europeus, o percurso "imaculado" dos meninos do coro, a reeleição do Presidente da República, homem que era tu cá tu lá com os mercados e um referencial de solvabilidade do regime, o malandro do Sócrates metido no xilindró e a ver o sol aos quadradinhos, a supervisão do Costa a funcionar às mil maravilhas e a fazer um trabalho exemplar, o outro Costa a dizer aos chineses que estamos muito melhor, enfim, tanta coisa boa, todo um manancial de boas acções, de resultados positivos, de êxitos, e no fim continuamos no lixo. Porque será que a troika desconfia das perspectivas de médio prazo? Porque continuam as agências de rating insatisfeitas? Não há populistas nem partidos anti-sistema a subirem nas sondagens, a extrema-direita é inexistente, o centrão refina-se, a esquerda vegeta e definha entregue aos mesmos de sempre, o Lello continua com as lentes velhas, riscadas e embaciadas a botar discurso, os autarcas cerram fileiras. Entretanto, o primeiro-ministro diz no Japão que antevê Portugal como uma das nações mais competitivas do mundo. Os japoneses ficaram impressionadíssimos. Do mundo e arredores, faltou acrescentar esta parte. 

Quando um povo convive habitualmente com o lixo acaba por se habituar ao cheiro. O céu azul e o sol nos olhos cegou-o. Desde que o lixo não lhe tape o sol, a gente não se importa porque mesmo cega tem sol, mar e quem lhe dê música. Se um dia lhes tirarem o lixo ainda irão estranhar. Com medo que o sol que os faz assim lhes falte. 

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As canções do século (1913)

por Pedro Correia, em 28.03.15

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Da indignação

por José António Abreu, em 27.03.15

O aspecto mais curioso na sociedade que busca incessantemente motivos para se indignar (aquela onde vivemos) é ser cada vez mais difícil prever quais os temas que gerarão maior desagrado. Como seria de esperar, a política, especialmente em anos de crise, funciona bem. A religião, evidentemente, também é quase sempre óptima a catalisar ódios reprimidos (um paradoxo?). O futebol, claro, permanece excelente a fazer com que opiniões contrárias ou pequenas provocações pareçam ataques pessoais indesculpáveis. Mas existe uma miríade de outros temas que, na sequência de uma piada seca ou de um adjectivo dúbio, têm um inesperado potencial para desencadear fúrias quase homicidas (o advérbio pode não passar de optimismo deslocado). Que num dado momento todos se afirmem Charlie não passa, evidentemente, de reacção condicionada pelo horror, pela força da opinião dominante e por défice de auto-análise. Dias, horas depois, regressa a indignação por tudo aquilo que não parece bem ter sido dito, ou feito, ou até pensado. Na política, isto tem consequências preocupantes: como já foi escrito, Churchill (inconveniente, irónico, fumador, gordo)  nunca seria eleito nos dias que correm. Em contrapartida, Hitler ou Estaline (convictos, sem pinga de humor inconveniente - quase um pleonasmo -, tão indignados quanto a generalidade da população) poderiam muito bem ganhar eleições. Paulo Tunhas escrevia no Observador há um par de semanas: A seguir ao futebol, o desporto da indignação é certamente o desporto mais noticiado em Portugal. É também o mais praticado, mesmo fora das redes sociais e dos meios de comunicação (em ambiente familiar ou laboral, por exemplo). E podia ao menos servir de catarse (J. G. Ballard defendia que não se procurasse eliminar a violência associada ao desporto porque fazê-lo levaria a explosões menos previsíveis) mas creio que nem isso sucede. Revela-se apenas esgotante, para todas as partes envolvidas, e faz com que muitos prefiram não se expor. Subsistem, por um lado, os clichés e, por outro, o ruído e os especialistas no mesmo.

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Presidenciáveis (30)

por Pedro Correia, em 27.03.15

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Mário Nogueira

 

Consta que o PCP anda à procura de um candidato presidencial. Talvez não encontre melhor, no capítulo da notoriedade, do que Mário Nogueira: sozinho, o secretário-geral da Fenprof parece um habitué mais regular nas televisões do que qualquer dirigente da oposição parlamentar.

Ex-mandatário nacional da candidatura presidencial de Jerónimo de Sousa em 2006, este militante comunista de signo Capricórnio e fervoroso adepto do Sporting chegou a ser conotado com a ala renovadora do PCP. Passou-lhe depressa o vírus "fraccionário": hoje exibe impecáveis credenciais de ortodoxia.

Tem 57 anos, mas parece mais novo: pelos vistos, o sindicalismo à moda antiga rejuvenesce. Sobretudo quando é exercido em regime de dedicação exclusiva há 24 anos, como é o caso.

 

Prós - Contará com o voto de muitos docentes. Ninguém da sua área política lhe contesta as credenciais de esquerda. E tem tempo de antena garantido: adora as televisões e esta paixão parece ser recíproca.

 

Contras - Não deverá contar com votos de ex-alunos, até por quase ninguém já se lembrar dele numa sala de aulas: deixou de leccionar em 1991, quando ainda existia União Soviética. Usa bigode, adereço definitivamente fora de moda para um inquilino do Palácio de Belém. O último a usá-lo foi o marechal Óscar Carmona (1926-1951).

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Ignorância aliada à prepotência

por Pedro Correia, em 27.03.15

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Começaram por eliminar as supostas "consoantes mudas" - incluindo as que têm valor diacrítico e, portanto, de "mudas" nada têm - e agora atiram-se furiosamente contra as consoantes bem sonoras, como este título confirma.

Está longe de ser um caso isolado. Encontramos este erro multiplicado por milhares de exemplos - sem sequer escapar o Diário da República.

Tudo ao abrigo do incompetente "desacordo ortográfico" e das suas múltiplas "heterografias" que o Governo - com destaque para o ministro da Educação, Nuno Crato - insiste em manter em vigor, indiferente ao facto de ter sido reprovado por quase toda a comunidade científica nacional, ser rejeitado pela larga maioria dos nossos escritores, romper com as regras vigentes em AngolaMoçambique e Macau, e consagrar 1235 novas diferenças ortográficas com a escrita brasileira (em palavras como recepção e percepção).

 

Como justamente escrevia ontem a professora Maria do Carmo Vieira, em artigo publicado no diário i, «da aliança entre prepotência e ignorância resulta o caos». Bem patente no ensino actual da língua portuguesa, «com os professores coagidos a usar o acordo e deparando-se com múltiplos problemas suscitados pela análise de textos cuja escrita foi adulterada (estações do ano com minúscula, perdendo o seu carácter simbólico, confusão de sentido no uso do pretérito perfeito, 1ª pessoa do plural sem acento como se fosse um presente, perda de acento em 'pára' que transforma a frase de Bernardo Soares em 'Quem simpatiza para'»).

Estou com ela no diagnóstico. E também na conclusão: «Forçar o cumprimento de um acordo estúpio e cheio de incongruências e penalizar os alunos, nos próximos exames, caso errem a sua aplicação, é uma decisão intolerável que exige a desobediência dos professores e a intervenção dos encarregados de educação.»

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.03.15

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O Mundo é uma Coisa Estranha, Afinal, de Jean d' Ormesson

Tradução de Alexandre Vaz Pereira

Romance

(edição Guerra & Paz, 2015)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 27.03.15

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Antonella Roccuzzo

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Clássicos para a Prainha (III)

por Bandeira, em 27.03.15

Ovídio: A Arte de Amar

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Ninguém sabe ao certo por que razão Augusto decidiu o exílio de Ovídio. O próprio poeta, chorando-se lá nas berças (hoje romenas) onde o imperador o enfiara, era tudo menos claro: "carmen et error", dizia a quem o queria ouvir no único café-mercearia da terra, apenas isto, “um poema e um erro”, após o que pedia "uma couve trácia", o que os empreendedores citas locais aprenderam a resolver vendendo-lhe curgetes (os trácios comerciavam apenas em lacticínios e engraçados quebra-cabeças em freixo). Tristes dias que Ovídio gastou escrevendo pungentes cartas aos influentes, Augusto incluído, e posando para um quadro que Delacroix viria a expôr no Salon de 1859, “Ovídio entre os Citas”, representando o contraste entre barbárie e civilização, e que Baudelaire achou “um bocadinho manhoso, mas pronto” em termos de perspectiva.


Tudo parece indicar que a razão para o castigo foi a publicação em Roma, dez anos antes, de A Arte de Amar, um manual de auto-ajuda algo risqué. “Caramba!”, ouço-o exclamar, “exilar o pobre homem tanto tempo depois?” Repare, mavioso leitor, era na viragem para o século I, tudo tão lento, qual Internet, Roma era gigantesca e desordenada e espraiava-se em ruas sinuosas, estreitas e fétidas onde um carteiro não se podia arriscar sem periclitar a própria vida, não pelo salário mínimo; e os correios, por surpreendente que isso hoje nos possa parecer, estavam mais empenhados em vender brindes e cartões de boas-festas para a Saturnália do que em entregar cartas, função que não lhes é natural. Last but not least, César há-de ter sentido necessidade de moralizar os romanos, os cujos à época, diz-se, andavam a sacrificar um bocadinho no altar do deboche e isso é que não podia ser.

Como a Gália, o livrinho é composto de partes três, sendo as duas primeiras para homens (Ovídio ensina apenas os pobres, porque aos ricos, diz, basta-lhes ter dinheiro – aparecesse Homero em pessoa, acompanhado pelas nove musas, em casa de uma pretendente e não passaria do alpendre por não ter um tostão). A terceira parte é dedicada às jovens, provavelmente porque o nicho estava lá e não era desprezível; as mais velhas, que o poeta faz desejáveis pela sua experiência, não precisavam das suas lições.

Alguns dos conselhos ao género masculino são talvez o que se esperaria: anda lavadinho mas não compostinho, não permitas que te protrudam pêlos do nariz, não penses que obterás coito abeirando-te de uma jovem e convidando-a abertamente. Outros afirmam a convicção do poeta de que o amor é uma forma de guerra: não deixes que a tua expressão mostre que estás a mentir, se ela flirtar com outros, aguenta, se te gabares aos amigos dá nomes falsos às conquistas, esconde as tuas escapadinhas. Há mais interessante do que isto, mas porquê estragar-lhe a leitura? Deixe apenas que diga que no que respeita ao sexo propriamente dito, e desculpe se demorei tanto a chegar ao ponto, as coisas são muito claras. No sexo, garante Ovídio, vive a deusa da concórdia e no sexo nasceu a deusa da paz. Não vai dizer que não é bonito, ou vai?

Já as técnicas de sedução de A Arte de Amar levariam hoje o pretendente a várias condenações por assédio, tentativa de violação, stalking e outros crimes para os quais não encontro definição legal adequada. Também quando Ovídio sugere às mulheres que controlem o mau génio e não arranhem nem piquem as servas com alfinetes quando estas as penteiam, não vão elas derramar-lhes lágrimas nos cabelos e votar às divindades infernais a cabeça cujas mãos seguram, as coisas ficam um bocadinho sinistras. Ou quando o poeta se interroga se não será a visão das manchas de sangue troiano nas mãos mal lavadas de Aquiles que alimenta a concupiscência da sua concubina, Briseida. Mas isso, suponho eu, é apenas o século I a falar.

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As canções do século (1912)

por Pedro Correia, em 27.03.15

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Leituras

por Pedro Correia, em 26.03.15

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«Às vezes, a cobardia é a única coisa que resta. Uma pessoa só aguenta até certo ponto; depois tem de fugir, a menos que descubra alguém que fuja por ela.»

Ray BradburyTeremos Sempre Paris, p. 119

Ed. Bizâncio, 2014. Tradução de Maria do Carmo Figueiredo

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A sina da modéstia

por José António Abreu, em 26.03.15

Agora já bem entrado nos setenta, o mestre da Morávia sentia-se mais divertido do que intimidado pela cultura dos festivais; gostava de contar a história de como, ao tentar encontrar o caminho do palco para agradecer os aplausos no festival ISCM de 1925, abrira a porta errada e achara-se na rua.

Alex Ross, em The Rest is Noise, sobre o compositor checo Leoš Janáček (há uns anos escrevi um texto acerca dele). Edição Farrar, Strauss and Giroux, tradução minha.

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Justamente indignados, os cidadãos começam a agir

por José António Abreu, em 26.03.15

Cão do juíz Carlos Alexandre foi envenenado.

 

(Afinal, era o canídeo que tinha de se cuidar.)

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Frases de 2015 (10)

por Pedro Correia, em 26.03.15

 

«É-me indiferente.»

António Costa, sobre a candidatura presidencial de Henrique Neto

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Deve ser tempo de dizer basta

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.03.15

A culpa é de Carlos Costa. Também pode ter sido de Vítor Bento. Ou do Banco Central Europeu. Talvez dos bombeiros...; minha é que não foi. Ponto. Fui eu quem esteve à cabeceira da equipa do INEM. A controlar o soro e o cartão de ponto.

Enfim, depois de tudo o que aconteceu no BPN/SLN e na respectiva Comissão de Inquérito, e das criticas que aí foram feitas à supervisão do Banco de Portugal (em 2008, no auge do "socratismo", eu chamei-lhe "supervisão congolesa"), em especial por Nuno Melo (CDS/PP) e João Semedo (BE), não houve hipótese de modificar nada.

Estamos em 2015 e vê-se que durante sete anos, sete anos, porra, não foi um nem dois, ficou tudo na mesma. Os vícios são os mesmo de sempre. As explicações idem. O padrão é sempre o mesmo

E depois vem a gente que há décadas vegeta e mantém esta choldra em ponto-morto dizer que eu tenho asco. Tenho sim, tenho asco, muito asco. Tenho asco a quem politicamente é estruturalmente indecente. A gente politicamente desonesta. A gente que se alimenta do padrão para sobreviver e singrar. A gente que é ética e moralmente desestruturada (na minha perspectiva, é claro). À direita, à esquerda, em cima e em baixo.

(Quando me cansar de escrevê-lo, de dizê-lo, limitar-me-ei a articular com os maxilares doridos os movimentos que produziriam essas palavras. Como Marceau faria com o movimento, com o gesto. Ou como Herberto com as palavras. Em silêncio e às escuras para não incomodar os ouvidos e os olhos sensíveis da canalha)

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Presidenciáveis (29)

por Pedro Correia, em 26.03.15

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Carlos Monjardino

 

Foi um dos mais jovens banqueiros portugueses. Fez parte do núcleo de organizadores da campanha presidencial de Mário Soares, em 1985-86, como director financeiro. Assumiu a pasta da Economia e Finanças do Executivo de Macau, onde serviu largos meses como encarregado do Governo. Da relação de amizade que forjou com Stanley Ho nasceu a milionária Fundação Oriente.

Carlos Monjardino está habituado a lidar com milhões, mas sempre foi um homem de esquerda. É um socialista sem partido, como costuma dizer de si próprio este capricorniano de 72 anos. Uma espécie de Manuel Alegre sem poesia. Com a vantagem de poder contar com o apoio aberto e entusiástico de Soares, ao contrário do que sucedeu com Alegre em 2006.

 

Prós - É um cidadão do mundo, que jamais falaria "inglês técnico" ao ser recebido na Casa Branca ou "francês técnico" nas visitas ao Eliseu. Sabe ler um Plano de Estabilidade e Crescimento do princípio ao fim. E não teria dificuldade em conseguir financimento para uma campanha eleitoral. Soares votaria nele.

 

Contras - A ligação a Stanley Ho torná-lo-ia num alvo permanente do sarcasmo de Ana Gomes e dos decibéis de Catarina Martins. Alguma esquerda mais radical não tardaria a acusá-lo de advogar a "economia de casino" no País. Alegre talvez produzisse dois sonetos contra a plutocracia. Soares votaria nele.

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Um partido neo-liberal?

por Patrícia Reis, em 26.03.15

O jovem disse que o seu desejo era criar um partido neo liberal. O jovem falou sobre a Grécia, o estado ca . . .

http://expresso.sapo.pt/um-partido-neo-liberal=f916404

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.03.15

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A Vida Emocional dos Animais, de Marc Bekoff

Preâmbulo de Jane Goodall

Tradução de Ana Maciel

Ciência

(edição Texto, 2015)

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Não aprendem nem querem aprender

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.03.15

Aquilo que há um ano era veementemente negado tornou-se ao fim de doze meses numa inevitabilidade.

Podiam ter aprendido alguma coisa com as meias-verdades e as aldrabices dos que os antecederam, mas a partidarite e a cegueira política e ideológica eram de tal forma graves que preferiram aldrabar os portugueses enquanto lhes atiravam areia para os olhos. Uma coisa é dizer que não há custos, outra é escamoteá-los, negá-los, ridicularizá-los desde a primeira hora para por fim acabar a admitir uma "minimização" de custos do lado dos contribuintes.

Qualquer solução teria custos. A escolhida pode ter sido a menos gravosa para os contribuintes, mas ainda assim não valia a pena ter mentido de forma tão descarada dizendo que os contribuintes não iriam suportar quaisquer custos. Se outros não houvesse sempre haveria os sociais.

É esta tão flagrante falta de seriedade no exercício do poder, no exercício da actividade política, e que persiste há várias décadas, que torna tudo mais difícil neste país. Pior só mesmo vir agora dizer que se se for governo se vai pagar a toda a gente e mais alguma.

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